Trouxe pra vocês uma história relâmpago que fui pensando durante a semana e me propus a postar ontem, não deu tempo, mas hoje tá aqui. Não pretende ser uma história muito longa, espero que vocês gostem e, de acordo com a recepção, vou meter bronca na continuação.
A "musa" dessa história éAkemy Sama(instagramer e twicher portuguesa). Já sabem, não sejam frouxos e se gostaram comentem, avaliem, o que quiserem. É o melhor jeito que tenho de saber se a história agradou ou não.


Dava pra ver que a Jimena tava nervosa, do jeito violento que ela dirigia já entregava. Cada curva parecia coisa do Toretto, e assim que o sinal ficava verde ela pisava fundo no acelerador como se não conseguisse controlar a força. A irmã mais nova dela, Carla, que tava no banho do carona, percebia e sabia o motivo.
- Não vou virar correspondente de guerra na Ucrânia, vou visitar o pai, para de surtar. – Ela reclamou sem desviar o olhar da janela. O vidro devolvia um reflexo que gritava.ovelha negraem toda sua expressão.
Cabelo curto escuro (embora mudasse de cor direto), tatuagens caras coloridas típicas de e-girl, corpo torneado que podia ser invejado tanto por homens quanto por mulheres, mas o que mais se destacava era um rosto fino e afiado, quase élfico, com um olhar profundo e penetrante como as flechas dos míticos defensores das florestas. A combinação de características dava a ela um aspecto quase sobrenatural que a fazia se sobressair em qualquer círculo, especialmente com a família, que era heteronormativa pra caralho e sempre enfatizava seu visual tomboy.
— Você já sabe o que rola comigo quando você vai sozinha visitar… o pai. — Falou com um tom de desprezo a irmã dela. — Me tira do sério você ficar sozinha com aquele velho tarado.
Jimena, a motorista, tinha cabelos escuros lisos que caíam sobre os ombros e um rosto mais arredondado que o da Carla, embora as curvas mais pronunciadas estivessem no corpo dela (especialmente as da frente). A acompanhante dela olhou de canto como o cinto de segurança cruzando o peito separava dois melões volumosos que, pra ela, podiam deixar qualquer um doido.verdepra qualquer uma.
- Além disso, você tá toda produzida, não sei por quê… me arrepia só de pensar como ela vai ficar quando te ver.
A mais velha não tava errada. Carla tava usando um look digno de primeiro encontro e ter escolhido aquilo pra uma visita de Dia dos Pais gritavaproblemas com o paiA poucas quadras de distância: uma jaqueta preta de couro, uma gargantilha com pontas igual àquela que os bulldogs usavam nos desenhos animados, lábios vermelhos como um ferimento que se destacava na pele branca dela. A calça combinando era daquelas cheias de zíperes, tiras e correntes por todo lado. Parecia ter saído de uma HQ da Marvel dos anos 90 ou de um catálogo de roupa aesthetic coreano.
– Então você podia me acompanhar, é o dia dele. – Retrucou, dessa vez sim encarando ele e ignorando a opinião dela sobre o pai. – Papai não é mau, só é carinhoso.
– Nem louca, ver ele no aniversário e no ano novo já é o suficiente pra mim. Dia dos pais que ele enfie no cu. Além disso, já mandei uma mensagem pra ele. – Sentenciou a poucas quadras de chegar na casa do pai das duas, Norberto. – Não sei como você aguenta ele tanto assim.
Numa curva, Jimena quase fez Carla bater a testa no vidro. Mesmo tendo tirado a carteira fazia pouco tempo, o jeito dela dirigir era mais do que imprudente.
– É o papai. Você tá sendo injusta, nunca faltou nada pra gente. – Começou a defendê-lo cruzando os braços como de costume, a filha do meio de três irmãs, a única das duas que parecia guardar um sentimento de afeto pelo pai.
– Nunca faltou nada e sobrou um monte de outras coisas! Ele é um tarado, Carla, e você sabe! – Começou o discurso de sempre Jimena pela enésima vez. – Ele te simpa no Instagram como um virjão de 14 anos! Para de encher o saco… – E ao terminar a frase, pisou no freio de repente, fazendo o carro balançar porque quase passou no sinal vermelho. – Se acontecer alguma coisa, me liga na hora.
– Você exagera como sempre. É o papai, nosso papai. – Minimizou, mantendo a calma, Carla, fria e com os sentimentos sob controle como sempre.
– Cê acha que eu não vejo que ele comenta cada foto sua? Desde que você começou a academia ele tá todo babão, eu leio e passo mal com os comentários dele, você devia apagar e bloquear ele de uma vez.
– É fofo, gosto que ele me ache gostosa. – Disse mais para Deixar ela puta pensando desse jeito. Às vezes era sim inapropriado e muito desconfortável o jeito que ele falava com a filha dele. – Além disso, pai também é gostoso, a gente devia agradecer por ter ele, muita mina não tem essa sorte.
– Lá vem você com esses golpes baixos de novo, ok, vou te avisar que você desce na esquina, não quero que ele me veja chegando e eu tenha que descer pra dar um oi.
– Melhor, porque não te aguento, você tá toda paranoica e vou voltar de Uber, pra viajar assim prefiro gastar grana.
– Como quiser, ovelha. – Falou claramente pistola. – Se der um beijinho nele, ele paga pra você.
– Valeu pela dica.TchauA pelicorta aceitou sem reclamar e desceu na rua Virrey Cisneros em Ramos Mejía (no Município de La Matanza). Depois de caminhar menos de cinquenta metros por uma das áreas mais chiques da cidade, se viu na frente da casa do pai, dessa vez sozinha e com o presente na mão.
Estava prestes a dar um grande passo e não havia mais volta, tinha um presente pra entregar ao pai.
Carla lembrava que tinha comentado coisas sem pudor, tipoEssa bucetinha minúscula é a melhor coisa que eu já fizDesculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Fora, urubus, que essa menina é do papaiDesculpe, não posso traduzir esse texto.Quando você chegar em casa, vou te dar umas palmadas por postar essas fotos.a frase favorita pessoal deleQuando você vai postar de novo umas fotos gostosas nos seus melhores amigos?Embora soubesse que era errado e não devia incentivar essas atitudes em público (muito menos adicionar ele nos melhores amigos em troca de favores), tinha algo naquele jogo perigoso e proibido que fascinava a Carla, algo que ela não conseguia entender naquele vai e vem de perversões e recato entre os dois, que transformava cada reunião de família num brincar com fogo no meio de uma loja de fogos de artifício. Claro que nem a Jimena nem a Cintia pensavam igual e já tinham cortado relações com ele, mas ela não, que continuava sendo a mesma menininha de sempre com o pai dela, a mesma filhinha do papai, e agora estava disposta a ir até o fundo de toda essa história.
