Uma tarde, voltando da minha caminhada, entro em casa sabendo que minha mulher, Pía, estava com as três amigas dela, Lidia, Mabel e Sonia, as duas primeiras casadas e a última divorciada, na reunião de sempre das quintas-feiras. Seja porque eu estava de chinelo, seja porque elas falavam alto, parece que não me ouviram, senão a Sonia, a mais sem vergonha, não teria soltado:
— "Meninas, que transa que a gente deu ontem!", sendo cortada pela minha mulher:
— "Pelo amor de Deus, Sonia, se o Abel descobre, ele me mata."
— "Pois é, mas quando o negão metia tudo e no pelo, você nem lembrava do seu marido."
— "É verdade que eu gozei, mas você sabe bem que não faço essas coisas, ainda mais receber a porra dele na boca. Os drinks baixaram minha guarda."
— "Qual é, gata, quando ele enfiava a mão por baixo da sua saia, você tinha acabado de tomar meio copo." Aí já não teve resposta.
Com medo de que percebessem que eu tinha ouvido tudo, voltei até a porta e fechei fazendo barulho. A conversa parou na hora enquanto eu me aproximava para cumprimentar. A conversa voltou com assuntos bestas, como foi minha caminhada, quanto tempo sem nos ver, etc. Com o estômago embrulhado, o coração queimando de raiva, e com um certo tremor nas mãos, inventei uma desculpa para sair, porque queria pensar com calma e cabeça fria.
— "Tô afim de sair pra tomar algo. Vou ver se encontro algum amigo que queira me acompanhar. Talvez chegue tarde, não me espera." Tomei um banho rápido e saí para me despedir.
— "Bom, meninas, ontem foi a vez de vocês, hoje é a minha." Aí a Sonia disparou:
— "Olha que a gente se acaba como foguete." Diante desse comentário brincalhão, minha mulher olhou para ela como se fosse fulminar, tentando disfarçar quando eu olhei para ela.
— "Valeu por avisar, assim tento imitar vocês."
— "Ou seja, você sai com liberdade total."
— "Com a Pía sempre nos viramos com liberdade total, claro, assumindo a responsabilidade no uso que fazemos dessa liberdade." A palavra responsabilidade eu falei olhando fixamente para minha esposa, que estava séria e de cenho franzido.
Fui pra um bar perto daqui e, com um bom gole, me acalmei, pensando nos próximos passos. Eram nove e meia da noite quando decidi voltar e começar minha vingança.
— “Que cedo você voltou”
— “Perdi a vontade de farra e não tô com fome, vou ver TV na cama.”
Pouco depois, a Pia chegou e, contra o costume, se trocou no banheiro, vestindo uma camisola comprida e nada transparente. Atento pra qualquer sinal, percebi a novidade e, pra mim mesmo, pensei que ela tava escondendo alguma coisa, talvez um hematoma. Tinha que aproveitar a chance.
— “Do que eu tô com fome mesmo é de uma boa sessão de amor. Vem cá, quero te despir do jeito que eu gosto.”
— “Me desculpa, mas tô com uma dor de cabeça danada. Se quiser, com minha boquinha posso te dar um grande prazer.”
— “Não, melhor eu bater uma punheta olhando pra esse corpo que me deixa louco.”
— “Não, por favor. Deixa pra amanhã, que agora tô morta.”
Quando acordamos, tentei levantar a camisola dela, mas ela não deixou. À noite, nova tentativa, resultado negativo. No terceiro dia, enquanto jantávamos, soltei o primeiro ataque.
— “Hoje chegou uma notícia bombástica. Parece que um colega de outra filial pegou uma bela de uma venérea que a mulher dele passou. Ainda não sabe se é fácil de tratar ou se é AIDS. Dizem que pareciam um casal modelo. Agora o coitado não sabe o que fazer.”
— “Que desgraça. Capaz que um simples deslize acabe com o casal. Não deve ser fácil decidir o que fazer.”
— “Depende. Enquanto vinha pra cá, fiquei pensando no que eu faria no lugar dele.”
— “Me conta, o que você faria?”
— “Primeiro, fingiria que te entendo, ouviria as desculpas típicas: que foi a primeira e única vez, que tava bêbada, que me seduziu com a ajuda da sua amiga, que só ama a mim, que foi só sexo. Depois, disfarçando bem, compraria um chicote resistente e prepararia um dos quartos da casa, isolando o som. Terminada a obra, te Pego você de surpresa e enfio pra dentro. Te desnudo e com quatro ou cinco chicotadas deixo sua pele em carne viva. Tranco a porta do lado de fora e assim fica pelas duas semanas seguintes. Nesse tempo, já vai dar pra ver os efeitos da infecção que te consome por dentro, e com certeza nas feridas da pele vão começar a aparecer vermes. É só esperar o corpo colapsar e você morrer.
A palidez do rosto dela mostrava o que sentia por dentro. Claramente não conseguia acreditar no que eu dizia. Gaguejando, ela falou:
— "Você seria capaz de fazer isso comigo? Ia preso."
— "Não sei se seria capaz. É o que acho que deveria fazer. Por outro lado, se você fode a minha vida, melhor ir preso; vou ter casa, comida e atendimento médico de graça. Não preciso de mais nada. Talvez eu não aguentasse até você morrer sozinha, então teria que te matar."
— "Você é um monstro por pensar assim."
— "Acho que não. Só que a dor da confiança traída me transformaria num monstro."
Naquela noite, ela veio atrás de mim e eu a rejeitei.
— "O que foi que agora você não quer?"
— "Não tô a fim."
— "Faz por mim."
— "Vou ser claro: qual das três palavras 'NÃO TÔ A FIM' você não entendeu?"
Virei de lado e fingi dormir enquanto ouvia os soluços dela. Precisava pensar no próximo passo. Tinha que reforçar de forma forte a ideia que tinha plantado na cabeça dela. Naquela noite, o sono me venceu sem eu encontrar uma solução aceitável.
No dia seguinte, no escritório, lembrei que as lojas de pegadinhas, brincadeiras e fantasias costumavam vender um pó urticante que poderia me servir agora. Na saída, fui e comprei dois saquinhos que, segundo as instruções de uso, seriam mais que suficientes. Além disso, como outra forma de pressão, comprei um chicote e pendurei bem à vista. Enquanto a Pia tomava banho, aproveitei pra polvilhar um pouco na calcinha que ela tinha deixado na cama pra usar agora. Não queria me adiantar até ver o resultado desse primeiro teste, mas calculava que, se fizesse efeito... Sobre a epiderme, muito mais deveria fazer na mucosa interna dos lábios maiores.
Foi o que aconteceu. Enquanto jantávamos, ela começou a se remexer na cadeira, sentindo a coceira. Me perguntou se eu tinha notícias do parceiro infectado, e eu respondi que por enquanto ele estava se tratando com antibióticos e que, segundo quem estava com ele, era engraçado vê-lo se coçando igual um desesperado. A partir daquela noite, por um motivo ou outro, paramos de transar.
Os dias até a próxima quinta-feira foram de muitas ligações disfarçadas, pedidos de consulta com a ginecologista, idas ao laboratório para exames e, acima de tudo, uma incerteza mal escondida que se manifestava em mudanças bruscas de humor, passando da apatia à irritabilidade. Naquela tarde, me aproximei para cumprimentar como sempre, tentando especialmente sentir o clima, por isso me sentei com elas. Claro que não perderam a chance de me perguntar se era verdade o que a Pía tinha contado sobre o que eu faria se a pegasse traindo. Disse que era verdade.
— “Não acredito que você seja capaz dessa barbaridade” — disse a Lídia.
