Pedro era um cara legal, sempre responsável, de bom coração e respeitoso com os pais. Não tinha muitos amigos e com certeza não era popular, mas nunca reclamou da vida porque tinha a sorte de ter um pai modelo e muito trabalhador que nunca deixava faltar nada, uma mãe muito carinhosa e compreensiva, e um irmãozinho que, mesmo sendo muito mimado e travesso, era o mais fofo desse mundo. Uma família praticamente perfeita. Tudo era quase perfeito na vida dele, tudo menos Marcelo. Ele era um colega de escola muito popular, principalmente com as garotas, e tinha feito de atormentar Pedro seu passatempo favorito. Os dois eram como fogo e água; completamente diferentes. O bonzinho Pedro era um cara branco, baixinho, de óculos, tímido e medroso. Já Marcelo era mau, pele escura, muito alto, físico atlético e musculoso, festeiro e cheio de confiança. O ódio que sentiam um pelo outro era inevitável. Pedro passava a maior parte do tempo se escondendo dele, vendo de longe como todas as garotas mais gostosas da escola grudavam nele igual booty, como ele atormentava outros nerds igual a ele, rindo com os amigos, e como passava a vida quebrando todas as regras que podia sem levar um castigo decente. Os sentimentos de Pedro eram uma mistura de ódio e inveja que ele sempre tentava segurar por causa da educação religiosa que a mãe dele deu. Ela ensinou que a violência era ruim, assim como o ódio e a inveja, mas o mais importante foi dizer que no final é o bonzinho que é recompensado, enquanto o mau sempre paga pelas suas ações. Foi isso que impediu ele de se rebelar contra Marcelo todo esse tempo, mas por mais que ele tentasse, sentir esses sentimentos negativos por aquele sujeito era inevitável. Alguns dizem que o bom dia se vê pela manhã, e se era assim, então aquele dia não começava bem. O despertador não tinha tocado, o que fez Pedro chegar atrasado na escola justo no dia de uma prova importante. Ele tinha estudado, mas sabia que ter menos tempo pra fazer isso comprometeria o resultado. No fim da hora, a professora já tinha terminado de corrigir as provas que tinham ido mal pra todo mundo. Mal pôde revisar a prova, Pedro viu que a professora, na verdade, não tinha revisado direito a dele e com certeza a de outros também, e por isso a nota dele era injusta. O problema é que ninguém ousava falar nada contra ela, já que fazia um bom tempo que a professora tava de mau humor pra caralho por causa do divórcio e, desde então, começou a tratar os alunos muito mal, mais do que o normal. O problema de Pedro, porém, era um pouco mais complicado porque ele sempre foi o aluno com as notas mais altas e, além disso, tinha prometido aos pais que só tiraria notas excelentes pra ganhar um computador novo de recompensa. O garoto criou coragem e se levantou pra ir falar com a professora. Ela não gostou nada que o aluno contestasse a nota dele, mesmo que com educação e respeito, então mandou ele sentar no lugar, ameaçando baixar ainda mais a nota. O dia de Pedro continuou piorando na aula de educação física, quando foi humilhado pelas risadas dos colegas e colegas ao verem que ele não conseguia fazer nem uma flexão. Entre eles estava também Marcelo, que aproveitou um momento em que o professor se distraiu pra passar o pé nas costas de Pedro, esmagando ele no chão, cuspir na nuca dele e começar a fazer flexões perto pra aumentar a humilhação. Na saída, ele conversava com João, seu melhor amigo, sobre o quão terrível foi aquele dia pra ele, mas enquanto andava, Marcelo e sua pequena gangue o esperaram no caminho como uma emboscada. Pedro achava que o tormento daquele dia tinha acabado, mas ao ver o torturador dele, percebeu que a pior parte estava pra começar. A gangue do Marcelo se divertiu empurrando os dois amigos pra dentro de