O DESPERTAR DE UM HOMEM CAP.22 A viagem
Corri e corri, não olhei pra trás, só pra frente, não podia ficar naquele lugar nem mais um segundo, ver aquele lugar que trazia lembranças dolorosas, onde eu tinha morrido, uma parte de mim ficou naquele lugar, talvez tivesse perdido pra sempre, na minha mente e no meu coração existia ódio e vingança, tinha que fugir, minha família e amigos iam sofrer as consequências, não podia permitir isso, assim com minha sede de vingança eu sabia que os faria sofrer ou me fizeram entender isso, foi minha avó, foi a única pessoa que percebeu o que estava acontecendo comigo, ela notou em mim o que se passava, que eu não era o mesmo e que não voltaria a ser, ela se aproximou de mim quando estava sozinho.
Luísa - aí meu querido Sérgio, de mim você não consegue esconder, eu sei que está acontecendo alguma coisa, você não é o mesmo -; tentei falar, ela me impediu - não precisa dizer nada, quero que guarde isso, é a chave do apartamento de Lugano, deixei uma mochila preparada, pronta pra viajar, tem mapas, dinheiro e algumas roupas, só peço uma condição: que me ligue uma vez por semana, pra eu saber que você está bem, quando estiver no lugar que escolher, no destino que escolher, quero que se reencontre consigo mesmo, ficou claro, essa é minha condição, ela me olhou com muito carinho, acariciou meu rosto e foi embora, aquela mulher, aquela avó e amiga, me conhecia mais do que eu mesmo, sabia exatamente o que estava acontecendo comigo.
Não sei quanto tempo corri, de repente me vi na Praça Flores, estava a umas 25 quadras da minha casa, mesmo tendo recuperado a memória, algumas coisas ainda não estavam lá, tentei fazer um esforço pra lembrar onde ficava meu bairro antigo e como chegar, por sorte a placa de um ônibus voltou à minha mente, Lugano I e II, o velho 141, sabia que aquele me levava, corri pro ponto e subi, perguntei se ia pro bairro e paguei a passagem, por sorte vinha quase vazio, sentei no fundo e fiquei olhando pela janela apreciando a paisagem de uma cidade. Bem portenha, eu observava as pessoas passando, e em muitos desses rostos aparecia o rosto do meu assassino, os olhos cheios de raiva, o riso diabólico. Por dentro, eu entendia minha ira, minha sede de vingança. Tive que fazer um esforço enorme pra apagar as chamas que queimam por dentro. O ônibus estava chegando no bairro, reconheci na hora e uma série de lembranças surgiu de repente. Eu sabia onde estava e onde me encontrava. Desci do ônibus correndo, entrei no apartamento e, na mesa, estava a mochila com um envelope em cima.
"Querido Sergio: na mochila você vai encontrar um mapa e instruções com os destinos que você escolher. Sierra de la Ventana: lá tem um complexo de chalés, um deles é mais afastado, você vai encontrar o que precisar, e está disponível pra você. O próximo é Cariño, como você sabe, tem o complexo turístico e, além disso, uma casa, como você sabe, está disponível pra usar. E o próximo, pelo que conheço de você, é Venado Tuerto. Sei muito bem que você vai escolher esse destino. Corre nas suas veias o sangue do campo, e é o lugar perfeito pra curtir o silêncio. A casa está desocupada e disponível pra você morar. Já deixei tudo pronto pra isso. Além disso, na mochila deixei dinheiro suficiente pra você usar. Sei que não vai precisar, mas num envelope lá dentro você vai descobrir por quê. Deixei instruções pra você chegar tranquilo. Boa viagem e você sabe do nosso acordo. A vovó te adora. Até logo."
Guardei a carta na mochila e fui dar uma olhada. Lá dentro tinha notas de pesos e dólares pra viver uns três anos ou mais. Tinha um envelope branco com uma série de números e o lugar onde estava o cofre. Ela tinha colocado um monte de roupa, minhas bolachas favoritas e uns dois pedaços de pasta flora. Fechei tudo e me preparei pra partir rumo ao meu destino: Venado Tuerto.
Enquanto isso, na casa, a avó Luísa explicava pra todo mundo os motivos pelos quais decidiu ajudá-lo pelas costas deles. Sinal que eu dei, que não tava bem e que precisava se encontrar consigo mesmo, brigar com os demônios. Se eu tivesse ficado lá, elas iam pagar as consequências. A avó foi bem firme e todos obedeceram a ordem de não intervir a não ser que fosse necessário. Depois dessa conversa, ele se aproximou do principal Malaver.
Falou em segredo, pra ninguém ouvir, e ele entendeu perfeitamente.
Sergio tava a caminho de Retiro, de lá pegaria o busão pra Venado Tuerto. Retiro, uma área tensa pra muitos desconhecidos, e pra Sergio também era.
Já era noite, ele compraria a passagem do primeiro ônibus que saísse pra Venado Tuerto. Desceu do coletivo na frente da praça. Naquela hora, o lugar tava vazio e a circulação de gente era pouca. A praça tava escura. De longe, ele viu algo estranho rolando no centro da praça: um grupo de pessoas se estranhando. Não deu muita importância, tinha que entrar ali, até que ouviu o grito de uma mulher pedindo socorro. Saiu correndo praquele lugar. Algo dentro dele entendeu, sabia que tinha que ajudar, e não hesitou. Apareceu correndo silenciosamente, acertou o primeiro com uma patada violenta, deixando ele estirado no chão sem se mexer. O segundo tentou atacar, ele reagiu a tempo, dando uns sopapos e deixando ele inconsciente. O terceiro soltou a mina e foi pra cima dele, tentou derrubá-lo, mas Sergio foi mais rápido: jogou ele pelos ares e, antes de cair, deu uma patada na cabeça. O quarto, que segurava a mina, soltou ela e saiu correndo.