Além disso, tinham os costumes melosos dela que já não eram bem vistos pelas irmãs e não estava certo a Carla continuar permitindo, os beijinhos em troca de favorezinhos.papi te deixa sair se você der o que ele tanto quer.), já que ele ainda a chamava pra sentar no colo tanto pra ver TV quanto pra ensinar alguma besteira de boomer no celular. E os abraços que, além de fortes, viravam uma esfregada corporal daquelas… ele não era um homem vulgar, nem ignorante ou malvado, só parecia ter uma fera dentro de si que não conseguia controlar… parecia que tinha alimentado o lobo errado lá dentro por tempo demais.
Embora o elefante na sala fosse óbvio, ninguém fazia nada além de ignorar, tava na hora de alguém encarar o paquiderme nos olhos e confrontá-lo pra saber o porquê da presença imponente dele ali. Tava na hora de saber a verdade.
- Tá bem, chegou a hora. – Falou, criando coragem e apertando a campainha com interfone de uma grande residência com um portão preto de correr e muros cinzas sem pintura, coroados com cacos de vidro que não davam pistas da exuberância lá dentro, nem do inquilino extrovertido.
- Oi, quem é? – Perguntou um homem na casa dos cinquenta com uma voz distorcida pelo microfone velho.
- Sua filha favorita, papaiii. A câmera do interfone quebrou de novo? – Disse ela, imitando o mesmo tom de 10 anos atrás, e na hora, quase como se apertasse o botão que abria o portão acelerado pela emoção, ele começou a deslizar com um leve chiado metálico.
- Não tá quebrada, amor, é que com a sua beleza o lente queimou. – Falou antes de Carla entrar, com um sorriso genuíno arrancado por aquele último elogio que a pegou de surpresa.
Lá dentro, seguiu um caminho de pedras entre aloés gigantes (daqueles que têm nas praças, com um tronco bem alto) até a casa do pai, onde ele a esperava com uma camisa rosa aberta até o peito, um copo de uísque numa mão e um relógio de ouro na outra.
- Feliz Dia dos Pais! – Disse Carla abrindo os braços pra receber o pai.
- Mas é a minha bonequinha! Lembrou do seu velhinho! – Expressou com genuína felicidade Norberto, recebendo a filha do meio com um abraço forte. – Como de costume, estava arrumado como se fosse sair pra farra ou tirar férias no Caribe.
– Como é que eu vou esquecer? Eu não sou ruim que nem minhas irmãs! – Disse se achando a favorita enquanto sentia os braços fortes do pai envolvendo ela e logo os beijos no pescoço, onde a gargantilha de espinhos não conseguia proteger. – Calma, calma, senão você raspa tudo com essa barba.
– Desculpa, desculpa, é que não consegui me segurar, não esperava visita. – Falou finalmente se afastando. – Sabe como é, as meninas cresceram, as coisas mudam. – Comentou com um toque de melancolia no semblante.
– E o resto da sua matilha? Ninguém veio visitar meu leão? – Era como chamava ele carinhosamente, porque Norberto, entre muitas tatuagens, tinha um leão rugindo num dos braços, todo um símbolo de virilidade entre os da idade dele.
Norberto negou com a cabeça, com uma expressão séria.
– Tão ocupados, é compreensível, até que uns dois me cumprimentaram pelas redes... enfim, entra, meu amor, fica à vontade. – Convidando ela pra entrar com uma mão apoiada no quadril, tentando ignorar a realidade. Tendo tanta filharada, naquele dia só a Carla estava ali pra ele.
Carla, Jimena e Cíntia eram asoficiaismesmo assim, Norberto tinha levado muito a sério Gênesis 9:7Quanto a vocês, sejam fecundos e se multipliquem.) e tinha espalhado sua semente por aí, pelo menos ela sabia de 6 meio-irmãos de várias cores e tipos diferentes com quem tinha mais ou menos contato. Um homem viajado como ele, com sua posição financeira, sendo um engenheiro naval reconhecido, não tinha se privado de nada e, tendo se entregado ao pecado da carne em cada porto, agora colhia os frutos de tanta negligência emocional, tanta superficialidade, tanto vício mal administrado.
Nessa altura da vida, ele estava percebendo seus erros e começando a entender o motivo da solidão em seus dias. Desprezado pelas filhas por suas atitudes questionáveis e deixado de lado (até com medidas protetivas de algumas ex), hoje Norberto, apesar de ter dado uma descendência numerosa ao mundo, se não fosse pela Carla, passaria o Dia dos Pais sozinho.
— Tá bem, pai? — Perguntou Carla, fazendo de novo um tom de lolita enquanto tirava a jaqueta de couro e pendurava.
O pai não respondeu; em vez disso, olhou para ela de cima a baixo enquanto acariciava a barba castanha bem cuidada. Sua filhinha Carla não só preenchia a roupa escura que usava com um belo par de peitos e uma bunda grande e trabalhada, mas também com uma musculatura que desenhava curvas deliciosas nos ombros, nas costas, nos bíceps, sem ser masculina ou exagerada; seu físico a tinha transformado num objeto de desejo único.
— Pai?Ah, sim, vejo que você gostou de como ficou em mim, me vesti assim pra você.
Se eu estava naquela casa pra brincar com fogo, minha voltinha pra ele admirar minha figura bem que podia ser considerada uma dança sobre as brasas.
— Você me deixa mudo, meu amor, você tá uma gostosa. — Fala o pai se aproximando dela e abraçando ela de novo, dessa vez sem a jaqueta que colocava uma camada de couro entre pele e pele, apertando nas costas trabalhadas dela, nos ombros, tocando a pele na cintura dela e respirando fundo contra o cabelo e a pele dela.
— Senti sua falta, papai. — Falou no ouvido dele Carla se deixando abraçar, começando a colocar em prática aquilo pelo que tinha vindo, o motivo real da chegada dela num haras onde ela se sentia a presa preferida do leão. A vontade de prazer proibido do Norberto já tava se manifestando, tinha algo estranho naquele tipo de relação de um pai com as filhas e só a Carla tinha coragem de encarar o mistério pra chegar no fundo da questão.
— E ainda me trouxe um presentinho? — Embora ele tivesse largado o copo de uísque na mesa, a Carla ainda segurava o pacote com o presente.
—AhSim, claro! Como é que eu vou chegar de mãos vazias? – Disse ela, entregando o presente, se afastando dele sem se distanciar, quase colada no peito dele e sem tirar os olhos dos olhos dele.
