A continuação da história da minha mãe e o cafajestehttp://www.poringa.net/posts/relatos/3408650/Mi-madre-y-el-macarra-1.htmlAcordei atordoado, como se estivesse de ressaca. Sentia os olhos secos e inchados. É, tinha bebido bastante, mas sem chegar ao estado de embriaguez total. Mesmo assim, não costumava beber álcool e o que tinha ingerido me fez bastante efeito. Não comi nem jantei e quando voltei pra casa me deitei só com álcool no estômago. Dormi muito mal. O que tinha visto vinha na minha cabeça assim que fechava os olhos. Passei várias horas virando na cama, tentando me acalmar, até que depois das 3 o cansaço me venceu.
Virei pra olhar o relógio. Passava das 8. Ouvia barulhos lá embaixo na cozinha, sinal de que meus pais já tinham levantado. Me cobri com os lençóis; o sol entrando pela porta da sacada me incomodava demais. Embora não fosse o único motivo. Queria que ainda fosse noite, pra nunca ter que descer e encarar minha mãe. Sentia que ainda ia encontrá-la largada no sofá, talvez ainda com o Francisco em cima dela se mexendo sem parar. Mantinha os olhos abertos, vendo o tecido azul do lençol que me cobria, já que cada vez que fechava eles a cena nojenta do dia anterior voltava na minha memória. Sabia que não podia durar assim pra sempre: se não levantasse daqui a pouco, meia hora no máximo, minha mãe subiria pra perguntar se eu não ia jogar futebol como todo sábado.
Meus pensamentos continuaram girando como um tornado que ficou preso e continua destruindo algum povoado infeliz. De novo senti as náuseas do dia anterior. De repente, o ambiente no meu quarto ficou insuportável. O ar parecia extremamente denso, faltava oxigênio e tirar os lençóis de cima não melhorou minha sensação. Meu quarto tem uma sacada, mas eu estava tão perturbado que esqueci dela e resolvi descer na minha busca por uma atmosfera mais agradável. Lá embaixo cheirava a café da manhã. Tive que descer as escadas com cuidado, me segurando no corrimão. As escadas de onde tinha visto a infidelidade cometida.
Já tinha descido metade dos degraus quando consegui ver o sofá. Diferente do dia anterior, que eu tinha passado deitado na escada, agora estava de pé, então demorou mais pra entrar no meu campo de visão. Minhas fantasias se mostraram falsas, não tinha uma foda violenta rolando nele. O sofá e a sala estavam impecavelmente arrumados, não tinha calcinha em cima da mesinha de centro e os almofadas que tinham voado pra todo lado estavam de volta no lugar. No meio delas estava… meu pai, sentado tranquilamente, mexendo no celular. Respirei ofegante por um instante. O coitado estava vendo o Facebook dele, sem desconfiar da situação grotesca que tinha acontecido ali, onde ele apoiava a bunda tão sossegado.
Terminei de descer e passei sem cumprimentar meu pai. Não queria fazer contato visual com a sala. Fui pra cozinha, onde ouvia o barulho de pratos se mexendo. Escutei a voz da minha mãe à direita, também evitei virar a cabeça.
- Bom dia, querido – disse minha mãe assim que me viu – Vem tomar café, anda.
- Já vou. Só vou no banheiro.
Fui mijar no banheiro de baixo, que o Francisco tinha acabado de reformar. As lembranças da tarde anterior voltaram a me bater enquanto eu mijava. E demorei pra caralho mijando, tava com a bexiga cheia depois da minha saída no dia anterior. Porra! Por que não tinha mijado no banheiro de cima? Lavei as mãos o mais rápido que pude e saí.
Entrei na cozinha pra tomar café com a cabeça baixa, tentando evitar contato visual com qualquer um. Mas depois de um tempo levantei a cara. Não consegui evitar me sentir aliviado, tanto que soltei um suspiro que ninguém notou (felizmente). Minha mãe tava usando uma camiseta regata branca daquelas que ela adora, uma calça jeans apertada e o cabelo preso num rabo de cavalo. Ela sorria e parecia fresca, como se tivesse acabado de tomar um banho. "Não se limpa, quero que você traga minha gozada dentro dela"... A voz do Francisco veio na minha cabeça, me enchendo de dúvidas. Ela tinha tomado banho na noite passada? Ou de manhã? Se fosse de manhã, tinha dormido, deitado ao lado do meu pai com a porra de outro homem dentro dela. Porra. O pão descia com dificuldade pela minha garganta enquanto eu fingia que estava tudo bem.
Eu via ela diferente. Os peitões dela, que mal tinha reparado na tarde anterior, balançavam enquanto ela falava, mexendo o tecido da camiseta. Ela parecia limpa, decente, imaculada. Uma esposa exemplar, como se o que aconteceu ontem não tivesse rolado. Me imaginei o Francisco lambendo e mordendo, enquanto elogiava aquelas tetas. Sacudi a cabeça pra afastar os pensamentos. Ela tava muito animada, os olhos brilhando de um jeito estranho. Será que sempre foi assim? De qualquer forma, fiquei feliz que a cara dela era a mesma de sempre, em vez daquele rosto vermelho e desfigurado de ontem.