Ele se aproximou da mina. Ela tava com a roupa rasgada e o lábio sangrando. Estendi a mão e falei: — Vem comigo, você vai ficar segura. Ela levantou o olhar e entendeu minha mão. Se levantou e se apoiou em mim. A mina mal conseguia andar. Eu a envolvi com o braço e tirei ela dali. Quando a gente tava saindo, o primeiro que caiu agarrou minha perna. Eu olhei pra ele e, com muita frieza, dei vários chutes na cabeça até deixar ele inconsciente... ou morto? Abracei a mina de novo. levando ela assim até a rua, quando a iluminação refletiu neles, ela percebeu que a garota estava quase nua. Foram atrás de uma árvore, ele tirou a roupa rasgada dela e pegou uma camiseta da mochila, e com a jaqueta dele envolveu a cintura dela. Caminharam até a estação de trem, onde ele pôde ver que era uma jovem, muito gostosa, olhos azuis, loira como o sol, magrinha, uma modelo. Andaram até a saída dos ônibus, a garota precisava entrar no banheiro e se lavar um pouco. Nenhum dos dois disse uma palavra.
- Tão aí, chefe - virei a cabeça e vi três caras, armados.
- Corre e não para.
Começamos a correr para dentro da estação. - Cadê a porra da sorte quando a gente precisa? - Entramos num banheiro masculino, enfiando ela no último cubículo.
- Fica aqui, vou despistar eles - a garota concordou com a cabeça.
Saí do banheiro e vi eles lá longe, procurando pela terminal. Saí dali procurando um policial até achar. Avisei que tinha três caras armados andando pela terminal, parecendo que estavam procurando alguém. Os policiais pediram pra eu apontar eles. Os caras, quando viram os policiais, saíram correndo, e os policiais atrás.
Fui pro banheiro onde a jovem estava. Bati na porta do último cubículo e ela abriu. Me abraçou, olhou nos meus olhos e disse: - Obrigada, obrigada, obrigada - e na sequência me deu um beijo suave nos lábios. Se afastou de mim. - E posso saber o nome do meu salvador? - num tom muito peculiar e reconhecível em qualquer lugar. A jovem era de Córdoba, de Villa Carlos Paz, 19 anos. Tinha sido sequestrada por uma organização com a história de ser modelo. Carmela Hidalgo, de uma família bem de vida. Os pais estavam viajando e não sabiam de nada.
Sergio - Meu nome é Sergio Santamarina.
Carmela: Prazer, Sergio. Carmela Hidalgo.
A gente começou a conversar e ela me contou como a melhor amiga tinha entregado ela, como palavras bonitas tinham convencido ela. - Me senti uma idiota. Ela me contou também que tinha conseguido dar um perdido nos captores. Quando eles descuidaram, ela tentou correr, mas no fim pegaram ela, e aqueles quatro caras iam abusar dela naquele lugar como castigo por tentar fugir. E agora, baseada em Buenos Aires, não sabia o que fazer. O pai dela não ia voltar antes de um mês, e ela não queria voltar pra casa, porque eles saberiam onde ir procurar ela.
Naquele momento, não me veio outra coisa na cabeça senão oferecer pra ela vir comigo. Pra onde eu tava indo foi a primeira coisa que pensei na hora. Carmela me olhava atentamente pra proposta que eu tava fazendo pra ela dar um jeito de sair dessa, até os pais dela voltarem. Ela me olhou e disse:
Carmela: Cê não tá doido, né?
Sergio: Só se faltar mais um jogador.
Nós dois rimos e bolamos o plano. Fui na bilheteria comprar as passagens. Por sorte, consegui dois lugares, e o ônibus sairia em algumas horas.
Contei um pouco da minha história, e ela escutava com atenção tudo que eu falava. Num momento de surpresa, quando eu falei minha idade, ela não acreditou — pelo corpo não parecia, e acho que pela mente também não. Ela não acreditou até eu mostrar minha identidade.
Carmela: Se você não mostrasse, eu não ia acreditar.
Sergio: É o que eu ouço direto. Ainda não recuperei toda a minha memória.
Carmela: Cê ainda é doido — ela falou com simpatia.
Sergio: Algo assim. Eu fugi da família. Sinto que não sou eu mesmo. Do jeito que bati naqueles caras, aquele não era meu eu verdadeiro.
Carmela: Vou te falar a verdade, você me assustou um pouco quando te vi. Vi uns olhos diferentes do que vejo agora. Tive medo de você me machucar.
Sergio: Fica tranquila, que eu não machucaria outra mulher. Mas tem uma garota que me machucou, que fez tudo isso acontecer. E por isso tenho que me afastar de toda a família. Tenho medo de machucar elas, e pelo meu bem e pelo bem dela, preciso sumir.
Carmela: Acho que agora nós dois precisamos um do outro.
Ela acariciou meu rosto com as mãos suaves e me deu um beijo carinhoso, um beijo de amor. Nos separamos, vi o rosto dela corado, com os olhos brilhando.
Os alto-falantes anunciavam a partida. Nosso busão, a gente foi andando pela plataforma, entregamos as passagens, subimos no ônibus, os dois últimos bancos lá no fundo. O busão partiu com pouca gente, a gente bateu um papo até o sono bater. Já tava em Santa Fé, mas ainda faltava uma hora. Quando acordei, a Carmela não tava do meu lado. Um cara tava na porta do banheiro tentando abrir. Quando ele percebeu que eu tava olhando, voltou pro lugar dele. De repente, a porta abriu e a Carmela colocou a cabeça pra fora. Quando me viu acordado, saiu e sentou do meu lado assustada.
Sergio: Que que houve? Cê tá bem?
Carmela: Tinha um cara querendo entrar no banheiro comigo.
;- A Carmela se assustou com minha reação e com o jeito que eu levantei. Fui até o cara e, sem falar nada, peguei ele pelo pescoço e apertei, querendo esmagar a garganta dele.
Sergio: Escuta bem, seu merda. Essa mina é minha mina, e as consequências de querer encostar nela vão ser fodas.
;- Minhas mãos apertavam tão forte que o cara parou de respirar por uns segundos. Apertei os ovos dele e ele reagiu. Me olhou assustado, com pânico.
Sergio: Entendeu? Ficou claro?
;- O cara balançou a cabeça que sim. Soltei ele e dei um soco na cara pra ele dormir um pouco. Voltei pra Carmela e sentei do lado dela.
Ela me olhou diferente, com medo do que eu poderia fazer de loucura. Minha cara mudou quando senti a mão dela roçando em mim. Olhei pra ela e sorri. Ela chegou perto e me beijou, mas dessa vez foi mais que um beijo: um beijo apaixonado que arrepia a pele. A mão dela acariciava meu peito, bem de leve, tateando o que tinha debaixo da camiseta. Minha mão não ficou parada: fui no rosto dela, acariciei suavemente. Em algum momento, ela baixou a mão e apoiou no meu volume. Aí eu já tava duro que nem pedra. Ela tirou a mão na hora, assustada com o que tinha tocado.
