6 meses depois… (VIII)




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Próximo postE essa foi a parte que me rendeu uma pequena discussão com a minha esposa.·Mas, por que você não tentou algo a mais com a sua secretária?
De nada adiantaram minhas explicações sobre como eu me sentia naqueles momentos e, num tremendo erro de "escolha de palavras", fiz ela perceber que, se fosse uma "esposa mais normal", deveria estar puta da vida por ser traída.
Isso causou um baita acesso de raiva, que quase me fez dormir em outro quarto, embora a curiosidade dela fosse maior pra saber o que mais tinha rolado durante a viagem.
Como eu disse, emocionalmente eu me sentia um lixo e precisava me distrair. Acho que eu estava com uma cara tão deplorável que inspirei pena na Gloria, e ela na hora cancelou o Uber que tinha chamado.
Fomos andando e eu expliquei que precisava comprar uns presentes pras minhas filhas e pra minha esposa, oportunidade que também aproveitei pra ligar pra ela, já que no dia anterior não tive muito tempo por causa do convite da Hannah pra jantar.
Contei em linhas gerais o que tinha acontecido. Ansiosa, a Pamelita pegou o telefone de novo e me lembrou da promessa que eu tinha feito: que voltaria depois que o sol nascesse pela terceira vez no horizonte.
A Gloria me olhava satisfeita enquanto eu falava com carinho com minhas pestinhas, que por fim devolveram o telefone pra minha esposa.
·Não me compra nada caro!" — ela ordenou, lendo minha mente.
— Por que não? — perguntei, maravilhado com minha esposa.
Claro, aqui está a tradução para o português brasileiro:

·
Porque não preciso disso — respondeu ela, com sua franqueza e humildade de sempre. — Agora, se você quiser... pode me trazer um docinho da sua viagem.

— Tá bom! — aceitei, resignado. — Vou te trazer um docinho também!

E nos despedimos com beijos. Como eu estava dizendo, a gente estava na zona comercial chique de Perth, então encontramos lojas mais refinadas.

Os presentes das minhas pequenas saíram quase na hora: um leão de pelúcia pra Verito e um livro de botânica, com ilustrações de flores e plantas pra Pamelita (porque, além das borboletas, minha pimpolha também ficou obcecada por plantas).

Gloria me olhou surpresa com o contraste dos presentes, já que ela sabe que minhas pequenas têm só 3 anos, então pedi pra ela não fazer perguntas, enquanto pagava no caixa.

E aí, entramos numa loja chique de roupas femininas. Tanto eu quanto a Gloria estávamos mais ou menos combinando com a elegância do lugar: eu de calça, jaqueta e sapatos pretos, camisa e gravata; ela, de saia e blusa branca, de ombros de fora, complementada com uma camisa salmão.

Ao entrar, fomos abordados na hora por uma jovem de cabelo preto, comprido, brilhante e sedoso, de 1,63 (me pareceu mais baixa que a Hannah), olhos castanhos, lábios finos e vestida de um jeito "comportadinho" (ou seja, nada muito revelador), com uma saia preta na altura do joelho, camisa branca e uma jaqueta sem mangas, com mais peito do que bunda.
·Olá, meu nome é Patrícia! Em que posso ajudar vocês?
- Boa tarde. Tô procurando um perfume pra minha esposa.
·Acompanhe-me, por favor!
Glória me olhava nerviosa, sem saber bem por que eu precisava dela. Mas a verdade é que queria comprar um bom presente para a Marisol.
Pra vocês me entenderem, eu sabia que se fosse sozinho, aceitaria qualquer produto recomendado pela promotora e sairia satisfeito, porque acho que, igual à maioria dos homens, quando vamos às compras, temos um objeto em mente, pegamos e vamos embora.
Já se fosse com outra mulher, não era tão fácil, porque, pela curiosidade delas, tendem a se distrair mais rápido com bolsas, pulseiras e outros trecos.
E como era de se esperar, ela me mostrou os mais vendidos: Chanel, Oscar de la Renta, Carolina Herrera… entre outros, que, conhecendo os gostos da minha esposa, não seriam do agrado dela.
— Não tem algo com um aroma mais natural? — perguntei meio nervoso — Algum perfume com essência de Orquídea ou Lavanda?
As duas me olharam com estranheza, já sacando que eu fugia um pouco do comum dos clientes homens. Mas depois de ter vivido numa casa perfumada pelas deliciosas flores e plantas da Lizzie, meu nariz tinha se acostumado com esse tipo de aroma relaxante.
Infelizmente, Patrícia disse que não, embora tenha trazido alguns perfumes não tão pedidos, mas que tinham essências mais naturais.
Os novos perfumes não me agradaram totalmente, já que alguns eram agressivos pro olfato e, de novo, voltei pros que ela tinha recomendado no começo.
— Dá pra eu testar ele nela? — perguntei, quando encontrei um que parecia me agradar.
Patrícia me olhou meio sem jeito…
— Olha!, se for problema, compro o frasco inteiro. Mas queria sentir o cheiro no pescoço dela, dá pra fazer?
Diante dessa proposta, ela não teve problemas…
Glória estava paralisada.
·Claro! — comentou radiante.
— Excelente! — e olhando para a Glória, pedi. — Beleza, Glória, preciso que você me empreste esse pescoço gostoso!
§—O quê?
—O que você ouviu. — pedi de forma mais autoritária. — Preciso que me empreste seu pescoço.

