O capítulo de hoje é tranquilo, mas muito importante pro desfecho. Espero que vocês gostem.
Os dias foram passando sem que a gente voltasse a conversar com a Lorena, além de um "bom dia" ou "boa tarde". Ela parecia calma, segura de si mesma, e mais gostosa do que nunca. Me dava um tesão danado só de olhar pra ela, e ela percebia meu descontrole e sorria de um jeito safado pra todo mundo que passava.
Pensei em esperar um mês, mas na real era tempo demais pra vontade que eu tava de ficar com ela. E além disso, eu precisava passar uma noite inteira com ela. Precisava acordar do lado dela, nem que fosse uma vez só.
E ao mesmo tempo, precisava que ela sentisse que o marido dela era um cuck, e que merecia aquilo.
Durante várias noites fiquei matutando a ideia, e umas duas vezes tive que bater uma punheta de tanto tesão que tava.
Ela, por outro lado, convencida de que tava no controle, só esperava que eu me rendesse e marcasse de passar a tarde na minha casa.
E de repente, minha mente clareou. Podia dar certo. Era tão louco, que até podia funcionar.
Na segunda-feira, consegui o número do celular do marido da Lorena e liguei pra ele. No começo ele não me reconheceu, até que finalmente entendeu quem eu era. Pedi pra ele vir à tarde na minha casa e não contar nada pra mulher dele, que depois eu explicava. Ele pareceu surpreso, mas aceitou.
Naquela tarde, Raul, o marido da Lorena, bateu na porta da minha casa.
Abri e lá estava ele. Gordão, meio largado, não tinha nada a ver com a pedaço de buceta que ele tinha em casa. Merecia mesmo os chifres que eu tava dando nele.
— Entra, Raul. Fico feliz que você veio.
— Valeu, Daniel. Sua ligação me pegou de surpresa, e esse negócio de segredo, ele disse enquanto se jogava no sofá onde a mulher dele tinha estado uns dias antes. Juro que fiquei de pau duro só de lembrar.
— Espero que você tenha feito o que eu pedi. Com a confirmação dele, fiquei tranquilo.
— Vou te explicar. Preciso que você tome conta da minha casa nos dias que eu tiver que viajar. Você sabe como tá tudo perigoso. e não quero deixar a casa sozinha.
- Me explica do que se trata, ele disse se relaxando no sofá.
- Muito simples. Te aviso os dias que tenho que viajar e você vem e se instala aqui. Tem que ficar a noite toda até eu voltar, sem sair. Pode ver TV, comer, beber, tudo que tem na casa está à sua disposição. Mas não quero que a casa fique vazia em momento nenhum. Quando eu voltar, te pago 300 pesos pelo seu trabalho. Tá bom pra você?
O rosto dele se iluminou. Dinheiro fácil só descansando. Era um sonho.
- Pra mim não tem problema nenhum. Mas não entendo essa história de não contar nada pra Lorena.
- Olha, vou te explicar. Ouvi o comentário de que você tava desocupado, e como eu tinha essa tarefa, quis falar com você, e não quero que sua esposa fique sabendo. Não quero que ela pense que tô fazendo isso como colega de trabalho, nem que tô por dentro dos boatos. Entende? Não quero que sua mulher ache que tem alguma dívida comigo. Pelo contrário. Eu vou ficar em dívida com você se aceitar, mas repito: isso tem que ficar entre nós dois.
- E quando eu começo?
- Provavelmente sábado, mas confirmo na sexta. Tenho seu número, então te aviso.
- O que eu preciso trazer?
- Nada. Bom, o que você usa pra dormir. O resto tá tudo à disposição na casa, falei gentilmente.
Ele percorreu a casa com o olhar e notou a garrafa de uísque importado que eu tinha deixado de propósito na mesinha.
- Quando você diz tudo, inclui essa garrafa?
Olhei pra ele com inocência.
- Claro. Eu não bebo álcool, mas se quiser provar, te sirvo um copo.
- Pra falar a verdade, eu adoraria. Nunca provei essa marca, e é que realmente não posso pagar por ela.
- Relaxa. Meus clientes me dão essas garrafas o tempo todo.
Levantei e servi uma dose generosa pra ele. E ainda aproximei a garrafa. Meu plano tava funcionando.