Carmela: Que que cê tem aí? É uma arma?
;- Eu ri do comentário dela. Ela franziu a testa.
Sergio: Tô louco, mas não tanto. Não é arma, é meu pau.
Carmela: Não pode ser tão grande assim. enorme e duro
Sergio: descobre você mesma e tira a dúvida
;- fico na dúvida por uns instantes se faço ou não, ela pousou a mão no cinto da calça, desabotoou, abaixou um pouco o zíper, meteu a mão e sentiu como tava dura, tava virada pro lado, tentou puxar pra fora porque não conseguia, mexi um pouco a calça e ele saiu à procura de quem tinha acordado ele, firme e grosso, pulsando, ela olhava com espanto e admiração, só tinha visto em filme pornô, por mim, não lembrava que eu tava com ele tão grande assim
O que aconteceu depois me surpreendeu, ela se abaixou e passou a língua, provando o gosto e a dureza, duvidei que conseguiria meter tudo aquilo na boca, passou a língua de cima a baixo, tentou uma vez colocar na boca, mal conseguiu enfiar a cabeça, a boca fina e pequena dela dificultava, mas não parou de tentar, com a mão me punhetava, fazia com delicadeza, se esforçava pra me fazer gozar e assim conseguiu, tava quase chegando e gozar na boca dela, avisei mas ela nunca tirou a boquinha dali, engoliu até onde deu, a pobrezinha acabou se afogando, levantou, pegou um lenço, se limpou, tomou água e com um sorriso lindo, me olhou
Carmela: um presentinho por me salvar 2 vezes, ;- ficou vermelha e me deu um beijo suave, olhei pra ela, acariciei o rosto dela
Sergio: não precisava, te salvei porque o destino quis que eu tivesse ali na hora certa, bem naquele lugar
Ela me beijou de novo, o ônibus já tava entrando no terminal, o cara desceu na nossa frente, e antes de descer, o motorista me parou e falou:
;- cuidado com aquele, sempre causa confusão no ônibus e se tem problema com alguém, chama os amigos pra atacar em bando, :- valeu pelo aviso, motorista, vou ficar esperto, tenha um bom dia, :- aí descemos da condução e andamos pelo terminal, peguei o papel com as instruções e procurei uma remiseria, por sorte achei uma, pedi um carro e quando falei o destino, ele me olhou surpreso
Sergio: oi, bom dia Tem carro pra ir até a estância La Victoria?
Despachante: sim, sim, tenho carro. Desculpa a intromissão, você é parente do capataz?
Sergio: não, não, sou só um convidado, por causa da Mariela. Por que a pergunta? ;- preferi não dizer quem era, algo não me fechava.
Despachante: ah, tá bom. A filha do capataz. Os Hernández são conhecidos por essas bandas, principalmente a Mariela. Beleza, o carro vermelho vai levar vocês até o lugar.
Subimos no carro e começamos a viagem. O motorista não parava de nos olhar, tava intrigado pra saber quem éramos, então não hesitei e perguntei.
Sergio: se quiser perguntar alguma coisa, pergunta sem medo.
Motorista: desculpa a intromissão, mas vocês não são daqui, né?
Sergio: tá certo, sou de Buenos Aires e essa mulher linda é cordobesa. –
Motorista: entendo, seu casal é muito bonito. – Carmela corou com esse comentário – e ficou mais vermelha ainda quando eu confirmei que sim.
Sergio: vou te perguntar uma coisa, como é a família dessa estância? Mora só o capataz e a família dele, ou os donos também tão lá? – o motorista olhou pelo retrovisor e falou.
Motorista: o Sensei, como é conhecido na cidade, é um homem de poucas palavras, é direto e sem rodeios, sempre disposto a ajudar e ensinar. Um dia tudo mudou, um dos discípulos dele passou do limite, queria mais, queria a fazenda. Sabia que a única herdeira tinha ido embora. O Sensei recusou isso e teve que meter a mão pesada. Uns dizem que ele matou o cara, outros dizem que ele tá vivo, que criou uma organização. Muitas coisas tão rolando por aqui que antes não rolavam: crimes, roubos, assassinatos. Cidade pequena, inferno grande. A mulher dele tá sempre do lado dele, é muito sábia, é médica, tinha um consultório na cidade, até que um dia não voltou mais. Tentaram matar ela inúmeras vezes. O filho mais velho, José, é meio bruto e tem um ego enorme, se meteu em tanta encrenca que teve que se refugiar na estância. Se envolveu com toda mulher que quis, e ainda por cima casada. Moça, cuidado com ele. Os 2 As filhas da solidão: a Soledad é veterinária, se formou e veio morar no campo com o parceiro. Depois de um ano, se separaram — a irmã mais nova tinha dormido com ele e ela descobriu. A Valéria tá estudando pecuária em Rosário, às vezes vem e fica pouco tempo, não é muito sociável. E a Mariela terminou o ensino médio e vai entrar na faculdade. As más línguas dizem que ela é uma puta.
— Quantas informações esse cavalheiro me deu, ia me ajudar a conhecê-los antes de chegar.
— E da família Carreras não se sabe muito, só ficou uma herdeira. Depois que o pai morreu, ela foi embora e nunca mais voltou. Os irmãos também foram embora depois de ficarem de fora da herança por tentar matar o pai em várias ocasiões.
— Essa parte da história eu não conhecia, minha avó nunca me contou. Ou talvez tenha contado e eu não lembro. Já tava chegando na fazenda. Uma mulher linda, com um corpo de dar água na boca, calça jeans, camisa xadrez e um chapéu de gaúcho nos esperava na porta. Do lado, um senhor corpulento, com roupa de gaúcho, bonitão, bigode bem aparado. Paguei o motorista do táxi e desci com a Carmela. O casal se aproximou do carro. Desci com a Carmela e me apresentei pra eles.
Sergio: Bom dia, Sr. e Sra. Hernández. Sou Sergio Santamarina, ela é minha convidada, Carmela Hidalgo.
Azucena: Bom dia, moçada. Bem-vindos à estância — com um sorrisão lindo.