— “Olha, Lídia, é difícil saber do que a gente é capaz até a situação aparecer. Vou dar um exemplo meio grosseiro. Se me perguntassem: ‘você acha que essas quatro moças são capazes de sair uma noite e deixar encher a boca, a buceta e o cu de porra de um estranho?’ eu responderia que não. Mas isso é só minha crença; na real, não sei. Vocês certamente acham que seus maridos não seriam capazes de botar minha ideia em prática, e talvez tenham razão. Agora, suponham que essa traição coletiva seja descoberta e eu proponha aos maridos e ao ex-marido cuidar do procedimento de vingança. Muito provavelmente eles aprovariam que eu as dopasse colocando um narcótico na bebida, as levasse para o quarto preparado, as despisse, desse seis chibatadas entre peito e costas e as deixasse trancadas. Quase certeza também que no terceiro dia eles viriam ver o espetáculo de disputar os quatro sanduíches de miga e um litro de água que teriam como única refeição do dia. Mais de um psicólogo pagaria pra ver a amizade passar por esse teste.
— “Francamente, não acredito nisso delas” — disse Mabel
— “Claro que existem jeitos diferentes de canalizar o ódio. Além disso, quanto mais gostarem delas, maior vai ser esse ódio. De qualquer forma, um desses dias, quando a gente puder se encontrar, vou consultar elas”.
— “Nem pense em falar com meu ex. Aquele lixo é capaz de qualquer merda” — explodiu Sonia
— “Não, pelo amor de Deus, isso não” — interferiram as outras duas.
— “Só por curiosidade, vou fazer uma pergunta. O que o corno teria que fazer se a mulher dele confessasse, e o que teria que fazer se ele descobrisse”. Aí Sonia entrou na conversa
— “Nos dois casos, teria que perdoar ela, principalmente se foi só aquela vez”.
— “Deixa eu ver se entendi, perdoar ela, como quem diz que não aconteceu nada, mesmo tendo que se abaixar na frente de cada porta por causa dos chifres. Você faria isso?”
— “Não, não, alguma reparação teria que ter, maior ainda se ele descobrir, teria que pensar em algo”.
— “Por favor, pra matar minha curiosidade, quando descobrir alguma, me avisa”.
Em toda essa troca de opiniões, Pía ficava em silêncio, pálida, se mexendo por causa do pó que coçava. Eu, brincando, perguntei se ela tinha formiga na buceta. Aí, sem responder, ela saiu correndo na direção do banheiro, sob o olhar preocupado das amigas. Lídia seguiu ela, segundo disse, pra ajudar se ela se sentisse mal. Quando voltaram depois de uns dez minutos, a cara das duas mostrava que algo desagradável tinha acontecido, apesar de com um sorriso forçado dizerem que tava tudo bem, e os olhos vermelhos da minha mulher desmentirem essa afirmação. Ela era a mais nova das quatro, com seus trinta e cinco anos, sete a menos que eu, e só cuidava da casa, sendo influenciada pelas outras três que tinham quase a minha idade. Quando as visitas foram embora, ela sentou do meu lado, se inclinou, deitou a cabeça no meu colo e começou a chorar desconsoladamente. Agarrada nos meus joelhos.
— Me perdoa, eu te traí, juro que foi só aquela vez e, embora eu seja a única responsável, as meninas me induziram a fazer isso. Faz comigo o que você quiser, mas não me abandona, eu te amo muito; todos esses dias eu sofri por causa disso, mas a culpa não me deixava pensar com clareza.
— Pra começar, não me toca. Que você foi infiel, eu sei desde quinta-feira passada. Me conta o que eu não sei e não esquece de nada.
— Na quarta, como você sabe, a gente tinha planos de sair pra jantar e depois tomar algo. Na discoteca, uns amigos da Sônia chegaram e sentaram com a gente, aí fomos dançar. Eu dancei com o Saúl, que deve ter uns trinta anos e um corpo de academia. Ficamos um tempão na pista, ele falava coisas sedutoras, que eu sou linda, que tenho um corpo desejável e tudo mais. Aos poucos, ele foi me apertando e eu me deixei levar. A gente se beijou longamente e, depois, sentados, ele me abraçou e começou a me acariciar. Eu falei pra ele parar, que era casada, e me afastei. Aí as meninas começaram: que era só diversão, que eu não estragasse a noite delas, que tomasse um bom drink pra me soltar, que me deixasse levar, etc. O Saúl aproveitou pra se aproximar de novo e, devagar, foi avançando nas carícias. Quando me dei conta, já estava de novo entregue aos beijos dele e ele tinha uma mão debaixo da minha saia, acariciando minha buceta. O resto foi fácil: ele tirou o pau, me fez chupar ele e gozou na minha boca. A gente continuou se beijando, ele encheu minha buceta com os dedos e me levou a um orgasmo tremendo. Um tempinho depois, já com uma nova ereção, ele me sentou por cima, afastou minha calcinha e entrou de uma vez, arrancando um grito meu que as meninas comemoraram. Dessa vez, a gente gozou junto, com o pau bem dentro de mim. Depois, a gente transou de novo antes de voltar pra casa. Foi só isso, e eu tô muito arrependida.
— E suas amigas?
— Pra elas, isso é normal.
— Cada dia se aprende algo novo. Agora descubro que minha esposa é especialmente fácil, melhor dizendo, Facilzinha. Me corrige se eu errar. Um cara que nunca antes tinha esfregado o pau nela dançando, que nunca tocou num peito, na bunda ou na buceta dela, que nunca deu um beijo nem no rosto, que nunca tinha cumprimentado ela antes, que nem em foto era conhecido, em só uma hora consegue que ela engula o esperma dele e duas vezes encha a buceta dela de porra. Foi assim?
- "Não, a gente já tinha dançado algumas vezes"
- "Beleza, resumindo, você me enganou e fui eu quem descobriu. Você falou quando já não aguentava mais a pressão que fiz durante uma semana. Ainda não decidi o que fazer, mas por enquanto você tem que tirar todas as suas coisas do quarto e do banheiro. Esses cômodos eram do casamento e essa união já não existe mais. Só pra avisar, se manda rápido e assim evita que eu te motive com o chicote".
Enquanto ela fazia a mudança das coisas dela de cabeça baixa e olhos cheios de lágrimas, eu via na TV um documentário sobre prostituição e isso me deu uma ideia do que fazer com ela.
- "Pía, já decidi o que fazer com você. Vai trabalhar como puta pra mim. Segundo esse programa, uma puta de baixo nível pode ganhar 20.000 por semana e uma de nível médio passa tranquilo dos 50.000. Não vou exagerar, com 40.000 eu fico satisfeito. Hoje é quinta, então a partir de agora toda quinta você me entrega esse dinheiro. Naturalmente não tem férias, nem atestado médico, nem tramitação que anule essa obrigação, então sugiro que você economize pra essas emergências. No primeiro descumprimento, peço o divórcio levando pro juiz seu relato das minhas chifradas, que gravei enquanto você falava, isso se eu não preferir prisão e morte".
Sem terminar de tirar as coisas, chorando desesperada, ela saiu correndo pro novo quarto dela e se jogou na cama. Ficou lá enquanto eu tirava pro corredor o pouco que faltava pra terminar. Quando se acalmou um pouco, ouvi ela ligar pras amigas contando o que aconteceu. Poucos minutos depois, tocou Meu celular, era a Lídia me pedindo pra receber elas amanhã às três, porque queriam falar comigo. Naturalmente, falei que adoraria esperá-las e combinamos pras seis da tarde.
Naquela sexta, enquanto esperava, percebi que já tava há nove dias de cuck e oito desde que descobri que tava de chifre. Elas chegaram umas três por volta do horário combinado, fiz elas entrarem, chamei a Pía pra se juntar a nós, ofereci algo pra beber e me preparei pra ouvir. Sendo a mais desenrolada, foi a Sônia quem tomou a palavra:
— "Abel, a gente queria que você nos ouvisse, porque até agora só a Pía assumiu a responsabilidade pelo que aconteceu, e a gente acha que de alguma forma também somos cúmplices."