A conversa foi me animando. Meus pais falavam normalmente e parecia que tudo tinha sido esquecido. Agora meu pai tava dizendo que as coisas estavam melhorando no trabalho e comentando, otimista, que tudo ia bem na vida dele. "Porra, tudo não, a frente familiar tá meio largada", disse uma voz dentro de mim.
Apesar dos pensamentos, um pouco do otimismo do meu pai grudou em mim e pensei que o que aconteceu ontem tinha sido um deslize da minha mãe (embora um deslize da porra, claro) e que não ia se repetir. Me senti tão relaxado vendo minha mãe, ouvindo o marido com uma expressão angelical, que quase soltei um "porra-tia-e-pensar-que-ontem-tava-fodendo-que-nem-uma-vagabunda". Consegui morder a língua e preferi continuar comendo antes de falar alguma merda.
- Tenho que admitir - disse meu pai de repente, parando a xícara de café no meio do caminho - o Francisco deixou o banheiro bem limpo.
- É. O garoto sabe fazer isso.
Quase me engasguei com o pão ao ouvir isso. aquilo. Minha mãe tinha falado com duplo sentido? Ou foi só uma combinação infeliz de palavras? Ela estava terminando de tomar café da manhã como se nada tivesse acontecido, mas eu juraria que um sorriso dançava nos lábios dela. Ou será que eu tava imaginando coisas?
- Acho que desconfiei demais dele – continuou meu inocente pai – Ele fez os reparos direitinho. O que você acha?
- Bem. Me deixou bastante… satisfeita
Eu engoli o pão de uma vez só, mesmo faltando metade. Precisava sair da mesa antes que… porra, nem sei o que podia me acontecer. Gritar? Contar tudo? Vomitar? A questão é que eu tinha que vazar. Eles terminaram de tomar café um pouco depois e meu pai ligou a TV pra ver as notícias, sentado na porra do sofá. Eu fui tomar um banho pra clarear a cabeça, enquanto me esforçava pra não pensar em nada do dia anterior. A água fria clareou meus sentidos e acalmou um pouco meu espírito agitado. O melhor seria ficar longe de casa por um tempo, tomar um ar e ocupar a mente com outra coisa. Costumo jogar futebol todo sábado com os amigos… “como minha mãe disse pro Francisco ontem”. Porra! Será que não consigo parar de pensar nisso?
Quando saí do banheiro, fui pro meu quarto vestir roupa de esporte. Mesmo que provavelmente fosse jogar mal, com a cabeça a mil por hora e a falta de sono, uns jogos iam me distrair. E umas cervejas com os amigos depois, pra completar a cura. Enquanto me vestia, ouvi o pai se despedir e sair pro trabalho, seguido do barulho de sempre do carro ligando, o portão abrindo e o sensor que ele mandou instalar um ano atrás pra ajudar quando dá ré.
Saí do quarto e desci pra preparar a mochila que ia levar. Tomei cuidado pra arrumar minhas coisas no sofá individual da sala, em vez do grande de três lugares onde ontem… Caralho, minha mente tava igual um cavalo empinado, totalmente fora de controle. Tava enfiando uma garrafa com água e o paninho que eu usava pra secar o suor quando minha mãe entrou em cena.
- Já vai jogar, querido?
- Sim, mãe. Volto daqui a pouco.
- Quanto tempo vai demorar?
- Acho que o de sempre, umas três horas.
- Tem certeza?
Virei. Me pareceu ver um reflexo de dúvida no rosto dela. A mão esquerda brincava nervosamente com o rabo de cavalo, que ela jogava sobre o ombro do mesmo lado. Evitava me olhar nos olhos, olhando as unhas da mão livre e mordia levemente o lábio inferior. Dentro da minha cabeça, os alarmes dispararam. Por que ela tava me fazendo essas perguntas? Acho que a expressão no meu rosto mudou, coisa que ela também notou. Foi algo muito rápido, mas que ficou na minha mente como se eu tivesse memória fotográfica. Porra, por que eu não lembrava assim das coisas da faculdade?
- Digo, sabe que eu me preocupo se você demorar demais – ela se apressou em dizer.
Me despedi seco. O que eu queria era sair de casa. Ela insistiu pra eu levar algo pra comer num intervalo. Me ofereceu uma banana bem grande. Porra! Parecia que tudo tava contra mim pra me fazer pensar no que aconteceu no dia anterior! Guardei também, com a cabeça cheia de lembranças ruins.