Gloria e Patrícia se olharam, estranhando. Provavelmente, ela achou que Glória era minha esposa, e minha secretária não acreditava no que eu pretendia fazer.

Mesmo assim, ela concordou em tirar a camisa e expor os ombros. Borrifei o perfume duas vezes na pele branquinha dela, fechei os olhos e aspirei fundo.

Sei que, de alguma forma, isso a perturbou, mesmo eu estando a uns 10 centímetros do pescoço dela, porque a respiração dela começou a acelerar e, quando me levantei, ela estava com uma expressão tensa demais, mais confusa do que envergonhada.

— Não. Não me convence. — respondi, decepcionado. Mas, vendo a confusão das duas, completei: — Minha esposa gosta de passar perfume no pescoço, porque é onde ela mais gosta que eu beije.

Como se aquilo fizesse mais sentido para elas, me deixaram tentar de novo, sorrindo com curiosidade, com outro perfume que encontrei. Só que dessa vez segurei delicadamente o queixo de Glória e, forçando levemente, aspirei mais uma vez sobre o pescoço branquinho dela e fechei os olhos.

Depois, nos olhamos e sorrimos.
§Gostou dessa, Chefe?" — perguntou ela, se divertindo com a situação incomum.
— Não. — respondi, sorrindo, sem perder minha objetividade.
·Talvez… — Patricia hesitou, duvidosa.
— Talvez… ele goste do meu. É um pouco mais suave.

A vendedora tirou o casaco e expôs o pescoço e a camisa, pra eu tentar de novo. Dessa vez, a essência era tão sutil que precisei segurá-la pelos ombros e inspirar fundo três vezes.