Depois que continuamos conversando um pouco e ele me contou como o dinheiro cairia bem porque a mulher dele não parava de reclamar que a grana não dava alcançava, o que confirmei, reforçando minha ideia de não contar nada pra esposa dele. Ele terminou o copo e na hora enchi outro.
Aos poucos fui puxando o assunto pras mulheres.
— Você que tem sorte, tá solteiro e pode fazer o que quiser. E ainda mais tendo grana — disse ele, continuando a beber.
— Pois é, mas acho que você não tem do que reclamar. Não conheço bem sua esposa, mas parece uma mulher muito boa.
— É, ela é boa, mas o fato dela ganhar mais que eu vira um problema. Sinto que ela me diminui como homem.
— Ela sempre te elogia, fica tranquilo.
— É, pode até me elogiar pra fora, mas não é o que sinto dentro de casa.
— Não te entendo — falei enquanto enchia o copo dele de novo, mesmo entendendo muito bem.
— Esse uísque é realmente bom. Espero que me deixe a garrafa quando eu ficar aqui.
— Pode deixar. Mas você não me respondeu.
Fez-se um silêncio tenso enquanto ele tomava outro gole. O rosto dele já começava a ficar vermelho por causa do álcool e era evidente que o controle dele tava no fim. O corno, além de gostar de beber, não tinha resistência pra álcool, e isso é uma mistura perigosa pra guardar segredos.
— É muito íntimo, mas sinto que estamos entre amigos. A verdade é que faz tempo que não transamos direito. Toda vez que eu tento, ela arruma uma desculpa. Semanas atrás, ela saiu o sábado inteiro e voltou super feliz. Achei que era minha chance, mas naquela noite a gente transou, ela me excitou muito desde o começo, o que me fez gozar rápido, e depois ela dormiu na hora, sem ter gozado. Senti que na verdade eu tinha me masturbado, mais do que feito amor.
— Bom, anos de casamento são assim — falei —, a rotina muda as coisas, mas imagino que ela sempre foi muito contida em tudo que é sexual, pelo menos é o que parece lidando com ela no trabalho.
— Qual nada. Você não sabe como era quando a gente namorava. Qualquer lugar era bom pra transar. E ela gostava de fazer de tudo. Mas agora, é só dois tapas e dormir, disse amargamente, terminando o copo.
- E o que ela mais gostava?
- Ah, ela perde a linha quando beijam as orelhas dela, e adorava a posição de quatro.
- Então você até comeu ela de cu, falei com sarcasmo.
- Não, isso ela nunca quis fazer, por mais que eu insistisse, mas no resto era a melhor.
Entendi agora por que tinha sido tão fácil pra ela tomar a iniciativa.
Senti pena e não quis continuar servindo ele. Falei que tinha coisas pra fazer, que me desculpasse, e nos despedimos. A primeira parte do meu plano já estava em andamento.
No dia seguinte, passei no arquivo. Lorena parecia nervosa e irritada.
- O que foi? Perguntei, inocente.
- Nada que seja da sua conta, e não fica bravo, disse ela, percebendo a reação exagerada que teve.
- Desculpa, apesar de tudo, achei que ainda éramos amigos. Pelo menos quero continuar sendo quando nossa relação comercial acabar, falei sorrindo.
- Nada importante, mas o inútil do meu marido, além de não trabalhar, chegou em casa ontem bêbado, deitou e ainda está dormindo a ressaca, disse irritada. Ainda por cima não traz dinheiro pra casa, não sei de onde tirou pra comprar bebida.
Uma expressão de compaixão e culpa marcou meu rosto, o que chamou a atenção dela.
- Seria bom se, quando tiver um minuto, você desse uma passada no meu escritório. Justamente sobre seu marido que quero falar com você.
Uma hora depois, Lorena veio ao meu escritório.
- O que você tem a me dizer?
- Desculpa, Lorena, mas acho que tenho alguma responsabilidade no que aconteceu com seu marido.
Ela se sentou, surpresa.
- Não entendi.
- Ontem me encontrei com ele.
Os olhos dela se arregalaram como lanternas.
- Você ficou maluco?
- Desculpa, mas queria conhecê-lo. Afinal, tô comendo a mulher dele. O mínimo que posso fazer é tentar entender a relação de vocês.
- Minha relação não tem problema nenhum, e não sei quem caralhos te deu o direito de se meter na minha vida, disse furiosa. Conversamos um bom tempo. E grande parte do tempo foi sobre você.
O rosto dela empalideceu.