Ao respirar o ar fresco fora de casa, me senti mais calmo e pude ver a situação de outro ângulo, igual quando a gente tá tendo um pesadelo mas de algum jeito descobre que tá sonhando. Afinal, ela sempre me perguntava quanto tempo ia demorar, com quem eu ia estar e essas coisas. Até preferia sair quando ela tava ocupada pra evitar o interrogatório. Não eram palavras de esposa infiel, mas as preocupações normais de uma mãe. Eu tava sendo um sem-vergonha duvidando dela assim.
Mas ao chegar na esquina, meus alarmes dispararam de novo. Ali tem uma casa que aluga e que tá desabitada faz pouco tempo, coisa de um mês. Francisco tava encostado na parede da frente, com as mãos nos bolsos. Vestia a roupa de sempre, Botas de trabalho, jeans e regata, exibindo os braços. Ele olhava fixamente pra mim e pra minha casa, com um ar pensativo. Me preparei pra uma briga e fiquei tenso igual uma mola. Mas, quando me aproximei, alguma coisa nele — talvez pensar no que ele tinha feito com a minha mãe — me fez murchar.
— E aí? — falei tímido, mais do que queria, ao passar por ele.
Ele nem se dignou a me responder. Um movimento de cabeça foi toda a resposta que tive pro meu cumprimento. A cara dele mudou quando me viu, uma mistura de deboche e pena. Consegui ver de perto a tatuagem no bíceps direito: era um tigre de bengala bem detalhado, com uma corrente que subia pelo ombro do Francisco até terminar no começo do pescoço dele. Não queria demonstrar muito interesse por ele, então continuei andando e virei um pouco depois. Francisco continuava encostado ali, olhando fixo pra casa e conferindo um relógio novo de vez em quando. De onde ele tinha tirado aquilo? Será que tava voltando pros velhos hábitos?
Tinha certeza de que não ia me mandar embora. Era óbvio que aquele filho da puta tava pensando em vir de novo. Não podia deixar minha mãe sozinha. O de ontem tinha sido uma combinação estranha de fatores, uma simples coincidência. Alguma coisa dentro de mim achava que ela não ia receber ele hoje, que ia dizer que tudo tinha sido uma loucura e que não queria mais ver ele. Aí o Francisco podia ir embora por onde veio… ou ficar violento. Afinal, não prenderam ele por ser bonzinho. Pensei em voltar pra casa pelo mesmo caminho. Mas me caguei de medo de passar perto dele de novo. Admito que ele intimidava pra caralho, mesmo eu odiando admitir. Os resultados depois me fizeram pensar que foi o melhor, mas na hora eu não tava pensando direito. É estranho como em momentos difíceis a gente briga mais com o próprio corpo do que com algum perigo externo, e naquele momento meu ex-amigo parecia um muro intransponível. Já tava de saco cheio com as semanas que ele passou de hóspede, sem contar o que rolou no dia anterior. Resolvi parar pra pensar um pouco.
Lembrei que atrás da gente tinha uma casa em obra bruta há anos. Começaram ela fazia uns vinte anos, foram com tudo e o orçamento acabou. De vez em quando faziam uma melhoriazinha, mas era óbvio que eu ia ter filho antes daquela obra ficar pronta. Quando moleque, eu entrava lá com o Francisco. Balancei a cabeça pra espantar o pensamento do meu ex-amigo. Dava pra dar a volta no quarteirão e entrar lá, depois pular o muro pra minha casa. Hesitei bastante, mas no fim resolvi fazer. Tinha que. Depois que voltasse pra minha casa... aí eu pensava no que fazer.
Dei uma volta enorme pra chegar na casa sem passar onde o Francisco tava. Pulei pro quintal da casa e depois pro meu. Caí bem silencioso no nosso jardim. Afinal, não sou desastrado, sempre gostei de malhar, embora seja magro de natureza e nunca tenha pisado numa academia. O jardim tem uma porta de correr que liga na cozinha. Por ali entrei na minha morada sem fazer barulho. Pô, acho que a gente devia investir mais em segurança. Pelo menos uma cerca elétrica naquele muro.
Assim que cheguei na cozinha, parei pra escutar. Parecia que tava sozinho. Olhei meu relógio de pulso. Eram dez e dezessete. Se não me enganava, o encontro era às dez e meia. Será que o Francisco ia ter coragem de voltar mesmo?
Ouvi minha mãe no andar de cima. Subi pra cumprimentar ela. Ia falar que o jogo tinha sido cancelado com qualquer desculpa e me posicionar na entrada. Depois, se às dez e meia o Francisco tivesse a ousadia de bater na porta, eu abriria sorrindo, pra perguntar o que ele queria. Já tava me sentindo o vencedor, enquanto subia as escadas.