Mario: Bom dia, Sergio. A gente tava te esperando. Não sabia que vinha acompanhado. A patroa avisou da tua chegada.
Sergio: É verdade, vinha sozinho. O destino me cruzou com essa moça. Depois conto pra vocês.
Azucena: Se o patrão diz que é convidada, bem-vinda à Estância La Victoria.
— "Patrão" soou estranho pra mim, eu era muito novo. E por que me chamaria de patrão se sou só neto da Luisa?
Sergio: Por favor, me chama de Sergio. "Patrão" é muito pesado pra mim. Acho que a Luisa já deixou vocês a par.
Mario: Isso mesmo. Ela deu ordens específicas e mandou a gente seguir suas instruções. — Eu não gostava de dar ordens e também não queria. interromper o trabalho daqui
Sergio: não, não, por favor, não quero interromper o serviço de vocês aqui no campo, quero que continuem com o que estão fazendo, não vim dar ordens, vim porque preciso me reencontrar com meu antigo eu, e não com essa pessoa cheia de raiva e vingança
Mario: disso a gente fala depois, rapaz, vamos entrar que vou te mostrar a fazenda
Subimos no carro e entramos, o lugar era lindo, uma entrada com pinheiros dos dois lados, chegamos na casa, estilo colonial, dava pra ver os detalhes, o telhado avermelhado, muitas janelas e varandas, muito bem cuidado. Ele nos mostrou a casa por dentro, totalmente limpa, um estilo rústico, um luxo. Nos mostrou cada cantinho: sala de estar, sala de jantar, cozinha... não vou listar tudo porque não acabo mais. Me instalei no quarto principal e a Carmela no quarto ao lado. Depois disso, ele nos levou pra conhecer onde eles moravam, uma casa linda e grande, bem parecida. Conhecemos os estábulos, e lá conheci a Soledad, uma mulher muito encantadora, educada e simpática, muito gostosa, igual à mãe, mas mais magra. Continuamos conhecendo a fazenda: os silos, os campos. A verdade é que o campo era enorme. Lá longe, avistamos um homem montado no cavalo, era o filho dele, José. Ele desceu do cavalo, me olhou com uma atitude desafiadora, querendo intimidar. O cara era o dobro do meu tamanho, dava pra ver de longe o ego que ele carregava. Olhou pra Carmela e eu notei nos olhos dele a luxúria por ver uma mina tão gostosa, como um lobo feroz prestes a atacar a presa. Ele falou com o pai, montou no cavalo e foi na direção de onde veio, me deixando com a mãe dele e a Carmela.
Azucena: José, te apresento seu patrão, Sergio Santamarina, e ela é a Carmela, a parceira dele.
Ele cravou o olhar em mim. Por dentro, deve ter pensado: "esse é meu patrão? Jamais." Certeza que pensou isso. Me olhou e estendeu a mão. Apertamos as mãos e ele apertou a minha com força. Tenho que admitir que apertou demais, mas não ia me deixar intimidar. A Carmela percebeu minha mudança. Cara, meu olhar tinha ficado frio, o cara continuava apertando minha mão com mais força, e meu lado malvado apareceu, dei uns tapas na garganta dele, torci a mão dele e o coloquei de joelhos, ia dar o golpe final, quando a Carmela interveio, me abraçou e beijou minha boca, paralisando meu corpo inteiro. A Azucena olhou surpresa ao ver o filho dela de joelho, já que só o pai dele conseguia derrubá-lo, claro que não falou nada, eu era o novo patrão por ordem da minha avó. Quando ela percebeu que meu olhar tinha mudado, me soltou.
Azucena: é hora de voltar, a viagem foi longa e você precisa descansar, Sergio.
Sergio: sim, é verdade. ; - a gente virou e a Carmela se pendurou no meu braço, caminhamos pela trilha até chegar em casa, fomos descansar. Umas 7 da tarde eu acordei, tinha sido exaustivo, a viagem. Levantei, tomei um banho e desci. Na cozinha estavam a Azucena e a Carmela, a Azucena preparava a comida e contava como tinha me conhecido, em que circunstâncias. Ela comentou o que a patroa tinha dito e que o marido dela ia me ajudar a controlar meus impulsos. O rapaz que a patroa contou não é nada comparado com como ela me conheceu. Entrei na cozinha cumprimentando as duas.
Carmela: descansou bem?
Sergio: muito bem, por sorte, estava exausto. Isso cheira delicioso.
Azucena: estou cozinhando um frango na panela com batatas e cenouras, espero que seja do seu agrado.
Sergio: sim, pelo cheiro, deve estar uma delícia.
Azucena: é, receita da sua avó, ela me ensinou a preparar.
Sergio: a vó é uma cozinheira foda, sempre me mimava com pratos deliciosos. E você, Carmela, descansou?
Carmela: precisava descansar, depois desses dias agitados, e ia continuar dormindo, mas o cheiro da comida me chamou, e minha barriga também.
; - as risadas ecoaram na cozinha.
O jantar estava uma delícia, tão gostoso quanto o da vó. Assistimos um filme na sala e depois disso fomos dormir. A Carmela não queria dormir sozinha, expliquei pra ela que... Ter uma pesadelo e poderia atacar, que não tinha nada a temer, nesta casa está seguro e se algo acontecesse me avisaria.
Ela fez biquinho e entendeu, não insistiu mais, me deu um pouquinho e entrou no quarto dela.
Pouco depois, peguei no sono, e meus sonhos voltaram. Dessa vez, era a Fabiana de novo que aparecia, num lugar diferente, num quarto pintado de rosa, com muitos ursos de pelúcia. Eu estava deitado e pelado, entre minhas pernas uma morena gostosa se mexia sem parar, não dava pra ver o rosto dela. Achei que era a Fabiana. Ela colocava muita delicadeza, passava a língua de cima pra baixo, brincava com os lábios na ponta, dando uns beijinhos, tentava engolir tudo, mas não conseguia. Eu tava fascinado e prestes a gozar. Ela continuava chupando uma e outra vez, sem tirar da boca. Gozei dentro dela, ela ficou parada, sem se mexer. A porta se abriu de repente, meu assassino entrava no quarto, com uma arma na mão, apontou pra mina e depois pra mim. Acordei de repente, puxei a mulher que tava em cima de mim, joguei ela da cama, caindo com tudo no chão feito um saco de batatas, e me joguei em cima do cara que tinha entrado no quarto…
Corri e corri, não olhei pra trás, só pra frente, não podia ficar naquele lugar nem mais um segundo, ver aquele lugar que trazia lembranças dolorosas, onde eu tinha morrido, uma parte de mim ficou naquele lugar, talvez tivesse perdido pra sempre, na minha mente e no meu coração existia ódio e vingança, tinha que fugir, minha família e amigos iam sofrer as consequências, não podia permitir isso, assim com minha sede de vingança eu sabia que os faria sofrer ou me fizeram entender isso, foi minha avó, foi a única pessoa que percebeu o que estava acontecendo comigo, ela notou em mim o que se passava, que eu não era o mesmo e que não voltaria a ser, ela se aproximou de mim quando estava sozinho.
