As boas intenções mal interpretadas movem todo mundo na minha família. Pra começar, minha mãe ajuda de forma desinteressada qualquer necessitado que cruza o caminho dela.
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O grito veio do andar de baixo da casa, onde estavam minha mãe, a amiga dela Cândida e minha irmã. Acho que pelo menos duas das três foram as que soltaram aquele som estridente que me tirou da frente do computador. Outro grito, agora abafado, provavelmente contra a palma da mão, me fez descer correndo. Encontrei as três na sala. Tinham estado tomando um lanche, dando ao ato uma aura repelente de classe alta que minha mãe e minha irmã adoravam, sem falar na convidada. Mas alguma coisa chamava a atenção delas pro jardim dos fundos, as três olhavam através das portas de vidro que ligavam o jardim à sala.
Lá embaixo, vendo que não tinha acontecido nada com elas, dirigi meu olhar na mesma direção que o delas, todas carregadas com uma preocupação superficial. A cena que vi me surpreendeu, não a ponto de gritar, e me divertiu. Um homem, preto, corria pelo jardim, sendo perseguido pelos seguranças do nosso condomínio, dois deles: um era um cara jovem, uns dois anos mais velho que eu e em boa forma, o outro era o guarda mais gordo, não conseguia imaginar como ele tinha pulado a cerca. O preto driblava eles e escapava dando voltas na piscina como se fosse uma cena de comédia. Bateram na porta, fui abrir eu mesmo, nossa empregada ficava olhando tudo junto com as outras mulheres, eu olhava pra trás, com um sorriso no rosto que nem percebia. Me deparei com o chefe dos dois babacas que estavam brincando de pega-pega, vestido com um uniforme azul e um boné estilo caminhoneiro com um escudo com o nome da empresa. Convidei ele pra entrar sem precisar falar nada, ainda tava rindo e isso fez a cara dele ficar mais fechada, que já não era nada amigável. Boa tarde. — Ele atravessou seco pela sala, com a porra na mão.
Saiu e cortou o caminho do negão. O jovem que vinha atrás dele, emocionado e frenético, deu um tranco no negão e os dois caíram na piscina. De novo, um murmúrio de surpresa tomou conta das mulheres que estavam em casa, eu soltei uma gargalhada mais alta. O gordo chegou logo depois e ajudou o parceiro a sair, ensopado, que segurava o corredor pelo colarinho da camisa, igualmente ensopado, mas a pele negra dele brilhava. O chefe, com os braços na cintura, observava tudo, sem ajudar nem um pouco. Quando finalmente saíram, o chefe fez um gesto de desaprovação pro garoto e pro parceiro dele, e como se fosse um velho professor, pegou o negão, quase um palmo mais alto que ele, pela orelha. Caminharam de volta pra casa, os três guardas e o prisioneiro.
— O que ele fez? — Não demorou pra Cândida perguntar. A amiga da minha mãe era uma fofoqueira profissional, e tinha a melhor notícia do condomínio em semanas na frente, como resistir?
— Esse vagabundo — o chefe inflou o peito, orgulhoso da captura, como se esperasse uma medalha — se infiltrou, com certeza pra roubar alguma coisa.
— Eu não rouba, eu querer trabalho, ajudo com jardim, limpo... — Um puxão de orelha interrompeu a defesa do jovem negão. De perto, pude ver ele bem, era jovem, talvez mais novo que eu, mais alto também, com certeza um metro e oitenta e cinco, e magro com os músculos definidos, e no rosto os ossos, não sobrava nada de carne, não era feio, tinha a pele bem escura.
— Para! Que você tá machucando ele. — Disse minha mãe, pra surpresa de todos. — Não vê que ele não fez nada, coitado. — Na real, ele só tinha tentado fugir, em nenhum momento se comportou de forma agressiva com os perseguidores, que não pareciam prontos pra muita briga, exceto o jovem.
— Mas... Você vai acreditar nele? Ele tá mentindo, claramente. — Voltou à carga o chefe, embora já não puxasse mais a orelha do negão e o peito dele tivesse murchado.
— Vamos ver, como é que você - Me liga? Minha mãe ignorou o segurança.
- Abduh. - Respondeu o preto, sem mais.
- Cê tá mesmo procurando trampo? - Minha mãe olhava nos olhos do garoto.
- Sim, sim, senhora. Faço o que for...
- Ah, para com isso, cara. - O chefe puxou o garoto pra dentro de casa e empurrou ele em direção à porta, que eu tinha esquecido de fechar. A empregada saiu correndo e voltou com o esfregão, limpando as pegadas dos dois que tinham caído na piscina.
- Deixa ele. - Minha mãe alcançou os dois e se colocou na frente antes que saíssem. - Ele fica aqui. - O chefe tentou discutir com ela, sem sucesso, e acabou indo embora, deixando o garoto em casa. - Imelda, traz uma toalha pra ele se secar. - Ordenou minha mãe, depois de fechar a porta na cara do chefe, que tava fumegando de raiva.
A pequena mulher filipina voltou ligeira com o pedido. O garoto se secou e foi pra cozinha, a mando da minha mãe, minha irmã seguiu eles, e a Cândida se despediu então. Ao sair, passou do meu lado e, sem que ninguém mais ouvisse, exceto talvez a empregada, me disse:
- Fica de olho nesse aí, que eu não confio nessa gente. - Na última parte, ela não só carregava a xenofobia dela, mas também o classismo. Me despedi dela concordando com um sorriso.
Cândida era um caso: tinha enterrado o primeiro marido aos trinta e cinco, ele com setenta, e o atual tava no mesmo caminho. Embora ela agora tivesse quarenta e três e tentasse se manter gostosa pro próximo que pudesse fisgar. Com um metro e sessenta, era quase toda perna, os peitos, retocados em cirurgia, se erguiam desafiando a gravidade com uma redondeza obra do cirurgião, sempre muito arrumada, e se não fosse por um ar altivo que sempre a acompanhava, seria linda, mas os olhos castanhos, julgadores, e os lábios levemente tortos, davam a ela uma aparência de bruxa de conto, atraente mas malvada.
Mas como também não sou livre de preconceitos, me espiei, assim que a Cândida foi embora, na cozinha. Fingindo normalidade, me acomodei no batente da porta, na ilha central da cozinha, onde a gente tomava café. A cena e a comida a gente tomava na sala, minha mãe interrogava o Abduh, que respondia como podia às perguntas dela. Minha irmã estava ali, junto com eles, balançando a cabeça pra concordar em todas as situações, a mesma cara que fazia na aula, num jantar em família ou numa balada, se ainda não tinha começado a beber. Quando, por acaso, ela me olhou, fiz um gesto pra ela se aproximar. Ela se levantou, se desculpando todo pomposo, adora ser o centro das atenções. Andou devagar, marcando os passos, rebolando a bunda, o cara ficou olhando pra ela.
Minha irmã Estibaliz, minha gêmea, é uma mina objetivamente gostosa, se destaca com mais de um metro e setenta e aquele corpo de modelo, é quase tão alta quanto eu, tem a cabeleira loira e os olhos azul-esverdeados da minha mãe, a pele moreninha, bronzeada, os lábios carnudos e sempre marcados com batom. As curvas dela são típicas dos seus vinte e dois anos, os peitos não muito grandes mas bem empinados, já a bunda é do que ela mais se orgulha, na academia ela só fica malhando o rabo, conseguiu deixar ele imponente e marcando em qualquer roupa. Quando chegou na minha altura, me perguntou com a voz meio fina:
— O que você quer, maninho? — Ela me tratava assim, aludindo aos dois minutos que me antecedeu nesse mundo.
— O que que tem a mãe? — Perguntei, apontando com o queixo pra minha mãe e o preto que estavam conversando.
— Sei lá, deve ter dado a veia humanitária. — Minha mãe era muito dada a ter uns períodos de interesse doido por uns assuntos variados. Uma vez ela transformou, ou tentou, o jardim numa horta. Dessa vez a paixão parecia mais louvável, mas ia passar como tudo em uns dias. — Isso ou ela quer se dar um agrado com um docinho de chocolate. — Minha irmã me olhou com uma cara safada.
— Tá doida, Liz, vou ter que contar pro César. — Era o namorado dela, ou pretendente histérico, e vizinho. — Além disso, o cara também não é lá essas coisas.
— Kkkkk... — Ela riu. Sarcasticamente, ela se aproximou de mim pra sussurrar alguma coisa.
— Você não viu o que marca na calça dele, maninho. Aquilo é de outro mundo.
— Imediatamente, meu olhar buscou a virilha dele, era a primeira vez que eu fazia algo assim conscientemente, e lá estava. Com a calça de moletom encharcada e colada no corpo, um belo volume se destacava. Engoli seco e minha irmã riu de novo.
— Já viu, né?
— Talvez ele tenha roubado alguma coisa e enfiado ali.
Ela balançou a cabeça.
— Não me importa, fica por aqui, eu tenho que continuar o trabalho do Peláez.
— Sempre tô na sua frente, terminei ontem. — Estudamos o mesmo curso, dupla graduação em direito e administração de empresas, ideia do meu pai. — Vou ficar, mas se a mamãe quiser intimidade com o Abduh, bom... — Ela fez a última parte quase inaudível.
— Mamãe nunca faria isso. — Sentenciei, eu atribuía o interesse da minha mãe às boas intenções que o garoto tinha despertado nela.
— Pois tá bem cheio de mulher fazendo isso no seu computador, e sem um bom motivo. — Minha irmã implicava comigo desde que me entendo por gente, com os anos só tinha ficado mais perversa.
— Já chega. — Me virei e fui pro meu quarto, tentando tirar da cabeça a imagem que minha irmã habilmente tinha plantado.
Já no meu quarto, olhei a porta de soslaio, tentando imaginar o que rolava lá embaixo, com um espírito voyeur tomando conta de mim. A ideia da minha mãe fazendo algo com aquele preto não parava de me rondar. Minha mãe, Sofia, tem quarenta e cinco anos, mas passa fácil por uma mulher de trinta e poucos, como eu disse, é loira de olhos azuis, pele clara, nariz empinado e lábios mais finos que os da minha irmã. É mais baixinha, mal tem um metro e sessenta, também é mais cheinha, apesar de ser magra, tem uns peitos dois tamanhos maiores que os da minha irmã, e de bunda não tem muito do que invejar, talvez a firmeza incomum. No geral, é mais gostosa que a minha Irmã, pelo menos pra mim, a idade dá um plus a mais de tesão nela. Por outro lado, ela é muito volúvel e simples, no melhor sentido, parece não levar nada muito a sério. A vida dela, igual a da minha irmã e a minha, sempre foi fácil. Ela estudou turismo e conseguiu emprego por meio de pistolão. Meu avô, o pai dela, tem bons contatos. O arranjo é a cruz que a gente carrega, sem nenhum esforço.