— Não sei o que vocês têm pra falar de mim.
— Falamos sobre o sexo no seu casamento, e como seu marido se sente.
— Não acredito que esse infeliz entrou no seu jogo.
— A questão é que no sábado, você vai tirar seus filhos de casa. Manda eles dormirem em outro lugar.
O olhar dela ficou congelado. Não entendia nada.
— Não entendo o que você quer dizer.
— Seu maridinho te vendeu, Lorena.
— Como assim me vendeu?
— Isso mesmo, mulher. Em troca de dinheiro, ele vai me deixar passar a noite com você.
Se antes ela estava furiosa, agora parecia que ia explodir.
— Quêeeee?
— É muito simples. Falei que você me atraía e, em troca de grana, ele não vai dormir na sua casa no sábado e vai deixar eu tentar te possuir. O que ele não sabe é que isso já tá combinado com você.
— Não acredito nessa mentira, disse ela se remexendo na cadeira.
— Pois é essa a questão. Dei um adiantamento e imagino que ele bebeu. Por isso chegou na sua casa bêbado.
O rosto dela mostrou que começava a duvidar que fosse tudo mentira.
— Para de inventar.
— Combinamos que ele não te diria nada. Que você decidiria até onde ir, e ele nunca faria nenhum comentário. Se você perguntar se ele falou comigo, ele vai negar, mas no sábado vai arrumar uma desculpa pra dormir fora de casa, e não vai voltar até eu ter ido embora. Pode tentar perguntar, mas te lembro que você tem uma obrigação comigo, e que combinamos que se eu desse um jeito de passar a noite com você, você toparia.
Ela me olhou, tentando saber se eu tava falando a verdade.
— Por outro lado, quando ele voltar no domingo, é só você revistar. Vai ter 300 reais em algum lugar.
— 300 reais? O corno me vendeu por 300 reais? — disse ela, agora irritada com o valor.
— Lorena, não é culpa minha que você vale mais pra mim do que pra ele. Não existe quantia nesse mundo pela qual eu te entregaria, não importa o quanto eu sofra. Você não tem preço, falei suavemente, e o rosto dela mostrou que sentiu o golpe da minha fala. ternura inesperada, e ela se acalmou.
— Juro que não vou perguntar nada pra ele, porque ainda tenho um compromisso com você, mas se eu achar esse dinheiro com ela, ela vai se ferrar bonito.
— Ela com certeza vai dar um jeito de inventar uma história de como conseguiu a grana. Deixa ele em paz. Como te falei, relaxa e aproveita, porque o que vem, além de inevitável, pode ser muito prazeroso pra todo mundo. E como quem não quer nada, no "todo mundo" eu incluí o corno, coisa que ela percebeu na hora.
— Tá bom. Você vai realizar seu sonho.
— Três coisas então. 1º: Tira seus filhos de casa, pelo menos até o meio-dia de domingo. 2º: Não conta nada pro seu maridinho sobre isso, porque ele não sabe do acordo que você tem comigo, e se descobrir, você vai ter poucos argumentos pra castigar ele; e 3º: Vou dormir, então pega esse dinheiro e compra uma roupa sexy e me espera vestida assim.
— Ou quase nua, você quer dizer — falou ela, sem aliviar a irritação.
— Vamos dormir juntos, na sua cama de casal. Quero te ter aí onde seu marido te tem toda noite, mesmo ele sendo incapaz de gozar e te fazer gozar como eu — falei, sorrindo.
— Não se ilude. Ainda é um negócio, e por sorte, o contrato já tá acabando.
— Beleza, então na sua casa, sábado, a noite toda. E agora amadurece isso, porque tô ocupado e não queremos que ninguém desconfie, certo?
Ele virou as costas e saiu sem se despedir.
A semana passou normal, e na sexta de manhã avisei o Raúl que ele tinha que estar na minha casa sábado às nove da noite.
Sábado à tarde organizei tudo. Arrumei a casa e deixei à vista uma garrafa de uísque importado, que eu sabia que ia ser irresistível pro Raúl.
Às nove, o corno chegou. Mostrei a casa toda, o quarto dele, como funcionava tudo, e fiquei feliz quando notei que ele olhava insistentemente pra garrafa que eu tinha deixado de propósito à vista. Peguei ela e servi uma dose pra ele, convidando ele a sentar.