um círculo que eles mesmos tinham formado, como se fossem umas Bola de fliperama. Como sempre, entre xingamentos e risadas, a primeira parte terminou quando um deles caiu no chão, nesse caso foi o Pedro, enquanto alguns seguravam o outro nerd e o Marcelo sentava em cima do que tinha caído, revirando a mochila dele. Quase sempre o Pedro tinha que pagar o pedágio pra chegar em casa sem levar porrada, ele já tinha se acostumado e tava disposto a entregar o dinheiro sem reclamar, mas o filho da puta do Marcelo, sem se importar, maltratava ele por puro prazer. O que aconteceu depois foi algo que mudou a vida do Pedro pra sempre, algo que ele poderia ter evitado. Talvez por causa do calor, talvez porque o Marcelo tivesse mais sádico que o normal naquele dia, ou talvez porque o Pedro já tivesse tido um dia terrivelmente frustrante, mas por uma dessas razões, o Marcelo cuspiu de novo na nuca do Pedro, que num momento de raiva deixou escapar um: — Filho da puta. Esse foi o maior erro da vida dele. Embora ele tivesse tentado falar baixinho, todo mundo ouviu as palavras dele. A falta de respeito por parte do merdinha fez o Marcelo se encher de raiva e dar uns chutes no Pedro, que ainda tava caído no chão. Não era a primeira vez que o Pedro apanhava, mas naquele dia ele sentiu os golpes muito mais fortes que das outras vezes. Depois de um tempo, ele conseguiu se levantar e ajeitar a roupa, enquanto o pobre do Juan também pagava pelo erro dele. Primeiro de tudo, o Marcelo quis deixar um último presente pro Pedro e, com um soco na cara, fez ele cair de novo no chão. O Juan ajudou ele a se levantar enquanto a gangue ia embora na outra direção, rindo como se nada tivesse acontecido. Durante o caminho pra casa, o Pedro tentava pensar num jeito de esconder aquele olho roxo ou pelo menos encontrar uma mentira convincente. Ele abriu a porta, viu que a mãe dele tava na cozinha e, tentando não ser visto, subiu as escadas.
— Pedrito! Mas aonde você vai, filho? — Eu… ahm… tô cansado, vou pro meu quarto. Pedro estava parado na escada tentando soar o mais normal possível. — Tá bom, mas me conta como foi sua prova? — Excelente… tudo como sempre. — Que bom, mas por que não me conta mais? Não te atrapalhou ter chegado tarde? — Não, não. Nada. — Pedrito, você tá estranho. Vem aqui e me diz o que você tem. Pedro não costumava mentir pra mãe, mas o nervosismo do momento fez a boca dele ser mais rápida que o cérebro. Agora, porém, não conseguia esconder o rosto, então, de cabeça baixa, desceu as escadas e foi até a mãe. Ela era um pouco mais alta que ele quando estava de salto, então pegou o rosto dele e levantou com carinho pra cima pra ver bem. — Meu Deus, Pedro! O que aconteceu com você? — Nada, mãe, só bati de cara numa porta. O cérebro de Pedro não funcionava bem quando ele se sentia pressionado, o que fez ele soltar essa frase sem sentido. — Bateu de cara… numa porta? — Não, não… queria dizer que me bati com uma porta. — Hum… Pedro Jesús Murieta García, não minta pra sua mãe… me diz o que aconteceu? — Não… nada, mãe. — … Foi aquele garoto, né? Aquele Marcelo… Pedro ficou em silêncio, porque mentir era inútil. — Sabia, sabia! Isso é o fim da picada. Como é que pode tolerar um sujeito desses numa escola tão decente como a nossa? Isso tem que acabar. A mãe de Pedro, Teresa, nasceu e viveu a vida inteira naquela cidade, da qual tinha muito orgulho. Quando jovem, foi uma garota muito popular pelo comportamento exemplar, pela ética, por ajudar os pobres e era a campeã de debate da escola, a mesma onde matriculou o filho, e é por isso que ainda a considerava sua. Teresa era conhecida e respeitada por toda a comunidade, na igreja, no bairro e também na escola. Era uma boa mulher, uma cidadã modelo, uma esposa perfeita e, acima