Tudo isso servia de munição pro debate interno sobre a possibilidade dela se envolver com o preto. Atraente ela era, se não fosse minha mãe, eu... mas estavam nela, como no resto da nossa família e na maior parte do nosso círculo social, enraizados uns valores, digamos assim, que negavam esse tipo de aventura. Embora celebrassem outras com personal trainers, professores particulares, vizinhos, secretárias, etc. Mas um desconhecido, do nada, fugia da norma da alta sacanagem, ou sociedade. Mesmo assim, não resisti em puxar o tal material no meu computador e, mentalmente, sobrepor a imagem da minha mãe na das mulheres que apareciam. Foi terrivelmente perturbador o quanto eu fiquei excitado, embora, no fim, tenha conseguido afastar aquilo e focar na tarefa que me pressionava.
Perdi a noção do tempo me afogando em textos jurídicos, densos e soníferos, até que minha mãe bateu na minha porta. Ela enfiou a cabeça, sorrindo, e disse que a Imelda estava servindo o jantar. Acompanhei ela pra baixo, meu pai e minha irmã já estavam na mesa. A empregada circulava atendendo as necessidades dos comensais. Ela morava lá, sozinha. Tinha menos de trinta, era filipina, como manda o figurino, diligente, folgava nos fins de semana, não conhecíamos namorado dela, não sabíamos quase nada sobre ela, só que era de confiança, como a Cândida diria. Tinha um rosto bonito, traços orientais, o corpo não se destacava muito sob o uniforme creme com avental branco. Meu avô, o pai da minha mãe, dizia que isso era Pra que o patrão não tivesse ideia errada, meu avô era um personagem e tanto.
Meu pai presidia a mesa, discutia trabalho com minha irmã, ele era um homem feito por si mesmo que sabia de tudo, o problema é que quase sempre era assim, meio pedante. Me convidou pra entrar na conversa, e antes do segundo prato já me deixaram de lado, Liz e ele, claro que tive que refazer quase metade. Foi na chegada do segundo que minha mãe trouxe à tona a anedota do dia, meu pai não se escandalizou nem um pouco, diferente de nós ele pisava no mundo real todo dia. Ouviu atento enquanto minha mãe expunha o caso do Abduh, fazia uns meses que ele conseguiu chegar na Espanha, com a única esperança de construir um futuro melhor... Ela narrava como a típica jornalista de telejornal, se estendeu uns minutos a mais do que eles costumam. A conclusão foi pedir ao meu pai um emprego pro garoto, ao que ele respondeu:
- Não. - Seco, continuou jantando.
- Por quê? - Perguntou minha mãe, que não tinha tocado no prato.
- Por três razões: não estamos contratando ninguém, não vou pegar pra trabalhar alguém que entra na minha casa sem mais nem menos, e nunca coloquei ninguém que não merecesse em nenhum cargo. - Ele enumerou levantando os dedos da mão direita, começando pelo polegar. - Se um dia nossos filhos quiserem um emprego, vão ter que conquistar. - Minha mãe ficou com cara de desgosto.
Assim é meu pai, Carlos, eu me chamo igual a ele, e ele igual ao pai dele, é dois anos mais velho que minha mãe. Como eu disse, um homem feito por si mesmo, foi criado pelo tio, militar de carreira, os pais morreram quando ele era criança, é disciplinado, sempre foi, ele garante que é a chave do sucesso. Começou como mensageiro e agora dirige uma empresa de logística, própria, pagou os estudos trabalhando igual um preto, palavras textuais. Ele sempre tenta lembrar a gente do valor das coisas que temos, mas ao longo dos anos não conseguiu evitar de nos mimar, mesmo que só um pouco. É um homem de ombros largos, Pelo ralo, sempre curto e perfeitamente depilado, nem feio nem bonito, normal, com um olhar severo quando quer. Era esse olhar que castigava o gesto torto da minha mãe.
- Mas eu quero ajudar ele. - Reclamou minha mãe.
- Tudo bem, mas não vai ser às custas da empresa. - Tentou voltar a conversar com minha irmã.
- Então a gente pega ele pra casa. - Meu pai voltou a falar com ela.
- Não, Sofia, já temos de tudo, além disso voltamos ao mesmo, ele não tem nenhuma referência além do incidente de hoje.
- Mãe, se você quer ajudar os outros, monta uma ONG. - Intervi. Tenho um dom pra pisar na bola e foi o que fiz.
- Então vou montar. - Meu pai me fulminou com o olhar assim que ela falou. - Como eu faço isso? - Ela jogou a pergunta esperando que alguém pegasse, eu fiquei quieto de propósito.
- Você não vai fazer. - Sentenciou meu pai.
Minha mãe explodiu em reclamações, me pedindo pra me envolver na discussão, já que a ideia tinha sido minha. Meu pai, na verdade, me meteu na briga apontando que aquilo era ideia de moleque. Minha irmã veio me ajudar, ou pelo menos colocou paz:
- Pai, não é uma ideia ruim, não totalmente. Pensa como uma espécie de obra social da empresa. - Meu pai ouvia, minha mãe também, eu me contentava em ter saído do fogo cruzado. - Além disso, a gente termina as aulas essa semana, e você disse que a gente tinha que se provar, essa pode ser uma forma, vai ser nosso projeto. A gente cuida da parte diretiva, e de quebra ajuda a mãe. - Assumir responsabilidades era o ponto fraco do meu pai, Liz sabia explorar isso, ela sabe explorar o de qualquer um.
- Vocês se acham capazes? - Ele olhou pra gente alternadamente, Liz concordava com segurança, eu tentava fazer o mesmo. - Amanhã vou consultar, pra ver se é pelo menos possível, agora vamos deixar o assunto.
- Te amo, minha filha, e você também, querido. - Minha mãe se dirigiu à minha irmã e depois ao meu pai. - Vai ver como a gente vai te surpreender. - Ela segurou as mãos de Liz e as minhas, sobre a mesa.
Assim que terminamos de jantar, voltei pro meu Quarto pra arrumar e terminar o que era o último trabalho daquele ano. Era mais de meia-noite e eu continuava digitando no meu notebook, em cima da cama. Tava acabando, e quase caindo de sono. Minha irmã entrou então no meu quarto.
- Não termina? Não acredito que somos irmãos. - Ela me cumprimentou. Tava de regata e um shortinho colado na bunda, os bicos marcando por baixo da camiseta.
- Me deixa trabalhar em paz. - Levantei a cabeça da tela e dei um sorriso bem falso pra ela.
- Vim pra deixar claro essa ideia que a mamãe teve. - Olhei de canto enquanto escrevia, agora mais devagar. - Se a gente levar isso bem, pode ser uma referência foda pro futuro. Sei que você se contenta com pouco, eu quero voar mais alto. - Com a mão, fez uma espécie de pódio onde ela tava no topo. - Quero que você se esforce. Vou te colocar acima da mamãe, eu comando tudo, você, claro, e você fica de olho na mamãe, garante que ela não perca o interesse no meio do caminho. - Enquanto falava, andava de um lado pro outro do meu quarto, o shortinho subindo, deixando cada vez mais da bunda dela de fora. Desviei o olhar, ela balançou a cabeça com desespero. - Você vai fazer o que eu mandar, não serve pra mais nada. - Voltou pra porta.
- E se o papai disser que não rola? - Perguntei só pra encher o saco.
- Papai vai me ouvir, como sempre, sou o xodó dele. - Já esperava essa resposta.
Ela me deixou sozinho, e eu perdi o foco. De madrugada terminei o trabalho, caí no sono na hora. Minha irmã tirou nota boa no trabalho, na revisão conseguiu um excelente, eu tirei um suficiente.
Meu pai avisou que tava tudo pronto pro projeto. Ele chamava de obra social, igual minha irmã, minha mãe de ONG dela. Passou um pendrive com todos os dados técnicos, o orçamento que a gente tinha e o endereço da sede. Na manhã seguinte, ele foi com a gente até o lugar onde a ONG ia ser construída. Era do antigo galpão onde a empresa tinha funcionado, era metade do tamanho do atual, alto, com um piso de vigas por toda parte, estava sujo e fechado há anos, só tinha um escritório interno de não mais de vinte metros quadrados e um banheiro. Ele nos disse que tudo estava religado, mas que precisávamos conectar a água e a luz, gentilmente e com um certo sarcasmo nos indicou como fazer. Minha irmã e minha mãe eram as mais contrariadas, eu já esperava uma jogada dessas do meu pai. Por enquanto não havia mais funcionários além de nós, e ele disse que demoraria para designar alguém, coisas de recursos humanos, falou. Nos apressou a buscar voluntários, afinal era um projeto solidário.
Por dentro estava bem sujo, meu pai deixou produtos de limpeza para a gente cuidar. Minha mãe andava praticamente na ponta dos pés, e se tocava em algo, fazia com dois dedos. Não era nem de longe agradável para minha irmã também, ela seguiu meu pai até o carro dele reclamando, ele respondeu com um beijo e foi embora. Eu temia que as duas princesinhas me jogassem a tarefa de limpar, o que não me agradava nem um pouco, e nunca tinha feito. Minha irmã me chamou e começou a dar ordens, primeiro ligamos a luz, não foi tão difícil, lâmpadas grandes e ovais penduradas no teto acenderam com um zumbido, e o escritório também. A água foi outra história, tive que levantar uma tampa de metal pesada que dava para a caixa de registro, enfiar a mão naquele buraco úmido e escuro não foi nada agradável, em duas ocasiões tirei a mão de repente ao sentir algum tipo de roçado que não identifiquei. Quando abri a torneira do banheiro para me lavar, a água saiu marrom por um tempo, até ficar com uma cor meio esbranquiçada por causa do calcário.
Finalmente estávamos em condições de começar a trabalhar, de nos sujar, mas minha irmã e minha mãe tinham sumido. Fui procurá-las. Encontrei minha irmã, com o celular e o notebook, sentada no carro do meu Mãe, com o ar-condicionado, a SUV tava com uma sensação gostosa de vinte e poucos graus, lá fora a manhã já começava a esquentar. Ela fez um sinal pra eu deixar ela em paz, sussurrou tampando o microfone do telefone pra eu começar a limpar, que tava procurando gente pra nos ajudar. Me afastei e fiquei de olho na minha mãe. Ela andava pela rua principal do distrito industrial, com uma saia acima do joelho e uma blusa, os poucos galpões e negócios que restavam tinham o pessoal masculino na porta olhando com atenção. O distrito tava tão abandonado que não tinha nem as putinhas que enchem outros lugares. Dei uma corridinha pra alcançar ela, quando cheguei na altura dela, ela tava falando com um grupinho de três caras na frente do que parecia uma oficina mecânica.
- A gente precisa de ajuda, estamos começando... - Explicava minha mãe pros caras que devoravam ela com os olhos. Não tinha um carro dentro da oficina, só uma carcaça velha e enferrujada.
