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Tenho muitos pedidos pendentes de usuários com nomes estranhos e sem fotos. Normalmente não aceito desse tipo, a menos que provem que são usuários reais...Capítulo 3Embora não fosse grande coisa, desviei o olhar pro lado.
Talvez não fosse o que se via, mas o que a imagem transmitia.
Suspirei, bem corado.
— Essa sou eu… — Exclamou como se nada fosse.
Engoli seco, olhando pro chão.
Como se eu não soubesse que é ela…
— Bom, também não exagera que não tô de fio dental… — Riu da minha vergonha.
— Kkk… Pra ele você pode pedir ajuda…
— Pra quem?
— Pro destinatário dessa foto, bebê…
Ela se mordeu, tentada.
— Não mandei pra ninguém… É de agora…
— Ah, não?
— Não kkk… Tô praticando hehe…
Olhei pra ela.
Praticando?
— Uff…
— Vai, nervosinho…
— Vai o quê? Kkk
— Quer ver outras?
— Emm, não? Kkk…
Me afastei um pouco do lugar.
Já não sabia se era brincadeira ou se era sério…
— Kkk, que otário! — Ela ria.
— Quantos anos você tem, Alina?
— 25, e você, gato? Kkk
Que mina filha da puta…
Mesmo assim, me fazia rir também.
— Vaza, melhor…
— Kkk, se eu soubesse que te deixava nervoso assim… Tinha feito antes…
— Vai pra merda…
Ela também tava corada. Não sei por quê, mas acho que era por zoar com esses assuntos.
— Sei que um dia é pouco pra pensar, mas… Pensa e a gente conversa direito…
Suspirei…
— Ali…
— É importante… — Falou me encarando com os olhos azuis.
Senti que tinha determinação no jeito dela.
— Já sei que é importante…
— E sei que consigo fazer isso… Mas preciso da sua ajuda… Não só com a câmera…
Só fiquei olhando pra ela.
O que parecia só hipotético, agora tava sendo analisado a sério por ela.
Não dava pra acreditar…
— Juro que vou pensar, tá bom?
Ela me olhou, apertando os lábios carnudos.
— Sério?
— Sim…
— Mas sério, sério?
— Sim kkk… Agora vaza kkk
— Mas pensa direito… Não me fode depois…
— Amanhã vou falar com o advogado… Pra ver o que deu com isso…
— Ok…
— Espero que saia o financiamento…
— Bom… Mas cê vai pensar mesmo, né?
Não tava me deixando outra opção, mesmo eu botando toda minha energia pra dar certo o plano de financiamento e o banco.
Além disso, assim… Eu me livrava dela por um tempo, ha...
Ficar pensando nas coisas que ela me propunha me deixava bem desconfortável.
Também não entendia por que ela tava me propondo aquilo…
Ela podia fazer com alguma amiga, sei lá. Alguém de confiança dela.
Por que eu?
— É, Ali… Vou pensar…
Ela mordeu o lábio e se jogou em cima de mim.
— Siiiiim haha. — Gritou, me abraçando.
Nem preciso dizer que ela me apertou com os braços e eu senti os peitos dela contra mim.
Deus…
Como ela adorava me provocar…
— Sai, haha…
Ela pegou meu rosto e me deu um beijo na bochecha.
“Muuuuaack” fez o som.
— Fala sério, mina haha
— Qual é? Se você gosta dos meus carinhos…
— Não falei que não… — Falei de um jeito engraçado.
Ela riu.
Era estranho ter ela assim, em cima de mim.
Dava até pra sentir o perfume que ela usava.
— Idiota…
— Mas… Eu disse que ia pensar… Isso não quer dizer que vou aceitar… —
Só tava ganhando tempo, hehe…
Mas não ia contar pra ela.
— Ok… Já é alguma coisa haha…
— Minha mãe vai entrar e vai achar que você tá me apertando…
— Humm… Hehe…
Ela ria que nem uma tonta…
— Fala sério… — Fiz um gesto pra ela sair de cima.
— Espero que você não me enrole… — Falou me olhando de um jeito desafiador.
Parecia inacreditável ela estar em cima de mim…
Eu via muita pele e já tava começando a ficar vermelho…
Devo dizer que sempre fomos carinhosos…
Beijos, abraços…
Ligações ou mensagens perguntando se a gente chegou bem em tal lugar, etc.
Mas agora, eu tava começando a ver de outro jeito…
Não posso ignorar que ela é uma mulher, afinal de contas, e conversando esse tipo de coisa, hehe…
Sei lá…
Nem quero falar…
— Não, boba…
— Espero! — Ela disse apontando o dedo pra mim e tocando a ponta do meu nariz.
Aquele olhar sério.
Acho que ela ia me matar se eu fizesse ela de besta…
— Bom… Vou dormir… Amanhã tem trampo…
— Sim…
Ela se levantou de cima de mim.
Fez um gesto que me chamou a atenção. Como se ela curtisse me provocar daquele jeito. Me deixar sem graça…
Sei lá, talvez tenha sido impressão minha.
Ela andou até a porta.
A camisola dela tava meio levantada numa das nádegas… Booty, então desviei os olhos dali bem rápido.
Por pouco e vejo a tanga dela…
Ela parou na porta, na altura de um espelho que estava encostado na parede.
Se olhou.
— Mmmm… — fez, tapando a parte da bunda que dava pra ver.
Meu coração batia forte quando algo assim acontecia…
Ela posou com as mãos na cintura.
Provavelmente tava se perguntando se era gostosa.
Claro que não precisava fazer essa pergunta…
Pra piorar, de relance, via ela empinar a bunda e o peito.
Ela riu, baixinho.
Por quê?
— Quer levar? Te dou, haja.
Ela me olhou, provocante.
Percebeu que meus olhos não estavam fixos diretamente nela.
— Não, já tenho o meu… — respondeu enquanto mudava de lado.
Me pergunto o que ela tava fazendo… Ou o que tava tentando fazer…
Bom, talvez fosse eu que tivesse nervoso demais com a situação.
Precisava relaxar um pouco…
— Vê se… Tira uma foto pra mim…
Arregalei os olhos e olhei pra ela de repente.
Hã?
— Eu?
— Sim, bobo.
— Pra quê? Para de encher o saco…
— Vai, mané… Tô vestida…
— Mas pra que você quer uma foto? — Senti um calor subindo pelo meu rosto.
Ela me passou o celular.
Fiquei olhando pra ela com uma cara de pôquer foda.
Ela voltou pra porta e procurou uma pose.
Era verdade, tava vestida, mas…
— Como você tiraria uma? Vê aí… Vai…
— Emm…
Mesmo que ela estivesse de camisola, era uma roupa íntima, de dormir. Sei lá…
Percebi o rubor que me tomou. Foi instantâneo.
— Vai… Com todo seu talento… Tira uma… — exclamou convincente, posando com as duas mãos na cintura e me olhando de lado.
Quase tive um infarto quando notei no relevo do tecido de seda a marca dos bicos dos peitos dela.
Me deu uma pontada no peito e…
Sim, em outro lugar…
Queria morrer.
Como isso vai acontecer comigo?
Até dava pra ver o contorno deles, fazendo pressão.
Respirei fundo…
Ela percebeu meu desconforto.
— Que idiota! — Ela ria, mas não falava mais nada. Acho que achava uma gracinha. Além disso, acho que não percebeu que eu tava pezonando por baixo da roupa dela…
- Vamos ver… Fica quieta…
- Fala… – Ela exclamou, tentada.
