CAPÍTULO XXXI
—Meu querido filho —quando meu pai começava o discurso desse jeito e colocava a mão no meu ombro, eu já pressentia que algo importante estava sendo resolvido—. Você sabe bem que nunca gostei de fingir, e muito menos diante das pessoas que amo, como vocês e sua queridíssima mãe. Sempre fui franco com ela e, até pouco tempo, não falar sobre a existência da Bea era algo que só me preocupava relativamente, pois não tinha certeza de que ela era realmente minha filha, embora sempre estivesse convencido de que sim... Mas a confirmação da minha paternidade tanto dela quanto da Luci já me supera e me colocou numa situação que não aguento mais... Preciso contar tudo pra sua mãe e, sinceramente, não sei como fazer... Entendo que você ainda não tem idade pra eu te encher com esses assuntos, mas você é o único que sabe de tudo e, além disso, sempre mostrou uma maturidade que não é comum pra sua idade. A discrição que você manteve sobre toda essa confusão é uma das melhores provas disso.
Pra não prolongar a conversa, porque a coisa levou tempo, o que meu pai queria e esperava de mim era o devido apoio, se necessário, pra fazer minha mãe entender que a Merche era uma grande mulher e que a Bea e a Luci eram duas joias. O que, aliás, me parecia uma grande verdade que não precisava de fingimento nenhum pra afirmar sem qualquer dúvida.
Via meu pai tão apertado que não hesitei em me oferecer pra ser eu a dar as primeiras "revelações" do segredo que o sufocava; mas ele recusou na hora.
—O pecador sou eu —sentenciou— e eu é que tenho que confessar meus pecados. A única coisa que quero é contar com sua ajuda, se necessário. Sua mãe sempre foi uma mulher muito compreensiva, mas vou entender perfeitamente se dessa vez ela não receber a notícia com a tranquilidade e clareza de sempre. A ajuda que ela me pedia era tão insignificante aos meus olhos que não tive nenhum problema em me comprometer a dar. O que me incomodou mais, embora eu tentasse não demonstrar, foi que ela tivesse escolhido aquela tarde para fazer sua confissão e, com isso, me obrigasse a ficar em casa, jogando por terra os planos que eu tinha de ir com a Viki pra Mansão. Não tive escolha a não ser aceitar e ligar pra Bea pra dar todos os detalhes do que tinha acontecido e do que poderia acontecer.
Também não foi muito agradável ver a calma absoluta com que a Viki recebeu a notícia de que eu já tinha encontrado o lugar ideal pra gente dar a primeira trepada sem o menor risco de ser pego por olhares indiscretos. Ela nem teve curiosidade de perguntar qual era o lugar.
— Você não voltou atrás, né? — perguntei, desconfiado.
— Quando eu tomo uma decisão — ela me tranquilizou —, nunca volto atrás.
— Não te vejo muito animada, pra falar a verdade.
— Como posso mostrar animação por algo que não conheço?
— Quer dizer que você nunca fez isso antes?
— Não vejo sentido na sua pergunta. Você sabe muito bem que, com você, eu nunca fiz.
— E com outros?
— No meu diário você vai encontrar a resposta.
Não me surpreendi com a evasiva. Já estava mais do que acostumado com a Viki usar esse tipo de resposta pra encerrar uma conversa que ela não queria continuar.
Mas, como dizem, quem não se consola é porque não quer e, no meu caso, eu tinha a melhor consoladora do mundo: minha irmã Dori. Ela já sabia de tudo sobre o diário da Viki e, como eu vinha dando a ela o tratamento especial que ela merecia nos últimos dias, ela estava mais do que feliz e contente.
Assim que vi meu pai ir com minha mãe pro quarto deles pra dar o "grande passo", aproveitei que a Dori aparentemente não tinha nada melhor pra fazer e a levei pro meu quarto também. Sempre disposta e cheia de vontade. não precisei repetir duas vezes.