- Mãe, vem. - Peguei ela pela cintura, sentia que tava socorrendo ela, na minha mente a nuvem de cenas pornô, morria de medo que se materializassem. - A Liz já tá procurando gente.
Ela me olhou surpresa, tive que puxar um pouco ela pra retomar o caminho de volta. Enquanto a gente se afastava, ouvi eles resmungarem algo tipo: "eu que ajudava ela". De volta na sede, por assim dizer, minha irmã passou tarefas pra nós dois, pra mim limpar, pra minha mãe me supervisionar. Ela tinha ligado pra uma empresa de limpeza, mas só podiam vir depois do almoço, achou que quanto mais a gente tivesse pronto melhor, cobravam por hora. Já tinha feito as contas, preparado pedidos de móveis necessários, mesas compridas onde daria pra servir comida, prateleiras pra estocar comida e roupa, e até tinha pensado em dedicar uma área pra dormitório, pros casos de maior necessidade. Enquanto explicava, ia apontando cada área na planta retangular do galpão, desenhada numa folha. Não tive escolha a não ser concordar. pra minha mãe quando ela disse aquilo de: "que menina mais inteligente eu tenho". No entanto, eu reclamei que todo o trabalho físico tava caindo nas minhas costas, minha irmã se desculpou dizendo que ainda tinha umas coisas pra resolver, e minha mãe alegou que os sapatos e a roupa que elas estavam usando não eram adequados, que na próxima vez viria mais informal.
Enchi o balde, que meu pai tinha deixado pra gente, com água benta com cal, joguei um dos produtos de limpeza e comecei a esfregar o chão com o esfregão. Dizer que eu não tinha muita habilidade seria pouco, mas além disso, em apenas cinco minutos a água já tava preta e o chão do escritório, por onde comecei, não tinha melhorado muito. Repeti o processo do começo umas duas vezes pra conseguir deixar apresentável. Nesse tempo, minha mãe tinha abandonado o posto de supervisora, tava no galpão, o espaço vazio fazia a voz dela ecoar, falando com alguém no telefone, com aquela alegria quase infantil dela. Voltou pra perto de mim sorrindo, olhou dentro do escritório e disse:
- Precisa de mais uma passada, né? - Dei de ombros e obedeci.
Quando terminei, o lugar tava bem limpo, e eu tava sozinho de novo. Olhei em volta até encontrar minha irmã e minha mãe andando junto com um cara negro, as duas falando igual papagaio. Chegaram perto de mim e nos apresentaram formalmente:
- Abduh, este é o Carlos, meu filho. - Ele estendeu a mão, eu apertei, e nós dois sorrimos pela situação. - Este é o Abduh, o rapaz do outro dia. - Minha mãe terminou a apresentação desnecessária. - Liguei pra ele, no apartamento onde ele mora, pedi pra ele vir nos ajudar, se ele quisesse, e ele quis, é um bom rapaz, como eu disse pro seu pai. - Ela se atropelava enquanto falava, o lado bom é que se ele tinha vindo ajudar, talvez eu pudesse dar o fora.
- Então, Abduh, por enquanto a gente tá dando uma arrumada aqui, se você nos ajudar agora vai ser como voluntário, depois eu vejo tudo que precisa pra fazer algum tipo de contrato. Minha irmã estava com o celular na mão, não tirava os olhos dele.
— Vamos, mãos à obra.
— Agora que o Abduh tá aqui, eu podia te dar uma mãozinha, mana. — Sorri, entregando o esfregão pro recém-chegado e limpando as mãos na calça jeans.
— Não, eu dou conta sozinha. — Ela sorriu com um ar de superioridade e me devolveu o esfregão. — Precisa de mais ajuda aqui. Dá uma olhada se vocês conseguem tirar esses entulhos. — Num canto, tinha uma pilha de ferros e chapas, foi pra lá que ela apontou.
A gente começou a trabalhar, o Abduh com mais disposição do que eu. A pilha de tralha parecia não ter fim, minha mãe ficava nos observando a uma distância segura de uns três metros, mandando uns incentivos de vez em quando. Depois de um tempinho, o garoto grunhiu e deixou cair um ferro com um baita barulho. Sangue escorria do dedo indicador da mão esquerda pela palma toda. Quando minha mãe viu, levou a mão à boca com uma cara, quase teatral, de preocupação. Não demorou pra ela correr ajudar o preto:
— O que aconteceu? Tá bem? — Ela se jogou em cima dele e pegou a mão ferida.
— Não é nada. Tá de boa. — O garoto não perdia o sorriso.
— Não, não, não, isso precisa de cuidado, vamos pro hospital. — Minha mãe tentou puxar ele, mas não conseguiu.
— Não precisa. Só limpar e pronto. — A verdade é que o corte parecia bem superficial.
— No banheiro tem um kit de primeiros socorros, dá pra cuidar com isso, acho. — Intervi, vendo ali uma chance de largar o serviço pelo resto da manhã.
— Beleza, vamos. — De novo, minha mãe puxou o garoto, e dessa vez ele foi junto com ela.
Enquanto eles se afastavam, eu fui diminuindo o ritmo, e quando entraram no escritório, parei de mexer na tralha de vez. Queria sentar, olhar o celular e perder tempo um pouco. Já que o chão naquela área tava uma zona, decidi me juntar à minha irmã no carro. Entrei e sentei atrás com ela. O habitáculo espaçoso tava fresquinho e os bancos pareciam mais confortáveis do que de costume. Quando me viu lá, ela... perguntou:
- O que você tá fazendo? Já te falei pra adiantar o serviço, não vou deixar a grana que a gente tem ir pro ralo com limpeza. - Continuava de olho em tudo sobre aquele projeto enfeite, mas sem sair da bolha de conforto dela.
- O negão se cortou, então vou descansar um pouco. - Me recostei exageradamente.
- Ele tá bem? - Perguntou meio alterada.
- É um arranhão, sério, me preocupa que você e a mamãe se importem mais com ele do que comigo. - Soltei com um pouco de ciúme.
- Qualquer um me preocupa mais que você. Agora volta pro trabalho, ou vou contar pro papai que você tá pouco se lixando. - Ela era má até o talo, e a bronca que meu pai ia me dar era pior que um pouco de trampo.
A luz do escritório, com os vidros ainda sujos de poeira, eu só tinha lavado o chão, continuava acesa. De volta à pia, continuei tirando as coisas pra fora. Ao abrir caminho entre os ferros menores, encontrei um pedaço de chapa grande e pesado demais pra mim, era quadrado de dois por dois. Fui buscar ajuda no escritório, e é aqui que a história deu uma virada que eu não esperava.
Antes de entrar, espiei por um dos vidros sujos, quase opacos, aproveitando uma área limpa num canto. O escritório tava vazio, entrei, e ouvi as vozes que vinham do banheiro. Devia ter me anunciado, ou feito algum barulho. Mas, sorrateiramente, me aproximei da fonte dos sons. Me movia com um instinto de espião que não conseguia evitar. Estiquei a cabeça e agucei o ouvido quando cheguei no corredor de dois metros que levava ao banheiro anexo.
A porta tava aberta, escancarada. Minha mãe tava de costas pra pia, o Abduh sentado no vaso. Ele tinha um curativo meio chamativo na mão. Os dois se olhavam, mesmo sentado a cabeça do garoto ficava quase na altura dos peitos da minha mãe. Ali tava rolando algo, uma tensão travava os dois. A conversa que peguei me fez entender o que tinha acontecido:
- Eu sinto muito. - Se desculpava o garoto, que parecia o mais afetado. - Faz muito tempo que não pego uma mulher. - Aquilo elevou meu nível de alerta.
- Não tem problema... - Minha mãe estava com cara de quem não sabia o que fazer. - É lisonjeiro, de certa forma. - Segui a linha do olhar dele, pra ver onde estava fixo.
O negro estava de pau duro. O volume, que já marcava no primeiro dia na calça, agora tava prestes a rasgar. Não entendi como tinha passado despercebido, subia entre as pernas dele apontando pro céu.
- Você é novo, essas coisas acontecem. - Minha mãe ainda tentava amenizar, mas não desviava o olhar. - Cê tinha vinte? - Ele assentiu. - Se eu pudesse ser sua mãe. - Parecia tentar se convencer.
- A senhora é mais gostosa - disse ele, com aquele sorriso eterno, chamando a atenção da minha mãe de volta pro rosto - além disso, minha mãe é preta. - A risada falsa dos dois diante da tentativa de piada ecoou no banheiro.
Minha mãe voltou pro objeto escuro de desejo, respirava devagar mas de forma exagerada, inflando muito o peito e juntando os lábios ao soltar o ar. Abduh seguia o sobe e desce dos peitos dela dentro da blusa. Os dois suavam, minha mãe tava com as bochechas vermelhas. Eu também suava, o calor era infernal e a situação não ajudava.
- Meus filhos estão lá fora, trabalhando pra botar tudo pra funcionar. - Ela tentava desesperadamente mudar de assunto. - Melhor você não sair assim - apontou com a mão pro pau duro, quase encostou - senão eles vão pensar o que não é. - Riu nervosa, mas parou ao ver a cara dele, que não tinha entendido. - Sabe... - Fez um gesto explicativo de punheta com a mão.
O negro entendeu, e sem pensar duas vezes, baixou um pouco a calça e a cueca, deixando tudo à mostra. Minha mãe virou o rosto de repente, mas sem conseguir parar de olhar. Ele começou a se masturbar, olhando pra ela, e naquele momento aquilo não me pareceu um mal-entendido ou costumes diferentes, mas sim algo deliberadamente filho da puta. Ela, aos poucos, perdeu A vergonha inicial passou, e ela olhou pra ele de frente, umedecendo os lábios sem perceber.
— É muito grande. — Disse minha mãe, meio em transe.
Com a mão machucada, Abduh pegou a mão direita da minha mãe, ela tremeu por um segundo. Devagar, pelo menos pra mim pareceu uma eternidade, ele a guiou até o pau dele. Minha mãe acariciou, num reflexo, a cabeça do membro do negro, ele parou de se masturbar. Se olharam nos olhos. Um barulho, um pisão mais forte, um pigarro e aquilo teria acabado, mas eu queria ver até onde iam.
— Não posso, meus filhos, meu marido... — Suplicou minha mãe.
Ele esticou o braço comprido até pegar ela pela nuca, minha mãe já estava meio curvada sobre ele. A puxou até a boca dele, uma daquelas bocas de preto, grandes e cheias de dentes brancos. Se beijaram. Durante o beijo, o sobe e desce do peito, da respiração da minha mãe, parou. Bastou aquele beijo pra mão da minha mãe ganhar vida própria e começar a percorrer, de forma automática, o pau do negro.
