Se quiserem mais histórias, continuem no hiphop911ok e comentem o que acharam.
Por mais que não acreditem, as referências são importantes...
Tipo a aquisição de outras histórias ou relatos.
Embora o conteúdo à venda de relatos seja fiel ao que é publicado aqui, ele tem um tratamento mais completo e profundo. Assim como também, tempo de trabalho e dedicação.
Tenho muitos pedidos pendentes de usuários com nomes estranhos e sem fotos. Normalmente não aceito desse tipo, a menos que provem que são usuários reais...
Abraços e valeu!!
PS: O nome original dessa história é "ALINA", então em breve vou devolver ele. O outro era só pra chamar a atenção do público na hora.Capítulo 4Que maluca do caralho…
Não só tava me mostrando a bunda como também tava correndo igual o Kevin Mac Allister em Esqueceram de Mim…
Mas me fez rir pra caralho. Isso eu não posso negar…
— Para, desgraçada!
A alegria no rosto dela era visível.
— Sim! Sim!
— Ainda não tá nada decidido… A gente precisa chegar nas 10 mil verdinhas ainda… Em 45 dias…
Ela veio correndo do outro lado da casa.
Mmm…
Me olhou com uma cara de determinação.
O que essa tem? Ha…
Assim, doida varrida, continuou a corrida até mim. Eu só fiquei olhando, pensando no que ela tava planejando.
Quando tava a um metro de mim, deu um pulo daqueles…
Se jogou em cima de mim…
Por sorte, eu tava bem firme no chão, porque ela se agarrou em mim igual um macaquinho.
O peso todo do corpo dela bateu no meu peito e nas costelas. Dava até pra sentir os peitos dela esbarrando nos meus peitorais.
Que mina…
— Gênio! Gênio! — Gritava enquanto me dava beijos na cara.
— O que cê tá fazendo, doida? Quer me partir no meio?
Minha cintura sentiu o tranco, hein.
— Meu bro é foda!
— Ha-ha, fala sério… Sai, gata…
— Faltam sete… Sete…
Tenho que admitir que eu adorava quando ela me mostrava carinho assim. Principalmente quando ficava meio “louca”. Mas também não podia esquecer que a gente já não era mais criança e eu tinha na minha frente uma mulherão…
Ha…
Me deu uma ternura ver como ela fechou as pernas atrás das minhas costas. Também não tava nem aí em enfiar as tetas na minha cara. Percebi isso.
Foi estranho…
Dava pra sentir que ela não tava de sutiã, na real. E ainda por cima, parecia que eram bem grandinhas.
Pra piorar, eu tava com ela no colo e um reflexo do meu corpo quase me fez tropeçar.
Sim, bem ali…
Foi de leve, mas foi.
Engoli seco e coloquei ela no chão. Por uns segundos, nem liguei pro que ela tava falando. Mas dava pra ver que ela tava muito feliz.
O que tinha acabado de acontecer comigo?
Meu Deus…
Não podia ser…
Eu senti. Uma…?
Nem quero pensar nisso…
— Ah, sim… Tamo pertinho… Vamos!
— Sim, sim… — Falei meio sem jeito. Suado no rosto.
—Boludo, cê não tá feliz?
—Tô sim, óbvio… — respondi, tentando me concentrar.
Sabia que tinha sido um reflexo do meu corpo, causado pelo jeito que ela subiu em cima de mim e jogou os peitos na minha cara.
Não era algo ruim…
Bom, era o que eu achava…
—Precisamos ligar pro banco agora.
—Seis e meia da tarde?
—Haha não… Cê tem razão…
Peguei a xícara de café, que por milagre tinha ficado apoiada no móvel.
Tava quentinho…
—Valeu…
—De nada… E como é que fica isso? Digo, se o banco te der a grana.
—A gente precisa trocar os pesos…
—E a gente sabe onde?
—Sim, tem uma casa de câmbio perto do meu trampo… Conheço alguém que trabalha lá e vai dar uma força, sem arrancar nossa cabeça com a cotação…
Ela mordeu o lábio, me olhando com um brilho nos olhos.
Porra…
Fazia tempo que não via ela assim…
Caminhamos até a sala de jantar da casa.
—Mãe não voltou?
Olhei pra ela.
Ainda tava pelada…
—Ah, claro hehe…
Parece que eu ri meio sem graça, porque ela fez uma careta.
—Nervoso, Potter?
—Haha… Não… Mas já pode se vestir…
—Sim, já vou… Mas me diz… O que mais o advogado te falou?
Me apoiei na bancada.
Bebi um pouco da xícara, que soltava uma fumacinha gostosa.
—Hmm… Isso… Que eu ia falar que sim pro advogado da empresa… Então agora eles esperam que, nos próximos quarenta e cinco dias, a gente pague os 10 mil verdinhas…
—Tá… Mas eles dão algum papel?
—Sim, quando a gente tiver a grana, tenho que avisar o Jonás… Ele vai cuidar de tudo…
—Boa! Que massa!
—É… Mas até a gente ter, haha.
—São só sete mil dólares…
—Sim, só isso haha.
—Temos um mês e meio pela frente…
—Resolveria com o empréstimo do banco…
—Sim, ainda é menos do que a gente pediu no começo…
—É… — falei, olhando pro lado, porque bem na minha frente tinha as pernas dela completamente à mostra.
Ela ficou feliz de repente.
—Ai, sim, sim… — exclamou, mordendo o lábio de felicidade.
Me abraçou de novo, tentando não fazer eu derrubar o café.
Hmm… Mais fofa ainda…
Ela apoiou a cabeça no meu peito e, com as palmas das mãos nas minhas costas, me fez um carinho nas costas.
Eu sentia o cheiro do chá, mas também o que exalava do cabelo liso dela. Uma fragrância fresca e primaveril que penetrava no fundo do meu sistema…
Pra piorar, a danada ainda estava com o short na mão. Será que não ia vestir de novo?
Ela se virou pra pegar o celular na mesa.
Uff…
Um pedacinho da bunda dela estava aparecendo por baixo da camiseta.
Senti uma pontada no peito…
De novo?
Nossa…
E ainda vi de frente…
Um pedaço de pele lisa, mas voluptuosa, da bochecha direita dela.
Rapidamente, desviei o olhar. Embora tarde, porque mais uma vez eu tinha visto a bunda da Alina.
Será que o problema era eu?
Ou isso é uma situação normal?
Não sei…
Mas como a gente tava tão feliz, não queria estragar o momento, então só me calei e não toquei no assunto de que ela estava de calcinha na minha frente.
Agora, só me restava esperar ela se dignar a vestir o short.
Concentrada no celular, ela sentou na cadeira perto da mesinha da cozinha com a peça na mão.
Mãe do céu…
Fico pensando o que aconteceria se a situação fosse ao contrário. Claro.
Será que ela se incomodaria se eu estivesse de cueca? Tipo, tomando meu cafezinho na frente dela como se nada fosse?
Hã…
Provavelmente, também não…
Enfim, a gente precisava de uma resposta rápida do banco.
Talvez, agora que o valor pedido era menor, a gente tivesse mais chance de conseguir.
Alina e eu concordamos que o melhor era avisar o banco sobre essa mudança, pra eles saberem que o empréstimo seria menor do que o combinado originalmente.
A gente já imaginava que iam recusar e a gente ficaria sem nada…
O mais engraçado da conversa foi que o short dela ficou o tempo todo em cima da mesa, do lado, haha.
Que garota…
A gente escreveu um e-mail e mandou pro gerente com quem a gente tinha tratado todo esse tempo.
