No dia seguinte, mesma rotina de manhã: me arrumar pra ir pra escola o mais rápido possível pra não me atrasar. Já na escola, o tempo passou super devagar, deve ser porque é sexta-feira, pensei. Não conseguia me concentrar nem prestar atenção, a única coisa na minha cabeça era que eu já tinha um namorado novo e queria sentar no pau dele de novo, e isso me excitava pra caralho. Sentia minha buceta ficar molhadinha enquanto eu ficava sentada fingindo que prestava atenção nas aulas, esperando dar o horário de sair pra me encontrar com o Jonny de novo. Finalmente as aulas acabaram, todo mundo saiu rápido da sala, e enquanto alguns planejavam pra onde iriam pra festa, eu me mandei rápido pro carro, falando pra todo mundo que me convidava que tinha que ajudar meus pais com umas coisas. Agora só precisava pegar meu irmão na escola dele, pra depois ir ver o Jhonny, então parti. Cheguei e estacionei a uma quadra da escola, ainda faltava pro horário de saída dele, então esperei uns minutos no carro. Tava impaciente pra chegar logo e ver meu namorado. Depois de alguns minutos, ouvi alguém batendo no vidro do carro. Era meu irmão. Destravei as portas pra ele entrar. D: Saiu mais cedo? — falei. H: Sim, sexta-feira os professores tão com pressa de ir embora. D: Ok, então bora pra casa. Dirigi pelo caminho que eu considero o mais curto. H: Tá com pressa, Dany? D: Hã?... Não... Por quê? H: Cê tá mais rápida que o normal. D: Hmm, não, deve ser porque é sexta-feira 😃 D: Vai sair hoje? — Sim, vou sair com o cara da academia. Óbvio que não podia falar que era com quem tinha feito bullying. H: Ah, legal, se diverte. Chegamos em casa e subi pro meu quarto pegar minhas coisas da academia. Peguei um short de lycra curto, guardei na mochila e desci correndo. D: Tchau, irmãozinho, vou pra academia! — gritei enquanto saía de casa, óbvio que não ia pra academia. H: Ok — falou meu irmão do quarto dele. Tava com muita pressa, cheguei o mais rápido possível, mas pra minha má sorte, o Jhonny não tava lá. casa, liguei pro telefone, mas ela não atendeu, continuei insistindo, até que atendeu. D- Oi amor, tô na frente da sua casa, que horas você vem? Quero ficar com você J- hoje não dá, saí pra farrear com uns amigos e não vou poder te ver, não enche o saco, tchau D- tudo bem, tchau Subi no carro, segurando um pouco as lágrimas e a raiva, mesmo tendo pouco tempo junto e tal, eu tinha me empolgado. Entrei no carro e tentei não chorar, mas mesmo assim as lágrimas rolaram pelo meu rosto, não de tristeza, mas de ódio, me senti humilhada, entendo que talvez eu fosse só mais uma, mas senti que ele foi muito grosso me tratando daquele jeito, como se quisesse se exibir pros amigos. Tentei me acalmar e decidi voltar pra casa, liguei o carro e dirigi devagar pra não dar pra perceber que eu tinha chorado. Cheguei em casa, estacionei o carro na entrada, peguei minhas coisas e desci. - Boa tarde Dany, era o senhor da casa ao lado parado na entrada da casa dele - Boa tarde seu Beto - falei enquanto abria a porta de casa Tranquei a porta por dentro - Ah não, ele já me viu assim - falei encostando a testa na porta - Quem? - Me virei ao ouvir isso, meu irmão tava na sala com um amigo dele, mais baixo e magro que meu irmão, com uma camiseta de algo de quadrinhos e óculos, bem nerdão o menino. D- Oi maninho… amm… vim te visitar!! H- Fica tranquila, ele sabe que você é minha irmã, ele já ficou aqui várias vezes, lembra? Santy, estudava comigo na escola. D- Ah.. sério? Santiago? sim sim, lembro, Oi Santy (a verdade é que eu não fazia ideia de quem era) é que não reconheci porque ele cresceu muito. bom, vou pro meu quarto, ok? Subi correndo as escadas e entrei no meu quarto, passei na frente do espelho. D- esqueci que tô vestida assim, agora Santy também me viu, tomara que ele não encha o saco do meu irmão com o jeito de puta que eu tô.
