A manhã de sábado seria meio chata, todas as mulheres tinham se levantado, todas menos Penélope. Tentei ser educado e conversar com elas como um cavalheiro, tentei agir normal, como se aquela jovem fosse só mais uma entre tantas.
Ela só apareceu na hora do almoço, não conversamos quase nada, mas nossos olhares e gestos diziam mais que mil palavras. Apesar da tagarelice constante das mulheres, todos os meus sentidos estavam focados na calma dos olhos dela, no seu olhar, na sua respiração, na sua doçura.
À tarde, as mulheres foram tirar uma soneca. Eu, por outro lado, peguei um livro que estava pela metade e fui para a beira da piscina. Com meus óculos de grau, sentei debaixo de um guarda-sol para me proteger do sol, queria me concentrar na leitura e só na leitura.
O problema é que Lara e Penélope decidiram nadar um pouco. As duas chegaram pouco tempo depois, bem onde eu estava, cobertas por um roupão. Olhei ansioso para a cena, sem conseguir disfarçar. Penélope não demorou a tirar o roupão e ficar só com um biquíni minúsculo. Um sutiã prateado brilhante segurava suas esferas perfeitas, que ameaçavam escapar ao menor descuido. A calcinha fio-dental preta era um triângulo pequeno que mal cobria a buceta dela, e por trás o triângulo era ainda menor que o da frente, exibindo uns glúteos nus mais que perfeitos.
Eu ainda estava olhando feito um idiota quando ela mergulhou de cabeça e sumiu da minha vista.
Com muito esforço, voltei para a leitura enquanto as garotas faziam barulho na água. De vez em quando, Lara se divertia jogando água em mim com as mãos, o que me irritava e fazia ela cair na gargalhada. Os anos passavam, mas no fundo ela continuava sendo uma pirralha.
Foi quando Penélope saiu da piscina como um crocodilo saindo de um pântano, para se deitar na borda e pegar sol, a dois metros de onde eu estava sentado. Levantei os olhos por cima do livro, via ela quase nua de onde estava, com O rabo dela, enorme, apontando pro céu, soltando as alças do sutiã pra bronzear as costas por igual, com milhões de gotas cobrindo a pele dela. Nisso, ela virou a cabeça pra onde eu tava pra me pegar olhando feito um idiota e falar:
"Facundo, passa bronzeador nas minhas costas?"
Lara caiu na gargalhada e disse:
"Pai! Enxuga essa baba..."
Aí as duas riram, me senti ainda mais otário, percebi que tinham planejado tudo e só estavam zoando a inocência desse velho trouxa. Fiquei puto, e elas riram mais ainda. Nunca gostei de ser motivo de piada, ainda mais de duas pirralhas, então levantei e deixei elas sozinhas.
Fui pro lago nadar um pouco na solidão, precisava de água bem gelada pra esfriar meu tesão, meu tesão por me sentir humilhado e meu tesão sexual.
Quando o sol já não queimava e começava a cair no horizonte, voltei pras mulheres que estavam lanchando. Rosa me chamou pra acompanhar elas, mas ainda tava bolado, então só aceitei meio na seca uns pães com geleia de laranja. Os doces da vó eram tentadores demais e, como sempre fazia, resolvi andar de bicicleta.
Saí pra dar a volta no lago pelos caminhos estreitos que se abriam entre as árvores. Só se ouvia o zunzum sem fim das araras que ninavam nas alturas. Respirava, tentando encher meus pulmões de natureza. Tava chegando o fim das férias e a volta pra selva de concreto.
Depois de dez minutos, a calma foi quebrada pelos gritos da Penélope:
"Facundo! Facundo!"
Quando ouvi, parei e virei. A guria vinha a uma distância prudente em outra bicicleta, gritando pra eu parar.
Não tive escolha a não ser me embriagar de novo com a figura dela. Ela usava um top branco curto, sem ombros, justo, desenhando os peitos perfeitos dela, marcando os bicos, como sempre a barriga dela de fora com aquela cintura fininha, umas leggings pretas com corte que pareciam uma calça com zíper dourado na lateral, mas que inevitavelmente grudavam pecaminosamente na silhueta dela, umas botas pretas de cano médio, mais próprias pra montaria do que pra ciclismo. Aquela pestinha simplesmente me tirava o fôlego, o corpo dela era um caminho intrincado e perfeito de curvas e contracurvas que eu tava disposto a percorrer, mas alguma coisa no meu orgulho ainda tava ferida. Aí ela puxou conversa, meio ofegante:
— Facundo, por que você tá me evitando?
— Te evitando? Não tô te evitando, mas não gosto que tirem sarro de mim...
— Tá bom, se te incomodou tanto, me desculpa...
— Penélope, tenho mais de cinquenta, não gosto de ser o palhaço da festa...
— Ok, ok! Desculpa, desculpa! Foi só uma brincadeira, mal tenho vinte... — sentenciou, como fazendo um contraponto com as minhas palavras.
