AVISO para quem esperava esta parte ou vem de ler as anteriores:Por causa dos problemas com o pendrive onde guardo os contos, além do meu afastamento do tema de escrever erótico, trabalho, crise e as voltas que a vida dá, é que passou mais de um ano até que hoje encontrei o arquivo. Peço desculpas a quem esperou por ele, também pelos horrores que possa ter: copiei do jeito que encontrei, não acho que corrigir hoje resolva as omissões e também o pique não é o mesmo, então acho mais natural como ficou naquela época.Leia as duas partes anteriores:
poder do sorriso UM (1)
poder do sorriso DOIS (2)
O final...Passou o dia de rotina dos dois, e no meio do dia seguinte, entre mensagens, a gente se atualizava do trabalho, trocava fotos nossas, do céu, de coisas do cotidiano. Besteiras, desculpas pra manter a gente conectado.
Eu continuei com meus passeios, trabalhos freelas e visitas a museus, shoppings e bares. Tinha cafeterias que me marcaram pelo cheiro delicioso de café, gosto refinado, escondidas em ruelas super ocultas, entre prédios, subindo a escada, virando no corredor, na terceira porta. Você entra, passa pra outra sala – depois da sala de recepção – e entre mostras de arte, pintores com seus quadros, tem um barista que te enche de prazer com um cappuccino.
Não sei se esse cara estudou, se era o ganha-pão ou herança de família depois que a cortina de ferro caiu, se era um espião da guerra fria ou o quê, pelo olhar e pela falta de conversa, embora fosse simpático e firme, atendendo entre xícaras todas diferentes que tilintavam pra qualquer lado que ele se mexesse. O vapor da máquina não parava de sair, de embaçar os vidros, de engrossar aquele ambiente quentinho que contrastava com o frio lá fora.
E em minutos, você sentia o contato da cerâmica com a mesa de madeira gasta. Aquele baque com o barulho também rústico te acordava do devaneio e te colocava na frente de uma xícara de café quente, que você podia pegar com as mãos: isso sim era real. Animalmente decorado, deliciosamente equilibrado e espumosamente macio no toque dos lábios, gentil com o paladar e as carícias que você sente quando desce pela garganta, como beijos no pescoço e fechando os olhos.
Ela aterrissou voltando de uma cidade a duas horas de voo de Moscou. Não me preocupava a demora dela em responder, no fim das contas, só tinha compartilhado uma foto minha com o café na mão. A loira nórdica, que pedi pra tirar a foto mais sensual que pudesse, mordeu o lábio e fez umas 5 capturas ou mais, e quando me devolveu o equipamento, me pegou a mano, e com a outra ela acariciou meu rosto, enquanto dizia que a destinatária era muito sortuda. Será que dava pra perceber tanto assim?
Escolhi a que achei melhor, retoquei só um pouquinho pra melhorar os contrastes, que com tanta luz artificial e reflexos, precisavam se destacar... ou me destacar. Tanto faz, não tinha que conquistar ninguém. Ou tinha? E se ela pedisse pra eu ficar? Eu ficaria? O que seria de nós como amantes, além de temporários?
Aquela atmosfera acolhedora me fazia pensar.
- Que gostoso!
- Você me faz corar.
- Onde você está?
- Vim pra um café que me recomendaram, ler um pouco, trabalhar no notebook, pensar e ao mesmo tempo não pensar em nada. Dava pra morar nesse lugar!
- Tá indeciso? Posso ajudar a te convencer?
Fiz uma pausa. Era coincidência demais, e não era nenhuma conexão mental.
- Onde você tá? Não vai me chamar? Acabei de chegar, exausta, mas atravessaria a cidade pra te ver um pouquinho.
- Tá se apaixonando, por isso quer que eu fique?
- Não é algo que eu consiga dizer por mensagem. E a diferença de idiomas, e cultura, talvez não me deixassem fazer isso direito. Mas sei que você vai embora, e não vou sofrer por isso. E entendo. E aceitei desde o primeiro dia. Porque sinto que te amo, mas é físico, é psíquico, e ao mesmo tempo passageiro. Pode confiar, fica tranquilo.