Troquei de roupa, botei uma camiseta comprida e uma calcinha, porque tinha tirado tudo antes de ir na casa do Jonny — e pra quê? Me joguei na cama, e as lembranças do que aconteceu há pouco voltaram. Pra me distrair, resolvi fazer minhas tarefas da escola. Horas depois, alguém bateu na minha porta.
D- Entra.
M- Oi, filha, como cê tá?
D- Bem, mãe, aqui adiantando o dever.
M- Não vai sair hoje?
D- Não, preferi ficar em casa.
M- Ok, seu pai e eu vamos sair, é aniversário de uma amiga. A gente volta assim que acabar, mas não esperem acordados, vamos chegar tarde, ok?
D- Sim, mãe, se divirtam.
M- Obrigada, filha. Ah, e deixei a janta pronta pra vocês. Seu irmão trouxe um amigo, e também chamei um encanador pra arrumar o vazamento do banheiro. Ele que te explique direitinho, porque não sei de onde tá vazando, mas tá soltando água.
D- Ok, mãe, eu cuido disso, pode ficar tranquila.
Ela fechou a porta e eu voltei a me enfiar nos estudos. Quando terminei, percebi que já passava das seis da tarde. Achei que, por causa do horário, o encanador já não ia mais aparecer. Guardei meus livros e ouvi meu irmão e o amigo dele rindo no quarto ao lado, jogando videogame. Resolvi tomar um banho. Entrei no chuveiro, fiquei vários minutos relaxando na água quente, e de repente: *pum!* Algo estourou e me deixou no escuro dentro do banheiro.
- O que foi isso?
- A luz caiu!
Fiquei quase um minuto esperando pra ver se voltava, mas nada. Fechei o registro, me enrolei na toalha e saí. Meu quarto também tava escuro. Olhei pela janela e vi que a rua inteira tava sem luz. Sentei na beira da cama e notei que entrava um pouco de claridade pela porta do meu quarto, que tava meio aberta. Alguém abriu? Pensei. Tem alguém me espiando? Senti um arrepio que percorreu meu corpo todo. Agora que paro pra pensar, acho que já tinha sentido isso antes, mas nunca parei pra pensar por quê. Acho que essa sensação vem quando me sinto sendo observada com malícia, sabe? Tipo, com um olhar de tesão. Na academia, ou com o vizinho, ou na escola do meu irmão, ou quando passo na rua e me olham com malícia… será que eu gosto de ser vista assim? Levantei e me posicionei de um jeito que não dava pra me ver por aquela abertura, abri as cortinas da janela e notei que a porta se abria um pouco mais, alguém estava ali, será meu irmão? Senti aquela sensação de novo, mesmo sem ele poder me ver, aquele ângulo só me mostraria se eu estivesse sentada na beirada da cama, de frente pro armário. Tive uma ideia, ia dar uma lição nele aproveitando a pouca luz que entrava pela janela. Me coloquei de costas pra porta, onde ele poderia me ver, fingindo que não percebia que estava aberta. Tirei a toalha do corpo e comecei a me esfregar com ela pra me secar, tinha certeza que ele pelo menos via meu corpo nu, pelo menos minha bunda enquanto eu fazia isso. Me virei pro armário pra pegar roupa, abri a gaveta onde guardo minha calcinha, peguei as primeiras que vi, eram fio dental. Olhei pra elas e segurei um sorriso, coloquei com a bunda virada pra porta. Continuei procurando no armário, mas notei que estava de costas pra luz e assim meus peitos não apareciam. Olhei pra janela e vi que minha camiseta estava em cima da cama. Tive uma ideia, virei pra janela pra luz bater de frente, assim ele poderia ver meus peitos de perfil pela porta. Me ajoelhei na cama pra pegar a camiseta e voltei pro lugar onde estava, vestindo ela de frente pra janela. O que será que meu irmão tá pensando? Isso tava me excitando, então enquanto vestia, fingi que ela enroscava quando eu colocava a cabeça, deixando meu rosto coberto e virando pra porta pra ele ver meus peitos de frente. Dei uns pulinhos pra ele ver eles balançando, com a desculpa de que assim desenroscava minha cabeça, mas olhando pra outro lado pra ele não desconfiar que eu sabia que tava sendo espiada. Peguei a toalha e enrolei no cabelo, sentei na cama e esperei uns segundos antes de ir até a porta. Abri a porta e lá estava ele. Tava de pé, meu irmão, junto com o Santy D. — Oi, o que vocês tão fazendo? — Ah, ia tocar na Dany agora, viemos ver se você tava bem, se assustou ou algo assim, acho que um transformador estourou. — Ah… eu tô bem, tava tomando banho e quando saí, tudo tava escuro, obrigada pela preocupação. — Ok, a gente vai ficar lá embaixo, a mamãe parou de comer. — Beleza, desço daqui a pouco. Fechei a porta. Será que eu imaginei que ele tava me espionando? Deitei na cama, pensando: será que eu tinha realmente curtido a ideia de provocar meu irmão? Fiquei um tempão refletindo sobre o que rolou nos dias anteriores. Sim, eu tinha adorado provocar em outras situações, mas com meu irmão? Sei lá, sentia um pouco de culpa, mas ao mesmo tempo, curiosidade. Levantei e sequei o cabelo com a toalha o máximo que pude. Peguei um short de pijama bem curtinho, com estampa de macaquinho, pra vestir e descer. Vou deixar uma foto do meu pijama aqui; a da foto sou eu.
