Querida, já faz um tempo que você virou uma puta, de alto nível, claro, mas puta do mesmo jeito. Além disso, você não parecia tão mal no meu escritório quando eu te beijei, nem no carro quando deixou sua saia levantada o caminho inteiro pra eu olhar, nem agora há pouco quando você encharcou meus dedos com essa sua buceta escorrendo" – ele disse levando os dedos ao nariz, Maria baixou o olhar envergonhada – "mmm… seu cheiro me enlouquece…" – ele chupou os dedos devagar – "e seu sabor, amor, é delicioso" – Maria corou sem conseguir evitar, ouviu a risada com que Roberto recebeu a imagem de suas bochechas vermelhas, de repente ele ficou sério de novo – "Olha, Maria, acaba logo com essas dúvidas que te fazem balançar de um lado pro outro, decide de uma vez o que você quer e age de acordo, nunca sei se você vai me tratar como amigo ou como estuprador e já tô de saco cheio desses seus surtos de decência, primeiro me esquenta e depois age feito freira, piranha! Você já tomou uma decisão há muito tempo, para de vacilar de uma vez."
Ele soltou o braço dela e foi em direção ao restaurante, Maria se virou pra rua pra pegar um táxi, mas Roberto deve ter pensado melhor e voltou pra onde ela estava, ela se assustou ao sentir ele agarrar o braço dela de novo, forte, dominador.
"Não, Maria, isso não vai ficar assim, você não pode me deixar na mão na frente do Colégio. Foda-se dez minutos, inventa uma desculpa convincente, diz que foi alarme falso, o que você quiser, mas em dez minutos eu quero você de volta aqui dentro, lutando pelo acordo, a gente quase conseguiu, e é essencial que suas tetas estejam lá, na frente deles pra eles cederem de vez, entendeu? Se não fizer isso, a gente perde e se perder… você que sabe" – o tom grosseiro dele deixou ela sem palavras, Roberto soltou ela com violência e entrou.
Maria estava arrasada, teria chorado ali mesmo, acabava de perceber o erro que tinha cometido cedendo um pouco mais a cada dia até chegar nessa situação. Ela lembrou o No dia em que ele ofereceu o apartamento, se naquela tarde ela tivesse colocado ele no lugar dele, talvez não tivesse perdido a promoção e agora não estaria nessa situação. Ela avaliou a opção de ir embora e pedir demissão, não demoraria muito para arrumar outro emprego. Mas não era isso que ela queria, seria recomeçar do zero quando aqui já tinha tudo praticamente ao alcance das mãos. Já tinha passado, ela tinha dito claramente para ele não tentar de novo nunca mais, talvez fosse hora de pensar com calma e não se precipitar.
Dez minutos depois, Roberto a viu entrar pela porta do salão de jantar, se levantou fingindo surpresa e os outros se levantaram para recebê-la.
"Tudo bem?" – disse ele pegando na mão dela, Maria parecia serena, como se a tempestade que a tinha sacudido minutos antes nunca tivesse existido.
"Sim, tudo bem, liguei de novo e me disseram que foi só um susto."
"Te agradeço muito por ter voltado, estávamos falando exatamente agora sobre as últimas mudanças que devemos fazer na redação do artigo para tirar qualquer tom publicitário."
Ela se sentou de novo ao lado dele, pronta para enfrentar um novo ataque, mas o resto do tempo depois do almoço passou num tom totalmente profissional. Ela pensou que tinha acertado ao voltar, Roberto tinha agido mal, mas talvez não devesse ter protagonizado aquela escapada que não tinha certeza se tinha justificado de forma convincente para os membros do Colégio, devia ter tentado outro jeito de pará-lo sem provocar aquela fuga.
Saíram do restaurante com o acordo estabelecido, já eram cinco da tarde e Maria preparou um argumento para evitar voltar ao escritório; Roberto se adiantou.
"Vamos voltar, temos que fechar isso hoje mesmo" – o tom dele não deixava dúvidas, caminharam até a garagem e fizeram todo o caminho de volta em silêncio.
Ao chegar no escritório, Maria foi para a sala dela.
"Te espero em meia hora" – ouviu Roberto dizer pelas costas.
Trancada na sala dela, começou a Avaliando tudo o que tinha acontecido, ela se sentia serena, com uma estranha calma que pressagiava momentos de desespero futuros, quando conseguisse romper aquela barreira protetora que sua psique lhe dava para não afundar. Lembrou que tinha silenciado o celular no começo da refeição e viu que tinha várias chamadas perdidas, duas minhas, três do Pablo. Discou o número do Pablo, precisava falar com ele antes de falar comigo, comigo sentiria remorso e vergonha, com ele tudo era um oásis onde se refugiar e esquecer, mesmo que fosse só por uns momentos. "Oi, gostosa, achei que não queria falar comigo" – a voz alegre dele a acalmou como se fosse um bálsamo. "Nada disso, tive um almoço de trabalho" Conversaram sobre coisas banais, exatamente o que Maria precisava, esgotou a meia hora que tinha se esquivando do que a esperava e mergulhando no prazer que o Pablo lhe dava. "Tô morrendo de vontade de te beijar de novo, não vou conseguir evitar, sabe que quando te ver, a primeira coisa que vou fazer é procurar sua boca, sabe disso, né?" – Maria estava exausta de tanto lutar, a pressão do Pablo era tão diferente.. "Você é um louco" "Fala pra eu não ir se não quiser que eu faça, mas se eu for, não vou conseguir evitar, não daria pra ficar do seu lado sem provar sua boca de novo" Queria vê-lo, precisava vê-lo, era o refúgio onde queria esquecer tudo aquilo, com ele não teria remorso nem culpa, só se deixaria acariciar pelas palavras dele, pelas mãos dele e sim: sabia que cederia aos beijos dele. "Só faltam dois dias, menina, daqui a dois dias vou me sentir naufragando nos seus olhos de novo" Era embriagador, ela se sentia adorada, seduzida, bem o contrário do que sentia com o Roberto. Na hora marcada, entrou no escritório do Roberto, tinha as ideias muito claras sobre o que queria propor. Ele estava de pé ao lado da estante consultando um volume. Maria parou depois de fechar a porta, nenhum dos dois disse uma palavra, Roberto olhou sério para ela, depois largou o livro. No lugar disso, ele avançou em direção a ela.
