Por um Textinho 7

A conversa com a Clara a seguir:



Lembra que a Leonora e o Juan (nomes fictícios da colega de trabalho dela e do marido) no último semestre do ano passado estavam mal financeiramente, porque ele tinha perdido o emprego? Então, o Sr. Carlos nos disse que a empresa está crescendo, que tem uns clientes novos e que pode passar esses clientes pra gente. E já que a Leonora tá passando por essa situação, isso podia ajudar ela a melhorar a renda, além de que praticamente não dava mais trabalho. Mas pra ele nos passar essa conta, a gente tinha que fazer um favor pra ele. Como eu conheço a reputação do Sr. Carlos, falei pra Leonora que eu não ia me prestar pra isso, porque eu tava bem financeiramente, e foi isso. Eu deixei a conta com a Leonora, soube que ela se deitou com o Sr. Carlos, mas ela não me contou mais nada desde então. Aí eu interrompi ela, mas o Juan no fim do ano tinha conseguido emprego. Ela me responde que sim, mas pra minha surpresa é numa das empresas do Diego. Fiquei sabendo disso muito depois, então não sei em que enrascada a Leonora se meteu.

O Sr. Carlos tava enchendo o saco pra me passar a conta de um cliente. Eu tinha recusado várias vezes. No final, numa reunião de trabalho, ele me apresenta o cliente, era o Diego. A gente começou a conversar, ele disse que queria que eu cuidasse das contas dele, e que além das comissões que eu ganhava pela empresa, ele podia me ajudar com outras rendas. Na hora, eu não vi mal nenhum, claro que eu não conhecia ele e até aquele momento ele me parecia decente. Depois disso, a gente se reuniu mais algumas vezes. No meio das conversas, surgiu que você tinha várias empresas e do que você vivia, e ele me disse: "Bem, se você aceitar cuidar das minhas contas, também invisto nas empresas do seu marido". Eu, idiota, caí nessa. Assim, aceitei as propostas pra cuidar das contas dele. Naqueles meses, você me disse que as empresas estavam muito bem, que estavam crescendo, que tinham encontrado clientes novos e que a renda tava melhorando muito. Em reuniões com o Diego, ele me confessou... que ele, através de seus sócios e diretamente com suas empresas, foi quem investiu nelas. Nisso, ele me convida pra almoçar pra comemorar que tudo estava saindo muito bem.-      Só escuto o que ela tá dizendo, com a maior atenção possível – mas com o ciúme a mil.
Depois daquele almoço começou meu inferno, não lembro o que aconteceu, só sei que tava no restaurante e dali não lembro mais nada, só quando já tava aqui em casa, e aquele é o vídeo que o desgraçado te mandou, não sabia que ele tinha me filmado.
Naquela noite, enquanto a gente jantava, ele me mandou umas fotos, eu tava completamente pelada naquele hotel, não lembrava de nada, e ele só disse pra gente se ver no dia seguinte pra conversar.
E aí começou todo esse pesadelo.

Eu me levanto o mais calmo possível, vou na geladeira e pego uma cerveja, pra refrescar o calor que tava sentindo, a única coisa que consegui dizer foi: por que se preocupar com dinheiro se até aquele momento não faltava nada pra gente? Quer dizer, não precisava ficar correndo atrás de mais grana… ela só responde: cometi um erro, caí como uma idiota.
Beleza, continua contando – eu respondo.

No dia seguinte, me encontro com ele e ele me dá um monte de condições pra não mostrar as fotos pra você, porque quando a gente tava no hotel ele pegou meu celular e anotou seu número. Entre essas condições, eu tinha que tratá-lo como se fosse meu homem, tinha que chamar de meu amor, papai, entre outras coisas. Eu, com o medo que tava, não sabia se era verdade ou não, mas não podia arriscar.
A verdade é que uma semana depois ele me chama pra ir pra casa dele num fim de semana e até me diz como me vestir. Por sorte minha, você tinha programado sair com seus amigos.
Quando chego na casa dele, ele tá me esperando, e me trata como se eu fosse uma puta, como se eu fosse uma garota de programa. Me senti mais humilhada ainda quando saio e a esposa dele tá lá e me pergunta: quanto você cobrou dele?…

Eu continuei levando as contas, sabia que o Sr. Carlos tava sabendo porque me olhava com um sorriso irônico, mas por sorte minha, naqueles dias eu fui muito pouco pro escritório e, quando ia, ele não tava na sala dele. Depois, o golpe final foi no dia que você me disse que o Fernando ia fazer uma reunião com todo mundo. Os clientes e sócios das empresas, eu sabia que ele ia estar lá. Poucos dias depois, ele me mandou uma mensagem me convidando pra uma reunião com os sócios dele, pra eu ir como acompanhante. Eu falei que não podia porque você ia nessa reunião, e ele disse: "É verdade que meu sócio vai me dar uma festa, e que presenteão, a mulherzinha dele... hahaha". Ele mandou eu tirar foto dos vestidos que eu tinha e da lingerie que eu ia usar, porque ele precisava aprovar. Foi ele quem escolheu o vestido praquela reunião. A lingerie eu tive que comprar uma nova porque ele disse que nenhuma combinava com o vestido, e também tive que tirar fotos. Esse é o vídeo que ele postou na internet. Naquele dia, foi quando eu me senti pior na minha vida.

Depois, ele me escreveu umas seis ou oito vezes mais. Às vezes, ele só me esperava fora do escritório sem avisar. Muitas vezes eu estive na casa dele, outras num apartamento que ele tem nos arredores da cidade, outras vezes ele só me dizia em qual quarto de hotel ia estar, até o dia que aconteceu o que aconteceu. Nos primeiros dias que você me expulsou de casa, ele dizia que já que você tinha descoberto, era pra eu ir pro apartamento que lá a gente podia se divertir bem. Mas eu não aceitei. Na verdade, no dia seguinte que isso foi descoberto, eu renunciei à conta dele. Ia pedir demissão da empresa, mas a Leonora e o Carlos não deixaram. Depois que voltei pra casa, você já sabe tudo o que aconteceu porque não escondi nada de você.

Só falei que em seis meses (mais ou menos o tempo que os fatos duram) você transou com ele umas 10 ou 15 vezes, e comigo, se a gente chegou a fazer uma vez a cada quinze dias, é muito. Ela tampa minha boca pra me calar e diz: "Não me faça sentir pior do que já estou. Te falei que vou fazer de tudo pra me redimir e estou dando o meu melhor." Nisso ela tinha razão, e eu não fiquei insistindo na situação. Perguntei: "Você sempre esteve sozinha com ele, ou tinha mais alguém?" Ela responde: "Não, não foi só ele. Às vezes a esposa estava observando. Sim, ele me disse que quando eu estivesse pronta, teria que experimentar os sócios dele, mas nunca rolou… Aí eu falei vamos jantar, a gente começou a cozinhar, comemos, eu vi um pouco de TV, mas nem sei o que tava passando, tava mais era pensando nessa situação toda.

2 comentários - Por um Textinho 7

muy buena historia espero la vendeta con carlos jaja