Desci as escadas e lá estavam eles na sala, jogando no celular. Sentei no sofá com meu cel também, vi se tinha mensagem do Jonny, mas não. Então larguei ele de lado, já tava quase sem bateria. Só fiquei olhando como o Santy e meu irmão se divertiam sem notar minha presença. Aí fui pra cozinha, vi o que tinha de janta, mas não tava com fome. Só servi um suco porque tava calor. Voltei pra sala e encontrei os dois sentados sem fazer nada. Sentei na poltrona.
D: "Ué, já cansaram de jogar?"
H: "A bateria vai acabar" — disse meu irmão.
D: "Ah, que merda. E agora, o que vão fazer?"
H: "Ué, sei lá."
D: "Então janta."
S: "Já jantamos."
D: "Ah, ok."
Começaram a falar de videogame, eu só escutava sem prestar atenção enquanto tomava meu suco, até que ouvi: "tua irmã."
H: "Cala a boca" — sussurrou meu irmão.
D: "Que que tão falando de mim?"
H: "Nada."
S: "Nada, tava falando que você parece um pouco com um personagem de um jogo. Desculpa."
D: "Haha, ah, ok, sem problema. Ei, cê estuda na escola do meu irmão?"
S: "Sim, mas em outra turma. Ei... de verdade, você brigou com um cara pra defender ele?"
H: "Cala a boca."
D: "Ah, contou pra ele? Sim, fiquei puta da vida."
S: "Uau, não acredito. E ainda de vestido?"
Minha irmã deu uma cotovelada nele.
D: "Acho que ele te contou direitinho como foi, hahaha."
Seguiu um silêncio estranho por uns segundos.
D: "Gurizada, querem jogar alguma coisa? Algum jogo de tabuleiro?"
H: "Com essa luz, não enxergamos nada."
D: "Algo simples. Já sei, querem jogar cartas? Sabem jogar pôquer?"
H: "Eu sei."
S: "Sim, beleza."
D: "Ok, vou pegar as cartas."
Fui pegar as cartas e abrimos as cortinas da sala pra entrar um pouco de luz. Colocamos uma mesinha de centro perto da janela e pusemos almofadas no chão pra sentar. Jogamos umas partidas pra começar e todo mundo ficar por dentro das regras, mas começou a ficar chato.
D: "Que tal se, a partir de agora, quem perder leva um castigo?"
H: "Que tipo de castigo? Nada muito pesado."
D: "Já sei, um shotzinho de tequila."