Minha mãe acabou ajoelhando com os joelhos nus no chão do banheiro, meio sujo como o resto. Naquela posição, era o Abduh quem inclinava a cabeça pra baixo pra beijar ela, enquanto ela continuava batendo uma pra ele. Quando as bocas se separaram, a da minha mãe assumiu uma nova tarefa. Sem tirar os olhos dele, colocou os lábios sobre a glande do negro, que era mais clara que o resto da pele, quase rosada.
Como se a boca dela estivesse costurada e aquela fosse a única forma de abri-la, minha mãe fez pressão, a boca começou a se abrir e avançar pelo pau do negro. Devia ter mais de 20 centímetros, e uma grossura de pelo menos quatro dedos, pra não dizer que era como o antebraço da minha mãe. Ela custava, mas aos poucos fazia desaparecer mais e mais na garganta. Quando parecia chegar no limite, recuava, deixando um rastro de saliva, pegava ar e voltava pra carga. Abduh curtia, fazendo caretas e ajudando com a mão boa. Num Num dado momento, depois da metade da piroca bem chupada, minha mãe tossiu e disse:
- Não aguento mais, é grande demais.
Ela olhava pro negão com uma certa adoração.
Ele ajudou ela a se levantar, eu pensei que tinha acabado ali, mas tava enganado. Colocou ela em cima da pia sem esforço aparente, arregaçou a saia dela, e ela facilitou mexendo a bunda em cima da cuba. A saia, amassada, tava agora na altura do quadril da minha mãe, à mostra uma calcinha de renda preta. Não durou muito, o negão puxou ela até os tornozelos e terminou tirando. Tava pronto pra foder ela, mas nos surpreendeu enfiando a cabeça na entreperna da minha mãe. Minha mãe gritou, tapando a boca correndo, a língua ou os dedos, ou os dois, tinham encontrado a buceta dela. Ela começou a dar uns pulinhos leves, e gemidos, que como podia abafava. Chegou ao ponto de morder o dorso da mão esquerda, pra afastar a vontade de gritar. Soluçou, não de tristeza, de puro prazer, e se jogou pra trás. O espelho atrás dela, cheio de poeira, marcou a silhueta dela, bagunçada, de certa forma gravou o primeiro orgasmo da minha mãe. Só no final gemeu alto.
A coisa não podia terminar ali, o negão ainda tava de pau duro. Dessa vez ele ia foder ela mesmo. O negão se levantou e se colocou entre as pernas da minha mãe, segurou os tornozelos dela pra abrir bem. A torneira devia estar enfiando nas costas dela, ou na bunda, e ela não reclamava. Ele avançou, e a piroca dele como um aríete precedeu ele no ataque. Ao sentir a cabeça, minha mãe já se tensou, e bufou. Por sorte pra ela, o negão não enfiou de uma vez. A cada centímetro ela gemia um pouco, era impossível que meu pai tivesse um pauzão daquele, e duvido que qualquer homem com quem ela tinha estado tivesse. Passada a marca onde minha mãe tinha parado o boquete, Abduh parou, deixou claro que aquele ia ser o limite. Colocou a mão boa como um batente e começou a bombar.
Embora fosse devagar no começo, tava claro que o tamanho importava pra minha mãe, que Ela tremia a cada golpe. Conforme ele aumentou o ritmo, minha mãe tentou morder a própria mão de novo pra abafar os gemidos, mas não adiantou; acabou enroscada no pescoço do negro enquanto ele martelava nela. Ela respirava e gemia cada vez mais alto. Num ato de piedade, com a mão machucada, o negro arrancou a blusa dela. O sutiã, combinando com a calcinha, foi o próximo alvo, mas por sorte tinha o fecho na frente. Ele não precisou se esforçar muito pra, com um puxão elástico pros lados, deixar os dois peitos da minha mãe à mostra. A pele dela era especialmente clara neles, uma leve linha de contraste marcava. Os mamilos rosados e grandes estavam completamente duros. O negro não resistiu, quem resistiria, e começou a chupar os peitos da minha mãe.
Os gemidos dela ficaram bem mais altos, eu ouvia como se ela estivesse gritando no meu ouvido. Minha mãe deve ter percebido, e às cegas, esticando o braço, alcançou a porta e girou pra fechar. Não podia ter me visto, mas sabia que podia ser pega, e a reação dela foi só fechar a porta. Confesso que fiquei profundamente decepcionado, mas ainda assim, mesmo com a porta fechada, os gemidos chegavam até mim, mais abafados. De forma idiota, com o peito colado na parede, que me servia de esconderijo, estiquei o pescoço o máximo que pude até minha cabeça aparecer completamente no corredor.
O cascudo me fez tremer, e me fez virar pra encontrar minha irmã do outro lado da entrada do banheiro. Liz e eu parecíamos dois guardas, dois fofoqueiros, postados pra defender o corredor. Ela me olhou com desaprovação, mas não disse nada, até levou um dedo aos lábios fazendo sinal de silêncio. Isso me fez perceber que ela tinha sido testemunha, assim como eu, do espetáculo. Fiquei imaginando como ela tinha chegado até ali, e me veio na cabeça toda aquela história de gêmeos, sósias e tal. Por outro lado, era prova suficiente de que éramos irmãos, já que tínhamos reagido igual. a situação.
Os gemidos não paravam, e de novo se ouviam mais altos. Ficaram assim quase dez minutos, depois minha irmã calculou que tudo tinha durado mais de meia hora, pra mim pareceram horas. No final, os sons que minha mãe soltava só podiam ser chamados de berros, e até o preto grunhiu pra marcar que tinha acabado.
Minha irmã me bateu no braço e eu segui ela pra fora. Conforme a gente se afastava, eu recuperava a compostura e digeria o que tinha visto. Chegamos no carro e entramos. Os dois suávamos, e trememos por um segundo ao entrar. Ela quebrou o silêncio:
- Minha nossa. - Gesticulou com as mãos pra reforçar a expressão de surpresa.
- E minha também. - Corrigi e não consegui segurar o que veio. - Puta vagabunda. Com aquele preto filho da puta. Quando o pai descobrir, ele mata ele, e ela também.
- Mas o que você tá dizendo. - Me olhou como se fosse muito mais velha que eu, e não só uns minutos. - Ninguém vai ficar sabendo.
- Porra, não. - Pulei.
- Não. - Minha irmã foi categórica. - Quer foder com a nossa vida? - Olhei pra ela contrariado. - Se você abrir a boca, vai dar uma merda enorme, isso a gente cala.
- Mas você viu ela, caralho, não se segurou nem um pouco. - Respirava uma baforada de raiva atrás da outra. - E o pai um corno, corno por um preto. E no pelo, que o outro pode ter qualquer doença, e saber onde ele gozou...
- Não vem com esse machismo escroto de merda, como se o pai fosse um santo. A secretária dele tem dezenove anos e não sabe nem fazer um cafuné, mas passa o dia todo com ele. Você acha que ele não comeu ela? Ou que a outra não deu um boquete nele? - Essas suspeitas eram vox populi, mas eu não tinha visto com meus próprios olhos. - Isso foi um desabafo da mãe e ponto final. Já vou garantir que quando isso passar, ela não tenha tempo pra vacilos.
- Assim, na boa, eu engulo tudo, que nem ela? - Perguntei fora de mim.
- Olha pra você. - Ela pegou no meu pau, eu tava de pau duro. - Se te parecia tão ruim, tinha feito alguma coisa. Eu tava certa. - Agora cala a boca, isso É importante pra mim — ela olhava nos meus olhos, a mão ainda no meu pau duro — vou garantir que você seja recompensado por ficar calado.
Uma parte de mim interpretou mal o comentário e fez minha mão avançar na direção dos peitos dela. A chegada da minha mãe no carro acabou com aquilo. Ela apareceu pela porta do motorista, a gente tava atrás, ela estava encharcada de suor, faltava um botão da blusa dela.
— Vocês estão aqui há muito tempo? — Perguntou meio nervosa, o carro devia ser o único lugar por perto onde os gemidos dela não tinham ecoado.
— Sim, arrumando umas coisas, e esse aqui tirando uma soneca. — Respondeu minha irmã.
— Bom. — Ela soltou um suspiro de alívio. — Mas tem muita coisa pra fazer. Vou levar o Abduh no apartamento dele, pra ele descansar por causa da mão. Seu irmão te contou que ele se cortou?
— Sim. Eu contei. — Intervi. — Seria melhor ele pegar um táxi, o carro pode fazer falta a qualquer momento. — Não ia dar de bandeja a segunda transa, com a minha mãe, pro preto.
— Acho que ele não tem dinheiro, além disso, deve ser rapidinho... — Continuou minha mãe.
— Como ele veio? — Perguntei com um certo tom de provocação.
— De ônibus, ele me disse. — Respondeu ela. — Mas por aqui não passa com tanta frequência...
— Então não se preocupa, ele volta de táxi, eu pago, e a comida também. — Minha irmã me deu uma cotovelada pelo jeito que falei a última parte. — Ele se machucou por nossa culpa, é o mínimo.
Foi difícil convencê-la. Eu mesmo chamei o táxi e acompanhei o Abduh até dentro. Me consumia a ideia de onde ele tinha esvaziado os ovos pretos dele, em que parte da anatomia da minha mãe. Direto na buceta dela, ou nos peitos e no rosto, pra depois ela espalhar pela pele, igual nos filmes pornô, ou na boca dela e ela tinha engolido tudo como uma boa gostosa. A simples ideia fez a ereção continuar ameaçando dentro da minha calça, por sorte, acho, não marcava tanto quanto no outro.
Pra tirar a dúvida, inspecionei o banheiro. No espelho, em cima do pó que o cobria, o primeiro orgasmo da minha mãe tinha sido borrado pelo segundo. Foi na mesma superfície cristalina que encontrei a prova do crime, de um lado, na altura do meio, pendia o rastro de sêmen. Aquilo me deixou mais tranquilo, supondo que ele tinha gozado tudo longe da minha mãe.
Depois do almoço apareceram os da limpeza, levaram quase quatro horas pra terminar. Minha irmã barganhou o preço do serviço. Fez eles assinarem todo tipo de documento, que eu não fazia ideia de onde ela tinha tirado. Pros trabalhadores, ela parecia uma pirralha metida.
O jantar daquele dia foi o pior da minha vida, o mais tenso. Cada vez que eu olhava pra cabeceira da mesa, minha imaginação colocava uns chifres no meu pai. Ele perguntou como tinha sido o dia, e minha mãe e minha irmã contaram, uma orgulhosa galhada de veado coroava ele. Ele comentou sobre o ferimento do negro, sobre uma possível denúncia da parte dele, minha mãe disse pra não se preocupar, agora eram um par de pitões. Quando o jantar acabou, eu já imaginava ele com um capacete viking, tinha esgotado os animais. O dia tinha acabado, e a ereção ao lembrar do ocorrido vinha sem jeito.
