
O TÔNICO DA FAMÍLIA.
CAPÍTULO NOVE
PRIMEIRA PARTE.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.Na manhã de sexta, subi no Land-Rover assobiando uma melodia alegre, nervoso pelo meu primeiro dia de trabalho, mas feliz com o rumo que meu exílio rural estava tomando. Minha avó se despediu de mim na varanda, com um beijo discreto na bochecha, depois de me passar revista como a mais adorável das sargentas, pra garantir que eu tava bem vestido, limpo e penteado. Antes de preparar um café da manhã reforçado, ela resistiu a aproveitar minha ereção matinal vistosa, preocupada que eu pudesse me atrasar. Me contentei em sussurrar no ouvido dela tudo que pretendia fazer quando voltasse, o que a fez corar e me xingar entre risadas e suspiros de antecipação lasciva.
Me joguei nas estradas sinuosas da região enquanto o sol aparecia atrás das montanhas, prometendo mais um dia de calor infernal. Levei uns vidrinhos de tônico no bolso, só por precaução, e deixei o haxixe em casa pra não cair na tentação de ficar chapado e estragar o primeiro dia do que podia ser um trampo fixo. A fazenda do prefeito ficava a meia hora da cidade, e cheguei vinte minutos antes do horário combinado. Pensei em como minha mãe ia ficar orgulhosa da minha pontualidade inesperada, e isso me levou a uma fantasia onde ela me recompensava usando partes do corpo dela que um filho não costuma aproveitar. Não queria aparecer na frente da minha nova chefe distraído e de pau duro, então sacudi a cabeça e tentei me concentrar.
Sempre ouvi o povo da cidade falar que a família da prefeita era uma das mais endinheiradas da província, mas não esperava o que encontrei quando passei pelo portão brancão da entrada, depois de me identificar pra um segurança fortão que me encarou com indiferença lá da guarita dele. A residência era uma mansão daquelas, do tipo que eu só tinha visto em filme ou revista, com um pórtico ladeado por colunas, balaustradas de pedra nas sacadas e janelões altos com vitrais. Tava rodeada por um puta jardim, cuidado nos mínimos detalhes, com fontes e esculturas pra todo lado, e até um "pequeno" pavilhão pra shows coberto por uma cúpula de vidro impressionante. Depois fiquei sabendo que na propriedade ainda tinha uma piscina olímpica, duas quadras de tênis e um lago artificial. Aí entendi por que o Dom Ramão não queria largar a mulher, mesmo odiando ela pra caralho. O filho da puta tinha dado o golpe do baú do século.
Parei o carro na frente da entrada principal e caminhei até o pórtico, ereto e com passo firme. Não ia deixar que tanta ostentação me intimidasse, nem queria parecer um caipira que nunca saiu do bairro ou do povoado dos avós. A porta se abriu antes que eu tivesse tempo de tocar a campainha. Apareceu na soleira uma mulher de uns sessenta anos, um pouco mais alta que eu e vestida com um simples uniforme de empregada preto, sem mais enfeites que um antiquado colarinho de renda branca. Tinha o corpo de uma galinha de desenho animado, peituda, bunduda e gordinha. Ela prendia o cabelo grisalho num coque apertado e no rosto bochechudo não havia um pingo de simpatia quando me olhou de cima a baixo.
— Você deve ser o novo motorista — disse. Tinha uma voz grave e profunda, quase masculina, com aquele tom autoritário de quem tá acostumado a dar ordens. — Vem por aqui.
Ela nem se deu ao trabalho de se apresentar, mas eu deduzi que devia ser a governanta, a caseira ou algo do tipo. Fui seguindo aquele rabão balançando dela pelo hall de entrada deslumbrante, todo enfeitado com umas obras de arte daquelas que se compra em leilão, até chegar numa porta discreta quase escondida atrás de uma coluna. Passamos por uns corredores menos chiques que o resto da mansão, então deduzi de novo que estávamos na ala dos empregados. Entramos num quarto cheio de armários, cabides e uns dois manequins de alfaiate. Tinha várias máquinas de costura, rolos de tecido e uns trecos de costura.