Agora é torcer…
A verdade é que uma Resposta positiva da sua parte resolveria um problema terrível pra gente.
Sim, pelo amor de Deus, sim…
Depois de enviar o e-mail, ele caminhou até o quarto dele. Acho que finalmente ia se vestir, hehe.
Eu fui tirar a roupa do trabalho. Queria algo mais leve.
Enquanto isso, a velha chegou.
Assim que passou pela porta, percebeu que o clima estava diferente. Pra melhor, óbvio.
E quando contamos a novidade, ela começou a chorar.
Abraçou nós dois, fazendo a Alina soltar umas lágrimas também.
Por sorte, era choro de felicidade…
“Obrigada, obrigada”, ela dizia, mas quem ela mais olhava era minha irmã.
Tocava o rosto dela e repetia “minha filha, minha filha” com ênfase.
Deixou a outra emocionada, que já tava de legging preta nas pernas…
“E você, minha mãe”, respondeu ela com um aperto no peito, mas sorrindo. Foi, sem dúvida, um momento foda. Daqueles que não acontecem sempre.
Eu pensava que tínhamos motivos pra comemorar, mas até a dívida estar quitada, eu não ia ficar tranquilo…
Sei lá, talvez eu pensasse demais nas coisas. Podia ser mais simples do que parecia.
Mas não me permitia confiar.
Tínhamos quarenta e cinco dias pra juntar o dinheiro, mas mesmo conseguindo, depois tínhamos que pagar mês a mês a dívida financiada.
Exato!
Juntar aquela “entrada” era só o começo, e ainda estávamos na largada com a bandeira abaixada…
Com um pouco de empolgação, subi pro meu quarto.
Faltava um jogo pra rolar na rodada do futebol argentino e queria ver qual era a do app de apostas, já que tinha um saldo pra jogar.
Hmm…
Entrei na internet pra saber mais sobre os times. Como vinham jogando, quais foram os resultados dos últimos dez jogos.
No fim, fiquei um tempão analisando o campeonato argentino. Não queria desperdiçar o saldo que tinha de bônus e começar bem.
Claro que era um “extra” que dava pra considerar, já que eu precisava encaixar uns desempenhos muito bons em todos os jogos e durante muito tempo, pra poder declarar viável o uso dela.
Dessa vez, era dois times de meio de tabela: Godoy Cruz e Estudiantes de La Plata.
Embora o desempenho deles fosse parecido no campeonato e o último dos dois tivesse mais gols a favor, percebi que o time de Mendoza vinha tendo uma leve melhora no jogo.
Claro que isso não garantia nada, mas, se era pra começar com um salto de fé importante, fui com o Tomba. Sim, eu tava confiando, mesmo sendo o visitante da partida.
Um “um a zero”.
Era só isso…
Era arriscado apostar num resultado assim desde o início, mas, ao mesmo tempo, pagava mais.
Com um saldo de quinze mil pesos, podia chegar a noventa mil, se eu acertasse.
Ha…
Era começar com tudo, mas será que eu tinha outra opção?
Além disso, tinha que pensar em guardar mais crédito pra próximas apostas…
Fiquei ligado no jogo inteiro, enquanto no meu quarto terminava umas coisas do trampo. A disputa rolou mais ou menos como eu esperava. Travada no meio de campo, mas com o time de Mendoza controlando a bola.
E foi assim quase todo o jogo.
Faltando dez minutos pra acabar, nenhum dos dois aparecia.
Hmm…
Que pouco tinha durado o saldo inicial…
Ainda por cima, parecia que os dois times se contentavam com o empate.
Claro…
Por isso nunca considerei apostas esportivas como alternativa…
Você tem que perder muito antes de ganhar alguma coisa. Não ia ser viável, de jeito nenhum. E eu não pensava em colocar dinheiro do meu bolso ou do nosso pra bancar as apostas…
Mas quando não tava rolando nada e parecia que o jogo ia morrer no empate, um cruzamento pela direita caiu perto do pênalti e o atacante do Godoy Cruz, entrando sozinho, empurrou pro fundo da rede.
Ha…
Sério?
Não dava pra acreditar…
Soltei um grito de alegria que deu pra ouvir na casa inteira.
“Vai, porra!”
Faltavam dois minutos e acabava…
É real?
Não saía do meu espanto.
O jogo terminou e, na hora, vi na conta que ganhei noventa mil pesos.
Nunca tinha feito um dinheiro assim tão fácil…
No total, eu tinha cento e cinco mil pesos.
Mmmm…
Podia dar certo, né?
Pelo menos, pra ir juntando. De pouquinho em pouquinho…
Ouvi alguém bater na porta do meu quarto.
“Toc, toc”.
A felicidade tava vazando pelos meus poros…
— Sim?
— Sou eu… Posso entrar? — Era a Alina.
— Pode, entra…
Eu ainda tava sentado na minha escrivaninha, vestido.
— Licença…
Fiquei pensando no que podia fazer agora…
Precisava guardar uma margem de dinheiro pra continuar usando como base pras apostas futuras.
— O que foi que você gritou?
Olhei pra ela.
Ela tava vestindo uma camiseta comprida, como de costume, que cobria a roupa íntima dela. Pelo menos a de baixo.
— Ganhei noventa mil pesos…
Ela arregalou os olhos enormes.
— O quê? Como?
— Com o app de apostas que te falei…
— Tá me zoando? — Exclamou, surpresa.
— Não, haha…
— Ai, mano… Como você fez?
— Acertei um resultado… Foi sorte…
— Sério?
— Sim…
— Haha, por isso você tá gritando às 11 da noite…
— Já são 11? Merda…
— De boa… Ainda mais se você ganhou grana… — E fez uma cara safada, como quem tá sendo amiga.
Me fez rir.
— Haha… Sai, interesseira…
— Eu te amo muito, viu? Sempre falei, né? Haha
— Hahaha
— E o que você vai fazer com essa grana?
— Primeiro, guardar um pouco pra outras apostas…
Ela sentou na cama e eu me virei com a cadeira pra ela.
— Claro…
— E o resto, tava pensando em passar pra uma conta… E quando chegar num certo valor, a gente pode trocar por dólares…
— É?
— Ué, sim… Por quê? Haha
— Não, sei lá… Achei que você ia querer comprar alguma coisa haha
— Haha, tu é doida… É tudo pelo bem comum…
Ela mordeu o lábio, sorrindo.
O cabelo preto dela tava solto, todo jogado pra um lado da cabeça.
Dava pra sentir o perfume que ela soltava quando se mexia…
— Que massa!
— Você tinha uma conta parada, não tinha?
— Hum… Sim… Acho que sim…
— Podemos usar essa…
— Sim, claro… Sem problema.
— Depois me manda o CBU ou o ALIAS que eu agendo… Tudo que eu for juntando das apostas, mando pra lá…
— E eu faço o quê?
— Com o quê?
— Pra gerar extras…
-Jaja… Nada…
-Como assim, nada?
-É nada… Já basta que você mete horas extras no trampo…
-Mas você pode ter extras?
Ela cruzou os braços, tipo “sim, que otário você é”, e os peitos dela incharam de um jeito que não deu pra ignorar.
Deus…
Pareciam dois balões.
-Pe… Mas… Eu… Entendo um pouco de futebol… Você não tem nem… Ideia…- Respondi gaguejando igual um louco.
Não sei se ela percebeu, mas chamou a atenção dela.
A safada não tava usando sutiã por baixo…
-Vivo!
-Mas é… Fiquei uma hora analisando jogos pra fazer essa aposta… E ainda dei sorte…
Ela ria, meio provocante.