— Então, Raúl, pode usar tudo que você vê, pode comer tudo que tem na cozinha, e beber o que quiser. Sem problema. Só não sai de casa por nada.
— Entendi, Diego, fica tranquilo.
— É importante que você não saia, porque eu tenho um encontro e, se tudo der certo, em algum momento da noite vou voltar acompanhado. Se for o caso, ligo pro telefone fixo pra você vazar e deixar a casa vazia antes de eu chegar. Se as coisas não rolarem assim, então de manhã, quando eu chegar, você pode ir embora.
— Ok. Então é um encontro romântico — ele disse, terminando o primeiro copo. — A mina é conhecida?
— Acho que não — falei, mesmo sendo uma cidade pequena, com uma cara de pôquer absoluta.
— Pelo menos me diz como ela é — insistiu.
— Nada de outro mundo — menti. Na real, Lorena era uma puta de outro mundo.
— Solteira ou casada?
— Caramba, como você é curioso.
— Bom, mas pelo menos me diz: ela tem um parceiro fixo?
— Na verdade, sim, mas hoje à noite ele não vai estar.
— Então te parabenizo. Tem uns caras que merecem mesmo levar chifre. Só te peço uma coisa: manda um abraço meu pra ela também, se der.
Eu ri, inocente.
— Pode deixar, Raul, pode deixar. Mas não me contou que desculpa deu pra sua mulher.
— Falei que me chamaram pra um jogo de cartas em outra cidade, e que ia dormir na casa de um amigo que mora perto de lá. De quebra, já justifico de onde vai sair o dinheiro — ele disse —, caso ela desconfie.
— E ela o que disse?
— Não falou muito, só que eu não voltasse com dívidas, porque depois ela teria que aceitar qualquer coisa pra pagar.
— Você é um cara muito inteligente mesmo. Merece ter mais sorte, Raul — falei.
Fiquei mais um tempo com ele, me certifiquei de que continuasse bebendo, e às 10 da noite, saí rumo à casa da Lorena. Naquele momento, eu era o cara mais feliz do mundo. Ia ter pra mim, a noite toda, um dos pedaços de mulher mais gostosos que já encontrei na vida. Suspirei satisfeito. Era nosso último encontro combinado. Mas tinha fé que, depois dessa noite, viessem muitos mais.
Os dias foram passando sem que a gente voltasse a conversar com a Lorena, além de um "bom dia" ou "boa tarde". Ela parecia calma, segura de si mesma, e mais gostosa do que nunca. Me dava um tesão danado só de olhar pra ela, e ela percebia meu descontrole e sorria de um jeito safado pra todo mundo que passava.
Pensei em esperar um mês, mas na real era tempo demais pra vontade que eu tava de ficar com ela. E além disso, eu precisava passar uma noite inteira com ela. Precisava acordar do lado dela, nem que fosse uma vez só.
E ao mesmo tempo, precisava que ela sentisse que o marido dela era um cuck, e que merecia aquilo.
Durante várias noites fiquei matutando a ideia, e umas duas vezes tive que bater uma punheta de tanto tesão que tava.
Ela, por outro lado, convencida de que tava no controle, só esperava que eu me rendesse e marcasse de passar a tarde na minha casa.
E de repente, minha mente clareou. Podia dar certo. Era tão louco, que até podia funcionar.
Na segunda-feira, consegui o número do celular do marido da Lorena e liguei pra ele. No começo ele não me reconheceu, até que finalmente entendeu quem eu era. Pedi pra ele vir à tarde na minha casa e não contar nada pra mulher dele, que depois eu explicava. Ele pareceu surpreso, mas aceitou.
Naquela tarde, Raul, o marido da Lorena, bateu na porta da minha casa.
Abri e lá estava ele. Gordão, meio largado, não tinha nada a ver com a pedaço de buceta que ele tinha em casa. Merecia mesmo os chifres que eu tava dando nele.
— Entra, Raul. Fico feliz que você veio.
— Valeu, Daniel. Sua ligação me pegou de surpresa, e esse negócio de segredo, ele disse enquanto se jogava no sofá onde a mulher dele tinha estado uns dias antes. Juro que fiquei de pau duro só de lembrar.
— Espero que você tenha feito o que eu pedi. Com a confirmação dele, fiquei tranquilo.
— Vou te explicar. Preciso que você tome conta da minha casa nos dias que eu tiver que viajar. Você sabe como tá tudo perigoso. e não quero deixar a casa sozinha.
