Família Perfeita (parte 4)

Esta é a penúltima entrega aqui, deixo as partes anteriores pra vocês:http://www.poringa.net/posts/relatos/2719933/Familia-Perfecta-parte-1.htmlParte de:http://www.poringa.net/posts/relatos/2
720119/Familia-Perfecta-parte-2.html
E a parte 3:http://www.poringa.net/posts/relatos/2720490/Familia-Perfecta-parte-3.htmlUm bom tempo depois de sair do banho, eu tinha enrolado uma toalha no corpo e esfregado o corredor, deixando ele limpo de vômito e urina. Depois me dediquei a secar e escovar com cuidado a crina da minha irmã enquanto ela tentava se encontrar no espelho embaçado que cobria mais da metade da parede. Já fazia um tempo que ela não chorava. Na verdade, ela só ficava ali parada, com os braços cruzados sobre o peito, segurando o roupão do nosso pai que ficava enorme nela. Mal piscava.

- Amor... Já terminei - Ela não respondeu.

Fiquei na frente dela, segurando as mãos dela com as minhas e dando beijos ternos e carinhosos para chamar a atenção dela.

- Escuta... Sei que você tá puta e assustada... Mas quero que você saiba que o Javi te ama. Você sabe que ele não te machucaria. O de antes... Foi por causa do álcool... e talvez você não estivesse preparada e quem sabe tudo isso tenha sido um erro enorme e... e acho que é tudo culpa minha... e... - De novo, como sempre que ficava nervosa, me acelerei sem parar de falar até ela me interromper.

- Por que você queria que eu chupasse ele? - As palavras dela foram tão repentinas e a expressão dela era tão impassível que no começo me fez duvidar se ela realmente tinha falado ou era coisa da minha cabeça.

- Sandra... É que... -

- No final, eu teria feito, Sonia. Por você. E o pior é que eu faria de novo, porque te amo. Mas não esperava que você me obrigasse... Isso é o que mais me machucou - O olhar dela perfurava meu rosto e eu não conseguia levantar os olhos acima da cintura dela. No meu estômago, um monte de sensações se agitavam, me fazendo sentir envergonhada, assustada, triste e confusa.

- Desculpa... O álcool me... -

- E sabe o que mais me fode? Que você tava curtindo como uma puta!. Comigo você não ficou assim - Ela me interrompeu de novo. Não sabia bem o que dizer e deixei os segundos passarem, me sentindo uma merda.

- Você nunca vai me amar do mesmo jeito que eu te amo. —Você, né? — O rosto dela começou a perder toda a serenidade que tinha enquanto os olhos se enchiam d'água. O lábio inferior tremia levemente, igualzinho toda vez que ela ia chorar. Mas dessa vez minha irmã lutou com todas as forças pra segurar as lágrimas enquanto tirava as mãos dela das minhas.

— Céus... Sério, adoraria sentir o mesmo... É bonito, meigo, sincero e... e... Sei lá... Especial!. Mas... Não consigo... — Eu ainda esperava que minha irmã soltasse a qualquer momento as lágrimas que tanto se esforçava pra segurar, mas o autocontrole dela me surpreendia e de alguma forma até me irritava um pouco.

Sem dizer nada, ela se virou fazendo um esforço titânico pra não desabar no choro e abriu a porta. Eu podia deixar ela ir pro quarto dela, podia ir pro meu e deitar no escuro pra clarear as ideias. Mas nessa confusão toda, ela tinha sido a mais sincera de nós duas e já que eu tava partindo o coração dela, pelo menos merecia saber por quê. Me atravessei na frente da porta e fechei ela, apoiando todo meu peso pra impedir que abrisse. Sandra se virou de novo pra evitar que eu visse as primeiras lágrimas escapando dos olhos dela. Já tinha visto ela chorar várias vezes. "Por que agora ela se esconde de mim?" pensei. Era uma atitude que, por algum motivo, me irritava pra caralho. Talvez porque eu sabia que no fundo ela já não queria confiar em mim. Que tava tentando se afastar de mim.

— Amor, me escuta... Eu não consigo te amar assim porque... É assim que eu amo o Javi...