Mamãe assobiava alegre no quarto dela. Dava pra ouvir um programa de notícias no rádio dela. televisor. Entrei no meu quarto pra largar a mochila. Depois abri a sacada pra respirar e me preparar pra empresa. Mesmo sendo algo bem simples, sentia um frio na barriga, igual quando tenho que apresentar uma prova importante. O que eu faria se o Francisco ficasse violento ao me ver? Esperava que não fosse assim, porque numa briga eu tava em desvantagem. Claramente ele me superava em força física, além de que na prisão devia ter aprendido mil e um truques sujos. O quarto dos meus pais e o meu são ligados por uma sacada que dá pro jardim por onde eu tinha entrado. Tava aproveitando o frescor quando pensei em espiar minha mãe pela porta da sacada dela. Só pra ver o que ela fazia achando que eu não tava. A cortina tava corrida, mas consegui espiar por uma fresta. E o que vi me deixou de boca aberta. Só uma calcinha azul salvava minha mãe da nudez. Ela tava sentada na frente do espelho, se maquiando. A maquiagem era de bom gosto, tinha passado pouco, a verdade é que não precisava de muito. Os lábios, por outro lado, tavam num vermelho intenso. O cabelo tava rebelde, bagunçado, mas era óbvio que ela mesma tinha deixado assim. Depois que terminou de se maquiar, começou a provar vestidos de um monte que tinha na cama. Primeiro um de noite, sem sutiã. Os bicos grandes dos peitos marcavam claramente no tecido. Jurava que ela tava de chifre, a putinha. Depois, uma calça jeans super apertada, com uma jaqueta meio aberta e nada por baixo. Posou na frente do espelho, se virando pra apreciar a bunda e depois se inclinando pra ver quanto do decote aparecia. Não ficou satisfeita com o conjunto, porque tirou a jaqueta e escolheu uma camisa de alcinha. Fez as poses de novo, até rebolando um pouco a rabeta. Tava enojado, indignado e frustrado. Tinha pensado que tudo era um deslize, um erro. Vinha disposto a encarar o Francisco pra ele parar de encher o saco da minha Família. Mas ali estava ela, experimentando roupas pro amante ex-assaltante dela. Enquanto eu pensava nisso, mamãe tinha tirado a roupa de novo. Agora vestia a legging e o top que usava pra ir na academia. Lembrei que ele tinha elogiado esse conjunto na tarde anterior. Mas parece que também não convenceu, já que ficou de novo só de calcinha azul. Desligou a televisão pra pensar com mais calma.
Através do espelho, vi como a careta de dúvida dela se transformava num sorriso safado que iluminou o rosto. Ela se levantou, só de calcinha azul. Fez as poses de novo, só que agora sem roupa. Se inclinou na frente do espelho, de um jeito que os peitos ficaram balançando. Eram uns peitos redondos, grandes, bem cuidados. Tinha auréolas pequenas, mas com bicos grandes que pareciam ficar duros de novo. Lembrei como o Francisco tinha chupado eles no dia anterior. Ela apalpou um pouco, como sugerem que as mulheres façam pra procurar caroços estranhos, mas dessa vez era vaidade, não preocupação com a saúde, que tava motivando ela. Depois se virou pra admirar a própria bunda. Deu um tapinha nela mesma. Virou a cabeça pra se olhar por cima do ombro, de novo com aquele sorriso safado. Mostrou a língua e os dentes brancos, brincando. O que tava acontecendo com a minha mãe? Será que um moleque de quase 21 anos com uma rola grande fazia ela esquecer a idade, o casamento, a posição dela? Pois era o que parecia enquanto eu via ela posar. Agora sim ela tava satisfeita e entrou no banheiro que tinha no quarto.
Eu continuava na sacada, pasmo, até que me controlei de novo. Voltei pro meu quarto pensando no que devia fazer. O que eu tinha acabado de ver me deixou em choque. Via como o suposto "deslize" tava se transformando em algo mais. Parecia que mamãe tinha gostado da safadeza do dia anterior e agora queria transformar aquilo numa aventura.
Eu continuava sem saber como agir quando bateram na porta. Ao ouvir os passos da minha mãe vindo na minha direção, me escondi atrás da porta do meu quarto. Fiquei observando ela pela fresta entre a porta e a parede. Ela estava do mesmo jeito que quando a deixei, só de calcinha azul e umas sandálias. Por que caralhos eu tinha me escondido? Por vergonha? Quem devia sentir vergonha era ela, não eu. Esse pensamento me deu uma energia nova e eu a segui discretamente enquanto ela descia. Mesmo puto, percebi que descer de repente e dar de cara com ela pelada ia ser uma situação extremamente desconfortável pra nós dois. Sem saber bem por quê, voltei pro meu posto de observação do dia anterior: o vão da escada. Dei uma olhada no relógio da sala. Eram dez e meia.
Minha mãe foi abrir a porta, dando uns pulinhos que faziam os peitos dela balançarem. Porra! Isso tava saindo ao contrário do que eu tinha imaginado. Agora eu tava preso lá em cima de novo, igual ontem. "Não é o Francisco, é outra pessoa", comecei a repetir pra mim mesmo. "Deve ser uma visita. Não é o Francisco." Mas a real é que a gente quase não recebia visitas. E nenhum amigo dos meus pais tinha se anunciado.