- Me explica do que se trata, ele disse se relaxando no sofá.
- Muito simples. Te aviso os dias que tenho que viajar e você vem e se instala aqui. Tem que ficar a noite toda até eu voltar, sem sair. Pode ver TV, comer, beber, tudo que tem na casa está à sua disposição. Mas não quero que a casa fique vazia em momento nenhum. Quando eu voltar, te pago 300 pesos pelo seu trabalho. Tá bom pra você?
O rosto dele se iluminou. Dinheiro fácil só descansando. Era um sonho.
- Pra mim não tem problema nenhum. Mas não entendo essa história de não contar nada pra Lorena.
- Olha, vou te explicar. Ouvi o comentário de que você tava desocupado, e como eu tinha essa tarefa, quis falar com você, e não quero que sua esposa fique sabendo. Não quero que ela pense que tô fazendo isso como colega de trabalho, nem que tô por dentro dos boatos. Entende? Não quero que sua mulher ache que tem alguma dívida comigo. Pelo contrário. Eu vou ficar em dívida com você se aceitar, mas repito: isso tem que ficar entre nós dois.
- E quando eu começo?
- Provavelmente sábado, mas confirmo na sexta. Tenho seu número, então te aviso.
- O que eu preciso trazer?
- Nada. Bom, o que você usa pra dormir. O resto tá tudo à disposição na casa, falei gentilmente.
Ele percorreu a casa com o olhar e notou a garrafa de uísque importado que eu tinha deixado de propósito na mesinha.
- Quando você diz tudo, inclui essa garrafa?
Olhei pra ele com inocência.
- Claro. Eu não bebo álcool, mas se quiser provar, te sirvo um copo.
- Pra falar a verdade, eu adoraria. Nunca provei essa marca, e é que realmente não posso pagar por ela.
- Relaxa. Meus clientes me dão essas garrafas o tempo todo.
Levantei e servi uma dose generosa pra ele. E ainda aproximei a garrafa. Meu plano tava funcionando.
Depois que continuamos conversando um pouco e ele me contou como o dinheiro cairia bem porque a mulher dele não parava de reclamar que a grana não dava alcançava, o que confirmei, reforçando minha ideia de não contar nada pra esposa dele. Ele terminou o copo e na hora enchi outro.
Aos poucos fui puxando o assunto pras mulheres.
— Você que tem sorte, tá solteiro e pode fazer o que quiser. E ainda mais tendo grana — disse ele, continuando a beber.
— Pois é, mas acho que você não tem do que reclamar. Não conheço bem sua esposa, mas parece uma mulher muito boa.
— É, ela é boa, mas o fato dela ganhar mais que eu vira um problema. Sinto que ela me diminui como homem.
— Ela sempre te elogia, fica tranquilo.
— É, pode até me elogiar pra fora, mas não é o que sinto dentro de casa.
— Não te entendo — falei enquanto enchia o copo dele de novo, mesmo entendendo muito bem.
— Esse uísque é realmente bom. Espero que me deixe a garrafa quando eu ficar aqui.
— Pode deixar. Mas você não me respondeu.
Fez-se um silêncio tenso enquanto ele tomava outro gole. O rosto dele já começava a ficar vermelho por causa do álcool e era evidente que o controle dele tava no fim. O corno, além de gostar de beber, não tinha resistência pra álcool, e isso é uma mistura perigosa pra guardar segredos.
— É muito íntimo, mas sinto que estamos entre amigos. A verdade é que faz tempo que não transamos direito. Toda vez que eu tento, ela arruma uma desculpa. Semanas atrás, ela saiu o sábado inteiro e voltou super feliz. Achei que era minha chance, mas naquela noite a gente transou, ela me excitou muito desde o começo, o que me fez gozar rápido, e depois ela dormiu na hora, sem ter gozado. Senti que na verdade eu tinha me masturbado, mais do que feito amor.
— Bom, anos de casamento são assim — falei —, a rotina muda as coisas, mas imagino que ela sempre foi muito contida em tudo que é sexual, pelo menos é o que parece lidando com ela no trabalho.
— Qual nada. Você não sabe como era quando a gente namorava. Qualquer lugar era bom pra transar. E ela gostava de fazer de tudo. Mas agora, é só dois tapas e dormir, disse amargamente, terminando o copo.
- E o que ela mais gostava?