— Minha irmã virou levemente pra me olhar de canto, surpresa. Depois o rosto dela endureceu numa expressão de raiva e ela se virou pra me encarar. Tava furiosa.

— Pois espero que vocês sejam muito felizes juntos! — Gritou, me empurrando pra longe da porta. Tentei segurar ela pelo braço, mas ela se soltou do roupão e saiu do banheiro pelada e apressada.

Por um segundo, pensei que ela fosse correr pro quarto do nosso irmão, mas não foi. Entrou no quarto dela e fechou a Um portão batendo, trancando a fechadura bem na hora que eu ia abrir.

- Sandra! Sandra! Amor, abre... Vamos conversar, por favor... - Eu dizia entre sussurros. Mas não houve resposta e ela não abriu.

Me virei, me lamentando pela minha boca grande e me perguntando se havia maneiras mais sutis de ter dito aquilo. Arrumei o banheiro rapidinho e, quando terminei, fui até o quarto do Javi, que estava com a porta entreaberta.

Mesmo o corredor estando escuro e a luz do abajur dele mal chegando até a porta, espiei com cuidado pra ele não me ver.

Ele estava sentado na cama, com os cotovelos apoiados nos joelhos, massageando as têmporas. Tinha vestido uma calça de moletom preta comprida. De vez em quando soltava um suspiro e murmurava alguma coisa baixinho que eu não conseguia entender.

"Vou me arrepender disso", pensei enquanto batia na porta e entrava. Nem sabia por que estava fazendo aquilo, nem se queria dar uma bronca nele, consolar ele ou me jogar nos braços dele. Na real, meu coração começou a disparar no peito quando fiquei parada na frente dele sem saber bem o que dizer. Por sorte pra mim, meu irmão quebrou o silêncio depois de alguns segundos.

- Escuta, So... Sonia, eu... Não queria... Aquilo de antes, pensei que ela... Porra! - Ele disse, se lamentando e escondendo o rosto entre as mãos.

Eu corri pra sentar do lado dele, seguindo o impulso de passar o braço direito em volta dos ombros dele, tentando consolar ele.

- Javi, calma... Também foi culpa minha. Eu... Eu perdi a cabeça totalmente e tinha bebido... Eu... Eu não sabia bem o que tava fazendo e eu convenci a Sandra a fazer aquilo... Porra! Até deixei ela beber dois cubas-libres! Ela nunca bebeu álcool na vida, Javi! - Surpreendentemente, agora era ele quem me consolava. Queria chorar, mas também tava puta. Por tudo, por nada. Talvez por me sentir culpada pela minha irmã ou porque estar tão perto do Javi tava reavivando minha excitação e eu tinha que usar toda minha força de vontade pra não me jogar na boca dele. Que noite de merda... Primeiro a briga com a Alba, agora isso... Tô ferrando tudo... - Meu irmão parecia que ia chorar a qualquer momento, e isso só me fazia sentir mais pena dele. Sem perceber, eu estava chegando perigosamente perto do rosto dele.

- Por que vocês discutiram? - Falei quase num sussurro, sem me importar muito. Minha atenção estava totalmente focada nele, naquela força invisível que me puxava pro rosto dele enquanto, por dentro, eu tentava desesperadamente reagir. Sabia que estava prestes a cometer um dos maiores erros da minha vida, fosse qual fosse o resultado. Mas o cheiro dele, o toque, o calor... era tão irresistível que acabei me deixando levar.

- Porque os meus amigos não são lá essas coisas pra ela, e toda vez que saio com eles ela fica puta... - Um beijo profundo na bochecha dele fez ele parar de repente, virando o rosto na minha direção, ficando a um centímetro um do outro.

- Que idiota... - Falei bem na hora antes de cravar meus lábios nos dele. Nossas bocas se fundiram por alguns segundos, enquanto eu prendia a respiração e meu coração batia forte, parecendo que ia arrebentar meu peito. Minha pele ardia, suava e escorregava enquanto eu acariciava o rosto dele. Finalmente podia mostrar todo o meu amor sem medo nem dúvidas. Tudo era perfeito... ou pelo menos foi no começo.