"Espero que uma situação como a de hoje não se repita, Maria. Você não pode sair correndo no meio de uma reunião tão importante pra nós como essa."
"Você não devia ter agido daquele jeito, não era nem o momento, nem o lugar certo" — Maria tentou esclarecer a ambiguidade que deixou na frase — "nem é esse o meu desejo. Foi algo intolerável que espero que nunca mais se repita. A única razão pela qual vim aqui foi pra ouvir um pedido de desculpas."
Ela o encarava com altivez, estava serena, mas distante. Não estava pronta pra desistir, sabia que devia, mas se sentia incapaz de perder aquela oportunidade. Tentava estabelecer limites e, se tivesse que se submeter de novo aos seus apalpões, pelo menos faria isso sem perder a dignidade e deixando claro a linha que não permitiria que ele cruzasse. Roberto percebeu aquele tom de superioridade fria.
"Olha, Maria, por muitos anos você me olhou exatamente como está olhando agora, como se fosse melhor do que eu, mais íntegra, mais decente… eu aguentei isso e até tentei me aproximar de você, mas sempre encontrei esse muro de superioridade fria e distante, como se estivesse me fazendo um favor ao dignar-se a falar comigo" — ele andou ao redor dela — "eu via como você olhava pras garotas que faziam exatamente o que você está fazendo agora, nem mais, nem menos: tentar subir na vida. Você olhava pra elas como se fossem umas coitadas. Os outros, hipócritas, me invejavam, mas olhavam pra elas como se fossem umas putas. Você não. Você as julgava do seu pedestal, como se estivessem traindo o gênero feminino, como se fossem fracas, exatamente o contrário do que você se acha." — ele parou na frente dela, o rosto sério, duro.
"Viu só como as coisas são? Agora você está seguindo o mesmo caminho delas, e aposto que é a sua própria autocrítica que te faz dar esses vai e vem que me desconcertam. Acho que você se tornou seu pior juiz, tô certo?" — Maria desviou o olhar e não respondeu.
"E agora ainda tenho que aturar suas mudanças de humor. —Por critério, primeiro você me deixa te acariciar, até parece que quer, depois me olha como se eu estivesse te forçando, me deixa te beijar e me afasta ofendida como se não tivesse percebido o que está fazendo. Para com isso pelo amor de Deus, não seja ridícula!
Maria ouvia sem acreditar no que estava escutando, não podia permitir que ele a tratasse daquele jeito.
—Não tenho por que aguentar que me… — Roberto virou-se bruscamente para ela.
—Exatamente, não tem por que aguentar, mas a realidade é que você está aqui, se fazendo de difícil pra acalmar seus preconceitos, mas aguentando, engolindo o que for preciso pra não perder seu apartamento, seu escritório chique… então não se faça de digna, Maria. Você e eu sabemos o que você quer e o que está disposta a pagar pra conseguir.
Maria ficou muda, não estava preparada para ouvir alguém falar naquele tom. Era a hora de sair dali, porque se ficasse, não teria mais espaço para protestos. Teve a clara intenção de se virar e abandonar o escritório, mas a voz de Roberto a deteve.
—Antes você me avisou pra não te tratar como uma das minhas putas… — ele aproximou o rosto do dela, e Maria baixou o olhar novamente. —Desculpa, gata, mas você já é uma delas. Uma puta de verdade. — Ela o encarou furiosa, e Roberto colocou um dedo na boca dela, mandando-a calar a boca.
—Te ofereci a promoção e você não demorou nem um minuto pra me deixar acariciar suas coxas, lembra? Foi sua primeira venda. Não foi fácil, eu sei, mas você superou. Foi abaixando a bola e pagando com pequenas concessões os grandes presentes que fui te dando. Você não foi justa e sabe disso, mas fui paciente com você. Sei que não gosta do que faz, mas não está disposta a perder o que te ofereço, não é?
Ela não respondeu. Roberto fez um gesto de interrogação, mas Maria manteve o olhar altivo e não abriu a boca. Ele pareceu se irritar, então lançou um desafio: colocou a mão no decote dela e acariciou, sorrindo diante da passividade dela.
—Não é? repetiu, ela sustentou o olhar, Roberto enfiou a mão entre os peitos dela e de novo parou esperando alguma reação, Maria não ia se mostrar assustada, ele não ia conseguir, manteve o olhar frio e desprezador, então Roberto moveu a mão e deslizou por dentro do sutiã até agarrar o peito direito dela, Maria se assustou ao sentir o toque dos dedos no mamilo – "Viu como você não tá disposta a abrir mão?" – desafiou de novo e mais uma vez Maria hesitou, o tempo jogou contra ela, deixou os segundos passarem sem reagir. – "Tá vendo?" – Tirou a mão bruscamente e se afastou dela – "cai na real, você é uma puta e não vou tolerar mais nenhuma humilhação, que fique bem claro" – de repente se virou e se aproximou com passo firme até ficar quase colado na cara dela. A própria irritação e a passividade de Maria o encorajavam. Talvez a carga de excitação que ele vinha acumulando ao longo do dia fosse a responsável por ele agir daquele jeito.