Luísa - aí meu querido Sérgio, de mim você não consegue esconder, eu sei que está acontecendo alguma coisa, você não é o mesmo -; tentei falar, ela me impediu - não precisa dizer nada, quero que guarde isso, é a chave do apartamento de Lugano, deixei uma mochila preparada, pronta pra viajar, tem mapas, dinheiro e algumas roupas, só peço uma condição: que me ligue uma vez por semana, pra eu saber que você está bem, quando estiver no lugar que escolher, no destino que escolher, quero que se reencontre consigo mesmo, ficou claro, essa é minha condição, ela me olhou com muito carinho, acariciou meu rosto e foi embora, aquela mulher, aquela avó e amiga, me conhecia mais do que eu mesmo, sabia exatamente o que estava acontecendo comigo.
Não sei quanto tempo corri, de repente me vi na Praça Flores, estava a umas 25 quadras da minha casa, mesmo tendo recuperado a memória, algumas coisas ainda não estavam lá, tentei fazer um esforço pra lembrar onde ficava meu bairro antigo e como chegar, por sorte a placa de um ônibus voltou à minha mente, Lugano I e II, o velho 141, sabia que aquele me levava, corri pro ponto e subi, perguntei se ia pro bairro e paguei a passagem, por sorte vinha quase vazio, sentei no fundo e fiquei olhando pela janela apreciando a paisagem de uma cidade. Bem portenha, eu observava as pessoas passando, e em muitos desses rostos aparecia o rosto do meu assassino, os olhos cheios de raiva, o riso diabólico. Por dentro, eu entendia minha ira, minha sede de vingança. Tive que fazer um esforço enorme pra apagar as chamas que queimam por dentro. O ônibus estava chegando no bairro, reconheci na hora e uma série de lembranças surgiu de repente. Eu sabia onde estava e onde me encontrava. Desci do ônibus correndo, entrei no apartamento e, na mesa, estava a mochila com um envelope em cima.
"Querido Sergio: na mochila você vai encontrar um mapa e instruções com os destinos que você escolher. Sierra de la Ventana: lá tem um complexo de chalés, um deles é mais afastado, você vai encontrar o que precisar, e está disponível pra você. O próximo é Cariño, como você sabe, tem o complexo turístico e, além disso, uma casa, como você sabe, está disponível pra usar. E o próximo, pelo que conheço de você, é Venado Tuerto. Sei muito bem que você vai escolher esse destino. Corre nas suas veias o sangue do campo, e é o lugar perfeito pra curtir o silêncio. A casa está desocupada e disponível pra você morar. Já deixei tudo pronto pra isso. Além disso, na mochila deixei dinheiro suficiente pra você usar. Sei que não vai precisar, mas num envelope lá dentro você vai descobrir por quê. Deixei instruções pra você chegar tranquilo. Boa viagem e você sabe do nosso acordo. A vovó te adora. Até logo."
Guardei a carta na mochila e fui dar uma olhada. Lá dentro tinha notas de pesos e dólares pra viver uns três anos ou mais. Tinha um envelope branco com uma série de números e o lugar onde estava o cofre. Ela tinha colocado um monte de roupa, minhas bolachas favoritas e uns dois pedaços de pasta flora. Fechei tudo e me preparei pra partir rumo ao meu destino: Venado Tuerto.
Enquanto isso, na casa, a avó Luísa explicava pra todo mundo os motivos pelos quais decidiu ajudá-lo pelas costas deles. Sinal que eu dei, que não tava bem e que precisava se encontrar consigo mesmo, brigar com os demônios. Se eu tivesse ficado lá, elas iam pagar as consequências. A avó foi bem firme e todos obedeceram a ordem de não intervir a não ser que fosse necessário. Depois dessa conversa, ele se aproximou do principal Malaver.
Falou em segredo, pra ninguém ouvir, e ele entendeu perfeitamente.
Sergio tava a caminho de Retiro, de lá pegaria o busão pra Venado Tuerto. Retiro, uma área tensa pra muitos desconhecidos, e pra Sergio também era.
Já era noite, ele compraria a passagem do primeiro ônibus que saísse pra Venado Tuerto. Desceu do coletivo na frente da praça. Naquela hora, o lugar tava vazio e a circulação de gente era pouca. A praça tava escura. De longe, ele viu algo estranho rolando no centro da praça: um grupo de pessoas se estranhando. Não deu muita importância, tinha que entrar ali, até que ouviu o grito de uma mulher pedindo socorro. Saiu correndo praquele lugar. Algo dentro dele entendeu, sabia que tinha que ajudar, e não hesitou. Apareceu correndo silenciosamente, acertou o primeiro com uma patada violenta, deixando ele estirado no chão sem se mexer. O segundo tentou atacar, ele reagiu a tempo, dando uns sopapos e deixando ele inconsciente. O terceiro soltou a mina e foi pra cima dele, tentou derrubá-lo, mas Sergio foi mais rápido: jogou ele pelos ares e, antes de cair, deu uma patada na cabeça. O quarto, que segurava a mina, soltou ela e saiu correndo.