CONTINUA
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O grito veio do andar de baixo da casa, onde estavam minha mãe, a amiga dela Cândida e minha irmã. Acho que pelo menos duas das três foram as que soltaram aquele som estridente que me tirou da frente do computador. Outro grito, agora abafado, provavelmente contra a palma da mão, me fez descer correndo. Encontrei as três na sala. Tinham estado tomando um lanche, dando ao ato uma aura repelente de classe alta que minha mãe e minha irmã adoravam, sem falar na convidada. Mas alguma coisa chamava a atenção delas pro jardim dos fundos, as três olhavam através das portas de vidro que ligavam o jardim à sala.
Lá embaixo, vendo que não tinha acontecido nada com elas, dirigi meu olhar na mesma direção que o delas, todas carregadas com uma preocupação superficial. A cena que vi me surpreendeu, não a ponto de gritar, e me divertiu. Um homem, preto, corria pelo jardim, sendo perseguido pelos seguranças do nosso condomínio, dois deles: um era um cara jovem, uns dois anos mais velho que eu e em boa forma, o outro era o guarda mais gordo, não conseguia imaginar como ele tinha pulado a cerca. O preto driblava eles e escapava dando voltas na piscina como se fosse uma cena de comédia. Bateram na porta, fui abrir eu mesmo, nossa empregada ficava olhando tudo junto com as outras mulheres, eu olhava pra trás, com um sorriso no rosto que nem percebia. Me deparei com o chefe dos dois babacas que estavam brincando de pega-pega, vestido com um uniforme azul e um boné estilo caminhoneiro com um escudo com o nome da empresa. Convidei ele pra entrar sem precisar falar nada, ainda tava rindo e isso fez a cara dele ficar mais fechada, que já não era nada amigável. Boa tarde. — Ele atravessou seco pela sala, com a porra na mão.
Saiu e cortou o caminho do negão. O jovem que vinha atrás dele, emocionado e frenético, deu um tranco no negão e os dois caíram na piscina. De novo, um murmúrio de surpresa tomou conta das mulheres que estavam em casa, eu soltei uma gargalhada mais alta. O gordo chegou logo depois e ajudou o parceiro a sair, ensopado, que segurava o corredor pelo colarinho da camisa, igualmente ensopado, mas a pele negra dele brilhava. O chefe, com os braços na cintura, observava tudo, sem ajudar nem um pouco. Quando finalmente saíram, o chefe fez um gesto de desaprovação pro garoto e pro parceiro dele, e como se fosse um velho professor, pegou o negão, quase um palmo mais alto que ele, pela orelha. Caminharam de volta pra casa, os três guardas e o prisioneiro.
— O que ele fez? — Não demorou pra Cândida perguntar. A amiga da minha mãe era uma fofoqueira profissional, e tinha a melhor notícia do condomínio em semanas na frente, como resistir?
— Esse vagabundo — o chefe inflou o peito, orgulhoso da captura, como se esperasse uma medalha — se infiltrou, com certeza pra roubar alguma coisa.
— Eu não rouba, eu querer trabalho, ajudo com jardim, limpo... — Um puxão de orelha interrompeu a defesa do jovem negão. De perto, pude ver ele bem, era jovem, talvez mais novo que eu, mais alto também, com certeza um metro e oitenta e cinco, e magro com os músculos definidos, e no rosto os ossos, não sobrava nada de carne, não era feio, tinha a pele bem escura.
— Para! Que você tá machucando ele. — Disse minha mãe, pra surpresa de todos. — Não vê que ele não fez nada, coitado. — Na real, ele só tinha tentado fugir, em nenhum momento se comportou de forma agressiva com os perseguidores, que não pareciam prontos pra muita briga, exceto o jovem.
— Mas... Você vai acreditar nele? Ele tá mentindo, claramente. — Voltou à carga o chefe, embora já não puxasse mais a orelha do negão e o peito dele tivesse murchado.
— Vamos ver, como é que você - Me liga? Minha mãe ignorou o segurança.
- Abduh. - Respondeu o preto, sem mais.
- Cê tá mesmo procurando trampo? - Minha mãe olhava nos olhos do garoto.
- Sim, sim, senhora. Faço o que for...
- Ah, para com isso, cara. - O chefe puxou o garoto pra dentro de casa e empurrou ele em direção à porta, que eu tinha esquecido de fechar. A empregada saiu correndo e voltou com o esfregão, limpando as pegadas dos dois que tinham caído na piscina.
- Deixa ele. - Minha mãe alcançou os dois e se colocou na frente antes que saíssem. - Ele fica aqui. - O chefe tentou discutir com ela, sem sucesso, e acabou indo embora, deixando o garoto em casa. - Imelda, traz uma toalha pra ele se secar. - Ordenou minha mãe, depois de fechar a porta na cara do chefe, que tava fumegando de raiva.
A pequena mulher filipina voltou ligeira com o pedido. O garoto se secou e foi pra cozinha, a mando da minha mãe, minha irmã seguiu eles, e a Cândida se despediu então. Ao sair, passou do meu lado e, sem que ninguém mais ouvisse, exceto talvez a empregada, me disse:
- Fica de olho nesse aí, que eu não confio nessa gente. - Na última parte, ela não só carregava a xenofobia dela, mas também o classismo. Me despedi dela concordando com um sorriso.
Cândida era um caso: tinha enterrado o primeiro marido aos trinta e cinco, ele com setenta, e o atual tava no mesmo caminho. Embora ela agora tivesse quarenta e três e tentasse se manter gostosa pro próximo que pudesse fisgar. Com um metro e sessenta, era quase toda perna, os peitos, retocados em cirurgia, se erguiam desafiando a gravidade com uma redondeza obra do cirurgião, sempre muito arrumada, e se não fosse por um ar altivo que sempre a acompanhava, seria linda, mas os olhos castanhos, julgadores, e os lábios levemente tortos, davam a ela uma aparência de bruxa de conto, atraente mas malvada.
Mas como também não sou livre de preconceitos, me espiei, assim que a Cândida foi embora, na cozinha. Fingindo normalidade, me acomodei no batente da porta, na ilha central da cozinha, onde a gente tomava café. A cena e a comida a gente tomava na sala, minha mãe interrogava o Abduh, que respondia como podia às perguntas dela. Minha irmã estava ali, junto com eles, balançando a cabeça pra concordar em todas as situações, a mesma cara que fazia na aula, num jantar em família ou numa balada, se ainda não tinha começado a beber. Quando, por acaso, ela me olhou, fiz um gesto pra ela se aproximar. Ela se levantou, se desculpando todo pomposo, adora ser o centro das atenções. Andou devagar, marcando os passos, rebolando a bunda, o cara ficou olhando pra ela.
Minha irmã Estibaliz, minha gêmea, é uma mina objetivamente gostosa, se destaca com mais de um metro e setenta e aquele corpo de modelo, é quase tão alta quanto eu, tem a cabeleira loira e os olhos azul-esverdeados da minha mãe, a pele moreninha, bronzeada, os lábios carnudos e sempre marcados com batom. As curvas dela são típicas dos seus vinte e dois anos, os peitos não muito grandes mas bem empinados, já a bunda é do que ela mais se orgulha, na academia ela só fica malhando o rabo, conseguiu deixar ele imponente e marcando em qualquer roupa. Quando chegou na minha altura, me perguntou com a voz meio fina:
— O que você quer, maninho? — Ela me tratava assim, aludindo aos dois minutos que me antecedeu nesse mundo.
— O que que tem a mãe? — Perguntei, apontando com o queixo pra minha mãe e o preto que estavam conversando.
— Sei lá, deve ter dado a veia humanitária. — Minha mãe era muito dada a ter uns períodos de interesse doido por uns assuntos variados. Uma vez ela transformou, ou tentou, o jardim numa horta. Dessa vez a paixão parecia mais louvável, mas ia passar como tudo em uns dias. — Isso ou ela quer se dar um agrado com um docinho de chocolate. — Minha irmã me olhou com uma cara safada.
— Tá doida, Liz, vou ter que contar pro César. — Era o namorado dela, ou pretendente histérico, e vizinho. — Além disso, o cara também não é lá essas coisas.
— Kkkkk... — Ela riu. Sarcasticamente, ela se aproximou de mim pra sussurrar alguma coisa.
— Você não viu o que marca na calça dele, maninho. Aquilo é de outro mundo.
— Imediatamente, meu olhar buscou a virilha dele, era a primeira vez que eu fazia algo assim conscientemente, e lá estava. Com a calça de moletom encharcada e colada no corpo, um belo volume se destacava. Engoli seco e minha irmã riu de novo.
— Já viu, né?
— Talvez ele tenha roubado alguma coisa e enfiado ali.
Ela balançou a cabeça.
— Não me importa, fica por aqui, eu tenho que continuar o trabalho do Peláez.
— Sempre tô na sua frente, terminei ontem. — Estudamos o mesmo curso, dupla graduação em direito e administração de empresas, ideia do meu pai. — Vou ficar, mas se a mamãe quiser intimidade com o Abduh, bom... — Ela fez a última parte quase inaudível.
— Mamãe nunca faria isso. — Sentenciei, eu atribuía o interesse da minha mãe às boas intenções que o garoto tinha despertado nela.
— Pois tá bem cheio de mulher fazendo isso no seu computador, e sem um bom motivo. — Minha irmã implicava comigo desde que me entendo por gente, com os anos só tinha ficado mais perversa.
— Já chega. — Me virei e fui pro meu quarto, tentando tirar da cabeça a imagem que minha irmã habilmente tinha plantado.
Já no meu quarto, olhei a porta de soslaio, tentando imaginar o que rolava lá embaixo, com um espírito voyeur tomando conta de mim. A ideia da minha mãe fazendo algo com aquele preto não parava de me rondar. Minha mãe, Sofia, tem quarenta e cinco anos, mas passa fácil por uma mulher de trinta e poucos, como eu disse, é loira de olhos azuis, pele clara, nariz empinado e lábios mais finos que os da minha irmã. É mais baixinha, mal tem um metro e sessenta, também é mais cheinha, apesar de ser magra, tem uns peitos dois tamanhos maiores que os da minha irmã, e de bunda não tem muito do que invejar, talvez a firmeza incomum. No geral, é mais gostosa que a minha Irmã, pelo menos pra mim, a idade dá um plus a mais de tesão nela. Por outro lado, ela é muito volúvel e simples, no melhor sentido, parece não levar nada muito a sério. A vida dela, igual a da minha irmã e a minha, sempre foi fácil. Ela estudou turismo e conseguiu emprego por meio de pistolão. Meu avô, o pai dela, tem bons contatos. O arranjo é a cruz que a gente carrega, sem nenhum esforço.