H: "Pô, claro, você tá ganhando, sabe que ele e... Nós é que vamos ser os castigados — D- não sejam chorões, já vou distribuir. Quem perdeu primeiro foi meu irmão, então fui pegar uma garrafinha que tinha guardada e um "cavalinho", que é como a gente chama os copos de tequila. Enchi menos da metade e ele tomou. Seguimos por várias rodadas onde eles estavam perdendo mesmo, até que no final eu perdi umas 4 ou 5 vezes seguidas. O clima já tava bem relaxado, a gente ria de tudo. H- O Santy perdeu, mas acho que já bebemos demais, melhor botar outro castigo. D- É, deixa eu pensar... Já sei, Santy, Verdade ou Desafio? S- Humm, verdade. D- O que foi que meu irmão te contou sobre a briga? — falei enquanto distribuía as cartas e a gente começava outra rodada. S- Tudo, que você brigou e acabou quase nua, bom, ele disse que você tava só de fio dental e os peitos quicando soltos por cima de um dos caras que tava enchendo o saco. D- Sério que você contou isso? H- É, desculpa, ele é meu melhor amigo. D- Tá bom, só não esperava. O jogo continuou, o Santy ganhou e quem ficou com a pior mão fui eu. S- Verdade ou desafio? D- Verdade. S- Não ficou com vergonha de te verem pelada na rua? D- Ué, só aqueles caras me viram, então não, e também não tive escolha. H- Seu irmão também te viu. D- Mas ele é meu irmão, não tem problema. S- Vou pedir pros seus pais me adotarem. D- hahaha idiota, vamos continuar. Na rodada seguinte, o Santy ganhou de novo e meu irmão perdeu, e ele escolheu verdade. S- O que você sentiu ao ver sua irmã daquele jeito? H- Santy, é sério isso? D- Responde, irmãozinho, tô curiosa também. H- Ok, ok, primeiro fiquei preocupado quando você começou a brigar, mas... depois... te ver assim foi, sei lá como explicar, deslumbrante... S- Excitante? H- Cala a boca. D- hahaha ai, irmãozinho, eu brigando por você e você aproveitando pra me ver toda pelada hahaha. H- Não foi intenção, fiquei em choque. D- Por isso que não me ajudou, né? hahaha. Nessa altura, o álcool já tinha feito efeito, mas a gente continuou jogando. Eu tava me sentindo meio quente, não sei se... Pelo álcool ou pelo que eu tava descobrindo, eu ganhei e o Santy perdeu, e ele também escolheu verdade, tinha uma boa pergunta pra descobrir o que realmente tava rolando, então fiz enquanto a gente continuava jogando.
D- Alguém de vocês tava me espionando quando eu saí do banho?
Santy olhou pro meu irmão sem saber o que dizer, ele fechou os olhos e balançou a cabeça.
D- Foi você, irmãozinho?
S- Fomos nós dois.
D- Os dois? Por quê? Adrián, você deixou ele me ver?
Adrián é o nome do meu irmão.
A- Bom, a gente ia ver se você tava bem, batemos na porta, mas como você não respondeu, abrimos e foi aí que eu ouvi você tomando banho, mas aí você saiu do banheiro e eu pensei que se fechasse a porta, você ia ouvir que a gente abriu, por isso ficou aberta.
D- E decidiram ficar espionando.
S- Bom, eu abri a porta pra ver se você tinha saído e notei que você abriu as cortinas, bem quando eu já ia embora, você apareceu na frente da porta e tirou a toalha, puxei o Adrián pra ele ver o que eu tava vendo, não dava pra acreditar.
A- A gente mal via sua silhueta, mas dava pra ver o suficiente, não consegui parar de olhar, desculpa, Dany, a gente olhou até você terminar de se vestir.
D- Mas por que vocês fizeram isso?
A- Sei lá, curiosidade, não sei.
S- Pra mim foi ver aquilo que eu só tinha imaginado quando o Adrián me contou sobre a briga... desculpa.
A gente ficou uns segundos em silêncio e mostrou as cartas. O Santy tava ganhando e eu perdendo, ele me olhou por um segundo.
S- Você escolhe verdade?
D- Sim.
S- Em que momento você percebeu que a gente tava te espionando?
Me pegaram, idiota, não pensei que ele ia perguntar isso, só queria fazer eles se sentirem mal.
D- Isso importa?
A- Não, espera, responde, Dany.
D- Aish, foi quando eu sentei na cama ao sair do banho, vi luz entrando pela porta.
A- E mesmo assim você se pelou na nossa frente?
D- Pensei que era você e queria te dar uma lição, pra não entrar sem bater no quarto da sua irmã.
S- Uau, preciso ser adotado nessa casa.
D- Além disso, sabia que vocês não iam me ver direito.
A- Tava me sentindo culpado há um tempo e na real você tinha feito isso de propósito. Propósito D- Ok, ok, estamos quites, ok?
A- …
S- Vamos, vamos, resolver isso. Não quero ficar no meio de uma briga depois de nos divertirmos tanto. Dany, por que você realmente fez isso? Sê sincera, por favor.
