O ano letivo seguia na maior normalidade, lembro como quase todos os guris das outras turmas viam as três passarem pelos corredores e ficavam boquiabertos, como se fossem três deusas gregas perambulando pela escola. Era segunda-feira, verdade que por mais que eu gostasse de ir pra escola porque curtia passar o tempo com meus amigos, segunda é um dia totalmente detestável pra toda a raça humana, acho que não conheço ninguém que curta segunda, principalmente, não gostava de ir segunda por causa dos professores chatos que a gente tinha nas matérias tediosas que caíam naquele dia, verdade que não podia me considerar um aluno totalmente ruim, mas dava pra dizer que era bem vagabundo, sempre ficava com pelo menos duas matérias por ano, tendo na maior parte do ciclo notas baixas em quase todas e recuperando no final, acho que preferia passar mais tempo com meus colegas enchendo o saco do que fazendo lição, pensamento típico da idade. Cheguei na escola, desanimado como sempre, sentei num banco de uma banca que dividia a calçada com a escola e acendi um cigarro enquanto via os pivetes do fundamental entrando, nisso chegou o Brian, um dos meus amigos, sentou do meu lado e a gente começou a falar um monte de besteira que hoje nem lembro mais, de repente, uma silhueta fez sombra na gente, tampando o sol que tava batendo forte - Oi, gurizada! - a gente levantou a cabeça e viu a Juliana, linda, como sempre, com uma calça jeans bem apertada no corpo, que não era do estilo dela usar, e uma camiseta oversized que caía perfeitamente nela. Nenhum dos dois conseguiu falar nada quando a Juli se jogou em cima da gente e deu um abraço e um beijo na bochecha de cada um. Como eu falei antes, a Juliana era super sem vergonha, e com a maioria dos caras tinha uma relação muito boa, era mais um do grupo. A gente ficou batendo papo com ela uns minutos até que ela foi comprar um Um par de coisas no kiosque, ela sorriu pra gente e saiu pulando que nem sempre fazia. — Que buceta gostosa que essa puta tem — sorriu o Brian enquanto olhava ela se afastar. Eu só ri e concordei com a cabeça. — Lindo, se sua namoradinha descobre o que você tá falando — respondi entre risadas. O Brian tava namorando outra colega nossa, a Aylen, uma mina que não era tão bonita de rosto, mas também não dava pra dizer que era feia. Ela era baixinha, não devia passar de 1,55 de altura e usava óculos, mas o maior atrativo dela eram os peitos. Não sei se era porque o corpo dela era pequeno e isso fazia eles se destacarem ainda mais, mas pareciam duas bolas de handball bem firmes, com um movimento quase perfeito. O Brian não gostava muito dela, claramente. Como já tavam juntos há um tempinho, ele tinha um carinho meio familiar por ela, mas não tava tão apaixonado quanto ela tava por ele. Ele só ficava contando pra gente como ela chupava a pica dele igual uma louca quando ficavam a sós, mas sempre terminava com a mesma frase: "Mas não sei quanto tempo vai durar, porque ela diz que não quer dar até fazer 20 anos". Entramos no colégio, depois da formatura todo mundo foi pra sala. Normalmente, o Brian sentava com o Gonzalo, o Agustim sentava com a Ana Laura, uma mina que costumava andar com a gente, e eu sentava lá no fundão com o Luciano, meu melhor amigo. Mas naquele dia, naquela segunda-feira, não foi assim. Mesmo entrando no mesmo ritmo que todo mundo, assim que cruzei a porta da sala, vi que meu lugar tinha sido ocupado por duas colegas minhas com quem, no ano todo, devia ter trocado umas duas palavras no máximo. E também reparei numa situação incomum: o Luciano tinha faltado. Sentei num dos bancos da fileira do meio, sozinho. Odiava sentar sozinho, era garantia de tédio. Embora soubesse que, sentando sozinho, ia poder encher o saco dos meus amigos que estavam espalhados pelo resto da sala. da sala, não era a mesma coisa, sentar sozinho já era garantia de que o dia tava totalmente perdido. Arrumei minha mochila na mesa e comecei a mexer no Instagram, tentando descobrir por que o Luciano tinha resolvido me deixar na mão, já que não era do tipo que faltava. — Com licença, posso sentar com você? — perguntou uma voz doce, nem precisei levantar a cabeça pra saber que era o inconfundível tom da Celeste. Quando levantei o olhar, entendi a situação: a Jasmim e a Juliana estavam sentadas no banco da frente do meu, então era óbvio que, por descarte, a Celeste ia querer ocupar a área. — Claro, lógico — sorri e tirei minha mochila do banco ao lado, empurrando ela um pouco pra trás pra dar liberdade pra ela sentar confortável. Ela me olhou com aqueles olhos de boneca que tinha e me sorriu, sentando do meu lado. A real é que, embora a Juliana fosse minha amiga e com a Jasmim a gente se desse bem, com a Celeste nunca tivemos muito mais contato que um oi e um tchau. A Cele exalava umas vibes que, tanto pra mim quanto pro resto dos caras, fazia a gente pensar que ela era algo totalmente inalcançável. Ela tirou da mochila a pasta preta, o estojo todo genérico e yummy da mesma cor, penteou o cabelão loiro e comprido pra trás e começou a falar com as amigas. Eu me limitei a continuar olhando pro celular pra não atrapalhar a conversa delas. — Que caladão você tá hoje... — levantei a cabeça e a Juliana tava me olhando, sorrindo, como se esperasse uma resposta minha. — Desculpa, eu sei que a gente não é os caras, mas podemos ser umas companheiras divertidas também! — completou sorrindo. A Jasmim e a Celeste soltaram uma risada e ficaram me encarando, sorrindo. — Perdão, perdão... — me desculpei na brincadeira enquanto destravava o celular e levantava o olhar. — É que não quis atrapalhar o papo de vocês, pareciam bem empolgadas — sorri. As três riram. — Bom, mas não precisa ter medo da gente, hoje você é mais uma das nossas. — Jasmim sorriu.