Norberto olhou pro presente e depois pra ela, como se tentasse resolver um enigma disfarçado.
– Amor, você sabe que não precisa me dar nada, sua presença já basta… ainda mais com o tanto que você se produziu pra mim. – Disse ele, examinando ela da ponta dos pés até a testa, como um scanner de hospital.
– Abre, vai, papai. – Ela se impacientou enquanto caminhava com ele pra sala.
Um homem mantinha a ordem nas coisas que mais importavam pra ele. Embora a vida sentimental dele pudesse ser uma bagunça, Norberto tinha um estilo de decoração que irradiava paz e sensualidade na mesma medida. Com uma casa de estilo moderno que mantinha o ambiente aquecido no centro (estilo coluna) e os móveis, como o sofá em meia-lua, o carpete e as cadeiras de metal em tons de cinza, que davam ao ambiente um toque futurista.
Ter um paredão cinza e sem graça que escondia a casa toda da vista não era por acaso; os luxos que ele tinha conquistado na vida estavam bem guardados atrás daquela fachada de casarão sem importância, monótono aos olhos, escondido entre casas mais ostentosas que roubavam a atenção.
No centro do sofá, em frente à lareira, Carla se sentou e o pai dela se acomodou bem colado nela, lançando um olhar desconfiado enquanto observava ele abrir o presente.
Norberto não precisava tirar o papel pra perceber que era uma caneca clássica com o lemaO melhor pai da galáxiacom um Darth Vader estampado num logo da Starbucks, fazendo alusão à sua saga de filmes favorita (ele tinha uma tatuagem do personagem num dos ombros). O copo, por algum motivo, também estava enrolado em filme plástico transparente.
— Valeu, minha rainha, amei, agora vou usar esse sempre…
E pegando ele de surpresa, já que ele estava admirando o presente, sem esperar que ele pedisse e pra mostrar que ele não precisava se segurar, a Carla se esticou e colou os lábios nos do pai num beijinho quente e barulhento. Uma das mãos dela, enquanto se esticava pra alcançar os lábios dele, pousou na barriga do pai e ficou ali, acariciando.
Os olhos claros do sugar daddy brilharam com tamanha explosão de carinho que ele não esperava… ele até parou uns segundos, como se estivesse saboreando o gostinho nos lábios.
— Cê acha que vim até aqui só pra te trazer um copo de merda, hahaha? Não é o presente todo.
— Com sua visita, seu presentinho e esse beijinho, você já fez de mim o pai mais feliz do mundo. — Ele disse, se inclinando contra a filha pra ganhar um segundo beijo nos lábios, e conseguiu. Dessa vez, a Carla apoiou a mão na bochecha barbada do pai e deixou os lábios grudados nos dele por mais uns segundos.
— Isso não é uma câmera escondida, não? — Perguntou meio na brincadeira, meio sério, olhando de um lado pro outro.
— Eu não sou arisca que nem a Jimena ou a Cintia. — Respondeu na lata. — Eu sei como você se segura com a gente há um tempo e já não faz mais aqueles carinhos de antes que eu sinto tanta falta. Por culpa delas, quem mais saiu perdendo fui eu. Sinto falta de como as coisas eram antes, quando a gente se via direto e era mais unido. — Se abriu sem tirar os olhos do pai e sem abrir mão de um centímetro de proximidade.
As respostas que ele buscava não demoraram.
— Carlita, meu amor, não é que eu não quis ficar mais distante, é que eu já perdi suas irmãs por ser quem sou, não queria que elas se afastassem ainda mais e que virasse algo irreversível. — Confessou, surpreso. pelo clima realmente íntimo que se formou. – Vocês são tão gostosas, fizemos vocês com tanto amor com a Pali (era assim que chamava Paula, a mãe das irmãs e sua ex-mulher) – que me despertam coisas que não consigo entender nem compreender, são até muito mais lindas que ela e a buceta fica toda quente só de olhar pra vocês… com uma vontade de apertar vocês, de beijar vocês todas, de… comer vocês todas.
Ao dizer uma barbaridade dessas, manter contato visual com a filha, no calor de uma fogueira, num sofá macio e a poucos centímetros de distância só piorava a situação. Aos poucos, o clima de um pornô pesado se formava e a Carlita não podia estar mais satisfeita. Norberto também ficou aliviado que sua filhinha não se chocou nem um pouco com suas verdades desconfortáveis.
– É? Eu te desperto coisas indevidas, papai? Você sente esses calores agora mesmo? – Ela entrou na brincadeira, retomando o tom de voz.menor de idade- Ou só acontece com a Jime e a Cintia? Quero a verdadeeleNorberto, se segurando pra não falar demais, ou talvez desconfiando que tinha alguma armadilha por trás daquele cenário suspeitamente favorável, se conteve, se reprimindo mais uma vez.
— Carlita, mulher é minha obsessão, sempre foi. É algo que nunca consegui controlar e quanto mais proibidas são… mais me pegam. — Disse, dando uma olhada pro presente, a caneca, com o olhar cheio de culpa. — Se eu tivesse me controlado, a gente tava todo mundo em família com a Pali, curtindo uma tarde gostosa de… — Os dedos da filha pousaram no sublimado da caneca e bateram nela, interrompendo as fantasias de Família Ingalls que, pra um cara como ele, de barba bem feita, todo tatuado, bem arrumado e com vibe de sugar daddy, não combinavam nada.
— Então você vai amar meu segundo presente. Não me faz ficar brava e abre logo de uma vez.
— Com segundo presente, pensei que você tava falando dos beijinhos! — Falou, descobrindo que debaixo do papel filme tinha um bilhete.
Apressado, tirou o papel filme e puxou o bilhete da caneca. Era um cartãozinho de papel cartão dobrado no meio que, ao abrir, revelou o verdadeiro presente.Vale por um desejo⭐Eram as chaves da caixa de Pandora, o botão que desencadeava o bombardeio nuclear, o pentagrama que convidava o próprio diabo. Aquelas simples palavras eram um convite ao desastre, já que estava sozinha com ele, naquele ambiente que exalava sensualidade, sabendo que era um objeto de desejo proibido e nada impediria seu pai de tirar a máscara de uma vez por todas para revelar sua verdadeira natureza.
— Vale por um desejo? Tipo a lâmpada do Aladim? — Perguntou, dando uma olhada no bilhete pra ver se tinha lido errado e se havia uma segunda interpretação que tinha escapado, como se tentasse lembrar se entre eles uma frase assim tinha outro significado e sua mente obscena estava fazendo ele pensar mal.