Ele se aproximou da mina. Ela tava com a roupa rasgada e o lábio sangrando. Estendi a mão e falei: — Vem comigo, você vai ficar segura. Ela levantou o olhar e entendeu minha mão. Se levantou e se apoiou em mim. A mina mal conseguia andar. Eu a envolvi com o braço e tirei ela dali. Quando a gente tava saindo, o primeiro que caiu agarrou minha perna. Eu olhei pra ele e, com muita frieza, dei vários chutes na cabeça até deixar ele inconsciente... ou morto? Abracei a mina de novo. levando ela assim até a rua, quando a iluminação refletiu neles, ela percebeu que a garota estava quase nua. Foram atrás de uma árvore, ele tirou a roupa rasgada dela e pegou uma camiseta da mochila, e com a jaqueta dele envolveu a cintura dela. Caminharam até a estação de trem, onde ele pôde ver que era uma jovem, muito gostosa, olhos azuis, loira como o sol, magrinha, uma modelo. Andaram até a saída dos ônibus, a garota precisava entrar no banheiro e se lavar um pouco. Nenhum dos dois disse uma palavra.
- Tão aí, chefe - virei a cabeça e vi três caras, armados.
- Corre e não para.
Começamos a correr para dentro da estação. - Cadê a porra da sorte quando a gente precisa? - Entramos num banheiro masculino, enfiando ela no último cubículo.
- Fica aqui, vou despistar eles - a garota concordou com a cabeça.
Saí do banheiro e vi eles lá longe, procurando pela terminal. Saí dali procurando um policial até achar. Avisei que tinha três caras armados andando pela terminal, parecendo que estavam procurando alguém. Os policiais pediram pra eu apontar eles. Os caras, quando viram os policiais, saíram correndo, e os policiais atrás.
Fui pro banheiro onde a jovem estava. Bati na porta do último cubículo e ela abriu. Me abraçou, olhou nos meus olhos e disse: - Obrigada, obrigada, obrigada - e na sequência me deu um beijo suave nos lábios. Se afastou de mim. - E posso saber o nome do meu salvador? - num tom muito peculiar e reconhecível em qualquer lugar. A jovem era de Córdoba, de Villa Carlos Paz, 19 anos. Tinha sido sequestrada por uma organização com a história de ser modelo. Carmela Hidalgo, de uma família bem de vida. Os pais estavam viajando e não sabiam de nada.
Sergio - Meu nome é Sergio Santamarina.
Carmela: Prazer, Sergio. Carmela Hidalgo.
A gente começou a conversar e ela me contou como a melhor amiga tinha entregado ela, como palavras bonitas tinham convencido ela. - Me senti uma idiota. Ela me contou também que tinha conseguido dar um perdido nos captores. Quando eles descuidaram, ela tentou correr, mas no fim pegaram ela, e aqueles quatro caras iam abusar dela naquele lugar como castigo por tentar fugir. E agora, baseada em Buenos Aires, não sabia o que fazer. O pai dela não ia voltar antes de um mês, e ela não queria voltar pra casa, porque eles saberiam onde ir procurar ela.
Naquele momento, não me veio outra coisa na cabeça senão oferecer pra ela vir comigo. Pra onde eu tava indo foi a primeira coisa que pensei na hora. Carmela me olhava atentamente pra proposta que eu tava fazendo pra ela dar um jeito de sair dessa, até os pais dela voltarem. Ela me olhou e disse:
Carmela: Cê não tá doido, né?
Sergio: Só se faltar mais um jogador.
Nós dois rimos e bolamos o plano. Fui na bilheteria comprar as passagens. Por sorte, consegui dois lugares, e o ônibus sairia em algumas horas.
Contei um pouco da minha história, e ela escutava com atenção tudo que eu falava. Num momento de surpresa, quando eu falei minha idade, ela não acreditou — pelo corpo não parecia, e acho que pela mente também não. Ela não acreditou até eu mostrar minha identidade.
Carmela: Se você não mostrasse, eu não ia acreditar.
Sergio: É o que eu ouço direto. Ainda não recuperei toda a minha memória.
Carmela: Cê ainda é doido — ela falou com simpatia.
Sergio: Algo assim. Eu fugi da família. Sinto que não sou eu mesmo. Do jeito que bati naqueles caras, aquele não era meu eu verdadeiro.
Carmela: Vou te falar a verdade, você me assustou um pouco quando te vi. Vi uns olhos diferentes do que vejo agora. Tive medo de você me machucar.
Sergio: Fica tranquila, que eu não machucaria outra mulher. Mas tem uma garota que me machucou, que fez tudo isso acontecer. E por isso tenho que me afastar de toda a família. Tenho medo de machucar elas, e pelo meu bem e pelo bem dela, preciso sumir.
Carmela: Acho que agora nós dois precisamos um do outro.
Ela acariciou meu rosto com as mãos suaves e me deu um beijo carinhoso, um beijo de amor. Nos separamos, vi o rosto dela corado, com os olhos brilhando.
Os alto-falantes anunciavam a partida. Nosso busão, a gente foi andando pela plataforma, entregamos as passagens, subimos no ônibus, os dois últimos bancos lá no fundo. O busão partiu com pouca gente, a gente bateu um papo até o sono bater. Já tava em Santa Fé, mas ainda faltava uma hora. Quando acordei, a Carmela não tava do meu lado. Um cara tava na porta do banheiro tentando abrir. Quando ele percebeu que eu tava olhando, voltou pro lugar dele. De repente, a porta abriu e a Carmela colocou a cabeça pra fora. Quando me viu acordado, saiu e sentou do meu lado assustada.
Sergio: Que que houve? Cê tá bem?
Carmela: Tinha um cara querendo entrar no banheiro comigo.
;- A Carmela se assustou com minha reação e com o jeito que eu levantei. Fui até o cara e, sem falar nada, peguei ele pelo pescoço e apertei, querendo esmagar a garganta dele.
Sergio: Escuta bem, seu merda. Essa mina é minha mina, e as consequências de querer encostar nela vão ser fodas.
;- Minhas mãos apertavam tão forte que o cara parou de respirar por uns segundos. Apertei os ovos dele e ele reagiu. Me olhou assustado, com pânico.
Sergio: Entendeu? Ficou claro?
;- O cara balançou a cabeça que sim. Soltei ele e dei um soco na cara pra ele dormir um pouco. Voltei pra Carmela e sentei do lado dela.
Ela me olhou diferente, com medo do que eu poderia fazer de loucura. Minha cara mudou quando senti a mão dela roçando em mim. Olhei pra ela e sorri. Ela chegou perto e me beijou, mas dessa vez foi mais que um beijo: um beijo apaixonado que arrepia a pele. A mão dela acariciava meu peito, bem de leve, tateando o que tinha debaixo da camiseta. Minha mão não ficou parada: fui no rosto dela, acariciei suavemente. Em algum momento, ela baixou a mão e apoiou no meu volume. Aí eu já tava duro que nem pedra. Ela tirou a mão na hora, assustada com o que tinha tocado.