— "Entendo que queiram ajudar a amiga de vocês e admiro essa atitude. Só peço uma coisa: não mintam pra mim."
— "Pode ter certeza que não vou fazer isso. Tudo começou quase um mês atrás. Como toda quarta, a gente saiu pra jantar e deu na telha de ir tomar algo numa balada que nos falaram. Depois de comprar as bebidas e já sentadas, quatro caras jovens, com pouco mais de trinta, se aproximaram. Cada um tentou se engraçar com uma de nós, numa conversa que primeiro foi geral e depois foi ficando mais pessoal. Dava pra ver a preferência do Saúl pela Pía, e com o tempo, todo mundo foi dançar."
— "Considerando que você ia ficar de olho na sua parceira e não no resto, agora quero ouvir a Pía, a protagonista da história."
— "A gente dançou como todo mundo, só que quando começou a música lenta, ele foi diminuindo a distância aos poucos, enquanto me chamava de gostosa, dizia que tava quase louco por mim, e pra isso colocava a boca perto da minha orelha, os lábios roçando no lóbulo enquanto a perna dele se enfiava entre as minhas. Depois de um tempão dançando com esses roçares, deixei o pau dele apertar contra minha buceta e a boca dele cobrir a minha. Sem perceber, levei meus braços pro pescoço dele e ele colocou as mãos nas minhas nádegas, o que... fez com que gozássemos só com o atrito. Quando nos recompusemos, percebi claramente o que tinha feito e, arrependida, fui me sentar, pedindo que ele me deixasse sozinha. Fiquei com a Lídia, que não tinha saído pra dançar, até a hora de ir embora.”
— “Sônia, Mabel, algo a acrescentar?”
— “Nada, porque quando voltamos de dançar, as duas estavam conversando e a gente foi embora na hora. O que me surpreendeu foi a quantidade de mensagens que eu tinha quando, ao chegar em casa, abri o celular. Eram do Saúl pedindo o número de telefone da Pía, cada mensagem com um motivo diferente: ‘é o amor da minha vida’, ‘tô louco por ela’, ‘não consigo pensar em outra coisa a não ser vê-la de novo’, e por aí vai. Aí eu cometi um erro. Passei o número.”
Para mim mesma, ajustava os números com base nos novos dados: vinte e três anos de corno, oito sabendo disso.
— “Beleza, agora a gente precisaria ver as mensagens que a Pía recebeu. Você mostra pra gente?”
— “Não quero, o uso do celular é algo íntimo.”
— “Você tem razão, não devia ter pedido.”
— “Desculpa, desculpa, pega aqui, olha o que quiser.” Ela disse isso de cabeça baixa e lágrimas nos olhos.
Procurei quinta-feira, dia 5, e, como tinha um monte de mensagens, selecionei duas que eram mais relevantes pra ler.
— “Essa é do galã: ‘Amor meu, tô perdido desde que quase nos fundimos dançando e, enquanto saboreava sua boca, senti você começar a tremer, anunciando o próximo orgasmo. Naquele momento, gozei encharcando a cueca. Quero te ver logo. Um beijo enorme.’”
— “Vamos ver o que a dama responde: ‘Nunca senti nada igual, também gozei e molhei a calcinha. Por favor, não me escreve, é perigoso. Te aviso quando a gente puder se ver. Um beijo molhado e profundo.’”
— “Não tem mais mensagens até quinta-feira, dia 19, que é quando fico sabendo do que rolou na noite anterior. Vamos considerar como verdade o que a Pía contou e que, no geral, tá refletido nas duas mensagens que vou ler pra vocês.”
— “Essa foi enviada pelo Saúl durante a manhã. Na imagem, vocês podem ver o pau que o cara tem.” Claro, respeitável. Abaixo da imagem vêm cinco frases. 1ª) Este é o pau que te fez gemer quando, abrindo sua buceta, chegou até o fundo; 2ª) Este é o pau que, na profundidade da sua vagina, derramou rios de porra; 3ª) Este é o pau que você espremia com os músculos da sua buceta para extrair a última gota de sêmen; 4ª) Este é o pau que, segurando com a mão, você passava pelas suas bochechas e lábios como se o adorasse e depois, chupando gulosamente, bebeu o líquido grosso que ele expelia; 5ª) Este é o pau que, lembrando de você, não amolece, e que depois de ter provado sua boca e seu sexo, anseia penetrar seu cu. Te amo”.
- “A resposta de Pia diz: Adoro o que você me diz e quero repetir. Não me escreva, que eu aviso quando. Sinto sua falta”.
- “Agora já estou bem informado. Só uma dúvida me resta e talvez vocês me ajudem a resolver. A pergunta é: O que faço com meus chifres?”. Coisa estranha, quem falou foi a Lídia.
- “Um esclarecimento, eu não colaborei em nada para que a Pia se enroscasse com o Saúl, então não me sinto responsável por isso. Tento ajudá-la porque gosto dela. Depois de conversarmos bastante, pensamos que um jeito de amenizar a culpa e a raiva é você, Abel, equilibrar a balança. E para isso nos oferecemos nós três”.
- “Deixa eu ver se entendi. Para equilibrar o que a Pia fez, vocês se oferecem para transar comigo?”
- “Exatamente”
- “Aceito a proposta e, em compensação, a Pia não vai trabalhar como puta. O resto continua valendo. Quando você tem tempo, Lídia?”
- “Poderia ser hoje, porque meu marido viaja para ver os pais dele e só volta no domingo”
Depois de mais um tempo de conversa, Sônia e Mabel se despediram. Aproveitei para sugerir sair para jantar nós três.
- “Perfeito, vou ligar para meu marido para avisar e me despedir. Oi, querido, como você vai viajar daqui a pouco, queria me despedir. Esta noite vou sair para jantar com a Pia e o Abel. O quê? Espera, vou ligar o viva-voz para eles te ouvirem. Agora repete a pergunta”
- “Você está Pra fazer um menage?"
- "A pergunta é séria ou de brincadeira?"
- "De brincadeira, querida, de brincadeira."
- "Javier, já eu vou te responder sério. Não vou fazer um menage porque Abel e Pia estão putos, mas vou dar uma trepada com o Abel até ele perder os sentidos. Saudações pros seus pais."
Com certeza nossas caras de surpresa fizeram ela continuar falando.
- "Vou ser sincera com vocês porque gosto de vocês e com certeza vão manter segredo, já que são os únicos que vão saber disso. É verdade que o Javier visita os pais dele, mas o que mais motiva ele é encontrar a Julia, a vizinha com quem ele transa desde os dezessete anos. Quando descobri, já faz dez anos, pensei que meu mundo ia desabar. No fim de semana seguinte, o Javier tinha que viajar a trabalho, então aproveitei, com a desculpa de visitar os pais dele, pra viajar e encarar ela. Não vão acreditar como ela me recebeu; as palavras dela foram: 'Agradeço você ter vindo, tava morrendo de vontade de te conhecer.' Vou resumir. Entre eles existe afeto, mas o Javier sente amor de verdade só por mim. O sexo depois de tanto tempo virou um vício do qual eles não conseguem se livrar, e por isso ela pede periodicamente que ele me trate como uma rainha, que me dê todos os mimos porque eu não tenho culpa desse vício que consome eles. Diante de uma revelação dessas, decidi garantir meu futuro em parte. Quando ele voltou da viagem, falei que queria que ele comprasse e colocasse no meu nome dois apartamentos de dois cômodos, porque queria viver decentemente no dia que ele se cansasse de mim ou eu me cansasse dele. E também que, toda vez que voltasse da visita aos pais, trouxesse dinheiro vivo de presente, a quantia que ele quisesse. Embora ele tenha se surpreendido com o pedido, percebendo que eu sabia de tudo, aceitou e cumpriu. Hoje tenho os dois apartamentos e com o que juntei, a qualquer hora compro um terceiro. Ele, mesmo sem largar o vício, se desdobra pra me mostrar o amor dele, e eu mantenho minha liberdade me dando bem. ocasionalmente algum gosto. Por outro lado, ele sabe que se fizer uma piada sobre esse assunto, vou responder mal. Dessa vez, claramente, escapou dele. Uma pergunta, Abel, você confia em mim?"