Sabia que ela tava certa, no fim das contas.
-Eu te metia um extra foda também…- Exclamou irônica.
-Jaja… Se sua vontade de acordar prevalecer… Vai fundo… Mas não vai precisar mais usar essa alternativa…- Respondi entre risadas.
-Fome…
-Jaja…
-Bem que você queria que eu me despisse…
Olhei pra ela.
Será que ela acha que sou um tarado?
Na hora ela riu…
Por sorte, a gente tinha muita confiança e respeito um pelo outro, pra zoar com qualquer coisa…
-E ainda treinei… Mas… Nunca se sabe…
-Treinou?
-Claro… Mas não é a mesma coisa tirarem de você, do que você tirar…
-Jaja… Essa ideia maluca que você tem…
-Quer ver?.- Ela perguntou, safada
-É… Não, jaja
Não sabia se ela tava falando sério ou brincando…
Acho que já não entendia mais nada dela.
-Fala sério… E me dá sua opinião jaja
Olhei nos olhos dela.
Se era piada, já tava deixando de ser…
-É brincadeira, né?
-Não, por quê?
-Como assim “por quê”?
-Se outro dia você me tirou aqui mesmo… O foco é tudo…
-É mesmo?
-E claro…
-Então é a mesma coisa capturar você ou uma coroa caindo aos pedaços… No fim, faço com o mesmo foco… É isso que vale…
Ela caiu na risada, como se não conseguisse segurar.
-Você é um idiota…- Ela riu.
-Acho que é você que gostava de me mostrar a bunda empinada, né? Nem hoje…
-Jaja, é… Tava feliz…-
Achei que notei ela corar um pouco. Tipo, como se realmente tivesse caído na real. que tinha feito, mesmo que fosse só por um instante.
—Ainda bem…
—Fica tão nervoso assim, pequenino?
Voltei a fulminá-la com os olhos.
—E você, o que acha?
—Tá admitindo? — Ela fez que ficava corada de brincadeira.
—Pois é… Você é minha irmã…
—Tecni… — Interrompi ela.
—Nada… Você é minha irmã e não pode ficar me mostrando a bunda…
Ela começou a rir.
—Do que você tá rindo?
—Que você é um bobo… Isso…
Ela se levantou e veio na minha direção.
—Mas você é fofo… Isso eu gosto… — Pegou meu rosto e me deu um beijo na bochecha.
Os lábios carnudos dela se estamparam na minha pele cada vez mais vermelha.
—Ha… Que mina…
—Até amanhã, nervosinho…
—Até amanhã, some daqui…
Ela me deu outro beijo.
“Chuik” se ouviu.
Ela andou pelo quarto até a porta, mas antes de sair, se virou.
Me olhou com um olhar suspeito.
—O que foi?
—Hmm… — Ela fez franzindo a testa.
Levou as mãos até a camiseta, que mal terminava uns centímetros abaixo da bunda voluptuosa dela.
Não me diga que…
Na…
Ela não teria coragem…
Tomou impulso pra levantar a camiseta e me mostrar tudo.
Eu abri os olhos como um otário.
O quê?
Ela ia mesmo fazer isso?
O coração acelerou…
Mas no último segundo ela soltou a roupa e só levantou as mãos. Riu que nem uma idiota.
—Como você caiu…
—E você é capaz… — Respondi engolindo seco.
Que mina do caralho, ha.
Literal…
Ainda por cima ria, baixinho.
—O quê? O que foi?
—Nada… De desviar o olhar, nada, você, hein… — Ela fez, provocando.
What?
Só fiquei olhando pra ela.
—Tchau, neném… Descansa… — Exclamou abrindo a porta.
Como ela adorava me encher o saco…
Inacreditável…
—Ah… Ali…
—O quê, mano?
—Leva o carro amanhã também…
—Sério?
—É, leva você…
—Por quê? É sua vez…
—Tá prevendo um dilúvio… Assim você não anda na rua com o temporal…
Os olhos azuis dela se encheram de brilho.
Sorriu.
—De verdade?
—Sim, claro…
—Valeu, maninho… Te amo… — E soltou um sorriso de orelha a orelha.
—De nada…
E com aquela careta, mordendo o lábio, saiu da minha vista.
A mudança de energia se fazia sentir na casa, evidentemente.
No o ar dava pra sentir…
Nem sei quantas vezes já tinha visto ela sorrir pra Alina, mas foram várias. Num dia só, fez isso muito mais do que em meses.
É…
Ficava muito bem nela.
Enquanto terminava de arrumar umas coisas pro trampo, ficava pensando em como o dia tinha começado e como tava terminando.
As coisas podiam melhorar, afinal de contas…
No outro dia…
Naquela manhã acordei cedo e me mandei pro trampo. O dia tava uma merda e não tava afim de me molhar e passar o dia todo úmido.
Principalmente porque ia de transporte público, já que deixei o carro pra Alina.
Talvez, se eu esperasse um pouco, ela pudesse me pegar como outras vezes em algum lugar mais perto, mas fazer o quê, também sou ansioso, né?
Tava escrevendo uma coluna sobre as sociedades anônimas esportivas, com uma foto enorme da frente da sede da AFA, quando de repente recebo uma mensagem de texto da minha irmã.
ALI: Bro
ALI: Bom dia!
ALI: Como cê tá?
EU: Ali, bem
EU: Bom dia, e você?
ALI: Bem, bem
ALI: Era pra perguntar se aquele cara do banco te respondeu hehe
Ansioso, eu?
É…
EU: Haha não!
EU: Não mandou do teu e-mail?
ALI: Mandei, mandei
ALI: Mas ele não me respondeu
EU: Hahaha
EU: Essa ansiedade!
ALI: Demais
ALI: Porra haha
EU: Calma, ele vai responder
EU: Como tá teu dia?
ALI: Bem
ALI: Aqui
ALI: CASSSSHUAAL
ALI: Kkkkk
Eu sorrio.
Muito Alina essa foto…
E ainda por cima, gostosa como sempre.
EU: Kkkkk
EU: Minha irmã é tão linda
ALI: Ah, cê acha?
ALI: 🙈
ALI: Kkkkk
EU: Kkkk
EU: Cê é demais
ALI: Valeu pelo carro
ALI: O dia tá uma merda
EU: É, uma buceta
ALI: Tá pra home office e bolinho de chuva em casa
ALI:
EU: Real!
ALI: Quando é o teu próximo?
EU: Essa semana não sei
EU: E o teu?
ALI: Amanhã 😏
EU: Sortuda kkk
ALI: Olha o lado bom
ALI: Fica com o carro
EU: Kkkk
ALI: Mas os bolinhos de chuva cê pode fazer hoje quando voltar
ALI: 😊
EU: Hmmm
EU: Pode ser, hein
EU: Fechou!
ALI: Sim, bora!
ALI: Enquanto a gente vê Stranger Things de novo
EU: Em inglês com legenda?
ALI: Obviously!
EU: Comprei!
EU: Kkkk
Falando em energia…
Ja…
ALI: Eles eram umas crianças
ALI: 🤣
EU: Apoio mesmo assim
EU: Não é qualquer um que tem uma irmã como eu tenho
Isso saiu de dentro de mim.
Escrevi sem pensar.
ALI: Cê tá falando sério?
EU: Ué, óbvio
EU: Por quê?
Demorou uns segundos pra responder.
Mas respondeu, com a graça de sempre.
ALI: Se um dia a gente casar, vamos ter que morar com nossos parceiros na mesma casa
ALI: Porque cê é a melhor coisa
ALI: 🥰
Não acreditei no que ela tinha escrito.
