Minha tia Carolina, acho que a mais gostosa das minhas três tias, uma mulher linda, cheia de alegria, uma mulher encantadora, de corpo esbelto. Sempre foi a mais carinhosa de todas as minhas tias, lembro que ela vivia brincando com minhas bochechas, mas agora, eu já não era mais o menino que ela conheceu, e ela percebeu isso naquela tarde quando me viu. Ela tinha acabado de se mudar pra Madrid, e tava no meio daquela putaria de mudança, sabia que ia ficar sozinha por uns dias, tinha muita coisa pra arrumar no apartamento novo. A gente sabia que ela viria morar nessa cidade, porque o novo marido dela tinha sido contratado por uma multinacional importante. Agora, ela vai morar a uns 10 minutos daqui de casa, o que facilita a gente se ver de tarde. Sempre tem alguma coisa que a gente pode ajudar.

A ligação da minha tia Carolina foi uma surpresa total pra mim. Fala Rodri, tô me mudando pro meu apê novo. E olha, tô passando uns dias bem estressantes, falta instalar todos os eletrônicos e não faço ideia de como fazer. Cê acha que dá pra vir de tarde, pra me dar uma força e a gente bater um papo? Por favor, amor, me dá uma mão, que eu vou saber agradecer.
Beleza, tia, por mim adoraria te ajudar. Essa tarde não tenho nada demais, posso passar lá umas 6 da tarde. Te parece bom horário? Genial, querido, assim me dá tempo de arrumar essa bagunça, e quando você chegar, a gente só cuida dos eletrônicos. Prepara alguma coisa pra comer, só pra nós dois, porque minha família só chega no fim de semana. Não vai comer nada, hein? Assim a gente aproveita a tarde e você me faz um pouco de companhia, que tô precisando pra caralho.
Minha tia Carolina é uma mulher alta, com 1,75 metro, capaz de te tirar o fôlego com sua beleza indiscutível. Eu a vi há dois anos, quando fomos visitar a casa dela. Fomos nas férias de verão, ficar na praia, na piscina, ver o corpo dela nesses lugares era um postal lindo pros meus olhos. Talvez reviver aquelas imagens, brincadeiras inocentes, foi o que me animou a ajudá-la. Agora, acho que ela tá na casa dos 40, é verdade que os anos não passam em vão e, em muitos casos, a idade é só uma questão de atitude. Levar uma vida saudável, alegre e positiva, acho que esse é o segredo da minha tia Carolina.
O que mais me impressionava nessa mulher era que ela tinha tudo no lugar. É como se o tempo tivesse parado nos seus maravilhosos 30, e mesmo tendo dois filhos, o mais novo de 5 anos, ela ainda mantinha aquela alegria transbordante, a vontade de aproveitar cada dia ao máximo. Com um sorriso lindo, educada e sempre atenta. Olhar pra ela de longe quase sempre era uma manobra perigosa, porque tinha muita gente por perto, os olhares sempre de olho, tô falando no sentido de que não seria visto com bons olhos, meus olhos atentos capturarem aqueles momentos em que alguma roupa podia grudar mais do que o necessário em alguma parte do corpo dela.
Enquanto eu ia pro apartamento dela, imaginando vagamente que tipo de roupa ela estaria usando, a doce sensação de vê-la de novo fazia eu apressar meus passos naquela direção. Quando cheguei no apartamento dela, ansioso pelo doce encontro, mas também morrendo de vontade de estar naqueles braços. Já no apartamento, ela abriu a porta, toda feliz ao me ver, ficou contente que eu estava ali, pronto pra ajudar ela em tudo. Ela com roupa de ficar em casa, algo solto por cima, o suficiente pra não apertar nada no peito dela, um short preto, essa imagem se gravou de novo na minha mente. Nosso cumprimento foi muito caloroso, da minha parte muito carinhoso, abraçando ela e elogiando as qualidades dela, como ela estava gostosa, e é que mesmo com roupas simples, ela era digna de ser admirada.
Depois de abraços longos, quase impossíveis de separar, a distância e o tempo que passou não apagaram o carinho que a gente sentia. Os elogios dela pro meu corpo, resultado de uma alimentação saudável, minha persistência em melhorar o físico, as horas na academia, tudo isso era visível, e ela valorizava. Minha tia Carolina também tava muito bem, tava maravilhosa, mesmo meio agitada com a mudança, caixas e mais caixas espalhadas pelo apartamento. Ia levar um tempinho pra arrumar tudo que tava à vista, a gente tinha chão pela frente.