Tudo isso servia de munição pro debate interno sobre a possibilidade dela se envolver com o preto. Atraente ela era, se não fosse minha mãe, eu... mas estavam nela, como no resto da nossa família e na maior parte do nosso círculo social, enraizados uns valores, digamos assim, que negavam esse tipo de aventura. Embora celebrassem outras com personal trainers, professores particulares, vizinhos, secretárias, etc. Mas um desconhecido, do nada, fugia da norma da alta sacanagem, ou sociedade. Mesmo assim, não resisti em puxar o tal material no meu computador e, mentalmente, sobrepor a imagem da minha mãe na das mulheres que apareciam. Foi terrivelmente perturbador o quanto eu fiquei excitado, embora, no fim, tenha conseguido afastar aquilo e focar na tarefa que me pressionava.
Perdi a noção do tempo me afogando em textos jurídicos, densos e soníferos, até que minha mãe bateu na minha porta. Ela enfiou a cabeça, sorrindo, e disse que a Imelda estava servindo o jantar. Acompanhei ela pra baixo, meu pai e minha irmã já estavam na mesa. A empregada circulava atendendo as necessidades dos comensais. Ela morava lá, sozinha. Tinha menos de trinta, era filipina, como manda o figurino, diligente, folgava nos fins de semana, não conhecíamos namorado dela, não sabíamos quase nada sobre ela, só que era de confiança, como a Cândida diria. Tinha um rosto bonito, traços orientais, o corpo não se destacava muito sob o uniforme creme com avental branco. Meu avô, o pai da minha mãe, dizia que isso era Pra que o patrão não tivesse ideia errada, meu avô era um personagem e tanto.
Meu pai presidia a mesa, discutia trabalho com minha irmã, ele era um homem feito por si mesmo que sabia de tudo, o problema é que quase sempre era assim, meio pedante. Me convidou pra entrar na conversa, e antes do segundo prato já me deixaram de lado, Liz e ele, claro que tive que refazer quase metade. Foi na chegada do segundo que minha mãe trouxe à tona a anedota do dia, meu pai não se escandalizou nem um pouco, diferente de nós ele pisava no mundo real todo dia. Ouviu atento enquanto minha mãe expunha o caso do Abduh, fazia uns meses que ele conseguiu chegar na Espanha, com a única esperança de construir um futuro melhor... Ela narrava como a típica jornalista de telejornal, se estendeu uns minutos a mais do que eles costumam. A conclusão foi pedir ao meu pai um emprego pro garoto, ao que ele respondeu:
- Não. - Seco, continuou jantando.
- Por quê? - Perguntou minha mãe, que não tinha tocado no prato.
- Por três razões: não estamos contratando ninguém, não vou pegar pra trabalhar alguém que entra na minha casa sem mais nem menos, e nunca coloquei ninguém que não merecesse em nenhum cargo. - Ele enumerou levantando os dedos da mão direita, começando pelo polegar. - Se um dia nossos filhos quiserem um emprego, vão ter que conquistar. - Minha mãe ficou com cara de desgosto.
Assim é meu pai, Carlos, eu me chamo igual a ele, e ele igual ao pai dele, é dois anos mais velho que minha mãe. Como eu disse, um homem feito por si mesmo, foi criado pelo tio, militar de carreira, os pais morreram quando ele era criança, é disciplinado, sempre foi, ele garante que é a chave do sucesso. Começou como mensageiro e agora dirige uma empresa de logística, própria, pagou os estudos trabalhando igual um preto, palavras textuais. Ele sempre tenta lembrar a gente do valor das coisas que temos, mas ao longo dos anos não conseguiu evitar de nos mimar, mesmo que só um pouco. É um homem de ombros largos, Pelo ralo, sempre curto e perfeitamente depilado, nem feio nem bonito, normal, com um olhar severo quando quer. Era esse olhar que castigava o gesto torto da minha mãe.
- Mas eu quero ajudar ele. - Reclamou minha mãe.
- Tudo bem, mas não vai ser às custas da empresa. - Tentou voltar a conversar com minha irmã.
- Então a gente pega ele pra casa. - Meu pai voltou a falar com ela.
- Não, Sofia, já temos de tudo, além disso voltamos ao mesmo, ele não tem nenhuma referência além do incidente de hoje.
- Mãe, se você quer ajudar os outros, monta uma ONG. - Intervi. Tenho um dom pra pisar na bola e foi o que fiz.
- Então vou montar. - Meu pai me fulminou com o olhar assim que ela falou. - Como eu faço isso? - Ela jogou a pergunta esperando que alguém pegasse, eu fiquei quieto de propósito.
- Você não vai fazer. - Sentenciou meu pai.
Minha mãe explodiu em reclamações, me pedindo pra me envolver na discussão, já que a ideia tinha sido minha. Meu pai, na verdade, me meteu na briga apontando que aquilo era ideia de moleque. Minha irmã veio me ajudar, ou pelo menos colocou paz:
- Pai, não é uma ideia ruim, não totalmente. Pensa como uma espécie de obra social da empresa. - Meu pai ouvia, minha mãe também, eu me contentava em ter saído do fogo cruzado. - Além disso, a gente termina as aulas essa semana, e você disse que a gente tinha que se provar, essa pode ser uma forma, vai ser nosso projeto. A gente cuida da parte diretiva, e de quebra ajuda a mãe. - Assumir responsabilidades era o ponto fraco do meu pai, Liz sabia explorar isso, ela sabe explorar o de qualquer um.
- Vocês se acham capazes? - Ele olhou pra gente alternadamente, Liz concordava com segurança, eu tentava fazer o mesmo. - Amanhã vou consultar, pra ver se é pelo menos possível, agora vamos deixar o assunto.
- Te amo, minha filha, e você também, querido. - Minha mãe se dirigiu à minha irmã e depois ao meu pai. - Vai ver como a gente vai te surpreender. - Ela segurou as mãos de Liz e as minhas, sobre a mesa.
Assim que terminamos de jantar, voltei pro meu Quarto pra arrumar e terminar o que era o último trabalho daquele ano. Era mais de meia-noite e eu continuava digitando no meu notebook, em cima da cama. Tava acabando, e quase caindo de sono. Minha irmã entrou então no meu quarto.
- Não termina? Não acredito que somos irmãos. - Ela me cumprimentou. Tava de regata e um shortinho colado na bunda, os bicos marcando por baixo da camiseta.
- Me deixa trabalhar em paz. - Levantei a cabeça da tela e dei um sorriso bem falso pra ela.
- Vim pra deixar claro essa ideia que a mamãe teve. - Olhei de canto enquanto escrevia, agora mais devagar. - Se a gente levar isso bem, pode ser uma referência foda pro futuro. Sei que você se contenta com pouco, eu quero voar mais alto. - Com a mão, fez uma espécie de pódio onde ela tava no topo. - Quero que você se esforce. Vou te colocar acima da mamãe, eu comando tudo, você, claro, e você fica de olho na mamãe, garante que ela não perca o interesse no meio do caminho. - Enquanto falava, andava de um lado pro outro do meu quarto, o shortinho subindo, deixando cada vez mais da bunda dela de fora. Desviei o olhar, ela balançou a cabeça com desespero. - Você vai fazer o que eu mandar, não serve pra mais nada. - Voltou pra porta.
- E se o papai disser que não rola? - Perguntei só pra encher o saco.
- Papai vai me ouvir, como sempre, sou o xodó dele. - Já esperava essa resposta.
Ela me deixou sozinho, e eu perdi o foco. De madrugada terminei o trabalho, caí no sono na hora. Minha irmã tirou nota boa no trabalho, na revisão conseguiu um excelente, eu tirei um suficiente.
Meu pai avisou que tava tudo pronto pro projeto. Ele chamava de obra social, igual minha irmã, minha mãe de ONG dela. Passou um pendrive com todos os dados técnicos, o orçamento que a gente tinha e o endereço da sede. Na manhã seguinte, ele foi com a gente até o lugar onde a ONG ia ser construída. Era do antigo galpão onde a empresa tinha funcionado, era metade do tamanho do atual, alto, com um piso de vigas por toda parte, estava sujo e fechado há anos, só tinha um escritório interno de não mais de vinte metros quadrados e um banheiro. Ele nos disse que tudo estava religado, mas que precisávamos conectar a água e a luz, gentilmente e com um certo sarcasmo nos indicou como fazer. Minha irmã e minha mãe eram as mais contrariadas, eu já esperava uma jogada dessas do meu pai. Por enquanto não havia mais funcionários além de nós, e ele disse que demoraria para designar alguém, coisas de recursos humanos, falou. Nos apressou a buscar voluntários, afinal era um projeto solidário.
Por dentro estava bem sujo, meu pai deixou produtos de limpeza para a gente cuidar. Minha mãe andava praticamente na ponta dos pés, e se tocava em algo, fazia com dois dedos. Não era nem de longe agradável para minha irmã também, ela seguiu meu pai até o carro dele reclamando, ele respondeu com um beijo e foi embora. Eu temia que as duas princesinhas me jogassem a tarefa de limpar, o que não me agradava nem um pouco, e nunca tinha feito. Minha irmã me chamou e começou a dar ordens, primeiro ligamos a luz, não foi tão difícil, lâmpadas grandes e ovais penduradas no teto acenderam com um zumbido, e o escritório também. A água foi outra história, tive que levantar uma tampa de metal pesada que dava para a caixa de registro, enfiar a mão naquele buraco úmido e escuro não foi nada agradável, em duas ocasiões tirei a mão de repente ao sentir algum tipo de roçado que não identifiquei. Quando abri a torneira do banheiro para me lavar, a água saiu marrom por um tempo, até ficar com uma cor meio esbranquiçada por causa do calcário.
Finalmente estávamos em condições de começar a trabalhar, de nos sujar, mas minha irmã e minha mãe tinham sumido. Fui procurá-las. Encontrei minha irmã, com o celular e o notebook, sentada no carro do meu Mãe, com o ar-condicionado, a SUV tava com uma sensação gostosa de vinte e poucos graus, lá fora a manhã já começava a esquentar. Ela fez um sinal pra eu deixar ela em paz, sussurrou tampando o microfone do telefone pra eu começar a limpar, que tava procurando gente pra nos ajudar. Me afastei e fiquei de olho na minha mãe. Ela andava pela rua principal do distrito industrial, com uma saia acima do joelho e uma blusa, os poucos galpões e negócios que restavam tinham o pessoal masculino na porta olhando com atenção. O distrito tava tão abandonado que não tinha nem as putinhas que enchem outros lugares. Dei uma corridinha pra alcançar ela, quando cheguei na altura dela, ela tava falando com um grupinho de três caras na frente do que parecia uma oficina mecânica.
- A gente precisa de ajuda, estamos começando... - Explicava minha mãe pros caras que devoravam ela com os olhos. Não tinha um carro dentro da oficina, só uma carcaça velha e enferrujada.
