Foi em agosto de 2020 que tudo explodiu, da pior maneira possível, e mudou minha vida para sempre.
Eu tinha combinado com a Sara pelo WhatsApp, bem de boa, pra eu ir buscar umas coisas minhas que tinham ficado lá e que eu nunca tinha levado. Nada demais, só uns livros e roupas que talvez eu nem usasse mais, mas não queria que ficassem lá. A Sara falou que às 15h não ia ter ninguém em casa, e como eu ainda tinha a chave magnética e a do apartamento, podia ir tranquilo pegar o que precisasse. Infelizmente, quando eu tava saindo de casa pra chegar na hora, recebi um e-mail urgente do trabalho com uma emergência que precisava ser resolvida na hora. Me conectei com minha equipe e, depois de algumas horas, deixei eles tocando o serviço, já encaminhado.
Mas, claro, isso me fez chegar atrasado, só lá pras 18h. Quando entrei no prédio, me deu uma sensação ruim no estômago porque vi, através da porta de vidro, o Armando, que tava atrás da mesa do porteiro com uns papéis. Me acalmei rápido e decidi só passar reto pros elevadores e ignorar ele completamente. Já tava esperando uma situação tensa lá em cima no apartamento, com a Sara e a Micaela em casa naquela hora, e não queria essa treta também. Então passei em silêncio na frente dele, apressando o passo sem falar nada.
“Boa tarde…”, ouvi ele dizer enquanto eu passava. Eu ignorei. Quando viu que eu não respondi, ele levantou a voz e falou de novo: “BOA TARDE, EU DISSE!”. O sangue ferveu, mas me segurei, virei, concordei com a cabeça e respondi suave.
“Boa tarde.”, só falei.
Anos depois, uma pessoa que virou um grande amigo meu me disse uma coisa muito verdadeira, que até então eu não tinha percebido. Ele falou que tinha um monte de gente na vida que era mau perdedor. O mundo tava cheio de mau perdedor. Mas vai saber por quê, também tem... Uns poucos que são maus perdedores. E esses são piores. O Armando tinha me vencido. Não só vencido, tinha me ganhado de lavada. Ele me tirou primeiro a que eu considerava minha filha, depois minha parceira e, junto com as decisões horríveis da Sara, corrompeu as duas, contribuindo pra deixar tudo tão ruim que eu tive que sair da minha casa. Pronto. Eu perdi e o jogo, por assim dizer, tinha acabado.
Mas alguns filhos da puta, parece, não conseguem se segurar e quando ganham, querem ganhar mais ainda. O Armando esperou meu elevador chegar e, quando as portas estavam abrindo, ele se soltou.
“Manda um abraço pras mina’, viado.”
Esse foi o erro dele. Foi aí que o Armando, sem saber, perdeu tudo. Mas isso veio bem depois. Ao ouvir o que ele disse, perdi toda a noção de tudo, posso dizer. Explodi de raiva e corri pra onde ele estava sentado pra pular em cima dele. Ele se assustou ao me ver atacando e logo nos enroscamos. Eu, admito, nunca soube brigar, nunca precisei, e por sorte o Armando também parecia não saber muito. Eu sou alto e magro, enquanto o Armando, como vocês sabem, é bem gordo e encorpado e mais forte que eu. Nos enroscamos ali no hall e entre empurrões, gritos e xingamentos, começamos a nos encher de porrada. A verdade é que nós dois apanhamos. Durante um empurrão, o Armando escorregou e caiu no chão, o que ele aproveitou pra se levantar e, tentando se afastar de mim, abriu a porta da rua do prédio e tropeçou até a calçada. Eu o segui aos berros e nos enroscamos de novo lá fora, só no grito e no xingamento puro.
Não me perguntem de onde, juro que não lembro e com o turbilhão de emoções que eu carregava naquele momento, tem coisas que não me lembro, mas lembro que de algum lugar tirei um galho de árvore bem grosso, com certeza de uma das árvores da quadra, que devia estar ali à mão, caído na calçada, não sei, e me joguei em cima do velho com essa arma improvisada. Comecei a bater forte, no bulto, sem mirar. enquanto o velho xingava e se cobria com o braço como podia até cair de novo na calçada e eu continuava batendo nele enquanto ele estava no chão, completamente descontrolado de raiva. Aí sinto que me pegam por trás bem forte e colocam um braço apertando minha garganta, como num golpe de judô ou algo assim. Eu tinha perdido toda a noção do que estava ao redor, mas umas duas ou três pessoas que passavam se juntaram pra ver o que tava rolando e de algum lugar surgiu um policial, que foi quem me segurou.
Perdi um pouco o ar e me senti fraco, caindo na calçada com o policial em cima de mim, me segurando com o peso dele e torcendo meu braço de um jeito bem dolorido. Ele me manteve ali um tempo, eu com a cabeça no chão conseguia ver pouco, mas o Armando já não estava mais à vista, devia ter entrado. Logo chegou uma viatura com mais policiais, me algemaram e me cercaram. Ficaram alguns minutos falando nos telefones deles, revistaram minha carteira e minhas coisas, me fazendo perguntas que eu nem queria responder, me jogaram na viatura e me levaram pra delegacia, onde me processaram e passei a noite.
Passei uma noite de merda na cela, sem conseguir dormir nada de nervoso e do desconforto. A polícia não me tratou nem bem nem mal, mas me ignoravam bastante. No dia seguinte consegui falar com minha advogada e ela veio me ver. Contei tudo pra ela e ela disse que já tinha investigado antes de entrar e que o Armando tinha feito um boletim de ocorrência por agressão e lesão, alegando que eu tinha quebrado o pulso dele. O que podia ser verdade ou não, mas eu não tinha como saber. Ela disse que ia fazer o possível pra me tirar, mas com uma denúncia já registrada era muito difícil.
Um dia depois me transferiram pra outra unidade policial, um pouco mais confortável, felizmente, e me deixaram detido lá vários dias enquanto minha advogada dizia que tava fazendo de tudo pra me soltar, mas tinha complicado porque o promotor de plantão parecia que se recusava a me liberar, argumentando que eu era um perigo e um pessoa claramente de risco para a integridade dos outros. Fiquei quase uma semana a mais lá e nesse tempo fiquei sabendo que tinham decretado minha prisão preventiva formalmente por tudo que tinha acontecido. Não só isso, mas a filha da puta da Sara, segundo minha advogada, também aproveitou pra me denunciar por violência doméstica e de gênero, então o promotor juntou a denúncia dela com a do Armando e colocou tudo numa mesma causa contra mim. Eu sabia que a Sara tinha feito isso pra tentar se livrar de mim de vez, e me castigar do jeito dela, mas mesmo assim me deu nos nervos que no meu pior momento ela também se juntasse pra foder minha vida ainda mais. Pior do que já tinha fodido.
No fim, me transferiram pra custódia do Serviço Penitenciário Federal e me alojaram num dos CPF pra adultos que funcionava dentro do presídio de Devoto, separado do resto da população da cadeia. Tive uma sequência de várias audiências com minha advogada, o promotor e outros advogados querelantes, e no meio da minha confusão, sentia que era um redemoinho de legalidade, burocracia e desespero que chegou num ponto que eu já nem sabia pra que servia cada audiência. Uns meses depois, finalmente nos apresentamos com minha advogada pra audiência final pelo Zoom, com o juiz e todas as partes, que durou algumas horas. Minha advogada tentou de tudo pra argumentar que o meu rolê com o Armando tinha sido só uma briga, e queria que fosse considerado como tal, já que daria só uma pena de 120 dias de prisão (que eu já tinha cumprido) até 6 meses. O advogado querelante, porém, se agarrou no fato de que foi totalmente premeditado e também usou a denúncia da Sara pra pedir ao juiz que considerasse como agressão e lesão corporal, com tentativa de homicídio, o que dava uma pena de 3 a 6 anos.
Também veio à tona durante essa audiência que, por causa da denúncia da Sara por violência doméstica e de gênero, quando o advogado pegou o declaração pra Micaela, a menina mentiu descaradamente, disse que eu tinha comportamentos violentos em casa, que gritava com ela e às vezes a sacudia, o que acabou de partir meu coração. Minha advogada depois da audiência me contou que a menina disse isso provavelmente influenciada pela Sara, que tava certa disso, mas era assim que os depoimentos de menores eram às vezes.