"Quanto você acha que vale seu escritório novo? umas carícias bestas, um beijo na boca? não sabe? Vou te dizer"
Desabotoou um botão do vestido dela, Maria não moveu um músculo do rosto, o olhar dela mostrava um desprezo total, Roberto soltou o segundo, depois o terceiro e parou desafiando ela; Maria não ia se assustar, não esperava que Roberto fosse capaz de ir mais longe, ele tava blefando, só esperava que ela vacilasse; Depois de uma pausa curta desabotoou o último botão, na altura da cintura dela, Maria olhava nos olhos dele com frieza, com altivez, tava preparada pra aquilo, tinha imaginado que passaria por algo assim naquela tarde e tava decidida a fazer sem perder a dignidade, sem se curvar, sem se assustar diante dele, convencida de que se mantivesse firme seria ele quem recuaria.
"Maldita orgulhosa!"
Sem nenhum cuidado soltou o gancho do sutiã, agia sem pressa, olhando nos olhos dela, esperando um passo pra trás, um pedido, mas Maria se manteve firme. Altiva, não acreditava que ele fosse capaz, tinha certeza de que não teria coragem; seu orgulho ferido pesava mais que seu pudor. As taças tinham saltado e ela sentiu pelo frio na pele que a haviam deixado ainda mais nua do que da vez anterior. Roberto olhou para ela, alternando entre os olhos e os peitos. A expressão de Maria não mudou; se ele esperava ver medo ou súplica, só encontrou frieza. Despeitado, ele pegou as taças entreabertas e as arrastou junto com o vestido, puxando-o de uma vez até a metade dos braços dela. Maria nunca imaginou que ele iria tão longe, mas tirou forças do seu desprezo e ficou nua diante dele, sem baixar o olhar, sem piscar, paralisada, como se o tempo tivesse parado. Sua cabeça funcionava a mil, pensou em sustentar o olhar dele por mais um segundo e se vestir antes de sair da sala dizendo que estava pedindo demissão, pensou em denunciá-lo ao Andrés. Sua serenidade exterior era só uma muralha escondendo seu desassossego, não esperava tanto e tão rápido, o frio no corpo gritava que estava nua diante de Roberto, queria fugir, se cobrir e sair dali, sua respiração ofegante erguia seus peitos nus, que eram o foco da atenção de Roberto. Mas ela não se mexeu, o tempo pareceu parar, ela se concentrou numa única fração de segundo. Aguentou imóvel, sem se dar por vencida, sem baixar a vista. Tinha esperança de que Roberto se acalmasse e desse por encerrada sua humilhação. "Esse é o preço que você tem que pagar pelo seu novo escritório" – ele acariciou os peitos dela, rodeou os mamilos com a ponta dos polegares, e eles reagiram rápido, ficando duros e pontudos, que Roberto continuou tocando, ora com um dedo, ora apertando com dois. Maria sentiu de novo a umidade brotar na sua buceta e uma excitação crescente e incontrolável que ela rejeitava mas não conseguia evitar. Até quando isso ia durar? Até onde ela aguentaria sem se curvar? "Você não precisa aguentar isso, Maria, não era o que você dizia?" – ele não parava de olhar pra ela enquanto continuava acariciando os peitos dela, ela sustentou o olhar dele, ele a pegou pela cintura, puxou pra perto e beijou ela na boca, ela se deixou fazer como uma boneca inerte, ficou hirta, distante, inacessível apesar de se entregar.
Roberto estava nervoso, a segurança da María, a aparente serenidade dela diante do abuso dele deixava ele exposto pra si mesmo, ele se inclinou até alcançar com a boca um dos mamilos dela, María fechou os olhos por um instante ao sentir os dentes dele apertando de leve, depois a língua dele começou a lamber, provocando nela sensações contra as quais ela não conseguia lutar. Ele se ergueu, estava visivelmente alterado e muito nervoso, — "E agora?" — repetia sem parar enquanto as mãos dele percorriam o corpo dela, pulando de um lugar pra outro sem pausa.
María estava travada, se sentia incapaz de reagir, o corpo dela não obedecia ao impulso de se cobrir e sair dali, era como um pesadelo em que ela se movia em câmera lenta enquanto as coisas ao redor aconteciam com uma agilidade que superava a capacidade de reação dela.
Mesmo assim, parecia serena enquanto olhava nos olhos dele, agora era ele quem desviava o olhar e evitava encará-la; ele a pegou pelos braços e, de um só golpe, terminou de tirar as mangas e as alças do sutiã, que caiu no chão, os peitos dela vibraram com o movimento brusco, o vestido ficou suspenso na cintura dela. Roberto se ergueu e olhou pra ela, — "Cadê sua carta de demissão?" — María se mantinha como uma estátua de gelo, sem desviar o olhar, mas com um frio glacial no dela.
Por dentro, ela estava prestes a desmoronar, percebia que a estratégia dela tinha sido um erro, estava num beco sem saída, de que adiantava resistir se ela tava deixando ele fazer o que quisesse com ela, se não saía dali, se deixava ser despida? Que tipo de dignidade era aquela que ela achava que tava defendendo com essa atitude?
— "Nem assim você desce do seu trono, sua orgulhosa do caralho"
Ele avançou rápido até a mesa dela e Ela remexeu algo impaciente, jogando alguns papéis no chão, até que finalmente se aproximou com um documento na mão.
"E isso, me diz qual é o seu preço por isso?"
Maria não desviou o olhar, continuou encarando ele com desprezo. Roberto colocou o papel na frente do rosto dela, era a tabela salarial para o ano 2000, os dados dela estavam destacados com marcador fluorescente.
"Três milhões, Maria, três milhões de pesetas de aumento, vaga de estacionamento, benefícios… e você nem viu a tabela de incentivos, te equiparo aos sócios, porra!" – Ele jogou o papel no chão com raiva – "Quanto você está disposta a me pagar por isso?"
Estavam frente a frente, quase se tocando, se olhando nos olhos, nenhum dos dois parecia ceder, ela lançando seu desprezo, mas atordoada pelo que acabara de ouvir, ele com o olhar carregado de raiva.
"Porra!" – De repente, ele colocou as mãos na cintura dela e, com um puxão, fez o vestido descer até passar pelos quadris e cair no chão.