Tanto amor assim? Kkk
Eu ria que nem um idiota.
Na verdade, um colega de trabalho passou do meu lado e falou “esse sorriso…” num tom de brincadeira, como se fosse alguém especial com quem eu tava falando.
Como eu explicava que era por uma mensagem da minha irmã sem soar estranho?
Ja…
Bom, especial ela era…
EU: Cê imagina?
EU: Cê é capaz
EU: 😂
ALI: Óbvio!!!
EU: Cê também é a melhor coisa
EU: Sabe disso
ALI: Kkkkk
ALI: Tô rindo que nem uma idiota sozinha
EU: O que foi?
ALI: Nada
ALI: Eu imaginei uma situação assim, tipo essa…
EU: Nós dois casados na mesma casa?
ALI: Sim
ALI: Kkkkk
EU: Kkkkk
EU: O quê?
ALI: Uma noite, tua mina querendo ação e eu entrando no teu quarto pra perguntar se cê quer ver Capitão América e o Soldado do Inverno que tá na TV...
Não tem explicação o quanto eu ri.
Incrível…
Alina e suas ideias…
Não tenho dúvida de que ela se atreveria sem pensar duas vezes a fazer uma parada dessas.
EU: Vou me acabar de rir se continuar assim
EU: Vai pra puta que pariu…
EU: 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
ALI: Kkkkkk
ALI: Sua mulher ia me matar
EU: Ou teu marido!!!!
ALI: Kkkk idiota!
ALI: Que risada kkk
EU: Hehe
ALI: Já tenho experiência também 😜
EU: Com?
ALI: Com as suas minas que me odeiam
ALI: Kkkk
EU: Nada
ALI: Hummm
ALI: Sei que mais de uma não me engoliu
EU: Ah, é?
ALI: Fala sério! Kkk
EU: Kkk
ALI: Você não nega totalmente, né?
EU: Admito que já me falaram que você sempre tinha cara de brava
ALI: Não imagino por quê…
EU: Ciumenta???
ALI: Fome…
EU: Kkk olha ela
EU: Depois sou eu o cuid…
ALI: Nada a ver
ALI: Só não queria que você andasse com umas putinhas kkk
Explodi de rir.
Por quê?
Porque provavelmente ela tava falando sério
EU: Vai pro caralho kkkkk
ALI: Kkkk
EU: Alguma te pareceu isso?
ALI: Hummm próxima pergunta…
Como assim?
Ela tava falando sério mesmo?
Tô morrendo…
EU: Ei??? Quem???
ALI: Melhor eu calar a boca
ALI: 💀
ALI: Kkkkk
EU: Você me fez rir, desgraçada
ALI: Always, baby!
Um jeito bom de aguentar o expediente, com certeza.
Além disso, me confortava pra caralho essa mudança no humor, não só da minha velha, mas também da Alina.
Tinha algo no rosto dela quando sorria, sei lá.
Toda vez que ela fazia isso, sentia uma injeção de energia vital única.
É…
Assim era…
EU: Morreria pra ver como você tá rindo agora
ALI: Ah, é?
EU: Sim
EU: Dá anos de vida quando você ri
ALI: Que fofo
ALI: Fome
ALI: ❤️
EU: Kkkk
ALI: Você me fez corar, idiota
EU: Kkkkkk
Sério?
Corar?
EU: É verdade?
ALI: Sim kkk
EU: Mais fofo ainda 🥰
ALI: Bobão
ALI: Kkkk
ALI: Gostei do que você disse
ALI: Te adoro!
EU: 😁
EU: Eu também
ALI: 😊
ALI: Já tô salivando por essas panquecas 😋
EU: Kkkk beleza, então
EU: Vou fazer
ALI: Kkkk
ALI: Se eu chegar primeiro, eu faço!
EU: Me Gosta dessa
ALI: Se chegar todo molhadinho
ALI: Pelo menos tem um lanche
EU: Gênia!
ALI: Kkk
ALI: Tenho que continuar com uma coisa
ALI: Daqui a pouco te falo
EU: Fechou!
EU: Boa tarde
ALI: 😘
Acho que mais que irmãos, éramos amigos.
Sim…
Acho que nosso vínculo era tão próximo quanto forte. E não posso dizer que não adorava isso…
A gente se divertia muito, até nos momentos ruins como esse.
Ela alegrou minha tarde com a conversa sobre “minhas minas”. Lembrei do “modo cuidadora” dela e me deu uma ternura danada.
Fazia você se sentir bem…
Além disso, eu também prestava atenção nesse aspecto nos relacionamentos dela.
Nunca me intrometi, mas na hora de dar minha opinião, sempre fui sincero. E mais ainda, se algo não me agradava.
Enfim, em cada momento que precisávamos de apoio, sabíamos que um podia contar com o outro, e isso não é pouco.
Trabalhei pra caramba, então foi uma surpresa quando vi as horas.
Passou voando!
Alina não me escreveu de novo, mas duvido que tenha esquecido das bolinhas de chuva, hehe.
Voltei pra casa, torcendo pra garoa não virar chuva, haja.
Faltava pouco pra chegar em casa…
Tive que correr as últimas duas quadras. Não tive escolha.
Vi que o carro estava estacionado, então Alina já tinha chegado.
Hum…
Por que não sentia cheiro de fritura ainda? Haha…
Abri a porta bem quando o som distante de um relâmpago ecoou.
Bem na hora! pensei.
— Ali! Por que ainda não sinto cheiro dessas bolinhas de chuva? — falei em voz alta.
Ao mesmo tempo, larguei minhas coisas por aí.
Achei estranho ela não responder, já que as luzes estavam acesas.
Andei pela casa e tudo estava em silêncio.
— Ei? Cê tá aí?
Será que saiu? pensei. Minha mãe também não estava.
Que estranho…
Quando ia pro meu quarto, achei ouvir algo. Tipo um murmúrio.
Fui até a área do banheiro, porque vinha daquela direção.
Lá os sons estavam mais altos…
Que porra é essa?
Era um choro…
Me aproximei da porta e percebi que era a Alina…
Dava pra ouvir como ela chorava desconsoladamente lá dentro.
O que aconteceu com ela?
A primeira coisa que pensei foi que ela tinha batido o carro, mas não vi nenhum amassado nem nada.
— Ali? Você tá bem?
Mas ela continuava chorando e chorando. Alto. Acho que quase nunca a ouvi daquele jeito.
Fiquei preocupado. Muito…
— O que aconteceu? A mamãe tá bem?
Só que a única coisa que eu ouvia eram os soluços dela.
Não dava mais pra esperar.
— Vou entrar…
Sem pensar, abri a porta.
Aí sim dava pra ouvir tudo bem cru.
Era a Alina, sentada no chuveiro, completamente destruída de tanto chorar, com os joelhos encostados no peito. Nua, mas enrolada numa toalha.
Não cobria ela toda…
Mesmo assim, eu tava focado no rosto dela, que carregava uma tristeza sem igual.
Ela me olhou…
— O que aconteceu? Alguma coisa com a mamãe?
Fazendo biquinho, ela disse que não, balançando a cabeça.
— Por que você tá assim?
Dois rios de lágrimas escorriam pelo rosto já molhado dela.
O celular dela tava em cima do móvel.
Tentando recuperar o fôlego, ela finalmente falou:
— O banco respondeu… Negaram o empréstimo… — Disse estendendo os braços como se quisesse que eu fosse abraçá-la, e desabou em choro de novo…
Por mais que não acreditem, as referências são importantes...