— Somos boazinhas, não mordemos... — completou Juliana. Nós quatro rimos e ficamos um tempinho conversando. A professora entrou e a aula começou. Olhei ao redor e a única coisa que consegui ver foram Brian e Agustín me olhando e rindo, como se dissessem 'olha a sorte que você tem'. A aula foi rolando, a verdade é que era bem chata e eu não costumava prestar atenção naquela matéria específica. Jasmim e Juliana tinham se virado completamente pra se concentrar nas tarefas, enquanto eu afundava de novo a cabeça na tela do celular. Não quis nem olhar pra ver o que Celeste estava fazendo, porque quase por dedução eu imaginava que ela era super aplicada e devia estar com os olhos totalmente fixos no caderno. Tava vendo posts sem sentido no Instagram quando, sem olhar, sinto um movimento de alongamento no banco do lado, seguido de um suspiro.
— Que nome você daria pra um avião se tivesse um? — olhei pro meu lado direito. Celeste tava me encarando, com uma expressão de dúvida, enquanto na mesa tinha um avião de papel bem bonito, pintado quase todo em tons de amarelo e uns detalhes no azul básico da caneta.
— Atlas — respondi olhando pra aeronave pequena. Celeste sorriu.
— Gostei — respondeu, e tirou do estojo uma canetinha preta pra escrever 'Atlas' num canto do avião.
— E aonde a gente vai com isso? — falei sorrindo e apontando com a cabeça pro aviãozinho. Celeste riu um pouco e pegou ele com os dedos suaves e delicados.
— Sei lá, eu sempre quis conhecer a Europa — disse enquanto olhava o aviãozinho com detalhe. Sorri e me acomodei no banco, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— E você acha que chega? Celeste me olhou nos olhos e soltou outra risada.
— Cê me viu? Com o peso que eu tenho, eu subo em cima disso e ele voa do mesmo jeito! — a gente se olhou e riu. Não consegui tirar os olhos do sorriso dela. Até hoje, sinto que Celeste era dona de uma das caras mais lindas. O que eu vi na minha vida, os traços dela eram tão elegantes e tão delicados que pareciam ter sido desenhados com cuidado. A aula passou, no recreio fui com meus amigos, que entre brincadeiras começaram a dizer que eu era um escolhido de deus, por ter sido incluído naquele tridente que parecia impossível. De longe, não conseguia parar de olhar para as três: Juliana, com aquela calça que fazia uma raba de espetáculo, aquela mina exalava sensualidade para onde quer que se mexesse; enquanto Jazmin tinha vestido uma calça jeans preta e uma regata justa da mesma cor, como se soubesse que tinha uma costela de infarto e de propósito exibia com orgulho, era um deleite ver como a cada movimento os peitos dela balançavam pra cima e pra baixo. Mas meus olhos não conseguiam se desgrudar de Celeste, ela tinha vestido uma regata pupera de animal print e uma calça jeans bem comum, do lado das amigas não se destacava muito fisicamente, mas mesmo assim, estava linda. Voltamos pra sala e eu sentei no banco, entraram todos e cada um sentou no seu lugar, enquanto as três falavam das coisas delas eu apoiei a cabeça nas mãos porque tava doendo um pouco, sustentada pelos cotovelos. Passados uns minutos, sinto uns dedos passando de leve pela área do meu bíceps esquerdo — Mano, como você faz pra ter uns braços tão gostosos? — me perguntou Juliana enquanto apalpava a área. Eu era um cara magro, mas no clube recomendavam fazer academia pra manter um físico bom, então tava bem definido. Jazmin se juntou aos carinhos suaves no meu braço — Qual é? Eu se tivesse esses braços ia ficar o dia todo jogando queda de braço contra qualquer um — disse Jaz e me sorriu, enquanto Celeste só se limitou a sorrir e me olhar. Era uma imagem digna de um sonho, naquele dia, enquanto olhava pras três gostosas que tinha na minha frente me elogiando sem tirar os olhos de mim, eu soube qual ia ser meu objetivo; No mínimo, uma das três eu ia comer.
