Descobrindo Minha Identidade IV

Eu tinha ficado sozinho. Tinha dois dias de liberdade total pra pensar e pensar em tudo que tinha rolado. Voltando pro apê, sentei num bar, pedi uma breja e fiquei olhando o povo passar. Tava meio entediado, então peguei o celular e comecei a fuçar minhas redes sociais. Tava na do passarinho (mais livre que o caralivro) e, uma coisa leva à outra, comecei a procurar acompanhantes pra passar o tempo. Tava sozinho. Ela a caminho de casa. Talvez fosse minha curiosidade ou tinha que acontecer. De mulher passei a procurar homem. Resumindo a história, acabei marcando de encontrar uma shemale num cinema pornô num bairro de Palermo. Deixo claro: amo minha namorada, mas não podia ir embora sem tirar essa dúvida. Precisava disso. Algo dentro de mim mandava. Ela se chamava Carolina. Eu falei que me chamava Alberto. O encontro foi bem de filme. Ela me esperava na porta, vestindo uma calça jeans, uma jaqueta preta de couro e uma bolsa vermelha com uma flor enorme. Tava meio assustado, com medo de cair num golpe e ser roubado, então pedi o número dela. Ela passou na hora. Marcamos pras 23h. Meio na diagonal do cinema tem um bar. No horário combinado, sentei numa mesa que dava pra ver a entrada do cinema. Foi lá que eu vi ela. Antes de me encontrar, queria ter certeza de que não era uma armadilha. 23h15 liguei pra ela e falei que tinha me atrasado. Ela disse que me esperava. Tava sozinha na porta. Lá pelas 23h45 criei coragem e atravessei. — Oi, Carolina? — Alberto? Nós dois respondemos com a cabeça e entramos. Nessas salas, o filme não importa muito, então não tem problema entrar no meio ou no final, é meio contínuo. Também não importa onde você senta, não precisa se esconder porque todo mundo tá na mesma e cada um na sua. Sentamos. — Tava ficando impaciente, já achava que era zoeira. Ela falou, e aí me soltei e começamos a conversar sobre o trampo dela e os perigos da noite, enquanto o filme passava. Era sobre uma travesti que comia tudo que via pela frente. Carolina era de altura média, rosto bonito e lábios melhores ainda, um bom par de tetas e o pau durinho (a calça ajudava muito). Se você olhasse rápido, nem percebia que ele tava de pau duro. Conversa vai, conversa vem, ela pegou na minha mão. Pra mim, ela percebeu que era minha primeira vez.
— Não vai acontecer nada que você não queira. Carinho sabe esperar.
Foi o filme e os gemidos dela, ou a ternura com que ela disse aquelas palavras, não sei, mas a gente se beijou. Era meu primeiro contato com os lábios de um homem. Ficamos um tempinho. Ela desceu as mãos e sentiu minha ereção. Eu congelei. Ela se afastou um pouco e olhou nos meus olhos. Já tava sacando o que tava rolando comigo.
— Fica tranquilo — ela disse. Passou a mão no meu rosto, depois no meu braço, e foi descendo até pegar na minha mão. Eu me deixei levar. Devagar, ela levou minha mão até a virilha dela, e eu senti. Era enorme. Acariciei com medo e voltei a olhar pra tela. Ela sabia. Me deu um beijo na testa e falou:
— Você me liga amanhã?
Eu balancei a cabeça que sim.
— Umas 10 horas já tô acordada.
Balancei a cabeça de novo, com um movimento tímido. Ela foi embora. Fiquei mais um tempo e depois fui também. Ela não me cobrou. Eu tava em outro mundo. Minha cabeça começava a se abrir. Ela sabia.

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