Maria cambaleou com a brusquidão com que foi despojada do vestido, pela primeira vez sentiu medo, se sentiu em perigo. A calcinha dela foi arrastada por aquele gesto rápido e ficou abaixo do púbis, com o lado esquerdo mais caído e a parte de trás abaixo da bunda, ela estava praticamente nua, pior ainda: a calcinha meio abaixada a fazia se sentir mais humilhada. As sensações que chegavam do corpo dela indicavam que até a peça tinha se separado da buceta e pendia entre as pernas, sentiu uma das meias perder a sustentação e deslizar lentamente pela coxa. Era muito pior do que estar nua.
Roberto deve ter ficado impactado pelo erotismo da cena: Erguida e orgulhosa, em cima dos saltos de 12 cm como se fossem um pedestal, com a juba caindo sobre os ombros nus e os peitos se erguendo pela respiração ofegante, a barriga lisa e firme marcando os abdominais pela tensão que estava sentindo, e a Púbis que aparecia por baixo da calcinha caída, deixando ver uma estreita faixa de pelos e mostrando o bronzeado total da pele, os braços estendidos ao longo do corpo, uma mão apoiada na coxa, como se tivesse parado no meio do caminho para esconder a buceta, a outra mal roçando nela com um dedo, como se aquele ponto de contato lhe desse segurança, e suas pernas longuíssimas enfiadas naquelas meias; A calcinha meio abaixada e a meia caída quase até o joelho deviam ter dado um puta componente erótico ao conjunto.
Por uns segundos ele ficou paralisado olhando pra ela enquanto Maria tentava não desabar, viu ele se aproximar e temeu o pior. Por que não fugia? Por que estava reagindo assim?
Roberto colocou as mãos nos ombros dela, queria sentir o toque, desceu pelas clavículas até os peitos, seguiu pelas laterais, acariciou a barriga dura e viajou até os glúteos. Segurou ela pelas nádegas puxando pra baixo a calcinha que estragava a sensação de nudez, apertou e o corpo de Maria, como se não tivesse vida, se moveu em direção a ele dando dois passos curtos, pisou no vestido e sem pensar chutou ele pra longe, Roberto roçou os pelos que apareciam por baixo da calcinha, com decisão enfiou a mão pelo buraco que a peça deixava e agarrou a buceta dela com a palma, forçando ela a abrir as pernas pra admitir a mão intrusa que avançava sem parar, ela pareceu perder o equilíbrio e ficou com um pé apoiando só na ponta dos dedos, com as costas arqueadas pra trás como se quisesse fugir, prisioneira e acorrentada pelo rabo e pela buceta nas mãos do estuprador. Maria vivia aquele momento meio numa névoa que filtrava a visão, sentindo uma febre estranha que adormecia os sentidos e dava um ar de irrealidade.
Os olhares estavam cravados, Maria não se mexia mas a expressão tinha mudado, havia surpresa nos olhos dela, talvez medo. Roberto mexia o dedo do meio como se fosse uma cobra ao longo da buceta dela, abrindo caminho até a... interior, forçando seus lábios a se separarem e darem abrigo, sua respiração soava nos ouvidos de Maria como se fosse um animal selvagem; incomodou-a o contato da calcinha em sua mão e ele a puxou para baixo com urgência até a metade da coxa, depois subiu a mão que mantinha em suas nádegas por suas costas e a puxou para si, seus peitos ficaram colados em sua camisa, ele a beijou, beijou uma boca morta, paralisada.
Maria não sentia nada, estava fora do corpo, distante, sentia-se uma observadora de uma cena alheia a ela, sem emoções, sem sensações, notava aqueles dedos se movendo entre seus lábios, deslizando por eles e a única coisa que sentia era a instabilidade de sua postura, aquela mão em sua buceta a obrigava a abrir as pernas, Roberto colocou um pé entre os dela e bateu no sapato para fora, forçando-a a separar as pernas e fazendo-a perder o equilíbrio, apertou-a contra si para não deixá-la cair, a calcinca na metade da coxa esticava-se cravando em sua carne, essas sensações predominavam sobre as que nasciam do contato dos dedos entre seus lábios, roçando sua intimidade.
Maria não conseguiu reprimir um gemido quando sentiu dois dedos se enterrarem dentro dela, instintivamente levantou os braços e os apoiou no peito de Roberto, suas mãos tremiam crispadas.
Ao ouvi-la, ele separou a boca dela. Maria tinha os olhos fechados e um ricto de dor contraía seu rosto; Roberto começou a balançar a cabeça, negando fortemente algo que fervilhava em sua mente, de repente a soltou e se afastou dando grandes passos pela sala, de um lado para o outro.
Parou na frente dela. Maria havia se recuperado e fazia esforços vãos para parecer fria e inexpressiva, suas bochechas tinham adquirido uma cor intensa.
"Você seria capaz de se deixar foder só para conseguir seu cargo e ainda assim continuaria com essa expressão de dignidade e desprezo, como se os outros fossem uns desgraçados e você... você estivesse acima de nós" – a raiva havia desaparecido de sua expressão, ele se afastou alguns passos. Mas que buceta que eu tô fazendo!..." – parecia falar sozinho, virou-se de novo pra ela – "Parabéns, você conseguiu tirar o pior de mim..." – continuou andando pela sala, parou e olhou pra ela – "...mas não sou um estuprador, não, não sou tão filho da puta quanto você pensa. Nunca, jamais antes tinha..." – seguiu andando, se torturando, sem terminar as frases – "...não tô tão desesperado por uma foda pra cair tão baixo, não vai me humilhar de novo, por mais gostosa que você seja, por mais que eu te deseje..." – parou na frente dela, agora eram os olhos dele que mostravam desprezo – "Você é uma puta, pior que uma puta" – se abaixou, pegou a roupa da Maria e jogou com violência nos braços dela, assustando-a, o sutiã caiu no chão – "Sai daqui!, some!, agora!"
