Tarot e vidência: mulher presa em casa

Olá, sou o Roddeflowen, vidente, tarotista e guia espiritual de profissão. Entendo que meu trabalho pode parecer meio doido pra vocês, mas o universo coloca a gente no lugar e na hora certa...

Depois dessa apresentação rápida, vou direto aos fatos.

Há 10 anos, recebo uma ligação de uma garota meio ansiosa. Ela pergunta se eu podia ler as cartas pra ela por telefone, que pagaria por transferência. Falei ok, mas antes pedi pra ela me contar um pouco sobre o que era a consulta. Acontece que a Noelia tinha um namorado e, depois de 4 anos juntos, tava perdendo ele porque sofria de ataques de pânico e não conseguia sair de casa. Noelia vivia trancada dentro de casa, uma casa enorme, cheia de cômodos. Ela morava com a mãe, que saía toda noite pra dormir com o namorado, então Noelia passava a noite inteira sozinha e acordada por causa da insônia. Li as cartas de tarô pra ela, que por sinal eram bem boas. Sugeri umas mudanças que ela achou interessantes e positivas, então ela pareceu entender que precisava fazer algo pra melhorar e encontrar a felicidade que o namorado (um cirurgião com 3 empregos e sem tempo) precisava pra continuar o relacionamento.

Passaram-se 10 dias sem notícias dela. Pensei: "bom, já se resolveu tudo".

O telefone toca umas 2 da manhã. Eu também sou notívago e na época tava solteiro, então atendi. Era a Noelia.

— Oi, Rod, quero uma consulta já!!!
— Ok, o que houve?
— Preciso falar com alguém que não seja meu psicólogo.
— Ok, Noe.
— Quer vir aqui em casa?

Aí eu pensei que tudo era estranho, mas enfim, sempre fui atraído pela loucura e pelo bizarro, então fui...

(Vale dizer que ela morava no Paternal e eu em Villa del Parque)

Chego na casa umas 3 da manhã com as cartas de tarô na mão (uma loucura total). Ela me recebeu como se fosse um amigo de longa data. Deixo claro que nunca misturo sexo com trabalho, não é uma boa vibe. Bom, ela me contou a vida inteira, mas não quero encher o saco e vou direto ao ponto: o namorado cirurgião já fazia 2 anos... que não transava com ela
e dizia que tinha um estresse fortíssimo por causa do trabalho e que não conseguia transar, e ela aceitava a situação. Noelia amava ele e não queria perdê-lo. O cirurgião ainda tomava um medicamento que não favorecia a ereção do pau — pelo menos foi isso que ela me contou. Ali eu senti que ele mentia... Entendo que possa parecer inacreditável para vocês, queridos leitores, desculpas dessas para não transar, mas lembro que uma mulher apaixonada acredita...

Noelia tinha 23 anos, loira, de tipo russo-asiático. Quando adolescente, fez ginástica esportiva e tinha um corpo fibroso, com menos de 50 kg, e a pele branca como neve. Isso tudo potencializado pelo isolamento. Eu, por dentro, olhava pra ela e custava a entender esse cara...

Passaram-se 3 meses de consultas semanais e boa vibe. Viramos amigos. Nunca consegui convencê-la a sair pra jantar ou ir pra praça, mas ia na casa dela e tínhamos conversas intermináveis por telefone. Enquanto o cirurgião ia e vinha na vida dela, eu sentia que ele era gay e estava muito preso no armário. Eu entendo isso, mas que egoísmo não deixar essa mina viver a vida dela,
além de culpá-la pelos ataques de pânico e não ser sincero.

Um dia, Noe me liga e diz que um amigo da mãe escreveu pra ela e queria vê-la. Um cara mais velho pra ela, 50 anos, também cirurgião. Vale dizer que a mãe de Noe era enfermeira e tinha amizades todas ligadas a uma clínica conhecida.

Noe sempre gostou dele e mandou ele ir até a casa. O cinquentão passou um tempo e, meia hora depois, já tinha ela na cama. Noe me contou tudo e se sentia bem, embora não tivesse gozado. Se sentia culpada e gostosa ao mesmo tempo. Falei pra ela: "Noe, você tem direito de ser feliz!!!" ou algo assim em prol dos direitos das mulheres com namorados no armário hahahahaha.