de tudo, uma mãe, e não havia mãe que aceitaria ver seu filho amado ser tratado daquele jeito. Pegou o celular e ligou pra escola pra falar com o diretor. via como a mãe dela reclamava no telefone por quase uma hora com o diretor e como pedia insistentemente o número dos pais do Marcelo. Durante todo esse tempo, o irmãozinho dela puxava a saia da mãe pedindo atenção, mas ela ignorava ele. No fim, conseguiu que dessem o número da mãe do Marcelo. Teresa nunca perdia uma discussão, nem com o filho, o marido, o pastor da igreja ou o diretor da escola; as únicas vezes que perdeu foi quando, jovem, protestou contra uma sex shop que abriu perto da escola e quando, alguns anos atrás, uma nova casa noturna abriu na área onde ficava a igreja dela. Os tempos tinham mudado e os valores de antigamente já não eram tão importantes pra galera. Isso era algo que Teresa não queria aceitar e, durante toda a vida, lutou contra a corrupção que, pra desgraça dela, estava infectando cada vez mais a cidade e o mundo. Pedro, assim que a mãe desligou a ligação, foi implorar pra ela não ligar pros pais do Marcelo, já que não queria mais problemas. Teresa não deu bola e ligou pro número que tinham dado. No começo, ninguém atendia, então ligou uma segunda vez. Ainda nada. Não era novidade que os pais do Marcelo não atendiam o telefone. Os casos de bullying foram denunciados por vários alunos e alunas na escola, e o diretor não tinha opção a não ser ligar pros pais do garoto. O problema é que eles quase nunca atendiam as ligações da escola ou as convocações, então o diretor se acostumou a só suspender o moleque ou mandar ele pra casa com bilhetes de castigo pros pais lerem. A situação beirava o inacreditável, mas depois de mais algumas tentativas, finalmente alguém atendeu o telefone. Se foi sorte ou azar, só vocês podem dizer. — Alô? Dona Costa? — Que porra você quer? Foi assim que Marcelo atendeu o telefone da mãe dele, deixando Teresa um pouco surpresa com essas palavras. — Sou Teresa Inês Garcia... — Tô nem aí pra quem é. — Cê é mina. Me diz o que cê quer?
— …Me escuta bem, seu Costa. Tô ligando por causa do seu filho Marcelo, que há muito tempo atormenta meu pobre filho Pedro. Hoje ele chegou em casa com um olho roxo, então…
— Pedro? Kkkkk, quer dizer aquele buceta com óculos?
— Como é que é?
— Aquele buceta com óculos… anão, branquelo, cabelo castanho, óculos…
— Sim, é ele! Teresa se arrependeu de confirmar a identidade depois daquele insulto.
— Mas como você se atreve a chamar meu filho assim? Cê é louco? Acha que vou deixar você falar assim do meu pequeno ou que vou deixar seu filho…
— Não, não tenho filhos, maluca… pelo menos que eu saiba.
— Como assim não tem filhos? Você não é o senhor Costa, pai do Marcelo Cos…
— Eu sou o Marcelo, mina. Agora, me diz o que cê quer.
Teresa ficou chocada que o tempo todo tava falando com Marcelo. Pra ter a mesma idade do filho dela, a voz dele era muito grossa e madura. O que mais surpreendeu foi que, sendo ele um jovem, falava com tanta superioridade e má educação que, se pra outra pessoa da mesma idade já era inaceitável, pior ainda pra um moleque metido.
— Você… Menino mal-educado, não se atreva a falar comigo desse jeito. Quero falar agora mesmo com um dos seus pais.
— Minha mãe tá dormindo e meu pai, ou melhor, meu padrasto, já vazou uns meses atrás.
— Ah… Tá bom. Então passa pra sua mãe.
— Não, mina, tô falando que ela tá dormindo. E depois da bebedeira de ontem, tenho certeza que não vai acordar até hoje à noite.
— Já te falei… (respira fundo) Bom, vou ligar pra sua mãe à noite, mas quero que me escute, jovem. Você não tem que chegar perto do meu filho. Se eu descobrir que fez mais alguma coisa, juro que…
Marcelo desliga a ligação, deixando Teresa no meio do discurso.