— Não tem muito mistério, papai. A caneca, apesar de ser bonita, não é suficiente pra um paizão como você, e como não sabia o que te dar… pensei que você ia gostar de pedir um desejo que eu pudesse realizar, o que você quiser, o que mais desejar.
Carla, mesmo com um pouco de nervoso, conseguiu dizer tudo o que queria sem que a voz falhasse ou um pingo de dúvida no semblante. Algumas verdades era melhor deixar enterradas, e ela estava fazendo uma aposta perigosa.
— Não entendi. — Mas na verdade, quis dizer.não sei se tô entendendoPara Carla, aquilo era a isca perfeita pra trazer a verdade à tona: se o pai dela era só um velho tarado e mão boba, igual aqueles que passam a mão na sua bunda no meio do baile e, quando você vira desafiando, fingem que não foi nada, ou se era mais, muito mais do que deixava no ar. Carla precisava saber se ele era capaz de ter um caso com a própria filha.
— Tem que ser algo que você possa me dar, não vale pedir uma Ferrari ou viajar no tempo, achei que o bilhete tava claro. — Ela se impacientou, fingindo um chilique, cruzando os braços e só conseguindo fazer os peitos e os músculos dos braços ficarem mais salientes.
— Algo que eu possa te dar, Carla, me vêm umas ideias na cabeça… você disse que sentia falta de como as coisas eram antes, capaz que o papai possa te pegar no colo e… te dar os carinhos que a minha bebê tanto gosta.
Carla sorriu satisfeita, muito satisfeita com o olhar do pai, o tom do pedido, a linguagem corporal dele. Tanto que dobrou a aposta e, pegando o bilhete do desejo, amassou ele e jogou no fogo, como se queimasse a prova de um crime.
Sem dizer uma palavra, a baixinha com mais curvas que um circuito de Fórmula 1, cruzou uma perna torneada por cima do pai pra sentar no colo dele de frente, sem tirar os olhos dos olhos dele, se certificando de ficar montada bem em cima da virilha dele, com todo o peso dela no membro que lhe deu a vida e fazendo sombra com a silhueta. Quase na mesma hora, as mãos do pai envolveram o quadril dela e se firmaram ali, sentindo a pele ceder sob os dedos.
— Minha menina cresceu, cresceu por todos os lados. — Disse o pai, meio afundado no sofá, deixando vir à tona a faceta que Carla exatamente queria dele. — É mais gostoso te pegar no colo agora do que era antes.
Carla foi descendo e deu um terceiro beijinho nos lábios do pai, depois um quarto, e vendo que ele não se inibia e já começava a acariciar os quadris dela, as pernas, a cintura, ela passou pra segunda marcha e a pestinha do pai começou a beijar a boca dele. Fácil dessa vez, sem desgrudar os lábios, tentando transformar a bitoca num beijo de amantes de verdade.
Norberto respondeu na hora e, colocando uma das mãos enormes na bochecha fina da filha, devolveu o beijo cada vez mais molhado, mais barulhento. Por uns segundos deliciosos, só se ouvia o crepitar da lareira e os estalos das bocas molhadas naquele beijo proibido, intenso, que gritava tanta coisa sem dizer uma palavra.
Sem perceber, mesmo tendo dado incontáveis beijos na vida, aquele tinha sido tão especial que fez ele fechar os olhos instintivamente, e ele percebeu que não lembrava qual tinha sido o último que causou esse efeito. Tinha muito sentimento naquele beijo, não era um qualquer, muitas coisas tinham sido confirmadas.
— Sem dúvida, esse é o melhor Dia dos Pais que já tive na minha vida, não sei se mereço tanto. — Confessou, olhando para os lábios que tinha beijado com tanta paixão. — Sou muito sortudo por ter uma filhinha tão linda, tão carinhosa, não pensei que sentia tanto a minha falta.
— Você merece isso e muito mais, papai. — Descendo para dar outro beijo e, além disso, buscando um pouco de contato.língua na línguacom o seu papai, conseguindo na hora. Um homem da experiência dele lia como um livro até o menor dos sinais corporais e não enrolava, aceitando que a filha dele era uma pervertida de carteirinha igual a ele, deu o beijo de língua que ela tanto queria, deixando a boca ser invadida primeiro, e depois tomando a dela com a sua.OohDeus, vou morrer aqui mesmo. – Sussurrou o homem, passando a língua nos lábios, se lambendo diante do olhar atento de Carlita. Posso perguntar a que se deve tanto amor, tanta devoção pelo seu pai?
Carla não precisou pensar muito.
- Lembra, pai… você sabe tudo que eu passei, lembra do que rolava na escola, o bullying que sofri, só quando chegava em casa e você me enchia de beijos, me apertava e não largava de mim que eu me sentia bonita e amada. Essas sensações não se esquecem, depois comecei a treinar, me desenvolvi, tudo mudou e algumas coisas ficaram pra trás, mas por outro lado fui te perdendo por culpa das vadias das minhas irmãs… não queria deixar de ter você perto de mim.
- Você devia ter me dito que precisava dessas coisas. – Disse o pai, pegando a mão dela e beijando as costas como um verdadeiro cavalheiro, mas sem deixar de dar um olhar cheio de tesão.
- Não é tão fácil, tive que encarar a Jimena, pedir pra ela me trazer aqui, criar coragem pra te dar meu presentinho… – Admitiu, meio corada e satisfeita com como tudo tinha saído, surpresa com a própria ousadia, orgulhosa de ter descoberto que, de fato, o pai sentia o mesmo que ela sentia por ele.
- Tô muito feliz com o desejo, obrigado, meu amor. – Disse o pai, dessa vez colocando as duas mãos na cintura da filha, deixando claro que não queria que o desejo acabasse nunca.
Se dava pra dizer que ela tinha colocado a segunda marcha se arriscando com o presente original, Carlita decidiu meter a terceira.
- Sou tão boa que não vou contar isso como seu desejo e vou te dar de graça, assim você cria coragem e me pede algo mais gostoso, algo que seja um presente especial de verdade.
Como pra provocar mais, ela se ajeitou, esfregando o corpo nele, se deixando cair um pouco mais, abrindo mais as pernas e mordendo o lábio enquanto esperava uma resposta. Norberto a observou, cheio de desejo. Aproximando-se do ouvido dele, sussurrou seu desejo final.
Carla sorriu, deixou escapar uma risadinha nervosa e, bem corada, olhou nos olhos dele com um sorriso e concordou freneticamente com o pedido. Tomando o tempo necessário (sem dizer uma palavra, com medo de quebrar o momento ou deixá-lo estranho), a baixinha desceu do pai dele devagar, pra ele admirar cada movimento do corpo dela, e sob o olhar atento dele, se posicionou entre as pernas abertas dele e se ajoelhou ali, pronta pra realizar o desejo dele.