Tipo a aquisição de outras histórias ou relatos.
Embora o conteúdo à venda de relatos seja fiel ao que é publicado aqui, ele tem um tratamento mais completo e profundo. Assim como também, tempo de trabalho e dedicação.
Tenho muitos pedidos pendentes de usuários com nomes estranhos e sem fotos. Normalmente não aceito desse tipo, a menos que provem que são usuários reais...
Abraços e valeu!!
PS: O nome original dessa história é "ALINA", então em breve vou devolver ele. O outro era só pra chamar a atenção do público na hora.Capítulo 4Que maluca do caralho…
Não só tava me mostrando a bunda como também tava correndo igual o Kevin Mac Allister em Esqueceram de Mim…
Mas me fez rir pra caralho. Isso eu não posso negar…
— Para, desgraçada!
A alegria no rosto dela era visível.
— Sim! Sim!
— Ainda não tá nada decidido… A gente precisa chegar nas 10 mil verdinhas ainda… Em 45 dias…
Ela veio correndo do outro lado da casa.
Mmm…
Me olhou com uma cara de determinação.
O que essa tem? Ha…
Assim, doida varrida, continuou a corrida até mim. Eu só fiquei olhando, pensando no que ela tava planejando.
Quando tava a um metro de mim, deu um pulo daqueles…
Se jogou em cima de mim…
Por sorte, eu tava bem firme no chão, porque ela se agarrou em mim igual um macaquinho.
O peso todo do corpo dela bateu no meu peito e nas costelas. Dava até pra sentir os peitos dela esbarrando nos meus peitorais.
Que mina…
— Gênio! Gênio! — Gritava enquanto me dava beijos na cara.
— O que cê tá fazendo, doida? Quer me partir no meio?
Minha cintura sentiu o tranco, hein.
— Meu bro é foda!
— Ha-ha, fala sério… Sai, gata…
— Faltam sete… Sete…
Tenho que admitir que eu adorava quando ela me mostrava carinho assim. Principalmente quando ficava meio “louca”. Mas também não podia esquecer que a gente já não era mais criança e eu tinha na minha frente uma mulherão…
Ha…
Me deu uma ternura ver como ela fechou as pernas atrás das minhas costas. Também não tava nem aí em enfiar as tetas na minha cara. Percebi isso.
Foi estranho…
Dava pra sentir que ela não tava de sutiã, na real. E ainda por cima, parecia que eram bem grandinhas.
Pra piorar, eu tava com ela no colo e um reflexo do meu corpo quase me fez tropeçar.
Sim, bem ali…
Foi de leve, mas foi.
Engoli seco e coloquei ela no chão. Por uns segundos, nem liguei pro que ela tava falando. Mas dava pra ver que ela tava muito feliz.
O que tinha acabado de acontecer comigo?
Meu Deus…
Não podia ser…
Eu senti. Uma…?
Nem quero pensar nisso…
— Ah, sim… Tamo pertinho… Vamos!
— Sim, sim… — Falei meio sem jeito. Suado no rosto.
—Boludo, cê não tá feliz?
—Tô sim, óbvio… — respondi, tentando me concentrar.
Sabia que tinha sido um reflexo do meu corpo, causado pelo jeito que ela subiu em cima de mim e jogou os peitos na minha cara.
Não era algo ruim…
Bom, era o que eu achava…
—Precisamos ligar pro banco agora.
—Seis e meia da tarde?
—Haha não… Cê tem razão…
Peguei a xícara de café, que por milagre tinha ficado apoiada no móvel.
Tava quentinho…
—Valeu…
—De nada… E como é que fica isso? Digo, se o banco te der a grana.
—A gente precisa trocar os pesos…
—E a gente sabe onde?
—Sim, tem uma casa de câmbio perto do meu trampo… Conheço alguém que trabalha lá e vai dar uma força, sem arrancar nossa cabeça com a cotação…
Ela mordeu o lábio, me olhando com um brilho nos olhos.
Porra…
Fazia tempo que não via ela assim…
Caminhamos até a sala de jantar da casa.
—Mãe não voltou?
Olhei pra ela.
Ainda tava pelada…
—Ah, claro hehe…
Parece que eu ri meio sem graça, porque ela fez uma careta.
—Nervoso, Potter?
—Haha… Não… Mas já pode se vestir…
—Sim, já vou… Mas me diz… O que mais o advogado te falou?
Me apoiei na bancada.
Bebi um pouco da xícara, que soltava uma fumacinha gostosa.
—Hmm… Isso… Que eu ia falar que sim pro advogado da empresa… Então agora eles esperam que, nos próximos quarenta e cinco dias, a gente pague os 10 mil verdinhas…
—Tá… Mas eles dão algum papel?
—Sim, quando a gente tiver a grana, tenho que avisar o Jonás… Ele vai cuidar de tudo…
—Boa! Que massa!
—É… Mas até a gente ter, haha.
—São só sete mil dólares…
—Sim, só isso haha.
—Temos um mês e meio pela frente…
—Resolveria com o empréstimo do banco…
—Sim, ainda é menos do que a gente pediu no começo…
—É… — falei, olhando pro lado, porque bem na minha frente tinha as pernas dela completamente à mostra.
Ela ficou feliz de repente.
—Ai, sim, sim… — exclamou, mordendo o lábio de felicidade.
Me abraçou de novo, tentando não fazer eu derrubar o café.
Hmm… Mais fofa ainda…
Ela apoiou a cabeça no meu peito e, com as palmas das mãos nas minhas costas, me fez um carinho nas costas.
Eu sentia o cheiro do chá, mas também o que exalava do cabelo liso dela. Uma fragrância fresca e primaveril que penetrava no fundo do meu sistema…
Pra piorar, a danada ainda estava com o short na mão. Será que não ia vestir de novo?
Ela se virou pra pegar o celular na mesa.
Uff…
Um pedacinho da bunda dela estava aparecendo por baixo da camiseta.
Senti uma pontada no peito…
De novo?
Nossa…
E ainda vi de frente…
Um pedaço de pele lisa, mas voluptuosa, da bochecha direita dela.
Rapidamente, desviei o olhar. Embora tarde, porque mais uma vez eu tinha visto a bunda da Alina.
Será que o problema era eu?
Ou isso é uma situação normal?
Não sei…
Mas como a gente tava tão feliz, não queria estragar o momento, então só me calei e não toquei no assunto de que ela estava de calcinha na minha frente.
Agora, só me restava esperar ela se dignar a vestir o short.
Concentrada no celular, ela sentou na cadeira perto da mesinha da cozinha com a peça na mão.
Mãe do céu…
Fico pensando o que aconteceria se a situação fosse ao contrário. Claro.
Será que ela se incomodaria se eu estivesse de cueca? Tipo, tomando meu cafezinho na frente dela como se nada fosse?
Hã…
Provavelmente, também não…
Enfim, a gente precisava de uma resposta rápida do banco.
Talvez, agora que o valor pedido era menor, a gente tivesse mais chance de conseguir.
Alina e eu concordamos que o melhor era avisar o banco sobre essa mudança, pra eles saberem que o empréstimo seria menor do que o combinado originalmente.
A gente já imaginava que iam recusar e a gente ficaria sem nada…
O mais engraçado da conversa foi que o short dela ficou o tempo todo em cima da mesa, do lado, haha.
Que garota…
A gente escreveu um e-mail e mandou pro gerente com quem a gente tinha tratado todo esse tempo.
Agora é torcer…
A verdade é que uma Resposta positiva da sua parte resolveria um problema terrível pra gente.