- Ah, ela perde a linha quando beijam as orelhas dela, e adorava a posição de quatro.
- Então você até comeu ela de cu, falei com sarcasmo.
- Não, isso ela nunca quis fazer, por mais que eu insistisse, mas no resto era a melhor.
Entendi agora por que tinha sido tão fácil pra ela tomar a iniciativa.
Senti pena e não quis continuar servindo ele. Falei que tinha coisas pra fazer, que me desculpasse, e nos despedimos. A primeira parte do meu plano já estava em andamento.
No dia seguinte, passei no arquivo. Lorena parecia nervosa e irritada.
- O que foi? Perguntei, inocente.
- Nada que seja da sua conta, e não fica bravo, disse ela, percebendo a reação exagerada que teve.
- Desculpa, apesar de tudo, achei que ainda éramos amigos. Pelo menos quero continuar sendo quando nossa relação comercial acabar, falei sorrindo.
- Nada importante, mas o inútil do meu marido, além de não trabalhar, chegou em casa ontem bêbado, deitou e ainda está dormindo a ressaca, disse irritada. Ainda por cima não traz dinheiro pra casa, não sei de onde tirou pra comprar bebida.
Uma expressão de compaixão e culpa marcou meu rosto, o que chamou a atenção dela.
- Seria bom se, quando tiver um minuto, você desse uma passada no meu escritório. Justamente sobre seu marido que quero falar com você.
Uma hora depois, Lorena veio ao meu escritório.
- O que você tem a me dizer?
- Desculpa, Lorena, mas acho que tenho alguma responsabilidade no que aconteceu com seu marido.
Ela se sentou, surpresa.
- Não entendi.
- Ontem me encontrei com ele.
Os olhos dela se arregalaram como lanternas.
- Você ficou maluco?
- Desculpa, mas queria conhecê-lo. Afinal, tô comendo a mulher dele. O mínimo que posso fazer é tentar entender a relação de vocês.
- Minha relação não tem problema nenhum, e não sei quem caralhos te deu o direito de se meter na minha vida, disse furiosa. Conversamos um bom tempo. E grande parte do tempo foi sobre você.
O rosto dela empalideceu.
— Não sei o que vocês têm pra falar de mim.
— Falamos sobre o sexo no seu casamento, e como seu marido se sente.
— Não acredito que esse infeliz entrou no seu jogo.
— A questão é que no sábado, você vai tirar seus filhos de casa. Manda eles dormirem em outro lugar.
O olhar dela ficou congelado. Não entendia nada.
— Não entendo o que você quer dizer.
— Seu maridinho te vendeu, Lorena.
— Como assim me vendeu?
— Isso mesmo, mulher. Em troca de dinheiro, ele vai me deixar passar a noite com você.
Se antes ela estava furiosa, agora parecia que ia explodir.
— Quêeeee?
— É muito simples. Falei que você me atraía e, em troca de grana, ele não vai dormir na sua casa no sábado e vai deixar eu tentar te possuir. O que ele não sabe é que isso já tá combinado com você.
— Não acredito nessa mentira, disse ela se remexendo na cadeira.
— Pois é essa a questão. Dei um adiantamento e imagino que ele bebeu. Por isso chegou na sua casa bêbado.
O rosto dela mostrou que começava a duvidar que fosse tudo mentira.
— Para de inventar.
— Combinamos que ele não te diria nada. Que você decidiria até onde ir, e ele nunca faria nenhum comentário. Se você perguntar se ele falou comigo, ele vai negar, mas no sábado vai arrumar uma desculpa pra dormir fora de casa, e não vai voltar até eu ter ido embora. Pode tentar perguntar, mas te lembro que você tem uma obrigação comigo, e que combinamos que se eu desse um jeito de passar a noite com você, você toparia.
Ela me olhou, tentando saber se eu tava falando a verdade.
— Por outro lado, quando ele voltar no domingo, é só você revistar. Vai ter 300 reais em algum lugar.
— 300 reais? O corno me vendeu por 300 reais? — disse ela, agora irritada com o valor.
— Lorena, não é culpa minha que você vale mais pra mim do que pra ele. Não existe quantia nesse mundo pela qual eu te entregaria, não importa o quanto eu sofra. Você não tem preço, falei suavemente, e o rosto dela mostrou que sentiu o golpe da minha fala. ternura inesperada, e ela se acalmou.