Ela me pediu pra ligar os eletrodomésticos dela, as TVs, a geladeira, o micro-ondas, essas coisas. Ela tinha vários desses aparelhos, mas no apartamento não tinha tomada suficiente. Desci até a loja do chinês pra comprar uns extensores, subi e deixei tudo ligado, conferi se tava funcionando. Já de volta no apê dela, a gente percebeu que o cara que veio instalar a internet não testou a conexão. E ainda tinha que colocar a senha do wi-fi no notebook e nos tablets das crianças. Bom, no fim, ainda tinha coisa pra fazer. Eu cuidei desses aparelhos, fiquei na sala, e ela foi pros quartos, que ficavam no fundo do corredor.
De certa forma, eu me sentia muito animado por estar no apê dela, ouvir os passos dela de um lado pro outro, ver como ela mexia nas caixas, o jeito que ela carregava tudo, adorava sentir a presença dela, talvez o cheiro dela. Tinha sentimentos difíceis de esconder, sentimentos muito pessoais, alguns que você não pode contar pra ninguém, só de pensar em ter aqueles desejos, sentir um aperto no peito ao sentir a presença de alguém, a doce ilusão de estar perto e dividir um espaço, o mais simples virava algo especial. Passava um monte de coisa na minha cabeça, mas eu tentava não demonstrar, afinal, quem é que ia entender isso? Será que tinha algum jeito de não sentir esse tipo de emoção?

Depois de um tempo, eu já tinha terminado as conexões, testado o wi-fi em todos os equipamentos e tava tudo funcionando direitinho. Sem mais nada pra fazer, fiquei esperando sentado no sofá. Ela tinha ido pro quarto dela, eu não sabia mais o que fazer, então organizei umas caixas que estavam no meio da sala. Ela não voltava, e eu tava pensando em chamar ela pra avisar que já ia embora. Que se não precisasse de mais nada, eu ia vazar. Caminhei até o fim do corredor pra contar que já tinha terminado o que eu precisava fazer. Queria que ela testasse o wi-fi nos equipamentos, assim eu não me sentiria tão sozinho naquela casa enorme, que, aliás, apesar de ter muitos anos de construção, tava muito bem conservada. Eu tinha acabado de instalar os aparelhos elétricos e esperei um pouco. Enquanto esperava, mexi umas caixas pra não ficar entediado, assim dava um tempinho caso ela estivesse ocupada. Ela me disse que ia pro quarto dela terminar de arrumar, então eu caminhei até o fim do corredor pra procurá-la. Qual não foi minha surpresa ao ouvir vozes, ainda mais sabendo que naquele andar só estávamos nós dois. Não tinha porta dos fundos pra ninguém entrar por ali. Meus passos foram desacelerando, o susto que eu levei ao ouvir aquelas vozes me deixou meio nervoso, embora fosse óbvio que vinham de algum aparelho elétrico.

Tava na cara que eles vinham de algum site de vídeos adultos, porque um comercial de câmeras ao vivo tava tocando bem alto. Mas beleza, até aí nada de anormal. Quando passei pelos primeiros quartos, que eram dos menores, bati na porta pra ver se ela tava em algum deles. Entrei nos dois quartos e não tinha ninguém. O banheiro separava o quarto dela do quarto de um dos filhos. Os sons estavam um pouco mais altos, dava pra ouvir com mais clareza daquela parte do corredor. Já tava na dúvida se continuava andando, meus passos tinham parado de vez, não tava com coragem de seguir naquele corredor, mas também não queria voltar atrás.A situação tinha ficado meio estranha, eu devia continuar e ir até quase o fim do corredor pra descobrir o que tava rolando. A outra opção, que era mais fácil pra mim, era entrar no banheiro, talvez de lá dar continuidade a esse momento. Meu corpo colado na parede, tentando segurar a respiração, pra não espantar, muito menos assustar quem estivesse no quarto, ou talvez fossem duas pessoas, mas repito, não tinha como mais ninguém entrar. Peraí, pensei por um instante, e se antes de eu chegar já tivesse alguém no andar? Essa ideia não me pareceu nada estranha, mas não tinha malas de viagem, talvez minha tia tivesse me falado, me avisado. A curiosidade continuou pra mim, mas agora alguém tinha abaixado o volume do aparelho de onde as vozes tinham saído. Senti alguém arrastando umas havaianas dentro daquele quarto, calçando elas rapidinho e saindo apressada. O banheiro era bem perto, a única opção que sobrou foi me enfiar lá. Fiquei exposto, porque não fechei a porta, só entrei, já tava dentro, só esperando que se fosse minha tia, ela entraria e me veria ali, sem fazer nada. Que explicação eu poderia dar? Talvez ela percebesse que eu tava espiando ela. Na hora, minha mente ficou em branco.