Sim, pelo amor de Deus, sim…
Depois de enviar o e-mail, ele caminhou até o quarto dele. Acho que finalmente ia se vestir, hehe.
Eu fui tirar a roupa do trabalho. Queria algo mais leve.
Enquanto isso, a velha chegou.
Assim que passou pela porta, percebeu que o clima estava diferente. Pra melhor, óbvio.
E quando contamos a novidade, ela começou a chorar.
Abraçou nós dois, fazendo a Alina soltar umas lágrimas também.
Por sorte, era choro de felicidade…
“Obrigada, obrigada”, ela dizia, mas quem ela mais olhava era minha irmã.
Tocava o rosto dela e repetia “minha filha, minha filha” com ênfase.
Deixou a outra emocionada, que já tava de legging preta nas pernas…
“E você, minha mãe”, respondeu ela com um aperto no peito, mas sorrindo. Foi, sem dúvida, um momento foda. Daqueles que não acontecem sempre.
Eu pensava que tínhamos motivos pra comemorar, mas até a dívida estar quitada, eu não ia ficar tranquilo…
Sei lá, talvez eu pensasse demais nas coisas. Podia ser mais simples do que parecia.
Mas não me permitia confiar.
Tínhamos quarenta e cinco dias pra juntar o dinheiro, mas mesmo conseguindo, depois tínhamos que pagar mês a mês a dívida financiada.
Exato!
Juntar aquela “entrada” era só o começo, e ainda estávamos na largada com a bandeira abaixada…
Com um pouco de empolgação, subi pro meu quarto.
Faltava um jogo pra rolar na rodada do futebol argentino e queria ver qual era a do app de apostas, já que tinha um saldo pra jogar.
Hmm…
Entrei na internet pra saber mais sobre os times. Como vinham jogando, quais foram os resultados dos últimos dez jogos.
No fim, fiquei um tempão analisando o campeonato argentino. Não queria desperdiçar o saldo que tinha de bônus e começar bem.
Claro que era um “extra” que dava pra considerar, já que eu precisava encaixar uns desempenhos muito bons em todos os jogos e durante muito tempo, pra poder declarar viável o uso dela.
Dessa vez, era dois times de meio de tabela: Godoy Cruz e Estudiantes de La Plata.
Embora o desempenho deles fosse parecido no campeonato e o último dos dois tivesse mais gols a favor, percebi que o time de Mendoza vinha tendo uma leve melhora no jogo.
Claro que isso não garantia nada, mas, se era pra começar com um salto de fé importante, fui com o Tomba. Sim, eu tava confiando, mesmo sendo o visitante da partida.
Um “um a zero”.
Era só isso…
Era arriscado apostar num resultado assim desde o início, mas, ao mesmo tempo, pagava mais.
Com um saldo de quinze mil pesos, podia chegar a noventa mil, se eu acertasse.
Ha…
Era começar com tudo, mas será que eu tinha outra opção?
Além disso, tinha que pensar em guardar mais crédito pra próximas apostas…
Fiquei ligado no jogo inteiro, enquanto no meu quarto terminava umas coisas do trampo. A disputa rolou mais ou menos como eu esperava. Travada no meio de campo, mas com o time de Mendoza controlando a bola.
E foi assim quase todo o jogo.
Faltando dez minutos pra acabar, nenhum dos dois aparecia.
Hmm…
Que pouco tinha durado o saldo inicial…
Ainda por cima, parecia que os dois times se contentavam com o empate.
Claro…
Por isso nunca considerei apostas esportivas como alternativa…
Você tem que perder muito antes de ganhar alguma coisa. Não ia ser viável, de jeito nenhum. E eu não pensava em colocar dinheiro do meu bolso ou do nosso pra bancar as apostas…
Mas quando não tava rolando nada e parecia que o jogo ia morrer no empate, um cruzamento pela direita caiu perto do pênalti e o atacante do Godoy Cruz, entrando sozinho, empurrou pro fundo da rede.
Ha…
Sério?
Não dava pra acreditar…
Soltei um grito de alegria que deu pra ouvir na casa inteira.
“Vai, porra!”
Faltavam dois minutos e acabava…
É real?
Não saía do meu espanto.
O jogo terminou e, na hora, vi na conta que ganhei noventa mil pesos.
Nunca tinha feito um dinheiro assim tão fácil…
No total, eu tinha cento e cinco mil pesos.
Mmmm…
Podia dar certo, né?
Pelo menos, pra ir juntando. De pouquinho em pouquinho…
Ouvi alguém bater na porta do meu quarto.
“Toc, toc”.
A felicidade tava vazando pelos meus poros…
— Sim?
— Sou eu… Posso entrar? — Era a Alina.
— Pode, entra…
Eu ainda tava sentado na minha escrivaninha, vestido.
— Licença…
Fiquei pensando no que podia fazer agora…
Precisava guardar uma margem de dinheiro pra continuar usando como base pras apostas futuras.
— O que foi que você gritou?
Olhei pra ela.
Ela tava vestindo uma camiseta comprida, como de costume, que cobria a roupa íntima dela. Pelo menos a de baixo.
— Ganhei noventa mil pesos…
Ela arregalou os olhos enormes.
— O quê? Como?
— Com o app de apostas que te falei…
— Tá me zoando? — Exclamou, surpresa.
— Não, haha…
— Ai, mano… Como você fez?
— Acertei um resultado… Foi sorte…
— Sério?
— Sim…
— Haha, por isso você tá gritando às 11 da noite…
— Já são 11? Merda…
— De boa… Ainda mais se você ganhou grana… — E fez uma cara safada, como quem tá sendo amiga.
Me fez rir.
— Haha… Sai, interesseira…
— Eu te amo muito, viu? Sempre falei, né? Haha
— Hahaha
— E o que você vai fazer com essa grana?
— Primeiro, guardar um pouco pra outras apostas…
Ela sentou na cama e eu me virei com a cadeira pra ela.
— Claro…
— E o resto, tava pensando em passar pra uma conta… E quando chegar num certo valor, a gente pode trocar por dólares…
— É?
— Ué, sim… Por quê? Haha
— Não, sei lá… Achei que você ia querer comprar alguma coisa haha
— Haha, tu é doida… É tudo pelo bem comum…
Ela mordeu o lábio, sorrindo.
O cabelo preto dela tava solto, todo jogado pra um lado da cabeça.
Dava pra sentir o perfume que ela soltava quando se mexia…
— Que massa!
— Você tinha uma conta parada, não tinha?
— Hum… Sim… Acho que sim…
— Podemos usar essa…
— Sim, claro… Sem problema.
— Depois me manda o CBU ou o ALIAS que eu agendo… Tudo que eu for juntando das apostas, mando pra lá…
— E eu faço o quê?
— Com o quê?
— Pra gerar extras…
-Jaja… Nada…
-Como assim, nada?
-É nada… Já basta que você mete horas extras no trampo…
-Mas você pode ter extras?
Ela cruzou os braços, tipo “sim, que otário você é”, e os peitos dela incharam de um jeito que não deu pra ignorar.
Deus…
Pareciam dois balões.
-Pe… Mas… Eu… Entendo um pouco de futebol… Você não tem nem… Ideia…- Respondi gaguejando igual um louco.
Não sei se ela percebeu, mas chamou a atenção dela.
A safada não tava usando sutiã por baixo…
-Vivo!
-Mas é… Fiquei uma hora analisando jogos pra fazer essa aposta… E ainda dei sorte…
Ela ria, meio provocante.
Sabia que ela tava certa, no fim das contas.