Quando a soltei, Patricia também estava de olhos fechados, com uma cara de muito prazer.
— É, algo assim me agrada… Você tem mais variedade disso?
·Sim." — respondeu satisfeita a Patrícia. — "A gente tem algumas variações…§—Chefe, cê devia continuar testando em mim! — sugeriu ela, impaciente.
— Não, desculpa! — respondi, ansioso esperando a Patrícia voltar. — É um perfume bem mais suave e, se eu comparar com o que você usou, as essências vão se misturar.
Gentilmente, a Patrícia trouxe mais dois frascos. Mas, de repente, ela desabotoou dois botões da camisa, mostrando um pedaço dos peitos, e borrifou um pouco de perfume num deles.
·Se quiser experimentar… —comentou, de forma sugestiva.
E mais uma vez, inspirei fundo. A essência era yummy, suave, combinando com o cheiro de sabonete que a Marisol tem…
·Tá gostando?" — perguntou, com um olhar mais sedutor.
— Sim, é algo assim que eu tô procurando! — respondi, satisfeito, sem conseguir me conter daquele cheiro maravilhoso.
·E o que acha desta outra?" - ela borrifou, sem terminar a pergunta.
Nos olhamos, cúmplices. Sabia que de algum jeito, tinha fisgado ela e, assim como as mulheres (porque as mulheres nem sempre precisam levar toda a diversão...), decidi "esquentar o caldo"...
E aspirei de novo, mas a segunda essência não me agradou.
- Não, desculpa! Fico com o primeiro! O que acha, Glória?
Mas ela continuava emburrada. Não era a primeira vez que a via num ataque de ciúmes e, até mesmo na sexta, quando Madeleine e Cristina me chamaram pra tomar umas depois do trabalho, ela acabou se enfiando no grupo pra me proteger.
Continuei paquerando a Patrícia, sorrindo e olhando pra ela direto, enquanto a Glória estava de braços e pernas cruzados, fingindo olhar pro lado.
- Bom, acabou o perfume... - falei satisfeito pras duas. - Tem joias?
Patrícia nos guiou até um aparador muito bonito de madeira, com veludo azul, onde tinha vários tipos de broches, anéis, brincos, pingentes e colares de diamante e safira, que combinavam com os olhos da Glória, que os admirava toda empolgada.
- Não tem nada em jade, esmeralda ou opala verde?
De novo, os olhares estranhos delas, como se eu realmente tivesse que dar explicações...
- Minha esposa tem olhos verdes... e tô procurando algo que combine com eles... - tentei explicar da forma mais clara.
Patrícia olhou pra Glória, que ficou levemente sem graça. Agora tinha ficado claro que minha secretária não era minha parceira.
Ela trouxe uma bandeja que só tinha anéis e brincos...
- Não, não! - impedi, ao vê-los. - Tô procurando algo tipo um pingente de jade, pro pescoço dela...
E mais uma vez, perplexidade nos olhos delas...
Sorri.
- Minha esposa tem... (gesticulei com as mãos) um busto chamativo... e fica sem graça fácil quando outros homens olham... então tô procurando algo que desvie a atenção. Entendeu?
Elas sorriram de novo, com um olhar meio safado, de algo que prende a atenção delas…
Patrícia foi pegar outra bandeja, que colocou do lado da primeira, mas já me avisou na hora…
·São mais caras…
— Eu sei, e tenho o dinheiro! — respondi, encarando ela nos olhos.
E encontrei uma, da qual me apaixonei perdidamente…
É um brinco triangular lindo, com um opala verde perfeitamente polido, com uma correntinha de ouro de alta pureza.
Confesso que fiquei tentado a acariciar a joia pra sentir a perfeição, mas como isso podia sujar e diminuir a beleza, tive que segurar os dedos.
A Glória também tava maravilhada com a joia, olhando com os olhinhos azuis bem brilhantes.
— É isso que eu procuro! — exclamei, satisfeito, e depois pedi pra Patrícia — Você tem um espelho?
Pensando com uma mente mais criminosa, teria sido fácil pra gente pegar a joia e sair correndo, já que além da Patrícia, tinha mais duas vendedoras e um segurança obeso. Mas a gente tava tão à vontade que ela nem hesitou em deixar a gente uns 30 segundos com a joia na mão; quando trouxe o espelho, tava tão ou mais empolgada que a Glória…
— Me empresta teu pescoço de novo? — perguntei brincando pra minha secretária…
E ajudei ela a tirar a camisa cor salmão, com todo cuidado, colocando no balcão. Fiquei atrás dela e ela tremeu um pouco ao me sentir, roçando “inocentemente” a bunda em mim enquanto eu abria a corrente pra colocar a joia no pescoço dela.
Os olhos dela estavam vidrados, ansiosos, e entendi naquela hora que tem mulher que se entrega por joias… (Felizmente, minha esposa não é dessas)
— E então, me diz, Glória… — falei num tom sarcástico. — Imagina que o Oscar vai viajar por uns dias e te pergunta o que você quer de presente. Você pede pra não ser nada caro… (um sorrisinho meu) um doce, de preferência… e ele aparece com isso… O que você diria? Ia gostar ou ficar brava?
A Patrícia riu baixinho, finalmente entendendo a situação que tinha levado a gente até a loja dela.
Já a Glória… Suspirava iludida…
§— Adoraria!... Seria tão inesperado… romântico! — comentou ela, com uma voz suave.
Me senti satisfeito…
— Tá bom! Vou levar! — indiquei pra Patricia…
Mas ao ver o rostinho de decepção na Gloria quando eu tirava o colar do pescoço dela, completei…
— Mas queria ver uns brincos de diamante pra ela…
Gloria ficou imediatamente petrificada com minhas palavras…
§Vamos, chefe!... Não precisa não!" — respondeu ela, assustada.
— "Não, tá tudo bem!" — respondi, tentando acalmá-la.
— "Falei que tô muito arrependido de ter te usado daquele jeito no trabalho e você merece. Fechamos o acordo graças a você e isso é sua recompensa…
§Mas… é muito caro… — comentou ela, contemplando as joias com os olhinhos brilhando, igualzinho minha esposa quando entra numa loja de chocolates…
— Não se preocupa! Eu posso pagar!
E escolhi uns com moldura de prata, corte princesa e formato redondo, que praticamente a deixaram louca.
Depois de colocá-los nas orelhas dela, ela não parava de balançar a cabeça de um lado pro outro, sem acreditar que estava usando aquilo, muito menos que era dela…
§Mas, chefe… O que vou dizer ao Oscar? – ela perguntou, me olhando agitada.

Eu estava certo a partir daquele momento: se eu sugerisse irmos a um motel (ou, o mais lógico, passar a noite no meu quarto do hotel onde estávamos hospedados), ela aceitaria sem hesitar.

– Não precisa saber, se você não quiser! – sugeri de forma prática, enquanto entregava meu cartão a Patrícia para que ela pagasse a conta. – Recomendo que você guarde esses looks, porque daqui pra frente vai encontrar pessoas importantes e precisa estar bonita e elegante.
§Valeu!..." — comentou, envergonhada.
— Mas se você quer mesmo ficar com a consciência limpa, aproveita e compra outro presente pro Oscar…
§—Mas, chefe, se eu já te disse que comprei um relógio pra ela!
— E acredite, se minha esposa me desse uma coisa dessas, eu ia me sentir decepcionado.
Aí, olhei pra Patrícia.
— Vocês têm lingerie?