Maria não acreditava que aquele pesadelo tinha acabado, devagar pra não tremer pegou o sutiã do chão e começou a se vestir, Roberto tinha virado de costas e se apoiava inclinado na mesa dela, ela se sentia absurdamente serena, exceto pelo tremor das mãos não sentia nada; se vestiu devagar pra controlar as mãos, de costas pra ele, sentindo como a humilhação tão brutal que acabara de aguentar começava a derrubar suas defesas; depois saiu do escritório, passou rapidamente pelo dela, pegou suas coisas e foi pra rua.
Só quando chegou nos jardins do nosso condomínio que ela desabou a chorar.
Ele soltou o braço dela e foi em direção ao restaurante, Maria se virou pra rua pra pegar um táxi, mas Roberto deve ter pensado melhor e voltou pra onde ela estava, ela se assustou ao sentir ele agarrar o braço dela de novo, forte, dominador.
"Não, Maria, isso não vai ficar assim, você não pode me deixar na mão na frente do Colégio. Foda-se dez minutos, inventa uma desculpa convincente, diz que foi alarme falso, o que você quiser, mas em dez minutos eu quero você de volta aqui dentro, lutando pelo acordo, a gente quase conseguiu, e é essencial que suas tetas estejam lá, na frente deles pra eles cederem de vez, entendeu? Se não fizer isso, a gente perde e se perder… você que sabe" – o tom grosseiro dele deixou ela sem palavras, Roberto soltou ela com violência e entrou.
Maria estava arrasada, teria chorado ali mesmo, acabava de perceber o erro que tinha cometido cedendo um pouco mais a cada dia até chegar nessa situação. Ela lembrou o No dia em que ele ofereceu o apartamento, se naquela tarde ela tivesse colocado ele no lugar dele, talvez não tivesse perdido a promoção e agora não estaria nessa situação. Ela avaliou a opção de ir embora e pedir demissão, não demoraria muito para arrumar outro emprego. Mas não era isso que ela queria, seria recomeçar do zero quando aqui já tinha tudo praticamente ao alcance das mãos. Já tinha passado, ela tinha dito claramente para ele não tentar de novo nunca mais, talvez fosse hora de pensar com calma e não se precipitar.
Dez minutos depois, Roberto a viu entrar pela porta do salão de jantar, se levantou fingindo surpresa e os outros se levantaram para recebê-la.
"Tudo bem?" – disse ele pegando na mão dela, Maria parecia serena, como se a tempestade que a tinha sacudido minutos antes nunca tivesse existido.
"Sim, tudo bem, liguei de novo e me disseram que foi só um susto."
"Te agradeço muito por ter voltado, estávamos falando exatamente agora sobre as últimas mudanças que devemos fazer na redação do artigo para tirar qualquer tom publicitário."
Ela se sentou de novo ao lado dele, pronta para enfrentar um novo ataque, mas o resto do tempo depois do almoço passou num tom totalmente profissional. Ela pensou que tinha acertado ao voltar, Roberto tinha agido mal, mas talvez não devesse ter protagonizado aquela escapada que não tinha certeza se tinha justificado de forma convincente para os membros do Colégio, devia ter tentado outro jeito de pará-lo sem provocar aquela fuga.
Saíram do restaurante com o acordo estabelecido, já eram cinco da tarde e Maria preparou um argumento para evitar voltar ao escritório; Roberto se adiantou.
"Vamos voltar, temos que fechar isso hoje mesmo" – o tom dele não deixava dúvidas, caminharam até a garagem e fizeram todo o caminho de volta em silêncio.
Ao chegar no escritório, Maria foi para a sala dela.
"Te espero em meia hora" – ouviu Roberto dizer pelas costas.
Trancada na sala dela, começou a Avaliando tudo o que tinha acontecido, ela se sentia serena, com uma estranha calma que pressagiava momentos de desespero futuros, quando conseguisse romper aquela barreira protetora que sua psique lhe dava para não afundar. Lembrou que tinha silenciado o celular no começo da refeição e viu que tinha várias chamadas perdidas, duas minhas, três do Pablo. Discou o número do Pablo, precisava falar com ele antes de falar comigo, comigo sentiria remorso e vergonha, com ele tudo era um oásis onde se refugiar e esquecer, mesmo que fosse só por uns momentos. "Oi, gostosa, achei que não queria falar comigo" – a voz alegre dele a acalmou como se fosse um bálsamo. "Nada disso, tive um almoço de trabalho" Conversaram sobre coisas banais, exatamente o que Maria precisava, esgotou a meia hora que tinha se esquivando do que a esperava e mergulhando no prazer que o Pablo lhe dava. "Tô morrendo de vontade de te beijar de novo, não vou conseguir evitar, sabe que quando te ver, a primeira coisa que vou fazer é procurar sua boca, sabe disso, né?" – Maria estava exausta de tanto lutar, a pressão do Pablo era tão diferente.. "Você é um louco" "Fala pra eu não ir se não quiser que eu faça, mas se eu for, não vou conseguir evitar, não daria pra ficar do seu lado sem provar sua boca de novo" Queria vê-lo, precisava vê-lo, era o refúgio onde queria esquecer tudo aquilo, com ele não teria remorso nem culpa, só se deixaria acariciar pelas palavras dele, pelas mãos dele e sim: sabia que cederia aos beijos dele. "Só faltam dois dias, menina, daqui a dois dias vou me sentir naufragando nos seus olhos de novo" Era embriagador, ela se sentia adorada, seduzida, bem o contrário do que sentia com o Roberto. Na hora marcada, entrou no escritório do Roberto, tinha as ideias muito claras sobre o que queria propor. Ele estava de pé ao lado da estante consultando um volume. Maria parou depois de fechar a porta, nenhum dos dois disse uma palavra, Roberto olhou sério para ela, depois largou o livro. No lugar disso, ele avançou em direção a ela.
"Espero que uma situação como a de hoje não se repita, Maria. Você não pode sair correndo no meio de uma reunião tão importante pra nós como essa."