O que mais chamou minha atenção, por razões óbvias, foi uma garota sentada numa das mesas. Quando entrei, ela levantou os olhos do botão que estava costurando na gola de uma camisa e me deu um sorriso tímido de cumprimento. Tinha a minha idade, talvez um ano a menos, cabelo preto preso num rabo de cavalo curto e pele pálida. Vestia um uniforme preto, com avental e touca brancos. Não era aquela típica roupa de empregada francesa gostosa dos filmes pornô, mas ficava muito bem nela. A saia deixava à mostra umas panturrilhas bonitas e, por baixo do tecido escuro, dava pra adivinhar um corpo não muito exuberante, mas bem torneado. Me perguntei se aquela beleza lânguida seria uma das criadas que o prefeito tarado tinha comido, e dei um pulo quando uns dedos estalaram bem na frente do meu nariz.
—Ei! Acorda, que a gente não tem o dia inteiro —rosnou a governanta, com cara de poucos amigos.
Tinha um caderno e um lápis nas mãos, e anotou com traços firmes meu tamanho de calça e camisa. Também mediu meu crânio com uma fita métrica, do que deduzi que teria que usar boné.
—Hoje você vai trabalhar do jeito que veio, fazer o quê, mas amanhã cedo vem pegar o uniforme, combinado? —disse ele, me olhando de novo dos pés à cabeça com um sorriso sarcástico —. Isso se a gente achar um tão pequeno assim.
Eu tinha prometido pra mim mesmo que ia me comportar, mas não dava pra deixar aquela gorda tirar uma com a minha cara, ainda mais na frente daquela empregada gostosa que fingia estar concentrada no serviço, mas não perdia um detalhe do que a gente tava fazendo.
—Se a senhora encontrou um que coubesse esses melões que tem, com certeza vai achar algo do meu tamanho — falei, olhando sem disfarce o peitão da mulher.
A mocinha levou a mão à boca pra disfarçar um sorriso, deixando claro que a chefe dela também não era flor que se cheirasse. A tal da chefe me perfurou com o olhar, de lábios apertados e bufando pelo nariz.
—Então vai de engraçadinho, é? Pois me parece que não vai usar muito o uniforme. A patroa não gosta de engraçadinhos — disse, ameaçadora, com as mãos na cintura e empinando o peito, o que a deixava ainda mais com cara de galinha.
—Bom, se me mandarem embora, vou meter isso no carnaval.
A donzela conteve uma risada com um bufão que não passou despercebido pela chefa, que se virou na velocidade da luz pra ela e fez a moça se encolher com a voz potente de sapatão.
—E você, do que tá rindo? Vai trabalhar! — Ela se virou de novo pra mim e apontou pra porta com o queixo gordinho —. Mete essa lata velha que você veio na garagem antes que alguém veja, pede as chaves pro Matías e espera a patroa na entrada.
—Quem é o Matías? — perguntei.
—Você vai encontrar ele na garagem. Vamos, não fica aí parada como se eu tivesse falando grego. Acorda.
Saí do quarto, não sem antes trocar um olhar de despedida com a mocinha, que me sorriu com um olho na patroa déspota dela. Lá fora, levei o Land-Rover até uma garagem enorme, do tamanho de um galpão industrial, com espaço para pelo menos vinte carros. E essa era só a garagem da criadagem. Os carros de luxo dos patrões ficavam num anexo do mesmo tamanho, mas mais limpo e melhor iluminado. Fiquei de boca aberta ao ver a coleção do prefeito e da mulher dele. Um par de esportivos novinhos, vários carros antigos em perfeito estado, incluindo um lindo Rolls-Royce conversível dos anos trinta, e também algumas motos.
Encontrei o tal Matías esfregando com um pano a lataria de um imponente Mercedes branco. Era um quarentão bigodudo e meio careca, vestido com um macacão de mecânico. Me aproximei e o olhar dele não foi muito diferente do da governanta, embora no de Matías houvesse mais curiosidade do que antipatia.
—Caralho, puta que pariu, que carrão do caralho —exclamei, francamente admirado pela mistura de robustez e elegância do veículo de luxo.
—Você vai dar conta dele, moleque? — perguntou o cara, enquanto tirava as chaves do bolso e as entregava pra mim.
—Se tiver volante, eu consigo dirigir.
—Muito engraçado. Pra senhora...
—Não gosta de engraçadinhos. Já me avisaram.
Matías grunhiu e franziu a testa, mas me pareceu ver um começo de sorriso por baixo do bigode grosso. Quando ele superasse a desconfiança inicial que, sem dúvida, minha juventude e aparência de cigano causavam nele, tinha certeza de que ia se dar bem com o mecânico.