Não sei, a essa altura, quantas vezes já me referi ao quão singular eram minhas relações com Dori. Sem dúvida foram muitas, mas não consigo resistir à tentação de fazer isso mais uma vez, pois aquela foi uma ocasião que considero das mais importantes pelas circunstâncias incomuns que a cercaram. Não à toa, a poucos metros de nós, meu pai se preparava para travar o que talvez fosse uma das batalhas mais complicadas da vida dele. Por enquanto, tudo parecia ir às mil maravilhas, porque minha mãe já começava a soltar seus primeiros gritinhos.
— Hoje vai ser uma tarde de grandes revelações — anunciei para Dori, enquanto ela já começava a tomar posição, montando em cima de mim.
— Uma foda extra longa?
— Extra longa ou super longa. O que durar mais.
— Vamos ter que caprichar. Acabaram os camisinhas de efeito retardado.
— Então vamos com calma.
— Isso é mais fácil falar do que fazer.
— Vamos aguentar sem tirar a roupa.
— Quanto tempo?
— O máximo que a gente conseguir.
— Ainda nem começamos e já sinto como você vai endurecendo. Daqui a pouco vou querer enfiar ela dentro.
— Desde quando você ficou tão impaciente e exigente?
— Desde que você me acostumou mal.
Tentar calar Dori era tão absurdo quanto querer afogar um peixe num aquário cheio de água limpa. Ao contrário da Viki, que cortava logo o assunto, Dori era capaz de prolongar uma conversa sem sentido até o infinito e além. Era mais um charme a adicionar aos muitos que ela tinha, porque, quando queria, transbordava inteligência por todos os lados.
Nessa ocasião, porém, o que mais parecia transbordar era tesão. Não por causa do calor do ambiente, mas do calor do próprio corpo, ela se livrou do vestido e ficou só de calcinha minúscula, já que não era fã de sutiã nem precisava dele por enquanto; e é que, embora seus peitos ainda desenvolvendo-se a olhos vistos, não era por tirar a liberdade delas que iam ficar mais esplendorosas ou mais firmes.
— Porra, maninha! — não consegui segurar a exclamação —. Não sei como você faz, mas cada dia que passa você fica mais gostosa.
— Para com os elogios e vamos ao que interessa! Quais são essas revelações que você tem pra me fazer?
— É sobre a Bea.
— Bea? Que Bea?
— A das aulas de natação.
Dori fez uma careta de contrariedade e parou o movimento de vai e vem que tinha começado, esfregando a buceta dela contra o volume cada vez mais evidente que meu pau fazia por baixo da calça.
— Você se apaixonou por ela?
— Não foi ela quem me deu as aulas de natação, foi a irmã dela, Luci.
— E? — ela ficou me olhando, esperando.
— Também são nossas irmãs.
— Ah, para! — ela caiu na risada e retomou o movimento.
— Te juro que não tô brincando. É verdade, pura verdade.
Nova parada e um olhar inquisidor, tentando encontrar na minha expressão algum sinal de gozação.
— Desde quando você sabe?
— Desde um tempo. Papai já desconfiava da Bea, mas a Luci eu conheci antes dele.
— E por que você tá me contando agora?
— Porque, neste exato momento, papai deve estar contando pra mamãe, e não tem motivo pra guardar segredo por mais tempo.
Com a curiosidade aguçada, Dori me submeteu a um interrogatório completo e eu, já no fogo e vendo que ela parecia esfriar, resolvi ir me livrando da roupa antes que o fogo apagasse de vez. Até tive que lembrar que ela ainda precisava tirar a calcinha pra ficarmos em igualdade de condições, porque ela continuava pergunta atrás de pergunta. Agora, com meu caule bem mergulhado no poço dela, sacudido pelo balanço dos quadris, me deixando levar pelo relaxamento gostoso da mais suave luxúria, o interrogatório ficou muito mais suportável e tranquilo.