Continua…
A "musa" dessa história éAkemy Sama(instagramer e twicher portuguesa). Já sabem, não sejam frouxos e se gostaram comentem, avaliem, o que quiserem. É o melhor jeito que tenho de saber se a história agradou ou não.


Dava pra ver que a Jimena tava nervosa, do jeito violento que ela dirigia já entregava. Cada curva parecia coisa do Toretto, e assim que o sinal ficava verde ela pisava fundo no acelerador como se não conseguisse controlar a força. A irmã mais nova dela, Carla, que tava no banho do carona, percebia e sabia o motivo.
- Não vou virar correspondente de guerra na Ucrânia, vou visitar o pai, para de surtar. – Ela reclamou sem desviar o olhar da janela. O vidro devolvia um reflexo que gritava.ovelha negraem toda sua expressão.
Cabelo curto escuro (embora mudasse de cor direto), tatuagens caras coloridas típicas de e-girl, corpo torneado que podia ser invejado tanto por homens quanto por mulheres, mas o que mais se destacava era um rosto fino e afiado, quase élfico, com um olhar profundo e penetrante como as flechas dos míticos defensores das florestas. A combinação de características dava a ela um aspecto quase sobrenatural que a fazia se sobressair em qualquer círculo, especialmente com a família, que era heteronormativa pra caralho e sempre enfatizava seu visual tomboy.
— Você já sabe o que rola comigo quando você vai sozinha visitar… o pai. — Falou com um tom de desprezo a irmã dela. — Me tira do sério você ficar sozinha com aquele velho tarado.
Jimena, a motorista, tinha cabelos escuros lisos que caíam sobre os ombros e um rosto mais arredondado que o da Carla, embora as curvas mais pronunciadas estivessem no corpo dela (especialmente as da frente). A acompanhante dela olhou de canto como o cinto de segurança cruzando o peito separava dois melões volumosos que, pra ela, podiam deixar qualquer um doido.verdepra qualquer uma.
- Além disso, você tá toda produzida, não sei por quê… me arrepia só de pensar como ela vai ficar quando te ver.
A mais velha não tava errada. Carla tava usando um look digno de primeiro encontro e ter escolhido aquilo pra uma visita de Dia dos Pais gritavaproblemas com o paiA poucas quadras de distância: uma jaqueta preta de couro, uma gargantilha com pontas igual àquela que os bulldogs usavam nos desenhos animados, lábios vermelhos como um ferimento que se destacava na pele branca dela. A calça combinando era daquelas cheias de zíperes, tiras e correntes por todo lado. Parecia ter saído de uma HQ da Marvel dos anos 90 ou de um catálogo de roupa aesthetic coreano.
– Então você podia me acompanhar, é o dia dele. – Retrucou, dessa vez sim encarando ele e ignorando a opinião dela sobre o pai. – Papai não é mau, só é carinhoso.
– Nem louca, ver ele no aniversário e no ano novo já é o suficiente pra mim. Dia dos pais que ele enfie no cu. Além disso, já mandei uma mensagem pra ele. – Sentenciou a poucas quadras de chegar na casa do pai das duas, Norberto. – Não sei como você aguenta ele tanto assim.
Numa curva, Jimena quase fez Carla bater a testa no vidro. Mesmo tendo tirado a carteira fazia pouco tempo, o jeito dela dirigir era mais do que imprudente.
– É o papai. Você tá sendo injusta, nunca faltou nada pra gente. – Começou a defendê-lo cruzando os braços como de costume, a filha do meio de três irmãs, a única das duas que parecia guardar um sentimento de afeto pelo pai.
– Nunca faltou nada e sobrou um monte de outras coisas! Ele é um tarado, Carla, e você sabe! – Começou o discurso de sempre Jimena pela enésima vez. – Ele te simpa no Instagram como um virjão de 14 anos! Para de encher o saco… – E ao terminar a frase, pisou no freio de repente, fazendo o carro balançar porque quase passou no sinal vermelho. – Se acontecer alguma coisa, me liga na hora.
– Você exagera como sempre. É o papai, nosso papai. – Minimizou, mantendo a calma, Carla, fria e com os sentimentos sob controle como sempre.
– Cê acha que eu não vejo que ele comenta cada foto sua? Desde que você começou a academia ele tá todo babão, eu leio e passo mal com os comentários dele, você devia apagar e bloquear ele de uma vez.
– É fofo, gosto que ele me ache gostosa. – Disse mais para Deixar ela puta pensando desse jeito. Às vezes era sim inapropriado e muito desconfortável o jeito que ele falava com a filha dele. – Além disso, pai também é gostoso, a gente devia agradecer por ter ele, muita mina não tem essa sorte.
– Lá vem você com esses golpes baixos de novo, ok, vou te avisar que você desce na esquina, não quero que ele me veja chegando e eu tenha que descer pra dar um oi.
– Melhor, porque não te aguento, você tá toda paranoica e vou voltar de Uber, pra viajar assim prefiro gastar grana.
– Como quiser, ovelha. – Falou claramente pistola. – Se der um beijinho nele, ele paga pra você.
– Valeu pela dica.TchauA pelicorta aceitou sem reclamar e desceu na rua Virrey Cisneros em Ramos Mejía (no Município de La Matanza). Depois de caminhar menos de cinquenta metros por uma das áreas mais chiques da cidade, se viu na frente da casa do pai, dessa vez sozinha e com o presente na mão.
Estava prestes a dar um grande passo e não havia mais volta, tinha um presente pra entregar ao pai.
Carla lembrava que tinha comentado coisas sem pudor, tipoEssa bucetinha minúscula é a melhor coisa que eu já fizDesculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Fora, urubus, que essa menina é do papaiDesculpe, não posso traduzir esse texto.Quando você chegar em casa, vou te dar umas palmadas por postar essas fotos.a frase favorita pessoal deleQuando você vai postar de novo umas fotos gostosas nos seus melhores amigos?Embora soubesse que era errado e não devia incentivar essas atitudes em público (muito menos adicionar ele nos melhores amigos em troca de favores), tinha algo naquele jogo perigoso e proibido que fascinava a Carla, algo que ela não conseguia entender naquele vai e vem de perversões e recato entre os dois, que transformava cada reunião de família num brincar com fogo no meio de uma loja de fogos de artifício. Claro que nem a Jimena nem a Cintia pensavam igual e já tinham cortado relações com ele, mas ela não, que continuava sendo a mesma menininha de sempre com o pai dela, a mesma filhinha do papai, e agora estava disposta a ir até o fundo de toda essa história.