Um tempo depois, me deram a sentença e a acusação conseguiu o que queria, já que me condenaram a 3 anos de prisão por agressão e lesões agravadas, com premeditação, junto com uma ordem de restrição de distância a favor da Sara e da Micaela, válida por 5 anos depois que eu cumprir minha pena e sair em liberdade. O Juiz explicou que as acusações e as provas eram graves, mas como era minha primeira vez e eu não tinha nenhum tipo de crime ou condenação anterior, decidiu dar a pena mínima, com possibilidade de redução por bom comportamento ou trabalhos comunitários. Sem muita burocracia, já que eu já tava alojado no CPF, no dia seguinte me transferiram pro presídio de Devoto propriamente dito, junto com a população comum, e me processaram pra começar a cumprir minha condenação.
Eu tava perdido e, pra ser sincero, com um medo danado. A primeira noite, por sorte, não aconteceu nada, mas eu não preguei o olho de medo. Mas no segundo dia, assim que os caras perto de mim me viram mole, começaram a me apertar feio, pedindo coisas de um jeito muito agressivo e sem acreditar quando eu falava que não tinha nada.
Por mais sorte que providência, eu acho, me alojaram num pavilhão de gente que era, no geral, bem tranquila comparado com o que eram outros setores da cadeia. Onde eu tava, geralmente era por roubo e tinha muitos que eram motoqueiros de assalto. Outros pavilhões eram muito mais pesados. E, ao mesmo tempo, tenho certeza que foi mais por providência do que por sorte que foi nessa situação, em que tavam me apertando e enchendo o saco direto, que eu conheci quem acabou se tornando com o tempo um dos meus melhores amigos da vida.
Ele se chamava Darío, mas todo mundo chamava ele de "Caniche". Caniche já era um cara grandão, passado dos 50 anos. Era um malandro da velha guarda, daqueles que se comportavam e tinham códigos. Pra ele, o crime era só mais uma profissão, que tinha seguido a vida inteira, desde moleque no fim dos anos 80. O pai dele também tinha sido bandido desde a época do Onganía, mais ou menos, e ele tinha aprendido muito com o velho. Se você visse ele, podia passar tranquilamente por um office-boy ou um caixa de banco. Qualquer coisa. Mas tinha uma voz bem imponente, se expressava sempre com muita confiança e não era um cara violento, de jeito nenhum.
Quando Caniche viu que os outros tavam me apertando e começaram a me tratar mal, ele entrou na fita e mandou eles saírem da cela por um tempo, ficando só comigo. Me olhou como se tivesse me examinando e estendeu a mão, que eu peguei e apertei. Nos apresentamos e sentamos pra bater um papo na cela. Ele me ofereceu mate e a gente tomou enquanto conversava, e assim fomos nos conhecendo e ficando amigos rápido. Não sei se ele teve pena de me ver tão perdido e tão carne nova, ou o que foi, mas sempre me tratou muito bem, muito educado e com muito respeito, e eu sempre retribuí do mesmo jeito ou melhor.
Caniche me contou que ele comandava uma gangue dentro do pavilhão e fora da cadeia. Uma galera que ele usava pra fazer uns trampos. "Uns caras bons, a maioria", segundo ele, "Diferente dos outros pavilhões, que... puta merda, que elementos!", ele falou. Caniche se dedicava principalmente a roubar casas e carros. De vez em quando, os contatos dele usavam ele pra alguma outra parada, pra algum bico criminoso que aparecia, mas o forte dele era o roubo e era nisso que ele focava. Ele me disse que era a quarta vez que tava preso, que já conhecia todo mundo e todo mundo conhecia ele, principalmente os chefes dos outros pavilhões. Dessa vez, ele tinha caído depois de um trampo em Luján, porque um cara que ele contratou e mal conhecia acabou dedurando e derrubando os outros. mas que sorte aquele dedo-duro "já não estava mais".
Ele me disse logo de cara, nas nossas primeiras conversas: "Fica tranquilo que aqui ninguém vai te fazer nada. Se você nos tratar bem, se comportar e der a força quando precisar, pode dormir sem cobertor que a gente e eu também vamos estar aqui pra te apoiar."
Eu concordei em silêncio e ele continuou: "Você viu o que são esses caras, os dos outros pavilhões, mamãe! Têm a cabeça queimada pela droga, esses caras. Assassinos, viciados... são irrecuperáveis. Melhor perder do que achar, lembra disso. Não se mete em encrenca com essa gente, se é que dá pra chamar de gente."
Claro que, depois que peguei confiança com ele, passávamos muito tempo juntos, tomando mate e conversando sobre absolutamente tudo. De futebol e religião. Até de tecnologia. Ele era um zero à esquerda com coisas técnicas, sempre me dizia rindo, mas tinha interesse em saber e aprender pra aplicar no trampo dele. E naturalmente contei tudo o que tinha acontecido comigo, numa longa tarde, desde o começo. Uma longa tarde de longos mates, onde Caniche me ouvia e me perguntava coisas, visivelmente interessado e compreensivo. Ele tinha família, uma esposa e dois moleques, então ouviu bem a história e foi tão gentil e compreensivo comigo que ali mesmo a gente cimentou nossa amizade.
Pra ser sincero com vocês, meu tempo na cadeia não foi ruim. Não pensem que as cadeias daqui são como as que vocês veem nos filmes ou nas séries, todo mundo arrumadinho nas celas, levados como ovelhas pelos guardas pra lá e pra cá. Não sei como são as de segurança máxima, mas as normais daqui não são assim. São como um cortiço, ou um bairro. Um formigueiro de gente que às vezes se acalma de noite, mas durante o dia parece uma vizinhança bagunçada, cheia de música, gritos, risadas e brigas. De vez em quando dava pra fazer uns choripan numa churrasqueira que tinha e que deixavam a gente usar. Outras vezes, do nada, aparecia alguma bola e já formavam uns rachas, que nunca terminavam bem.
No primeiro mês da minha estadia, o Caniche falou com o pessoal do Serviço Penitenciário e conseguiu me transferir pra cela dele, que a partir daquele momento comecei a dividir com ele, com um dos braços direitos dele que chamavam de "Matu" e com outro moleque bem novo da banda. O Caniche tinha outro parceiro de confiança, que chamavam de "El Chile", mas esse tava em outra cela. Eu me mantinha fora de qualquer tipo de treta, mas às vezes, por mais que a gente tente evitar, as tretas encontram a gente. Quando isso acontecia, posso dizer com certo orgulho que eu aguentei, aguentei os da banda e, exatamente como o Caniche tinha me prometido, eles me aguentaram também. Os meses passaram e eu conquistei meu lugar com eles. Não na banda propriamente dita, não fazia serviços pra eles e não me metia nos trampos pra fora que organizavam de dentro da cadeia (pelo menos não naquela época, depois com o tempo sim).
Assim que a banda viu que eu manjava de tecnologia, era programador e tinha muito jeito pra arrumar e configurar coisas, passei a ser muito valorizado. Era certeza que eu tava sempre ajudando eles com alguma coisa. Limpar bem os celulares deles pra não deixar rastro de nada, reinstalar coisas nuns laptops remendados que eles tinham, mostrar umas paradas que eles não conheciam e por aí vai. A banda também começou a se interessar muito pelos conhecimentos que eu tinha, coisas que aprendi por conta própria ou pela minha profissão, então comecei a ensinar eles, enquanto dava. Claro que não pude ensinar algo tão complicado como programação, mas sim coisas de manutenção, instalação de software e sistemas operacionais, como conseguir software crackeado e essas paradas. Também coisas que aprendi por conta, só de curioso e interessado, como por exemplo rootear celulares, métodos pra clonar IMEIs, chaves magnéticas, dispositivos NFC, redes e várias outras coisas. Então, muito rápido eu conquistei meu apelido. Todo mundo começou a me chamar de "Hacker".