Completamente entregue ao pedido dela, sem chance de achar outro caminho, eu topei.
Procurei uma posição um pouco mais alta, pra destacar aquele rostinho lindo dela acima de tudo.
Ela fez cara de séria, com aqueles lábios carnudos passando uma sensação de frieza total.
Claro que os peitos dela se destacavam. Óbvio. Mas eu não olhei pra lá. Assim como também não olhei pra virilha dela, onde a roupa quase terminava, colada no corpo.
Acho que vermelho como nunca, peguei o melhor ângulo e tirei a foto.
Dava pra sentir minha pele começando a suar…
- Deixa eu ver isso… – Ela perguntou curiosa, enquanto eu ouvia meu coração batendo.
Passei o celular pra ela, meio nervoso.
Eu tinha feito o que ela pediu…
Quando ela olhou a imagem, as pupilas dela se dilataram.
Acho que ela se surpreendeu. E muito.
- Caralho…
- O quê?
- Sério? – Ela me perguntou, assustada.
- O quê? O que tem?
Ela sorriu sem conseguir disfarçar.
Era bonito quando isso acontecia…
- Tá vendo o que eu te falo?
- Tá bom?
Ela me olhou, se mordendo.
- Tá vendo, idiota? É disso que eu tô falando… – Ela exclamou me batendo no braço.
- Haha…
- Você tem um dom pra fotos…
- Nossa… Eu só me meto nisso…
Ela ficou olhando a imagem com detalhe.
- Humm… Sim, mano… Demais…
- Falei que ia pensar… A gente vê o que rola…
Ela me observou.
Provavelmente, agora ela tava mais segura do que pensava…
Deus…
- Sim, já te ouvi… Chato…
- Haha… Até amanhã… – Falei, já mandando ela embora.
- Até amanhã, neném…
Ela se aproximou de novo, enquanto olhava o celular.
Tava pensativa…
- Boa noite, brody… – Ela exclamou e veio me dar um beijo.
- Boa noite…
“Chuik” fez na minha bochecha.
Sempre tão carinhosa, ha.
E assim, ela foi pro quarto dela…
Suspirei.
Ela realmente conseguiu me deixar nervoso…
Só o fato dela posar pra mim fez todo meu sistema nervoso pirar. E eu já tinha tirado milhares de fotos dela na vida. Até de biquíni ou maiô em algumas ocasiões.
Sem Porém, desta vez foi diferente…
Eu estava de pijama, que colava no corpo e marcava a silhueta dela…
Sem contar que vi um pedaço da bunda dela e ela percebeu isso. Olha… Foi na cara…
Ela se levantou da cama com a camisola subida e puxou pra baixo…
É óbvio que ela sabia que eu tinha visto!
Uff…
E ainda a cara que ela fez na foto…
O jeito que ela posou…
Sim…
Me deixou muito nervoso…
Não só por ela ser tão gostosa. Não…
Mas pelo vínculo que a gente tem.
Ela é minha irmã…
Não tem nada de errado em achar que ela é linda. Claro que não. Mas outra coisa é ter que ficar o tempo todo perto dessa beleza.
Algo me dizia que não era certo. Por mais confiança que ela tivesse em mim…
Não sei se era apropriado a gente falar de certas coisas. Muito menos eu tirar fotos dela…
Na real, nem acredito que estou pensando numa parada dessas.
E talvez o pior é que ela estava convencida a fazer isso.
Mas por que ela tem que carregar esse peso sozinha?
Por que fazer isso?
Ela era minha irmã…
Eu devia proteger ela, não expor…
Era o ser humano que eu mais amava nesse mundo.
Também não conseguia tirar da cabeça aquele olhar que ela fazia quando me via…
Aquela mistura de preocupação, esperança e medo de perder tudo…
Não…
Eu tinha que assumir a responsabilidade…
Eu tinha que dar conta…
Mais uma noite em que o sono demorou a chegar…
Demorei pra caramba pra dormir e sabia que ia sofrer no dia seguinte quando acordasse cedo.
Bom, no fim das contas, também não era algo a que eu não estivesse acostumado.
Desde aquela notícia terrível, nenhum de nós conseguia dormir em paz.
Acordei às 6 da manhã com os olhos colados.
Mal comi alguma coisa no café…
Deixei pra Alina umas torradas com geleia e um café pronto. Como ela sempre acordava em cima da hora, porque ficava vendo Instagram e TikTok na cama, eu preparava umas coisas pra ela não sair sem comer.
Fui trabalhar, sabendo que à tarde ia me encontrar uns minutos com o Advogado do caso, num café perto do meu trampo.
Rogando por boas notícias…
A gente precisava delas…
No caminho, fui ouvindo uns influencers que “ensinavam” a usar os sites de aposta.
Talvez por ali eu pudesse achar uma alternativa. Mais uma, né. Tudo que somasse, já ajudava.
Aproveitei a viagem inteira pro trabalho com isso, já que ela tinha levado o carro pro escritório hoje. A gente se revezava.
Talvez se eu desse um jeito de tirar o máximo daqueles créditos que dão de boas-vindas…
É, eu sei…
É óbvio que é a isca pra te fisgar. Mas também, não acreditava que todos os jogos do futebol argentino e da Libertadores fossem combinados…
Baixei um desses apps. O que dava mais crédito de entrada. E eu, que ia ser jornalista e ainda com especialização esportiva, manjava um pouco de futebol.
Claro, ia ser bem prudente…
Já passando do meio-dia, tinha adiantado um pouco do trampo da semana toda, porque a maior parte do meu tempo tava indo pra arrumar grana pra manter a casa.
Não conseguia pensar em outra coisa, sinceramente.
Fiz umas colunas pra uns jornais e revistas e, inclusive, deixei algumas pela metade, pra completar no decorrer da semana.
Depois, fui analisar mais a fundo a tabela da próxima rodada do campeonato e as novidades dos times que iam jogar.
Montei um Excel com os clubes, jogadores e as chances de resultado, baseado no desempenho que vinham tendo.
Ha, é…
Tava no pique…
Num momento, a Ali me mandou um zap.
ALI: Como tá o dia, maninho?
ALI: 😁
EU: Bem
EU: Na correria, e você?
ALI: Mais ou menos
ALI: Alguma novidade?
EU: De quê?
ALI: Do advogado
ALI: O banco não ligou, né?
EU: Ahh, o banco ainda não ligou
EU: E o advogado vou ver daqui a pouco
ALI: Oki
ALI: Valeu por deixar o carro hoje
ALI: Tava precisando bater uma punheta kkk
EU: Nada, de boa
EU: 😉
ALI: Você é o melhor, te adoro!
Me fez sorrir.
EU: Kkkk
EU: Parece que vai chover hoje
ALI: Sim, que merda
ALI: Tá prevendo tempestade, mas não parece tanto
EU: Siiim
EU: Tava vendo um app de apostas!
ALI: Ah, é?
EU: Vamos ver qual é
EU: Tudo soma kkk
ALI: E como é?
EU: De todas que vi, parece a mais viável
EU: Depois te explico direitinho
ALI: Ah, beleza
ALI: Quando eu fizer a visita noturna kkkkk
Eu rachei de rir.
Era verdade…
EU: É verdade!
EU: 🤣
ALI: Kkkkk
ALI: Não te incomoda, né?
EU: Não, por quê?