Aquelas chinelas só apareceram na porta do quarto, não saíram pro corredor. Minha aflição foi sumindo com o passar dos segundos, já que não ouvi mais sons de alguém andando. Recuperei o fôlego, porque foram só uns instantes, mas ali, quase escondido no banheiro, sem ter explicação, me senti meio angustiado. Tava quase indo embora, já tinha arriscado demais. Fechei a porta do banheiro, esperei uns minutos e apertei a descarga. Foi barulho suficiente pra alguém ouvir e sacar que eu tava perto do quarto dela. Saí na tranquilidade de estar a salvo, mais relaxado e já pronto pra ir pra casa, que, mesmo não sendo longe, tava com saudade. De volta ao corredor, minha cabeça virou na direção do quarto da minha tia. Os sons voltavam a vazar pelo corredor; tentei ignorar, não olhar nem tentar bisbilhotar, mas não consegui evitar. Agora a porta estava entreaberta, menos do que antes, mas entreaberta, o que só aumentava minha vontade de espiar o que rolava lá dentro. O que tinha, quem estava, o que estariam vendo naquele aparelho. A curiosidade me arrastou até a porta — não era certo, ficar espiando quem não devia — mas a culpa não era minha, esses sons que saíam do notebook agora se misturavam com sons de verdade. Tava tudo claro, só naquele quarto tinha uma pessoa e ela tava vendo algum filme, mas que jeito estranho de fazer as coisas, tô falando no sentido de que ela me deixou lá embaixo, instalando os aparelhos elétricos, que tempo ela achava que eu ia demorar ali. É que ela não tinha ouvido meus passos no corredor, o perto que eu tava do quarto dela, mas o mais fora da lógica era minha presença no andar dela. Agora, tenho que dizer que os sons tavam mais altos, mais intensos, com mais alcance na gravidade. Não achei nada estranho, talvez fosse o jeito dela de aliviar o estresse, mas por que naquele momento? Será que era intenção dela que eu ouvisse tudo isso, e se era, por quê? Quando me espiei pela porta, vi tudo na luz fraca do entardecer, a claridade do notebook, já que as luzes estavam apagadas, o que fazia todo sentido por razões óbvias. A fresta entre o batente e a porta era exatamente o suficiente pra espiar sem nenhum obstáculo. Sons mais graves, movimentos que ecoavam naquele quarto, tudo era meio espetacular, só que foi só uns 5 minutos depois que tudo acabou. A luz do notebook tinha apagado antes, um silêncio selou aquela tarde-noite. Meus olhos tinham visto algo que eu não podia contar pra ninguém, e quem é que ia acreditar, né? Seria foda tentar convencer alguém disso, mas no fundo, nem tava ligando em sair por aí contando essa história.
Assim que a escuridão e o silêncio tomaram conta daquele quarto, eu me mandei com o mesmo silêncio que tinha vindo da sala. Ser pego ali seria uma burrice, uma vacilo meu — se ela tinha dado mole, isso eu até agradeci. Deslizei de volta pra sala, pra disfarçar que tinha passado o tempo todo ali. Agora sim eu ouvia os passos das havaianas vindo pra esse lado do andar, a voz dela ecoava pelo corredor inteiro, meu nome batia forte e claro, e uma tremedeira violenta sacudiu meu corpo. Eu tinha certeza de que ela não tinha me visto, disso eu não duvidava, mas do resto... acho que comecei a questionar se ela realmente tinha notado. Mas deixei pra lá; o que eu ouvi e vi ficou só comigo. Depois disso, a gente conversou por um bom tempo. Lembramos dos tempos de verão, conferimos se tudo estava devidamente ligado. O olhar dela ao me ver na sala, meio acalorado, um pouco nervoso sim, não era comum estar nessa situação todo dia, pelo menos não pra mim. Mas ela tinha percebido alguma coisa, o jeito como me perguntava e virava a cabeça me deixava meio inquieto. Nas tardes seguintes, voltei aqui. Essa situação se repetiu de novo, só que agora eu só consegui saber estando atrás da porta do quarto dela. Já fazem dois meses que não a visito, agora ela já deve estar instalada com a família. Só me restam a lembrança gostosa e mais uma imagem pra minha coleção.Valeu por ter chegado até o final:
Se quiser ver o vídeo no YouTube:https://www.youtube.com/watch?v=nQVpym2NKaA&t=29s