Eu não parava de torcer pra ser outra pessoa, mesmo vendo minha mãe pelada. Mas ela também pensou nesse perigo. Ela se colocou atrás da porta e perguntou antes de abrir. Eu segurei a respiração.
- Quem é?
- Francisco – respondeu uma voz masculina que era desagradavelmente familiar pra mim.
- Já vou, papi.
Virei pra olhar o relógio. Passava das 8. Ouvia barulhos lá embaixo na cozinha, sinal de que meus pais já tinham levantado. Me cobri com os lençóis; o sol entrando pela porta da sacada me incomodava demais. Embora não fosse o único motivo. Queria que ainda fosse noite, pra nunca ter que descer e encarar minha mãe. Sentia que ainda ia encontrá-la largada no sofá, talvez ainda com o Francisco em cima dela se mexendo sem parar. Mantinha os olhos abertos, vendo o tecido azul do lençol que me cobria, já que cada vez que fechava eles a cena nojenta do dia anterior voltava na minha memória. Sabia que não podia durar assim pra sempre: se não levantasse daqui a pouco, meia hora no máximo, minha mãe subiria pra perguntar se eu não ia jogar futebol como todo sábado.
Meus pensamentos continuaram girando como um tornado que ficou preso e continua destruindo algum povoado infeliz. De novo senti as náuseas do dia anterior. De repente, o ambiente no meu quarto ficou insuportável. O ar parecia extremamente denso, faltava oxigênio e tirar os lençóis de cima não melhorou minha sensação. Meu quarto tem uma sacada, mas eu estava tão perturbado que esqueci dela e resolvi descer na minha busca por uma atmosfera mais agradável. Lá embaixo cheirava a café da manhã. Tive que descer as escadas com cuidado, me segurando no corrimão. As escadas de onde tinha visto a infidelidade cometida.
Já tinha descido metade dos degraus quando consegui ver o sofá. Diferente do dia anterior, que eu tinha passado deitado na escada, agora estava de pé, então demorou mais pra entrar no meu campo de visão. Minhas fantasias se mostraram falsas, não tinha uma foda violenta rolando nele. O sofá e a sala estavam impecavelmente arrumados, não tinha calcinha em cima da mesinha de centro e os almofadas que tinham voado pra todo lado estavam de volta no lugar. No meio delas estava… meu pai, sentado tranquilamente, mexendo no celular. Respirei ofegante por um instante. O coitado estava vendo o Facebook dele, sem desconfiar da situação grotesca que tinha acontecido ali, onde ele apoiava a bunda tão sossegado.
Terminei de descer e passei sem cumprimentar meu pai. Não queria fazer contato visual com a sala. Fui pra cozinha, onde ouvia o barulho de pratos se mexendo. Escutei a voz da minha mãe à direita, também evitei virar a cabeça.
- Bom dia, querido – disse minha mãe assim que me viu – Vem tomar café, anda.
- Já vou. Só vou no banheiro.
Fui mijar no banheiro de baixo, que o Francisco tinha acabado de reformar. As lembranças da tarde anterior voltaram a me bater enquanto eu mijava. E demorei pra caralho mijando, tava com a bexiga cheia depois da minha saída no dia anterior. Porra! Por que não tinha mijado no banheiro de cima? Lavei as mãos o mais rápido que pude e saí.
Entrei na cozinha pra tomar café com a cabeça baixa, tentando evitar contato visual com qualquer um. Mas depois de um tempo levantei a cara. Não consegui evitar me sentir aliviado, tanto que soltei um suspiro que ninguém notou (felizmente). Minha mãe tava usando uma camiseta regata branca daquelas que ela adora, uma calça jeans apertada e o cabelo preso num rabo de cavalo. Ela sorria e parecia fresca, como se tivesse acabado de tomar um banho. "Não se limpa, quero que você traga minha gozada dentro dela"... A voz do Francisco veio na minha cabeça, me enchendo de dúvidas. Ela tinha tomado banho na noite passada? Ou de manhã? Se fosse de manhã, tinha dormido, deitado ao lado do meu pai com a porra de outro homem dentro dela. Porra. O pão descia com dificuldade pela minha garganta enquanto eu fingia que estava tudo bem.
Eu via ela diferente. Os peitões dela, que mal tinha reparado na tarde anterior, balançavam enquanto ela falava, mexendo o tecido da camiseta. Ela parecia limpa, decente, imaculada. Uma esposa exemplar, como se o que aconteceu ontem não tivesse rolado. Me imaginei o Francisco lambendo e mordendo, enquanto elogiava aquelas tetas. Sacudi a cabeça pra afastar os pensamentos. Ela tava muito animada, os olhos brilhando de um jeito estranho. Será que sempre foi assim? De qualquer forma, fiquei feliz que a cara dela era a mesma de sempre, em vez daquele rosto vermelho e desfigurado de ontem.