ALI: Sei lá, tô falando kkk
Já sabia por que ela tava dizendo…
EU: Não
EU: Contanto que você não transforme meu quarto num estúdio de fotografia…
ALI: Ufaaaaaaaaaaa
ALI: 😡
EU: Kkkkk
ALI: Quero acreditar que você tá pensando como me prometeu…
ALI: 🙄
EU: Ah, então era por isso as mensagens carinhosas
ALI: Kkkk nãooo
ALI: As mensagens carinhosas são porque você é meu irmãozinho e eu te amo
ALI: E te admiro pra caralho também
Eu mordi o lábio, sorrindo.
Mesmo zoando, não me surpreenderia se ela pensasse isso de verdade.
EU: Ah, é?
EU: Mais o quê?
ALI: Báh
ALI: Também não abusa…
EU: Kkkkk
ALI: Panchão que você é
EU: Também te amo, mana
EU: 😇
ALI: Hmm essa aura aí não sei se combina com você
ALI: Kkk não, mentira
ALI: ❤️
EU: Sim, tô pensando nisso
EU: Mas sabe que prefiro que outras opções rolem antes
ALI: Percebi kkk
ALI: Sr. Apostador
EU: E, viu?
EU: Um cara que tá no futebolzinho
ALI: Sim kkk
ALI: Mas é, sabe o que eu penso sobre isso
EU: Sei, sim kkk
ALI: E sabe o quanto seria importante pra mim ajudar a velha
EU: Sei, Ali
EU: Pra mim também
ALI: Mas você entende do que eu tô falando…
Claro que eu entendia.
Quem melhor do que eu? pensei.
Sabia muito bem onde ela queria chegar.
EU: Sim, fica tranquila que eu sei
ALI: 😊
EU: Você continua pesquisando isso? Kkk
ALI: Kkkk
EU: Melhor nem responder
ALI: 😅
ALI: Sim, tô dando uma olhada, gordão
ALI: Vendo como funciona tudo
EU: Tomara que não precise botar em prática
ALI: Kkk
ALI: Amém
EU: Vou te matar de cosquinha se continuar enchendo o saco
ALI: Nao hahaha
ALI: Melhor eu deixar você continuar trabalhando
EU: Sim, melhor
EU: 😡
ALI: Malvado!
EU: Hahaha
ALI: Valeu por deixar o café da manhã também
ALI: 😊
EU: De nada!
EU: Depois a gente se fala
ALI: Oki
ALI: Beijus
Tenho que admitir que a boa vibe dela sempre me fazia pensar que as coisas podiam estar melhores.
E, de fato, estavam.
Ver ela sorrir ou imaginar que ela sorria, realmente me contagiava…
Me ajudou a passar o resto do dia de boa, cheio de energia.
E, de verdade, o expediente passou rápido…
Uns minutos depois que ela saiu, eu ia encontrar o advogado do nosso caso num café.
Pedia pra Deus que tivesse boas notícias…
Então, cheio de expectativa, fui pro encontro.
Pensava que, às vezes, a gente tem que desejar as coisas pra elas acontecerem. Acreditar, como disse um certo ídolo do futebol argentino.
Cruzei os dedos e sentei na primeira mesa vazia que vi.
Mandei uma mensagem que já tinha chegado e ele respondeu que tava a duas quadras.
Beleza, pensei.
Se fosse notícia ruim, ele teria avisado antes, né?
Ha…
A ansiedade me dominava…
Quando vi ele entrar, admito, deu aquele aperto no cu.
Os gestos dele passavam confiança. Mas sei lá, não sei se isso é um bom parâmetro, porque esse cara sempre parece impecável…
— Oi, Doutor… Boa tarde…
— Como cê tá, Joaquim? Já te falei pra não me chamar assim… — Sorriu e sentou.
— Então como eu chamo?
— Pelo meu nome… E não me trata de senhor, também… Não sou tão velho…
Ele sabia como deixar os clientes à vontade…
— Haha ok… Quer um café?
— Não, não… Eu que pago…
— Não, mas… — Ele me interrompeu.
— Eu que te chamei aqui… Era mais conveniente pra mim… Então eu pago…
Fez sinal pro garçom pedir.
— Beleza, muito obrigado…
— Como odeio o trânsito da cidade…
— Hehe
— Tive que vir buscar meu terno aqui a umas quadras… Viu que vou casar?
Tirou uma pasta com uns papéis.
— Sim, sim… Me contou… Você me contou. haha
—É, tamo a mil com minha mina…
—Imagino hehe…
Eu olhava pra ele…
Não aguentava mais…
Queria que ele me dissesse que tinha resolvido tudo.
—Bom, vamos ao que interessa… Cê deve tar muito ansioso haha
Eu ri.
—Tudo bem hehe
—Que que eu ligo pro teu casamento? Não quero perder minha casa… — Exclamou de brincadeira.
Não sei por quê, mas esse cara me passava confiança…
—Haha não!
—Bom… Eu tava falando com o advogado da empresa… — Ele me olhou.
—Me diz que aceitaram um plano de pagamento…
Ele suspirou leve.
—Não… — Falou.
Senti como se um balde de água gelada tivesse caído na minha cabeça…
Não?
Um suor frio desceu pelas minhas costas até a cintura.
Como assim não?
—Sério?
—Não aceitaram um plano de pagamento agora… Mas… — Exclamou levantando o dedo com uma careta no rosto.
Mas?
Engoli seco.
—Mas… Se vocês conseguirem dar uma grana daqui a 45 dias… Uma quantia boa, digamos… Eles tão dispostos a financiar a dívida em até dois anos… — Falou finalmente, me fazendo arregalar os olhos.
Um cenário de esperança se abriu na minha frente.
Então… Eles aceitavam? Como?
—Dois anos? Sério?
—Sim… Mas a quantia que tão pedindo é alta… Não se empolga ainda…
—Quanto?
—Dez mil dólares…
Uhh…
Era bom demais pra ser verdade…
—Dez mil?
—Sim, pediam 15… Consegui baixar pra 10… E dentro dos 45 dias… Nesse tempo cê consegue um empréstimo… Pelo que sei, cê tá esperando um…
—Sim, sim…
—Bom… Se vocês conseguirem essa grana… Não vão te encher o saco… Pode confiar… — Exclamou com segurança.
—Todos os bancos que fui me negaram hehe… Só um disse que ia estudar a possibilidade…
—Sim, sim… Eu sei… Mas talvez cê possa tentar por outro lado também… Algum amigo ou parente…
—Parente não tenho… Mas bom… Já é uma baita notícia aceitarem um financiamento, Doutor… Não esperava… —
Talvez nem tudo fosse tão ruim.
Chegaram nossos cafés…
—Foi o melhor que consegui… Daqui a uns dias tenho que dar a resposta pra ele…
—Sim, sim… Sinceramente não esperava… Ou então… Pô, eu queria muito… Tu me entende…
—Esses casos me dão uma raiva danada… Juro que eu te emprestaria a grana… Mas entre o casamento e a lua de mel, a gente tá apertado, haha. — Ele falou, me deixando surpreso.
Emprestar pra mim?
Meu próprio advogado?
—Não, como é que você vai me emprestar…
—Você é indicação de um amigo… E é sobre um imóvel… Mas não dá, acredita…
—Não, não… Ainda nem sei como vou pagar seus honorários, haha.
—Haha, relaxa… Eu trabalho com carteira assinada… Peguei esse caso porque meu amigo pediu… Senão, nem atuo nessa área…
—Devo minha vida ao Mau, hehe… E a você, haha.