Seguimos pedalando uns minutos em silêncio, um do lado do outro, como quem medita as próximas palavras. Ela voltou à carga:
— Cê me acha gostosa?
— Qualé... vamos voltar pro jogo? Precisa dessa pergunta? — respondi seco, adivinhando que ela tava brincando comigo.
— Sério, Facundo! Sei que sou gostosa, mas quero saber se pros seus olhos eu sou gostosa...
— Puxa pergunta hein... devia arrancar meus olhos pra não te olhar, você é a criatura mais perfeita que sem dúvida Deus colocou na Terra!
Ela riu do meu elogio e seguimos mais um pouco até parar pra descansar num gramado fresco e verde à beira do lago. Deixamos as bicicletas de lado e percebemos que estávamos absolutamente sozinhos naquele ponto do universo. O sol tava quase no horizonte, naquele lugar onde ele parece gigante e a gente quase consegue olhar de frente sem machucar a vista. As maritacas do entardecer começavam a se calar e davam lugar aos primeiros violinos dos... grilos que habitavam o lugar, não sabia o que fazer, não queria passar por um tarado, mas também não queria ficar de idiota que deixou a oportunidade passar. Então perguntei pra Penélope, que observava em silêncio o pôr do sol.
Por que a gente faz isso?
Isso? O que é isso? – ela respondeu, querendo que eu fosse direto na pergunta.
Isso, desde ontem que a gente brinca de puta e rato num jogo de sedução mútua… se você fosse mais velha, ou se eu tivesse uns anos a menos…
É que assim tá bom do jeito que tá… – ela disse, engasgando as palavras depois.
Cê acha? Sou um velho pra você, tem tanto jovem por aí, bombadinho, bonitão, viril…
Bahhh… – ela só sentenciou, como se desprezasse o que eu tava falando.
O que significa exatamente esse ‘bah’?
Ela fez um silêncio, como se tivesse tomando fôlego pra começar.
A verdade, Facundo, os caras da minha idade me enchem o saco, são imaturos, superficiais, têm a cabeça oca, são previsíveis, só querem me comer e pronto…
Já os da minha idade… – falei, incentivando ela a continuar.
Os da sua idade são diferentes, são interessantes, viveram a vida, enfrentaram problemas, sabem tratar uma mulher, sabem me fazer mulher…
E você já teve muitos ‘da minha idade’?
Só um par… – ela sentenciou, mostrando que não queria entrar em detalhes.
CONTINUA
Se você é maior de idade, gostaria de saber sua opinião sobre esse conto intitulado ‘PENÉLOPE’ em dulces.placeres@live.com
Ela só apareceu na hora do almoço, não conversamos quase nada, mas nossos olhares e gestos diziam mais que mil palavras. Apesar da tagarelice constante das mulheres, todos os meus sentidos estavam focados na calma dos olhos dela, no seu olhar, na sua respiração, na sua doçura.
À tarde, as mulheres foram tirar uma soneca. Eu, por outro lado, peguei um livro que estava pela metade e fui para a beira da piscina. Com meus óculos de grau, sentei debaixo de um guarda-sol para me proteger do sol, queria me concentrar na leitura e só na leitura.
O problema é que Lara e Penélope decidiram nadar um pouco. As duas chegaram pouco tempo depois, bem onde eu estava, cobertas por um roupão. Olhei ansioso para a cena, sem conseguir disfarçar. Penélope não demorou a tirar o roupão e ficar só com um biquíni minúsculo. Um sutiã prateado brilhante segurava suas esferas perfeitas, que ameaçavam escapar ao menor descuido. A calcinha fio-dental preta era um triângulo pequeno que mal cobria a buceta dela, e por trás o triângulo era ainda menor que o da frente, exibindo uns glúteos nus mais que perfeitos.
Eu ainda estava olhando feito um idiota quando ela mergulhou de cabeça e sumiu da minha vista.
Com muito esforço, voltei para a leitura enquanto as garotas faziam barulho na água. De vez em quando, Lara se divertia jogando água em mim com as mãos, o que me irritava e fazia ela cair na gargalhada. Os anos passavam, mas no fundo ela continuava sendo uma pirralha.
Foi quando Penélope saiu da piscina como um crocodilo saindo de um pântano, para se deitar na borda e pegar sol, a dois metros de onde eu estava sentado. Levantei os olhos por cima do livro, via ela quase nua de onde estava, com O rabo dela, enorme, apontando pro céu, soltando as alças do sutiã pra bronzear as costas por igual, com milhões de gotas cobrindo a pele dela. Nisso, ela virou a cabeça pra onde eu tava pra me pegar olhando feito um idiota e falar:
"Facundo, passa bronzeador nas minhas costas?"
Lara caiu na gargalhada e disse:
"Pai! Enxuga essa baba..."
