Mãe e Filha Amantes Lésbicas - Episódio 1

Traumas - Episódio 1Faz pouco tempo que saí de casa depois da morte da minha madrasta. Não dava mais pra ficar lá, sentir aquele vazio de novo era insuportável, ainda mais porque estar ali me lembra o quanto eu sempre estive sozinha. Meu meio-irmão Adolfo é o único parente que eu considero alguém em quem confiar. Meu pai sempre foi indiferente comigo, minha infância foi rigorosa, e ter uma mãe por tanto tempo me fazia sentir tão solitária a ponto de chorar e desejar o calor materno que nunca tive. Até que na minha adolescência chegou Alana, uma madrasta teimosa e dura, que não gostava de mim, mas de certa forma preenchia um pouco da solidão que eu carregava na vida. Além disso, meu meio-irmão também entrou na minha vida, uma pessoa que cuidou de mim quase toda a minha existência. É por ele que nunca quis desistir. Nós dois compartilhamos algo em comum: não somos normais, ou pelo menos não tradicionais. Eu sou bissexual, embora tenha preferência por mulheres, e meu meio-irmão é gay, então a gente se entende na nossa sexualidade. Meu pai nunca aceitou meu irmão, e minha madrasta até gostava dele, mas o afastava quando meu pai chegava. No fim, eu sempre acabava sozinha, exceto pelo meu irmão. Quando minha madrasta morreu, meu irmão saiu de casa pra tentar construir uma vida longe daqui. Obviamente, nós dois desejamos sorte um ao outro, porque no fundo nos amávamos como irmãos. Meu caminho foi diferente: em vez de querer estudar algo como ele, decidi que queria criar meu próprio negócio. Então, aos 19 anos, abri minha floricultura, que com muito esforço hoje em dia me deu uma vida plena, ou pelo menos sem dificuldades financeiras. Há pouco tempo, eu estava transando com minha namorada, mas algo me fez abrir os olhos: sem querer, eu pedia pra ela me chamar de "filha" e eu chamar ela de "mamãe" durante o sexo, o que às vezes a deixava desconfortável. E a razão pra eu fazer isso era que eu não queria tocar no assunto até que... Um dia ela me disse que não se sentia confortável com isso
— Ci, eu gosto muito de você, mas acho que não quero continuar com isso. Você me trata como mãe, não como namorada. Às vezes acho que você tem algo mal resolvido com sua mãe e não quis te falar por respeito à sua vida, mas acho melhor você saber agora.
— O quê? Não... de jeito nenhum, não. É que eu gosto de brincar com esse papo de mãe e filha.
— Eu entendo, mas não é normal que você só peça isso na hora do sexo. Quando a gente transa, quando a gente come, você quer que de algum jeito eu seja uma mãe, não uma namorada.
— Não... você está imaginando coisas!
— Eu te conheço. Sinto que se você quer resolver isso, devia procurar sua mãe e acertar as contas.

Ouvir isso me fez refletir que talvez eu estivesse mesmo pedindo algo que não é comum entre casais. Mas, pô, se sua parceira te ama, ela devia fazer o que te faz feliz, não é?

Isso acendeu em mim uma coisa que nunca quis tentar por medo de que, se eu fosse atrás dela, me sentisse ainda mais triste. Mas sinto que com o que tenho agora posso encarar isso. Não dependo mais de ninguém e acho que consigo. Na sexta de manhã, fui tomar café com o Adolfo. Queria contar o que tinha rolado com a minha namorada.

— Entendi... não acredito que ela te disse isso. Tipo, ela sabia que esse assunto não é fácil pra você e falou sem remorso nenhum.
— Na real, ela não falou tão mal assim.
— Claro que falou, maninha. Digo, você é uma gostosa, ela devia estar feliz em fazer o que você quiser. Ou será que você quer saber quem é sua mãe?
— Bom...
— Não acredito! Ela, sua vida inteira... sabe que eu te apoio, mas não sei se dar uma chance pra alguém que te abandonou é o certo. Ainda não perdoei minha mãe por ter ido embora e preferido nosso pai.
— Desculpa, Adolfo. Sei que ela nos machucou, e eu também sinto a nossa dor. Mas você teve uma mãe a maior parte da sua vida, e eu não. Quero muito saber se minha mãe me abandonou. Agora sinto que minha namorada talvez tenha razão e que me falta isso.
— Tá bom, Ci. Só não quero que você se machuque... —Tranquilo, irmãozinho, vou ficar bem.

Assim começou a busca pela minha mãe. Eu tinha uma grana guardada pra mudar de cidade e comprar um carro, mas minha vontade de ter minha mãe por perto era maior. Era emocionante imaginar que eu podia ter uma mãe pra ir fazer compras, talvez brincar, contar umas fofocas de garota, coisas que mãe e filha fazem juntas. Peguei meu dinheiro e liguei pra um amigo, que me colocou em contato com um detetive particular, um dos melhores na área dele. Mas o preço era absurdo, e mesmo tendo a grana, tive que abrir mão da ideia de uma cidade nova e um carro. Só que no fundo, eu sentia que ia valer a pena. O plano foi pra frente, e o detetive me garantiu que o trabalho dele era impecável: se não achasse nenhuma pista da minha mãe, devolveria meu dinheiro. Tive que esperar duas semanas pelo relatório dele, pra ver se surgia qualquer pista sobre ela.

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