—Sem problema… Então, falo que sim?
—Sim, sim… A gente dá um jeito de conseguir a grana… Guardado, temos uns três mil, mais ou menos…
—Beleza… Foca nesse primeiro pagamento… Depois que entrar… A gente financia o resto… Vão ser parcelas mensais e em dólar… Assim, não acumulamos mais juros do que já tem…
—Sim, sim… O que você disser…
—Então, fechou… Quando você juntar essa grana… A gente deposita na conta que nos passarem e, assim que cair… O plano começa… Vai pensando que as parcelas mensais podem ficar entre 1000 e 1500 dólares… É puxado, mas não impossível…
—Sim, claro… Que notícia boa! — Eu ri, aliviado. Até meus olhos ficaram marejados.
Tive sorte de encontrar um cara como ele.
E ainda nem tinha me cobrado nada…
—Então vai me avisando…
—Sim, sim… Assim que o banco me responder, te aviso…
—Fechou!
—Valeu… De verdade…
—Imagina… Me desculpa ter te chamado aqui… É que tô correndo…
—Imagina, haha.
—Daqui vou buscar minha mina… Ela vai provar vestido…
—Haha, deve estar a mil…
—Nem imagina, haha…
Ele me fez morrer de rir.
—Beleza, então, Joaquim…
Ele levantou da cadeira e me cumprimentou com um aperto de mão.
Era do tipo que apertava firme…
Depois foi até o balcão. Acho que pagar…
E ainda me convidou…
Inacreditável…
Eu terminei de tomar o café com uma certa luz. esperança.
Era foda juntar essa grana em 45 dias, mas se o empréstimo saísse, a gente tinha o financiamento garantido. E fazia tempo que a gente não tinha nada garantido na vida…
Hoje a Alina ia ficar felizona quando eu contasse…
Respirei aliviado. Como se a corda no meu pescoço afrouxasse um pouco.
Bom, a gorjeta pelo menos eu ia deixar, né.
Peguei minha carteira pra tirar uns trocados.
O garçom veio recolher as coisas.
— Pode deixar, já tá tudo pago… — falou.
— Sim, sim… Mas isso é a gorjeta…
— Não se preocupe, o Sr. Winzer também cuidou disso… Boa tarde… — disse ele, levando a bandeja.
Eu ri…
Advogados assim não existem mais…
Com a mente renovada, voltei pra casa.
No caminho, a Alina me mandou três mil mensagens.
Claro, ela tava ligada no que rolava. Sabia que eu tava na reunião…
“Falaaa
Você falou???
O que aconteceu???
JOOOAAAQUIIIIIINNNN
Kkkkkk
A ansiedade me mata, amor!!!”
Eu ria sozinho…
Mas claro, também não dava pra deixar ela assim.
É foda essa sensação de poder quando você tem uma informação que todo mundo ou uma pessoa, talvez a mais importante da sua vida, quer saber…
Você quer fazer ela implorar kkk…
Tive que soltar alguma coisa…
“Oi, te conto quando chegar.
Não são más notícias…”
Como era de se esperar, ela continuou me enchendo de mensagens…
Eu, indo de transporte público, bem sentadão, continuei enrolando, sem soltar nada…
ALI: Fala, amor
ALI: Minha calcinha vai voar de nervoso kkk
Sempre tão gráfica.
EU: Kkkk
ALI: Já cheguei
ALI: Onde cê tá?
EU: No busão
EU: Chego em meia hora
ALI: Beleza, te espero pra lanchar
ALI: Faço um cafezinho
O segundo da tarde, né.
EU: Beleza, então
ALI: 🤗
EU: Mamãe tá aí?
ALI: Não, saiu com a Rosa
EU: Ah, beleza
ALI: Por que cê acha que tô de calcinha pela casa?
ALI: Kkkkkk
Como?
Kkk
EU: Ah, tava assim?
EU: 🤣
ALI: Kkkk
ALI: Já vesti um short
ALI: Mas se trouxer boas notícias, tiro ele e Corro pelado pelo bairro inteiro
Que mocinha…
Era capaz…
EU: Não me surpreenderia…
EU: Kkkk
ALI: 😏
EU: Você é demais!
ALI: Bom, pelo bairro não
ALI: Mas em casa sim
ALI: 😁
EU: Kkkkkk
EU: Já tô chegando
ALI: Fala
ALI: ☕
Acho que ela ia ficar feliz…
O financiamento tava mais perto do que nunca. Agora dava pra ser possível.
Claro, não ia ser tão fácil assim, mas tava ali, na esquina…
Fazia tempo que não me sentia assim, com tanta expectativa, tanta fé. Na real, já nem lembrava qual foi a última vez que não tava à beira do abismo, ha.
Cheguei em casa e, quando ia colocar a chave na porta, ela se abriu de repente.
Ha…
Era a Alina, tava me esperando com meu café na mão.
Tava de camiseta cinza, de ficar em casa, e um shortinho minúsculo da mesma cor.
Descalça, me olhou nos olhos.
Arrepiei toda quando percebi a esperança que ela carregava ali.
Me bateu forte.
Toda aquela crença…
As coisas não podiam dar errado… Não mais…
Seria muito doloroso perder outros gestos como aquele.
— E aí, boy? Fala logo! — Ela exclamou pra me tirar do transe.
— Oi… Sim… Posso entrar? Hehe…
Ela me deu espaço.
Me deu uma ternura danada ver como ela me seguia com o olhar. Tava mesmo muito curiosa e nervosa.
Não dava pra enrolar mais. Não consegui.
Tive que confessar kkk…
— Bom… Tô vendo que cê tá bem ansiosa…
Dava pra ver…
Cada movimento do rosto dela entregava, e muito…
— Sim… — Ela só falou isso.
— Bom, não tá nada certo mas… Se a gente pagar uma espécie de entrada… Daqui a 45 dias… Eles aceitam um plano de financiamento…
Nem terminei de falar e os olhos dela se abriram enormes.
Se encheram de uma luz intensa que me cegou por completo.
— Se o banco aprovar o empréstimo… Tamo bem…
Ela fez uma careta divina no rosto.
Daquelas que você não consegue segurar.
Daquelas que descrevem bem a sua alma…
— Sério?
— Sim… O banco aprova o empréstimo e, pagando essa entrada, que não é barata mas acessível… Eles podem financiar até dois anos…
Nunca vou esquecer a expressão no olhar dela.
Uma mistura de alívio com alegria. Tipo quando o impossível vira possível.
Ela se mordeu toda de tanta incredulidade…
Olhou pra cima, respirando aliviada.
“Finalmente” dizia a linguagem corporal dela…
— Me espera um segundo… — Falou mexendo os lábios, surpresa, e me passou a xícara de café.
Peguei.
— Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! — Gritou como nunca.
O mais engraçado não foi o grito de menina de 8 anos que ganha o brinquedo tão desejado. Acho que nem quando ganhou a primeira Barbie ficou tão feliz. Talvez, o mais hilário de tudo foi o que ela fez depois.
Exatamente como eu tinha previsto, ela pegou o short e deslizou ele pra baixo, na minha cara de choque.
O que ela tá fazendo? pensei.
Jogou ele em cima de mim, mostrando toda a bunda entalada naquela calcinha branca.