— "Claro"
— "Me permite cuidar das coisas até voltarmos?"
— "Com prazer. Antes que eu esqueça, Pia, me dá o telefone, não vou pagar um aparelho e a linha pra favorecer o crescimento dos chifres".
Quando eram quase dez da noite, Lidia veio avisar que já tinha reservado mesa onde costumavam ir às quartas e que um táxi vinha nos buscar, assim podíamos beber sem nos preocupar. Durante o jantar, Pia praticamente não participou da conversa, como se estivesse preocupada ou ausente. No final, Lidia, liderando a atividade, nos levou para a discoteca, cenário dos meus chifres, embora eu não soubesse. Já lá dentro, fui ao balcão pedir a bebida enquanto elas se sentavam numa mesa com sofá de três lugares, deixando uma ponta pra mim, com Pia no meio. Estávamos conversando há um tempo quando um jovem se aproximou e cumprimentou as duas mulheres como quem as conhecia.
— "Pia, vamos dançar?"
Claro que o convite me fez deduzir quem era o desconhecido, então olhei pra convidada, que estava pálida enquanto Lidia segurava o braço dela.
— "Saul, esse senhor aqui do meu lado é meu marido e sabe tudo o que rolou entre nós, pedi perdão a ele pela traição, ele sabe que estou arrependida e prometi que nunca mais se repetiria algo assim. Por favor, nos deixe em paz"
Não sei quem ficou mais surpreso com a resposta, se ele ou eu. De qualquer forma, o jovem conquistador, sem dizer uma palavra, foi embora.
— "Bom, tendo exorcizado o fantasma da discoteca, me sinto melhor," nos disse Lidia.
Como o que aconteceu com o ex-amante de Pia tinha estragado o clima bom, decidimos voltar pra casa.
Lá, servimos algo pra beber sentados no sofá, continuando a conversa com Lidia, porque Pia disse que preferia ir dormir.
— "Antes que fique tarde... Muito tarde, acho que tenho que cumprir meu compromisso."
- "Querida Lídia, não tenho tanta certeza disso, deixa eu me explicar. Nas horas que passamos juntos, curti sua companhia porque o clima é agradável, tranquilo e com total liberdade. A prova é que trocamos confidências que, de outro jeito, não teriam rolado. Se nesse ambiente descontraído a gente introduzir uma atividade com um certo ar de obrigação, vamos estragar tudo. Por isso, minha sugestão é deixar esse compromisso de lado. Uma última coisa: a sugestão é pra evitar algo que possa te deixar constrangida? Porque, se for pelo meu gosto, eu pediria pra equilibrar a balança dos chifres durar quarenta e oito horas. Deu pra entender?"
- "Perfeitamente. Agora eu vou tentar me fazer entender, e pra minhas palavras serem bem ouvidas, vou falar no seu ouvido. Eu também tô morrendo de vontade de você."
Depois dessas palavras, lentamente ela foi movendo os lábios da minha orelha, passando pela bochecha até minha boca, onde deixou um beijo suave e depois se afastou pra me olhar nos olhos com uma expressão séria. Passados alguns segundos, paralisado de surpresa, falei que ainda tinha algo a esclarecer, e me aproximando devolvi o beijo. Ela me surpreendeu de novo quando se levantou, pedindo pra eu sentar bem na beirada do sofá enquanto ela, de pé, me olhava. Quando me posicionei como ela queria, sentou de frente, montada nas minhas pernas, e se mexeu até que a buceta dela se esmagasse contra a minha, separados pela roupa. Depois cobriu meus lábios com os dela, começando um beijo longo e delicioso onde línguas, pélvis e mãos foram os instrumentos de prazer.
- "Entendeu meu esclarecimento?"
- "Entendido e curtido ao máximo."
Voltou a sentar do meu lado, bem colada, encostando a testa na minha bochecha, e eu correspondi passando o braço pelos ombros dela. Ficamos assim alguns minutos em silêncio, nos acariciando, e então, um a um, fui desabotoando os botões da blusa dela, que, sem sutiã, deixaram... liberei uns peitos médios que lambi, chupei e mordi de leve, enquanto ela acariciava minha cabeça e gemia de prazer. Mantendo a boca ocupada, com a mão levantei a saia dela na cintura, revelando a biquíni branca que coroava a junção das pernas longas dela, coladas uma na outra. Com o indicador e o polegar abraçando os lábios por cima da calcinha, num movimento de sobe e desce, acariciei a buceta dela por um tempo até que, abrindo as pernas de par em par, ela me mostrou o tecido molhado, pedindo que a carícia fosse por dentro. Não liguei, levando ela a se deitar sobre a mesa. Já sem obstáculo de roupa, levantei as pernas dela, trazendo os joelhos na altura dos ombros. Com uma mão, abri a vulva dela enquanto a outra apontava meu pau pra entrada.
— “Agora sim vamos equilibrar a balança.”
Fechei os olhos, me concentrando no atrito da penetração até não ter mais nada pra meter. Quando abri os olhos, Pia estava do nosso lado, segurando uma mão de Lidia no momento em que ela gozava. Os apertos vaginais foram acompanhados por um gemido longo, mistura de sofrimento e prazer, ficando depois como se estivesse dormindo. Quando as pálpebras se levantaram e o rosto dela se iluminou num sorriso, comecei o movimento de vai e vem pra buscar meu prazer, sendo parado por ela.
— “Por favor, não goza dentro de mim, deixa eu continuar no controle da ação.”
Ela fez eu me retirar, pegou Pia e a colocou na mesma posição que ela estava antes, guiando meu membro pro lugar escolhido. Tudo isso sem parar de falar.
— “O que sua mulher disse pro Saúl na confeitaria é algo muito sério porque tem marca de autenticidade. E esse selo eu descreveria assim: ela te pede que deixe ela ficar perto de você pra te mostrar o amor dela, te implora pra se deixar ser amado, não quer um perdão já e de boca, o que ela quer é ganhar seu perdão.”
— “Da Pia você pode falar o que quiser, que foi uma puta, que foi filha de uma puta, que foi uma traidora, que foi um lixo, que Foi uma merda, tudo o que você quiser, mas sempre precedido pelo "foi", porque isso é passado. Hoje a Pía é outra, e essa mudança é fruto da dor; dor de ter perdido o homem que ama, dor de amar e ser desprezada pelo amado, dor de ter trocado algumas horas de prazer por um longo tempo de sofrimento ininterrupto que ela não sabe se vai acabar, dor da angústia passada até que dessem os resultados de estar limpa de uma doença e sem gravidez. Essa é a Pía que você tem na sua frente, aberta pra você, com a buceta dela destilando sucos te convidando pra entrar. Não é razoável pedir que você esqueça a traição, mas neste momento peço que você ignore, faz ela sua de novo, que sua vara de carne pulsante se interne por aquele buraco que te anseia, que o fundo da vagina dela sinta o impacto dos jatos de porra do seu macho, que os músculos dela ordenhem sua pica até a última gota.
- "Não beija ela, reserva esse sinal pro futuro. Que seja o sinal de que o perdão chegou."
E foi assim. O orgasmo dos dois veio encadeado, as pulsações da minha pica expelindo porra foram imediatamente seguidas pelas contrações vaginais dela me espremendo.
Depois de satisfazer as urgências instintivas, Pía, Lidia e eu fomos descansar, Pía pro quarto de serviço, Lidia pro de hóspedes e eu pro meu. Enquanto esperava o sono, pensava nos acontecimentos das últimas horas e em como a Lidia, com uma delicadeza requintada, foi nos guiando até conseguir que a minha raiva da minha mulher diminuísse muito. Se a Pía persistisse em me mostrar o amor dela, muito provavelmente o casal logo se uniria de novo. Agora a palavra é do tempo.
