9 Meses, Meus Dias Mais Felizes

Sou só o produto de uma noite de bêbados, meus pais passavam o tempo discutindo até o limite da agressão física, eles realmente se odiavam.
Minha mãe ficava fumando numa vida de preguiçosa jogada na frente da TV, meu pai vivia de bicos, só pra sobreviver, e os poucos trocados que ganhava gastava em álcool, vivia bêbado e quando chegava em casa era só problema atrás de problema.
Eu vivia imersa nessa farsa de família, muitas vezes meu pai batia na minha mãe abusando da força masculina dele, mas outras, quando ele se perdia nas bebidas, minha mãe costumava se vingar.
As porradas, os gritos, as reconciliações, as coisas da casa quebrando eram coisa do dia a dia.

Tinha só sete anos quando vi minha mãe pela última vez, a covarde simplesmente desapareceu das nossas vidas, só se esfumou, cansada dessa vida de perdedores, um dia fez as malas e foi embora, apesar de todas as ameaças que meu pai jogou sobre os ombros dela.
Meu pai e eu seguimos em frente, mas as coisas só pioraram, virei o centro de todos os insultos e frustrações dele, por minha causa minha mãe tinha abandonado ele, por minha causa ele estava preso nessa vida, por minha causa, só por minha causa.
Eu tinha ocupado o lugar da minha mãe, com a diferença de que estava em desvantagem, eu era só a filha dele.

As coisas foram ladeira abaixo, tudo perdia o sentido, ele começou a trazer putas pra casa, vivia fora de si, transavam sem se importar se eu via, e por volta dos dez anos, quando as meninas ainda brincam de boneca, eu já sabia quase tudo sobre sexo, nunca odiei ninguém como odiei meu pai. De vez em quando alguma prostituta se compadecia de mim, mas elas só estavam vendendo o tempo delas.

Logo começariam minhas rebeldias, os enfrentamentos, e ele não estava disposto a repetir comigo os dias que tinha vivido com minha mãe, ele notava que eu estava virando mulher e que tinha dentro de mim todo o ódio de tantos anos miseráveis.
Nossa história estava quebrada e nada mudaria. isso.

Eu tinha catorze anos quando ele me fez acompanhá-lo, pegamos um trem e paramos num lugar que eu não conhecia, fomos com uns caras estranhos, dos quais desconfiei, eles me olharam como quem compra gado, 'tem futuro' disseram, eu não entendia bem o que estava acontecendo, mas vi como deram vários maços de dinheiro pro meu pai, ele só contou, deu meia-volta e foi embora, sem nem olhar nos meus olhos, sem me dizer uma palavra.

Um dos caras me agarrou pelo pulso pra eu não fugir e tive que segui-lo à força.

Resumindo, papai me tinha vendido pra uns cafetões que me levaram pra um clube noturno. Foi nojento aguentar como revistaram meus dentes, minha bunda e meus peitos incipientes, me apalparam um pouco e eu reagi como um potro selvagem, cuspi neles e eles só caíram na gargalhada, 'é brava, já vamos domar...', foi o que disseram, falavam de mim como o novo projeto deles, calculando quanto dinheiro fariam com alguém tão jovem e que obviamente ainda era virgem.

Me explicaram como funcionavam as coisas naquele povoado do inferno, se eu abrisse a boca, eles me achariam, se tentasse fugir, eles me achariam, se não trabalhasse, não comeria, e do meu trabalho dependeria minha sorte.

Chamaram uma das mulheres, Sara, que era a mulher de confiança, a mão direita, pra me 'doutrinar'.

Ela me mostrou as instalações, o palco onde as garotas dançavam, me explicou que me ensinariam tudo sobre pole dance e me disse que os caras iam todas as noites deixar sua grana enquanto tomavam uma cerveja.

Me disse que eu me acostumaria com aquele mundo, cedo ou tarde, todas se acostumam, também me confessou que dançar era bom, mas era só o começo, o dinheiro mesmo se fazia nos privês que ficavam nos lados, basicamente se você 'fisgasse' alguém levava pra esse lugar e fazia o que ele te pedisse, só dançar no privê pro cara se masturbar era o básico, o mais barato, seguia chupar um pau, depois oral e vaginal, e o mais caro era o completo que incluía o anal, outras perversões só dependiam de cada uma.
Meu presente de quinze anos foi estrear naquela passarela, quase nua e sentir as mãos de estranhos colocando notas no meu fio dental. Já tinha um corpo chamativo e seios que ainda estavam se desenvolvendo, e senti pela primeira vez a vida que teria pela frente, dançando em salto alto, com tangas enfiadas no cu, com as tetas nuas só para estranhos desconhecidos.