Começou a correr pro outro lado da casa, enquanto o tecido entrava no meio das nádegas…
Tenho muitos pedidos pendentes de usuários com nomes estranhos e sem fotos. Normalmente não aceito desse tipo, a menos que provem que são usuários reais...Capítulo 3Embora não fosse grande coisa, desviei o olhar pro lado.
Talvez não fosse o que se via, mas o que a imagem transmitia.
Suspirei, bem corado.
— Essa sou eu… — Exclamou como se nada fosse.
Engoli seco, olhando pro chão.
Como se eu não soubesse que é ela…
— Bom, também não exagera que não tô de fio dental… — Riu da minha vergonha.
— Kkk… Pra ele você pode pedir ajuda…
— Pra quem?
— Pro destinatário dessa foto, bebê…
Ela se mordeu, tentada.
— Não mandei pra ninguém… É de agora…
— Ah, não?
— Não kkk… Tô praticando hehe…
Olhei pra ela.
Praticando?
— Uff…
— Vai, nervosinho…
— Vai o quê? Kkk
— Quer ver outras?
— Emm, não? Kkk…
Me afastei um pouco do lugar.
Já não sabia se era brincadeira ou se era sério…
— Kkk, que otário! — Ela ria.
— Quantos anos você tem, Alina?
— 25, e você, gato? Kkk
Que mina filha da puta…
Mesmo assim, me fazia rir também.
— Vaza, melhor…
— Kkk, se eu soubesse que te deixava nervoso assim… Tinha feito antes…
— Vai pra merda…
Ela também tava corada. Não sei por quê, mas acho que era por zoar com esses assuntos.
— Sei que um dia é pouco pra pensar, mas… Pensa e a gente conversa direito…
Suspirei…
— Ali…
— É importante… — Falou me encarando com os olhos azuis.
Senti que tinha determinação no jeito dela.
— Já sei que é importante…
— E sei que consigo fazer isso… Mas preciso da sua ajuda… Não só com a câmera…
Só fiquei olhando pra ela.
O que parecia só hipotético, agora tava sendo analisado a sério por ela.
Não dava pra acreditar…
— Juro que vou pensar, tá bom?
Ela me olhou, apertando os lábios carnudos.
— Sério?
— Sim…
— Mas sério, sério?
— Sim kkk… Agora vaza kkk
— Mas pensa direito… Não me fode depois…
— Amanhã vou falar com o advogado… Pra ver o que deu com isso…
— Ok…
— Espero que saia o financiamento…
— Bom… Mas cê vai pensar mesmo, né?
Não tava me deixando outra opção, mesmo eu botando toda minha energia pra dar certo o plano de financiamento e o banco.
Além disso, assim… Eu me livrava dela por um tempo, ha...
Ficar pensando nas coisas que ela me propunha me deixava bem desconfortável.
Também não entendia por que ela tava me propondo aquilo…
Ela podia fazer com alguma amiga, sei lá. Alguém de confiança dela.
Por que eu?
— É, Ali… Vou pensar…
Ela mordeu o lábio e se jogou em cima de mim.
— Siiiiim haha. — Gritou, me abraçando.
Nem preciso dizer que ela me apertou com os braços e eu senti os peitos dela contra mim.
Deus…
Como ela adorava me provocar…
— Sai, haha…
Ela pegou meu rosto e me deu um beijo na bochecha.
“Muuuuaack” fez o som.
— Fala sério, mina haha
— Qual é? Se você gosta dos meus carinhos…
— Não falei que não… — Falei de um jeito engraçado.
Ela riu.
Era estranho ter ela assim, em cima de mim.
Dava até pra sentir o perfume que ela usava.
— Idiota…
— Mas… Eu disse que ia pensar… Isso não quer dizer que vou aceitar… —
Só tava ganhando tempo, hehe…
Mas não ia contar pra ela.
— Ok… Já é alguma coisa haha…
— Minha mãe vai entrar e vai achar que você tá me apertando…
— Humm… Hehe…
Ela ria que nem uma tonta…
— Fala sério… — Fiz um gesto pra ela sair de cima.
— Espero que você não me enrole… — Falou me olhando de um jeito desafiador.
Parecia inacreditável ela estar em cima de mim…
Eu via muita pele e já tava começando a ficar vermelho…
Devo dizer que sempre fomos carinhosos…
Beijos, abraços…
Ligações ou mensagens perguntando se a gente chegou bem em tal lugar, etc.
Mas agora, eu tava começando a ver de outro jeito…
Não posso ignorar que ela é uma mulher, afinal de contas, e conversando esse tipo de coisa, hehe…
Sei lá…
Nem quero falar…
— Não, boba…
— Espero! — Ela disse apontando o dedo pra mim e tocando a ponta do meu nariz.
Aquele olhar sério.
Acho que ela ia me matar se eu fizesse ela de besta…
— Bom… Vou dormir… Amanhã tem trampo…
— Sim…
Ela se levantou de cima de mim.
Fez um gesto que me chamou a atenção. Como se ela curtisse me provocar daquele jeito. Me deixar sem graça…
Sei lá, talvez tenha sido impressão minha.
Ela andou até a porta.
A camisola dela tava meio levantada numa das nádegas… Booty, então desviei os olhos dali bem rápido.
Por pouco e vejo a tanga dela…
Ela parou na porta, na altura de um espelho que estava encostado na parede.
Se olhou.
— Mmmm… — fez, tapando a parte da bunda que dava pra ver.
Meu coração batia forte quando algo assim acontecia…
Ela posou com as mãos na cintura.
Provavelmente tava se perguntando se era gostosa.
Claro que não precisava fazer essa pergunta…
Pra piorar, de relance, via ela empinar a bunda e o peito.
Ela riu, baixinho.
Por quê?
— Quer levar? Te dou, haja.
Ela me olhou, provocante.
Percebeu que meus olhos não estavam fixos diretamente nela.
— Não, já tenho o meu… — respondeu enquanto mudava de lado.
Me pergunto o que ela tava fazendo… Ou o que tava tentando fazer…
Bom, talvez fosse eu que tivesse nervoso demais com a situação.
Precisava relaxar um pouco…
— Vê se… Tira uma foto pra mim…
Arregalei os olhos e olhei pra ela de repente.
Hã?
— Eu?
— Sim, bobo.
— Pra quê? Para de encher o saco…
— Vai, mané… Tô vestida…
— Mas pra que você quer uma foto? — Senti um calor subindo pelo meu rosto.
Ela me passou o celular.
Fiquei olhando pra ela com uma cara de pôquer foda.
Ela voltou pra porta e procurou uma pose.
Era verdade, tava vestida, mas…
— Como você tiraria uma? Vê aí… Vai…
— Emm…
Mesmo que ela estivesse de camisola, era uma roupa íntima, de dormir. Sei lá…
Percebi o rubor que me tomou. Foi instantâneo.
— Vai… Com todo seu talento… Tira uma… — exclamou convincente, posando com as duas mãos na cintura e me olhando de lado.
Quase tive um infarto quando notei no relevo do tecido de seda a marca dos bicos dos peitos dela.
Me deu uma pontada no peito e…
Sim, em outro lugar…
Queria morrer.
Como isso vai acontecer comigo?
Até dava pra ver o contorno deles, fazendo pressão.
Respirei fundo…
Ela percebeu meu desconforto.
— Que idiota! — Ela ria, mas não falava mais nada. Acho que achava uma gracinha. Além disso, acho que não percebeu que eu tava pezonando por baixo da roupa dela…
- Vamos ver… Fica quieta…
- Fala… – Ela exclamou, tentada.