Se me permitem dar um conselho, nunca, mas nunca pensem que os presos são inferiores a vocês. Nunca pensem que não podem aprender nada, que são ignorantes, e pelo amor de Deus, jamais, mas jamais os subestimem. Se tem uma coisa que sobra na cadeia é tempo, e quando os presos veem que algo pode ser útil pra eles, seja lá o que for, eles aprendem e adotam rápido. Acabei conquistando meu lugar na gangue, mesmo que de graça, na base de ser útil e dar suporte pra eles. E eles, principalmente o Caniche e seus dois braços direitos, sempre me retribuíram à altura. Na cadeia acontece de tudo, igual lá fora, e tem todo tipo de gente, igual lá fora. Podem rolar as coisas mais absurdas e, às vezes, as situações mais emocionantes.
(Só posso contar uma dessas. Uma vez, durante nossas longas tardes de conversa com o Caniche, o assunto foi música e eu disse que curtia Metal. Ele era mais do rock clássico nacional, cumbia e um pouco de folk. Metal ele quase não conhecia. Fiz ele ouvir "Niño Jefe" do Almafuerte no meu celular e, surpreso, vi que o Caniche quase deixou escapar uma lágrima. Ele disse que a música parecia falar com ele, e também fazia lembrar muito do pai dele. Pediu pra ouvir várias vezes. A partir daí, ele me pediu pra mostrar mais Metal e agora ele ama.)
Claro, mesmo podendo e tendo os meios pra isso, desde que fui preso nunca mais olhei as câmeras do apartamento. A verdade é que me dava vergonha fazer isso na frente dos outros, por mais confiança que já tivesse, e os momentos privados na cadeia são raríssimos. Além disso, o Caniche, com toda a sabedoria e compreensão dele, sempre me dizia pra não fazer. Pra esquecer, que já era.
"Já foi, moleque", ele falava, "A vida é assim e a vida segue. Deixa pra trás. Esquece e refaz tua vida, você ainda pode quando sair daqui. Sem rancor, tudo bissnesss.", ele ria. alargando os esses.
Eu obedeci. Juro que obedeci o máximo que pude. Até que uma noite fatídica eu me senti deprimido, não estava nada bem. O Caniche tinha contado naquele dia, muito feliz, que iam soltar ele logo. Ele, o Chile e mais alguns uns dias depois. Fiquei triste por saber que não ia ver ele, nem compartilhar tanto com meu amigo. Tava chovendo pra caralho lá fora e pela primeira vez desde que entrei no presídio, me senti sozinho, mesmo dividindo cela com outras três pessoas. Levantei do meu catre, procurei um cantinho pra não encher o saco dos outros que tavam dormindo, e comecei a revisar as câmeras no meu celular. Claro que ninguém mais tava lá pra fazer backup se eu não tivesse, então o pobre disco rígido do gravador só guardava os últimos 30 dias, sobrescrevendo um dia novo constantemente. Mas algo é algo, pensei, e comecei a revisar aqueles dias, em silêncio com meus fones.
Vi o que esperava ver. O Armando já praticamente morando na que era minha casa, com a que era minha parceira e com a que eu considerava minha filha. Às vezes vi ele comendo uma, às vezes a outra. Como sempre, mas parecia que a frequência do sexo que ele costumava ter com elas tinha diminuído. Alguns dias ele tava lá mas não rolava nada. Dormia seguido, vários dias por semana, na que era minha cama junto com a Sara. Uns fins de semana vi que o apartamento ficou completamente vazio. Imaginei que o Armando tinha levado elas pra casa dele em Tortuguitas.
Mas teve uma noite, segundo o arquivo do gravador, seis dias atrás, uma Sexta, que notei algo que me chamou a atenção visualmente enquanto passava o arquivo rápido. Voltei e comecei a ver. Era por volta das 22:30, já deviam ter jantado, imaginei, e vi os três no quarto, na cama grande. Engoli seco, mas não parecia tão terrível. Parecia até normal, então comecei a escutar.
Tavam os três na cama. O Armando e a Sara recostados com as costas na cabeceira da cama, com as pernas cobertas. até a cintura delas. Ele com o torso nu e um braço em volta da Sara, acariciando ela suavemente enquanto ela deitada nele, sobre a barriga e o lado dele, retribuindo os carinhos no peito peludo dele. A Micaela tava com eles, mas sentada na cama de pernas cruzadas, não tava coberta e os três tavam conversando, ou na verdade parecia que o Armando e a Sara tavam ouvindo a Micaela, que tava só de camiseta e uma calcinha.
"Beleza, então, vamos falar", a Sara falou pra Micaela enquanto o Armando ouvia quieto. A Micaela parecia querer responder, mas não achava as palavras ou o jeito. A Sara insistiu, "Fala, Miki, conta pra gente o que você queria saber. Somos a mamãe e o Armando, meu amor. Sabe que pode contar qualquer coisa pra gente. O que você quiser.", ela sorriu docemente.
"É", falou o Armando.
"Sem vergonha, minha vida," a Sara continuou falando com doçura, "Sabe que a gente sempre pôde se falar tudo, né? Sempre foi assim e isso nunca vai mudar, te prometo."
A Micaela finalmente criou coragem e falou, "Tô com um pouco de medo."
"É? Medo de quê?", perguntou o Armando e pegou a mão dela, acariciando com os dedos grossos dele.
"Sei lá, mãe.", respondeu a Micaela, "Às vezes eu tenho dificuldade de me adaptar", ela disse. Tanto tempo tinha passado, pensei, ela já soava tão adulta?
"Você diz à situação de agora, né?", perguntou a Sara, "Que o Armando agora tá com a gente?". A Micaela concordou com a cabeça e a Sara perguntou de novo, "Sente como se estivesse perdendo o Armando?"
"Pode ser, sei lá...", respondeu a Micaela.
"Sente como se ele não te quisesse mais? Ou que te quer menos?", perguntou a Sara.
"Pode ser...", disse a Micaela olhando pro Armando.
"Mas que isso, mami..." o Armando falou pra Micaela com um sorriso, "Imagina se eu vou deixar de te querer, cê tá louca, bonequinha?"
"Mas ele tá com você", respondeu a Micaela, "Tá com a mamãe.", ela repetiu pro Armando.
"Sim, e daí?", ele respondeu, "Tô com sua mãe e também tô com você, linda. Que problema Ei?"
Sara a segurou ele suavemente e sorriu para Micaela, "O que a Mica quer dizer é que de repente se sente deslocada, e que acha que perdeu o lugar que tinha e onde se sentia confortável, não é, Miki?"
"É, mais ou menos isso, sei lá", respondeu Micaela.
Sara sorriu para ela e falou docemente, "Isso faz parte de crescer, Miki. Crescer é aceitar coisas novas e aprender. Você é minha vida, Miki. Meu sol. Nunca, mas nunca mesmo, faria algo pra te machucar, isso você sabe, né?"
"Claro, mãe..."
"Então, por que a gente não aprende isso tudo junto, hmm? A gente cresce junto? Que tal? Pra mim também é novo.", disse Sara.
"Pra mim também, pra ser sincero...", completou Armando.
Mica concordou e se aproximou de Armando pra abraçá-lo e descansar o rosto no peito peludo dele, enquanto Armando a abraçou com o braço livre e acariciou a bochecha dela com um sorriso. Sara observou os dois, também com um sorriso suave, e estendeu uma mão pra acariciar o cabelo da menina.
"Já sei", disse Sara, "Você acha que vai perder sua intimidade sexual e seu relacionamento com o Armando, né?"
"De jeito nenhum", completou Armando.
Mica se ergueu um pouco e olhou para os dois, "É, pode ser. Não quero isso."
Sara respirou fundo e pensou por um momento breve, "E a gente também não quer que você perca. Fica tranquila. Eu sei que isso é... incomum, mas vamos fazer uma coisa. Olha. Pensa assim. Você ama o Armando e o Armando ama você, não é?"
Micaela concordou e Sara continuou, "Eu, você já sabe, amo o Armando e ele me ama. Nada disso vai mudar. Então, como eu te falei antes, vamos aprender juntos. O amor entre as pessoas é maravilhoso, Miki, sei que você sabe disso."
"Claro, mãe."
"Vamos aprender a compartilhar?", perguntou Sara sorrindo, e Mica respondeu com um sorrisão da boca larga. Sara se virou pra dizer a Armando, "Vale pra você também, hein? Porque isso é um acordo entre todos. Vamos aprender a compartilhar?"
