PORNOSONETOS x Ramón Paz (Pedro Mairal)

Que lindo ficava aquele vestido
de flores que encheram o espaço
da noite de março e todo o liso
perfume do teu cabelo e o som
do zíper do lado quando mal
fui descendo ele um pouco e você me parou
e fui descendo em beijos você respirou
porque te abri e abriste aquelas morenas
joelhos e tuas coxas toda macia
e afastei a calcinha fio dental e teu sorriso
secreto depilado monalisa
se abriu como a fechadura com a chave
se abriu toda a tua luz e aquele vestido
voou pela penumbra florido


Dormir com você, sonhar e acordar
do lado dos seus olhos, bom dia
seu sorriso às nove, sombras frias
uns mates e conversar, se conhecer
Falar de Bashô, Buson ou Vallejo
da sua infância feliz, seus cachorros soltos
meus verbos na luz meio bagunçados
"Você tá lindo", você disse, e o reflexo
da manhã inteira estava vivo
tremendo na sua cozinha, e a camiseta
que você usa de camisola deixava de fora
sua bunda de melão superlativo
Fui embora pela calçada tão contente
os galhos se mexiam com o vento

Sua gemida gostosa na outra tarde
é tudo que eu quero nesse mundo
aquele prazer rouco lá no fundo
espanta o que eu tenho de covarde
Me olha, você dizia segurando
meu rosto pra me ver e eu te olhava
seus olhos bem abertos eu beijava
e nossa luz aos poucos ia se abrindo
E abrindo e o sorriso seu, meu
as palavras secretas no seu ouvido
e o fundo oceânico do seu gemido
e o trânsito a oeste, o dia se foi
E hoje nunca amanheceu, não tem seus passos
eu te tive brilhando entre meus braços

Ricardo conheceu uma morena
e se mudou pra buceta dela pra vida inteira
a morena deu boas-vindas
e ele achou entre as bandas uma nova moradia
a esposa foi atrás, gritava
que ele descesse dali, não fosse um otário
“quero envelhecer nessa bunda”,
respondia ele, e ficava no lugar
vieram os sogros e um bombeiro
os amigos do clube, as ex-professoras
e o cara nem dava sinais
de querer sair daquele rabo
hoje segue bem acomodado entre os bifes
a negra e ele parecem muito felizes

Minha neguinha da minha alma, tô na pica
Já faz mó tempão que a gente não trepa
Por que ficou tão difícil se ver?
Por que a gente se esconde no meio dos outros?
Hoje eu ia te dar uma foda
Que tu nem imagina, toda a pica
Que tenho pra tu e fica adiada
E cada vez ela tá mais dura e erguida
Quero te arrombar do jeito que tu gosta
Chupando essas tetas vitoriosas
Falando um monte de putaria no teu ouvido
Enquanto a pica inteira entra justinha
Quero te ver pelada, te ver sozinha
Tô com um caminhão de leite entalado nas bolas

Olhando a gente ontem no espelho
do teto daquele hotel, de barriga pra cima
nós dois meio que flutuando à deriva
com as marcas do sol e da farra
teu corpo com meu corpo paralelo
caídos pro alto, rumo ao nada
leves, numa doce marola
subindo pela música do hotel
até onde a gente vai, meu amor
a força do cansaço leva pra onde
como é que segue a vida, sempre nova
que merda é essa, esse vazio, esse abandono?
a fuga é vertical, Eva e Adão
caíram pra cima e já não tão mais

Como filhos de vizinhos inimigos
que brincam num canto da guerra
assim tua mão tímida se agarra
na sombra à minha, sem testemunhas
apesar das brigas semanais
e das contas atrasadas, das recriminações
e do silêncio lá no fundo das noites
apesar dos ânimos rivais
teu corpo com meu corpo se entendem
fazem trégua, sabendo sua inocência
e mudos, em segredo, sem violência
se enroscam e se aliam e se acendem
o que foi, minha inimiga, meu nunca mais?
os corpos simplesmente sabem mais

Que abismo quando abertas e molhadas
te olham com os filhos nos olhos
deitadas nos seus beijos e seus vermelhos
desejos de brilhar multiplicadas
que vertigem o abraço exigente
os fêmures abertos e o imã
a pura gravidade que empurra adão
pro fundo da terra alucinante
que feitiço quando jazem em ardores
e adiam a camisinha e te orientam
e sussurram os méis e te tentam
com doce morte vívida em suas flores
o sexo fluorescente no mistério
vagalumes no fundo do império

Se chongo é ser o macho que te fode
então claramente sou teu chongo
se slut é a que anseia por esse porongo
então cê é minha slut, cê é minha pussy
minha pussy preferida entre as várias
as molhadas, as gordinhas, as alegres
as múltiplas maneiras de cochos
as bocetas dançantes, as agrárias
as bocetas estudiosas, loucas, provas
as bocetinhas de missa, as talmúdicas
as ácidas, as doces e as lúdicas
as bocetas amansadas e as lobas
a variedade terráquea me alegra
mas a tua é cósmica, minha negra