Completamente entregue ao pedido dela, sem chance de achar outro caminho, eu topei.
Procurei uma posição um pouco mais alta, pra destacar aquele rostinho lindo dela acima de tudo.
Ela fez cara de séria, com aqueles lábios carnudos passando uma sensação de frieza total.
Claro que os peitos dela se destacavam. Óbvio. Mas eu não olhei pra lá. Assim como também não olhei pra virilha dela, onde a roupa quase terminava, colada no corpo.
Acho que vermelho como nunca, peguei o melhor ângulo e tirei a foto.
Dava pra sentir minha pele começando a suar…
- Deixa eu ver isso… – Ela perguntou curiosa, enquanto eu ouvia meu coração batendo.
Passei o celular pra ela, meio nervoso.
Eu tinha feito o que ela pediu…
Quando ela olhou a imagem, as pupilas dela se dilataram.
Acho que ela se surpreendeu. E muito.
- Caralho…
- O quê?
- Sério? – Ela me perguntou, assustada.
- O quê? O que tem?
Ela sorriu sem conseguir disfarçar.
Era bonito quando isso acontecia…
- Tá vendo o que eu te falo?
- Tá bom?
Ela me olhou, se mordendo.
- Tá vendo, idiota? É disso que eu tô falando… – Ela exclamou me batendo no braço.
- Haha…
- Você tem um dom pra fotos…
- Nossa… Eu só me meto nisso…
Ela ficou olhando a imagem com detalhe.
- Humm… Sim, mano… Demais…
- Falei que ia pensar… A gente vê o que rola…
Ela me observou.
Provavelmente, agora ela tava mais segura do que pensava…
Deus…
- Sim, já te ouvi… Chato…
- Haha… Até amanhã… – Falei, já mandando ela embora.
- Até amanhã, neném…
Ela se aproximou de novo, enquanto olhava o celular.
Tava pensativa…
- Boa noite, brody… – Ela exclamou e veio me dar um beijo.
- Boa noite…
“Chuik” fez na minha bochecha.
Sempre tão carinhosa, ha.
E assim, ela foi pro quarto dela…
Suspirei.
Ela realmente conseguiu me deixar nervoso…
Só o fato dela posar pra mim fez todo meu sistema nervoso pirar. E eu já tinha tirado milhares de fotos dela na vida. Até de biquíni ou maiô em algumas ocasiões.
Sem Porém, desta vez foi diferente…
Eu estava de pijama, que colava no corpo e marcava a silhueta dela…
Sem contar que vi um pedaço da bunda dela e ela percebeu isso. Olha… Foi na cara…
Ela se levantou da cama com a camisola subida e puxou pra baixo…
É óbvio que ela sabia que eu tinha visto!
Uff…
E ainda a cara que ela fez na foto…
O jeito que ela posou…
Sim…
Me deixou muito nervoso…
Não só por ela ser tão gostosa. Não…
Mas pelo vínculo que a gente tem.
Ela é minha irmã…
Não tem nada de errado em achar que ela é linda. Claro que não. Mas outra coisa é ter que ficar o tempo todo perto dessa beleza.
Algo me dizia que não era certo. Por mais confiança que ela tivesse em mim…
Não sei se era apropriado a gente falar de certas coisas. Muito menos eu tirar fotos dela…
Na real, nem acredito que estou pensando numa parada dessas.
E talvez o pior é que ela estava convencida a fazer isso.
Mas por que ela tem que carregar esse peso sozinha?
Por que fazer isso?
Ela era minha irmã…
Eu devia proteger ela, não expor…
Era o ser humano que eu mais amava nesse mundo.
Também não conseguia tirar da cabeça aquele olhar que ela fazia quando me via…
Aquela mistura de preocupação, esperança e medo de perder tudo…
Não…
Eu tinha que assumir a responsabilidade…
Eu tinha que dar conta…
Mais uma noite em que o sono demorou a chegar…
Demorei pra caramba pra dormir e sabia que ia sofrer no dia seguinte quando acordasse cedo.
Bom, no fim das contas, também não era algo a que eu não estivesse acostumado.
Desde aquela notícia terrível, nenhum de nós conseguia dormir em paz.
Acordei às 6 da manhã com os olhos colados.
Mal comi alguma coisa no café…
Deixei pra Alina umas torradas com geleia e um café pronto. Como ela sempre acordava em cima da hora, porque ficava vendo Instagram e TikTok na cama, eu preparava umas coisas pra ela não sair sem comer.
Fui trabalhar, sabendo que à tarde ia me encontrar uns minutos com o Advogado do caso, num café perto do meu trampo.
Rogando por boas notícias…
A gente precisava delas…
No caminho, fui ouvindo uns influencers que “ensinavam” a usar os sites de aposta.
Talvez por ali eu pudesse achar uma alternativa. Mais uma, né. Tudo que somasse, já ajudava.
Aproveitei a viagem inteira pro trabalho com isso, já que ela tinha levado o carro pro escritório hoje. A gente se revezava.
Talvez se eu desse um jeito de tirar o máximo daqueles créditos que dão de boas-vindas…
É, eu sei…
É óbvio que é a isca pra te fisgar. Mas também, não acreditava que todos os jogos do futebol argentino e da Libertadores fossem combinados…
Baixei um desses apps. O que dava mais crédito de entrada. E eu, que ia ser jornalista e ainda com especialização esportiva, manjava um pouco de futebol.
Claro, ia ser bem prudente…
Já passando do meio-dia, tinha adiantado um pouco do trampo da semana toda, porque a maior parte do meu tempo tava indo pra arrumar grana pra manter a casa.
Não conseguia pensar em outra coisa, sinceramente.
Fiz umas colunas pra uns jornais e revistas e, inclusive, deixei algumas pela metade, pra completar no decorrer da semana.
Depois, fui analisar mais a fundo a tabela da próxima rodada do campeonato e as novidades dos times que iam jogar.
Montei um Excel com os clubes, jogadores e as chances de resultado, baseado no desempenho que vinham tendo.
Ha, é…
Tava no pique…
Num momento, a Ali me mandou um zap.
ALI: Como tá o dia, maninho?
ALI: 😁
EU: Bem
EU: Na correria, e você?
ALI: Mais ou menos
ALI: Alguma novidade?
EU: De quê?
ALI: Do advogado
ALI: O banco não ligou, né?
EU: Ahh, o banco ainda não ligou
EU: E o advogado vou ver daqui a pouco
ALI: Oki
ALI: Valeu por deixar o carro hoje
ALI: Tava precisando bater uma punheta kkk
EU: Nada, de boa
EU: 😉
ALI: Você é o melhor, te adoro!
Me fez sorrir.
EU: Kkkk
EU: Parece que vai chover hoje
ALI: Sim, que merda
ALI: Tá prevendo tempestade, mas não parece tanto
EU: Siiim
EU: Tava vendo um app de apostas!
ALI: Ah, é?
EU: Vamos ver qual é
EU: Tudo soma kkk
ALI: E como é?
EU: De todas que vi, parece a mais viável
EU: Depois te explico direitinho
ALI: Ah, beleza
ALI: Quando eu fizer a visita noturna kkkkk
Eu rachei de rir.
Era verdade…
EU: É verdade!
EU: 🤣
ALI: Kkkkk
ALI: Não te incomoda, né?
EU: Não, por quê?