— "Meninas, que transa que a gente deu ontem!", sendo cortada pela minha mulher:
— "Pelo amor de Deus, Sonia, se o Abel descobre, ele me mata."
— "Pois é, mas quando o negão metia tudo e no pelo, você nem lembrava do seu marido."
— "É verdade que eu gozei, mas você sabe bem que não faço essas coisas, ainda mais receber a porra dele na boca. Os drinks baixaram minha guarda."
— "Qual é, gata, quando ele enfiava a mão por baixo da sua saia, você tinha acabado de tomar meio copo." Aí já não teve resposta.
Com medo de que percebessem que eu tinha ouvido tudo, voltei até a porta e fechei fazendo barulho. A conversa parou na hora enquanto eu me aproximava para cumprimentar. A conversa voltou com assuntos bestas, como foi minha caminhada, quanto tempo sem nos ver, etc. Com o estômago embrulhado, o coração queimando de raiva, e com um certo tremor nas mãos, inventei uma desculpa para sair, porque queria pensar com calma e cabeça fria.
— "Tô afim de sair pra tomar algo. Vou ver se encontro algum amigo que queira me acompanhar. Talvez chegue tarde, não me espera." Tomei um banho rápido e saí para me despedir.
— "Bom, meninas, ontem foi a vez de vocês, hoje é a minha." Aí a Sonia disparou:
— "Olha que a gente se acaba como foguete." Diante desse comentário brincalhão, minha mulher olhou para ela como se fosse fulminar, tentando disfarçar quando eu olhei para ela.
— "Valeu por avisar, assim tento imitar vocês."
— "Ou seja, você sai com liberdade total."
— "Com a Pía sempre nos viramos com liberdade total, claro, assumindo a responsabilidade no uso que fazemos dessa liberdade." A palavra responsabilidade eu falei olhando fixamente para minha esposa, que estava séria e de cenho franzido.
Fui pra um bar perto daqui e, com um bom gole, me acalmei, pensando nos próximos passos. Eram nove e meia da noite quando decidi voltar e começar minha vingança.
— “Que cedo você voltou”
— “Perdi a vontade de farra e não tô com fome, vou ver TV na cama.”
Pouco depois, a Pia chegou e, contra o costume, se trocou no banheiro, vestindo uma camisola comprida e nada transparente. Atento pra qualquer sinal, percebi a novidade e, pra mim mesmo, pensei que ela tava escondendo alguma coisa, talvez um hematoma. Tinha que aproveitar a chance.
— “Do que eu tô com fome mesmo é de uma boa sessão de amor. Vem cá, quero te despir do jeito que eu gosto.”
— “Me desculpa, mas tô com uma dor de cabeça danada. Se quiser, com minha boquinha posso te dar um grande prazer.”
— “Não, melhor eu bater uma punheta olhando pra esse corpo que me deixa louco.”
— “Não, por favor. Deixa pra amanhã, que agora tô morta.”
Quando acordamos, tentei levantar a camisola dela, mas ela não deixou. À noite, nova tentativa, resultado negativo. No terceiro dia, enquanto jantávamos, soltei o primeiro ataque.
— “Hoje chegou uma notícia bombástica. Parece que um colega de outra filial pegou uma bela de uma venérea que a mulher dele passou. Ainda não sabe se é fácil de tratar ou se é AIDS. Dizem que pareciam um casal modelo. Agora o coitado não sabe o que fazer.”
— “Que desgraça. Capaz que um simples deslize acabe com o casal. Não deve ser fácil decidir o que fazer.”
— “Depende. Enquanto vinha pra cá, fiquei pensando no que eu faria no lugar dele.”
— “Me conta, o que você faria?”
— “Primeiro, fingiria que te entendo, ouviria as desculpas típicas: que foi a primeira e única vez, que tava bêbada, que me seduziu com a ajuda da sua amiga, que só ama a mim, que foi só sexo. Depois, disfarçando bem, compraria um chicote resistente e prepararia um dos quartos da casa, isolando o som. Terminada a obra, te Pego você de surpresa e enfio pra dentro. Te desnudo e com quatro ou cinco chicotadas deixo sua pele em carne viva. Tranco a porta do lado de fora e assim fica pelas duas semanas seguintes. Nesse tempo, já vai dar pra ver os efeitos da infecção que te consome por dentro, e com certeza nas feridas da pele vão começar a aparecer vermes. É só esperar o corpo colapsar e você morrer.
A palidez do rosto dela mostrava o que sentia por dentro. Claramente não conseguia acreditar no que eu dizia. Gaguejando, ela falou:
— "Você seria capaz de fazer isso comigo? Ia preso."
— "Não sei se seria capaz. É o que acho que deveria fazer. Por outro lado, se você fode a minha vida, melhor ir preso; vou ter casa, comida e atendimento médico de graça. Não preciso de mais nada. Talvez eu não aguentasse até você morrer sozinha, então teria que te matar."
— "Você é um monstro por pensar assim."
— "Acho que não. Só que a dor da confiança traída me transformaria num monstro."
Naquela noite, ela veio atrás de mim e eu a rejeitei.
— "O que foi que agora você não quer?"
— "Não tô a fim."
— "Faz por mim."
— "Vou ser claro: qual das três palavras 'NÃO TÔ A FIM' você não entendeu?"
Virei de lado e fingi dormir enquanto ouvia os soluços dela. Precisava pensar no próximo passo. Tinha que reforçar de forma forte a ideia que tinha plantado na cabeça dela. Naquela noite, o sono me venceu sem eu encontrar uma solução aceitável.
No dia seguinte, no escritório, lembrei que as lojas de pegadinhas, brincadeiras e fantasias costumavam vender um pó urticante que poderia me servir agora. Na saída, fui e comprei dois saquinhos que, segundo as instruções de uso, seriam mais que suficientes. Além disso, como outra forma de pressão, comprei um chicote e pendurei bem à vista. Enquanto a Pia tomava banho, aproveitei pra polvilhar um pouco na calcinha que ela tinha deixado na cama pra usar agora. Não queria me adiantar até ver o resultado desse primeiro teste, mas calculava que, se fizesse efeito... Sobre a epiderme, muito mais deveria fazer na mucosa interna dos lábios maiores.
Foi o que aconteceu. Enquanto jantávamos, ela começou a se remexer na cadeira, sentindo a coceira. Me perguntou se eu tinha notícias do parceiro infectado, e eu respondi que por enquanto ele estava se tratando com antibióticos e que, segundo quem estava com ele, era engraçado vê-lo se coçando igual um desesperado. A partir daquela noite, por um motivo ou outro, paramos de transar.
Os dias até a próxima quinta-feira foram de muitas ligações disfarçadas, pedidos de consulta com a ginecologista, idas ao laboratório para exames e, acima de tudo, uma incerteza mal escondida que se manifestava em mudanças bruscas de humor, passando da apatia à irritabilidade. Naquela tarde, me aproximei para cumprimentar como sempre, tentando especialmente sentir o clima, por isso me sentei com elas. Claro que não perderam a chance de me perguntar se era verdade o que a Pía tinha contado sobre o que eu faria se a pegasse traindo. Disse que era verdade.
— “Não acredito que você seja capaz dessa barbaridade” — disse a Lídia.