"Você não devia ter agido daquele jeito, não era nem o momento, nem o lugar certo" — Maria tentou esclarecer a ambiguidade que deixou na frase — "nem é esse o meu desejo. Foi algo intolerável que espero que nunca mais se repita. A única razão pela qual vim aqui foi pra ouvir um pedido de desculpas."
Ela o encarava com altivez, estava serena, mas distante. Não estava pronta pra desistir, sabia que devia, mas se sentia incapaz de perder aquela oportunidade. Tentava estabelecer limites e, se tivesse que se submeter de novo aos seus apalpões, pelo menos faria isso sem perder a dignidade e deixando claro a linha que não permitiria que ele cruzasse. Roberto percebeu aquele tom de superioridade fria.
"Olha, Maria, por muitos anos você me olhou exatamente como está olhando agora, como se fosse melhor do que eu, mais íntegra, mais decente… eu aguentei isso e até tentei me aproximar de você, mas sempre encontrei esse muro de superioridade fria e distante, como se estivesse me fazendo um favor ao dignar-se a falar comigo" — ele andou ao redor dela — "eu via como você olhava pras garotas que faziam exatamente o que você está fazendo agora, nem mais, nem menos: tentar subir na vida. Você olhava pra elas como se fossem umas coitadas. Os outros, hipócritas, me invejavam, mas olhavam pra elas como se fossem umas putas. Você não. Você as julgava do seu pedestal, como se estivessem traindo o gênero feminino, como se fossem fracas, exatamente o contrário do que você se acha." — ele parou na frente dela, o rosto sério, duro.
"Viu só como as coisas são? Agora você está seguindo o mesmo caminho delas, e aposto que é a sua própria autocrítica que te faz dar esses vai e vem que me desconcertam. Acho que você se tornou seu pior juiz, tô certo?" — Maria desviou o olhar e não respondeu.
"E agora ainda tenho que aturar suas mudanças de humor. —Por critério, primeiro você me deixa te acariciar, até parece que quer, depois me olha como se eu estivesse te forçando, me deixa te beijar e me afasta ofendida como se não tivesse percebido o que está fazendo. Para com isso pelo amor de Deus, não seja ridícula!
Maria ouvia sem acreditar no que estava escutando, não podia permitir que ele a tratasse daquele jeito.
—Não tenho por que aguentar que me… — Roberto virou-se bruscamente para ela.
—Exatamente, não tem por que aguentar, mas a realidade é que você está aqui, se fazendo de difícil pra acalmar seus preconceitos, mas aguentando, engolindo o que for preciso pra não perder seu apartamento, seu escritório chique… então não se faça de digna, Maria. Você e eu sabemos o que você quer e o que está disposta a pagar pra conseguir.
Maria ficou muda, não estava preparada para ouvir alguém falar naquele tom. Era a hora de sair dali, porque se ficasse, não teria mais espaço para protestos. Teve a clara intenção de se virar e abandonar o escritório, mas a voz de Roberto a deteve.
—Antes você me avisou pra não te tratar como uma das minhas putas… — ele aproximou o rosto do dela, e Maria baixou o olhar novamente. —Desculpa, gata, mas você já é uma delas. Uma puta de verdade. — Ela o encarou furiosa, e Roberto colocou um dedo na boca dela, mandando-a calar a boca.
—Te ofereci a promoção e você não demorou nem um minuto pra me deixar acariciar suas coxas, lembra? Foi sua primeira venda. Não foi fácil, eu sei, mas você superou. Foi abaixando a bola e pagando com pequenas concessões os grandes presentes que fui te dando. Você não foi justa e sabe disso, mas fui paciente com você. Sei que não gosta do que faz, mas não está disposta a perder o que te ofereço, não é?
Ela não respondeu. Roberto fez um gesto de interrogação, mas Maria manteve o olhar altivo e não abriu a boca. Ele pareceu se irritar, então lançou um desafio: colocou a mão no decote dela e acariciou, sorrindo diante da passividade dela.
—Não é? repetiu, ela sustentou o olhar, Roberto enfiou a mão entre os peitos dela e de novo parou esperando alguma reação, Maria não ia se mostrar assustada, ele não ia conseguir, manteve o olhar frio e desprezador, então Roberto moveu a mão e deslizou por dentro do sutiã até agarrar o peito direito dela, Maria se assustou ao sentir o toque dos dedos no mamilo – "Viu como você não tá disposta a abrir mão?" – desafiou de novo e mais uma vez Maria hesitou, o tempo jogou contra ela, deixou os segundos passarem sem reagir. – "Tá vendo?" – Tirou a mão bruscamente e se afastou dela – "cai na real, você é uma puta e não vou tolerar mais nenhuma humilhação, que fique bem claro" – de repente se virou e se aproximou com passo firme até ficar quase colado na cara dela. A própria irritação e a passividade de Maria o encorajavam. Talvez a carga de excitação que ele vinha acumulando ao longo do dia fosse a responsável por ele agir daquele jeito.
"Quanto você acha que vale seu escritório novo? umas carícias bestas, um beijo na boca? não sabe? Vou te dizer"
Desabotoou um botão do vestido dela, Maria não moveu um músculo do rosto, o olhar dela mostrava um desprezo total, Roberto soltou o segundo, depois o terceiro e parou desafiando ela; Maria não ia se assustar, não esperava que Roberto fosse capaz de ir mais longe, ele tava blefando, só esperava que ela vacilasse; Depois de uma pausa curta desabotoou o último botão, na altura da cintura dela, Maria olhava nos olhos dele com frieza, com altivez, tava preparada pra aquilo, tinha imaginado que passaria por algo assim naquela tarde e tava decidida a fazer sem perder a dignidade, sem se curvar, sem se assustar diante dele, convencida de que se mantivesse firme seria ele quem recuaria.
"Maldita orgulhosa!"