- Mãe, vem. - Peguei ela pela cintura, sentia que tava socorrendo ela, na minha mente a nuvem de cenas pornô, morria de medo que se materializassem. - A Liz já tá procurando gente.
Ela me olhou surpresa, tive que puxar um pouco ela pra retomar o caminho de volta. Enquanto a gente se afastava, ouvi eles resmungarem algo tipo: "eu que ajudava ela". De volta na sede, por assim dizer, minha irmã passou tarefas pra nós dois, pra mim limpar, pra minha mãe me supervisionar. Ela tinha ligado pra uma empresa de limpeza, mas só podiam vir depois do almoço, achou que quanto mais a gente tivesse pronto melhor, cobravam por hora. Já tinha feito as contas, preparado pedidos de móveis necessários, mesas compridas onde daria pra servir comida, prateleiras pra estocar comida e roupa, e até tinha pensado em dedicar uma área pra dormitório, pros casos de maior necessidade. Enquanto explicava, ia apontando cada área na planta retangular do galpão, desenhada numa folha. Não tive escolha a não ser concordar. pra minha mãe quando ela disse aquilo de: "que menina mais inteligente eu tenho". No entanto, eu reclamei que todo o trabalho físico tava caindo nas minhas costas, minha irmã se desculpou dizendo que ainda tinha umas coisas pra resolver, e minha mãe alegou que os sapatos e a roupa que elas estavam usando não eram adequados, que na próxima vez viria mais informal.
Enchi o balde, que meu pai tinha deixado pra gente, com água benta com cal, joguei um dos produtos de limpeza e comecei a esfregar o chão com o esfregão. Dizer que eu não tinha muita habilidade seria pouco, mas além disso, em apenas cinco minutos a água já tava preta e o chão do escritório, por onde comecei, não tinha melhorado muito. Repeti o processo do começo umas duas vezes pra conseguir deixar apresentável. Nesse tempo, minha mãe tinha abandonado o posto de supervisora, tava no galpão, o espaço vazio fazia a voz dela ecoar, falando com alguém no telefone, com aquela alegria quase infantil dela. Voltou pra perto de mim sorrindo, olhou dentro do escritório e disse:
- Precisa de mais uma passada, né? - Dei de ombros e obedeci.
Quando terminei, o lugar tava bem limpo, e eu tava sozinho de novo. Olhei em volta até encontrar minha irmã e minha mãe andando junto com um cara negro, as duas falando igual papagaio. Chegaram perto de mim e nos apresentaram formalmente:
- Abduh, este é o Carlos, meu filho. - Ele estendeu a mão, eu apertei, e nós dois sorrimos pela situação. - Este é o Abduh, o rapaz do outro dia. - Minha mãe terminou a apresentação desnecessária. - Liguei pra ele, no apartamento onde ele mora, pedi pra ele vir nos ajudar, se ele quisesse, e ele quis, é um bom rapaz, como eu disse pro seu pai. - Ela se atropelava enquanto falava, o lado bom é que se ele tinha vindo ajudar, talvez eu pudesse dar o fora.
- Então, Abduh, por enquanto a gente tá dando uma arrumada aqui, se você nos ajudar agora vai ser como voluntário, depois eu vejo tudo que precisa pra fazer algum tipo de contrato. Minha irmã estava com o celular na mão, não tirava os olhos dele.
— Vamos, mãos à obra.
— Agora que o Abduh tá aqui, eu podia te dar uma mãozinha, mana. — Sorri, entregando o esfregão pro recém-chegado e limpando as mãos na calça jeans.
— Não, eu dou conta sozinha. — Ela sorriu com um ar de superioridade e me devolveu o esfregão. — Precisa de mais ajuda aqui. Dá uma olhada se vocês conseguem tirar esses entulhos. — Num canto, tinha uma pilha de ferros e chapas, foi pra lá que ela apontou.
A gente começou a trabalhar, o Abduh com mais disposição do que eu. A pilha de tralha parecia não ter fim, minha mãe ficava nos observando a uma distância segura de uns três metros, mandando uns incentivos de vez em quando. Depois de um tempinho, o garoto grunhiu e deixou cair um ferro com um baita barulho. Sangue escorria do dedo indicador da mão esquerda pela palma toda. Quando minha mãe viu, levou a mão à boca com uma cara, quase teatral, de preocupação. Não demorou pra ela correr ajudar o preto:
— O que aconteceu? Tá bem? — Ela se jogou em cima dele e pegou a mão ferida.
— Não é nada. Tá de boa. — O garoto não perdia o sorriso.
— Não, não, não, isso precisa de cuidado, vamos pro hospital. — Minha mãe tentou puxar ele, mas não conseguiu.
— Não precisa. Só limpar e pronto. — A verdade é que o corte parecia bem superficial.
— No banheiro tem um kit de primeiros socorros, dá pra cuidar com isso, acho. — Intervi, vendo ali uma chance de largar o serviço pelo resto da manhã.
— Beleza, vamos. — De novo, minha mãe puxou o garoto, e dessa vez ele foi junto com ela.
Enquanto eles se afastavam, eu fui diminuindo o ritmo, e quando entraram no escritório, parei de mexer na tralha de vez. Queria sentar, olhar o celular e perder tempo um pouco. Já que o chão naquela área tava uma zona, decidi me juntar à minha irmã no carro. Entrei e sentei atrás com ela. O habitáculo espaçoso tava fresquinho e os bancos pareciam mais confortáveis do que de costume. Quando me viu lá, ela... perguntou:
- O que você tá fazendo? Já te falei pra adiantar o serviço, não vou deixar a grana que a gente tem ir pro ralo com limpeza. - Continuava de olho em tudo sobre aquele projeto enfeite, mas sem sair da bolha de conforto dela.
- O negão se cortou, então vou descansar um pouco. - Me recostei exageradamente.
- Ele tá bem? - Perguntou meio alterada.
- É um arranhão, sério, me preocupa que você e a mamãe se importem mais com ele do que comigo. - Soltei com um pouco de ciúme.
- Qualquer um me preocupa mais que você. Agora volta pro trabalho, ou vou contar pro papai que você tá pouco se lixando. - Ela era má até o talo, e a bronca que meu pai ia me dar era pior que um pouco de trampo.
A luz do escritório, com os vidros ainda sujos de poeira, eu só tinha lavado o chão, continuava acesa. De volta à pia, continuei tirando as coisas pra fora. Ao abrir caminho entre os ferros menores, encontrei um pedaço de chapa grande e pesado demais pra mim, era quadrado de dois por dois. Fui buscar ajuda no escritório, e é aqui que a história deu uma virada que eu não esperava.
Antes de entrar, espiei por um dos vidros sujos, quase opacos, aproveitando uma área limpa num canto. O escritório tava vazio, entrei, e ouvi as vozes que vinham do banheiro. Devia ter me anunciado, ou feito algum barulho. Mas, sorrateiramente, me aproximei da fonte dos sons. Me movia com um instinto de espião que não conseguia evitar. Estiquei a cabeça e agucei o ouvido quando cheguei no corredor de dois metros que levava ao banheiro anexo.
A porta tava aberta, escancarada. Minha mãe tava de costas pra pia, o Abduh sentado no vaso. Ele tinha um curativo meio chamativo na mão. Os dois se olhavam, mesmo sentado a cabeça do garoto ficava quase na altura dos peitos da minha mãe. Ali tava rolando algo, uma tensão travava os dois. A conversa que peguei me fez entender o que tinha acontecido:
- Eu sinto muito. - Se desculpava o garoto, que parecia o mais afetado. - Faz muito tempo que não pego uma mulher. - Aquilo elevou meu nível de alerta.
- Não tem problema... - Minha mãe estava com cara de quem não sabia o que fazer. - É lisonjeiro, de certa forma. - Segui a linha do olhar dele, pra ver onde estava fixo.
O negro estava de pau duro. O volume, que já marcava no primeiro dia na calça, agora tava prestes a rasgar. Não entendi como tinha passado despercebido, subia entre as pernas dele apontando pro céu.
- Você é novo, essas coisas acontecem. - Minha mãe ainda tentava amenizar, mas não desviava o olhar. - Cê tinha vinte? - Ele assentiu. - Se eu pudesse ser sua mãe. - Parecia tentar se convencer.
- A senhora é mais gostosa - disse ele, com aquele sorriso eterno, chamando a atenção da minha mãe de volta pro rosto - além disso, minha mãe é preta. - A risada falsa dos dois diante da tentativa de piada ecoou no banheiro.
Minha mãe voltou pro objeto escuro de desejo, respirava devagar mas de forma exagerada, inflando muito o peito e juntando os lábios ao soltar o ar. Abduh seguia o sobe e desce dos peitos dela dentro da blusa. Os dois suavam, minha mãe tava com as bochechas vermelhas. Eu também suava, o calor era infernal e a situação não ajudava.
- Meus filhos estão lá fora, trabalhando pra botar tudo pra funcionar. - Ela tentava desesperadamente mudar de assunto. - Melhor você não sair assim - apontou com a mão pro pau duro, quase encostou - senão eles vão pensar o que não é. - Riu nervosa, mas parou ao ver a cara dele, que não tinha entendido. - Sabe... - Fez um gesto explicativo de punheta com a mão.
O negro entendeu, e sem pensar duas vezes, baixou um pouco a calça e a cueca, deixando tudo à mostra. Minha mãe virou o rosto de repente, mas sem conseguir parar de olhar. Ele começou a se masturbar, olhando pra ela, e naquele momento aquilo não me pareceu um mal-entendido ou costumes diferentes, mas sim algo deliberadamente filho da puta. Ela, aos poucos, perdeu A vergonha inicial passou, e ela olhou pra ele de frente, umedecendo os lábios sem perceber.
— É muito grande. — Disse minha mãe, meio em transe.
Com a mão machucada, Abduh pegou a mão direita da minha mãe, ela tremeu por um segundo. Devagar, pelo menos pra mim pareceu uma eternidade, ele a guiou até o pau dele. Minha mãe acariciou, num reflexo, a cabeça do membro do negro, ele parou de se masturbar. Se olharam nos olhos. Um barulho, um pisão mais forte, um pigarro e aquilo teria acabado, mas eu queria ver até onde iam.
— Não posso, meus filhos, meu marido... — Suplicou minha mãe.
Ele esticou o braço comprido até pegar ela pela nuca, minha mãe já estava meio curvada sobre ele. A puxou até a boca dele, uma daquelas bocas de preto, grandes e cheias de dentes brancos. Se beijaram. Durante o beijo, o sobe e desce do peito, da respiração da minha mãe, parou. Bastou aquele beijo pra mão da minha mãe ganhar vida própria e começar a percorrer, de forma automática, o pau do negro.