Já sei que vão pensar: as leis, a prostituição, menor de idade, que se foda toda essa merda que soa muito bonito num programa de televisão. No 'Ciervo Tuerto', como se chamava o lugar, todos iam comer do mesmo prato, como porcos se revirando num chiqueiro. Policiais, políticos e juízes disputavam as garotas de aluguel.
Não tinha pra onde fugir, pra onde escapar, e estar naquele lugar pestilento era só um jeito de sobreviver.

Aos vinte já tinha boa reputação, me destacava por ser mais gostosa que a média das garotas. Já era uma mulher com tetas muito boas e minha sensualidade no palco enlouquecia os homens. Evaristo e Sandro, os caras que tinham dado a grana pro meu pai, estavam recuperando com juros e correção no suor da minha buceta.
E minha fama também vinha do que acontecia nos privados. Era uma máquina de sexo, tudo por dinheiro. Chupava entre cinco e oito paus toda noite, todos os dias, todas as semanas, todos os meses, todos os anos. Por dinheiro fazia de tudo: vaginal, anal, perversos, sádicos. Fiz de corna a esposa do comissário, de vários políticos, empresários, e, por mais incrível que pareça, bem escondida atendia o padre Aldo, o cura do povoado, que tinha problemas terríveis de consciência. Ele me comia até encher a camisinha de porra, chupava minhas tetas de forma doentia, depois se ajoelhava e eu tinha que chicoteá-lo pela culpa que sentia.

Aos vinte e sete estava no auge, tinha o número noturno principal e me... Eu tinha me tornado a joia preciosa do Cervo Caolho. Com Evaristo morto num acidente, Sandro assumiu a frente e estava embolsando uma grana. Ele já não queria mais que eu atendesse nos privês, e eu tinha ficado exigente – poucos podiam bancar meus preços. Sabia que tinha que aproveitar meu estrelato enquanto durasse, porque já sentia umas novinhas vindo com tudo lá de baixo.

Foi aí que Matías Cervantes apareceu na minha vida. Um empresário do ramo florestal de passagem pela cidade, com uns projetos, com dinheiro pra fazer mais dinheiro. A noite trouxe ele pro Cervo Caolho, e não demorou pra ele chamar minha atenção. Um cara na casa dos quarenta, bem cuidado, elegante, com os cabelos prematuramente grisalhos e uns olhos azuis perigosos. Não demorou pra gente ir pra um dos privês. Ele pediu pra eu dançar pra ele, deixar o tempo fluir, e que talvez um bom boquete não fosse má ideia.

Fechei as cortinas. Só uma luz vermelha fraca iluminava o espaço apertado, e o ar-condicionado dava um alívio pro calorão do lugar. Matías usava uma camiseta fina bem colada no corpo, e dava pra ver que, pra idade dele, ele tinha um peito e uma barriga muito bem definidos – claramente passava horas na academia. Outra coisa que chamava atenção: calça e paletó azul-escuro. Ninguém ia tão arrumado pra tomar uns tragos e pagar por uma puta de ocasião. Ele cheirava muito bem, muito *tasty*, com um perfume que imaginei ser caríssimo.

Eu estava quase nua. Naquela noite, usava botas até o joelho, com mais de vinte centímetros de salto, um fio-dental dourado que mal cobria minha buceta, meus peitos desnudos, cabelo preso, brincões e uma maquiagem sensual com cílios postiços longos.

Comecei a mover meus quadris de um lado pro outro no ritmo da música, sensual, provocante. Notei na hora como os olhos de Matías se perderam, admirando sem volta o tamanho das minhas tetas. Ele sussurrou que meus mamilos eram lindos e... ele tentou acariciá-los. Eu apenas recuei o suficiente para que ele não conseguisse tocá-los, só o necessário para que, esticando o braço, seus dedos inquietos ficassem a centímetros da minha pele. Continuei me mexendo e lhe presenteiei com um sorriso. Ele, vendo minha reação, sussurrou:

"Gosta de brincar de difícil, é?"

Foi quando me ajoelhei e, como uma tigresa, rastejei em sua direção de quatro. Ele abriu as pernas e me permitiu avançar. Beijei seu sexo por cima da calça, senti uma deliciosa dureza contida. Olhei fixamente em seus olhos, queimando-o com o olhar. Minhas mãos experientes afrouxaram o cinto, abriram o botão e baixaram o zíper. Então, tirei seu pau para fora – de tamanho normal, tendendo para pequeno. Comecei a masturbá-lo e, normalmente, deveria ter colocado uma camisinha, mas não o fiz. Em anos de prostituição, seria a primeira vez. Foi um instinto feminino.