Comecei a ficar com tesão pela Noe, pra ser sincero, e muito, muito, muito... E ainda pensei: "mas que idiota que sou".
Veio um cara e em meia hora já tava na cama com Noe. Fiquei com raiva e puto comigo mesmo. Só por misturar tarô e desejo, eu sabia que tava fazendo merda...
Naquela noite, fui tipo umas doze na casa da Noe, comemos empada e ela me disse:
— Rod, era mentira aquela história do Hector (o cirurgião de 50).
— Queeeeeeeeeeeeeeeeeee? (pensei comigo mesmo: essa mina é doida ou tá brincando comigo).
— Vou te explicar, Rod, e não fica bravo. Minha psicóloga disse que, como primeiro passo pra ter algo com outro homem, eu preciso começar imaginando uma história, analisando, experimentando na mente pra depois viver de verdade.
— Então seria tipo uma estratégia pra ensaiar como é ter um amante?
— É, mais ou menos. É mais complexo — ela disse.
Nessa altura, eu já tava achando a ideia brilhante e também uma puta burrice, mas aí comecei a jogar o meu jogo...
— Noe, podia ter me falado que eu podia te ajudar com isso.
— Me desculpa, eu só queria contar a história pra alguém pra ver como eu me sentia. Te pago uma consulta dupla, Rod...
— Hahahahahaha, não, Noe, mas confia mais em mim. Se você quer experimentar como se relacionar com outro homem fora do seu ex, era só me falar que a gente ensaiava.
Ela ficou inquieta, e eu continuei:
— Noe, não é que a gente precise ser amantes, mas sim atuar um relacionamento. Por exemplo, amanhã eu venho jantar e a gente finge que é namorado e namorada, e conta o que aconteceu no dia.
No dia seguinte, fui mais cedo, tipo umas 23h. A mãe já tinha saído pra casa do namorado. Noe era uma anfitriã foda, cozinhava com delicadeza e ainda tinha receitas da Europa Oriental.
Dei um beijo na bochecha dela, não tive coragem de beijar na boca, mesmo tendo 35 anos na época. Mas peguei na mão dela e abracei. Ela ficava nervosa com contato humano. Tomamos vinho pra relaxar e fingimos que éramos um casal.
Depois de meia hora, Noe disse:
— Rod, mil obrigadas. Vamos parar por aqui e continuar sendo Rod e Noe, os amigos. Hahahaha.
— Ok, hahahahahaha (eu fiquei a meia hora inteira da atuação com o pau duro e escorrendo suco).
Não sei o quanto Noe conseguia entender desse jogo todo e das consequências que... Podia ter, mas ela preferiu não contar pra psicóloga especialista em love (de vez em quando vejo essa terapeuta falando na TV).

Voltamos ao jogo no outro dia, dessa vez a Noe bebeu um pouco mais e eu perguntei se ela gostaria de me ver pelado, sem tocar, só olhar.
Ela riu com um sorriso lindo e disse "vai, mas sem tocar, hein".
Tirei a roupa e continuamos bebendo vinho e conversando como se nada, a pica amoleceu pela tensão nervosa, depois de um tempo ela se levantou e ficou vermelha.
Olhava e os olhos dela brilhavam e ela ria, éramos dois histéricos, acho que visto de hoje, mas era um jogo elegante e meticuloso.
— Tira a roupa, Noe — falei. E aí apertei.
— Ela obedecia tudo, mas tremia e eu tive medo de fazer algo que machucasse ela, eu queria ela, era minha amiga, naquele dia deixamos por isso mesmo.

Passou uma semana sem responder uma mensagem minha, pensei que ela tinha ficado brava e era isso mesmo, não queria mais me ver.
Escrevi um e-mail e pedi desculpas, desejei o melhor pra ela e deixei claro que gostava dela como mulher e que me confundi...
Ela me ligou, não esperava, pra eu ir vê-la. Entrei na casa dela e ela propôs brincar de ser casal. "Ok", ela disse, "saio na rua e toco a campainha". Ela me abriu de novo e eu falei:
— Oi, love, perdi as chaves — na hora beijei ela bem docemente, abracei ela contra mim, meu pau estava contra a barriga dela e fomos de mãos dadas pra sala.
— Vamos jantar, vida? — a Noe me perguntou.
— Não — falei e levei ela pela mão até o quarto dela.
Tirei a roupa dela, era toda de marfim, sem pelos pubianos, beijei cada veia e artéria que corria pelo pescoço dela e penetrei ela como se fosse a primeira vez, durou a noite toda, ela precisava de muitos abraços, não falamos nada, só o corpo se expressou, meu sêmen estava dentro dela e ela estava no meu coração.
...

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