Sem nenhum cuidado soltou o gancho do sutiã, agia sem pressa, olhando nos olhos dela, esperando um passo pra trás, um pedido, mas Maria se manteve firme. Altiva, não acreditava que ele fosse capaz, tinha certeza de que não teria coragem; seu orgulho ferido pesava mais que seu pudor. As taças tinham saltado e ela sentiu pelo frio na pele que a haviam deixado ainda mais nua do que da vez anterior. Roberto olhou para ela, alternando entre os olhos e os peitos. A expressão de Maria não mudou; se ele esperava ver medo ou súplica, só encontrou frieza. Despeitado, ele pegou as taças entreabertas e as arrastou junto com o vestido, puxando-o de uma vez até a metade dos braços dela. Maria nunca imaginou que ele iria tão longe, mas tirou forças do seu desprezo e ficou nua diante dele, sem baixar o olhar, sem piscar, paralisada, como se o tempo tivesse parado. Sua cabeça funcionava a mil, pensou em sustentar o olhar dele por mais um segundo e se vestir antes de sair da sala dizendo que estava pedindo demissão, pensou em denunciá-lo ao Andrés. Sua serenidade exterior era só uma muralha escondendo seu desassossego, não esperava tanto e tão rápido, o frio no corpo gritava que estava nua diante de Roberto, queria fugir, se cobrir e sair dali, sua respiração ofegante erguia seus peitos nus, que eram o foco da atenção de Roberto. Mas ela não se mexeu, o tempo pareceu parar, ela se concentrou numa única fração de segundo. Aguentou imóvel, sem se dar por vencida, sem baixar a vista. Tinha esperança de que Roberto se acalmasse e desse por encerrada sua humilhação. "Esse é o preço que você tem que pagar pelo seu novo escritório" – ele acariciou os peitos dela, rodeou os mamilos com a ponta dos polegares, e eles reagiram rápido, ficando duros e pontudos, que Roberto continuou tocando, ora com um dedo, ora apertando com dois. Maria sentiu de novo a umidade brotar na sua buceta e uma excitação crescente e incontrolável que ela rejeitava mas não conseguia evitar. Até quando isso ia durar? Até onde ela aguentaria sem se curvar? "Você não precisa aguentar isso, Maria, não era o que você dizia?" – ele não parava de olhar pra ela enquanto continuava acariciando os peitos dela, ela sustentou o olhar dele, ele a pegou pela cintura, puxou pra perto e beijou ela na boca, ela se deixou fazer como uma boneca inerte, ficou hirta, distante, inacessível apesar de se entregar.
Roberto estava nervoso, a segurança da María, a aparente serenidade dela diante do abuso dele deixava ele exposto pra si mesmo, ele se inclinou até alcançar com a boca um dos mamilos dela, María fechou os olhos por um instante ao sentir os dentes dele apertando de leve, depois a língua dele começou a lamber, provocando nela sensações contra as quais ela não conseguia lutar. Ele se ergueu, estava visivelmente alterado e muito nervoso, — "E agora?" — repetia sem parar enquanto as mãos dele percorriam o corpo dela, pulando de um lugar pra outro sem pausa.
María estava travada, se sentia incapaz de reagir, o corpo dela não obedecia ao impulso de se cobrir e sair dali, era como um pesadelo em que ela se movia em câmera lenta enquanto as coisas ao redor aconteciam com uma agilidade que superava a capacidade de reação dela.
Mesmo assim, parecia serena enquanto olhava nos olhos dele, agora era ele quem desviava o olhar e evitava encará-la; ele a pegou pelos braços e, de um só golpe, terminou de tirar as mangas e as alças do sutiã, que caiu no chão, os peitos dela vibraram com o movimento brusco, o vestido ficou suspenso na cintura dela. Roberto se ergueu e olhou pra ela, — "Cadê sua carta de demissão?" — María se mantinha como uma estátua de gelo, sem desviar o olhar, mas com um frio glacial no dela.
Por dentro, ela estava prestes a desmoronar, percebia que a estratégia dela tinha sido um erro, estava num beco sem saída, de que adiantava resistir se ela tava deixando ele fazer o que quisesse com ela, se não saía dali, se deixava ser despida? Que tipo de dignidade era aquela que ela achava que tava defendendo com essa atitude?
— "Nem assim você desce do seu trono, sua orgulhosa do caralho"
Ele avançou rápido até a mesa dela e Ela remexeu algo impaciente, jogando alguns papéis no chão, até que finalmente se aproximou com um documento na mão.
"E isso, me diz qual é o seu preço por isso?"
Maria não desviou o olhar, continuou encarando ele com desprezo. Roberto colocou o papel na frente do rosto dela, era a tabela salarial para o ano 2000, os dados dela estavam destacados com marcador fluorescente.
"Três milhões, Maria, três milhões de pesetas de aumento, vaga de estacionamento, benefícios… e você nem viu a tabela de incentivos, te equiparo aos sócios, porra!" – Ele jogou o papel no chão com raiva – "Quanto você está disposta a me pagar por isso?"
Estavam frente a frente, quase se tocando, se olhando nos olhos, nenhum dos dois parecia ceder, ela lançando seu desprezo, mas atordoada pelo que acabara de ouvir, ele com o olhar carregado de raiva.
"Porra!" – De repente, ele colocou as mãos na cintura dela e, com um puxão, fez o vestido descer até passar pelos quadris e cair no chão.
Maria cambaleou com a brusquidão com que foi despojada do vestido, pela primeira vez sentiu medo, se sentiu em perigo. A calcinha dela foi arrastada por aquele gesto rápido e ficou abaixo do púbis, com o lado esquerdo mais caído e a parte de trás abaixo da bunda, ela estava praticamente nua, pior ainda: a calcinha meio abaixada a fazia se sentir mais humilhada. As sensações que chegavam do corpo dela indicavam que até a peça tinha se separado da buceta e pendia entre as pernas, sentiu uma das meias perder a sustentação e deslizar lentamente pela coxa. Era muito pior do que estar nua.