Abaixei meu rosto e comecei a chupá-lo muito gostoso. Eu sempre fazia ao gosto do cliente e notei como ele empurrava minha cabeça para baixo, dando a entender que queria que eu engolisse tudo. Empurrei um pouco, e mais um pouco, até que meus lábios chegaram aos seus testículos. Sentia a cabeça do pau acariciando minha garganta e ali fiquei, brincando, lentamente, muito lentamente, sem pressa, sem pausa. Eu era a melhor do lugar e estava provando isso para ele.

Senti seus gemidos, senti suas contrações. Continuei apenas brincando, deixei que ele gozasse. Minha boca se encheu com seu sêmen quente. Tentei não engolir tudo, mas ele jorrava como um cavalo. Continuei brincando até que nada mais saísse de seu pau.

Minha boca estava cheia de porra que, pouco a pouco, se misturava com a saliva. Ele me olhava, recuperando o fôlego. Então, deixei a mistura escorrer lentamente pelos meus lábios, pelo meu queixo, pelo meu pescoço. O líquido escorreu pelos meus peitos e eu untei meus mamilos com ele. Matías me puxou para seu lado, frente a frente. Abri minhas pernas e me sentei sobre as dele. Meus peitos ficaram na altura de seu rosto e deixei que ele os devorasse com beijos e mordidas. Suas mãos se agarraram às minhas... glúteos e, pela primeira vez, a fria máquina sexual em que eu me transformara estava em apuros. Senti toda a minha vida ao lado dele balançar, era hipnótico. Busquei sua boca com a minha e nos fundimos num beijo enorme, no qual senti sua língua entrar até o fundo da minha garganta.

No melhor momento, Matías me afastou e disse:

— Chega por hoje.

Enquanto contava suas notas para pagar meus serviços, eu estava acostumada com isso — era assim que as coisas terminavam —, mas por alguma razão estranha, eu disse para ele me visitar de novo.

Nunca vou esquecer que, quando fui para a cama, repensei tudo o que aconteceu. Eu o tinha beijado, e minha regra era nunca beijar ninguém na boca, mas Matías era diferente. Acariciei meus mamilos sem querer e minhas curvas, imaginando que era ele quem me acariciava. Baixei minha calcinha, minha buceta estava toda molhada. Acariciei meu clitóris enorme ao toque. Que merda. Virei de lado, sentindo meus fluidos escorrerem pelas minhas pernas. Enfiei meus dedos na minha boceta e me masturbei com loucura, com fúria, e não parei até ter um orgasmo enorme.

Levei meus dedos médio e anelar da profundidade do meu sexo até a profundidade da minha boca. Gostava do meu sabor, gostava de como eu sabia, e sempre que me masturbava acabava bebendo meus próprios fluidos. Só que dessa vez, imaginava que era Matías quem lambia meus dedos.9 Meses, Meus Dias Mais FelizesCom o passar dos dias, Matías se tornaria um hábito na minha vida. Ele me visitava noite após noite e gastava fortunas pela minha companhia. Pagou por um oral, pagou por um vaginal e também pagou por um anal — uma, dez, cem vezes. Conversávamos muito. Contei minha história de vida, minha infância, como tinha chegado àquele lugar. Ele me falou sobre sua esposa frígida, a quem já não amava, e como se traíam mutuamente. Também sobre seus filhos e seus projetos. Disse que era um trotamundos, que só buscava oportunidades e negócios, e que, assim como tinha chegado, um dia partiria.

Ele só tinha palavras doces para mim. Trazia presentes todas as noites, depois do meu show e antes do sexo, me dava algum chocolate. Eu o repreendia porque me faria engordar, mas certamente eram irresistíveis.

Ele me perguntava, depois de transar, se eu iria com ele se surgisse a oportunidade. Chegou a dizer que me amava.

E Matías me dava asas para acreditar. Dizia que eu era especial, única. Não queria que eu transasse com mais ninguém além dele. E eu simplesmente naufraguei sem me dar conta. Foi tarde quando percebi o que estava acontecendo. Cometi o erro que uma mulher da minha área não pode cometer: tinha me apaixonado por um cliente. Acreditei no conto de fadas da Cinderela e vi nele aquele príncipe perfeito com quem todas sonham alguma vez.

Pela primeira vez na minha vida de prostituta, parei de usar preservativos. Pela primeira vez, alguém encheu minha buceta de porra. Pela primeira vez, não senti nojo quando um cara me tocava. Pela primeira vez, senti borboletas no estômago. Pela primeira vez, me senti mulher naquela merda de vida que levava. E pela primeira vez, meus orgasmos não eram fingidos.