De repente, Javi me empurrou com força, me jogando de costas na cama, enquanto ele se levantava com as mãos na cabeça. Me sentei, tomada por um sentimento repentino de vergonha, e fiquei olhando pros meus joelhos. Ele me encarava com uma expressão de dor. Depois, veio na minha direção, mas virou de repente pra porta e, a meio metro dela, se virou de novo, indeciso.

- Javi, me desculpa... Não... Não... Não sei no que eu tava pensan... - Nessa hora, ele veio em minha direção com passos firmes e, quando chegou a poucos centímetros, me encolhi, achando que ia me bater.

Mas, pra minha surpresa, ele não me bateu. Ele não bateu, mas se jogou em cima de mim, me forçando a deitar enquanto cravava nos meus lábios um beijo profundo e puxava minha toalha, me deixando pelada.

Ele devorava minha boca com paixão enquanto a língua dele dominava a minha a cada movimento. Uma das mãos dele acariciou meu rosto por uns segundos, mas logo começou a descer até chegar no meu peito. Acariciou, beliscou e apertou, me arrancando um gemidinho de dor que eu abafei mordendo o ombro dele.

Aquela sensação passageira de dor disparou minha excitação, me deixando mais ousada, e eu lancei a mão direita pra explorar dentro da calça dele. Ele não tava de cueca, então deduzi que se vestiu correndo com o que achou pela frente quando saímos do quarto dele.

Encontrei o pau dele molhado, pegajoso e quente, que crescia a cada segundo na minha mão a cada sobe e desce.

- Sonia... Para com isso, porque eu não aguento... - Ele sussurrou enquanto os beijos dele desciam pelo meu pescoço até chegar nas minhas tetas. Ele lambia, chupava e mordia os bicos, me dando arrepios. Era uma dor leve e excitante que fazia arder e ficar mais sensíveis à medida que endureciam.

O pau dele já começava a soltar líquido pré-gozo na minha mão quando ele decidiu tirar a camiseta e a calça rapidinho. A pele dele, molhada e quente, brilhava sob o reflexo da luz da escrivaninha, exalando um cheiro quente que era uma mistura de desodorante e suor que penetrava em mim a cada respiração. Não era desagradável, nem um pouco. Na real, o cheiro dele me agradava, me excitava e me fazia entrar ainda mais no papel de amante fogosa do meu irmão.

Quando ele voltou pra mim, me beijou de novo com avidez enquanto esfregava o pau dele nos meus lábios da buceta e me fazia abrir as pernas, se posicionando no meio. De repente, me toquei mais do que a gente ia fazer do que até então.

- Javi... Coloca uma camisinha... - Falei, aproveitando que ele afastou o rosto do meu por um instante. Sentia a cabeça do pau dele pressionando a entrada da minha buceta e eu levantei o olhar bem na hora de ver ele puxar a pele pra trás com a mão direita, esticando ela.

- Não tenho... - Ele sussurrou enquanto empurrava devagar.

O pau dele foi abrindo caminho, me dando ondas de arrepios misturados com uma dor leve que logo era ofuscada por uma excitação do caralho. A primeira penetração dele foi lenta, mas funda, e abafou na minha garganta qualquer protesto ou dúvida que eu tivesse sobre transar sem camisinha.

Quando ele tirou o pau, puxou ele completamente, me deixando uma sensação de vazio por dentro e me dando um respiro pra me reorientar.

- Cê é louco... aaaah... uuuuf... Javi... - Nessa hora ele me penetrou de novo, mais rápido e mais fundo, arrancando um gemido meu que ecoou nas paredes do quarto. Depois dessa estocada veio outra e outra, e depois de uns segundos eu perdi toda a vontade de reclamar, porque minha mente não conseguia pensar direito.

O pau dele me preenchia por completo, chegando quase no fundo de mim. Minha respiração era acelerada e caótica, que muitas vezes terminava em gemidos longos e barulhentos.

Eu nem pensei que nossa irmã pudesse ouvir. Na verdade, não pensei nela nem em nada que não fosse o corpo do Javi me penetrando uma vez atrás da outra com um ritmo que eu acabei me acostumando aos poucos. Agora eu conseguia focar em acariciar a pele dele de novo e buscar os beijos dele com vontade.

Aquilo finalmente tava tomando a forma que eu queria. A que me deixava expressar meu amor por ele completamente sem perder nem um pingo de prazer.