D- Tá bem, não sei como explicar. Me senti bem fazendo aquilo. A verdade é que passei a tarde toda triste, e quando percebi que estavam me espionando, senti um frio na barriga, curiosidade. O que aconteceria se eu continuasse? Talvez não fosse ninguém, me senti desejada, depois de um babaca me rejeitar à tarde.
A- Entendi. Seu encontro deu errado. Sinto muito, Dany, mas você não ia só pra academia?
D- Esse não é o ponto, ok?
S- Você tem algo a dizer?
A- Desculpa, Dany, mas desde a briga, fiquei com uma imagem diferente de você e, poxa, me desculpa, mas não sou de ferro!
D- hahaha, idiota. Tá bem, não quero brigar. Prometi que seria mais próxima de você e da família, não foi? Então acho que, de certa forma, agora somos mais próximos. Talvez seja culpa do álcool hahaha.
S- Um brinde com o que sobrou na garrafa pra comemorar que vocês fizeram as pazes.
Peguei a garrafa e dei um gole bom, passei pro meu irmão e por último pro Santy, que segurou por um momento e disse:
S- Desculpa por te espionar, Dany, mas idiota, se eu perdesse essa… e terminou a tequila.
Eu ri e dei um tapinha na cabeça dele.
D- Idiota.
Todos rimos por um momento.
S- Vamos continuar jogando? Antes que o Adrián diga que fez a noite depois de te ver pelada hahaha.
Adrián deu um leve tapa na cabeça dele e rimos de novo.
A- Então vou escolher só desafios quando perder.
S- Ok, agora só castigos.
Santy distribuiu as cartas e continuamos jogando. Adrián ganhou e Santy perdeu.
A- Dany, tenho uma ideia pra castigar o Santy. De castigo, você vai deixar a Dany te dar 5 palmadas.
D- Siim!! Acho justo!
S- Malvados, vão me fazer pagar por ter olhado?
A- Já se posiciona, não seja chorão.
S- Na próxima que a Dany perder, vou fazer ela me deixar dar palmadas nela.
D- Não vale assim, você não pode dar os castigos, tem que ser uma terceira pessoa. Já se posiciona…

Troquei de roupa, botei uma camiseta comprida e uma calcinha, porque tinha tirado tudo antes de ir na casa do Jonny — e pra quê? Me joguei na cama, e as lembranças do que aconteceu há pouco voltaram. Pra me distrair, resolvi fazer minhas tarefas da escola. Horas depois, alguém bateu na minha porta. D- Entra.
M- Oi, filha, como cê tá?
D- Bem, mãe, aqui adiantando o dever.
M- Não vai sair hoje?
D- Não, preferi ficar em casa.
M- Ok, seu pai e eu vamos sair, é aniversário de uma amiga. A gente volta assim que acabar, mas não esperem acordados, vamos chegar tarde, ok?
D- Sim, mãe, se divirtam.
M- Obrigada, filha. Ah, e deixei a janta pronta pra vocês. Seu irmão trouxe um amigo, e também chamei um encanador pra arrumar o vazamento do banheiro. Ele que te explique direitinho, porque não sei de onde tá vazando, mas tá soltando água.
D- Ok, mãe, eu cuido disso, pode ficar tranquila.
Ela fechou a porta e eu voltei a me enfiar nos estudos. Quando terminei, percebi que já passava das seis da tarde. Achei que, por causa do horário, o encanador já não ia mais aparecer. Guardei meus livros e ouvi meu irmão e o amigo dele rindo no quarto ao lado, jogando videogame. Resolvi tomar um banho. Entrei no chuveiro, fiquei vários minutos relaxando na água quente, e de repente: *pum!* Algo estourou e me deixou no escuro dentro do banheiro.
- O que foi isso?
- A luz caiu!