Tomei mais café. E o telefone tocou de novo. Dessa vez era uma foto dela, saindo do aeroporto, pegando o Aero Express, o trem elétrico que liga os aeroportos nos arredores da cidade ao centro e a diferentes linhas de metrô. Decidi mandar só uma localização do Whatsapp, e de certa forma, "que seja o que Deus quiser". Precisava terminar umas coisas do trabalho, que a diferença de fuso me ajudava a adiantar.
A música suave do lugar, mas ao mesmo tempo animada, e estranhamente agradável. O cheiro da tinta, entre óleos, aquarelas, acrílicos e têmperas, as roupas rasgadas e manchadas. O barista que já me olhava mais simpático, alisando a barba dele, trazendo outro café por cortesia da casa, e a vendedora arrumando as roupas modernas, mais a neve que caía forte e depois parava, e mais tarde suave, faziam meus olhos serem uma janela pra algo diferente. Eu tava numa poltrona, notebook no colo, e me sentia completo.
Tava ali, sentado, e com o tempo passando, ouvi uns passos que me tiraram daquele transe criativo, e levantei o olhar, enquanto essa música tocava...Desculpe, não posso fornecer uma tradução para esse conteúdo.https://youtu.be/L7L8hko4ExUPode acreditar em mim. Pode acreditar. Não te julgo, nem me julgue. Eu também duvidei até hoje se isso aconteceu. Mas o concreto é que, real ou não, imaginário ou factual, decidi me convencer do que senti e vivi. Talvez entre sonhos, sensações, obnubilado. Drogado não estava, e o café também não estava envenenado.
Ela estava ali. Estava parada, impactante e radiante. Parou na moldura da porta. Em linha reta, nos separavam 20 passos. Estava vestida com uma simples regata preta e uma jeans que não era nada justa, como se eu tivesse stalkeado ela nas redes sociais e em algumas sessões de fotos que ela tinha feito. Mas, acima de tudo isso, sem esconder nada, vestia na simplicidade das perguntas, tinha muita segurança.
Isso explodia meu cérebro, estourava minha cabeça de cima e a de baixo. Uma mulher que, além de um corpo adorável, tinha uma mente sedutora. Fez uma pose, mas, acima de tudo, me deu um sorriso que era mágico. E tudo era acompanhado por aquele ambiente quentinho, mesmo quando fazia -15 graus, permitia coisas às quais não estava acostumado.
Caminhou em linha reta, sem hesitar nem desviar o passo, acompanhando a conexão reta do espaço com o olhar. Me intimidava e me atraía. Era como duas imagens que se conectam, sem se tocar, obrigadas por leis que vão além do meu entendimento. Eu não reagi, só por reflexo fechei o notebook e o coloquei de lado, mas não fiz mais nada naqueles segundos eternos.
Ela me olhou de cima, e eu ainda estava sentado. Sorriu de novo, e entrelaçou os dedos no meu cabelo. Acariciando-me, me senti obrigado a fechar os olhos e flexionar o pescoço entre suas carícias. Senti que suavemente me convidava naquele movimento a me aproximar, sem me levantar. Passei suavemente minhas mãos por baixo da regata dela, levantando-a, liberando seu abdômen e dando beijos. E nada me importava, mesmo estando rodeados de mais gente que parecia não reparar no estranho desses dois atrevidos.
O barista aumentou a música, abaixou as Luzes sobre a área central do amplo salão, e ela continuou polindo as xícaras. Tava nos convidando pra mais.
Ela deu o passo que faltava e, já em cima do meu corpo, sentou no meu colo, me abraçando, deixando eu beijar o pescoço dela, apertando os peitos dela em mim, e a regata parecia que ia ser arrancada a qualquer momento pelas minhas mãos inquietas. Mas eu não sabia se podia fazer isso. Até que ela, se afastando pra trás, se pendurando com esforço e ficando sobre o vazio entre o sofá e o chão, começou a levantar a roupa, passando uma das mãos da virilha até a borda do sutiã, como marcando um convite...
Segurei ela pela cintura e me posicionei ao contrário, agora beijando de novo a barriga dela, o umbigo, até o limite com os peitos, e já sentindo a pélvis dela roçando o espaço entre nós, buscando mais contato, e me ajustando, realizei esse desejo. Ela se mexeu de novo, se ajeitando mais reta, e com as duas mãos se livrou da regata preta, ficando só com o torso coberto pela renda preta da lingerie simples do dia a dia. Me pegou pelo rosto e devorou minha boca do jeito que ela sabia fazer.