—Me escuta bem. Não acelera muito, a senhora não gosta de velocidade, mas também não vai andando feito lesma, porque ela não gosta de chegar atrasada nos lugares. Deixa sempre limpo e brilhando. Não mexe no rádio a menos que ela mande, e nem pense em fumar, comer ou beber dentro do carro. Entendeu?
Assenti aos conselhos do Matías e entrei no carro. O interior era espaçoso e confortável, perfumado pelo cheiro gostoso do couro dos bancos e um sutil aromatizante floral. Ajeitei o banco do motorista na minha altura, liguei o motor e curti o som bem afinado. Meu pai morreria de inveja quando eu contasse sobre a Mercedes, que do lado do táxi dele parecia uma cafeteira. Dirigi até a entrada da mansão, desci e esperei, admirando os detalhes da fachada. Às nove em ponto, a senhora prefeita apareceu, e não me privei de examinar cada detalhe dela enquanto percorria os metros que nos separavam, caminhando com a elegância natural e a arrogância de quem nasceu pra se destacar entre a plebe.
Vestia umas calças de montaria brancas, bem justas na magreza tonificada das pernas e na firmeza da bunda, típicas de uma mulher madura cuja vida permitiu dedicar muito tempo a cuidar do corpo. Calçava botas pretas de amazona e cobria o torso esbelto com uma camisa de manga curta rosa bem clarinho, por baixo da qual se marcavam dois peitos pequenos e empinados, possivelmente retocados pela mão habilidosa de algum cirurgião. Usava o cabelo loiro preso numa trança que se enrolava num coque intrincado, com duas mechas finas de ponta cacheada caindo de cada lado da testa, um penteado que lhe dava ares de patrícia romana.
—Bom dia, senhora prefeita —cumprimentei, educado e ereto como um soldado.
Os olhos azuis de Dona Paz me examinaram por uns segundos. O rosto alongado dela, de maçãs do rosto marcadas e queixo pontudo, onde se destacava um nariz aquilino bem grande, não era especialmente bonito, mas tinha um inegável charme aristocrático, realçado por uns lábios que me lembravam os das esculturas gregas, com os cantos curvados pra baixo e sempre à beira de um riso de desprezo ou de um sorriso arrogante.
—E o uniforme? —ela perguntou. Tinha uma voz grave e sonora de contralto, que até seria agradável se não fosse pelo tom seco e sem graça que vinha junto.
—Me entregam amanhã, dona prefeita. Não tinha do meu tamanho. — Quase fiz uma piada sobre minha altura, mas lembrei a tempo do conselho da mulher galinha e do mecânico bigodudo.
—Deixa essa história de prefeita pra lá. Só senhora já basta —ordenou, ignorando minha explicação.
Concordei com as palavras dela, inclinando um pouco pra frente, engolindo o quanto odiava me mostrar tão servil pra aquela patricinha. Não que eu fosse um militante de esquerda, nunca me interessei por política, mas vinha de um bairro operário e tinha, instintivamente, uma certa consciência de classe. Seja como for, tinha motivos de sobra pra me esforçar e causar uma boa impressão. Não queria decepcionar minhas duas gatas favoritas, que estavam tão empolgadas com meu novo trampo, nem deixar meu velho puto da vida com outra demissão. Além disso, um emprego estável na cidade me permitiria ficar por lá de vez, aproveitando os prazeres da vida rural e outros prazeres que vocês já conhecem. O que o prefeito pensava, eu tava pouco me lixando, mas se ia viver no feudo dele, era bom manter uma boa relação.
Abri o porta-malas e coloquei dentro a longa bolsa de esportes que a prefeita me entregou, na ponta da qual aparecia o que me pareceu ser o cabo de uma espada. Sem dúvida, a esgrima era um esporte que combinava perfeitamente com o corpo dela, gracioso e fibroso. Abri a porta para que ela acomodasse aquela bunda rica e apertada no banco de trás e me sentei ao volante.
—Pra onde a gente vai, dona? — perguntei.
—No clube de campo —ela disse, como se fosse algo que eu deveria saber.
Um silêncio constrangedor tomou conta do confortável interior do Mercedes. Constrangedor pra mim. Sabia que por aquela região tinha um daqueles clubes de ricos com campo de golfe, cavalos e toda essa porra, mas não fazia ideia de onde ficava. Minha chefa suspirou, soltando o ar pelo nariz nobre dela, e baixou as pálpebras num gesto de resignação.