A ligação da minha tia Carolina foi uma surpresa total pra mim. Fala Rodri, tô me mudando pro meu apê novo. E olha, tô passando uns dias bem estressantes, falta instalar todos os eletrônicos e não faço ideia de como fazer. Cê acha que dá pra vir de tarde, pra me dar uma força e a gente bater um papo? Por favor, amor, me dá uma mão, que eu vou saber agradecer.
Beleza, tia, por mim adoraria te ajudar. Essa tarde não tenho nada demais, posso passar lá umas 6 da tarde. Te parece bom horário? Genial, querido, assim me dá tempo de arrumar essa bagunça, e quando você chegar, a gente só cuida dos eletrônicos. Prepara alguma coisa pra comer, só pra nós dois, porque minha família só chega no fim de semana. Não vai comer nada, hein? Assim a gente aproveita a tarde e você me faz um pouco de companhia, que tô precisando pra caralho.
Minha tia Carolina é uma mulher alta, com 1,75 metro, capaz de te tirar o fôlego com sua beleza indiscutível. Eu a vi há dois anos, quando fomos visitar a casa dela. Fomos nas férias de verão, ficar na praia, na piscina, ver o corpo dela nesses lugares era um postal lindo pros meus olhos. Talvez reviver aquelas imagens, brincadeiras inocentes, foi o que me animou a ajudá-la. Agora, acho que ela tá na casa dos 40, é verdade que os anos não passam em vão e, em muitos casos, a idade é só uma questão de atitude. Levar uma vida saudável, alegre e positiva, acho que esse é o segredo da minha tia Carolina.
O que mais me impressionava nessa mulher era que ela tinha tudo no lugar. É como se o tempo tivesse parado nos seus maravilhosos 30, e mesmo tendo dois filhos, o mais novo de 5 anos, ela ainda mantinha aquela alegria transbordante, a vontade de aproveitar cada dia ao máximo. Com um sorriso lindo, educada e sempre atenta. Olhar pra ela de longe quase sempre era uma manobra perigosa, porque tinha muita gente por perto, os olhares sempre de olho, tô falando no sentido de que não seria visto com bons olhos, meus olhos atentos capturarem aqueles momentos em que alguma roupa podia grudar mais do que o necessário em alguma parte do corpo dela.

Enquanto eu ia pro apartamento dela, imaginando vagamente que tipo de roupa ela estaria usando, a doce sensação de vê-la de novo fazia eu apressar meus passos naquela direção. Quando cheguei no apartamento dela, ansioso pelo doce encontro, mas também morrendo de vontade de estar naqueles braços. Já no apartamento, ela abriu a porta, toda feliz ao me ver, ficou contente que eu estava ali, pronto pra ajudar ela em tudo. Ela com roupa de ficar em casa, algo solto por cima, o suficiente pra não apertar nada no peito dela, um short preto, essa imagem se gravou de novo na minha mente. Nosso cumprimento foi muito caloroso, da minha parte muito carinhoso, abraçando ela e elogiando as qualidades dela, como ela estava gostosa, e é que mesmo com roupas simples, ela era digna de ser admirada.
Depois de abraços longos, quase impossíveis de separar, a distância e o tempo que passou não apagaram o carinho que a gente sentia. Os elogios dela pro meu corpo, resultado de uma alimentação saudável, minha persistência em melhorar o físico, as horas na academia, tudo isso era visível, e ela valorizava. Minha tia Carolina também tava muito bem, tava maravilhosa, mesmo meio agitada com a mudança, caixas e mais caixas espalhadas pelo apartamento. Ia levar um tempinho pra arrumar tudo que tava à vista, a gente tinha chão pela frente.