Nossos olhos tinham se conectado, nossas respirações tinham se sincronizado e nossos corpos tinham se fundido num só.

Não sei quanto tempo a gente ficou naquela situação, porque tudo parecia ter parado ao nosso redor. Sim, igual acontece nos filmes e nos livros. Mas por mais que eu quisesse, sabia que não podia durar pra sempre. Senti o Javi começando a acelerar de novo e soube que Faltava pouco pra ela gozar. Meu corpo reagiu ao dele na hora e, instintivamente, levantei minhas pernas pra envolver a cintura dele.

Se antes eu já tinha sentido o pau dele preenchendo todo o meu interior, o que comecei a sentir naquele momento foi indescritível.

Tudo lá dentro ardia em pequenas explosões a cada roçada do pinto dele nas minhas paredes. Os gemidos voltaram na hora, mais profundos e mais longos que antes, enquanto minhas mãos se agarravam com força nos ombros dele. Eu mal conseguia entender como era possível ele chegar tão fundo naquela posição.

- Meu... Meu Deus... Javi... aaaah aaaah aaaah... já não aguento mais... Não vou... - E aquele orgasmo bateu na minha mente como um martelo, me deixando em branco. Minhas pernas apertaram com força o corpo dele, fazendo dele meu prisioneiro até que os músculos das minhas coxas começaram a falhar. Javi não demorou pra me seguir, gozando pra caralho dentro de mim.

Minha pele se arrepiou de repente, me dando um calafrio que cortou minha respiração e qualquer chance de falar alguma coisa. Durante os longos segundos que vieram depois, só conseguia me contorcer, ofegante, enquanto as forças iam me abandonando aos poucos.

Quando meu olhar se fixou na porta do quarto, já tinha passado um tempinho em que a gente só ficou se acariciando, à beira de um sono calmo e profundo.

Varri o quarto com os olhos, me afundando no silêncio, mas de repente encontrei a Sandra me encarando da escuridão do corredor. Não dava pra ver o rosto dela direito, mas não precisava pra saber que ela tava chorando amargamente por baixo dos óculos elegantes. Quando me sentei, desajeitada, indecisa e assustada, ela deve ter percebido que eu tinha visto e foi embora sem fazer quase barulho nenhum.

- O que foi? - Perguntou o Javi, olhando na mesma direção.

- Nada... É... Achei que tinha fechado a porta... - Eu podia ter me levantado pra ir atrás dela, tentar consolar, explicar a situação. E talvez fosse o certo a se fazer. Mas quando vi o Rosto do Javi a poucos centímetros do meu... Meu juízo ficou nublado de novo. Nada mais importava, só estar com ele, ali e naquele momento.

Quando ele se deitou de novo ao meu lado, observando meu corpo nu, não conseguiu evitar uma reação natural do pau dele. Uma risadinha maliciosa escapou de mim na hora.

— Porra, cê acha que alguém viu? E se ouviu?... — Ele falou preocupado.

— O soldadinho ainda quer guerra? — Sussurrei, virando de bruços e rastejando pelos lençóis em direção à boca dele. Bem quando meus lábios roçaram os dele, ele se afastou. Um sorriso malvado se formou no meu rosto e eu me joguei de novo, com o mesmo resultado. "Quer brincar?" Pensei.

Estiquei minha língua o máximo que pude e lambi a pele do peito dele, enquanto olhava com cara de safada. Fui descendo rápido, cobrindo o corpo dele com minha saliva o máximo que dava, até chegar no pau dele.

Segurei firme e lambi com a ponta da língua, com um sorriso tarado que fez o Javi parar de resistir. O cheiro de porra era forte, igual ao gosto, mas já tinha me acostumado.

"Agora quem manda sou eu" Pensei, satisfeita.

Em poucos segundos, não sobrou um único milímetro do membro dele que eu não tivesse lambido, fazendo ele ficar duro que nem antes. Aí enfiei o máximo que deu na minha boca, quase engasgando, e segurei ali. Olhei a expressão surpresa dele quando fui apertando com força meus lábios enquanto puxava, e sacou na hora. "Nunca te chuparam direito".