Minha mãe acabou ajoelhando com os joelhos nus no chão do banheiro, meio sujo como o resto. Naquela posição, era o Abduh quem inclinava a cabeça pra baixo pra beijar ela, enquanto ela continuava batendo uma pra ele. Quando as bocas se separaram, a da minha mãe assumiu uma nova tarefa. Sem tirar os olhos dele, colocou os lábios sobre a glande do negro, que era mais clara que o resto da pele, quase rosada.
Como se a boca dela estivesse costurada e aquela fosse a única forma de abri-la, minha mãe fez pressão, a boca começou a se abrir e avançar pelo pau do negro. Devia ter mais de 20 centímetros, e uma grossura de pelo menos quatro dedos, pra não dizer que era como o antebraço da minha mãe. Ela custava, mas aos poucos fazia desaparecer mais e mais na garganta. Quando parecia chegar no limite, recuava, deixando um rastro de saliva, pegava ar e voltava pra carga. Abduh curtia, fazendo caretas e ajudando com a mão boa. Num Num dado momento, depois da metade da piroca bem chupada, minha mãe tossiu e disse:
- Não aguento mais, é grande demais.
Ela olhava pro negão com uma certa adoração.
Ele ajudou ela a se levantar, eu pensei que tinha acabado ali, mas tava enganado. Colocou ela em cima da pia sem esforço aparente, arregaçou a saia dela, e ela facilitou mexendo a bunda em cima da cuba. A saia, amassada, tava agora na altura do quadril da minha mãe, à mostra uma calcinha de renda preta. Não durou muito, o negão puxou ela até os tornozelos e terminou tirando. Tava pronto pra foder ela, mas nos surpreendeu enfiando a cabeça na entreperna da minha mãe. Minha mãe gritou, tapando a boca correndo, a língua ou os dedos, ou os dois, tinham encontrado a buceta dela. Ela começou a dar uns pulinhos leves, e gemidos, que como podia abafava. Chegou ao ponto de morder o dorso da mão esquerda, pra afastar a vontade de gritar. Soluçou, não de tristeza, de puro prazer, e se jogou pra trás. O espelho atrás dela, cheio de poeira, marcou a silhueta dela, bagunçada, de certa forma gravou o primeiro orgasmo da minha mãe. Só no final gemeu alto.
A coisa não podia terminar ali, o negão ainda tava de pau duro. Dessa vez ele ia foder ela mesmo. O negão se levantou e se colocou entre as pernas da minha mãe, segurou os tornozelos dela pra abrir bem. A torneira devia estar enfiando nas costas dela, ou na bunda, e ela não reclamava. Ele avançou, e a piroca dele como um aríete precedeu ele no ataque. Ao sentir a cabeça, minha mãe já se tensou, e bufou. Por sorte pra ela, o negão não enfiou de uma vez. A cada centímetro ela gemia um pouco, era impossível que meu pai tivesse um pauzão daquele, e duvido que qualquer homem com quem ela tinha estado tivesse. Passada a marca onde minha mãe tinha parado o boquete, Abduh parou, deixou claro que aquele ia ser o limite. Colocou a mão boa como um batente e começou a bombar.
Embora fosse devagar no começo, tava claro que o tamanho importava pra minha mãe, que Ela tremia a cada golpe. Conforme ele aumentou o ritmo, minha mãe tentou morder a própria mão de novo pra abafar os gemidos, mas não adiantou; acabou enroscada no pescoço do negro enquanto ele martelava nela. Ela respirava e gemia cada vez mais alto. Num ato de piedade, com a mão machucada, o negro arrancou a blusa dela. O sutiã, combinando com a calcinha, foi o próximo alvo, mas por sorte tinha o fecho na frente. Ele não precisou se esforçar muito pra, com um puxão elástico pros lados, deixar os dois peitos da minha mãe à mostra. A pele dela era especialmente clara neles, uma leve linha de contraste marcava. Os mamilos rosados e grandes estavam completamente duros. O negro não resistiu, quem resistiria, e começou a chupar os peitos da minha mãe.
Os gemidos dela ficaram bem mais altos, eu ouvia como se ela estivesse gritando no meu ouvido. Minha mãe deve ter percebido, e às cegas, esticando o braço, alcançou a porta e girou pra fechar. Não podia ter me visto, mas sabia que podia ser pega, e a reação dela foi só fechar a porta. Confesso que fiquei profundamente decepcionado, mas ainda assim, mesmo com a porta fechada, os gemidos chegavam até mim, mais abafados. De forma idiota, com o peito colado na parede, que me servia de esconderijo, estiquei o pescoço o máximo que pude até minha cabeça aparecer completamente no corredor.
O cascudo me fez tremer, e me fez virar pra encontrar minha irmã do outro lado da entrada do banheiro. Liz e eu parecíamos dois guardas, dois fofoqueiros, postados pra defender o corredor. Ela me olhou com desaprovação, mas não disse nada, até levou um dedo aos lábios fazendo sinal de silêncio. Isso me fez perceber que ela tinha sido testemunha, assim como eu, do espetáculo. Fiquei imaginando como ela tinha chegado até ali, e me veio na cabeça toda aquela história de gêmeos, sósias e tal. Por outro lado, era prova suficiente de que éramos irmãos, já que tínhamos reagido igual. a situação.
Os gemidos não paravam, e de novo se ouviam mais altos. Ficaram assim quase dez minutos, depois minha irmã calculou que tudo tinha durado mais de meia hora, pra mim pareceram horas. No final, os sons que minha mãe soltava só podiam ser chamados de berros, e até o preto grunhiu pra marcar que tinha acabado.
Minha irmã me bateu no braço e eu segui ela pra fora. Conforme a gente se afastava, eu recuperava a compostura e digeria o que tinha visto. Chegamos no carro e entramos. Os dois suávamos, e trememos por um segundo ao entrar. Ela quebrou o silêncio:
- Minha nossa. - Gesticulou com as mãos pra reforçar a expressão de surpresa.
- E minha também. - Corrigi e não consegui segurar o que veio. - Puta vagabunda. Com aquele preto filho da puta. Quando o pai descobrir, ele mata ele, e ela também.
- Mas o que você tá dizendo. - Me olhou como se fosse muito mais velha que eu, e não só uns minutos. - Ninguém vai ficar sabendo.
- Porra, não. - Pulei.
- Não. - Minha irmã foi categórica. - Quer foder com a nossa vida? - Olhei pra ela contrariado. - Se você abrir a boca, vai dar uma merda enorme, isso a gente cala.
- Mas você viu ela, caralho, não se segurou nem um pouco. - Respirava uma baforada de raiva atrás da outra. - E o pai um corno, corno por um preto. E no pelo, que o outro pode ter qualquer doença, e saber onde ele gozou...
- Não vem com esse machismo escroto de merda, como se o pai fosse um santo. A secretária dele tem dezenove anos e não sabe nem fazer um cafuné, mas passa o dia todo com ele. Você acha que ele não comeu ela? Ou que a outra não deu um boquete nele? - Essas suspeitas eram vox populi, mas eu não tinha visto com meus próprios olhos. - Isso foi um desabafo da mãe e ponto final. Já vou garantir que quando isso passar, ela não tenha tempo pra vacilos.
- Assim, na boa, eu engulo tudo, que nem ela? - Perguntei fora de mim.
- Olha pra você. - Ela pegou no meu pau, eu tava de pau duro. - Se te parecia tão ruim, tinha feito alguma coisa. Eu tava certa. - Agora cala a boca, isso É importante pra mim — ela olhava nos meus olhos, a mão ainda no meu pau duro — vou garantir que você seja recompensado por ficar calado.
Uma parte de mim interpretou mal o comentário e fez minha mão avançar na direção dos peitos dela. A chegada da minha mãe no carro acabou com aquilo. Ela apareceu pela porta do motorista, a gente tava atrás, ela estava encharcada de suor, faltava um botão da blusa dela.
— Vocês estão aqui há muito tempo? — Perguntou meio nervosa, o carro devia ser o único lugar por perto onde os gemidos dela não tinham ecoado.
— Sim, arrumando umas coisas, e esse aqui tirando uma soneca. — Respondeu minha irmã.
— Bom. — Ela soltou um suspiro de alívio. — Mas tem muita coisa pra fazer. Vou levar o Abduh no apartamento dele, pra ele descansar por causa da mão. Seu irmão te contou que ele se cortou?
— Sim. Eu contei. — Intervi. — Seria melhor ele pegar um táxi, o carro pode fazer falta a qualquer momento. — Não ia dar de bandeja a segunda transa, com a minha mãe, pro preto.
— Acho que ele não tem dinheiro, além disso, deve ser rapidinho... — Continuou minha mãe.
— Como ele veio? — Perguntei com um certo tom de provocação.
— De ônibus, ele me disse. — Respondeu ela. — Mas por aqui não passa com tanta frequência...
— Então não se preocupa, ele volta de táxi, eu pago, e a comida também. — Minha irmã me deu uma cotovelada pelo jeito que falei a última parte. — Ele se machucou por nossa culpa, é o mínimo.
Foi difícil convencê-la. Eu mesmo chamei o táxi e acompanhei o Abduh até dentro. Me consumia a ideia de onde ele tinha esvaziado os ovos pretos dele, em que parte da anatomia da minha mãe. Direto na buceta dela, ou nos peitos e no rosto, pra depois ela espalhar pela pele, igual nos filmes pornô, ou na boca dela e ela tinha engolido tudo como uma boa gostosa. A simples ideia fez a ereção continuar ameaçando dentro da minha calça, por sorte, acho, não marcava tanto quanto no outro.
Pra tirar a dúvida, inspecionei o banheiro. No espelho, em cima do pó que o cobria, o primeiro orgasmo da minha mãe tinha sido borrado pelo segundo. Foi na mesma superfície cristalina que encontrei a prova do crime, de um lado, na altura do meio, pendia o rastro de sêmen. Aquilo me deixou mais tranquilo, supondo que ele tinha gozado tudo longe da minha mãe.
Depois do almoço apareceram os da limpeza, levaram quase quatro horas pra terminar. Minha irmã barganhou o preço do serviço. Fez eles assinarem todo tipo de documento, que eu não fazia ideia de onde ela tinha tirado. Pros trabalhadores, ela parecia uma pirralha metida.
O jantar daquele dia foi o pior da minha vida, o mais tenso. Cada vez que eu olhava pra cabeceira da mesa, minha imaginação colocava uns chifres no meu pai. Ele perguntou como tinha sido o dia, e minha mãe e minha irmã contaram, uma orgulhosa galhada de veado coroava ele. Ele comentou sobre o ferimento do negro, sobre uma possível denúncia da parte dele, minha mãe disse pra não se preocupar, agora eram um par de pitões. Quando o jantar acabou, eu já imaginava ele com um capacete viking, tinha esgotado os animais. O dia tinha acabado, e a ereção ao lembrar do ocorrido vinha sem jeito.
CONTINUA
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