"Pode crer...", disse Armando rindo e apertando carinhosamente a cintura de Sara.
"Então, não tem Sem problema", disse Sara feliz, "Nada muda de verdade, Mica. Eu sei que te faz muito, muito feliz dar prazer pro Armando. E eu também fico feliz em fazer o mesmo. E eu sei que ele nos ama igualmente."
"Vem cá, linda..." disse Armando, ajudando Mica a se levantar um pouco na cama pra aproximar o rosto e dar um beijo, carinhoso e profundo, que Mica correspondeu enquanto Sara os observava com um sorriso. "Assim que eu gosto", ele disse pra menina, "Sabe que eu te quero, linda, e sabe que também quero sua mãe. Aliás, olha, vem cá você também...", disse pra Sara enquanto soltava o abraço e a ajudava a se levantar um pouco na cama.
Sara adivinhou o que Armando queria, se levantou com a ajuda dele e, com um sorriso, ergueu um pouco a blusa solta que vestia, revelando uma barriga de grávida já bem inchada. Sara passou os dedos suavemente sobre a barriga, e Armando fez o mesmo com os dedos grossos. Micaela riu baixinho e feliz, olhando a gravidez da mãe.
"Tua mãe não é gostosa, hein?", perguntou Armando. Mica concordou com a cabeça, e Armando insistiu: "Fala a verdade, tua mãe não é gostosa?"
Micaela olhou pra Sara, e as duas trocaram uma conexão doce sem palavras. Por fim, ela disse: "Mamãe é linda."
Sara sorriu e, com esforço, se inclinou pra beijar a testa de Micaela, demoradamente, e depois pra beijar Armando, fundo e com amor, um beijo longo enquanto Mica só observava em silêncio, brincando um pouco com os pelos do peito de Armando.
"Tenho as duas gostosas mais lindas que existem...", riu Armando, enquanto parava de beijar Sara e puxava Micaela pra perto pra dar outro chupão longo e profundo, que Mica pareceu retribuir com paixão. Sara se deitou de novo no peito e no ombro de Armando, enquanto também os observava.
Depois de um momento de silêncio em que os três se acariciavam, Armando deslizou a mão debaixo do cobertor e pareceu ou coçar o saco ou ajustar o volume, que com certeza já devia estar dando sinais de alerta. Sara percebeu e ficou pensativa por um momento, enquanto continuava recebendo as carícias de Armando na cintura com a outra mão. Olhou para Micaela por um instante, se esticou para dar outro beijo longo em Armando e perguntou a Micaela: "Então a gente aprende junto?"
Micaela olhou para ela, pensou por um momento e percebeu o que Sara tinha querido dizer. Riu baixinho e tapou a boca, o que sempre fazia quando se sentia envergonhada.
"Ai maaaa... não!", riu.
"O que foi?", perguntou Armando, que parecia não ter sacado o que as duas tinham se comunicado.
"Tô com vergonha! Você tá aí!", continuou rindo Mica.
Sara riu suave: "Você tem razão, Miki. Vamos devagar. De pouco em pouco." Pegou a ponta do cobertor com que estavam cobertos e levantou como se fosse criar espaço. "Se quiser, eu não olho pra você.", sorriu pra menina.
"Ufff... eu...", riu Armando.
Micaela riu alto com Armando e se enfiou, escapando inteira e rapidamente debaixo do cobertor. Ela mesma pegou a ponta e fechou por cima dela, se cobrindo completamente. Depois de alguns segundos em que a menina encontrou o que procurava, o formato arredondado da cabecinha dela aparecia por baixo do cobertor, inchando visivelmente. Logo o formato começou a se mover suavemente e devagar sobre a altura dos quadris de Armando, que fechou os olhos e riu: "Ufff... a putinha da mãe...". O formato da cabecinha de Mica começou a se mover devagar, pra cima e pra baixo, enquanto Armando abria os olhos e observava a imagem da menina começando a chupar a pica dele debaixo do cobertor.
Armando e Sara se olharam, trocaram uns beijos profundos enquanto Micaela satisfazia o velho, e depois ficaram olhando o espetáculo, Armando amassando a bunda de Sara no abraço enquanto os dois olhavam, cochichavam algumas coisas, se beijavam e voltavam a olhar. Se olhavam, cochichavam coisinhas e continuavam vendo a menina satisfazer o velho. Armando começou a acariciar e apertar um dos peitos da Sara com a outra mão. As tetas da Sara pareciam ter crescido um pouco por causa da gravidez, estavam firmes e maiores, escapando um pouco da blusa confortável que ela usava. Num momento, Armando começou a apalpar a Sara com mais força, movendo a mão que a abraçava bem pra baixo até a bunda dela e deslizando uns dedos pela racha, o que esquentou mais a Sara, que começou a beijá-lo, enquanto parava pra olhar a cabecinha da Micaela, que continuava subindo e descendo devagar debaixo da coberta.
Armando de repente parou e riu, levantando a coberta: "Beeeem... para aí, eu... acabou o primeiro tempo, vamo'..."
As duas riram com safadeza e a Mica emergiu de baixo da coberta com um sorriso bem malicioso. Ela se jogou direto na cara do Armando e os dois se fundiram num beijo bem profundo, enquanto a Sara olhava e ria.
"Viu que não era tão difícil?", perguntou pra Micaela, "Cabeça aberta sempre, Mica." Micaela parou de beijar o Armando e ficou pendurada no pescoço do velho, enquanto sorria pra Sara. Ela perguntou pra Mica: "Gostou?"
"Claro, mãe..."
"Bom, viu que o Armando também gostou."
"Como sempre, linda... tu chupa divino e não mudou nada, viu? Como a mamãe disse", falou pra Micaela e começou a acariciá-la.
"Perdeu a vergonha?", perguntou a Sara pra Mica, enquanto Armando não parava de amassar a bunda da que agora era sua mulher.
"Um pouco, sim.", respondeu a Mica com um sorriso brilhante.
Sara fez uma careta debochada pra Mica e pareceu piscar um olho: "Bom, agora é minha vez. E eu não tenho vergonha...", disse enquanto deslizou a coberta pra descobrir o Armando, mostrando a barriga peluda e o pau moreno dele, duro, ereto e brilhante graças às atenções da Mica. A grande cabeça da porra que o Armando tinha parecia quase explodir de tão inchada. Sara se aproximou, procurou uma posição confortável pra acomodar a barriga de grávida e, sem mais, pegou o pau duro do Armando pela base e levou à boca. começando a chupá-lo apaixonadamente, aproveitando cada centímetro que entrava e saía da boca entre gemidos nasais. Armando começou a gemer fundo de novo e abraçou Micaela com força, beijando-a apaixonadamente e com uma mão massageando a bunda da guria, que respondeu a tudo com gosto.
"Desliga isso", de repente eu senti a voz forte do Caniche atrás de mim. Virei-me assustado e ele estava ali parado atrás de mim, olhando meu celular e me encarando. Tinha visto tudo? Quanto viu? Quanto conseguiu ver? Desliguei o celular de pura vergonha e o Caniche primeiro colocou a mão no meu ombro e com a outra me entregou um pedaço de papel toalha. Eu tinha os olhos e as bochechas cheios de lágrimas e nem tinha percebido. Me sequei como pude e o Caniche sentou do meu lado, na quietude da cela quase escura enquanto a chuva batia forte lá fora. Ele colocou um braço em volta dos meus ombros e me apertou forte. "Tem que ter força na vida, amigo. Tem que superar...", ele disse.
Mas eu explodi por dentro. Comecei a chorar de novo desconsoladamente e ele me ofereceu o ombro. Foi a primeira e única vez na vida em que chorei no ombro de um amigo. Depois de um tempo até eu me acalmar, o Caniche, sem soltar o abraço, chamou o Matu baixinho até acordá-lo, fez ele vir em silêncio e sentar com a gente, na intimidade da nossa cela.
"Matu", ele começou a dizer, "Agora que eu vou sair com o Chile, vamos ter que fazer umas paradas". Foi aí que ele contou o que pensava e um pouco do que pretendia fazer. Nós três conversamos a noite toda.