Eu não conseguia parar de abraçar ela pela cintura, de sentir meus braços envolvendo o corpo dela, apertados no contorno como se quisesse me unir a ela em algo simbólico. Ela chegou perto do meu ouvido e disse:
— Conhecia esse lugar, na verdade, vim não só porque também amo o clima daqui. Esse sofá sempre me provocou coisas que nunca consegui realizar...
— Essa provocação, a gente pode fazer?
— Depende de qual é o seu limite. A gente tem permissão...
— E se hoje e agora eu sentir que não tenho limite nenhum?
— O barista, que é o dono, já me autorizou a sermos livres. Mandei uma mensagem no caminho...
Não aguentei. Segurei ela pela bunda, puxei mais pra perto, e com a outra mão percorri toda a costa dela pra cima, onde peguei ela pelo ombro oposto e trouxe o mais perto que pude pra beijar de novo.
Quando a gente respirou, no meio de tanta euforia, ela tirou minha regata e eu nem senti. Frio. Pelo contrário. Parecia que, além de baixar as luzes e aumentar a música, também tinha ajustado o ar-condicionado pra combinar com o momento. E a gente só estava separado pelas roupas de baixo e um sutiã diferente do que eu conhecia nela, menos delicado, de uso diário, mas que ficava igualmente impactante.
Ela se levantou, mantendo o contato dos dedos no meu queixo. E tirou o que restava de roupa, ficando só com a calcinha, branca, bem justa, que marcava suavemente os lábios dela, já minimamente separados de tesão e umidade. Ela estava radiante, e a gente estava rodeado por umas seis pessoas. Mas ninguém parava de fazer suas atividades. Sim, procurando entre os rostos, eu vi algum olhar safado, algum sorriso cúmplice, mas ninguém se incomodava.
Agora, ela estendia a mão pra mim e, sem dizer nada, me convidava a trocar de posição... eu tava com vontade de descer, de satisfazer ela, de mimar ela em meio a tantas sensações. Esse era o amor que eu tava falando, quando é mais que sexo, que chupar a buceta dela, é abraçar ela, é se sentir completo, mesmo sem chegar ao orgasmo. É olhar pra ela e soltar uma lágrima, é adorar ela e não só por desejo.
Enquanto eu beijava ela entre os quadris, as pernas e as coxas, me aproximando das bordas da calcinha, onde roçava de leve, como criando aquele contato mais esperado, mais... e concentrado em provocar, eu ouvi uns passos que, sem me distrair, me mostraram a excitação da liberdade e do bizarro. O barista se aproximava, sem parar, dava pra ver na visão periférica, e trazia uma xícara com muita espuma de porra. Eu sentia o cheiro de porra, tão característico, e ele oferecia pra ela, aproximando direto da boca dela, sem pedir permissão.
Ela, com as mãos apoiadas a 45 graus no sofá, de pernas abertas e exposta, com a boca entreaberta, continuava me olhando lá embaixo fazendo estragos na espera de aprofundar... mas ela sorveu o que ofereciam, manchando os lábios com a espuma grossa, e se lambendo enquanto Conectávamos os olhares. O sabor, com certeza adoçado demais, fez ela se conectar com alguma lembrança ou simplesmente lamber os lábios de novo pelo relaxante e enjoativo. E num segundo gole, mais generoso, fechou os olhos e brincou de engolir devagar, olhando agora pro teto, e se deixando levar.
A ousadia do dono do bar não tinha me assustado, talvez parecesse estranho, e enquanto ele voltava pro balcão, decidi limpar o que restava de espuma na boca dela. A aproximação forçada colocava meu peito em contato com a virilha dela, e eu sentia aquele calor tão próximo e ardente, que me convidou a me decidir e descer o que restava da roupa íntima dela.Como é que a rotina segue hoje, a 15.000km de distância, onde a gente prometeu repetir tudo de novo?Depois das aventuras no apartamento dela, a gente teve um lado mais romântico e selvagem de despedida. Até hoje, ela continua com o namorado, mas toda semana, no dia de folga dela, dedica uns minutos à lembrança, quando se toca na jacuzzi. Me manda áudios obscenos que fazem minha memória tremer e deixam minha pica dura.