Veio a gravidez. Não a procurei, simplesmente veio. E foi quando meu castelo de vidro se desfez em cacos.

Conheceria o verdadeiro Matías — o homem de negócios, frio e calculista. Quando contei que seria pai, ele começou a rir. "Eu, pai? Que piada. Que eu fosse mãe não implicava que ele fosse... Pai, não podia fazer piadas de mau gosto assim, se eu era só uma prostituta que transava com qualquer um, quais seriam as chances de ele ser o pai? Uma em cem?

O que eu ia dizer? Que sentido tinha? Ele partiu meu coração, o meu caso era só um ato de amor bobo, e mesmo que ele tenha continuado frequentando o pub por um tempo, nunca mais voltamos a nos falar, eu sentia nojo só de sentir a presença dele e começava a chorar como uma idiota, ele tinha deixado bem claro, eu era só uma prostituta qualquer.

O próximo assunto seria enfrentar o Sandro, eu estava chegando nos trinta e já estava cansada daquela vida, além do mais uma mulher grávida não combinava com aquele lugar. Ele me ouviu atentamente, e sua proposta era a lógica, a saída que ele sempre sugeria, o que sempre acontecia, um aborto, ele tinha contatos com alguns médicos que por acaso eram clientes do Cervo Caolho e sempre atendiam as garotas que "erravam", como ele dizia.

Mas eu não queria abortar, o que tinha na minha barriga era fruto do meu amor, da minha ilusão e eu propus uma loucura, continuar dançando, do jeito que fosse, deixando os clientes verem como minha barriga crescia aos poucos. Não convenci ele imediatamente, aliás, o Sandro se recusava a me dar razão, mas na verdade ele sabia que estava em dívida comigo, naturalmente eu deveria ter odiado ele pela vida que me deu, mas acho que naqueles anos com as garotas fui mais feliz do que com meus próprios pais.

Passados os primeiros dias de enjoos naturais, minha barriguinha começou a crescer devagar, e juro que foram os dias mais felizes da minha vida, ninguém dançava grávida, ninguém transava no Cervo Caolho com uma grávida, no entanto os caras ficavam loucos, pagavam fortunas para comer a grávida, muitos curtiam gozar na minha barriga e fui uma pioneira no lugar dançando pool dance com uma pança enorme. Me sentia feliz, queria viver meu presente e viver plenamente minhas nove luas, não me interessava o futuro que estava por vir, pensar o que faria com uma menina? porque já sabia que era menina.

Estava no meu oitavo mês de gravidez, sentia os movimentos inquietos de Malena na minha barriga, inquieta como a mãe, e nesses dias tive uma sorte que ninguém tem, Sandro estava com uns problemas de saúde, descobriram um câncer de próstata fulminante, não tinha muito o que fazer, vivia com overdose de morfina para aguentar as dores de uma metástase incontrolável, o futuro do Cervo Cego estava à deriva e Berenice, uma garota afro de pele negra como a noite veio ocupar meu lugar, era simplesmente perfeita e os caras da cidade se apaixonaram por aquele corpo especial, fora do comum, meu ocaso tinha chegado.

Minha última dança foi só dois dias antes de parir, com quinze quilos acima do peso, me sentia linda, fazendo uma dança no cano completamente pelada, com minha enorme barriga, mostrando minha buceta pra quem quisesse ver, e sentindo os assobios entre cheiro de cigarros e barulho de garrafas de cerveja, e sabia que seria minha despedida daquele antro, não pensava em voltar e só busquei meu momento para escapar daquela prisão eterna.

Chegou o parto, tudo foi maravilhoso e assim que pude ficar de pé peguei um trem com destino incerto, quanto mais longe melhor.
Hoje Malena tem cinco anos e já cursa seus primeiros anos de estudo, é minha razão de viver e dou todo o amor que me faltou na minha infância, pra ela sou uma mamãe perfeita, algum dia vou ter que sentar pra contar minha vida, e quem foi seu pai.
Entre outras coisas com as que me ganho a vida, hoje dedico meu tempo a uma ONG, a tirar garotas abusadas como eu fui, de lares onde não tem amor, e de prostíbulos corruptos como o Cervo Cego, onde pequenas inocentes são obrigadas a se prostituir quando ainda deveriam brincar com bonecas.

Se você gostou dessa história pode me escrever com o título '9 LUNAS, MEUS DIAS MAIS FELIZES' no dulces.placeres@live.com

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