Eu tinha combinado com a Sara pelo WhatsApp, bem de boa, pra eu ir buscar umas coisas minhas que tinham ficado lá e que eu nunca tinha levado. Nada demais, só uns livros e roupas que talvez eu nem usasse mais, mas não queria que ficassem lá. A Sara falou que às 15h não ia ter ninguém em casa, e como eu ainda tinha a chave magnética e a do apartamento, podia ir tranquilo pegar o que precisasse. Infelizmente, quando eu tava saindo de casa pra chegar na hora, recebi um e-mail urgente do trabalho com uma emergência que precisava ser resolvida na hora. Me conectei com minha equipe e, depois de algumas horas, deixei eles tocando o serviço, já encaminhado.
Mas, claro, isso me fez chegar atrasado, só lá pras 18h. Quando entrei no prédio, me deu uma sensação ruim no estômago porque vi, através da porta de vidro, o Armando, que tava atrás da mesa do porteiro com uns papéis. Me acalmei rápido e decidi só passar reto pros elevadores e ignorar ele completamente. Já tava esperando uma situação tensa lá em cima no apartamento, com a Sara e a Micaela em casa naquela hora, e não queria essa treta também. Então passei em silêncio na frente dele, apressando o passo sem falar nada.
“Boa tarde…”, ouvi ele dizer enquanto eu passava. Eu ignorei. Quando viu que eu não respondi, ele levantou a voz e falou de novo: “BOA TARDE, EU DISSE!”. O sangue ferveu, mas me segurei, virei, concordei com a cabeça e respondi suave.
“Boa tarde.”, só falei.
Anos depois, uma pessoa que virou um grande amigo meu me disse uma coisa muito verdadeira, que até então eu não tinha percebido. Ele falou que tinha um monte de gente na vida que era mau perdedor. O mundo tava cheio de mau perdedor. Mas vai saber por quê, também tem... Uns poucos que são maus perdedores. E esses são piores. O Armando tinha me vencido. Não só vencido, tinha me ganhado de lavada. Ele me tirou primeiro a que eu considerava minha filha, depois minha parceira e, junto com as decisões horríveis da Sara, corrompeu as duas, contribuindo pra deixar tudo tão ruim que eu tive que sair da minha casa. Pronto. Eu perdi e o jogo, por assim dizer, tinha acabado.
Mas alguns filhos da puta, parece, não conseguem se segurar e quando ganham, querem ganhar mais ainda. O Armando esperou meu elevador chegar e, quando as portas estavam abrindo, ele se soltou.
“Manda um abraço pras mina’, viado.”
Esse foi o erro dele. Foi aí que o Armando, sem saber, perdeu tudo. Mas isso veio bem depois. Ao ouvir o que ele disse, perdi toda a noção de tudo, posso dizer. Explodi de raiva e corri pra onde ele estava sentado pra pular em cima dele. Ele se assustou ao me ver atacando e logo nos enroscamos. Eu, admito, nunca soube brigar, nunca precisei, e por sorte o Armando também parecia não saber muito. Eu sou alto e magro, enquanto o Armando, como vocês sabem, é bem gordo e encorpado e mais forte que eu. Nos enroscamos ali no hall e entre empurrões, gritos e xingamentos, começamos a nos encher de porrada. A verdade é que nós dois apanhamos. Durante um empurrão, o Armando escorregou e caiu no chão, o que ele aproveitou pra se levantar e, tentando se afastar de mim, abriu a porta da rua do prédio e tropeçou até a calçada. Eu o segui aos berros e nos enroscamos de novo lá fora, só no grito e no xingamento puro.
Não me perguntem de onde, juro que não lembro e com o turbilhão de emoções que eu carregava naquele momento, tem coisas que não me lembro, mas lembro que de algum lugar tirei um galho de árvore bem grosso, com certeza de uma das árvores da quadra, que devia estar ali à mão, caído na calçada, não sei, e me joguei em cima do velho com essa arma improvisada. Comecei a bater forte, no bulto, sem mirar. enquanto o velho xingava e se cobria com o braço como podia até cair de novo na calçada e eu continuava batendo nele enquanto ele estava no chão, completamente descontrolado de raiva. Aí sinto que me pegam por trás bem forte e colocam um braço apertando minha garganta, como num golpe de judô ou algo assim. Eu tinha perdido toda a noção do que estava ao redor, mas umas duas ou três pessoas que passavam se juntaram pra ver o que tava rolando e de algum lugar surgiu um policial, que foi quem me segurou.
Perdi um pouco o ar e me senti fraco, caindo na calçada com o policial em cima de mim, me segurando com o peso dele e torcendo meu braço de um jeito bem dolorido. Ele me manteve ali um tempo, eu com a cabeça no chão conseguia ver pouco, mas o Armando já não estava mais à vista, devia ter entrado. Logo chegou uma viatura com mais policiais, me algemaram e me cercaram. Ficaram alguns minutos falando nos telefones deles, revistaram minha carteira e minhas coisas, me fazendo perguntas que eu nem queria responder, me jogaram na viatura e me levaram pra delegacia, onde me processaram e passei a noite.
Passei uma noite de merda na cela, sem conseguir dormir nada de nervoso e do desconforto. A polícia não me tratou nem bem nem mal, mas me ignoravam bastante. No dia seguinte consegui falar com minha advogada e ela veio me ver. Contei tudo pra ela e ela disse que já tinha investigado antes de entrar e que o Armando tinha feito um boletim de ocorrência por agressão e lesão, alegando que eu tinha quebrado o pulso dele. O que podia ser verdade ou não, mas eu não tinha como saber. Ela disse que ia fazer o possível pra me tirar, mas com uma denúncia já registrada era muito difícil.
Um dia depois me transferiram pra outra unidade policial, um pouco mais confortável, felizmente, e me deixaram detido lá vários dias enquanto minha advogada dizia que tava fazendo de tudo pra me soltar, mas tinha complicado porque o promotor de plantão parecia que se recusava a me liberar, argumentando que eu era um perigo e um pessoa claramente de risco para a integridade dos outros. Fiquei quase uma semana a mais lá e nesse tempo fiquei sabendo que tinham decretado minha prisão preventiva formalmente por tudo que tinha acontecido. Não só isso, mas a filha da puta da Sara, segundo minha advogada, também aproveitou pra me denunciar por violência doméstica e de gênero, então o promotor juntou a denúncia dela com a do Armando e colocou tudo numa mesma causa contra mim. Eu sabia que a Sara tinha feito isso pra tentar se livrar de mim de vez, e me castigar do jeito dela, mas mesmo assim me deu nos nervos que no meu pior momento ela também se juntasse pra foder minha vida ainda mais. Pior do que já tinha fodido.
No fim, me transferiram pra custódia do Serviço Penitenciário Federal e me alojaram num dos CPF pra adultos que funcionava dentro do presídio de Devoto, separado do resto da população da cadeia. Tive uma sequência de várias audiências com minha advogada, o promotor e outros advogados querelantes, e no meio da minha confusão, sentia que era um redemoinho de legalidade, burocracia e desespero que chegou num ponto que eu já nem sabia pra que servia cada audiência. Uns meses depois, finalmente nos apresentamos com minha advogada pra audiência final pelo Zoom, com o juiz e todas as partes, que durou algumas horas. Minha advogada tentou de tudo pra argumentar que o meu rolê com o Armando tinha sido só uma briga, e queria que fosse considerado como tal, já que daria só uma pena de 120 dias de prisão (que eu já tinha cumprido) até 6 meses. O advogado querelante, porém, se agarrou no fato de que foi totalmente premeditado e também usou a denúncia da Sara pra pedir ao juiz que considerasse como agressão e lesão corporal, com tentativa de homicídio, o que dava uma pena de 3 a 6 anos.
Também veio à tona durante essa audiência que, por causa da denúncia da Sara por violência doméstica e de gênero, quando o advogado pegou o declaração pra Micaela, a menina mentiu descaradamente, disse que eu tinha comportamentos violentos em casa, que gritava com ela e às vezes a sacudia, o que acabou de partir meu coração. Minha advogada depois da audiência me contou que a menina disse isso provavelmente influenciada pela Sara, que tava certa disso, mas era assim que os depoimentos de menores eram às vezes.