— “Olha, Lídia, é difícil saber do que a gente é capaz até a situação aparecer. Vou dar um exemplo meio grosseiro. Se me perguntassem: ‘você acha que essas quatro moças são capazes de sair uma noite e deixar encher a boca, a buceta e o cu de porra de um estranho?’ eu responderia que não. Mas isso é só minha crença; na real, não sei. Vocês certamente acham que seus maridos não seriam capazes de botar minha ideia em prática, e talvez tenham razão. Agora, suponham que essa traição coletiva seja descoberta e eu proponha aos maridos e ao ex-marido cuidar do procedimento de vingança. Muito provavelmente eles aprovariam que eu as dopasse colocando um narcótico na bebida, as levasse para o quarto preparado, as despisse, desse seis chibatadas entre peito e costas e as deixasse trancadas. Quase certeza também que no terceiro dia eles viriam ver o espetáculo de disputar os quatro sanduíches de miga e um litro de água que teriam como única refeição do dia. Mais de um psicólogo pagaria pra ver a amizade passar por esse teste.
— “Francamente, não acredito nisso delas” — disse Mabel
— “Claro que existem jeitos diferentes de canalizar o ódio. Além disso, quanto mais gostarem delas, maior vai ser esse ódio. De qualquer forma, um desses dias, quando a gente puder se encontrar, vou consultar elas”.
— “Nem pense em falar com meu ex. Aquele lixo é capaz de qualquer merda” — explodiu Sonia
— “Não, pelo amor de Deus, isso não” — interferiram as outras duas.
— “Só por curiosidade, vou fazer uma pergunta. O que o corno teria que fazer se a mulher dele confessasse, e o que teria que fazer se ele descobrisse”. Aí Sonia entrou na conversa
— “Nos dois casos, teria que perdoar ela, principalmente se foi só aquela vez”.
— “Deixa eu ver se entendi, perdoar ela, como quem diz que não aconteceu nada, mesmo tendo que se abaixar na frente de cada porta por causa dos chifres. Você faria isso?”
— “Não, não, alguma reparação teria que ter, maior ainda se ele descobrir, teria que pensar em algo”.
— “Por favor, pra matar minha curiosidade, quando descobrir alguma, me avisa”.
Em toda essa troca de opiniões, Pía ficava em silêncio, pálida, se mexendo por causa do pó que coçava. Eu, brincando, perguntei se ela tinha formiga na buceta. Aí, sem responder, ela saiu correndo na direção do banheiro, sob o olhar preocupado das amigas. Lídia seguiu ela, segundo disse, pra ajudar se ela se sentisse mal. Quando voltaram depois de uns dez minutos, a cara das duas mostrava que algo desagradável tinha acontecido, apesar de com um sorriso forçado dizerem que tava tudo bem, e os olhos vermelhos da minha mulher desmentirem essa afirmação. Ela era a mais nova das quatro, com seus trinta e cinco anos, sete a menos que eu, e só cuidava da casa, sendo influenciada pelas outras três que tinham quase a minha idade. Quando as visitas foram embora, ela sentou do meu lado, se inclinou, deitou a cabeça no meu colo e começou a chorar desconsoladamente. Agarrada nos meus joelhos.
— Me perdoa, eu te traí, juro que foi só aquela vez e, embora eu seja a única responsável, as meninas me induziram a fazer isso. Faz comigo o que você quiser, mas não me abandona, eu te amo muito; todos esses dias eu sofri por causa disso, mas a culpa não me deixava pensar com clareza.
— Pra começar, não me toca. Que você foi infiel, eu sei desde quinta-feira passada. Me conta o que eu não sei e não esquece de nada.
— Na quarta, como você sabe, a gente tinha planos de sair pra jantar e depois tomar algo. Na discoteca, uns amigos da Sônia chegaram e sentaram com a gente, aí fomos dançar. Eu dancei com o Saúl, que deve ter uns trinta anos e um corpo de academia. Ficamos um tempão na pista, ele falava coisas sedutoras, que eu sou linda, que tenho um corpo desejável e tudo mais. Aos poucos, ele foi me apertando e eu me deixei levar. A gente se beijou longamente e, depois, sentados, ele me abraçou e começou a me acariciar. Eu falei pra ele parar, que era casada, e me afastei. Aí as meninas começaram: que era só diversão, que eu não estragasse a noite delas, que tomasse um bom drink pra me soltar, que me deixasse levar, etc. O Saúl aproveitou pra se aproximar de novo e, devagar, foi avançando nas carícias. Quando me dei conta, já estava de novo entregue aos beijos dele e ele tinha uma mão debaixo da minha saia, acariciando minha buceta. O resto foi fácil: ele tirou o pau, me fez chupar ele e gozou na minha boca. A gente continuou se beijando, ele encheu minha buceta com os dedos e me levou a um orgasmo tremendo. Um tempinho depois, já com uma nova ereção, ele me sentou por cima, afastou minha calcinha e entrou de uma vez, arrancando um grito meu que as meninas comemoraram. Dessa vez, a gente gozou junto, com o pau bem dentro de mim. Depois, a gente transou de novo antes de voltar pra casa. Foi só isso, e eu tô muito arrependida.
— E suas amigas?
— Pra elas, isso é normal.
— Cada dia se aprende algo novo. Agora descubro que minha esposa é especialmente fácil, melhor dizendo, Facilzinha. Me corrige se eu errar. Um cara que nunca antes tinha esfregado o pau nela dançando, que nunca tocou num peito, na bunda ou na buceta dela, que nunca deu um beijo nem no rosto, que nunca tinha cumprimentado ela antes, que nem em foto era conhecido, em só uma hora consegue que ela engula o esperma dele e duas vezes encha a buceta dela de porra. Foi assim?
- "Não, a gente já tinha dançado algumas vezes"
- "Beleza, resumindo, você me enganou e fui eu quem descobriu. Você falou quando já não aguentava mais a pressão que fiz durante uma semana. Ainda não decidi o que fazer, mas por enquanto você tem que tirar todas as suas coisas do quarto e do banheiro. Esses cômodos eram do casamento e essa união já não existe mais. Só pra avisar, se manda rápido e assim evita que eu te motive com o chicote".
Enquanto ela fazia a mudança das coisas dela de cabeça baixa e olhos cheios de lágrimas, eu via na TV um documentário sobre prostituição e isso me deu uma ideia do que fazer com ela.
- "Pía, já decidi o que fazer com você. Vai trabalhar como puta pra mim. Segundo esse programa, uma puta de baixo nível pode ganhar 20.000 por semana e uma de nível médio passa tranquilo dos 50.000. Não vou exagerar, com 40.000 eu fico satisfeito. Hoje é quinta, então a partir de agora toda quinta você me entrega esse dinheiro. Naturalmente não tem férias, nem atestado médico, nem tramitação que anule essa obrigação, então sugiro que você economize pra essas emergências. No primeiro descumprimento, peço o divórcio levando pro juiz seu relato das minhas chifradas, que gravei enquanto você falava, isso se eu não preferir prisão e morte".
Sem terminar de tirar as coisas, chorando desesperada, ela saiu correndo pro novo quarto dela e se jogou na cama. Ficou lá enquanto eu tirava pro corredor o pouco que faltava pra terminar. Quando se acalmou um pouco, ouvi ela ligar pras amigas contando o que aconteceu. Poucos minutos depois, tocou Meu celular, era a Lídia me pedindo pra receber elas amanhã às três, porque queriam falar comigo. Naturalmente, falei que adoraria esperá-las e combinamos pras seis da tarde.
Naquela sexta, enquanto esperava, percebi que já tava há nove dias de cuck e oito desde que descobri que tava de chifre. Elas chegaram umas três por volta do horário combinado, fiz elas entrarem, chamei a Pía pra se juntar a nós, ofereci algo pra beber e me preparei pra ouvir. Sendo a mais desenrolada, foi a Sônia quem tomou a palavra:
— "Abel, a gente queria que você nos ouvisse, porque até agora só a Pía assumiu a responsabilidade pelo que aconteceu, e a gente acha que de alguma forma também somos cúmplices."
— "Entendo que queiram ajudar a amiga de vocês e admiro essa atitude. Só peço uma coisa: não mintam pra mim."