— Somos boazinhas, não mordemos... — completou Juliana. Nós quatro rimos e ficamos um tempinho conversando. A professora entrou e a aula começou. Olhei ao redor e a única coisa que consegui ver foram Brian e Agustín me olhando e rindo, como se dissessem 'olha a sorte que você tem'. A aula foi rolando, a verdade é que era bem chata e eu não costumava prestar atenção naquela matéria específica. Jasmim e Juliana tinham se virado completamente pra se concentrar nas tarefas, enquanto eu afundava de novo a cabeça na tela do celular. Não quis nem olhar pra ver o que Celeste estava fazendo, porque quase por dedução eu imaginava que ela era super aplicada e devia estar com os olhos totalmente fixos no caderno. Tava vendo posts sem sentido no Instagram quando, sem olhar, sinto um movimento de alongamento no banco do lado, seguido de um suspiro.
— Que nome você daria pra um avião se tivesse um? — olhei pro meu lado direito. Celeste tava me encarando, com uma expressão de dúvida, enquanto na mesa tinha um avião de papel bem bonito, pintado quase todo em tons de amarelo e uns detalhes no azul básico da caneta.
— Atlas — respondi olhando pra aeronave pequena. Celeste sorriu.
— Gostei — respondeu, e tirou do estojo uma canetinha preta pra escrever 'Atlas' num canto do avião.
— E aonde a gente vai com isso? — falei sorrindo e apontando com a cabeça pro aviãozinho. Celeste riu um pouco e pegou ele com os dedos suaves e delicados.
— Sei lá, eu sempre quis conhecer a Europa — disse enquanto olhava o aviãozinho com detalhe. Sorri e me acomodei no banco, colocando as mãos nos bolsos da calça.
— E você acha que chega? Celeste me olhou nos olhos e soltou outra risada.
— Cê me viu? Com o peso que eu tenho, eu subo em cima disso e ele voa do mesmo jeito! — a gente se olhou e riu. Não consegui tirar os olhos do sorriso dela. Até hoje, sinto que Celeste era dona de uma das caras mais lindas. O que eu vi na minha vida, os traços dela eram tão elegantes e tão delicados que pareciam ter sido desenhados com cuidado. A aula passou, no recreio fui com meus amigos, que entre brincadeiras começaram a dizer que eu era um escolhido de deus, por ter sido incluído naquele tridente que parecia impossível. De longe, não conseguia parar de olhar para as três: Juliana, com aquela calça que fazia uma raba de espetáculo, aquela mina exalava sensualidade para onde quer que se mexesse; enquanto Jazmin tinha vestido uma calça jeans preta e uma regata justa da mesma cor, como se soubesse que tinha uma costela de infarto e de propósito exibia com orgulho, era um deleite ver como a cada movimento os peitos dela balançavam pra cima e pra baixo. Mas meus olhos não conseguiam se desgrudar de Celeste, ela tinha vestido uma regata pupera de animal print e uma calça jeans bem comum, do lado das amigas não se destacava muito fisicamente, mas mesmo assim, estava linda. Voltamos pra sala e eu sentei no banco, entraram todos e cada um sentou no seu lugar, enquanto as três falavam das coisas delas eu apoiei a cabeça nas mãos porque tava doendo um pouco, sustentada pelos cotovelos. Passados uns minutos, sinto uns dedos passando de leve pela área do meu bíceps esquerdo — Mano, como você faz pra ter uns braços tão gostosos? — me perguntou Juliana enquanto apalpava a área. Eu era um cara magro, mas no clube recomendavam fazer academia pra manter um físico bom, então tava bem definido. Jazmin se juntou aos carinhos suaves no meu braço — Qual é? Eu se tivesse esses braços ia ficar o dia todo jogando queda de braço contra qualquer um — disse Jaz e me sorriu, enquanto Celeste só se limitou a sorrir e me olhar. Era uma imagem digna de um sonho, naquele dia, enquanto olhava pras três gostosas que tinha na minha frente me elogiando sem tirar os olhos de mim, eu soube qual ia ser meu objetivo; No mínimo, uma das três eu ia comer.
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