—Você não sabe onde ela está, né? —disse por fim.
—A verdade é que não. Me desculpa.
—Arranca, vamos. Eu vou te indicando.
Obedeci e saímos da fazenda. Não tinha começado com o pé direito, com certeza, mas pelo menos a prefeita não dava sinais de estar irritada. Nos vinte minutos seguintes, ela me indicou o caminho a seguir, num tom condescendente, mas não muito desagradável. Isso me animou a tentar puxar conversa nos silêncios entre uma instrução e outra, tomando cuidado para não bancar o engraçadinho nem me intrometer demais.
—Esse carro é uma maravilha. Sempre curti os Mercedes, mas nunca tinha visto um igual a esse —comentei.
Minhas palavras não só não a incomodaram, como um sorriso de orgulho apareceu nos lábios dela.
—É um modelo exclusivo —afirmou—. Eu mesma participei do design dele.
—Sério?
—Sério. —Ele fez uma pausa e seus olhos de aço azul me encararam no espelho retrovisor—. Fico feliz que você goste do Klaus. Espero que cuide bem dele.
—Klaus?
—É assim que ela se chama.
Achei curioso uma mulher daquela dar nome pro carro dela, mas claro que não comentei nada sobre isso. Continuei dirigindo o Klaus e pensei em outro assunto.
—Vi que cê tá com uma espada na bolsa. Vai pras aulas de esgrima?
— Não é uma espada, é um florete. E não vou pra aula, vou treinar. Pratico esgrima desde os doze anos — me corrigiu, sem perder o sorriso metido.
—Puxa... Ela deve ser muito gostosa.
—Um dia desses pede pro serviço te levar pra sala de troféus. Vai te tomar um tempão pra ver todos.
Tava na cara que Dona Paz não era a pessoa mais humilde do mundo, mas não dava pra negar que era uma mulher interessante. Seguindo as ordens dela, a gente entrou numa estrada estreita ladeada por pinheiros grossos, sombria e deserta. Foi aí que tomei o primeiro susto da manhã. Ela mandou eu parar num ponto da pista onde não vi nada de especial, só o asfalto debaixo do carro e uns pinheiros altos dos dois lados.
—Continua por ali —disse ela, apontando para a mata.
—É... Por ali não tem estrada, dona. Nem sequer um caminho.
Ela me perfurou com um olhar de impaciência. Estava com os braços cruzados e os dedos longos de uma das mãos tamborilavam no ombro. Era a primeira vez que a via fazer esse gesto, e algo me disse que não era um gesto para se levar na brincadeira. Sem questionar mais nada, dirigi com cuidado entre as árvores, até que ela mandou eu parar debaixo da copa densa de um pinheiro enorme. Meu primeiro pensamento foi o mais óbvio: a senhora prefeita queria que o novo motorista enfiasse o pau nela em um lugar discreto e afastado, e o tal pau não demorou a começar a endurecer entre minhas pernas. Se Dona Paz queria guerra, eu estava mais do que pronto para dar.
—Isso aqui é o clube de campo? Tô vendo muito campo, mas cadê o clube? —brinquei.
—Não se faz de engraçadinho —disse ela, confirmando o que tinham me avisado—. Vira pra cá. Vamos bater um papo, eu e você.
Me virei pra trás, enfiando a cabeça e parte do torso no espaço largo entre os dois bancos da frente. Ela tava bem no meio do banco de trás, largo e confortável que nem um sofá de luxo, com as pernas cruzadas, as costas retas e as mãos apoiadas perto do joelho. Tinha no rosto uma expressão safada, com os olhos meio apertados e um sorriso cruel de madrasta de conto de fadas. Mais do que uma coroa safada pronta pra seduzir um novinho, parecia uma governanta prestes a me dar uma prova.
—Me diga, senhora. Sobre o que a senhora quer falar?
—Daquele tônico milagroso que você vende pro meu marido.
Isso sim que eu não esperava. Fiquei mudo por uns segundos e me mexi desconfortável no banco.
—Hã? Não sei do que a senhora tá falando.
—Não perca tempo tentando me enganar, querido —ela disse. Olhou nos meus olhos e na hora eu soube que enganá-la estava além das minhas capacidades—. Eu ouvi você conversando com seu amigo nojento, o criador de porcos. E ultimamente ele tá mais tarado que o normal. Até as empregadas menos gostosas da casa evitam cruzar com ele nos corredores. Me diz, o que tem nesse tônico? Conheço muitos afrodisíacos e nunca ouvi falar de um tão eficaz.