— "Pode ter certeza que não vou fazer isso. Tudo começou quase um mês atrás. Como toda quarta, a gente saiu pra jantar e deu na telha de ir tomar algo numa balada que nos falaram. Depois de comprar as bebidas e já sentadas, quatro caras jovens, com pouco mais de trinta, se aproximaram. Cada um tentou se engraçar com uma de nós, numa conversa que primeiro foi geral e depois foi ficando mais pessoal. Dava pra ver a preferência do Saúl pela Pía, e com o tempo, todo mundo foi dançar."
— "Considerando que você ia ficar de olho na sua parceira e não no resto, agora quero ouvir a Pía, a protagonista da história."
— "A gente dançou como todo mundo, só que quando começou a música lenta, ele foi diminuindo a distância aos poucos, enquanto me chamava de gostosa, dizia que tava quase louco por mim, e pra isso colocava a boca perto da minha orelha, os lábios roçando no lóbulo enquanto a perna dele se enfiava entre as minhas. Depois de um tempão dançando com esses roçares, deixei o pau dele apertar contra minha buceta e a boca dele cobrir a minha. Sem perceber, levei meus braços pro pescoço dele e ele colocou as mãos nas minhas nádegas, o que... fez com que gozássemos só com o atrito. Quando nos recompusemos, percebi claramente o que tinha feito e, arrependida, fui me sentar, pedindo que ele me deixasse sozinha. Fiquei com a Lídia, que não tinha saído pra dançar, até a hora de ir embora.”
— “Sônia, Mabel, algo a acrescentar?”
— “Nada, porque quando voltamos de dançar, as duas estavam conversando e a gente foi embora na hora. O que me surpreendeu foi a quantidade de mensagens que eu tinha quando, ao chegar em casa, abri o celular. Eram do Saúl pedindo o número de telefone da Pía, cada mensagem com um motivo diferente: ‘é o amor da minha vida’, ‘tô louco por ela’, ‘não consigo pensar em outra coisa a não ser vê-la de novo’, e por aí vai. Aí eu cometi um erro. Passei o número.”
Para mim mesma, ajustava os números com base nos novos dados: vinte e três anos de corno, oito sabendo disso.
— “Beleza, agora a gente precisaria ver as mensagens que a Pía recebeu. Você mostra pra gente?”
— “Não quero, o uso do celular é algo íntimo.”
— “Você tem razão, não devia ter pedido.”
— “Desculpa, desculpa, pega aqui, olha o que quiser.” Ela disse isso de cabeça baixa e lágrimas nos olhos.
Procurei quinta-feira, dia 5, e, como tinha um monte de mensagens, selecionei duas que eram mais relevantes pra ler.
— “Essa é do galã: ‘Amor meu, tô perdido desde que quase nos fundimos dançando e, enquanto saboreava sua boca, senti você começar a tremer, anunciando o próximo orgasmo. Naquele momento, gozei encharcando a cueca. Quero te ver logo. Um beijo enorme.’”
— “Vamos ver o que a dama responde: ‘Nunca senti nada igual, também gozei e molhei a calcinha. Por favor, não me escreve, é perigoso. Te aviso quando a gente puder se ver. Um beijo molhado e profundo.’”
— “Não tem mais mensagens até quinta-feira, dia 19, que é quando fico sabendo do que rolou na noite anterior. Vamos considerar como verdade o que a Pía contou e que, no geral, tá refletido nas duas mensagens que vou ler pra vocês.”
— “Essa foi enviada pelo Saúl durante a manhã. Na imagem, vocês podem ver o pau que o cara tem.” Claro, respeitável. Abaixo da imagem vêm cinco frases. 1ª) Este é o pau que te fez gemer quando, abrindo sua buceta, chegou até o fundo; 2ª) Este é o pau que, na profundidade da sua vagina, derramou rios de porra; 3ª) Este é o pau que você espremia com os músculos da sua buceta para extrair a última gota de sêmen; 4ª) Este é o pau que, segurando com a mão, você passava pelas suas bochechas e lábios como se o adorasse e depois, chupando gulosamente, bebeu o líquido grosso que ele expelia; 5ª) Este é o pau que, lembrando de você, não amolece, e que depois de ter provado sua boca e seu sexo, anseia penetrar seu cu. Te amo”.
- “A resposta de Pia diz: Adoro o que você me diz e quero repetir. Não me escreva, que eu aviso quando. Sinto sua falta”.
- “Agora já estou bem informado. Só uma dúvida me resta e talvez vocês me ajudem a resolver. A pergunta é: O que faço com meus chifres?”. Coisa estranha, quem falou foi a Lídia.
- “Um esclarecimento, eu não colaborei em nada para que a Pia se enroscasse com o Saúl, então não me sinto responsável por isso. Tento ajudá-la porque gosto dela. Depois de conversarmos bastante, pensamos que um jeito de amenizar a culpa e a raiva é você, Abel, equilibrar a balança. E para isso nos oferecemos nós três”.
- “Deixa eu ver se entendi. Para equilibrar o que a Pia fez, vocês se oferecem para transar comigo?”
- “Exatamente”
- “Aceito a proposta e, em compensação, a Pia não vai trabalhar como puta. O resto continua valendo. Quando você tem tempo, Lídia?”
- “Poderia ser hoje, porque meu marido viaja para ver os pais dele e só volta no domingo”
Depois de mais um tempo de conversa, Sônia e Mabel se despediram. Aproveitei para sugerir sair para jantar nós três.
- “Perfeito, vou ligar para meu marido para avisar e me despedir. Oi, querido, como você vai viajar daqui a pouco, queria me despedir. Esta noite vou sair para jantar com a Pia e o Abel. O quê? Espera, vou ligar o viva-voz para eles te ouvirem. Agora repete a pergunta”
- “Você está Pra fazer um menage?"
- "A pergunta é séria ou de brincadeira?"
- "De brincadeira, querida, de brincadeira."
- "Javier, já eu vou te responder sério. Não vou fazer um menage porque Abel e Pia estão putos, mas vou dar uma trepada com o Abel até ele perder os sentidos. Saudações pros seus pais."
Com certeza nossas caras de surpresa fizeram ela continuar falando.
- "Vou ser sincera com vocês porque gosto de vocês e com certeza vão manter segredo, já que são os únicos que vão saber disso. É verdade que o Javier visita os pais dele, mas o que mais motiva ele é encontrar a Julia, a vizinha com quem ele transa desde os dezessete anos. Quando descobri, já faz dez anos, pensei que meu mundo ia desabar. No fim de semana seguinte, o Javier tinha que viajar a trabalho, então aproveitei, com a desculpa de visitar os pais dele, pra viajar e encarar ela. Não vão acreditar como ela me recebeu; as palavras dela foram: 'Agradeço você ter vindo, tava morrendo de vontade de te conhecer.' Vou resumir. Entre eles existe afeto, mas o Javier sente amor de verdade só por mim. O sexo depois de tanto tempo virou um vício do qual eles não conseguem se livrar, e por isso ela pede periodicamente que ele me trate como uma rainha, que me dê todos os mimos porque eu não tenho culpa desse vício que consome eles. Diante de uma revelação dessas, decidi garantir meu futuro em parte. Quando ele voltou da viagem, falei que queria que ele comprasse e colocasse no meu nome dois apartamentos de dois cômodos, porque queria viver decentemente no dia que ele se cansasse de mim ou eu me cansasse dele. E também que, toda vez que voltasse da visita aos pais, trouxesse dinheiro vivo de presente, a quantia que ele quisesse. Embora ele tenha se surpreendido com o pedido, percebendo que eu sabia de tudo, aceitou e cumpriu. Hoje tenho os dois apartamentos e com o que juntei, a qualquer hora compro um terceiro. Ele, mesmo sem largar o vício, se desdobra pra me mostrar o amor dele, e eu mantenho minha liberdade me dando bem. ocasionalmente algum gosto. Por outro lado, ele sabe que se fizer uma piada sobre esse assunto, vou responder mal. Dessa vez, claramente, escapou dele. Uma pergunta, Abel, você confia em mim?"