Além disso, tinham os costumes melosos dela que já não eram bem vistos pelas irmãs e não estava certo a Carla continuar permitindo, os beijinhos em troca de favorezinhos.papi te deixa sair se você der o que ele tanto quer.), já que ele ainda a chamava pra sentar no colo tanto pra ver TV quanto pra ensinar alguma besteira de boomer no celular. E os abraços que, além de fortes, viravam uma esfregada corporal daquelas… ele não era um homem vulgar, nem ignorante ou malvado, só parecia ter uma fera dentro de si que não conseguia controlar… parecia que tinha alimentado o lobo errado lá dentro por tempo demais.
Embora o elefante na sala fosse óbvio, ninguém fazia nada além de ignorar, tava na hora de alguém encarar o paquiderme nos olhos e confrontá-lo pra saber o porquê da presença imponente dele ali. Tava na hora de saber a verdade.
- Tá bem, chegou a hora. – Falou, criando coragem e apertando a campainha com interfone de uma grande residência com um portão preto de correr e muros cinzas sem pintura, coroados com cacos de vidro que não davam pistas da exuberância lá dentro, nem do inquilino extrovertido.
- Oi, quem é? – Perguntou um homem na casa dos cinquenta com uma voz distorcida pelo microfone velho.
- Sua filha favorita, papaiii. A câmera do interfone quebrou de novo? – Disse ela, imitando o mesmo tom de 10 anos atrás, e na hora, quase como se apertasse o botão que abria o portão acelerado pela emoção, ele começou a deslizar com um leve chiado metálico.
- Não tá quebrada, amor, é que com a sua beleza o lente queimou. – Falou antes de Carla entrar, com um sorriso genuíno arrancado por aquele último elogio que a pegou de surpresa.
Lá dentro, seguiu um caminho de pedras entre aloés gigantes (daqueles que têm nas praças, com um tronco bem alto) até a casa do pai, onde ele a esperava com uma camisa rosa aberta até o peito, um copo de uísque numa mão e um relógio de ouro na outra.
- Feliz Dia dos Pais! – Disse Carla abrindo os braços pra receber o pai.
- Mas é a minha bonequinha! Lembrou do seu velhinho! – Expressou com genuína felicidade Norberto, recebendo a filha do meio com um abraço forte. – Como de costume, estava arrumado como se fosse sair pra farra ou tirar férias no Caribe.
– Como é que eu vou esquecer? Eu não sou ruim que nem minhas irmãs! – Disse se achando a favorita enquanto sentia os braços fortes do pai envolvendo ela e logo os beijos no pescoço, onde a gargantilha de espinhos não conseguia proteger. – Calma, calma, senão você raspa tudo com essa barba.
– Desculpa, desculpa, é que não consegui me segurar, não esperava visita. – Falou finalmente se afastando. – Sabe como é, as meninas cresceram, as coisas mudam. – Comentou com um toque de melancolia no semblante.
– E o resto da sua matilha? Ninguém veio visitar meu leão? – Era como chamava ele carinhosamente, porque Norberto, entre muitas tatuagens, tinha um leão rugindo num dos braços, todo um símbolo de virilidade entre os da idade dele.
Norberto negou com a cabeça, com uma expressão séria.
– Tão ocupados, é compreensível, até que uns dois me cumprimentaram pelas redes... enfim, entra, meu amor, fica à vontade. – Convidando ela pra entrar com uma mão apoiada no quadril, tentando ignorar a realidade. Tendo tanta filharada, naquele dia só a Carla estava ali pra ele.
Carla, Jimena e Cíntia eram asoficiaismesmo assim, Norberto tinha levado muito a sério Gênesis 9:7Quanto a vocês, sejam fecundos e se multipliquem.) e tinha espalhado sua semente por aí, pelo menos ela sabia de 6 meio-irmãos de várias cores e tipos diferentes com quem tinha mais ou menos contato. Um homem viajado como ele, com sua posição financeira, sendo um engenheiro naval reconhecido, não tinha se privado de nada e, tendo se entregado ao pecado da carne em cada porto, agora colhia os frutos de tanta negligência emocional, tanta superficialidade, tanto vício mal administrado.
Nessa altura da vida, ele estava percebendo seus erros e começando a entender o motivo da solidão em seus dias. Desprezado pelas filhas por suas atitudes questionáveis e deixado de lado (até com medidas protetivas de algumas ex), hoje Norberto, apesar de ter dado uma descendência numerosa ao mundo, se não fosse pela Carla, passaria o Dia dos Pais sozinho.
— Tá bem, pai? — Perguntou Carla, fazendo de novo um tom de lolita enquanto tirava a jaqueta de couro e pendurava.
O pai não respondeu; em vez disso, olhou para ela de cima a baixo enquanto acariciava a barba castanha bem cuidada. Sua filhinha Carla não só preenchia a roupa escura que usava com um belo par de peitos e uma bunda grande e trabalhada, mas também com uma musculatura que desenhava curvas deliciosas nos ombros, nas costas, nos bíceps, sem ser masculina ou exagerada; seu físico a tinha transformado num objeto de desejo único.
— Pai?Ah, sim, vejo que você gostou de como ficou em mim, me vesti assim pra você.
Se eu estava naquela casa pra brincar com fogo, minha voltinha pra ele admirar minha figura bem que podia ser considerada uma dança sobre as brasas.
— Você me deixa mudo, meu amor, você tá uma gostosa. — Fala o pai se aproximando dela e abraçando ela de novo, dessa vez sem a jaqueta que colocava uma camada de couro entre pele e pele, apertando nas costas trabalhadas dela, nos ombros, tocando a pele na cintura dela e respirando fundo contra o cabelo e a pele dela.
— Senti sua falta, papai. — Falou no ouvido dele Carla se deixando abraçar, começando a colocar em prática aquilo pelo que tinha vindo, o motivo real da chegada dela num haras onde ela se sentia a presa preferida do leão. A vontade de prazer proibido do Norberto já tava se manifestando, tinha algo estranho naquele tipo de relação de um pai com as filhas e só a Carla tinha coragem de encarar o mistério pra chegar no fundo da questão.
— E ainda me trouxe um presentinho? — Embora ele tivesse largado o copo de uísque na mesa, a Carla ainda segurava o pacote com o presente.
—AhSim, claro! Como é que eu vou chegar de mãos vazias? – Disse ela, entregando o presente, se afastando dele sem se distanciar, quase colada no peito dele e sem tirar os olhos dos olhos dele.
Norberto olhou pro presente e depois pra ela, como se tentasse resolver um enigma disfarçado.
