Fundidos en Uno. Camping descontrol.

Já faz uma hora que ela foi embora, discutimos, todo mundo olhando. Fiquei com vergonha da situação e, pra bancar o ofendido, não a retive. Não sei do que ela é capaz. O camping tá lotado. O Kily, pra começar, tá morrendo de vontade. Só se segura por causa do olhar do Lucas e do Santi. Ela ficou parecendo uma puta e eu, um otário. Mas eles já desconfiavam, com certeza. Todo mundo bebeu muito e talvez amanhã seja só uma lembrança ruim. Mas... como ela teve a ideia de dar o celular pro Santi? Fez de propósito? Quem tirou essa foto e quando?" — Vai, Juancin, toma um gole, ela já volta. (Kily) — E se não voltar, melhor ainda. (Santi) "Lucas não diz nada. Algo nas palavras dela deixou uma ponta de ameaça/desconfiança sobre meus amigos, ela disse: por que eu ficava tão bravo com ela se era o que eles queriam. Alguém pelo menos devia estar dando em cima dela pelas costas. O Kily era óbvio, mas Santi ou Lucas, um dos dois tava jogando sujo. Mas quem e quando tirou essa foto? Consigo lembrar de detalhes, parecia ser um banheiro. Não era barraca, nem quarto. A pouca roupa que ela tinha (a saia jeans levantada, ela usa sempre, a calcinha fio-dental estava abaixada e era preta, podia ser de qualquer uma). A camiseta e o sutiã não estavam na cena, os peitos estavam à mostra. Faz 4 dias que estamos aqui. Foi aqui? Parecia um banheiro novo. Limpo. Ou alguém mandou pra ela agora e é uma foto antiga? Essa saia ela usou anteontem. Sim, mas o banheiro daqui é velho, sem pintura. A não ser que o das mulheres... — Já volto, vou dar uma volta. — Vai procurar ela... vai lá. (Santi) — A gente fica aqui. (Kily) Agora como faço pra entrar naquele banheiro. Espero não ter ninguém — Oi, tem alguém? Espero um segundo. Não... não é esse banheiro, o fundo era mais branco com azulejos. Talvez não tenha sido aqui então, alguém mandou pra ela. Mas por que ela deixou à vista do Santi? O que ela queria mostrar? — Ei! Esse é o banheiro das mulheres!!! — Sim, desculpa, já tô saindo, o dos homens estava muito sujo. — Tá bom, olha direito, cara, vai nos outros por último... — Quais outros?! — Na recepção... tchau, por favor sai que Tenho que fazer. Uff, então tem outros banheiros... pode ser ali. Tenho que ver. Tenho que ver. Anteontem, anteontem, a gente ficou bêbado cedo. Tinha aqueles hippies e eu fiquei o tempo todo com eles. Comemos, estávamos todos. Kily estava com a americana. Depois fomos pro rio, Santi disse que ia dormir. Lau e Lucas vieram comigo e os hippies, depois deitamos na areia e aí eu dormi. Quando acordei, Lau estava numa sombra sozinha e eu e outros estávamos com o sol direto na cara... ela acordou antes? Ou deitou quando já tinha sol? Não pode ser tão **piranha**. Esses devem ser os banheiros. Não tem luz. Parecem novos. Se foi com flash. Talvez. Posso testar com o meu. —Oi... é você, **safadinho**? Que filha da **piranha**... —O que você faz aqui? Aqui tiraram aquela fotinha sua pelado, né? Pode ser tão **cuzão** assim? Qual é o seu problema? —Ah, é você... ops, me descobriu, cachorrinho, eu tava procurando um **safadinho**. —Ah, não... você tá louca de vez, **mina**... o cúmulo da **piranha**, vaza daqui... que vontade de foder o relacionamento que você tinha... —Eu? Euuuu? ... E você? O que foi aquela de babar ovo pra aquela **rastafári** e deitar pra dormir nos peitos dela? Achei que a gente ia ser como o casalzinho hippie e fazer o amor livre... você começou. ... —Não sei do que você tá falando. Você tá louca. Com quem você ficou??? O que foi aquela foto? Me diz se foi algum dos meus amigos