Ela me pediu pra ligar os eletrodomésticos dela, as TVs, a geladeira, o micro-ondas, essas coisas. Ela tinha vários desses aparelhos, mas no apartamento não tinha tomada suficiente. Desci até a loja do chinês pra comprar uns extensores, subi e deixei tudo ligado, conferi se tava funcionando. Já de volta no apê dela, a gente percebeu que o cara que veio instalar a internet não testou a conexão. E ainda tinha que colocar a senha do wi-fi no notebook e nos tablets das crianças. Bom, no fim, ainda tinha coisa pra fazer. Eu cuidei desses aparelhos, fiquei na sala, e ela foi pros quartos, que ficavam no fundo do corredor.
De certa forma, eu me sentia muito animado por estar no apê dela, ouvir os passos dela de um lado pro outro, ver como ela mexia nas caixas, o jeito que ela carregava tudo, adorava sentir a presença dela, talvez o cheiro dela. Tinha sentimentos difíceis de esconder, sentimentos muito pessoais, alguns que você não pode contar pra ninguém, só de pensar em ter aqueles desejos, sentir um aperto no peito ao sentir a presença de alguém, a doce ilusão de estar perto e dividir um espaço, o mais simples virava algo especial. Passava um monte de coisa na minha cabeça, mas eu tentava não demonstrar, afinal, quem é que ia entender isso? Será que tinha algum jeito de não sentir esse tipo de emoção?

Depois de um tempo, eu já tinha terminado as conexões, testado o wi-fi em todos os equipamentos e tava tudo funcionando direitinho. Sem mais nada pra fazer, fiquei esperando sentado no sofá. Ela tinha ido pro quarto dela, eu não sabia mais o que fazer, então organizei umas caixas que estavam no meio da sala. Ela não voltava, e eu tava pensando em chamar ela pra avisar que já ia embora. Que se não precisasse de mais nada, eu ia vazar. Caminhei até o fim do corredor pra contar que já tinha terminado o que eu precisava fazer. Queria que ela testasse o wi-fi nos equipamentos, assim eu não me sentiria tão sozinho naquela casa enorme, que, aliás, apesar de ter muitos anos de construção, tava muito bem conservada. Eu tinha acabado de instalar os aparelhos elétricos e esperei um pouco. Enquanto esperava, mexi umas caixas pra não ficar entediado, assim dava um tempinho caso ela estivesse ocupada. Ela me disse que ia pro quarto dela terminar de arrumar, então eu caminhei até o fim do corredor pra procurá-la. Qual não foi minha surpresa ao ouvir vozes, ainda mais sabendo que naquele andar só estávamos nós dois. Não tinha porta dos fundos pra ninguém entrar por ali. Meus passos foram desacelerando, o susto que eu levei ao ouvir aquelas vozes me deixou meio nervoso, embora fosse óbvio que vinham de algum aparelho elétrico.

Tava na cara que eles vinham de algum site de vídeos adultos, porque um comercial de câmeras ao vivo tava tocando bem alto. Mas beleza, até aí nada de anormal. Quando passei pelos primeiros quartos, que eram dos menores, bati na porta pra ver se ela tava em algum deles. Entrei nos dois quartos e não tinha ninguém. O banheiro separava o quarto dela do quarto de um dos filhos. Os sons estavam um pouco mais altos, dava pra ouvir com mais clareza daquela parte do corredor. Já tava na dúvida se continuava andando, meus passos tinham parado de vez, não tava com coragem de seguir naquele corredor, mas também não queria voltar atrás.A situação tinha ficado meio estranha, eu devia continuar e ir até quase o fim do corredor pra descobrir o que tava rolando. A outra opção, que era mais fácil pra mim, era entrar no banheiro, talvez de lá dar continuidade a esse momento. Meu corpo colado na parede, tentando segurar a respiração, pra não espantar, muito menos assustar quem estivesse no quarto, ou talvez fossem duas pessoas, mas repito, não tinha como mais ninguém entrar. Peraí, pensei por um instante, e se antes de eu chegar já tivesse alguém no andar? Essa ideia não me pareceu nada estranha, mas não tinha malas de viagem, talvez minha tia tivesse me falado, me avisado. A curiosidade continuou pra mim, mas agora alguém tinha abaixado o volume do aparelho de onde as vozes tinham saído. Senti alguém arrastando umas havaianas dentro daquele quarto, calçando elas rapidinho e saindo apressada. O banheiro era bem perto, a única opção que sobrou foi me enfiar lá. Fiquei exposto, porque não fechei a porta, só entrei, já tava dentro, só esperando que se fosse minha tia, ela entraria e me veria ali, sem fazer nada. Que explicação eu poderia dar? Talvez ela percebesse que eu tava espiando ela. Na hora, minha mente ficou em branco.