— Que filho da…
A cara de Teresa tava vermelha de raiva, parecia que ia explodir. Pedro tava na frente dela, olhando com medo do que ela ia fazer agora. A mãe dele deu um baita suspiro e, como se nada tivesse acontecido, pegou o pequeno Jonás no colo pra cuidar dele, repetindo:
— Me dá força, Senhor, me dá. a força. Depois de cuidar do irmãozinho, os três comeram juntos e depois ele foi para o quarto. Pedro, embora estivesse com medo do dia seguinte na escola, foi tranquilizado pela mãe, que disse que nada teria acontecido com ele. Depois de algumas horas, recebeu uma mensagem no celular: a foto da mãe dele e, embaixo, escrito: — Você não me disse que sua mamãe era tão gostosa, cara.
Pedro não reconheceu o número, mas já sabia quem era quem tinha entrado em contato com ele.
— Marcelo? Como é que você tem meu número? De onde você tirou essa foto?
— Um amigo que tenho na sua aula me passou do grupo de WhatsApp da sala, e essa fotinha aí eu só peguei do Facebook.
Pedro foi ver o perfil do Facebook da mãe e, rolando pra baixo, encontrou a foto que Marcelo tinha mandado. A foto em si não tinha nada de errado, mas dava pra ver bem a cara linda e o corpo da mãe dele. Com certeza Marcelo tinha visto todas aquelas fotos e escolhido a melhor. A mãe dele sempre foi uma mulher encantadora, cabelos pretos, pele clara, olhos azuis, e agora que aquela foto estava na frente dele, ele só então percebia o corpo que ela tinha. Ele nunca tinha olhado pra ela daquele jeito, mas agora que Marcelo tinha mandado aquela foto, ele prestou atenção nos detalhes da figura dela. Peitos grandes e bonitos, apertados naquele vestido, um corpo cuidado por toda a academia que ela fazia em casa, e uma bunda que era o fim do mundo, como ele ouviu um cara dizer uma vez na igreja. Pedro estava puto com o comentário do perturbador sobre a mãe dele, mas quando pediu pra ele não falar assim dela, o cara não respondeu. Depois de um tempo, ele desceu e viu a mãe com outra roupa, pronta pra sair.
— Mãe?
— Pedrinho, meu tesouro. Vou sair agora, volto daqui a pouco, tá bem?
— Mas onde você vai?
— Esse Marcelo me mandou uma mensagem e disse que a mãe dele queria falar comigo pessoalmente. Parece que vamos resolver as coisas logo.
— Ah, tá… mas talvez…
— Agora não, filho. Melhor eu me apressar pra voltar logo pra casa e preparar o jantar.
Pedro viu a mãe sair de casa, cada passo mais longe dele e do lar deles. Algo naquele momento fez um arrepio subir pelas costas dele. Algo terrível estava prestes a acontecer, mas ele não sabia o quê.
—Te...Tem cuidado, mamãe! Disse Pedro, mas ela não ouviu. Continua...