-Eu te metia um extra foda também…- Exclamou irônica.
-Jaja… Se sua vontade de acordar prevalecer… Vai fundo… Mas não vai precisar mais usar essa alternativa…- Respondi entre risadas.
-Fome…
-Jaja…
-Bem que você queria que eu me despisse…
Olhei pra ela.
Será que ela acha que sou um tarado?
Na hora ela riu…
Por sorte, a gente tinha muita confiança e respeito um pelo outro, pra zoar com qualquer coisa…
-E ainda treinei… Mas… Nunca se sabe…
-Treinou?
-Claro… Mas não é a mesma coisa tirarem de você, do que você tirar…
-Jaja… Essa ideia maluca que você tem…
-Quer ver?.- Ela perguntou, safada
-É… Não, jaja
Não sabia se ela tava falando sério ou brincando…
Acho que já não entendia mais nada dela.
-Fala sério… E me dá sua opinião jaja
Olhei nos olhos dela.
Se era piada, já tava deixando de ser…
-É brincadeira, né?
-Não, por quê?
-Como assim “por quê”?
-Se outro dia você me tirou aqui mesmo… O foco é tudo…
-É mesmo?
-E claro…
-Então é a mesma coisa capturar você ou uma coroa caindo aos pedaços… No fim, faço com o mesmo foco… É isso que vale…
Ela caiu na risada, como se não conseguisse segurar.
-Você é um idiota…- Ela riu.
-Acho que é você que gostava de me mostrar a bunda empinada, né? Nem hoje…
-Jaja, é… Tava feliz…-
Achei que notei ela corar um pouco. Tipo, como se realmente tivesse caído na real. que tinha feito, mesmo que fosse só por um instante.
—Ainda bem…
—Fica tão nervoso assim, pequenino?
Voltei a fulminá-la com os olhos.
—E você, o que acha?
—Tá admitindo? — Ela fez que ficava corada de brincadeira.
—Pois é… Você é minha irmã…
—Tecni… — Interrompi ela.
—Nada… Você é minha irmã e não pode ficar me mostrando a bunda…
Ela começou a rir.
—Do que você tá rindo?
—Que você é um bobo… Isso…
Ela se levantou e veio na minha direção.
—Mas você é fofo… Isso eu gosto… — Pegou meu rosto e me deu um beijo na bochecha.
Os lábios carnudos dela se estamparam na minha pele cada vez mais vermelha.
—Ha… Que mina…
—Até amanhã, nervosinho…
—Até amanhã, some daqui…
Ela me deu outro beijo.
“Chuik” se ouviu.
Ela andou pelo quarto até a porta, mas antes de sair, se virou.
Me olhou com um olhar suspeito.
—O que foi?
—Hmm… — Ela fez franzindo a testa.
Levou as mãos até a camiseta, que mal terminava uns centímetros abaixo da bunda voluptuosa dela.
Não me diga que…
Na…
Ela não teria coragem…
Tomou impulso pra levantar a camiseta e me mostrar tudo.
Eu abri os olhos como um otário.
O quê?
Ela ia mesmo fazer isso?
O coração acelerou…
Mas no último segundo ela soltou a roupa e só levantou as mãos. Riu que nem uma idiota.
—Como você caiu…
—E você é capaz… — Respondi engolindo seco.
Que mina do caralho, ha.
Literal…
Ainda por cima ria, baixinho.
—O quê? O que foi?
—Nada… De desviar o olhar, nada, você, hein… — Ela fez, provocando.
What?
Só fiquei olhando pra ela.
—Tchau, neném… Descansa… — Exclamou abrindo a porta.
Como ela adorava me encher o saco…
Inacreditável…
—Ah… Ali…
—O quê, mano?
—Leva o carro amanhã também…
—Sério?
—É, leva você…
—Por quê? É sua vez…
—Tá prevendo um dilúvio… Assim você não anda na rua com o temporal…
Os olhos azuis dela se encheram de brilho.
Sorriu.
—De verdade?
—Sim, claro…
—Valeu, maninho… Te amo… — E soltou um sorriso de orelha a orelha.
—De nada…
E com aquela careta, mordendo o lábio, saiu da minha vista.
A mudança de energia se fazia sentir na casa, evidentemente.
No o ar dava pra sentir…
Nem sei quantas vezes já tinha visto ela sorrir pra Alina, mas foram várias. Num dia só, fez isso muito mais do que em meses.
É…
Ficava muito bem nela.
Enquanto terminava de arrumar umas coisas pro trampo, ficava pensando em como o dia tinha começado e como tava terminando.
As coisas podiam melhorar, afinal de contas…
No outro dia…
Naquela manhã acordei cedo e me mandei pro trampo. O dia tava uma merda e não tava afim de me molhar e passar o dia todo úmido.
Principalmente porque ia de transporte público, já que deixei o carro pra Alina.
Talvez, se eu esperasse um pouco, ela pudesse me pegar como outras vezes em algum lugar mais perto, mas fazer o quê, também sou ansioso, né?
Tava escrevendo uma coluna sobre as sociedades anônimas esportivas, com uma foto enorme da frente da sede da AFA, quando de repente recebo uma mensagem de texto da minha irmã.
ALI: Bro
ALI: Bom dia!
ALI: Como cê tá?
EU: Ali, bem
EU: Bom dia, e você?
ALI: Bem, bem
ALI: Era pra perguntar se aquele cara do banco te respondeu hehe
Ansioso, eu?
É…
EU: Haha não!
EU: Não mandou do teu e-mail?
ALI: Mandei, mandei
ALI: Mas ele não me respondeu
EU: Hahaha
EU: Essa ansiedade!
ALI: Demais
ALI: Porra haha
EU: Calma, ele vai responder
EU: Como tá teu dia?
ALI: Bem
ALI: Aqui
ALI: CASSSSHUAAL ALI: Kkkkk
Eu sorrio.
Muito Alina essa foto…
E ainda por cima, gostosa como sempre.
EU: Kkkkk
EU: Minha irmã é tão linda
ALI: Ah, cê acha?
ALI: 🙈
ALI: Kkkkk
EU: Kkkk
EU: Cê é demais
ALI: Valeu pelo carro
ALI: O dia tá uma merda
EU: É, uma buceta
ALI: Tá pra home office e bolinho de chuva em casa
ALI:
EU: Real!
ALI: Quando é o teu próximo?
EU: Essa semana não sei
EU: E o teu?
ALI: Amanhã 😏
EU: Sortuda kkk
ALI: Olha o lado bom
ALI: Fica com o carro
EU: Kkkk
ALI: Mas os bolinhos de chuva cê pode fazer hoje quando voltar
ALI: 😊
EU: Hmmm
EU: Pode ser, hein
EU: Fechou!
ALI: Sim, bora!
ALI: Enquanto a gente vê Stranger Things de novo
EU: Em inglês com legenda?
ALI: Obviously!
EU: Comprei!
EU: Kkkk
Falando em energia…
Ja…
ALI: Eles eram umas crianças
ALI: 🤣
EU: Apoio mesmo assim
EU: Não é qualquer um que tem uma irmã como eu tenho
Isso saiu de dentro de mim.
Escrevi sem pensar.
ALI: Cê tá falando sério?
EU: Ué, óbvio
EU: Por quê?
Demorou uns segundos pra responder.
Mas respondeu, com a graça de sempre.
ALI: Se um dia a gente casar, vamos ter que morar com nossos parceiros na mesma casa
ALI: Porque cê é a melhor coisa
ALI: 🥰
Não acreditei no que ela tinha escrito.