Aí as duas riram, me senti ainda mais otário, percebi que tinham planejado tudo e só estavam zoando a inocência desse velho trouxa. Fiquei puto, e elas riram mais ainda. Nunca gostei de ser motivo de piada, ainda mais de duas pirralhas, então levantei e deixei elas sozinhas.
Fui pro lago nadar um pouco na solidão, precisava de água bem gelada pra esfriar meu tesão, meu tesão por me sentir humilhado e meu tesão sexual.
Quando o sol já não queimava e começava a cair no horizonte, voltei pras mulheres que estavam lanchando. Rosa me chamou pra acompanhar elas, mas ainda tava bolado, então só aceitei meio na seca uns pães com geleia de laranja. Os doces da vó eram tentadores demais e, como sempre fazia, resolvi andar de bicicleta.
Saí pra dar a volta no lago pelos caminhos estreitos que se abriam entre as árvores. Só se ouvia o zunzum sem fim das araras que ninavam nas alturas. Respirava, tentando encher meus pulmões de natureza. Tava chegando o fim das férias e a volta pra selva de concreto.
Depois de dez minutos, a calma foi quebrada pelos gritos da Penélope:
"Facundo! Facundo!"
Quando ouvi, parei e virei. A guria vinha a uma distância prudente em outra bicicleta, gritando pra eu parar.
Não tive escolha a não ser me embriagar de novo com a figura dela. Ela usava um top branco curto, sem ombros, justo, desenhando os peitos perfeitos dela, marcando os bicos, como sempre a barriga dela de fora com aquela cintura fininha, umas leggings pretas com corte que pareciam uma calça com zíper dourado na lateral, mas que inevitavelmente grudavam pecaminosamente na silhueta dela, umas botas pretas de cano médio, mais próprias pra montaria do que pra ciclismo. Aquela pestinha simplesmente me tirava o fôlego, o corpo dela era um caminho intrincado e perfeito de curvas e contracurvas que eu tava disposto a percorrer, mas alguma coisa no meu orgulho ainda tava ferida. Aí ela puxou conversa, meio ofegante:— Facundo, por que você tá me evitando?
— Te evitando? Não tô te evitando, mas não gosto que tirem sarro de mim...
— Tá bom, se te incomodou tanto, me desculpa...
— Penélope, tenho mais de cinquenta, não gosto de ser o palhaço da festa...
— Ok, ok! Desculpa, desculpa! Foi só uma brincadeira, mal tenho vinte... — sentenciou, como fazendo um contraponto com as minhas palavras.
Seguimos pedalando uns minutos em silêncio, um do lado do outro, como quem medita as próximas palavras. Ela voltou à carga:
— Cê me acha gostosa?
— Qualé... vamos voltar pro jogo? Precisa dessa pergunta? — respondi seco, adivinhando que ela tava brincando comigo.
— Sério, Facundo! Sei que sou gostosa, mas quero saber se pros seus olhos eu sou gostosa...
— Puxa pergunta hein... devia arrancar meus olhos pra não te olhar, você é a criatura mais perfeita que sem dúvida Deus colocou na Terra!
Ela riu do meu elogio e seguimos mais um pouco até parar pra descansar num gramado fresco e verde à beira do lago. Deixamos as bicicletas de lado e percebemos que estávamos absolutamente sozinhos naquele ponto do universo. O sol tava quase no horizonte, naquele lugar onde ele parece gigante e a gente quase consegue olhar de frente sem machucar a vista. As maritacas do entardecer começavam a se calar e davam lugar aos primeiros violinos dos... grilos que habitavam o lugar, não sabia o que fazer, não queria passar por um tarado, mas também não queria ficar de idiota que deixou a oportunidade passar. Então perguntei pra Penélope, que observava em silêncio o pôr do sol.
Por que a gente faz isso?
Isso? O que é isso? – ela respondeu, querendo que eu fosse direto na pergunta.
Isso, desde ontem que a gente brinca de puta e rato num jogo de sedução mútua… se você fosse mais velha, ou se eu tivesse uns anos a menos…
É que assim tá bom do jeito que tá… – ela disse, engasgando as palavras depois.
Cê acha? Sou um velho pra você, tem tanto jovem por aí, bombadinho, bonitão, viril…
Bahhh… – ela só sentenciou, como se desprezasse o que eu tava falando.
O que significa exatamente esse ‘bah’?
Ela fez um silêncio, como se tivesse tomando fôlego pra começar.
A verdade, Facundo, os caras da minha idade me enchem o saco, são imaturos, superficiais, têm a cabeça oca, são previsíveis, só querem me comer e pronto…
Já os da minha idade… – falei, incentivando ela a continuar.
Os da sua idade são diferentes, são interessantes, viveram a vida, enfrentaram problemas, sabem tratar uma mulher, sabem me fazer mulher…
E você já teve muitos ‘da minha idade’?
Só um par… – ela sentenciou, mostrando que não queria entrar em detalhes.
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Se você é maior de idade, gostaria de saber sua opinião sobre esse conto intitulado ‘PENÉLOPE’ em dulces.placeres@live.com
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