Fiquei quase um minuto esperando pra ver se voltava, mas nada. Fechei o registro, me enrolei na toalha e saí. Meu quarto também tava escuro. Olhei pela janela e vi que a rua inteira tava sem luz. Sentei na beira da cama e notei que entrava um pouco de claridade pela porta do meu quarto, que tava meio aberta. Alguém abriu? Pensei. Tem alguém me espiando? Senti um arrepio que percorreu meu corpo todo. Agora que paro pra pensar, acho que já tinha sentido isso antes, mas nunca parei pra pensar por quê. Acho que essa sensação vem quando me sinto sendo observada com malícia, sabe? Tipo, com um olhar de tesão. Na academia, ou com o vizinho, ou na escola do meu irmão, ou quando passo na rua e me olham com malícia… será que eu gosto de ser vista assim? Levantei e me posicionei de um jeito que não dava pra me ver por aquela abertura, abri as cortinas da janela e notei que a porta se abria um pouco mais, alguém estava ali, será meu irmão? Senti aquela sensação de novo, mesmo sem ele poder me ver, aquele ângulo só me mostraria se eu estivesse sentada na beirada da cama, de frente pro armário. Tive uma ideia, ia dar uma lição nele aproveitando a pouca luz que entrava pela janela. Me coloquei de costas pra porta, onde ele poderia me ver, fingindo que não percebia que estava aberta. Tirei a toalha do corpo e comecei a me esfregar com ela pra me secar, tinha certeza que ele pelo menos via meu corpo nu, pelo menos minha bunda enquanto eu fazia isso. Me virei pro armário pra pegar roupa, abri a gaveta onde guardo minha calcinha, peguei as primeiras que vi, eram fio dental. Olhei pra elas e segurei um sorriso, coloquei com a bunda virada pra porta. Continuei procurando no armário, mas notei que estava de costas pra luz e assim meus peitos não apareciam. Olhei pra janela e vi que minha camiseta estava em cima da cama. Tive uma ideia, virei pra janela pra luz bater de frente, assim ele poderia ver meus peitos de perfil pela porta. Me ajoelhei na cama pra pegar a camiseta e voltei pro lugar onde estava, vestindo ela de frente pra janela. O que será que meu irmão tá pensando? Isso tava me excitando, então enquanto vestia, fingi que ela enroscava quando eu colocava a cabeça, deixando meu rosto coberto e virando pra porta pra ele ver meus peitos de frente. Dei uns pulinhos pra ele ver eles balançando, com a desculpa de que assim desenroscava minha cabeça, mas olhando pra outro lado pra ele não desconfiar que eu sabia que tava sendo espiada. Peguei a toalha e enrolei no cabelo, sentei na cama e esperei uns segundos antes de ir até a porta. Abri a porta e lá estava ele. Tava de pé, meu irmão, junto com o Santy D. — Oi, o que vocês tão fazendo? — Ah, ia tocar na Dany agora, viemos ver se você tava bem, se assustou ou algo assim, acho que um transformador estourou. — Ah… eu tô bem, tava tomando banho e quando saí, tudo tava escuro, obrigada pela preocupação. — Ok, a gente vai ficar lá embaixo, a mamãe parou de comer. — Beleza, desço daqui a pouco. Fechei a porta. Será que eu imaginei que ele tava me espionando? Deitei na cama, pensando: será que eu tinha realmente curtido a ideia de provocar meu irmão? Fiquei um tempão refletindo sobre o que rolou nos dias anteriores. Sim, eu tinha adorado provocar em outras situações, mas com meu irmão? Sei lá, sentia um pouco de culpa, mas ao mesmo tempo, curiosidade. Levantei e sequei o cabelo com a toalha o máximo que pude. Peguei um short de pijama bem curtinho, com estampa de macaquinho, pra vestir e descer. Vou deixar uma foto do meu pijama aqui; a da foto sou eu.
Desci as escadas e lá estavam eles na sala, jogando no celular. Sentei no sofá com meu cel também, vi se tinha mensagem do Jonny, mas não. Então larguei ele de lado, já tava quase sem bateria. Só fiquei olhando como o Santy e meu irmão se divertiam sem notar minha presença. Aí fui pra cozinha, vi o que tinha de janta, mas não tava com fome. Só servi um suco porque tava calor. Voltei pra sala e encontrei os dois sentados sem fazer nada. Sentei na poltrona.D: "Ué, já cansaram de jogar?"
H: "A bateria vai acabar" — disse meu irmão.
D: "Ah, que merda. E agora, o que vão fazer?"
H: "Ué, sei lá."
D: "Então janta."
S: "Já jantamos."
D: "Ah, ok."
Começaram a falar de videogame, eu só escutava sem prestar atenção enquanto tomava meu suco, até que ouvi: "tua irmã."
H: "Cala a boca" — sussurrou meu irmão.
D: "Que que tão falando de mim?"
H: "Nada."