Aquelas chinelas só apareceram na porta do quarto, não saíram pro corredor. Minha aflição foi sumindo com o passar dos segundos, já que não ouvi mais sons de alguém andando. Recuperei o fôlego, porque foram só uns instantes, mas ali, quase escondido no banheiro, sem ter explicação, me senti meio angustiado. Tava quase indo embora, já tinha arriscado demais. Fechei a porta do banheiro, esperei uns minutos e apertei a descarga. Foi barulho suficiente pra alguém ouvir e sacar que eu tava perto do quarto dela. Saí na tranquilidade de estar a salvo, mais relaxado e já pronto pra ir pra casa, que, mesmo não sendo longe, tava com saudade. De volta ao corredor, minha cabeça virou na direção do quarto da minha tia. Os sons voltavam a vazar pelo corredor; tentei ignorar, não olhar nem tentar bisbilhotar, mas não consegui evitar. Agora a porta estava entreaberta, menos do que antes, mas entreaberta, o que só aumentava minha vontade de espiar o que rolava lá dentro. O que tinha, quem estava, o que estariam vendo naquele aparelho. A curiosidade me arrastou até a porta — não era certo, ficar espiando quem não devia — mas a culpa não era minha, esses sons que saíam do notebook agora se misturavam com sons de verdade. Tava tudo claro, só naquele quarto tinha uma pessoa e ela tava vendo algum filme, mas que jeito estranho de fazer as coisas, tô falando no sentido de que ela me deixou lá embaixo, instalando os aparelhos elétricos, que tempo ela achava que eu ia demorar ali. É que ela não tinha ouvido meus passos no corredor, o perto que eu tava do quarto dela, mas o mais fora da lógica era minha presença no andar dela. Agora, tenho que dizer que os sons tavam mais altos, mais intensos, com mais alcance na gravidade. Não achei nada estranho, talvez fosse o jeito dela de aliviar o estresse, mas por que naquele momento? Será que era intenção dela que eu ouvisse tudo isso, e se era, por quê? Quando me espiei pela porta, vi tudo na luz fraca do entardecer, a claridade do notebook, já que as luzes estavam apagadas, o que fazia todo sentido por razões óbvias. A fresta entre o batente e a porta era exatamente o suficiente pra espiar sem nenhum obstáculo. Sons mais graves, movimentos que ecoavam naquele quarto, tudo era meio espetacular, só que foi só uns 5 minutos depois que tudo acabou. A luz do notebook tinha apagado antes, um silêncio selou aquela tarde-noite. Meus olhos tinham visto algo que eu não podia contar pra ninguém, e quem é que ia acreditar, né? Seria foda tentar convencer alguém disso, mas no fundo, nem tava ligando em sair por aí contando essa história.

Assim que a escuridão e o silêncio tomaram conta daquele quarto, eu me mandei com o mesmo silêncio que tinha vindo da sala. Ser pego ali seria uma burrice, uma vacilo meu — se ela tinha dado mole, isso eu até agradeci. Deslizei de volta pra sala, pra disfarçar que tinha passado o tempo todo ali. Agora sim eu ouvia os passos das havaianas vindo pra esse lado do andar, a voz dela ecoava pelo corredor inteiro, meu nome batia forte e claro, e uma tremedeira violenta sacudiu meu corpo. Eu tinha certeza de que ela não tinha me visto, disso eu não duvidava, mas do resto... acho que comecei a questionar se ela realmente tinha notado. Mas deixei pra lá; o que eu ouvi e vi ficou só comigo. Depois disso, a gente conversou por um bom tempo. Lembramos dos tempos de verão, conferimos se tudo estava devidamente ligado. O olhar dela ao me ver na sala, meio acalorado, um pouco nervoso sim, não era comum estar nessa situação todo dia, pelo menos não pra mim. Mas ela tinha percebido alguma coisa, o jeito como me perguntava e virava a cabeça me deixava meio inquieto. Nas tardes seguintes, voltei aqui. Essa situação se repetiu de novo, só que agora eu só consegui saber estando atrás da porta do quarto dela. Já fazem dois meses que não a visito, agora ela já deve estar instalada com a família. Só me restam a lembrança gostosa e mais uma imagem pra minha coleção.Valeu por ter chegado até o final:
Se quiser ver o vídeo no YouTube:https://www.youtube.com/watch?v=nQVpym2NKaA&t=29s
0 comentários - Mudança no apê da tia Carolina