— "Claro"
— "Me permite cuidar das coisas até voltarmos?"
— "Com prazer. Antes que eu esqueça, Pia, me dá o telefone, não vou pagar um aparelho e a linha pra favorecer o crescimento dos chifres".
Quando eram quase dez da noite, Lidia veio avisar que já tinha reservado mesa onde costumavam ir às quartas e que um táxi vinha nos buscar, assim podíamos beber sem nos preocupar. Durante o jantar, Pia praticamente não participou da conversa, como se estivesse preocupada ou ausente. No final, Lidia, liderando a atividade, nos levou para a discoteca, cenário dos meus chifres, embora eu não soubesse. Já lá dentro, fui ao balcão pedir a bebida enquanto elas se sentavam numa mesa com sofá de três lugares, deixando uma ponta pra mim, com Pia no meio. Estávamos conversando há um tempo quando um jovem se aproximou e cumprimentou as duas mulheres como quem as conhecia.
— "Pia, vamos dançar?"
Claro que o convite me fez deduzir quem era o desconhecido, então olhei pra convidada, que estava pálida enquanto Lidia segurava o braço dela.
— "Saul, esse senhor aqui do meu lado é meu marido e sabe tudo o que rolou entre nós, pedi perdão a ele pela traição, ele sabe que estou arrependida e prometi que nunca mais se repetiria algo assim. Por favor, nos deixe em paz"
Não sei quem ficou mais surpreso com a resposta, se ele ou eu. De qualquer forma, o jovem conquistador, sem dizer uma palavra, foi embora.
— "Bom, tendo exorcizado o fantasma da discoteca, me sinto melhor," nos disse Lidia.
Como o que aconteceu com o ex-amante de Pia tinha estragado o clima bom, decidimos voltar pra casa.
Lá, servimos algo pra beber sentados no sofá, continuando a conversa com Lidia, porque Pia disse que preferia ir dormir.
— "Antes que fique tarde... Muito tarde, acho que tenho que cumprir meu compromisso."
- "Querida Lídia, não tenho tanta certeza disso, deixa eu me explicar. Nas horas que passamos juntos, curti sua companhia porque o clima é agradável, tranquilo e com total liberdade. A prova é que trocamos confidências que, de outro jeito, não teriam rolado. Se nesse ambiente descontraído a gente introduzir uma atividade com um certo ar de obrigação, vamos estragar tudo. Por isso, minha sugestão é deixar esse compromisso de lado. Uma última coisa: a sugestão é pra evitar algo que possa te deixar constrangida? Porque, se for pelo meu gosto, eu pediria pra equilibrar a balança dos chifres durar quarenta e oito horas. Deu pra entender?"
- "Perfeitamente. Agora eu vou tentar me fazer entender, e pra minhas palavras serem bem ouvidas, vou falar no seu ouvido. Eu também tô morrendo de vontade de você."
Depois dessas palavras, lentamente ela foi movendo os lábios da minha orelha, passando pela bochecha até minha boca, onde deixou um beijo suave e depois se afastou pra me olhar nos olhos com uma expressão séria. Passados alguns segundos, paralisado de surpresa, falei que ainda tinha algo a esclarecer, e me aproximando devolvi o beijo. Ela me surpreendeu de novo quando se levantou, pedindo pra eu sentar bem na beirada do sofá enquanto ela, de pé, me olhava. Quando me posicionei como ela queria, sentou de frente, montada nas minhas pernas, e se mexeu até que a buceta dela se esmagasse contra a minha, separados pela roupa. Depois cobriu meus lábios com os dela, começando um beijo longo e delicioso onde línguas, pélvis e mãos foram os instrumentos de prazer.
- "Entendeu meu esclarecimento?"
- "Entendido e curtido ao máximo."
Voltou a sentar do meu lado, bem colada, encostando a testa na minha bochecha, e eu correspondi passando o braço pelos ombros dela. Ficamos assim alguns minutos em silêncio, nos acariciando, e então, um a um, fui desabotoando os botões da blusa dela, que, sem sutiã, deixaram... liberei uns peitos médios que lambi, chupei e mordi de leve, enquanto ela acariciava minha cabeça e gemia de prazer. Mantendo a boca ocupada, com a mão levantei a saia dela na cintura, revelando a biquíni branca que coroava a junção das pernas longas dela, coladas uma na outra. Com o indicador e o polegar abraçando os lábios por cima da calcinha, num movimento de sobe e desce, acariciei a buceta dela por um tempo até que, abrindo as pernas de par em par, ela me mostrou o tecido molhado, pedindo que a carícia fosse por dentro. Não liguei, levando ela a se deitar sobre a mesa. Já sem obstáculo de roupa, levantei as pernas dela, trazendo os joelhos na altura dos ombros. Com uma mão, abri a vulva dela enquanto a outra apontava meu pau pra entrada.
— “Agora sim vamos equilibrar a balança.”
Fechei os olhos, me concentrando no atrito da penetração até não ter mais nada pra meter. Quando abri os olhos, Pia estava do nosso lado, segurando uma mão de Lidia no momento em que ela gozava. Os apertos vaginais foram acompanhados por um gemido longo, mistura de sofrimento e prazer, ficando depois como se estivesse dormindo. Quando as pálpebras se levantaram e o rosto dela se iluminou num sorriso, comecei o movimento de vai e vem pra buscar meu prazer, sendo parado por ela.
— “Por favor, não goza dentro de mim, deixa eu continuar no controle da ação.”
Ela fez eu me retirar, pegou Pia e a colocou na mesma posição que ela estava antes, guiando meu membro pro lugar escolhido. Tudo isso sem parar de falar.
— “O que sua mulher disse pro Saúl na confeitaria é algo muito sério porque tem marca de autenticidade. E esse selo eu descreveria assim: ela te pede que deixe ela ficar perto de você pra te mostrar o amor dela, te implora pra se deixar ser amado, não quer um perdão já e de boca, o que ela quer é ganhar seu perdão.”
— “Da Pia você pode falar o que quiser, que foi uma puta, que foi filha de uma puta, que foi uma traidora, que foi um lixo, que Foi uma merda, tudo o que você quiser, mas sempre precedido pelo "foi", porque isso é passado. Hoje a Pía é outra, e essa mudança é fruto da dor; dor de ter perdido o homem que ama, dor de amar e ser desprezada pelo amado, dor de ter trocado algumas horas de prazer por um longo tempo de sofrimento ininterrupto que ela não sabe se vai acabar, dor da angústia passada até que dessem os resultados de estar limpa de uma doença e sem gravidez. Essa é a Pía que você tem na sua frente, aberta pra você, com a buceta dela destilando sucos te convidando pra entrar. Não é razoável pedir que você esqueça a traição, mas neste momento peço que você ignore, faz ela sua de novo, que sua vara de carne pulsante se interne por aquele buraco que te anseia, que o fundo da vagina dela sinta o impacto dos jatos de porra do seu macho, que os músculos dela ordenhem sua pica até a última gota.
- "Não beija ela, reserva esse sinal pro futuro. Que seja o sinal de que o perdão chegou."
E foi assim. O orgasmo dos dois veio encadeado, as pulsações da minha pica expelindo porra foram imediatamente seguidas pelas contrações vaginais dela me espremendo.
Depois de satisfazer as urgências instintivas, Pía, Lidia e eu fomos descansar, Pía pro quarto de serviço, Lidia pro de hóspedes e eu pro meu. Enquanto esperava o sono, pensava nos acontecimentos das últimas horas e em como a Lidia, com uma delicadeza requintada, foi nos guiando até conseguir que a minha raiva da minha mulher diminuísse muito. Se a Pía persistisse em me mostrar o amor dela, muito provavelmente o casal logo se uniria de novo. Agora a palavra é do tempo.
1 comentários - Tenho sem querer, mas não vão crescer