S: "Nada, tava falando que você parece um pouco com um personagem de um jogo. Desculpa."
D: "Haha, ah, ok, sem problema. Ei, cê estuda na escola do meu irmão?"
S: "Sim, mas em outra turma. Ei... de verdade, você brigou com um cara pra defender ele?"
H: "Cala a boca."
D: "Ah, contou pra ele? Sim, fiquei puta da vida."
S: "Uau, não acredito. E ainda de vestido?"
Minha irmã deu uma cotovelada nele.
D: "Acho que ele te contou direitinho como foi, hahaha."
Seguiu um silêncio estranho por uns segundos.
D: "Gurizada, querem jogar alguma coisa? Algum jogo de tabuleiro?"
H: "Com essa luz, não enxergamos nada."
D: "Algo simples. Já sei, querem jogar cartas? Sabem jogar pôquer?"
H: "Eu sei."
S: "Sim, beleza."
D: "Ok, vou pegar as cartas."
Fui pegar as cartas e abrimos as cortinas da sala pra entrar um pouco de luz. Colocamos uma mesinha de centro perto da janela e pusemos almofadas no chão pra sentar. Jogamos umas partidas pra começar e todo mundo ficar por dentro das regras, mas começou a ficar chato.
D: "Que tal se, a partir de agora, quem perder leva um castigo?"
H: "Que tipo de castigo? Nada muito pesado."
D: "Já sei, um shotzinho de tequila."
H: "Pô, claro, você tá ganhando, sabe que ele e... Nós é que vamos ser os castigados — D- não sejam chorões, já vou distribuir. Quem perdeu primeiro foi meu irmão, então fui pegar uma garrafinha que tinha guardada e um "cavalinho", que é como a gente chama os copos de tequila. Enchi menos da metade e ele tomou. Seguimos por várias rodadas onde eles estavam perdendo mesmo, até que no final eu perdi umas 4 ou 5 vezes seguidas. O clima já tava bem relaxado, a gente ria de tudo. H- O Santy perdeu, mas acho que já bebemos demais, melhor botar outro castigo. D- É, deixa eu pensar... Já sei, Santy, Verdade ou Desafio? S- Humm, verdade. D- O que foi que meu irmão te contou sobre a briga? — falei enquanto distribuía as cartas e a gente começava outra rodada. S- Tudo, que você brigou e acabou quase nua, bom, ele disse que você tava só de fio dental e os peitos quicando soltos por cima de um dos caras que tava enchendo o saco. D- Sério que você contou isso? H- É, desculpa, ele é meu melhor amigo. D- Tá bom, só não esperava. O jogo continuou, o Santy ganhou e quem ficou com a pior mão fui eu. S- Verdade ou desafio? D- Verdade. S- Não ficou com vergonha de te verem pelada na rua? D- Ué, só aqueles caras me viram, então não, e também não tive escolha. H- Seu irmão também te viu. D- Mas ele é meu irmão, não tem problema. S- Vou pedir pros seus pais me adotarem. D- hahaha idiota, vamos continuar. Na rodada seguinte, o Santy ganhou de novo e meu irmão perdeu, e ele escolheu verdade. S- O que você sentiu ao ver sua irmã daquele jeito? H- Santy, é sério isso? D- Responde, irmãozinho, tô curiosa também. H- Ok, ok, primeiro fiquei preocupado quando você começou a brigar, mas... depois... te ver assim foi, sei lá como explicar, deslumbrante... S- Excitante? H- Cala a boca. D- hahaha ai, irmãozinho, eu brigando por você e você aproveitando pra me ver toda pelada hahaha. H- Não foi intenção, fiquei em choque. D- Por isso que não me ajudou, né? hahaha. Nessa altura, o álcool já tinha feito efeito, mas a gente continuou jogando. Eu tava me sentindo meio quente, não sei se... Pelo álcool ou pelo que eu tava descobrindo, eu ganhei e o Santy perdeu, e ele também escolheu verdade, tinha uma boa pergunta pra descobrir o que realmente tava rolando, então fiz enquanto a gente continuava jogando.
D- Alguém de vocês tava me espionando quando eu saí do banho?
Santy olhou pro meu irmão sem saber o que dizer, ele fechou os olhos e balançou a cabeça.
D- Foi você, irmãozinho?
S- Fomos nós dois.
D- Os dois? Por quê? Adrián, você deixou ele me ver?