A conversa foi me animando. Meus pais falavam normalmente e parecia que tudo tinha sido esquecido. Agora meu pai tava dizendo que as coisas estavam melhorando no trabalho e comentando, otimista, que tudo ia bem na vida dele. "Porra, tudo não, a frente familiar tá meio largada", disse uma voz dentro de mim.
Apesar dos pensamentos, um pouco do otimismo do meu pai grudou em mim e pensei que o que aconteceu ontem tinha sido um deslize da minha mãe (embora um deslize da porra, claro) e que não ia se repetir. Me senti tão relaxado vendo minha mãe, ouvindo o marido com uma expressão angelical, que quase soltei um "porra-tia-e-pensar-que-ontem-tava-fodendo-que-nem-uma-vagabunda". Consegui morder a língua e preferi continuar comendo antes de falar alguma merda.
- Tenho que admitir - disse meu pai de repente, parando a xícara de café no meio do caminho - o Francisco deixou o banheiro bem limpo.
- É. O garoto sabe fazer isso.
Quase me engasguei com o pão ao ouvir isso. aquilo. Minha mãe tinha falado com duplo sentido? Ou foi só uma combinação infeliz de palavras? Ela estava terminando de tomar café da manhã como se nada tivesse acontecido, mas eu juraria que um sorriso dançava nos lábios dela. Ou será que eu tava imaginando coisas?
- Acho que desconfiei demais dele – continuou meu inocente pai – Ele fez os reparos direitinho. O que você acha?
- Bem. Me deixou bastante… satisfeita
Eu engoli o pão de uma vez só, mesmo faltando metade. Precisava sair da mesa antes que… porra, nem sei o que podia me acontecer. Gritar? Contar tudo? Vomitar? A questão é que eu tinha que vazar. Eles terminaram de tomar café um pouco depois e meu pai ligou a TV pra ver as notícias, sentado na porra do sofá. Eu fui tomar um banho pra clarear a cabeça, enquanto me esforçava pra não pensar em nada do dia anterior. A água fria clareou meus sentidos e acalmou um pouco meu espírito agitado. O melhor seria ficar longe de casa por um tempo, tomar um ar e ocupar a mente com outra coisa. Costumo jogar futebol todo sábado com os amigos… “como minha mãe disse pro Francisco ontem”. Porra! Será que não consigo parar de pensar nisso?
Quando saí do banheiro, fui pro meu quarto vestir roupa de esporte. Mesmo que provavelmente fosse jogar mal, com a cabeça a mil por hora e a falta de sono, uns jogos iam me distrair. E umas cervejas com os amigos depois, pra completar a cura. Enquanto me vestia, ouvi o pai se despedir e sair pro trabalho, seguido do barulho de sempre do carro ligando, o portão abrindo e o sensor que ele mandou instalar um ano atrás pra ajudar quando dá ré.
Saí do quarto e desci pra preparar a mochila que ia levar. Tomei cuidado pra arrumar minhas coisas no sofá individual da sala, em vez do grande de três lugares onde ontem… Caralho, minha mente tava igual um cavalo empinado, totalmente fora de controle. Tava enfiando uma garrafa com água e o paninho que eu usava pra secar o suor quando minha mãe entrou em cena.
- Já vai jogar, querido?
- Sim, mãe. Volto daqui a pouco.
- Quanto tempo vai demorar?
- Acho que o de sempre, umas três horas.
- Tem certeza?
Virei. Me pareceu ver um reflexo de dúvida no rosto dela. A mão esquerda brincava nervosamente com o rabo de cavalo, que ela jogava sobre o ombro do mesmo lado. Evitava me olhar nos olhos, olhando as unhas da mão livre e mordia levemente o lábio inferior. Dentro da minha cabeça, os alarmes dispararam. Por que ela tava me fazendo essas perguntas? Acho que a expressão no meu rosto mudou, coisa que ela também notou. Foi algo muito rápido, mas que ficou na minha mente como se eu tivesse memória fotográfica. Porra, por que eu não lembrava assim das coisas da faculdade?
- Digo, sabe que eu me preocupo se você demorar demais – ela se apressou em dizer.
Me despedi seco. O que eu queria era sair de casa. Ela insistiu pra eu levar algo pra comer num intervalo. Me ofereceu uma banana bem grande. Porra! Parecia que tudo tava contra mim pra me fazer pensar no que aconteceu no dia anterior! Guardei também, com a cabeça cheia de lembranças ruins.
Ao respirar o ar fresco fora de casa, me senti mais calmo e pude ver a situação de outro ângulo, igual quando a gente tá tendo um pesadelo mas de algum jeito descobre que tá sonhando. Afinal, ela sempre me perguntava quanto tempo ia demorar, com quem eu ia estar e essas coisas. Até preferia sair quando ela tava ocupada pra evitar o interrogatório. Não eram palavras de esposa infiel, mas as preocupações normais de uma mãe. Eu tava sendo um sem-vergonha duvidando dela assim.