Carmela: Que que cê tem aí? É uma arma?
;- Eu ri do comentário dela. Ela franziu a testa.
Sergio: Tô louco, mas não tanto. Não é arma, é meu pau.
Carmela: Não pode ser tão grande assim. enorme e duro
Sergio: descobre você mesma e tira a dúvida
;- fico na dúvida por uns instantes se faço ou não, ela pousou a mão no cinto da calça, desabotoou, abaixou um pouco o zíper, meteu a mão e sentiu como tava dura, tava virada pro lado, tentou puxar pra fora porque não conseguia, mexi um pouco a calça e ele saiu à procura de quem tinha acordado ele, firme e grosso, pulsando, ela olhava com espanto e admiração, só tinha visto em filme pornô, por mim, não lembrava que eu tava com ele tão grande assim
O que aconteceu depois me surpreendeu, ela se abaixou e passou a língua, provando o gosto e a dureza, duvidei que conseguiria meter tudo aquilo na boca, passou a língua de cima a baixo, tentou uma vez colocar na boca, mal conseguiu enfiar a cabeça, a boca fina e pequena dela dificultava, mas não parou de tentar, com a mão me punhetava, fazia com delicadeza, se esforçava pra me fazer gozar e assim conseguiu, tava quase chegando e gozar na boca dela, avisei mas ela nunca tirou a boquinha dali, engoliu até onde deu, a pobrezinha acabou se afogando, levantou, pegou um lenço, se limpou, tomou água e com um sorriso lindo, me olhou
Carmela: um presentinho por me salvar 2 vezes, ;- ficou vermelha e me deu um beijo suave, olhei pra ela, acariciei o rosto dela
Sergio: não precisava, te salvei porque o destino quis que eu tivesse ali na hora certa, bem naquele lugar
Ela me beijou de novo, o ônibus já tava entrando no terminal, o cara desceu na nossa frente, e antes de descer, o motorista me parou e falou:
;- cuidado com aquele, sempre causa confusão no ônibus e se tem problema com alguém, chama os amigos pra atacar em bando, :- valeu pelo aviso, motorista, vou ficar esperto, tenha um bom dia, :- aí descemos da condução e andamos pelo terminal, peguei o papel com as instruções e procurei uma remiseria, por sorte achei uma, pedi um carro e quando falei o destino, ele me olhou surpreso
Sergio: oi, bom dia Tem carro pra ir até a estância La Victoria?
Despachante: sim, sim, tenho carro. Desculpa a intromissão, você é parente do capataz?
Sergio: não, não, sou só um convidado, por causa da Mariela. Por que a pergunta? ;- preferi não dizer quem era, algo não me fechava.
Despachante: ah, tá bom. A filha do capataz. Os Hernández são conhecidos por essas bandas, principalmente a Mariela. Beleza, o carro vermelho vai levar vocês até o lugar.
Subimos no carro e começamos a viagem. O motorista não parava de nos olhar, tava intrigado pra saber quem éramos, então não hesitei e perguntei.
Sergio: se quiser perguntar alguma coisa, pergunta sem medo.
Motorista: desculpa a intromissão, mas vocês não são daqui, né?
Sergio: tá certo, sou de Buenos Aires e essa mulher linda é cordobesa. –
Motorista: entendo, seu casal é muito bonito. – Carmela corou com esse comentário – e ficou mais vermelha ainda quando eu confirmei que sim.
Sergio: vou te perguntar uma coisa, como é a família dessa estância? Mora só o capataz e a família dele, ou os donos também tão lá? – o motorista olhou pelo retrovisor e falou.
Motorista: o Sensei, como é conhecido na cidade, é um homem de poucas palavras, é direto e sem rodeios, sempre disposto a ajudar e ensinar. Um dia tudo mudou, um dos discípulos dele passou do limite, queria mais, queria a fazenda. Sabia que a única herdeira tinha ido embora. O Sensei recusou isso e teve que meter a mão pesada. Uns dizem que ele matou o cara, outros dizem que ele tá vivo, que criou uma organização. Muitas coisas tão rolando por aqui que antes não rolavam: crimes, roubos, assassinatos. Cidade pequena, inferno grande. A mulher dele tá sempre do lado dele, é muito sábia, é médica, tinha um consultório na cidade, até que um dia não voltou mais. Tentaram matar ela inúmeras vezes. O filho mais velho, José, é meio bruto e tem um ego enorme, se meteu em tanta encrenca que teve que se refugiar na estância. Se envolveu com toda mulher que quis, e ainda por cima casada. Moça, cuidado com ele. Os 2 As filhas da solidão: a Soledad é veterinária, se formou e veio morar no campo com o parceiro. Depois de um ano, se separaram — a irmã mais nova tinha dormido com ele e ela descobriu. A Valéria tá estudando pecuária em Rosário, às vezes vem e fica pouco tempo, não é muito sociável. E a Mariela terminou o ensino médio e vai entrar na faculdade. As más línguas dizem que ela é uma puta.
— Quantas informações esse cavalheiro me deu, ia me ajudar a conhecê-los antes de chegar.
— E da família Carreras não se sabe muito, só ficou uma herdeira. Depois que o pai morreu, ela foi embora e nunca mais voltou. Os irmãos também foram embora depois de ficarem de fora da herança por tentar matar o pai em várias ocasiões.
— Essa parte da história eu não conhecia, minha avó nunca me contou. Ou talvez tenha contado e eu não lembro. Já tava chegando na fazenda. Uma mulher linda, com um corpo de dar água na boca, calça jeans, camisa xadrez e um chapéu de gaúcho nos esperava na porta. Do lado, um senhor corpulento, com roupa de gaúcho, bonitão, bigode bem aparado. Paguei o motorista do táxi e desci com a Carmela. O casal se aproximou do carro. Desci com a Carmela e me apresentei pra eles.
Sergio: Bom dia, Sr. e Sra. Hernández. Sou Sergio Santamarina, ela é minha convidada, Carmela Hidalgo.
Azucena: Bom dia, moçada. Bem-vindos à estância — com um sorrisão lindo.
Mario: Bom dia, Sergio. A gente tava te esperando. Não sabia que vinha acompanhado. A patroa avisou da tua chegada.