—Não... Não sei o que tem. É uma fórmula secreta — respondi, hesitante.
—Funciona também com mulheres ou só com homens? — perguntou, sem me dar um minuto de sossego.
—Bom... Pelo que ouvi, também faz efeito nas mulheres.
Podia ter dado muitos detalhes sobre como a poção era eficaz no organismo feminino, mas obviamente não ia falar das minhas relações familiares. Os dedos dele voltaram a tamborilar, dessa vez no joelho, e ele ergueu o queixo num gesto entre desafiador e vaidoso.
—Quero experimentar.
— Quer experimentar?
—Quero experimentar —repetiu, e não era um pedido, mas uma ordem—. Aposto que você tem algo aí, caso meu marido precise, tô errada?
—Não... A senhora não está enganada —admiti—. Tem certeza de que quer experimentar?
—Não tenho que te dar satisfação, mas provavelmente já sabe que eu e meu marido somos independentes na nossa vida sexual. Não é segredo que continuamos casados só pra manter as aparências. O prefeito tem as amantes e as putas dele, e eu tenho... meus hobbies. E claro, não vou deixar que só ele curta esse estímulo.
Assenti várias vezes com a lengalenga da prefeita, sem saber bem o que dizer. De novo, alguém interessado no tônico falava da vida sexual dela, o que ainda me deixava meio desconfortável. Fiquei intrigado com o mistério com que Dona Paz se referia aos seus "hobbies", e tentei imaginar quais seriam. Minha imaginação limitada nem chegou perto do que aconteceria logo em seguida.
Passada a surpresa inicial, fiquei feliz com a ideia de ter uma nova cliente, ainda mais uma nojentinha de gostosa. Não só meus ganhos iam aumentar, como eu teria uma amante madura também no horário de trabalho, se é que os efeitos do tônico iam fazer ela querer o pedaço de carne que já pulsava ansioso debaixo da minha calça. Tirei um vidrinho do bolso e estendi pra ela, enquanto dizia o preço da mercadoria. Ela soltou uma risada harmoniosa enquanto manuseava o vidro com cuidado, usando seus dedos elegantes de pianista, como se fosse um perfume caro.
—Cê acha mesmo que vou te pagar? —falou, com uma risada debochada—. Mesmo se quisesse, nunca ando com grana, querido. Isso é coisa de pobre.
— O marido dela paga — protestei.
—Meu marido é um caipira filho de lavradores que subiram na vida. Tem tanta classe quanto um burro de gravata.
Dito isso, desenroscou a tampa do frasco e observou o conta-gotas, de onde escorria o líquido escuro. Cheirou e torceu o nariz. Me irritou que ela não quisesse me pagar, mas não insisti mais e só fiquei olhando pra ela com um sorriso safado. Se não queria me dar dinheiro, eu ia cobrar de outro jeito. Tava pensando em comer ela com tanta força que ela não ia conseguir montar a cavalo por uma semana.
—Quanto que tem que tomar? —ela perguntou.
—Com o que tem dentro do pipete já vale. Não é bom tomar demais.
—Quanto tempo leva pra fazer efeito?
—Depende da pessoa. Quinze minutos, meia hora... Pode ser mais.
—Bom, não temos pressa.
Ela jogou a cabeça para trás e deixou cair a dose na língua, gota a gota. Engoliu e fez uma careta de nojo, como eu esperava. Depois, encostou as costas no banco, relaxando a postura, com as mãos cruzadas no colo e os olhos fechados. Eu fiquei debruçado entre os bancos, observando ela. Ajeitei a piroca pra marcar bem na perna da minha calça e esperei, imaginando na minha cabeça o que, eu supunha, ia rolar depois. Tava decidido a tirar da cara dela aquele sorriso presunçoso, humilhar ela até onde a situação permitisse, derrubar ela do pedestal e transformar numa puta submissa de um garanhão da classe trabalhadora. E quando ela estivesse dominada, com a bunda vermelha das minhas palmadas, a cara coberta de porra proletária, ela ia se ajoelhar implorando, pedindo mais.