Repeti o mesmo esquema várias vezes nos minutos seguintes, enquanto o pau do Javi tava cada vez mais perto de explodir na minha boca.

"Vai... Vai, Javi... Cê ainda não viu nada" Pensei. Aquela atitude me surpreendeu até eu mesma. Mas no fundo, adorava me sentir tão "Promiscuous" com ele.

O rosto dele foi se transformando conforme o momento que eu tanto queria se aproximava, até que finalmente o esperma Inundou minha boca. Era bastante, mas deu pra lidar. Mesmo no começo tendo dúvida, acabei engolindo tudo de uma vez pra surpresa dele. O sorriso fascinado dele me fez sentir satisfeita comigo mesma, convencida de que tinha ele completamente preso na minha teia.

- Sua irmãzinha engoliu tudo - falei, brincalhona. Mas aí o sorriso dele sumiu de repente. Ele virou de lado e aproveitou pra tirar meu corpo de cima dele sem muita delicadeza.

Fiquei atônita vendo ele se levantar e começar a se vestir.

- Amor... o que foi? - Algo estava terrivelmente errado.

- Sonia, é melhor você ir... - Ele falou desviando o olhar. Aquilo me bateu como um tapa e, antes que eu percebesse, já estava de pé ao lado dele.

- Por quê? Quero ficar com você, Javi... - falei tentando abraçar ele. Ele me rejeitou de novo.

- Isso saiu do nosso controle - Ele já tinha vestido a calça de moletom.

- Não, não, não... Javi... Não estraga isso agora... Por favor... - Minha insistência em tentar abraçar ele desesperadamente me envergonhava tanto quanto irritava ele. De repente, toda minha fantasia realizada começava a se desfazer a cada segundo que passava, me fazendo chorar de impotência.

Quando ele terminou de vestir uma camiseta azul, pegou a toalha da cama e tentou me cobrir com ela. Mas eu arranquei dela e joguei no chão, implorando.

- Javi... Não faz isso comigo... Por favor. Não faz... Eu te amo... - Mas meu irmão estava decidido. Dava pra ver pela expressão no rosto dele que doía fazer o que estava fazendo, e por isso minha última esperança era encontrar o olhar que ele tanto se esforçava pra esconder de mim.

Passo a passo, o corpo dele, infinitamente mais forte que o meu, foi me levando pra fora do quarto enquanto eu era tomada por um choro inconsolável.

Sem conseguir articular palavra e apoiada na parede do corredor, vi a porta se fechando e me deixando imersa na escuridão.

Não adiantou nada chamar por ele, implorar ou bater na porta com raiva. Meu irmão não ia abrir e comecei a me tocar. Desabei no chão frio, querendo morrer, mas aí a luz do corredor acendeu e minha irmã Sandra apareceu vestindo um pijama azul bonitinho com estampas de ursinhos. Ela se ajoelhou do meu lado, acariciou minha cabeça e beijou minha bochecha.

- Sonia, já chega... Vem, vem comigo, meu bem... - Instintivamente, me joguei nela pra abraçar e me refugiei, afogando meu choro no pescoço macio e fino dela.

- Quero morrer, Sandra... Não quero viver sem ele... - Gritei contra a camisa do pijama dela. Ela só me abraçou e me deu beijos carinhosos que, depois de um tempão, foram me acalmando.

Não sei como, mas no fim ela conseguiu me levantar do chão e me levar até minha cama. Abriu os lençóis e, antes que eu percebesse, eu já estava deitada com a cabeça entre o ombro e o peito dela, ouvindo as batidas do coração e a respiração lenta e funda. Minhas lágrimas encharcaram a camisa dela em pouco tempo, deixando minha bochecha gelada.

- Eu amo ele, Sandra... Amo... Amo demais... - Repetia sem parar.

- Eu sei, minha vida. Eu sei. Agora você me entende... - Foi a resposta dela até que, depois de alguns minutos, eu não tinha mais forças nem pra chorar.

Batida por batida, respiração por respiração, minha mente foi se acalmando entre carícias e beijos, enquanto meu corpo se jogava desesperado num sono profundo e quentinho. Pela primeira vez naquela noite, encontrei paz e sossego graças à minha irmã Sandra.

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