Sergio: É verdade, vinha sozinho. O destino me cruzou com essa moça. Depois conto pra vocês.
Azucena: Se o patrão diz que é convidada, bem-vinda à Estância La Victoria.
— "Patrão" soou estranho pra mim, eu era muito novo. E por que me chamaria de patrão se sou só neto da Luisa?
Sergio: Por favor, me chama de Sergio. "Patrão" é muito pesado pra mim. Acho que a Luisa já deixou vocês a par.
Mario: Isso mesmo. Ela deu ordens específicas e mandou a gente seguir suas instruções. — Eu não gostava de dar ordens e também não queria. interromper o trabalho daqui
Sergio: não, não, por favor, não quero interromper o serviço de vocês aqui no campo, quero que continuem com o que estão fazendo, não vim dar ordens, vim porque preciso me reencontrar com meu antigo eu, e não com essa pessoa cheia de raiva e vingança
Mario: disso a gente fala depois, rapaz, vamos entrar que vou te mostrar a fazenda
Subimos no carro e entramos, o lugar era lindo, uma entrada com pinheiros dos dois lados, chegamos na casa, estilo colonial, dava pra ver os detalhes, o telhado avermelhado, muitas janelas e varandas, muito bem cuidado. Ele nos mostrou a casa por dentro, totalmente limpa, um estilo rústico, um luxo. Nos mostrou cada cantinho: sala de estar, sala de jantar, cozinha... não vou listar tudo porque não acabo mais. Me instalei no quarto principal e a Carmela no quarto ao lado. Depois disso, ele nos levou pra conhecer onde eles moravam, uma casa linda e grande, bem parecida. Conhecemos os estábulos, e lá conheci a Soledad, uma mulher muito encantadora, educada e simpática, muito gostosa, igual à mãe, mas mais magra. Continuamos conhecendo a fazenda: os silos, os campos. A verdade é que o campo era enorme. Lá longe, avistamos um homem montado no cavalo, era o filho dele, José. Ele desceu do cavalo, me olhou com uma atitude desafiadora, querendo intimidar. O cara era o dobro do meu tamanho, dava pra ver de longe o ego que ele carregava. Olhou pra Carmela e eu notei nos olhos dele a luxúria por ver uma mina tão gostosa, como um lobo feroz prestes a atacar a presa. Ele falou com o pai, montou no cavalo e foi na direção de onde veio, me deixando com a mãe dele e a Carmela.
Azucena: José, te apresento seu patrão, Sergio Santamarina, e ela é a Carmela, a parceira dele.
Ele cravou o olhar em mim. Por dentro, deve ter pensado: "esse é meu patrão? Jamais." Certeza que pensou isso. Me olhou e estendeu a mão. Apertamos as mãos e ele apertou a minha com força. Tenho que admitir que apertou demais, mas não ia me deixar intimidar. A Carmela percebeu minha mudança. Cara, meu olhar tinha ficado frio, o cara continuava apertando minha mão com mais força, e meu lado malvado apareceu, dei uns tapas na garganta dele, torci a mão dele e o coloquei de joelhos, ia dar o golpe final, quando a Carmela interveio, me abraçou e beijou minha boca, paralisando meu corpo inteiro. A Azucena olhou surpresa ao ver o filho dela de joelho, já que só o pai dele conseguia derrubá-lo, claro que não falou nada, eu era o novo patrão por ordem da minha avó. Quando ela percebeu que meu olhar tinha mudado, me soltou.
Azucena: é hora de voltar, a viagem foi longa e você precisa descansar, Sergio.
Sergio: sim, é verdade. ; - a gente virou e a Carmela se pendurou no meu braço, caminhamos pela trilha até chegar em casa, fomos descansar. Umas 7 da tarde eu acordei, tinha sido exaustivo, a viagem. Levantei, tomei um banho e desci. Na cozinha estavam a Azucena e a Carmela, a Azucena preparava a comida e contava como tinha me conhecido, em que circunstâncias. Ela comentou o que a patroa tinha dito e que o marido dela ia me ajudar a controlar meus impulsos. O rapaz que a patroa contou não é nada comparado com como ela me conheceu. Entrei na cozinha cumprimentando as duas.
Carmela: descansou bem?
Sergio: muito bem, por sorte, estava exausto. Isso cheira delicioso.
Azucena: estou cozinhando um frango na panela com batatas e cenouras, espero que seja do seu agrado.
Sergio: sim, pelo cheiro, deve estar uma delícia.
Azucena: é, receita da sua avó, ela me ensinou a preparar.
Sergio: a vó é uma cozinheira foda, sempre me mimava com pratos deliciosos. E você, Carmela, descansou?
Carmela: precisava descansar, depois desses dias agitados, e ia continuar dormindo, mas o cheiro da comida me chamou, e minha barriga também.
; - as risadas ecoaram na cozinha.
O jantar estava uma delícia, tão gostoso quanto o da vó. Assistimos um filme na sala e depois disso fomos dormir. A Carmela não queria dormir sozinha, expliquei pra ela que... Ter uma pesadelo e poderia atacar, que não tinha nada a temer, nesta casa está seguro e se algo acontecesse me avisaria.
Ela fez biquinho e entendeu, não insistiu mais, me deu um pouquinho e entrou no quarto dela.
Pouco depois, peguei no sono, e meus sonhos voltaram. Dessa vez, era a Fabiana de novo que aparecia, num lugar diferente, num quarto pintado de rosa, com muitos ursos de pelúcia. Eu estava deitado e pelado, entre minhas pernas uma morena gostosa se mexia sem parar, não dava pra ver o rosto dela. Achei que era a Fabiana. Ela colocava muita delicadeza, passava a língua de cima pra baixo, brincava com os lábios na ponta, dando uns beijinhos, tentava engolir tudo, mas não conseguia. Eu tava fascinado e prestes a gozar. Ela continuava chupando uma e outra vez, sem tirar da boca. Gozei dentro dela, ela ficou parada, sem se mexer. A porta se abriu de repente, meu assassino entrava no quarto, com uma arma na mão, apontou pra mina e depois pra mim. Acordei de repente, puxei a mulher que tava em cima de mim, joguei ela da cama, caindo com tudo no chão feito um saco de batatas, e me joguei em cima do cara que tinha entrado no quarto…
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