— Juro que não vou perguntar nada pra ele, porque ainda tenho um compromisso com você, mas se eu achar esse dinheiro com ela, ela vai se ferrar bonito.
— Ela com certeza vai dar um jeito de inventar uma história de como conseguiu a grana. Deixa ele em paz. Como te falei, relaxa e aproveita, porque o que vem, além de inevitável, pode ser muito prazeroso pra todo mundo. E como quem não quer nada, no "todo mundo" eu incluí o corno, coisa que ela percebeu na hora.
— Tá bom. Você vai realizar seu sonho.
— Três coisas então. 1º: Tira seus filhos de casa, pelo menos até o meio-dia de domingo. 2º: Não conta nada pro seu maridinho sobre isso, porque ele não sabe do acordo que você tem comigo, e se descobrir, você vai ter poucos argumentos pra castigar ele; e 3º: Vou dormir, então pega esse dinheiro e compra uma roupa sexy e me espera vestida assim.
— Ou quase nua, você quer dizer — falou ela, sem aliviar a irritação.
— Vamos dormir juntos, na sua cama de casal. Quero te ter aí onde seu marido te tem toda noite, mesmo ele sendo incapaz de gozar e te fazer gozar como eu — falei, sorrindo.
— Não se ilude. Ainda é um negócio, e por sorte, o contrato já tá acabando.
— Beleza, então na sua casa, sábado, a noite toda. E agora amadurece isso, porque tô ocupado e não queremos que ninguém desconfie, certo?
Ele virou as costas e saiu sem se despedir.
A semana passou normal, e na sexta de manhã avisei o Raúl que ele tinha que estar na minha casa sábado às nove da noite.
Sábado à tarde organizei tudo. Arrumei a casa e deixei à vista uma garrafa de uísque importado, que eu sabia que ia ser irresistível pro Raúl.
Às nove, o corno chegou. Mostrei a casa toda, o quarto dele, como funcionava tudo, e fiquei feliz quando notei que ele olhava insistentemente pra garrafa que eu tinha deixado de propósito à vista. Peguei ela e servi uma dose pra ele, convidando ele a sentar.
— Então, Raúl, pode usar tudo que você vê, pode comer tudo que tem na cozinha, e beber o que quiser. Sem problema. Só não sai de casa por nada.
— Entendi, Diego, fica tranquilo.
— É importante que você não saia, porque eu tenho um encontro e, se tudo der certo, em algum momento da noite vou voltar acompanhado. Se for o caso, ligo pro telefone fixo pra você vazar e deixar a casa vazia antes de eu chegar. Se as coisas não rolarem assim, então de manhã, quando eu chegar, você pode ir embora.
— Ok. Então é um encontro romântico — ele disse, terminando o primeiro copo. — A mina é conhecida?
— Acho que não — falei, mesmo sendo uma cidade pequena, com uma cara de pôquer absoluta.
— Pelo menos me diz como ela é — insistiu.
— Nada de outro mundo — menti. Na real, Lorena era uma puta de outro mundo.
— Solteira ou casada?
— Caramba, como você é curioso.
— Bom, mas pelo menos me diz: ela tem um parceiro fixo?
— Na verdade, sim, mas hoje à noite ele não vai estar.
— Então te parabenizo. Tem uns caras que merecem mesmo levar chifre. Só te peço uma coisa: manda um abraço meu pra ela também, se der.
Eu ri, inocente.
— Pode deixar, Raul, pode deixar. Mas não me contou que desculpa deu pra sua mulher.
— Falei que me chamaram pra um jogo de cartas em outra cidade, e que ia dormir na casa de um amigo que mora perto de lá. De quebra, já justifico de onde vai sair o dinheiro — ele disse —, caso ela desconfie.
— E ela o que disse?
— Não falou muito, só que eu não voltasse com dívidas, porque depois ela teria que aceitar qualquer coisa pra pagar.
— Você é um cara muito inteligente mesmo. Merece ter mais sorte, Raul — falei.
Fiquei mais um tempo com ele, me certifiquei de que continuasse bebendo, e às 10 da noite, saí rumo à casa da Lorena. Naquele momento, eu era o cara mais feliz do mundo. Ia ter pra mim, a noite toda, um dos pedaços de mulher mais gostosos que já encontrei na vida. Suspirei satisfeito. Era nosso último encontro combinado. Mas tinha fé que, depois dessa noite, viessem muitos mais.
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