— Pedrito! Mas aonde você vai, filho? — Eu… ahm… tô cansado, vou pro meu quarto. Pedro estava parado na escada tentando soar o mais normal possível. — Tá bom, mas me conta como foi sua prova? — Excelente… tudo como sempre. — Que bom, mas por que não me conta mais? Não te atrapalhou ter chegado tarde? — Não, não. Nada. — Pedrito, você tá estranho. Vem aqui e me diz o que você tem. Pedro não costumava mentir pra mãe, mas o nervosismo do momento fez a boca dele ser mais rápida que o cérebro. Agora, porém, não conseguia esconder o rosto, então, de cabeça baixa, desceu as escadas e foi até a mãe. Ela era um pouco mais alta que ele quando estava de salto, então pegou o rosto dele e levantou com carinho pra cima pra ver bem. — Meu Deus, Pedro! O que aconteceu com você? — Nada, mãe, só bati de cara numa porta. O cérebro de Pedro não funcionava bem quando ele se sentia pressionado, o que fez ele soltar essa frase sem sentido. — Bateu de cara… numa porta? — Não, não… queria dizer que me bati com uma porta. — Hum… Pedro Jesús Murieta García, não minta pra sua mãe… me diz o que aconteceu? — Não… nada, mãe. — … Foi aquele garoto, né? Aquele Marcelo… Pedro ficou em silêncio, porque mentir era inútil. — Sabia, sabia! Isso é o fim da picada. Como é que pode tolerar um sujeito desses numa escola tão decente como a nossa? Isso tem que acabar. A mãe de Pedro, Teresa, nasceu e viveu a vida inteira naquela cidade, da qual tinha muito orgulho. Quando jovem, foi uma garota muito popular pelo comportamento exemplar, pela ética, por ajudar os pobres e era a campeã de debate da escola, a mesma onde matriculou o filho, e é por isso que ainda a considerava sua. Teresa era conhecida e respeitada por toda a comunidade, na igreja, no bairro e também na escola. Era uma boa mulher, uma cidadã modelo, uma esposa perfeita e, acima de tudo, uma mãe, e não havia mãe que aceitaria ver seu filho amado ser tratado daquele jeito. Pegou o celular e ligou pra escola pra falar com o diretor. via como a mãe dela reclamava no telefone por quase uma hora com o diretor e como pedia insistentemente o número dos pais do Marcelo. Durante todo esse tempo, o irmãozinho dela puxava a saia da mãe pedindo atenção, mas ela ignorava ele. No fim, conseguiu que dessem o número da mãe do Marcelo. Teresa nunca perdia uma discussão, nem com o filho, o marido, o pastor da igreja ou o diretor da escola; as únicas vezes que perdeu foi quando, jovem, protestou contra uma sex shop que abriu perto da escola e quando, alguns anos atrás, uma nova casa noturna abriu na área onde ficava a igreja dela. Os tempos tinham mudado e os valores de antigamente já não eram tão importantes pra galera. Isso era algo que Teresa não queria aceitar e, durante toda a vida, lutou contra a corrupção que, pra desgraça dela, estava infectando cada vez mais a cidade e o mundo. Pedro, assim que a mãe desligou a ligação, foi implorar pra ela não ligar pros pais do Marcelo, já que não queria mais problemas. Teresa não deu bola e ligou pro número que tinham dado. No começo, ninguém atendia, então ligou uma segunda vez. Ainda nada. Não era novidade que os pais do Marcelo não atendiam o telefone. Os casos de bullying foram denunciados por vários alunos e alunas na escola, e o diretor não tinha opção a não ser ligar pros pais do garoto. O problema é que eles quase nunca atendiam as ligações da escola ou as convocações, então o diretor se acostumou a só suspender o moleque ou mandar ele pra casa com bilhetes de castigo pros pais lerem. A situação beirava o inacreditável, mas depois de mais algumas tentativas, finalmente alguém atendeu o telefone. Se foi sorte ou azar, só vocês podem dizer. — Alô? Dona Costa? — Que porra você quer? Foi assim que Marcelo atendeu o telefone da mãe dele, deixando Teresa um pouco surpresa com essas palavras. — Sou Teresa Inês Garcia... — Tô nem aí pra quem é. — Cê é mina. Me diz o que cê quer? — …Me escuta bem, seu Costa. Tô ligando por causa do seu filho Marcelo, que há muito tempo atormenta meu pobre filho Pedro. Hoje ele chegou em casa com um olho roxo, então…
— Pedro? Kkkkk, quer dizer aquele buceta com óculos?
— Como é que é?
— Aquele buceta com óculos… anão, branquelo, cabelo castanho, óculos…
— Sim, é ele! Teresa se arrependeu de confirmar a identidade depois daquele insulto.
— Mas como você se atreve a chamar meu filho assim? Cê é louco? Acha que vou deixar você falar assim do meu pequeno ou que vou deixar seu filho…
— Não, não tenho filhos, maluca… pelo menos que eu saiba.
— Como assim não tem filhos? Você não é o senhor Costa, pai do Marcelo Cos…
— Eu sou o Marcelo, mina. Agora, me diz o que cê quer.