Mas ao chegar na esquina, meus alarmes dispararam de novo. Ali tem uma casa que aluga e que tá desabitada faz pouco tempo, coisa de um mês. Francisco tava encostado na parede da frente, com as mãos nos bolsos. Vestia a roupa de sempre, Botas de trabalho, jeans e regata, exibindo os braços. Ele olhava fixamente pra mim e pra minha casa, com um ar pensativo. Me preparei pra uma briga e fiquei tenso igual uma mola. Mas, quando me aproximei, alguma coisa nele — talvez pensar no que ele tinha feito com a minha mãe — me fez murchar.
— E aí? — falei tímido, mais do que queria, ao passar por ele.
Ele nem se dignou a me responder. Um movimento de cabeça foi toda a resposta que tive pro meu cumprimento. A cara dele mudou quando me viu, uma mistura de deboche e pena. Consegui ver de perto a tatuagem no bíceps direito: era um tigre de bengala bem detalhado, com uma corrente que subia pelo ombro do Francisco até terminar no começo do pescoço dele. Não queria demonstrar muito interesse por ele, então continuei andando e virei um pouco depois. Francisco continuava encostado ali, olhando fixo pra casa e conferindo um relógio novo de vez em quando. De onde ele tinha tirado aquilo? Será que tava voltando pros velhos hábitos?
Tinha certeza de que não ia me mandar embora. Era óbvio que aquele filho da puta tava pensando em vir de novo. Não podia deixar minha mãe sozinha. O de ontem tinha sido uma combinação estranha de fatores, uma simples coincidência. Alguma coisa dentro de mim achava que ela não ia receber ele hoje, que ia dizer que tudo tinha sido uma loucura e que não queria mais ver ele. Aí o Francisco podia ir embora por onde veio… ou ficar violento. Afinal, não prenderam ele por ser bonzinho. Pensei em voltar pra casa pelo mesmo caminho. Mas me caguei de medo de passar perto dele de novo. Admito que ele intimidava pra caralho, mesmo eu odiando admitir. Os resultados depois me fizeram pensar que foi o melhor, mas na hora eu não tava pensando direito. É estranho como em momentos difíceis a gente briga mais com o próprio corpo do que com algum perigo externo, e naquele momento meu ex-amigo parecia um muro intransponível. Já tava de saco cheio com as semanas que ele passou de hóspede, sem contar o que rolou no dia anterior. Resolvi parar pra pensar um pouco.
Lembrei que atrás da gente tinha uma casa em obra bruta há anos. Começaram ela fazia uns vinte anos, foram com tudo e o orçamento acabou. De vez em quando faziam uma melhoriazinha, mas era óbvio que eu ia ter filho antes daquela obra ficar pronta. Quando moleque, eu entrava lá com o Francisco. Balancei a cabeça pra espantar o pensamento do meu ex-amigo. Dava pra dar a volta no quarteirão e entrar lá, depois pular o muro pra minha casa. Hesitei bastante, mas no fim resolvi fazer. Tinha que. Depois que voltasse pra minha casa... aí eu pensava no que fazer.
Dei uma volta enorme pra chegar na casa sem passar onde o Francisco tava. Pulei pro quintal da casa e depois pro meu. Caí bem silencioso no nosso jardim. Afinal, não sou desastrado, sempre gostei de malhar, embora seja magro de natureza e nunca tenha pisado numa academia. O jardim tem uma porta de correr que liga na cozinha. Por ali entrei na minha morada sem fazer barulho. Pô, acho que a gente devia investir mais em segurança. Pelo menos uma cerca elétrica naquele muro.
Assim que cheguei na cozinha, parei pra escutar. Parecia que tava sozinho. Olhei meu relógio de pulso. Eram dez e dezessete. Se não me enganava, o encontro era às dez e meia. Será que o Francisco ia ter coragem de voltar mesmo?
Ouvi minha mãe no andar de cima. Subi pra cumprimentar ela. Ia falar que o jogo tinha sido cancelado com qualquer desculpa e me posicionar na entrada. Depois, se às dez e meia o Francisco tivesse a ousadia de bater na porta, eu abriria sorrindo, pra perguntar o que ele queria. Já tava me sentindo o vencedor, enquanto subia as escadas.