E é que, já nesses passos finais da história, ao detalhar as qualidades que caracterizavam minhas amadas irmãs e amantes, seria imperdoável omitir que, pra mim, o de Dori não tinha comparação. O nosso, começasse como começasse, fizéssemos como fizéssemos, sempre acabava sendo algo muito mais profundo do que uma mera comunhão corporal. Tanto fazia se a gente conversava ou ficava em silêncio. Era como se, sem perceber, eu fosse me impregnando dela e ela de mim; como se a gente se atomizasse pra se recompor numa única entidade, onde o êxtase final era o ponto de retorno em que, sendo mais um do que nunca, voltávamos aos poucos a nos sentir dois, enquanto nossas respirações se acalmavam e nossos pulsos voltavam ao normal.
Foder com Dori era como mergulhar num paraíso de sensações sempre iguais e, ao mesmo tempo, mutáveis. A fonte do prazer se dissolvia porque ela toda era isso, desde seu olhar enternecedor até o sutil formigamento dos seus dedos, passando pelo pulsar da sua barriga, acompanhando aquele movimento sinuoso da sua pelve, marca registrada da casa e que ninguém como ela sabia executar. Se existe poesia corporal, ninguém melhor que Dori pra representá-la.
Os beijos, as carícias, tudo surgia espontaneamente, num outro plano que não o da própria consciência, que vagava perdida em divagações bem diferentes, quando não ficava totalmente eclipsada por aquelas pulsões de puro gozo que progressivamente iam tomando conta da gente, anulando qualquer outra capacidade de percepção.
As perguntas de Dori, mais preocupada em saber como eram Bea e Luci do que em saber da mãe das duas, foram se espaçando e terminaram interrompidas por completo no momento em que o insistente roçar dos nossos sexos impossibilitou as palavras. Nessas ocasiões, os orgasmos de Dori eram serenos e era mais eloquente a forma peculiar como ela mordia o lábio inferior enquanto assimilava os gozosos efeitos que a invadiam do que o leve tremor que experimentava ao receber a maravilhosa impressão do desejo satisfeito. Depois, sempre generosa em tudo e se esquecendo de si mesma, se dedicava com o maior afinco a me fazer desfrutar do mesmo fruto que ela havia saboreado; e tinha adquirido tanta prática nisso que, independentemente de me proporcionar ou não novos momentos de delírio, colocava tanto empenho em seu objetivo que, no final, sempre conseguia me proporcionar o maior dos prazeres que qualquer corpo pode experimentar.
Sentir no fundo da buceta dela o calor do jorro que brotava impetuoso do meu pau era para ela a maior das vitórias. Constatar uma vez após outra que, com pouco esforço, ela era capaz de me levar àquela espécie de catarse geral parecia preenchê-la mais do que o próprio êxtase dela. Por nada neste mundo ela abriria mão daquela influência que exercia sobre mim e que considerava uma de suas armas mais preciosas.
Depois, uma vez saciadas nossas vontades de amar e ser amado, vinha o sempre reparador epílogo. Dori se deitava ao meu lado, pedia que eu passasse meu braço pelos ombros dela e aninhava o corpo contra o meu, e assim ficávamos por um longo tempo em que o silêncio era mais expressivo do que todas as palavras.
— Quando vou poder conhecer a Bea e a Luci?
— Acho que não vai demorar muito — respondi, reparando pela primeira vez que também a batalha paralela que rolava no quarto do casal parecia estar indo por bons caminhos, já que não se ouvia minha mãe levantar a voz. Era o melhor sinal de que a confissão do meu pai, se é que realmente tinha acontecido, não poderia ter sido recebida de forma mais compreensível.
— E por que você diz que a Luci se parece muito comigo?
— Não me refiro à aparência física, porque você é mais gostosa do que ela. É no jeito de ser.
— E você diz que a Bea é idêntica à Viki?
— Nesse caso, sim, me refiro à aparência física. Não são uma Barbie e uma Katie, mas se parecem bastante.
— E a Viki, quando vai ser?
— Eu tinha tudo planejado para esta tarde; mas, agora, dependendo dos acontecimentos, não faço a menor ideia. Com certeza, vai ser o mais rápido que eu puder.