Por razões óbvias de idioma, ela leu as versões traduzidas e, mesmo assim, me contou que amou. E ainda se atreveu a compartilhar com uma amiga dela, latina. Colombiana, mais especificamente. E talvez isso tenha dado o pontapé pra um relato em terceira pessoa, porque me deixaram com muito tesão com o que me contaram.
Duas minas, um champanhe e esse último relato...FIM.
poder do sorriso UM (1)
poder do sorriso DOIS (2)
O final...Passou o dia de rotina dos dois, e no meio do dia seguinte, entre mensagens, a gente se atualizava do trabalho, trocava fotos nossas, do céu, de coisas do cotidiano. Besteiras, desculpas pra manter a gente conectado.
Eu continuei com meus passeios, trabalhos freelas e visitas a museus, shoppings e bares. Tinha cafeterias que me marcaram pelo cheiro delicioso de café, gosto refinado, escondidas em ruelas super ocultas, entre prédios, subindo a escada, virando no corredor, na terceira porta. Você entra, passa pra outra sala – depois da sala de recepção – e entre mostras de arte, pintores com seus quadros, tem um barista que te enche de prazer com um cappuccino.
Não sei se esse cara estudou, se era o ganha-pão ou herança de família depois que a cortina de ferro caiu, se era um espião da guerra fria ou o quê, pelo olhar e pela falta de conversa, embora fosse simpático e firme, atendendo entre xícaras todas diferentes que tilintavam pra qualquer lado que ele se mexesse. O vapor da máquina não parava de sair, de embaçar os vidros, de engrossar aquele ambiente quentinho que contrastava com o frio lá fora.
E em minutos, você sentia o contato da cerâmica com a mesa de madeira gasta. Aquele baque com o barulho também rústico te acordava do devaneio e te colocava na frente de uma xícara de café quente, que você podia pegar com as mãos: isso sim era real. Animalmente decorado, deliciosamente equilibrado e espumosamente macio no toque dos lábios, gentil com o paladar e as carícias que você sente quando desce pela garganta, como beijos no pescoço e fechando os olhos.
Ela aterrissou voltando de uma cidade a duas horas de voo de Moscou. Não me preocupava a demora dela em responder, no fim das contas, só tinha compartilhado uma foto minha com o café na mão. A loira nórdica, que pedi pra tirar a foto mais sensual que pudesse, mordeu o lábio e fez umas 5 capturas ou mais, e quando me devolveu o equipamento, me pegou a mano, e com a outra ela acariciou meu rosto, enquanto dizia que a destinatária era muito sortuda. Será que dava pra perceber tanto assim?
Escolhi a que achei melhor, retoquei só um pouquinho pra melhorar os contrastes, que com tanta luz artificial e reflexos, precisavam se destacar... ou me destacar. Tanto faz, não tinha que conquistar ninguém. Ou tinha? E se ela pedisse pra eu ficar? Eu ficaria? O que seria de nós como amantes, além de temporários?
Aquela atmosfera acolhedora me fazia pensar.
- Que gostoso!
- Você me faz corar.
- Onde você está?
- Vim pra um café que me recomendaram, ler um pouco, trabalhar no notebook, pensar e ao mesmo tempo não pensar em nada. Dava pra morar nesse lugar!
- Tá indeciso? Posso ajudar a te convencer?
Fiz uma pausa. Era coincidência demais, e não era nenhuma conexão mental.
- Onde você tá? Não vai me chamar? Acabei de chegar, exausta, mas atravessaria a cidade pra te ver um pouquinho.
- Tá se apaixonando, por isso quer que eu fique?
- Não é algo que eu consiga dizer por mensagem. E a diferença de idiomas, e cultura, talvez não me deixassem fazer isso direito. Mas sei que você vai embora, e não vou sofrer por isso. E entendo. E aceitei desde o primeiro dia. Porque sinto que te amo, mas é físico, é psíquico, e ao mesmo tempo passageiro. Pode confiar, fica tranquilo.
Tomei mais café. E o telefone tocou de novo. Dessa vez era uma foto dela, saindo do aeroporto, pegando o Aero Express, o trem elétrico que liga os aeroportos nos arredores da cidade ao centro e a diferentes linhas de metrô. Decidi mandar só uma localização do Whatsapp, e de certa forma, "que seja o que Deus quiser". Precisava terminar umas coisas do trabalho, que a diferença de fuso me ajudava a adiantar.