– Amor, você sabe que não precisa me dar nada, sua presença já basta… ainda mais com o tanto que você se produziu pra mim. – Disse ele, examinando ela da ponta dos pés até a testa, como um scanner de hospital.
– Abre, vai, papai. – Ela se impacientou enquanto caminhava com ele pra sala.
Um homem mantinha a ordem nas coisas que mais importavam pra ele. Embora a vida sentimental dele pudesse ser uma bagunça, Norberto tinha um estilo de decoração que irradiava paz e sensualidade na mesma medida. Com uma casa de estilo moderno que mantinha o ambiente aquecido no centro (estilo coluna) e os móveis, como o sofá em meia-lua, o carpete e as cadeiras de metal em tons de cinza, que davam ao ambiente um toque futurista.
Ter um paredão cinza e sem graça que escondia a casa toda da vista não era por acaso; os luxos que ele tinha conquistado na vida estavam bem guardados atrás daquela fachada de casarão sem importância, monótono aos olhos, escondido entre casas mais ostentosas que roubavam a atenção.
No centro do sofá, em frente à lareira, Carla se sentou e o pai dela se acomodou bem colado nela, lançando um olhar desconfiado enquanto observava ele abrir o presente.
Norberto não precisava tirar o papel pra perceber que era uma caneca clássica com o lemaO melhor pai da galáxiacom um Darth Vader estampado num logo da Starbucks, fazendo alusão à sua saga de filmes favorita (ele tinha uma tatuagem do personagem num dos ombros). O copo, por algum motivo, também estava enrolado em filme plástico transparente.
— Valeu, minha rainha, amei, agora vou usar esse sempre…
E pegando ele de surpresa, já que ele estava admirando o presente, sem esperar que ele pedisse e pra mostrar que ele não precisava se segurar, a Carla se esticou e colou os lábios nos do pai num beijinho quente e barulhento. Uma das mãos dela, enquanto se esticava pra alcançar os lábios dele, pousou na barriga do pai e ficou ali, acariciando.
Os olhos claros do sugar daddy brilharam com tamanha explosão de carinho que ele não esperava… ele até parou uns segundos, como se estivesse saboreando o gostinho nos lábios.
— Cê acha que vim até aqui só pra te trazer um copo de merda, hahaha? Não é o presente todo.
— Com sua visita, seu presentinho e esse beijinho, você já fez de mim o pai mais feliz do mundo. — Ele disse, se inclinando contra a filha pra ganhar um segundo beijo nos lábios, e conseguiu. Dessa vez, a Carla apoiou a mão na bochecha barbada do pai e deixou os lábios grudados nos dele por mais uns segundos.
— Isso não é uma câmera escondida, não? — Perguntou meio na brincadeira, meio sério, olhando de um lado pro outro.
— Eu não sou arisca que nem a Jimena ou a Cintia. — Respondeu na lata. — Eu sei como você se segura com a gente há um tempo e já não faz mais aqueles carinhos de antes que eu sinto tanta falta. Por culpa delas, quem mais saiu perdendo fui eu. Sinto falta de como as coisas eram antes, quando a gente se via direto e era mais unido. — Se abriu sem tirar os olhos do pai e sem abrir mão de um centímetro de proximidade.
As respostas que ele buscava não demoraram.
— Carlita, meu amor, não é que eu não quis ficar mais distante, é que eu já perdi suas irmãs por ser quem sou, não queria que elas se afastassem ainda mais e que virasse algo irreversível. — Confessou, surpreso. pelo clima realmente íntimo que se formou. – Vocês são tão gostosas, fizemos vocês com tanto amor com a Pali (era assim que chamava Paula, a mãe das irmãs e sua ex-mulher) – que me despertam coisas que não consigo entender nem compreender, são até muito mais lindas que ela e a buceta fica toda quente só de olhar pra vocês… com uma vontade de apertar vocês, de beijar vocês todas, de… comer vocês todas.
Ao dizer uma barbaridade dessas, manter contato visual com a filha, no calor de uma fogueira, num sofá macio e a poucos centímetros de distância só piorava a situação. Aos poucos, o clima de um pornô pesado se formava e a Carlita não podia estar mais satisfeita. Norberto também ficou aliviado que sua filhinha não se chocou nem um pouco com suas verdades desconfortáveis.
– É? Eu te desperto coisas indevidas, papai? Você sente esses calores agora mesmo? – Ela entrou na brincadeira, retomando o tom de voz.menor de idade- Ou só acontece com a Jime e a Cintia? Quero a verdadeeleNorberto, se segurando pra não falar demais, ou talvez desconfiando que tinha alguma armadilha por trás daquele cenário suspeitamente favorável, se conteve, se reprimindo mais uma vez.
— Carlita, mulher é minha obsessão, sempre foi. É algo que nunca consegui controlar e quanto mais proibidas são… mais me pegam. — Disse, dando uma olhada pro presente, a caneca, com o olhar cheio de culpa. — Se eu tivesse me controlado, a gente tava todo mundo em família com a Pali, curtindo uma tarde gostosa de… — Os dedos da filha pousaram no sublimado da caneca e bateram nela, interrompendo as fantasias de Família Ingalls que, pra um cara como ele, de barba bem feita, todo tatuado, bem arrumado e com vibe de sugar daddy, não combinavam nada.
— Então você vai amar meu segundo presente. Não me faz ficar brava e abre logo de uma vez.
— Com segundo presente, pensei que você tava falando dos beijinhos! — Falou, descobrindo que debaixo do papel filme tinha um bilhete.
Apressado, tirou o papel filme e puxou o bilhete da caneca. Era um cartãozinho de papel cartão dobrado no meio que, ao abrir, revelou o verdadeiro presente.Vale por um desejo⭐Eram as chaves da caixa de Pandora, o botão que desencadeava o bombardeio nuclear, o pentagrama que convidava o próprio diabo. Aquelas simples palavras eram um convite ao desastre, já que estava sozinha com ele, naquele ambiente que exalava sensualidade, sabendo que era um objeto de desejo proibido e nada impediria seu pai de tirar a máscara de uma vez por todas para revelar sua verdadeira natureza.
— Vale por um desejo? Tipo a lâmpada do Aladim? — Perguntou, dando uma olhada no bilhete pra ver se tinha lido errado e se havia uma segunda interpretação que tinha escapado, como se tentasse lembrar se entre eles uma frase assim tinha outro significado e sua mente obscena estava fazendo ele pensar mal.
— Não tem muito mistério, papai. A caneca, apesar de ser bonita, não é suficiente pra um paizão como você, e como não sabia o que te dar… pensei que você ia gostar de pedir um desejo que eu pudesse realizar, o que você quiser, o que mais desejar.