Patrícia me olhou com um sorriso maroto, já sacando o que eu tava tramando…
Ela me mostrou calcinhas fio dental, sutiãs e calcinhas de renda, ligas e todo tipo de lingerie picante, como se adivinhasse que tudo não passava de um jeito de levar ela pra cama.

E, olhando pra ela de longe, fazendo um enquadro com os dedos, focando no busto dela, falei pra Patrícia…
— Eu chuto que… uns 32-B… Cê não acha? — baseei meu palpite no fato de que a Marisol agora usa 34-C.

Patrícia só sorriu.
§— Chefe… eu uso… 32-C! — esclareceu Glória, muito envergonhada.
Eu sorri um pouco, pela confissão inesperada dela.
— Eu sei!... ou pelo menos, imagino… (esclareci ao ver o olhar preconceituoso de Patrícia…) mas nada excita mais um homem do que ver uma mulher com roupa justa. — comentei, mais sério. — No seu caso, você saiu com seu chefe por 3 dias, para outra cidade. Se fosse eu, estaria preocupado e com ciúmes, pensando que você poderia ter ficado comigo… (os olhos dela me encaravam atônitos), então o melhor presente que você pode dar a ele é lingerie nova, para ele. Assim, ele vai saber que você sentiu falta dele e que está morrendo de vontade de transar.
Na minha mente, vinham as lembranças de como Douglas comprou lingerie sexy para Hannah e como ela se desculpou, dizendo que ficava envergonhada e que experimentaria no turno de serviço “a sós”, oportunidade que usei para fazer amor com Hannah até quase cair de cansaço.
Patrícia concordava em silêncio, ouvindo minhas reflexões, enquanto separava o pedido, para depois me mostrar.
Escolhi umas tangas finas pretas, tipo fio-dental, que fizeram Glória se encolher de vergonha; outro conjunto, em vermelho vibrante, de renda; um espartilho com ligas branco, junto com meias da mesma cor; uma camisola para dormir rosa, que eu calculava que não cobriria os joelhos dela; e a que mais me surpreendeu, uma calcinha semi-transparente, preta, bem reveladora, junto com sutiãs adequados, escolhidos por Patrícia.
Embora mais de uma dessas peças tenha feito minha secretária corar, ela não reclamou, já que eram presentes, e seguiu Patrícia, que a levou até os provadores.
Poucos minutos depois, enquanto eu esperava do lado de fora, Patrícia saiu para me acompanhar.
·— A senhora não quer ver como fica? — perguntou ela, com um sorriso malicioso.
— Não! — respondi eu, num tom de brincadeira. — Sou seu chefe, mas não desse tipo de chefe…
E ela sorriu de novo…
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.— E o senhor não quer levar algo para a esposa? — perguntou ela, de um jeito mais sedutor. — Talvez… eu possa mostrar algo que te interesse…

Sabia que ela estava jogando a conversa para outro lado, mas como eu disse antes, "Não são só as mulheres que têm que se divertir", e além do mais, eu estava cansado. Recusei o convite, explicando que minha esposa me receberia com um apetrecho novo e sexy (que era a fantasia nova dela de "Gênio da Lâmpada", que eu achei bem exótica e cativante), e que, na verdade, já estava com saudades dela. Foi aí que ela parou com as investidas e se despediu sorrindo, depois de fechar nossas compras.

No fim, ela escolheu 3 conjuntos (dos 5 que eu tinha selecionado) e não conversamos muito (mas eu percebia que ela olhava de vez em quando para as orelhas dela, nos espelhos mais escuros), enquanto caminhávamos pelas ruas da cidade.

Num piscar de olhos, já eram 7 e meia da noite, então a convidei para jantar num pub. Começaram a tocar jazz e perguntei se ela queria dançar ou não. Dançamos um pouco e depois voltamos para o hotel.

Acompanhei ela até o quarto dela (ao lado do meu) e, quando já ia indo embora, ela me perguntou:
§Não quer entrar?
Já era tarde, passava das 11 da noite, e um convite desses só podia significar uma coisa…
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1 comentários - 6 meses depois… (VIII)

solo podia significar una cosa... duro y al a cabeza es un dicho de por aqui... tambien me hizo recordar algo que se dice, entre mas caro es el regalo mayor es el cargo de conciencia jeje solo me sonrei por ello animo!
Pues sí, eso no te lo voy a negar. Sin embargo, segui siendo un caballero. Saludos, amigo y que tu semana sea buena.