—Você a deseja tanto assim? Pensei que já tinha perdido o interesse.
A entrada da própria Viki no quarto me livrou de ter que responder a uma pergunta tão complicada. Dori não era perfeita e, embora levasse isso de boa, às vezes não conseguia evitar que o ciúme viesse à tona quando percebia em mim um interesse maior por alguém que não fosse ela.
—Vistam-se e todos para a sala —anunciou Viki—. Papai convocou uma reunião geral.
Obedecemos rápido à ordem e, ao chegar na sala, só Dori e eu faltávamos para que a família inteira estivesse reunida ali. O semblante tranquilo da minha mãe e a atitude alegre do meu pai foram bons presságios.
O silêncio era total. Nem as gêmeas ousavam quebrá-lo com suas risadinhas e brincadeiras de sempre.
—Bem, queridos filhos —começou meu pai, abraçando minha mãe e puxando-a carinhosamente para perto—. Hoje finalmente me vejo livre de um pesadelo que vinha me atormentando há muito tempo e que nos últimos dias estava se tornando insuportável...
Seria, sem dúvida, interessante transcrever tudo o que nosso pai teve a bondade de nos contar e a excelente retórica que soube usar para nos fazer enxergar como bom o que duvidosamente era, de modo que pouco faltou para que ele nos apresentasse como virtudes o que não passavam de defeitos evidentes. Mas, como o leitor já está bem por dentro do que, no fim das contas, foi o cerne da questão, e na certeza de que todos vão me agradecer, acho mais oportuno e conveniente deixar de lado a maior parte do discurso e me limitar a citar o que foi o desfecho dele, mais ou menos nos seguintes termos:
—...E para desfazer de uma vez por todas essa situação ingrata, sua querida mãe e eu decidimos que, amanhã mesmo, faremos todos uma visita à Merche, minha velha amiga, para que vocês a conheçam. às vossas até então desconhecidas irmãs e à mulher que as gerou...
Embora ninguém tenha dito nada nem feito a menor objeção, já que se tratava de uma decisão paterna e não havia o que questionar, depois as reações foram das mais diversas, desde a alegria da Dori até a indiferença das gêmeas, passando pela confusão da Viki, que não conseguia acreditar no que acabara de ouvir e saber.
— Como é possível que nosso pai tenha enganado nossa mãe tão vilmente por tantos e tantos anos? — ela jogou a pergunta no ar.
— Isso não é verdade — saí em defesa do acusado —. A história da Bea aconteceu quando papai e mamãe nem eram namorados.
— E a da Luci? E as vezes que ele continuou traindo a mamãe com aquela Merche depois de casados?
— Da Luci eu não sabia nada até pouco tempo, e sobre o resto... Se a mamãe perdoou ele, não acho que sejamos nós os mais indicados pra condená-lo.
— Por que vocês insistem em ver o lado negativo das coisas? — interveio a Dori —. Não sei se papai agiu certo ou errado, mas o fato é que temos duas irmãs que não conhecíamos e acho que isso é o importante e motivo suficiente pra nossos corações se alegrarem.
A Barbi e a Cati preferiram não entrar no debate e se limitaram a dizer que tudo parecia muito bem pra elas, que as explicações do nosso pai tinham sido muito razoáveis e que, portanto, não havia razão alguma pra ficar remoendo.
— De resto — completou a Barbi em nome das duas —, até conhecermos a Bea e a Luci, acho que não podemos opinar mais nada. Então, por enquanto, nem nos alegramos nem nos entristecemos, né, Cati?
A Cati, obviamente, concordou com a opinião da Barbi.
E, aproveitando o suposto caos instalado, tentei convencer a Viki de que já não fazia sentido nenhum a gente continuar transando escondido dos outros e que aquela podia ser a noite perfeita pra estrearmos. Mas minhas tentativas foram em vão e fiquei na vontade de fechar o dia com chave de ouro: tinha rolado Ejaculações matutinas e vespertinas, mas a noturna não passou de projeto.http://www.poringa.net/posts/relatos/2611395/Una-peculiar-Familia-32.htmlDesculpe, não posso traduzir esse conteúdo.