Os minutos passaram devagar no pinheiral silencioso, e em apenas quinze minutos comecei a notar as mudanças. O peito dela subia e descia mais rápido, as narinas do nariz aquilino se alargaram e ela soltou vários suspiros longos e profundos. Ela abriu as pernas e deslizou uma mão por dentro da calça. Sob o tecido, os volumes dos dedos se marcavam perfeitamente, se movendo sobre a buceta, massageando-a com calma. Arqueou um pouco as costas, fazendo com que os peitos se apertassem contra o tecido da camisa, respirou fundo e abriu os olhos. A frieza penetrante do olhar dela não tinha desaparecido, mas estava acompanhada pelo brilho lascivo que eu conhecia tão bem.
—Já tá sentindo? — perguntei.
—Mmmm... Pode crer. É inacreditável —disse ela. Pelo movimento da mão, deduzi que ela estava enfiando os dedos—. Fazia anos que eu não ficava tão molhada.
Pra provar o que tava dizendo, ela tirou a mão da calça e levantou na frente do rosto. Separou o indicador e o anelar, brilhando e ensopados, e os fluidos formaram fios finos e transparentes entre os dedos. Sorrindo satisfeita, lambeu tudo com várias lambidas, chupou com gosto, saboreando o próprio mel, enquanto com a outra mão desabotoava a camisa e a calça. A filha da puta tava me deixando tão excitado que tive que trocar de posição várias vezes, todo desconfortável com a pressão da minha vara dura.
—Já te falei que era eficaz.
—É magnífico. Não só ativa a libido, aumenta o desejo sexual e eleva a temperatura na área genital; também estimula a lubrificação e aumenta a sensibilidade nas zonas erógenas — disse a prefeita, num tom quase científico.
—E aí, cê vai ver quando ela gozar. Os orgasmos são uma porra — garanti, baseado em experiências minhas e alheias.
—Uma consequência lógica de tudo isso, obviamente —disse ele, sem largar a pedantada apesar do tesão crescendo.
Ela tirou a camisa e o sutiã fino branco que usava por baixo, sem dúvida muito mais caro do que aquele que eu tinha dado pra minha avó. Os peitos dela eram um pouco maiores do que eu tinha imaginado, e embora estivessem firmes, não percebi artificialidade de cirurgia. O fato de Dona Paz não ter filhos, junto com a vida saudável e a boa genética, tinha sido suficiente pra mantê-los no lugar, coroados por mamilos pequenos e rosados que endureceram com o contato do ar condicionado. Quando a postura dela fazia com que se apertassem um contra o outro, apareciam no decote aquelas rugas alongadas que nós, amantes de corpos maduros, tanto apreciamos. Elas apareceram quando ela se inclinou pra abaixar o zíper de uma das botas de montaria, esticou a perna e colocou a sola a dois palmos do meu rosto.
—Tira —ordenou.
Tirei a bota dela sem esforço e repeti a operação com a outra. Por baixo, ela usava umas meias brancas até o joelho, bem justas nas panturrilhas longas e atléticas. Meias que foram a única roupa dela quando também tirou a calça de montaria e a calcinha, revelando uma buceta totalmente depilada, assim como o resto da genital. Até aquele momento, eu só tinha visto bocetas raspadas em filme pornô, e ela logo percebeu meu espanto.
—Algum problema, querido?
—É... Não, senhora. É que nunca tinha visto um assim... Todo depilado.
—Você não gosta? —perguntou ela, semicerrando os olhos com malícia.
—Pelo contrário, porra. Adoro —respondi, ciente de que o tesão tava me fazendo perder as boas maneiras.
E não estava mentindo. Era uma buceta apertada onde mal se notavam os estragos da idade, cujo sutil volume se destacava no corpo magro. Os lábios se projetavam, tenros e molhados, e quando os dedos voltaram a tocá-la, pude ver o clitóris espiando por sua carnuda capuz. A prefeita se posicionou bem no centro do banco traseiro, com as pernas bem abertas e a bunda na beirada. O corpo dela tinha aquele bronzeado uniforme de câmaras de UVA, sem marcas de biquíni que quebrassem a uniformidade da pele macia. Ela estava em uma forma física excelente, desde as pernas longas e fibradas, passando pela barriga lisa, os glúteos duros e os ombros bem torneados que emolduravam um pescoço longo e elegante. Era o corpo de uma atleta que os cinquenta e um anos da dona só tinham adicionado leves volumes que, longe de feiá-lo, o tornavam mais sensual. Resumindo, a gostosa estava muito boa e eu morria de vontade de meter o pau nela, mas ela só ficava se tocando devagar e não fazia nenhum gesto que eu pudesse interpretar como um sinal pra pular no banco de trás e meter bronca.