Roberto deve ter ficado impactado pelo erotismo da cena: Erguida e orgulhosa, em cima dos saltos de 12 cm como se fossem um pedestal, com a juba caindo sobre os ombros nus e os peitos se erguendo pela respiração ofegante, a barriga lisa e firme marcando os abdominais pela tensão que estava sentindo, e a Púbis que aparecia por baixo da calcinha caída, deixando ver uma estreita faixa de pelos e mostrando o bronzeado total da pele, os braços estendidos ao longo do corpo, uma mão apoiada na coxa, como se tivesse parado no meio do caminho para esconder a buceta, a outra mal roçando nela com um dedo, como se aquele ponto de contato lhe desse segurança, e suas pernas longuíssimas enfiadas naquelas meias; A calcinha meio abaixada e a meia caída quase até o joelho deviam ter dado um puta componente erótico ao conjunto.
Por uns segundos ele ficou paralisado olhando pra ela enquanto Maria tentava não desabar, viu ele se aproximar e temeu o pior. Por que não fugia? Por que estava reagindo assim?
Roberto colocou as mãos nos ombros dela, queria sentir o toque, desceu pelas clavículas até os peitos, seguiu pelas laterais, acariciou a barriga dura e viajou até os glúteos. Segurou ela pelas nádegas puxando pra baixo a calcinha que estragava a sensação de nudez, apertou e o corpo de Maria, como se não tivesse vida, se moveu em direção a ele dando dois passos curtos, pisou no vestido e sem pensar chutou ele pra longe, Roberto roçou os pelos que apareciam por baixo da calcinha, com decisão enfiou a mão pelo buraco que a peça deixava e agarrou a buceta dela com a palma, forçando ela a abrir as pernas pra admitir a mão intrusa que avançava sem parar, ela pareceu perder o equilíbrio e ficou com um pé apoiando só na ponta dos dedos, com as costas arqueadas pra trás como se quisesse fugir, prisioneira e acorrentada pelo rabo e pela buceta nas mãos do estuprador. Maria vivia aquele momento meio numa névoa que filtrava a visão, sentindo uma febre estranha que adormecia os sentidos e dava um ar de irrealidade.
Os olhares estavam cravados, Maria não se mexia mas a expressão tinha mudado, havia surpresa nos olhos dela, talvez medo. Roberto mexia o dedo do meio como se fosse uma cobra ao longo da buceta dela, abrindo caminho até a... interior, forçando seus lábios a se separarem e darem abrigo, sua respiração soava nos ouvidos de Maria como se fosse um animal selvagem; incomodou-a o contato da calcinha em sua mão e ele a puxou para baixo com urgência até a metade da coxa, depois subiu a mão que mantinha em suas nádegas por suas costas e a puxou para si, seus peitos ficaram colados em sua camisa, ele a beijou, beijou uma boca morta, paralisada.
Maria não sentia nada, estava fora do corpo, distante, sentia-se uma observadora de uma cena alheia a ela, sem emoções, sem sensações, notava aqueles dedos se movendo entre seus lábios, deslizando por eles e a única coisa que sentia era a instabilidade de sua postura, aquela mão em sua buceta a obrigava a abrir as pernas, Roberto colocou um pé entre os dela e bateu no sapato para fora, forçando-a a separar as pernas e fazendo-a perder o equilíbrio, apertou-a contra si para não deixá-la cair, a calcinca na metade da coxa esticava-se cravando em sua carne, essas sensações predominavam sobre as que nasciam do contato dos dedos entre seus lábios, roçando sua intimidade.
Maria não conseguiu reprimir um gemido quando sentiu dois dedos se enterrarem dentro dela, instintivamente levantou os braços e os apoiou no peito de Roberto, suas mãos tremiam crispadas.
Ao ouvi-la, ele separou a boca dela. Maria tinha os olhos fechados e um ricto de dor contraía seu rosto; Roberto começou a balançar a cabeça, negando fortemente algo que fervilhava em sua mente, de repente a soltou e se afastou dando grandes passos pela sala, de um lado para o outro.
Parou na frente dela. Maria havia se recuperado e fazia esforços vãos para parecer fria e inexpressiva, suas bochechas tinham adquirido uma cor intensa.
"Você seria capaz de se deixar foder só para conseguir seu cargo e ainda assim continuaria com essa expressão de dignidade e desprezo, como se os outros fossem uns desgraçados e você... você estivesse acima de nós" – a raiva havia desaparecido de sua expressão, ele se afastou alguns passos. Mas que buceta que eu tô fazendo!..." – parecia falar sozinho, virou-se de novo pra ela – "Parabéns, você conseguiu tirar o pior de mim..." – continuou andando pela sala, parou e olhou pra ela – "...mas não sou um estuprador, não, não sou tão filho da puta quanto você pensa. Nunca, jamais antes tinha..." – seguiu andando, se torturando, sem terminar as frases – "...não tô tão desesperado por uma foda pra cair tão baixo, não vai me humilhar de novo, por mais gostosa que você seja, por mais que eu te deseje..." – parou na frente dela, agora eram os olhos dele que mostravam desprezo – "Você é uma puta, pior que uma puta" – se abaixou, pegou a roupa da Maria e jogou com violência nos braços dela, assustando-a, o sutiã caiu no chão – "Sai daqui!, some!, agora!"
Maria não acreditava que aquele pesadelo tinha acabado, devagar pra não tremer pegou o sutiã do chão e começou a se vestir, Roberto tinha virado de costas e se apoiava inclinado na mesa dela, ela se sentia absurdamente serena, exceto pelo tremor das mãos não sentia nada; se vestiu devagar pra controlar as mãos, de costas pra ele, sentindo como a humilhação tão brutal que acabara de aguentar começava a derrubar suas defesas; depois saiu do escritório, passou rapidamente pelo dela, pegou suas coisas e foi pra rua.
Só quando chegou nos jardins do nosso condomínio que ela desabou a chorar.
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