Tanto amor assim? Kkk
Eu ria que nem um idiota.
Na verdade, um colega de trabalho passou do meu lado e falou “esse sorriso…” num tom de brincadeira, como se fosse alguém especial com quem eu tava falando.
Como eu explicava que era por uma mensagem da minha irmã sem soar estranho?
Ja…
Bom, especial ela era…
EU: Cê imagina?
EU: Cê é capaz
EU: 😂
ALI: Óbvio!!!
EU: Cê também é a melhor coisa
EU: Sabe disso
ALI: Kkkkk
ALI: Tô rindo que nem uma idiota sozinha
EU: O que foi?
ALI: Nada
ALI: Eu imaginei uma situação assim, tipo essa…
EU: Nós dois casados na mesma casa?
ALI: Sim
ALI: Kkkkk
EU: Kkkkk
EU: O quê?
ALI: Uma noite, tua mina querendo ação e eu entrando no teu quarto pra perguntar se cê quer ver Capitão América e o Soldado do Inverno que tá na TV...
Não tem explicação o quanto eu ri.
Incrível…
Alina e suas ideias…
Não tenho dúvida de que ela se atreveria sem pensar duas vezes a fazer uma parada dessas.
EU: Vou me acabar de rir se continuar assim
EU: Vai pra puta que pariu…
EU: 🤣🤣🤣🤣🤣🤣
ALI: Kkkkkk
ALI: Sua mulher ia me matar
EU: Ou teu marido!!!!
ALI: Kkkk idiota!
ALI: Que risada kkk
EU: Hehe
ALI: Já tenho experiência também 😜
EU: Com?
ALI: Com as suas minas que me odeiam
ALI: Kkkk
EU: Nada
ALI: Hummm
ALI: Sei que mais de uma não me engoliu
EU: Ah, é?
ALI: Fala sério! Kkk
EU: Kkk
ALI: Você não nega totalmente, né?
EU: Admito que já me falaram que você sempre tinha cara de brava
ALI: Não imagino por quê…
EU: Ciumenta???
ALI: Fome…
EU: Kkk olha ela
EU: Depois sou eu o cuid…
ALI: Nada a ver
ALI: Só não queria que você andasse com umas putinhas kkk
Explodi de rir.
Por quê?
Porque provavelmente ela tava falando sério
EU: Vai pro caralho kkkkk
ALI: Kkkk
EU: Alguma te pareceu isso?
ALI: Hummm próxima pergunta…
Como assim?
Ela tava falando sério mesmo?
Tô morrendo…
EU: Ei??? Quem???
ALI: Melhor eu calar a boca
ALI: 💀
ALI: Kkkkk
EU: Você me fez rir, desgraçada
ALI: Always, baby!
Um jeito bom de aguentar o expediente, com certeza.
Além disso, me confortava pra caralho essa mudança no humor, não só da minha velha, mas também da Alina.
Tinha algo no rosto dela quando sorria, sei lá.
Toda vez que ela fazia isso, sentia uma injeção de energia vital única.
É…
Assim era…
EU: Morreria pra ver como você tá rindo agora
ALI: Ah, é?
EU: Sim
EU: Dá anos de vida quando você ri
ALI: Que fofo
ALI: Fome
ALI: ❤️
EU: Kkkk
ALI: Você me fez corar, idiota
EU: Kkkkkk
Sério?
Corar?
EU: É verdade?
ALI: Sim kkk
EU: Mais fofo ainda 🥰
ALI: Bobão
ALI: Kkkk
ALI: Gostei do que você disse
ALI: Te adoro!
EU: 😁
EU: Eu também
ALI: 😊
ALI: Já tô salivando por essas panquecas 😋
EU: Kkkk beleza, então
EU: Vou fazer
ALI: Kkkk
ALI: Se eu chegar primeiro, eu faço!
EU: Me Gosta dessa
ALI: Se chegar todo molhadinho
ALI: Pelo menos tem um lanche
EU: Gênia!
ALI: Kkk
ALI: Tenho que continuar com uma coisa
ALI: Daqui a pouco te falo
EU: Fechou!
EU: Boa tarde
ALI: 😘
Acho que mais que irmãos, éramos amigos.
Sim…
Acho que nosso vínculo era tão próximo quanto forte. E não posso dizer que não adorava isso…
A gente se divertia muito, até nos momentos ruins como esse.
Ela alegrou minha tarde com a conversa sobre “minhas minas”. Lembrei do “modo cuidadora” dela e me deu uma ternura danada.
Fazia você se sentir bem…
Além disso, eu também prestava atenção nesse aspecto nos relacionamentos dela.
Nunca me intrometi, mas na hora de dar minha opinião, sempre fui sincero. E mais ainda, se algo não me agradava.
Enfim, em cada momento que precisávamos de apoio, sabíamos que um podia contar com o outro, e isso não é pouco.
Trabalhei pra caramba, então foi uma surpresa quando vi as horas.
Passou voando!
Alina não me escreveu de novo, mas duvido que tenha esquecido das bolinhas de chuva, hehe.
Voltei pra casa, torcendo pra garoa não virar chuva, haja.
Faltava pouco pra chegar em casa…
Tive que correr as últimas duas quadras. Não tive escolha.
Vi que o carro estava estacionado, então Alina já tinha chegado.
Hum…
Por que não sentia cheiro de fritura ainda? Haha…
Abri a porta bem quando o som distante de um relâmpago ecoou.
Bem na hora! pensei.
— Ali! Por que ainda não sinto cheiro dessas bolinhas de chuva? — falei em voz alta.
Ao mesmo tempo, larguei minhas coisas por aí.
Achei estranho ela não responder, já que as luzes estavam acesas.
Andei pela casa e tudo estava em silêncio.
— Ei? Cê tá aí?
Será que saiu? pensei. Minha mãe também não estava.
Que estranho…
Quando ia pro meu quarto, achei ouvir algo. Tipo um murmúrio.
Fui até a área do banheiro, porque vinha daquela direção.
Lá os sons estavam mais altos…
Que porra é essa?
Era um choro…
Me aproximei da porta e percebi que era a Alina…
Dava pra ouvir como ela chorava desconsoladamente lá dentro.
O que aconteceu com ela?
A primeira coisa que pensei foi que ela tinha batido o carro, mas não vi nenhum amassado nem nada.
— Ali? Você tá bem?
Mas ela continuava chorando e chorando. Alto. Acho que quase nunca a ouvi daquele jeito.
Fiquei preocupado. Muito…
— O que aconteceu? A mamãe tá bem?
Só que a única coisa que eu ouvia eram os soluços dela.
Não dava mais pra esperar.
— Vou entrar…
Sem pensar, abri a porta.
Aí sim dava pra ouvir tudo bem cru.
Era a Alina, sentada no chuveiro, completamente destruída de tanto chorar, com os joelhos encostados no peito. Nua, mas enrolada numa toalha.
Não cobria ela toda…
Mesmo assim, eu tava focado no rosto dela, que carregava uma tristeza sem igual.
Ela me olhou…
— O que aconteceu? Alguma coisa com a mamãe?
Fazendo biquinho, ela disse que não, balançando a cabeça.
— Por que você tá assim?
Dois rios de lágrimas escorriam pelo rosto já molhado dela.
O celular dela tava em cima do móvel.
Tentando recuperar o fôlego, ela finalmente falou:
— O banco respondeu… Negaram o empréstimo… — Disse estendendo os braços como se quisesse que eu fosse abraçá-la, e desabou em choro de novo…
6 comentários - Alina IV - Buceta Gostosa