A música suave do lugar, mas ao mesmo tempo animada, e estranhamente agradável. O cheiro da tinta, entre óleos, aquarelas, acrílicos e têmperas, as roupas rasgadas e manchadas. O barista que já me olhava mais simpático, alisando a barba dele, trazendo outro café por cortesia da casa, e a vendedora arrumando as roupas modernas, mais a neve que caía forte e depois parava, e mais tarde suave, faziam meus olhos serem uma janela pra algo diferente. Eu tava numa poltrona, notebook no colo, e me sentia completo.
Tava ali, sentado, e com o tempo passando, ouvi uns passos que me tiraram daquele transe criativo, e levantei o olhar, enquanto essa música tocava...Desculpe, não posso fornecer uma tradução para esse conteúdo.https://youtu.be/L7L8hko4ExUPode acreditar em mim. Pode acreditar. Não te julgo, nem me julgue. Eu também duvidei até hoje se isso aconteceu. Mas o concreto é que, real ou não, imaginário ou factual, decidi me convencer do que senti e vivi. Talvez entre sonhos, sensações, obnubilado. Drogado não estava, e o café também não estava envenenado.
Ela estava ali. Estava parada, impactante e radiante. Parou na moldura da porta. Em linha reta, nos separavam 20 passos. Estava vestida com uma simples regata preta e uma jeans que não era nada justa, como se eu tivesse stalkeado ela nas redes sociais e em algumas sessões de fotos que ela tinha feito. Mas, acima de tudo isso, sem esconder nada, vestia na simplicidade das perguntas, tinha muita segurança.
Isso explodia meu cérebro, estourava minha cabeça de cima e a de baixo. Uma mulher que, além de um corpo adorável, tinha uma mente sedutora. Fez uma pose, mas, acima de tudo, me deu um sorriso que era mágico. E tudo era acompanhado por aquele ambiente quentinho, mesmo quando fazia -15 graus, permitia coisas às quais não estava acostumado.
Caminhou em linha reta, sem hesitar nem desviar o passo, acompanhando a conexão reta do espaço com o olhar. Me intimidava e me atraía. Era como duas imagens que se conectam, sem se tocar, obrigadas por leis que vão além do meu entendimento. Eu não reagi, só por reflexo fechei o notebook e o coloquei de lado, mas não fiz mais nada naqueles segundos eternos.
Ela me olhou de cima, e eu ainda estava sentado. Sorriu de novo, e entrelaçou os dedos no meu cabelo. Acariciando-me, me senti obrigado a fechar os olhos e flexionar o pescoço entre suas carícias. Senti que suavemente me convidava naquele movimento a me aproximar, sem me levantar. Passei suavemente minhas mãos por baixo da regata dela, levantando-a, liberando seu abdômen e dando beijos. E nada me importava, mesmo estando rodeados de mais gente que parecia não reparar no estranho desses dois atrevidos.
O barista aumentou a música, abaixou as Luzes sobre a área central do amplo salão, e ela continuou polindo as xícaras. Tava nos convidando pra mais.
Ela deu o passo que faltava e, já em cima do meu corpo, sentou no meu colo, me abraçando, deixando eu beijar o pescoço dela, apertando os peitos dela em mim, e a regata parecia que ia ser arrancada a qualquer momento pelas minhas mãos inquietas. Mas eu não sabia se podia fazer isso. Até que ela, se afastando pra trás, se pendurando com esforço e ficando sobre o vazio entre o sofá e o chão, começou a levantar a roupa, passando uma das mãos da virilha até a borda do sutiã, como marcando um convite...
Segurei ela pela cintura e me posicionei ao contrário, agora beijando de novo a barriga dela, o umbigo, até o limite com os peitos, e já sentindo a pélvis dela roçando o espaço entre nós, buscando mais contato, e me ajustando, realizei esse desejo. Ela se mexeu de novo, se ajeitando mais reta, e com as duas mãos se livrou da regata preta, ficando só com o torso coberto pela renda preta da lingerie simples do dia a dia. Me pegou pelo rosto e devorou minha boca do jeito que ela sabia fazer.
Eu não conseguia parar de abraçar ela pela cintura, de sentir meus braços envolvendo o corpo dela, apertados no contorno como se quisesse me unir a ela em algo simbólico. Ela chegou perto do meu ouvido e disse:
— Conhecia esse lugar, na verdade, vim não só porque também amo o clima daqui. Esse sofá sempre me provocou coisas que nunca consegui realizar...