Mamãe assobiava alegre no quarto dela. Dava pra ouvir um programa de notícias no rádio dela. televisor. Entrei no meu quarto pra largar a mochila. Depois abri a sacada pra respirar e me preparar pra empresa. Mesmo sendo algo bem simples, sentia um frio na barriga, igual quando tenho que apresentar uma prova importante. O que eu faria se o Francisco ficasse violento ao me ver? Esperava que não fosse assim, porque numa briga eu tava em desvantagem. Claramente ele me superava em força física, além de que na prisão devia ter aprendido mil e um truques sujos. O quarto dos meus pais e o meu são ligados por uma sacada que dá pro jardim por onde eu tinha entrado. Tava aproveitando o frescor quando pensei em espiar minha mãe pela porta da sacada dela. Só pra ver o que ela fazia achando que eu não tava. A cortina tava corrida, mas consegui espiar por uma fresta. E o que vi me deixou de boca aberta. Só uma calcinha azul salvava minha mãe da nudez. Ela tava sentada na frente do espelho, se maquiando. A maquiagem era de bom gosto, tinha passado pouco, a verdade é que não precisava de muito. Os lábios, por outro lado, tavam num vermelho intenso. O cabelo tava rebelde, bagunçado, mas era óbvio que ela mesma tinha deixado assim. Depois que terminou de se maquiar, começou a provar vestidos de um monte que tinha na cama. Primeiro um de noite, sem sutiã. Os bicos grandes dos peitos marcavam claramente no tecido. Jurava que ela tava de chifre, a putinha. Depois, uma calça jeans super apertada, com uma jaqueta meio aberta e nada por baixo. Posou na frente do espelho, se virando pra apreciar a bunda e depois se inclinando pra ver quanto do decote aparecia. Não ficou satisfeita com o conjunto, porque tirou a jaqueta e escolheu uma camisa de alcinha. Fez as poses de novo, até rebolando um pouco a rabeta. Tava enojado, indignado e frustrado. Tinha pensado que tudo era um deslize, um erro. Vinha disposto a encarar o Francisco pra ele parar de encher o saco da minha Família. Mas ali estava ela, experimentando roupas pro amante ex-assaltante dela. Enquanto eu pensava nisso, mamãe tinha tirado a roupa de novo. Agora vestia a legging e o top que usava pra ir na academia. Lembrei que ele tinha elogiado esse conjunto na tarde anterior. Mas parece que também não convenceu, já que ficou de novo só de calcinha azul. Desligou a televisão pra pensar com mais calma.
Através do espelho, vi como a careta de dúvida dela se transformava num sorriso safado que iluminou o rosto. Ela se levantou, só de calcinha azul. Fez as poses de novo, só que agora sem roupa. Se inclinou na frente do espelho, de um jeito que os peitos ficaram balançando. Eram uns peitos redondos, grandes, bem cuidados. Tinha auréolas pequenas, mas com bicos grandes que pareciam ficar duros de novo. Lembrei como o Francisco tinha chupado eles no dia anterior. Ela apalpou um pouco, como sugerem que as mulheres façam pra procurar caroços estranhos, mas dessa vez era vaidade, não preocupação com a saúde, que tava motivando ela. Depois se virou pra admirar a própria bunda. Deu um tapinha nela mesma. Virou a cabeça pra se olhar por cima do ombro, de novo com aquele sorriso safado. Mostrou a língua e os dentes brancos, brincando. O que tava acontecendo com a minha mãe? Será que um moleque de quase 21 anos com uma rola grande fazia ela esquecer a idade, o casamento, a posição dela? Pois era o que parecia enquanto eu via ela posar. Agora sim ela tava satisfeita e entrou no banheiro que tinha no quarto.
Eu continuava na sacada, pasmo, até que me controlei de novo. Voltei pro meu quarto pensando no que devia fazer. O que eu tinha acabado de ver me deixou em choque. Via como o suposto "deslize" tava se transformando em algo mais. Parecia que mamãe tinha gostado da safadeza do dia anterior e agora queria transformar aquilo numa aventura.
Eu continuava sem saber como agir quando bateram na porta. Ao ouvir os passos da minha mãe vindo na minha direção, me escondi atrás da porta do meu quarto. Fiquei observando ela pela fresta entre a porta e a parede. Ela estava do mesmo jeito que quando a deixei, só de calcinha azul e umas sandálias. Por que caralhos eu tinha me escondido? Por vergonha? Quem devia sentir vergonha era ela, não eu. Esse pensamento me deu uma energia nova e eu a segui discretamente enquanto ela descia. Mesmo puto, percebi que descer de repente e dar de cara com ela pelada ia ser uma situação extremamente desconfortável pra nós dois. Sem saber bem por quê, voltei pro meu posto de observação do dia anterior: o vão da escada. Dei uma olhada no relógio da sala. Eram dez e meia.
Minha mãe foi abrir a porta, dando uns pulinhos que faziam os peitos dela balançarem. Porra! Isso tava saindo ao contrário do que eu tinha imaginado. Agora eu tava preso lá em cima de novo, igual ontem. "Não é o Francisco, é outra pessoa", comecei a repetir pra mim mesmo. "Deve ser uma visita. Não é o Francisco." Mas a real é que a gente quase não recebia visitas. E nenhum amigo dos meus pais tinha se anunciado.
Eu não parava de torcer pra ser outra pessoa, mesmo vendo minha mãe pelada. Mas ela também pensou nesse perigo. Ela se colocou atrás da porta e perguntou antes de abrir. Eu segurei a respiração.
- Quem é?
- Francisco – respondeu uma voz masculina que era desagradavelmente familiar pra mim.
- Já vou, papi.
2 comentários - Minha mãe e o cafetão (2)
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