ALI: Sei lá, tô falando kkk
Já sabia por que ela tava dizendo…
EU: Não
EU: Contanto que você não transforme meu quarto num estúdio de fotografia…
ALI: Ufaaaaaaaaaaa
ALI: 😡
EU: Kkkkk
ALI: Quero acreditar que você tá pensando como me prometeu…
ALI: 🙄
EU: Ah, então era por isso as mensagens carinhosas
ALI: Kkkk nãooo
ALI: As mensagens carinhosas são porque você é meu irmãozinho e eu te amo
ALI: E te admiro pra caralho também
Eu mordi o lábio, sorrindo.
Mesmo zoando, não me surpreenderia se ela pensasse isso de verdade.
EU: Ah, é?
EU: Mais o quê?
ALI: Báh
ALI: Também não abusa…
EU: Kkkkk
ALI: Panchão que você é
EU: Também te amo, mana
EU: 😇
ALI: Hmm essa aura aí não sei se combina com você
ALI: Kkk não, mentira
ALI: ❤️
EU: Sim, tô pensando nisso
EU: Mas sabe que prefiro que outras opções rolem antes
ALI: Percebi kkk
ALI: Sr. Apostador
EU: E, viu?
EU: Um cara que tá no futebolzinho
ALI: Sim kkk
ALI: Mas é, sabe o que eu penso sobre isso
EU: Sei, sim kkk
ALI: E sabe o quanto seria importante pra mim ajudar a velha
EU: Sei, Ali
EU: Pra mim também
ALI: Mas você entende do que eu tô falando…
Claro que eu entendia.
Quem melhor do que eu? pensei.
Sabia muito bem onde ela queria chegar.
EU: Sim, fica tranquila que eu sei
ALI: 😊
EU: Você continua pesquisando isso? Kkk
ALI: Kkkk
EU: Melhor nem responder
ALI: 😅
ALI: Sim, tô dando uma olhada, gordão
ALI: Vendo como funciona tudo
EU: Tomara que não precise botar em prática
ALI: Kkk
ALI: Amém
EU: Vou te matar de cosquinha se continuar enchendo o saco
ALI: Nao hahaha
ALI: Melhor eu deixar você continuar trabalhando
EU: Sim, melhor
EU: 😡
ALI: Malvado!
EU: Hahaha
ALI: Valeu por deixar o café da manhã também
ALI: 😊
EU: De nada!
EU: Depois a gente se fala
ALI: Oki
ALI: Beijus
Tenho que admitir que a boa vibe dela sempre me fazia pensar que as coisas podiam estar melhores.
E, de fato, estavam.
Ver ela sorrir ou imaginar que ela sorria, realmente me contagiava…
Me ajudou a passar o resto do dia de boa, cheio de energia.
E, de verdade, o expediente passou rápido…
Uns minutos depois que ela saiu, eu ia encontrar o advogado do nosso caso num café.
Pedia pra Deus que tivesse boas notícias…
Então, cheio de expectativa, fui pro encontro.
Pensava que, às vezes, a gente tem que desejar as coisas pra elas acontecerem. Acreditar, como disse um certo ídolo do futebol argentino.
Cruzei os dedos e sentei na primeira mesa vazia que vi.
Mandei uma mensagem que já tinha chegado e ele respondeu que tava a duas quadras.
Beleza, pensei.
Se fosse notícia ruim, ele teria avisado antes, né?
Ha…
A ansiedade me dominava…
Quando vi ele entrar, admito, deu aquele aperto no cu.
Os gestos dele passavam confiança. Mas sei lá, não sei se isso é um bom parâmetro, porque esse cara sempre parece impecável…
— Oi, Doutor… Boa tarde…
— Como cê tá, Joaquim? Já te falei pra não me chamar assim… — Sorriu e sentou.
— Então como eu chamo?
— Pelo meu nome… E não me trata de senhor, também… Não sou tão velho…
Ele sabia como deixar os clientes à vontade…
— Haha ok… Quer um café?
— Não, não… Eu que pago…
— Não, mas… — Ele me interrompeu.
— Eu que te chamei aqui… Era mais conveniente pra mim… Então eu pago…
Fez sinal pro garçom pedir.
— Beleza, muito obrigado…
— Como odeio o trânsito da cidade…
— Hehe
— Tive que vir buscar meu terno aqui a umas quadras… Viu que vou casar?
Tirou uma pasta com uns papéis.
— Sim, sim… Me contou… Você me contou. haha
—É, tamo a mil com minha mina…
—Imagino hehe…
Eu olhava pra ele…
Não aguentava mais…
Queria que ele me dissesse que tinha resolvido tudo.
—Bom, vamos ao que interessa… Cê deve tar muito ansioso haha
Eu ri.
—Tudo bem hehe
—Que que eu ligo pro teu casamento? Não quero perder minha casa… — Exclamou de brincadeira.
Não sei por quê, mas esse cara me passava confiança…
—Haha não!
—Bom… Eu tava falando com o advogado da empresa… — Ele me olhou.
—Me diz que aceitaram um plano de pagamento…
Ele suspirou leve.
—Não… — Falou.
Senti como se um balde de água gelada tivesse caído na minha cabeça…
Não?
Um suor frio desceu pelas minhas costas até a cintura.
Como assim não?
—Sério?
—Não aceitaram um plano de pagamento agora… Mas… — Exclamou levantando o dedo com uma careta no rosto.
Mas?
Engoli seco.
—Mas… Se vocês conseguirem dar uma grana daqui a 45 dias… Uma quantia boa, digamos… Eles tão dispostos a financiar a dívida em até dois anos… — Falou finalmente, me fazendo arregalar os olhos.
Um cenário de esperança se abriu na minha frente.
Então… Eles aceitavam? Como?
—Dois anos? Sério?
—Sim… Mas a quantia que tão pedindo é alta… Não se empolga ainda…
—Quanto?
—Dez mil dólares…
Uhh…
Era bom demais pra ser verdade…
—Dez mil?
—Sim, pediam 15… Consegui baixar pra 10… E dentro dos 45 dias… Nesse tempo cê consegue um empréstimo… Pelo que sei, cê tá esperando um…
—Sim, sim…
—Bom… Se vocês conseguirem essa grana… Não vão te encher o saco… Pode confiar… — Exclamou com segurança.
—Todos os bancos que fui me negaram hehe… Só um disse que ia estudar a possibilidade…
—Sim, sim… Eu sei… Mas talvez cê possa tentar por outro lado também… Algum amigo ou parente…
—Parente não tenho… Mas bom… Já é uma baita notícia aceitarem um financiamento, Doutor… Não esperava… —
Talvez nem tudo fosse tão ruim.
Chegaram nossos cafés…
—Foi o melhor que consegui… Daqui a uns dias tenho que dar a resposta pra ele…
—Sim, sim… Sinceramente não esperava… Ou então… Pô, eu queria muito… Tu me entende…
—Esses casos me dão uma raiva danada… Juro que eu te emprestaria a grana… Mas entre o casamento e a lua de mel, a gente tá apertado, haha. — Ele falou, me deixando surpreso.
Emprestar pra mim?
Meu próprio advogado?
—Não, como é que você vai me emprestar…
—Você é indicação de um amigo… E é sobre um imóvel… Mas não dá, acredita…
—Não, não… Ainda nem sei como vou pagar seus honorários, haha.
—Haha, relaxa… Eu trabalho com carteira assinada… Peguei esse caso porque meu amigo pediu… Senão, nem atuo nessa área…
—Devo minha vida ao Mau, hehe… E a você, haha.