Carla, mesmo com um pouco de nervoso, conseguiu dizer tudo o que queria sem que a voz falhasse ou um pingo de dúvida no semblante. Algumas verdades era melhor deixar enterradas, e ela estava fazendo uma aposta perigosa.
— Não entendi. — Mas na verdade, quis dizer.não sei se tô entendendoPara Carla, aquilo era a isca perfeita pra trazer a verdade à tona: se o pai dela era só um velho tarado e mão boba, igual aqueles que passam a mão na sua bunda no meio do baile e, quando você vira desafiando, fingem que não foi nada, ou se era mais, muito mais do que deixava no ar. Carla precisava saber se ele era capaz de ter um caso com a própria filha.
— Tem que ser algo que você possa me dar, não vale pedir uma Ferrari ou viajar no tempo, achei que o bilhete tava claro. — Ela se impacientou, fingindo um chilique, cruzando os braços e só conseguindo fazer os peitos e os músculos dos braços ficarem mais salientes.
— Algo que eu possa te dar, Carla, me vêm umas ideias na cabeça… você disse que sentia falta de como as coisas eram antes, capaz que o papai possa te pegar no colo e… te dar os carinhos que a minha bebê tanto gosta.
Carla sorriu satisfeita, muito satisfeita com o olhar do pai, o tom do pedido, a linguagem corporal dele. Tanto que dobrou a aposta e, pegando o bilhete do desejo, amassou ele e jogou no fogo, como se queimasse a prova de um crime.
Sem dizer uma palavra, a baixinha com mais curvas que um circuito de Fórmula 1, cruzou uma perna torneada por cima do pai pra sentar no colo dele de frente, sem tirar os olhos dos olhos dele, se certificando de ficar montada bem em cima da virilha dele, com todo o peso dela no membro que lhe deu a vida e fazendo sombra com a silhueta. Quase na mesma hora, as mãos do pai envolveram o quadril dela e se firmaram ali, sentindo a pele ceder sob os dedos.
— Minha menina cresceu, cresceu por todos os lados. — Disse o pai, meio afundado no sofá, deixando vir à tona a faceta que Carla exatamente queria dele. — É mais gostoso te pegar no colo agora do que era antes.
Carla foi descendo e deu um terceiro beijinho nos lábios do pai, depois um quarto, e vendo que ele não se inibia e já começava a acariciar os quadris dela, as pernas, a cintura, ela passou pra segunda marcha e a pestinha do pai começou a beijar a boca dele. Fácil dessa vez, sem desgrudar os lábios, tentando transformar a bitoca num beijo de amantes de verdade.
Norberto respondeu na hora e, colocando uma das mãos enormes na bochecha fina da filha, devolveu o beijo cada vez mais molhado, mais barulhento. Por uns segundos deliciosos, só se ouvia o crepitar da lareira e os estalos das bocas molhadas naquele beijo proibido, intenso, que gritava tanta coisa sem dizer uma palavra.
Sem perceber, mesmo tendo dado incontáveis beijos na vida, aquele tinha sido tão especial que fez ele fechar os olhos instintivamente, e ele percebeu que não lembrava qual tinha sido o último que causou esse efeito. Tinha muito sentimento naquele beijo, não era um qualquer, muitas coisas tinham sido confirmadas.
— Sem dúvida, esse é o melhor Dia dos Pais que já tive na minha vida, não sei se mereço tanto. — Confessou, olhando para os lábios que tinha beijado com tanta paixão. — Sou muito sortudo por ter uma filhinha tão linda, tão carinhosa, não pensei que sentia tanto a minha falta.
— Você merece isso e muito mais, papai. — Descendo para dar outro beijo e, além disso, buscando um pouco de contato.língua na línguacom o seu papai, conseguindo na hora. Um homem da experiência dele lia como um livro até o menor dos sinais corporais e não enrolava, aceitando que a filha dele era uma pervertida de carteirinha igual a ele, deu o beijo de língua que ela tanto queria, deixando a boca ser invadida primeiro, e depois tomando a dela com a sua.OohDeus, vou morrer aqui mesmo. – Sussurrou o homem, passando a língua nos lábios, se lambendo diante do olhar atento de Carlita. Posso perguntar a que se deve tanto amor, tanta devoção pelo seu pai?
Carla não precisou pensar muito.
- Lembra, pai… você sabe tudo que eu passei, lembra do que rolava na escola, o bullying que sofri, só quando chegava em casa e você me enchia de beijos, me apertava e não largava de mim que eu me sentia bonita e amada. Essas sensações não se esquecem, depois comecei a treinar, me desenvolvi, tudo mudou e algumas coisas ficaram pra trás, mas por outro lado fui te perdendo por culpa das vadias das minhas irmãs… não queria deixar de ter você perto de mim.
- Você devia ter me dito que precisava dessas coisas. – Disse o pai, pegando a mão dela e beijando as costas como um verdadeiro cavalheiro, mas sem deixar de dar um olhar cheio de tesão.
- Não é tão fácil, tive que encarar a Jimena, pedir pra ela me trazer aqui, criar coragem pra te dar meu presentinho… – Admitiu, meio corada e satisfeita com como tudo tinha saído, surpresa com a própria ousadia, orgulhosa de ter descoberto que, de fato, o pai sentia o mesmo que ela sentia por ele.
- Tô muito feliz com o desejo, obrigado, meu amor. – Disse o pai, dessa vez colocando as duas mãos na cintura da filha, deixando claro que não queria que o desejo acabasse nunca.
Se dava pra dizer que ela tinha colocado a segunda marcha se arriscando com o presente original, Carlita decidiu meter a terceira.
- Sou tão boa que não vou contar isso como seu desejo e vou te dar de graça, assim você cria coragem e me pede algo mais gostoso, algo que seja um presente especial de verdade.
Como pra provocar mais, ela se ajeitou, esfregando o corpo nele, se deixando cair um pouco mais, abrindo mais as pernas e mordendo o lábio enquanto esperava uma resposta. Norberto a observou, cheio de desejo. Aproximando-se do ouvido dele, sussurrou seu desejo final.
Carla sorriu, deixou escapar uma risadinha nervosa e, bem corada, olhou nos olhos dele com um sorriso e concordou freneticamente com o pedido. Tomando o tempo necessário (sem dizer uma palavra, com medo de quebrar o momento ou deixá-lo estranho), a baixinha desceu do pai dele devagar, pra ele admirar cada movimento do corpo dela, e sob o olhar atento dele, se posicionou entre as pernas abertas dele e se ajoelhou ali, pronta pra realizar o desejo dele.
Continua…
4 comentários - O desejo do papai