Adrián é o nome do meu irmão.
A- Bom, a gente ia ver se você tava bem, batemos na porta, mas como você não respondeu, abrimos e foi aí que eu ouvi você tomando banho, mas aí você saiu do banheiro e eu pensei que se fechasse a porta, você ia ouvir que a gente abriu, por isso ficou aberta.
D- E decidiram ficar espionando.
S- Bom, eu abri a porta pra ver se você tinha saído e notei que você abriu as cortinas, bem quando eu já ia embora, você apareceu na frente da porta e tirou a toalha, puxei o Adrián pra ele ver o que eu tava vendo, não dava pra acreditar.
A- A gente mal via sua silhueta, mas dava pra ver o suficiente, não consegui parar de olhar, desculpa, Dany, a gente olhou até você terminar de se vestir.
D- Mas por que vocês fizeram isso?
A- Sei lá, curiosidade, não sei.
S- Pra mim foi ver aquilo que eu só tinha imaginado quando o Adrián me contou sobre a briga... desculpa.
A gente ficou uns segundos em silêncio e mostrou as cartas. O Santy tava ganhando e eu perdendo, ele me olhou por um segundo.
S- Você escolhe verdade?
D- Sim.
S- Em que momento você percebeu que a gente tava te espionando?
Me pegaram, idiota, não pensei que ele ia perguntar isso, só queria fazer eles se sentirem mal.
D- Isso importa?
A- Não, espera, responde, Dany.
D- Aish, foi quando eu sentei na cama ao sair do banho, vi luz entrando pela porta.
A- E mesmo assim você se pelou na nossa frente?
D- Pensei que era você e queria te dar uma lição, pra não entrar sem bater no quarto da sua irmã.
S- Uau, preciso ser adotado nessa casa.
D- Além disso, sabia que vocês não iam me ver direito.
A- Tava me sentindo culpado há um tempo e na real você tinha feito isso de propósito. Propósito D- Ok, ok, estamos quites, ok?
A- …
S- Vamos, vamos, resolver isso. Não quero ficar no meio de uma briga depois de nos divertirmos tanto. Dany, por que você realmente fez isso? Sê sincera, por favor.
D- Tá bem, não sei como explicar. Me senti bem fazendo aquilo. A verdade é que passei a tarde toda triste, e quando percebi que estavam me espionando, senti um frio na barriga, curiosidade. O que aconteceria se eu continuasse? Talvez não fosse ninguém, me senti desejada, depois de um babaca me rejeitar à tarde.
A- Entendi. Seu encontro deu errado. Sinto muito, Dany, mas você não ia só pra academia?
D- Esse não é o ponto, ok?
S- Você tem algo a dizer?
A- Desculpa, Dany, mas desde a briga, fiquei com uma imagem diferente de você e, poxa, me desculpa, mas não sou de ferro!
D- hahaha, idiota. Tá bem, não quero brigar. Prometi que seria mais próxima de você e da família, não foi? Então acho que, de certa forma, agora somos mais próximos. Talvez seja culpa do álcool hahaha.
S- Um brinde com o que sobrou na garrafa pra comemorar que vocês fizeram as pazes.
Peguei a garrafa e dei um gole bom, passei pro meu irmão e por último pro Santy, que segurou por um momento e disse:
S- Desculpa por te espionar, Dany, mas idiota, se eu perdesse essa… e terminou a tequila.
Eu ri e dei um tapinha na cabeça dele.
D- Idiota.
Todos rimos por um momento.
S- Vamos continuar jogando? Antes que o Adrián diga que fez a noite depois de te ver pelada hahaha.
Adrián deu um leve tapa na cabeça dele e rimos de novo.
A- Então vou escolher só desafios quando perder.
S- Ok, agora só castigos.
Santy distribuiu as cartas e continuamos jogando. Adrián ganhou e Santy perdeu.
A- Dany, tenho uma ideia pra castigar o Santy. De castigo, você vai deixar a Dany te dar 5 palmadas.
D- Siim!! Acho justo!
S- Malvados, vão me fazer pagar por ter olhado?
A- Já se posiciona, não seja chorão.
S- Na próxima que a Dany perder, vou fazer ela me deixar dar palmadas nela.
D- Não vale assim, você não pode dar os castigos, tem que ser uma terceira pessoa. Já se posiciona…
2 comentários - Irmã gostosa