Um tempo depois, me deram a sentença e a acusação conseguiu o que queria, já que me condenaram a 3 anos de prisão por agressão e lesões agravadas, com premeditação, junto com uma ordem de restrição de distância a favor da Sara e da Micaela, válida por 5 anos depois que eu cumprir minha pena e sair em liberdade. O Juiz explicou que as acusações e as provas eram graves, mas como era minha primeira vez e eu não tinha nenhum tipo de crime ou condenação anterior, decidiu dar a pena mínima, com possibilidade de redução por bom comportamento ou trabalhos comunitários. Sem muita burocracia, já que eu já tava alojado no CPF, no dia seguinte me transferiram pro presídio de Devoto propriamente dito, junto com a população comum, e me processaram pra começar a cumprir minha condenação.
Eu tava perdido e, pra ser sincero, com um medo danado. A primeira noite, por sorte, não aconteceu nada, mas eu não preguei o olho de medo. Mas no segundo dia, assim que os caras perto de mim me viram mole, começaram a me apertar feio, pedindo coisas de um jeito muito agressivo e sem acreditar quando eu falava que não tinha nada.
Por mais sorte que providência, eu acho, me alojaram num pavilhão de gente que era, no geral, bem tranquila comparado com o que eram outros setores da cadeia. Onde eu tava, geralmente era por roubo e tinha muitos que eram motoqueiros de assalto. Outros pavilhões eram muito mais pesados. E, ao mesmo tempo, tenho certeza que foi mais por providência do que por sorte que foi nessa situação, em que tavam me apertando e enchendo o saco direto, que eu conheci quem acabou se tornando com o tempo um dos meus melhores amigos da vida.
Ele se chamava Darío, mas todo mundo chamava ele de "Caniche". Caniche já era um cara grandão, passado dos 50 anos. Era um malandro da velha guarda, daqueles que se comportavam e tinham códigos. Pra ele, o crime era só mais uma profissão, que tinha seguido a vida inteira, desde moleque no fim dos anos 80. O pai dele também tinha sido bandido desde a época do Onganía, mais ou menos, e ele tinha aprendido muito com o velho. Se você visse ele, podia passar tranquilamente por um office-boy ou um caixa de banco. Qualquer coisa. Mas tinha uma voz bem imponente, se expressava sempre com muita confiança e não era um cara violento, de jeito nenhum.
Quando Caniche viu que os outros tavam me apertando e começaram a me tratar mal, ele entrou na fita e mandou eles saírem da cela por um tempo, ficando só comigo. Me olhou como se tivesse me examinando e estendeu a mão, que eu peguei e apertei. Nos apresentamos e sentamos pra bater um papo na cela. Ele me ofereceu mate e a gente tomou enquanto conversava, e assim fomos nos conhecendo e ficando amigos rápido. Não sei se ele teve pena de me ver tão perdido e tão carne nova, ou o que foi, mas sempre me tratou muito bem, muito educado e com muito respeito, e eu sempre retribuí do mesmo jeito ou melhor.
Caniche me contou que ele comandava uma gangue dentro do pavilhão e fora da cadeia. Uma galera que ele usava pra fazer uns trampos. "Uns caras bons, a maioria", segundo ele, "Diferente dos outros pavilhões, que... puta merda, que elementos!", ele falou. Caniche se dedicava principalmente a roubar casas e carros. De vez em quando, os contatos dele usavam ele pra alguma outra parada, pra algum bico criminoso que aparecia, mas o forte dele era o roubo e era nisso que ele focava. Ele me disse que era a quarta vez que tava preso, que já conhecia todo mundo e todo mundo conhecia ele, principalmente os chefes dos outros pavilhões. Dessa vez, ele tinha caído depois de um trampo em Luján, porque um cara que ele contratou e mal conhecia acabou dedurando e derrubando os outros. mas que sorte aquele dedo-duro "já não estava mais".
Ele me disse logo de cara, nas nossas primeiras conversas: "Fica tranquilo que aqui ninguém vai te fazer nada. Se você nos tratar bem, se comportar e der a força quando precisar, pode dormir sem cobertor que a gente e eu também vamos estar aqui pra te apoiar."
Eu concordei em silêncio e ele continuou: "Você viu o que são esses caras, os dos outros pavilhões, mamãe! Têm a cabeça queimada pela droga, esses caras. Assassinos, viciados... são irrecuperáveis. Melhor perder do que achar, lembra disso. Não se mete em encrenca com essa gente, se é que dá pra chamar de gente."
Claro que, depois que peguei confiança com ele, passávamos muito tempo juntos, tomando mate e conversando sobre absolutamente tudo. De futebol e religião. Até de tecnologia. Ele era um zero à esquerda com coisas técnicas, sempre me dizia rindo, mas tinha interesse em saber e aprender pra aplicar no trampo dele. E naturalmente contei tudo o que tinha acontecido comigo, numa longa tarde, desde o começo. Uma longa tarde de longos mates, onde Caniche me ouvia e me perguntava coisas, visivelmente interessado e compreensivo. Ele tinha família, uma esposa e dois moleques, então ouviu bem a história e foi tão gentil e compreensivo comigo que ali mesmo a gente cimentou nossa amizade.
Pra ser sincero com vocês, meu tempo na cadeia não foi ruim. Não pensem que as cadeias daqui são como as que vocês veem nos filmes ou nas séries, todo mundo arrumadinho nas celas, levados como ovelhas pelos guardas pra lá e pra cá. Não sei como são as de segurança máxima, mas as normais daqui não são assim. São como um cortiço, ou um bairro. Um formigueiro de gente que às vezes se acalma de noite, mas durante o dia parece uma vizinhança bagunçada, cheia de música, gritos, risadas e brigas. De vez em quando dava pra fazer uns choripan numa churrasqueira que tinha e que deixavam a gente usar. Outras vezes, do nada, aparecia alguma bola e já formavam uns rachas, que nunca terminavam bem.
No primeiro mês da minha estadia, o Caniche falou com o pessoal do Serviço Penitenciário e conseguiu me transferir pra cela dele, que a partir daquele momento comecei a dividir com ele, com um dos braços direitos dele que chamavam de "Matu" e com outro moleque bem novo da banda. O Caniche tinha outro parceiro de confiança, que chamavam de "El Chile", mas esse tava em outra cela. Eu me mantinha fora de qualquer tipo de treta, mas às vezes, por mais que a gente tente evitar, as tretas encontram a gente. Quando isso acontecia, posso dizer com certo orgulho que eu aguentei, aguentei os da banda e, exatamente como o Caniche tinha me prometido, eles me aguentaram também. Os meses passaram e eu conquistei meu lugar com eles. Não na banda propriamente dita, não fazia serviços pra eles e não me metia nos trampos pra fora que organizavam de dentro da cadeia (pelo menos não naquela época, depois com o tempo sim).
Assim que a banda viu que eu manjava de tecnologia, era programador e tinha muito jeito pra arrumar e configurar coisas, passei a ser muito valorizado. Era certeza que eu tava sempre ajudando eles com alguma coisa. Limpar bem os celulares deles pra não deixar rastro de nada, reinstalar coisas nuns laptops remendados que eles tinham, mostrar umas paradas que eles não conheciam e por aí vai. A banda também começou a se interessar muito pelos conhecimentos que eu tinha, coisas que aprendi por conta própria ou pela minha profissão, então comecei a ensinar eles, enquanto dava. Claro que não pude ensinar algo tão complicado como programação, mas sim coisas de manutenção, instalação de software e sistemas operacionais, como conseguir software crackeado e essas paradas. Também coisas que aprendi por conta, só de curioso e interessado, como por exemplo rootear celulares, métodos pra clonar IMEIs, chaves magnéticas, dispositivos NFC, redes e várias outras coisas. Então, muito rápido eu conquistei meu apelido. Todo mundo começou a me chamar de "Hacker".