Teresa ficou chocada que o tempo todo tava falando com Marcelo. Pra ter a mesma idade do filho dela, a voz dele era muito grossa e madura. O que mais surpreendeu foi que, sendo ele um jovem, falava com tanta superioridade e má educação que, se pra outra pessoa da mesma idade já era inaceitável, pior ainda pra um moleque metido.
— Você… Menino mal-educado, não se atreva a falar comigo desse jeito. Quero falar agora mesmo com um dos seus pais.
— Minha mãe tá dormindo e meu pai, ou melhor, meu padrasto, já vazou uns meses atrás.
— Ah… Tá bom. Então passa pra sua mãe.
— Não, mina, tô falando que ela tá dormindo. E depois da bebedeira de ontem, tenho certeza que não vai acordar até hoje à noite.
— Já te falei… (respira fundo) Bom, vou ligar pra sua mãe à noite, mas quero que me escute, jovem. Você não tem que chegar perto do meu filho. Se eu descobrir que fez mais alguma coisa, juro que…
Marcelo desliga a ligação, deixando Teresa no meio do discurso.
— Que filho da…
A cara de Teresa tava vermelha de raiva, parecia que ia explodir. Pedro tava na frente dela, olhando com medo do que ela ia fazer agora. A mãe dele deu um baita suspiro e, como se nada tivesse acontecido, pegou o pequeno Jonás no colo pra cuidar dele, repetindo:
— Me dá força, Senhor, me dá. a força. Depois de cuidar do irmãozinho, os três comeram juntos e depois ele foi para o quarto. Pedro, embora estivesse com medo do dia seguinte na escola, foi tranquilizado pela mãe, que disse que nada teria acontecido com ele. Depois de algumas horas, recebeu uma mensagem no celular: a foto da mãe dele e, embaixo, escrito: — Você não me disse que sua mamãe era tão gostosa, cara.
Pedro não reconheceu o número, mas já sabia quem era quem tinha entrado em contato com ele. — Marcelo? Como é que você tem meu número? De onde você tirou essa foto?
— Um amigo que tenho na sua aula me passou do grupo de WhatsApp da sala, e essa fotinha aí eu só peguei do Facebook.
Pedro foi ver o perfil do Facebook da mãe e, rolando pra baixo, encontrou a foto que Marcelo tinha mandado. A foto em si não tinha nada de errado, mas dava pra ver bem a cara linda e o corpo da mãe dele. Com certeza Marcelo tinha visto todas aquelas fotos e escolhido a melhor. A mãe dele sempre foi uma mulher encantadora, cabelos pretos, pele clara, olhos azuis, e agora que aquela foto estava na frente dele, ele só então percebia o corpo que ela tinha. Ele nunca tinha olhado pra ela daquele jeito, mas agora que Marcelo tinha mandado aquela foto, ele prestou atenção nos detalhes da figura dela. Peitos grandes e bonitos, apertados naquele vestido, um corpo cuidado por toda a academia que ela fazia em casa, e uma bunda que era o fim do mundo, como ele ouviu um cara dizer uma vez na igreja. Pedro estava puto com o comentário do perturbador sobre a mãe dele, mas quando pediu pra ele não falar assim dela, o cara não respondeu. Depois de um tempo, ele desceu e viu a mãe com outra roupa, pronta pra sair.
— Mãe?
— Pedrinho, meu tesouro. Vou sair agora, volto daqui a pouco, tá bem?
— Mas onde você vai?
— Esse Marcelo me mandou uma mensagem e disse que a mãe dele queria falar comigo pessoalmente. Parece que vamos resolver as coisas logo.
— Ah, tá… mas talvez…
— Agora não, filho. Melhor eu me apressar pra voltar logo pra casa e preparar o jantar.
Pedro viu a mãe sair de casa, cada passo mais longe dele e do lar deles. Algo naquele momento fez um arrepio subir pelas costas dele. Algo terrível estava prestes a acontecer, mas ele não sabia o quê.
—Te...Tem cuidado, mamãe! Disse Pedro, mas ela não ouviu. Continua...
3 comentários - Mãe do Pedro e o valentão