Que lindo ficava aquele vestido
de flores que encheram o espaço
da noite de março e todo o liso
perfume do teu cabelo e o som
do zíper do lado quando mal
fui descendo ele um pouco e você me parou
e fui descendo em beijos você respirou
porque te abri e abriste aquelas morenas
joelhos e tuas coxas toda macia
e afastei a calcinha fio dental e teu sorriso
secreto depilado monalisa
se abriu como a fechadura com a chave
se abriu toda a tua luz e aquele vestido
voou pela penumbra florido


Dormir com você, sonhar e acordar
do lado dos seus olhos, bom dia
seu sorriso às nove, sombras frias
uns mates e conversar, se conhecer
Falar de Bashô, Buson ou Vallejo
da sua infância feliz, seus cachorros soltos
meus verbos na luz meio bagunçados
"Você tá lindo", você disse, e o reflexo
da manhã inteira estava vivo
tremendo na sua cozinha, e a camiseta
que você usa de camisola deixava de fora
sua bunda de melão superlativo
Fui embora pela calçada tão contente
os galhos se mexiam com o vento

Sua gemida gostosa na outra tarde
é tudo que eu quero nesse mundo
aquele prazer rouco lá no fundo
espanta o que eu tenho de covarde
Me olha, você dizia segurando
meu rosto pra me ver e eu te olhava
seus olhos bem abertos eu beijava
e nossa luz aos poucos ia se abrindo
E abrindo e o sorriso seu, meu
as palavras secretas no seu ouvido
e o fundo oceânico do seu gemido
e o trânsito a oeste, o dia se foi
E hoje nunca amanheceu, não tem seus passos
eu te tive brilhando entre meus braços

Ricardo conheceu uma morena
e se mudou pra buceta dela pra vida inteira
a morena deu boas-vindas
e ele achou entre as bandas uma nova moradia
a esposa foi atrás, gritava
que ele descesse dali, não fosse um otário
“quero envelhecer nessa bunda”,
respondia ele, e ficava no lugar
vieram os sogros e um bombeiro
os amigos do clube, as ex-professoras
e o cara nem dava sinais
de querer sair daquele rabo
hoje segue bem acomodado entre os bifes
a negra e ele parecem muito felizes

Minha neguinha da minha alma, tô na pica
Já faz mó tempão que a gente não trepa
Por que ficou tão difícil se ver?
Por que a gente se esconde no meio dos outros?
Hoje eu ia te dar uma foda
Que tu nem imagina, toda a pica
Que tenho pra tu e fica adiada
E cada vez ela tá mais dura e erguida
Quero te arrombar do jeito que tu gosta
Chupando essas tetas vitoriosas
Falando um monte de putaria no teu ouvido
Enquanto a pica inteira entra justinha
Quero te ver pelada, te ver sozinha
Tô com um caminhão de leite entalado nas bolas

Olhando a gente ontem no espelho
do teto daquele hotel, de barriga pra cima
nós dois meio que flutuando à deriva
com as marcas do sol e da farra
teu corpo com meu corpo paralelo
caídos pro alto, rumo ao nada
leves, numa doce marola
subindo pela música do hotel
até onde a gente vai, meu amor
a força do cansaço leva pra onde
como é que segue a vida, sempre nova
que merda é essa, esse vazio, esse abandono?
a fuga é vertical, Eva e Adão
caíram pra cima e já não tão mais

Como filhos de vizinhos inimigos
que brincam num canto da guerra
assim tua mão tímida se agarra
na sombra à minha, sem testemunhas
apesar das brigas semanais
e das contas atrasadas, das recriminações
e do silêncio lá no fundo das noites
apesar dos ânimos rivais
teu corpo com meu corpo se entendem
fazem trégua, sabendo sua inocência
e mudos, em segredo, sem violência
se enroscam e se aliam e se acendem
o que foi, minha inimiga, meu nunca mais?
os corpos simplesmente sabem mais

Que abismo quando abertas e molhadas
te olham com os filhos nos olhos
deitadas nos seus beijos e seus vermelhos
desejos de brilhar multiplicadas
que vertigem o abraço exigente
os fêmures abertos e o imã
a pura gravidade que empurra adão
pro fundo da terra alucinante
que feitiço quando jazem em ardores
e adiam a camisinha e te orientam
e sussurram os méis e te tentam
com doce morte vívida em suas flores
o sexo fluorescente no mistério
vagalumes no fundo do império

Se chongo é ser o macho que te fode
então claramente sou teu chongo
se slut é a que anseia por esse porongo
então cê é minha slut, cê é minha pussy
minha pussy preferida entre as várias
as molhadas, as gordinhas, as alegres
as múltiplas maneiras de cochos
as bocetas dançantes, as agrárias
as bocetas estudiosas, loucas, provas
as bocetinhas de missa, as talmúdicas
as ácidas, as doces e as lúdicas
as bocetas amansadas e as lobas
a variedade terráquea me alegra
mas a tua é cósmica, minha negra
9 comentários - Pornosonetos - Pedro Mairal
Por cierto, gran post Sr.
+ 10 !
Gracias por compartir.
Dejamos puntos y recomendamos!
y se mudó a su culo de por vida...
jajajajaj algunos son muy graciosos!
Excelente !!!
Sumamente inspirador además.
Gracias por compartir 👍
Yo comenté y dejé puntos en tu post.
La mejor manera de agradecer es haciendo lo mismo en alguno de los míos.