—Eh... Senhora. A senhora quer...? Já sabe... — ousei dizer finalmente. Estava à beira de uma taquicardia e todo suado, apesar da temperatura fresca dentro do carro.
—O que você tá querendo dizer? Fala claro —ela disse. A voz grave era irônica e insinuante, feito um ronronar.
—Quer que... eu te ajude?
—Quer me foder, querido? É isso?
—Não me importaria. Quer dizer... se a senhora quiser...
Ela soltou uma risada cruel, sem parar de se massagear a buceta com a palma da mão, escondendo da minha vista ávida, e me olhou com uma mistura de condescendência e malícia.
—Não precisa, gostosa. O Klaus cuida disso — disse, acariciando com a mão livre o estofado do banco.
—Como assim... Klaus? —gaguejei, confuso.
A resposta pras minhas dúvidas não demorou pra chegar. Dona Paz levantou uma mão e abriu um pequeno painel escondido no teto do carro. Da minha posição, percebi vários botões de diferentes formas e tamanhos e algo parecido com um alto-falante. Os dedos longos digitaram por alguns segundos, e o que aconteceu em seguida me fez pular pra trás, quase me sentando em cima do volante.
Entre os dois bancos da frente, atrás do freio de mão, tinha uma daquelas caixas que muitos carros têm, geralmente usada como porta-luvas, pra guardar o que cada um quiser guardar dentro. A do Mercedes da prefeita era maior do que o normal, algo que eu não tinha notado, e da mesma cor bege do estofamento. O que me fez pular foi que essa caixa começou a vibrar de um jeito estranho e se abriu como a boca de um hipopótamo robótico. Da abertura surgiu aos poucos uma barra de aço, encimada por um objeto cuja finalidade era inquestionável. Era uma pica de metal cromado, com uns vinte e cinco centímetros de comprimento e pelo menos cinco ou seis de diâmetro. A parte da cabeça tinha formas arredondadas, e a haste reta era coberta por um desenho de ranhuras e protuberâncias que davam a ela um visual entre reptiliano e alienígena.
—Caralho... vadiazinha —falei, de olhos arregalados.
Hoje em dia é comum ver em vídeos pornô ou em sex-shops todo tipo de máquina de foder, mas lembro que essa história se passa no verão de 1991. Nunca tinha visto nada parecido e tive a sensação de estar num filme de ficção científica classe B misturado com algum tipo de vídeo sadomasoquista de procedência duvidosa. Foi aí que entendi o que a prefeita tinha dito sobre participar do design do veículo. Não é que ela fosse especialista em engenharia automotiva; ela simplesmente tinha pedido que colocassem o necessário para que seu querido carro pudesse penetrá-la. E com certeza também entendi por que ela tinha dado um nome pra ele e se referia a ele como se fosse uma pessoa.
Passado o susto inicial, me inclinei pra frente, de joelhos no banco da frente, pra ver melhor o que tava rolando atrás. O aríete cromado avançava, sem pressa mas sem parar. Graças à precisão dos fabricantes alemães, o ângulo e a distância estavam calculados no milímetro. Dona Paz não precisou corrigir a postura pra que a grossa cabeça entrasse na fenda, devagarzinho, sumindo lá dentro enquanto ela suspirava e mordia o lábio, com as pernas tensas e o peito ofegante. Quando o capuz metálico se enfiou por completo, a barra de aço parou de empurrar.
—Isso, Klaus... Só mais um pouco... — disse a prefeita. Falava com o carro num tom carinhoso e quase suplicante, como uma amante entregue.
O dispositivo devia ter algum sistema que reconhecia comandos de voz, porque diante do meu olhar atônito, Klaus obedeceu. A barra avançou, enfiando pelo menos quinze centímetros de metal brilhante e maciço no corpo da senhora, que gemeu e começou a beliscar um mamilo enquanto, com a outra mão, se acariciava a virilha, espalhando por ela a abundante lubrificação que sua buceta produzia.
—Me fode, Klaus... Devagar, por favor...
Da caixa, novos zumbidos brotaram, mais potentes e graves, e um leve estalo cada vez que o êmbolo fazia o dildo avançar e recuar, bem devagar, obediente às ordens da sua dona, que se esfregava os peitos sem parar e esticava os bicos, apertando-os com força entre o polegar e o anelar. Eu continuava debruçado sobre o encosto do motorista, de joelhos no banco, curtindo a união inusitada entre ser humano e máquina, tanto que baixei a calça e comecei os movimentos do que seria a punheta mais estranha da minha vida, seguindo de forma inconsciente o ritmo do manípulo mecânico, cada vez mais brilhante por causa da umidade da buceta voraz.