Se me permitem dar um conselho, nunca, mas nunca pensem que os presos são inferiores a vocês. Nunca pensem que não podem aprender nada, que são ignorantes, e pelo amor de Deus, jamais, mas jamais os subestimem. Se tem uma coisa que sobra na cadeia é tempo, e quando os presos veem que algo pode ser útil pra eles, seja lá o que for, eles aprendem e adotam rápido. Acabei conquistando meu lugar na gangue, mesmo que de graça, na base de ser útil e dar suporte pra eles. E eles, principalmente o Caniche e seus dois braços direitos, sempre me retribuíram à altura. Na cadeia acontece de tudo, igual lá fora, e tem todo tipo de gente, igual lá fora. Podem rolar as coisas mais absurdas e, às vezes, as situações mais emocionantes.
(Só posso contar uma dessas. Uma vez, durante nossas longas tardes de conversa com o Caniche, o assunto foi música e eu disse que curtia Metal. Ele era mais do rock clássico nacional, cumbia e um pouco de folk. Metal ele quase não conhecia. Fiz ele ouvir "Niño Jefe" do Almafuerte no meu celular e, surpreso, vi que o Caniche quase deixou escapar uma lágrima. Ele disse que a música parecia falar com ele, e também fazia lembrar muito do pai dele. Pediu pra ouvir várias vezes. A partir daí, ele me pediu pra mostrar mais Metal e agora ele ama.)
Claro, mesmo podendo e tendo os meios pra isso, desde que fui preso nunca mais olhei as câmeras do apartamento. A verdade é que me dava vergonha fazer isso na frente dos outros, por mais confiança que já tivesse, e os momentos privados na cadeia são raríssimos. Além disso, o Caniche, com toda a sabedoria e compreensão dele, sempre me dizia pra não fazer. Pra esquecer, que já era.
"Já foi, moleque", ele falava, "A vida é assim e a vida segue. Deixa pra trás. Esquece e refaz tua vida, você ainda pode quando sair daqui. Sem rancor, tudo bissnesss.", ele ria. alargando os esses.
Eu obedeci. Juro que obedeci o máximo que pude. Até que uma noite fatídica eu me senti deprimido, não estava nada bem. O Caniche tinha contado naquele dia, muito feliz, que iam soltar ele logo. Ele, o Chile e mais alguns uns dias depois. Fiquei triste por saber que não ia ver ele, nem compartilhar tanto com meu amigo. Tava chovendo pra caralho lá fora e pela primeira vez desde que entrei no presídio, me senti sozinho, mesmo dividindo cela com outras três pessoas. Levantei do meu catre, procurei um cantinho pra não encher o saco dos outros que tavam dormindo, e comecei a revisar as câmeras no meu celular. Claro que ninguém mais tava lá pra fazer backup se eu não tivesse, então o pobre disco rígido do gravador só guardava os últimos 30 dias, sobrescrevendo um dia novo constantemente. Mas algo é algo, pensei, e comecei a revisar aqueles dias, em silêncio com meus fones.
Vi o que esperava ver. O Armando já praticamente morando na que era minha casa, com a que era minha parceira e com a que eu considerava minha filha. Às vezes vi ele comendo uma, às vezes a outra. Como sempre, mas parecia que a frequência do sexo que ele costumava ter com elas tinha diminuído. Alguns dias ele tava lá mas não rolava nada. Dormia seguido, vários dias por semana, na que era minha cama junto com a Sara. Uns fins de semana vi que o apartamento ficou completamente vazio. Imaginei que o Armando tinha levado elas pra casa dele em Tortuguitas.
Mas teve uma noite, segundo o arquivo do gravador, seis dias atrás, uma Sexta, que notei algo que me chamou a atenção visualmente enquanto passava o arquivo rápido. Voltei e comecei a ver. Era por volta das 22:30, já deviam ter jantado, imaginei, e vi os três no quarto, na cama grande. Engoli seco, mas não parecia tão terrível. Parecia até normal, então comecei a escutar.
Tavam os três na cama. O Armando e a Sara recostados com as costas na cabeceira da cama, com as pernas cobertas. até a cintura delas. Ele com o torso nu e um braço em volta da Sara, acariciando ela suavemente enquanto ela deitada nele, sobre a barriga e o lado dele, retribuindo os carinhos no peito peludo dele. A Micaela tava com eles, mas sentada na cama de pernas cruzadas, não tava coberta e os três tavam conversando, ou na verdade parecia que o Armando e a Sara tavam ouvindo a Micaela, que tava só de camiseta e uma calcinha.
"Beleza, então, vamos falar", a Sara falou pra Micaela enquanto o Armando ouvia quieto. A Micaela parecia querer responder, mas não achava as palavras ou o jeito. A Sara insistiu, "Fala, Miki, conta pra gente o que você queria saber. Somos a mamãe e o Armando, meu amor. Sabe que pode contar qualquer coisa pra gente. O que você quiser.", ela sorriu docemente.
"É", falou o Armando.
"Sem vergonha, minha vida," a Sara continuou falando com doçura, "Sabe que a gente sempre pôde se falar tudo, né? Sempre foi assim e isso nunca vai mudar, te prometo."
A Micaela finalmente criou coragem e falou, "Tô com um pouco de medo."
"É? Medo de quê?", perguntou o Armando e pegou a mão dela, acariciando com os dedos grossos dele.
"Sei lá, mãe.", respondeu a Micaela, "Às vezes eu tenho dificuldade de me adaptar", ela disse. Tanto tempo tinha passado, pensei, ela já soava tão adulta?
"Você diz à situação de agora, né?", perguntou a Sara, "Que o Armando agora tá com a gente?". A Micaela concordou com a cabeça e a Sara perguntou de novo, "Sente como se estivesse perdendo o Armando?"
"Pode ser, sei lá...", respondeu a Micaela.
"Sente como se ele não te quisesse mais? Ou que te quer menos?", perguntou a Sara.
"Pode ser...", disse a Micaela olhando pro Armando.
"Mas que isso, mami..." o Armando falou pra Micaela com um sorriso, "Imagina se eu vou deixar de te querer, cê tá louca, bonequinha?"
"Mas ele tá com você", respondeu a Micaela, "Tá com a mamãe.", ela repetiu pro Armando.
"Sim, e daí?", ele respondeu, "Tô com sua mãe e também tô com você, linda. Que problema Ei?"
Sara a segurou ele suavemente e sorriu para Micaela, "O que a Mica quer dizer é que de repente se sente deslocada, e que acha que perdeu o lugar que tinha e onde se sentia confortável, não é, Miki?"
"É, mais ou menos isso, sei lá", respondeu Micaela.
Sara sorriu para ela e falou docemente, "Isso faz parte de crescer, Miki. Crescer é aceitar coisas novas e aprender. Você é minha vida, Miki. Meu sol. Nunca, mas nunca mesmo, faria algo pra te machucar, isso você sabe, né?"
"Claro, mãe..."
"Então, por que a gente não aprende isso tudo junto, hmm? A gente cresce junto? Que tal? Pra mim também é novo.", disse Sara.
"Pra mim também, pra ser sincero...", completou Armando.
Mica concordou e se aproximou de Armando pra abraçá-lo e descansar o rosto no peito peludo dele, enquanto Armando a abraçou com o braço livre e acariciou a bochecha dela com um sorriso. Sara observou os dois, também com um sorriso suave, e estendeu uma mão pra acariciar o cabelo da menina.
"Já sei", disse Sara, "Você acha que vai perder sua intimidade sexual e seu relacionamento com o Armando, né?"
"De jeito nenhum", completou Armando.
Mica se ergueu um pouco e olhou para os dois, "É, pode ser. Não quero isso."
Sara respirou fundo e pensou por um momento breve, "E a gente também não quer que você perca. Fica tranquila. Eu sei que isso é... incomum, mas vamos fazer uma coisa. Olha. Pensa assim. Você ama o Armando e o Armando ama você, não é?"
Micaela concordou e Sara continuou, "Eu, você já sabe, amo o Armando e ele me ama. Nada disso vai mudar. Então, como eu te falei antes, vamos aprender juntos. O amor entre as pessoas é maravilhoso, Miki, sei que você sabe disso."
"Claro, mãe."
"Vamos aprender a compartilhar?", perguntou Sara sorrindo, e Mica respondeu com um sorrisão da boca larga. Sara se virou pra dizer a Armando, "Vale pra você também, hein? Porque isso é um acordo entre todos. Vamos aprender a compartilhar?"