—Sem problema… Então, falo que sim?
—Sim, sim… A gente dá um jeito de conseguir a grana… Guardado, temos uns três mil, mais ou menos…
—Beleza… Foca nesse primeiro pagamento… Depois que entrar… A gente financia o resto… Vão ser parcelas mensais e em dólar… Assim, não acumulamos mais juros do que já tem…
—Sim, sim… O que você disser…
—Então, fechou… Quando você juntar essa grana… A gente deposita na conta que nos passarem e, assim que cair… O plano começa… Vai pensando que as parcelas mensais podem ficar entre 1000 e 1500 dólares… É puxado, mas não impossível…
—Sim, claro… Que notícia boa! — Eu ri, aliviado. Até meus olhos ficaram marejados.
Tive sorte de encontrar um cara como ele.
E ainda nem tinha me cobrado nada…
—Então vai me avisando…
—Sim, sim… Assim que o banco me responder, te aviso…
—Fechou!
—Valeu… De verdade…
—Imagina… Me desculpa ter te chamado aqui… É que tô correndo…
—Imagina, haha.
—Daqui vou buscar minha mina… Ela vai provar vestido…
—Haha, deve estar a mil…
—Nem imagina, haha…
Ele me fez morrer de rir.
—Beleza, então, Joaquim…
Ele levantou da cadeira e me cumprimentou com um aperto de mão.
Era do tipo que apertava firme…
Depois foi até o balcão. Acho que pagar…
E ainda me convidou…
Inacreditável…
Eu terminei de tomar o café com uma certa luz. esperança.
Era foda juntar essa grana em 45 dias, mas se o empréstimo saísse, a gente tinha o financiamento garantido. E fazia tempo que a gente não tinha nada garantido na vida…
Hoje a Alina ia ficar felizona quando eu contasse…
Respirei aliviado. Como se a corda no meu pescoço afrouxasse um pouco.
Bom, a gorjeta pelo menos eu ia deixar, né.
Peguei minha carteira pra tirar uns trocados.
O garçom veio recolher as coisas.
— Pode deixar, já tá tudo pago… — falou.
— Sim, sim… Mas isso é a gorjeta…
— Não se preocupe, o Sr. Winzer também cuidou disso… Boa tarde… — disse ele, levando a bandeja.
Eu ri…
Advogados assim não existem mais…
Com a mente renovada, voltei pra casa.
No caminho, a Alina me mandou três mil mensagens.
Claro, ela tava ligada no que rolava. Sabia que eu tava na reunião…
“Falaaa
Você falou???
O que aconteceu???
JOOOAAAQUIIIIIINNNN
Kkkkkk
A ansiedade me mata, amor!!!”
Eu ria sozinho…
Mas claro, também não dava pra deixar ela assim.
É foda essa sensação de poder quando você tem uma informação que todo mundo ou uma pessoa, talvez a mais importante da sua vida, quer saber…
Você quer fazer ela implorar kkk…
Tive que soltar alguma coisa…
“Oi, te conto quando chegar.
Não são más notícias…”
Como era de se esperar, ela continuou me enchendo de mensagens…
Eu, indo de transporte público, bem sentadão, continuei enrolando, sem soltar nada…
ALI: Fala, amor
ALI: Minha calcinha vai voar de nervoso kkk
Sempre tão gráfica.
EU: Kkkk
ALI: Já cheguei
ALI: Onde cê tá?
EU: No busão
EU: Chego em meia hora
ALI: Beleza, te espero pra lanchar
ALI: Faço um cafezinho
O segundo da tarde, né.
EU: Beleza, então
ALI: 🤗
EU: Mamãe tá aí?
ALI: Não, saiu com a Rosa
EU: Ah, beleza
ALI: Por que cê acha que tô de calcinha pela casa?
ALI: Kkkkkk
Como?
Kkk
EU: Ah, tava assim?
EU: 🤣
ALI: Kkkk
ALI: Já vesti um short
ALI: Mas se trouxer boas notícias, tiro ele e Corro pelado pelo bairro inteiro
Que mocinha…
Era capaz…
EU: Não me surpreenderia…
EU: Kkkk
ALI: 😏
EU: Você é demais!
ALI: Bom, pelo bairro não
ALI: Mas em casa sim
ALI: 😁
EU: Kkkkkk
EU: Já tô chegando
ALI: Fala
ALI: ☕
Acho que ela ia ficar feliz…
O financiamento tava mais perto do que nunca. Agora dava pra ser possível.
Claro, não ia ser tão fácil assim, mas tava ali, na esquina…
Fazia tempo que não me sentia assim, com tanta expectativa, tanta fé. Na real, já nem lembrava qual foi a última vez que não tava à beira do abismo, ha.
Cheguei em casa e, quando ia colocar a chave na porta, ela se abriu de repente.
Ha…
Era a Alina, tava me esperando com meu café na mão.
Tava de camiseta cinza, de ficar em casa, e um shortinho minúsculo da mesma cor.
Descalça, me olhou nos olhos.
Arrepiei toda quando percebi a esperança que ela carregava ali.
Me bateu forte.
Toda aquela crença…
As coisas não podiam dar errado… Não mais…
Seria muito doloroso perder outros gestos como aquele.
— E aí, boy? Fala logo! — Ela exclamou pra me tirar do transe.
— Oi… Sim… Posso entrar? Hehe…
Ela me deu espaço.
Me deu uma ternura danada ver como ela me seguia com o olhar. Tava mesmo muito curiosa e nervosa.
Não dava pra enrolar mais. Não consegui.
Tive que confessar kkk…
— Bom… Tô vendo que cê tá bem ansiosa…
Dava pra ver…
Cada movimento do rosto dela entregava, e muito…
— Sim… — Ela só falou isso.
— Bom, não tá nada certo mas… Se a gente pagar uma espécie de entrada… Daqui a 45 dias… Eles aceitam um plano de financiamento…
Nem terminei de falar e os olhos dela se abriram enormes.
Se encheram de uma luz intensa que me cegou por completo.
— Se o banco aprovar o empréstimo… Tamo bem…
Ela fez uma careta divina no rosto.
Daquelas que você não consegue segurar.
Daquelas que descrevem bem a sua alma…
— Sério?
— Sim… O banco aprova o empréstimo e, pagando essa entrada, que não é barata mas acessível… Eles podem financiar até dois anos…
Nunca vou esquecer a expressão no olhar dela.
Uma mistura de alívio com alegria. Tipo quando o impossível vira possível.
Ela se mordeu toda de tanta incredulidade…
Olhou pra cima, respirando aliviada.
“Finalmente” dizia a linguagem corporal dela…
— Me espera um segundo… — Falou mexendo os lábios, surpresa, e me passou a xícara de café.
Peguei.
— Siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim! — Gritou como nunca.
O mais engraçado não foi o grito de menina de 8 anos que ganha o brinquedo tão desejado. Acho que nem quando ganhou a primeira Barbie ficou tão feliz. Talvez, o mais hilário de tudo foi o que ela fez depois.
Exatamente como eu tinha previsto, ela pegou o short e deslizou ele pra baixo, na minha cara de choque.
O que ela tá fazendo? pensei.
Jogou ele em cima de mim, mostrando toda a bunda entalada naquela calcinha branca.
Começou a correr pro outro lado da casa, enquanto o tecido entrava no meio das nádegas…
5 comentários - Alina III - Buceta Gostosa