e pronto. Não vou brigar com ninguém, vou vazar assim que amanhecer. —Mmm... tem cheiro de sexo nesse banheiro, sente? Reconhece? mmm pra mim parece conhecido, respira fundo e adivinha —Laura, você tá bêbada e drogada. Não te conheço. Perdeu a cabeça completamente. —Vai, se quer saber. Sente, tenta adivinhar... —Tô pouco me fudendo, já era. Vai, me deixa passar ou eu te empurro. —Me empurra e eu grito. Vai, respira... Ela ri, tá de zoação comigo, pirou completamente. Definitivamente, isso não tem sentido. Não pode estar brincando. Não pode ser tão **piranha**. Deus —O que você quer, Laura? —Quero meu **safadinho**. Aquele que me **comeu** aqui ontem à noite e anteontem e com certeza vai me transar logo... —Tá bom, você pirou de vez. Pelo seu bem para de beber e fumar porque você tá se perdendo feio. Vou vazar, menina, grita, esperneia, morre aí, tô indo... —Ufff tá bom, chega! Quer falar sério? Tô falando sério, você tava quase comendo o rasta na minha frente, tava bêbada e pronto, eu peguei e fiz o mesmo. Fiquei louca de bebida com seus amigos enquanto você tava lá brincando de conchinha com o rasta. E sabe o que? Acha que seus amigos se tocaram? Nem. O Santi dormiu, mas os outros não. —Você é capaz de ter transado com o punheteiro do Kily. Tão óbvia você é. —Haha, é isso que você quer acreditar. Mas não, não foi ele. Embora ele tenha insistido pra caramba. Até ficou nos espiando. Ele que tirou a foto. Mas quem sacou a vontade comigo foi seu Luquitas, e não bastou uma noite de bebedeira, não, ele me comeu aqui de novo ontem à noite. Seu amiguinho moralista. Se você visse como ele chupava minha buceta. Por alguma razão eu sabia de tudo isso. Sabia que era ele. Por isso tava puta. Porque o Santi era gato, o cara que poderia fazer ela se apaixonar, o Kily o que comeria ela sem pensar duas vezes, mas o Lucas, meu melhor amigo, a verdadeira traição e o tesão. —O que você vai fazer? Vai embora e me deixa com aquele lixo de amigo que você tem? Ou vai assumir seu lugar de namorado como um homem de verdade? Vai, me responde, porque se não eu já volto... ele vai vir aqui logo atrás de mim de novo. E a verdade é que ele me fode super bem. Ela ainda tá bêbada, mas fala sério. No escuro mal consigo distinguir alguns gestos, parece sorrir debochada, e o sorriso vira uma careta de medo e depois se dissolve em sensualidade e me sinto superado, de repente aspiro o ar viciado do banheiro, consigo reconhecer o cheiro dela entre tantos, consigo sentir como inunda tudo quando levantam sua saia e sua pele branca fica exposta, seus lábios cobertos de pelos macios, úmidos, ouço seus gemidos, seus joelhos contra o chão duro e frio e o bate-bate voluptuoso de suas nádegas a cada investida do macho. Consigo sentir os restos da noite entre suas pernas, posso sentir o gosto da sua luxúria no seu fluxo mais intenso, mordo sua carne sinto com minha língua a docilidade do seu cu também subjugado. Começo a penetrá-la, contra a parede os azulejos suam, ouço passos lá fora, acelero as investidas e ela geme, geme porque também ouviu. Geme e afirma que sim que ela está ali que sente a respiração do outro que também observa sobre seu pescoço que sente o pênis dele abrindo sua vagina suas mãos apertando seus peitos com outra força desconhecida, avassaladora e dilacerante. Ela se dissolve em suor, se dissolve em fluxo, babas, se dissolve em escuridão e sêmen escorrendo, se dissolve em vapores que se fundem num único cheiro viciado do banheiro. Os passos se afastam agora. Uma parte de mim também.

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