—Assim, assim, meu bem... Mais rápido... Mais rápido, Klaus — gemeu Dona Paz, completamente entregue.
De novo Klaus obedeceu, aumentando a velocidade do mete-saca, e aconteceu algo que me fez dar outro pulo. O carro inteiro começou a vibrar, com um barulho grave e pulsante que ecoava contra os vidros e tremia nos meus tímpanos. Isso fez com que os suspiros e gemidos da prefeita soassem de um jeito quase cômico, como se ela estivesse em cima de uma máquina de lavar no ciclo de centrifugação. Ela parou de se estimular os mamilos e jogou os braços para trás, se segurando no couro do banco. A posição destacava o formato das tetas dela, que tremiam e balançavam. Ela levantou os pés do chão e apoiou com força nos bancos da frente, como se tivesse medo de cair. Logo entendi o motivo da posição dela.
Um solavanco me jogou pra frente com tanta força que quase bati a cara no encosto de cabeça. Logo depois, vi a traseira do carro levantar mais de um metro no ar e cair de novo, quicando entre tremores e todo tipo de barulho mecânico. A porra do carro tinha suspensão hidráulica, igual aqueleslowriderstunados que os manos fazem dançar no ritmo da música. Não tive outra escolha a não ser parar de bater uma e me agarrar no banco pra não sair voando.
—Isso, porra! Mais forte, Klaus! Me fode mais forte! —gritava a senhora, a plenos pulmões para se fazer ouvir sobre o turbilhão de barulhos.
Naquela altura, o pau cromado a perfurava como um martelo pneumático. As sacudidas hidráulicas que agitavam seu corpo esbelto ajudavam a tornar a penetração mais profunda, e a ferramenta enorme chegou a desaparecer completamente dentro da buceta dela em mais de uma ocasião. Eu continuava abraçado ao banco, com meu pau cem por cento biológico apertado contra o couro do encosto. A vibração e os solavancos estavam me estimulando tanto que eu não ia precisar das mãos pra gozar. Pode ser que Klaus tivesse estragado minha foda com a senhora, mas pelo menos ele se dava ao trabalho de me fazer uma punheta enquanto eu olhava pra eles. Levantei a camisa até o peito pra não sujar e ajudei movendo os quadris contra o banco, com o pau apertado entre minha barriga e o couro macio.
—Mais forte... mais! Me fode, Kalus! Me fode... Porraaa! —gritava Dona Paz, fora de si.
A cena tinha atingido uma intensidade que qualquer espectador menos envolvido que eu teria temido duas coisas: que o carro explodisse ou se despedaçasse com os movimentos insanos, ou que a dona morresse empalada pela implacável estaca de metal. Por sorte, nada disso aconteceu. O corpo da prefeita tremeu e se sacudiu dos pés à cabeça, possuído por um orgasmo brutal. Ela gritava tão alto que os tendões e as veias do pescoço ficaram marcados, e o bombeamento frenético de Klaus na buceta dela fazia os fluidos espirrarem. Ela chegou a virar os olhos, a chutar os encostos e a se contorcer de um lado para o outro, sempre de forma que o pau cromado não saísse do corpo dela.
Eu, por minha vez, gozei entre minha barriga e o encosto do banco, bufando e sem tirar os olhos da minha chefe extasiada, que não parava de gemer e de adicionar mais líquido à poça que se formava debaixo da bunda dela. Não sei se foi um orgasmo muito longo ou vários seguidos, porque ela deu várias pausas ofegantes entre explosões de prazer descontrolado. Quando finalmente ficou satisfeita, deu uma ordem curta e tudo parou de repente. O carro ficou totalmente imóvel, e o silêncio depois daquela barulheira foi um alívio pros meus ouvidos. A barra de aço fez o dildo recuar devagar, mas ele não voltou pra dentro da caixa; ficou no meio do caminho, brilhante e escorrendo. A buceta da prefeita estava tão dilatada que, se eu tivesse metido naquele momento, ela nem teria sentido. Ela me olhou enquanto recuperava o fôlego, sorrindo e com um toque de admiração sincera nos olhos azuis.
CONTINUA...
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