— Essa provocação, a gente pode fazer?
— Depende de qual é o seu limite. A gente tem permissão...
— E se hoje e agora eu sentir que não tenho limite nenhum?
— O barista, que é o dono, já me autorizou a sermos livres. Mandei uma mensagem no caminho...
Não aguentei. Segurei ela pela bunda, puxei mais pra perto, e com a outra mão percorri toda a costa dela pra cima, onde peguei ela pelo ombro oposto e trouxe o mais perto que pude pra beijar de novo.
Quando a gente respirou, no meio de tanta euforia, ela tirou minha regata e eu nem senti. Frio. Pelo contrário. Parecia que, além de baixar as luzes e aumentar a música, também tinha ajustado o ar-condicionado pra combinar com o momento. E a gente só estava separado pelas roupas de baixo e um sutiã diferente do que eu conhecia nela, menos delicado, de uso diário, mas que ficava igualmente impactante.
Ela se levantou, mantendo o contato dos dedos no meu queixo. E tirou o que restava de roupa, ficando só com a calcinha, branca, bem justa, que marcava suavemente os lábios dela, já minimamente separados de tesão e umidade. Ela estava radiante, e a gente estava rodeado por umas seis pessoas. Mas ninguém parava de fazer suas atividades. Sim, procurando entre os rostos, eu vi algum olhar safado, algum sorriso cúmplice, mas ninguém se incomodava.
Agora, ela estendia a mão pra mim e, sem dizer nada, me convidava a trocar de posição... eu tava com vontade de descer, de satisfazer ela, de mimar ela em meio a tantas sensações. Esse era o amor que eu tava falando, quando é mais que sexo, que chupar a buceta dela, é abraçar ela, é se sentir completo, mesmo sem chegar ao orgasmo. É olhar pra ela e soltar uma lágrima, é adorar ela e não só por desejo.
Enquanto eu beijava ela entre os quadris, as pernas e as coxas, me aproximando das bordas da calcinha, onde roçava de leve, como criando aquele contato mais esperado, mais... e concentrado em provocar, eu ouvi uns passos que, sem me distrair, me mostraram a excitação da liberdade e do bizarro. O barista se aproximava, sem parar, dava pra ver na visão periférica, e trazia uma xícara com muita espuma de porra. Eu sentia o cheiro de porra, tão característico, e ele oferecia pra ela, aproximando direto da boca dela, sem pedir permissão.
Ela, com as mãos apoiadas a 45 graus no sofá, de pernas abertas e exposta, com a boca entreaberta, continuava me olhando lá embaixo fazendo estragos na espera de aprofundar... mas ela sorveu o que ofereciam, manchando os lábios com a espuma grossa, e se lambendo enquanto Conectávamos os olhares. O sabor, com certeza adoçado demais, fez ela se conectar com alguma lembrança ou simplesmente lamber os lábios de novo pelo relaxante e enjoativo. E num segundo gole, mais generoso, fechou os olhos e brincou de engolir devagar, olhando agora pro teto, e se deixando levar.
A ousadia do dono do bar não tinha me assustado, talvez parecesse estranho, e enquanto ele voltava pro balcão, decidi limpar o que restava de espuma na boca dela. A aproximação forçada colocava meu peito em contato com a virilha dela, e eu sentia aquele calor tão próximo e ardente, que me convidou a me decidir e descer o que restava da roupa íntima dela.Como é que a rotina segue hoje, a 15.000km de distância, onde a gente prometeu repetir tudo de novo?Depois das aventuras no apartamento dela, a gente teve um lado mais romântico e selvagem de despedida. Até hoje, ela continua com o namorado, mas toda semana, no dia de folga dela, dedica uns minutos à lembrança, quando se toca na jacuzzi. Me manda áudios obscenos que fazem minha memória tremer e deixam minha pica dura.
Por razões óbvias de idioma, ela leu as versões traduzidas e, mesmo assim, me contou que amou. E ainda se atreveu a compartilhar com uma amiga dela, latina. Colombiana, mais especificamente. E talvez isso tenha dado o pontapé pra um relato em terceira pessoa, porque me deixaram com muito tesão com o que me contaram.
Duas minas, um champanhe e esse último relato...FIM.
0 comentários - El poder de la sonrisa (3/3 final!)