"Pode crer...", disse Armando rindo e apertando carinhosamente a cintura de Sara.
"Então, não tem Sem problema", disse Sara feliz, "Nada muda de verdade, Mica. Eu sei que te faz muito, muito feliz dar prazer pro Armando. E eu também fico feliz em fazer o mesmo. E eu sei que ele nos ama igualmente."
"Vem cá, linda..." disse Armando, ajudando Mica a se levantar um pouco na cama pra aproximar o rosto e dar um beijo, carinhoso e profundo, que Mica correspondeu enquanto Sara os observava com um sorriso. "Assim que eu gosto", ele disse pra menina, "Sabe que eu te quero, linda, e sabe que também quero sua mãe. Aliás, olha, vem cá você também...", disse pra Sara enquanto soltava o abraço e a ajudava a se levantar um pouco na cama.
Sara adivinhou o que Armando queria, se levantou com a ajuda dele e, com um sorriso, ergueu um pouco a blusa solta que vestia, revelando uma barriga de grávida já bem inchada. Sara passou os dedos suavemente sobre a barriga, e Armando fez o mesmo com os dedos grossos. Micaela riu baixinho e feliz, olhando a gravidez da mãe.
"Tua mãe não é gostosa, hein?", perguntou Armando. Mica concordou com a cabeça, e Armando insistiu: "Fala a verdade, tua mãe não é gostosa?"
Micaela olhou pra Sara, e as duas trocaram uma conexão doce sem palavras. Por fim, ela disse: "Mamãe é linda."
Sara sorriu e, com esforço, se inclinou pra beijar a testa de Micaela, demoradamente, e depois pra beijar Armando, fundo e com amor, um beijo longo enquanto Mica só observava em silêncio, brincando um pouco com os pelos do peito de Armando.
"Tenho as duas gostosas mais lindas que existem...", riu Armando, enquanto parava de beijar Sara e puxava Micaela pra perto pra dar outro chupão longo e profundo, que Mica pareceu retribuir com paixão. Sara se deitou de novo no peito e no ombro de Armando, enquanto também os observava.
Depois de um momento de silêncio em que os três se acariciavam, Armando deslizou a mão debaixo do cobertor e pareceu ou coçar o saco ou ajustar o volume, que com certeza já devia estar dando sinais de alerta. Sara percebeu e ficou pensativa por um momento, enquanto continuava recebendo as carícias de Armando na cintura com a outra mão. Olhou para Micaela por um instante, se esticou para dar outro beijo longo em Armando e perguntou a Micaela: "Então a gente aprende junto?"
Micaela olhou para ela, pensou por um momento e percebeu o que Sara tinha querido dizer. Riu baixinho e tapou a boca, o que sempre fazia quando se sentia envergonhada.
"Ai maaaa... não!", riu.
"O que foi?", perguntou Armando, que parecia não ter sacado o que as duas tinham se comunicado.
"Tô com vergonha! Você tá aí!", continuou rindo Mica.
Sara riu suave: "Você tem razão, Miki. Vamos devagar. De pouco em pouco." Pegou a ponta do cobertor com que estavam cobertos e levantou como se fosse criar espaço. "Se quiser, eu não olho pra você.", sorriu pra menina.
"Ufff... eu...", riu Armando.
Micaela riu alto com Armando e se enfiou, escapando inteira e rapidamente debaixo do cobertor. Ela mesma pegou a ponta e fechou por cima dela, se cobrindo completamente. Depois de alguns segundos em que a menina encontrou o que procurava, o formato arredondado da cabecinha dela aparecia por baixo do cobertor, inchando visivelmente. Logo o formato começou a se mover suavemente e devagar sobre a altura dos quadris de Armando, que fechou os olhos e riu: "Ufff... a putinha da mãe...". O formato da cabecinha de Mica começou a se mover devagar, pra cima e pra baixo, enquanto Armando abria os olhos e observava a imagem da menina começando a chupar a pica dele debaixo do cobertor.
Armando e Sara se olharam, trocaram uns beijos profundos enquanto Micaela satisfazia o velho, e depois ficaram olhando o espetáculo, Armando amassando a bunda de Sara no abraço enquanto os dois olhavam, cochichavam algumas coisas, se beijavam e voltavam a olhar. Se olhavam, cochichavam coisinhas e continuavam vendo a menina satisfazer o velho. Armando começou a acariciar e apertar um dos peitos da Sara com a outra mão. As tetas da Sara pareciam ter crescido um pouco por causa da gravidez, estavam firmes e maiores, escapando um pouco da blusa confortável que ela usava. Num momento, Armando começou a apalpar a Sara com mais força, movendo a mão que a abraçava bem pra baixo até a bunda dela e deslizando uns dedos pela racha, o que esquentou mais a Sara, que começou a beijá-lo, enquanto parava pra olhar a cabecinha da Micaela, que continuava subindo e descendo devagar debaixo da coberta.
Armando de repente parou e riu, levantando a coberta: "Beeeem... para aí, eu... acabou o primeiro tempo, vamo'..."
As duas riram com safadeza e a Mica emergiu de baixo da coberta com um sorriso bem malicioso. Ela se jogou direto na cara do Armando e os dois se fundiram num beijo bem profundo, enquanto a Sara olhava e ria.
"Viu que não era tão difícil?", perguntou pra Micaela, "Cabeça aberta sempre, Mica." Micaela parou de beijar o Armando e ficou pendurada no pescoço do velho, enquanto sorria pra Sara. Ela perguntou pra Mica: "Gostou?"
"Claro, mãe..."
"Bom, viu que o Armando também gostou."
"Como sempre, linda... tu chupa divino e não mudou nada, viu? Como a mamãe disse", falou pra Micaela e começou a acariciá-la.
"Perdeu a vergonha?", perguntou a Sara pra Mica, enquanto Armando não parava de amassar a bunda da que agora era sua mulher.
"Um pouco, sim.", respondeu a Mica com um sorriso brilhante.
Sara fez uma careta debochada pra Mica e pareceu piscar um olho: "Bom, agora é minha vez. E eu não tenho vergonha...", disse enquanto deslizou a coberta pra descobrir o Armando, mostrando a barriga peluda e o pau moreno dele, duro, ereto e brilhante graças às atenções da Mica. A grande cabeça da porra que o Armando tinha parecia quase explodir de tão inchada. Sara se aproximou, procurou uma posição confortável pra acomodar a barriga de grávida e, sem mais, pegou o pau duro do Armando pela base e levou à boca. começando a chupá-lo apaixonadamente, aproveitando cada centímetro que entrava e saía da boca entre gemidos nasais. Armando começou a gemer fundo de novo e abraçou Micaela com força, beijando-a apaixonadamente e com uma mão massageando a bunda da guria, que respondeu a tudo com gosto.
"Desliga isso", de repente eu senti a voz forte do Caniche atrás de mim. Virei-me assustado e ele estava ali parado atrás de mim, olhando meu celular e me encarando. Tinha visto tudo? Quanto viu? Quanto conseguiu ver? Desliguei o celular de pura vergonha e o Caniche primeiro colocou a mão no meu ombro e com a outra me entregou um pedaço de papel toalha. Eu tinha os olhos e as bochechas cheios de lágrimas e nem tinha percebido. Me sequei como pude e o Caniche sentou do meu lado, na quietude da cela quase escura enquanto a chuva batia forte lá fora. Ele colocou um braço em volta dos meus ombros e me apertou forte. "Tem que ter força na vida, amigo. Tem que superar...", ele disse.
Mas eu explodi por dentro. Comecei a chorar de novo desconsoladamente e ele me ofereceu o ombro. Foi a primeira e única vez na vida em que chorei no ombro de um amigo. Depois de um tempo até eu me acalmar, o Caniche, sem soltar o abraço, chamou o Matu baixinho até acordá-lo, fez ele vir em silêncio e sentar com a gente, na intimidade da nossa cela.
"Matu", ele começou a dizer, "Agora que eu vou sair com o Chile, vamos ter que fazer umas paradas". Foi aí que ele contou o que pensava e um pouco do que pretendia fazer. Nós três conversamos a noite toda.
6 comentários - Perder Tudo (Parte 6)
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