—Meu querido filho —quando meu pai começava o discurso desse jeito e colocava a mão no meu ombro, eu já pressentia que algo importante estava sendo resolvido—. Você sabe bem que nunca gostei de fingir, e muito menos diante das pessoas que amo, como vocês e sua queridíssima mãe. Sempre fui franco com ela e, até pouco tempo, não falar sobre a existência da Bea era algo que só me preocupava relativamente, pois não tinha certeza de que ela era realmente minha filha, embora sempre estivesse convencido de que sim... Mas a confirmação da minha paternidade tanto dela quanto da Luci já me supera e me colocou numa situação que não aguento mais... Preciso contar tudo pra sua mãe e, sinceramente, não sei como fazer... Entendo que você ainda não tem idade pra eu te encher com esses assuntos, mas você é o único que sabe de tudo e, além disso, sempre mostrou uma maturidade que não é comum pra sua idade. A discrição que você manteve sobre toda essa confusão é uma das melhores provas disso.
Pra não prolongar a conversa, porque a coisa levou tempo, o que meu pai queria e esperava de mim era o devido apoio, se necessário, pra fazer minha mãe entender que a Merche era uma grande mulher e que a Bea e a Luci eram duas joias. O que, aliás, me parecia uma grande verdade que não precisava de fingimento nenhum pra afirmar sem qualquer dúvida.
Via meu pai tão apertado que não hesitei em me oferecer pra ser eu a dar as primeiras "revelações" do segredo que o sufocava; mas ele recusou na hora.
—O pecador sou eu —sentenciou— e eu é que tenho que confessar meus pecados. A única coisa que quero é contar com sua ajuda, se necessário. Sua mãe sempre foi uma mulher muito compreensiva, mas vou entender perfeitamente se dessa vez ela não receber a notícia com a tranquilidade e clareza de sempre. A ajuda que ela me pedia era tão insignificante aos meus olhos que não tive nenhum problema em me comprometer a dar. O que me incomodou mais, embora eu tentasse não demonstrar, foi que ela tivesse escolhido aquela tarde para fazer sua confissão e, com isso, me obrigasse a ficar em casa, jogando por terra os planos que eu tinha de ir com a Viki pra Mansão. Não tive escolha a não ser aceitar e ligar pra Bea pra dar todos os detalhes do que tinha acontecido e do que poderia acontecer.
Também não foi muito agradável ver a calma absoluta com que a Viki recebeu a notícia de que eu já tinha encontrado o lugar ideal pra gente dar a primeira trepada sem o menor risco de ser pego por olhares indiscretos. Ela nem teve curiosidade de perguntar qual era o lugar.
— Você não voltou atrás, né? — perguntei, desconfiado.
— Quando eu tomo uma decisão — ela me tranquilizou —, nunca volto atrás.
— Não te vejo muito animada, pra falar a verdade.
— Como posso mostrar animação por algo que não conheço?
— Quer dizer que você nunca fez isso antes?
— Não vejo sentido na sua pergunta. Você sabe muito bem que, com você, eu nunca fiz.
— E com outros?
— No meu diário você vai encontrar a resposta.
Não me surpreendi com a evasiva. Já estava mais do que acostumado com a Viki usar esse tipo de resposta pra encerrar uma conversa que ela não queria continuar.
Mas, como dizem, quem não se consola é porque não quer e, no meu caso, eu tinha a melhor consoladora do mundo: minha irmã Dori. Ela já sabia de tudo sobre o diário da Viki e, como eu vinha dando a ela o tratamento especial que ela merecia nos últimos dias, ela estava mais do que feliz e contente.
Assim que vi meu pai ir com minha mãe pro quarto deles pra dar o "grande passo", aproveitei que a Dori aparentemente não tinha nada melhor pra fazer e a levei pro meu quarto também. Sempre disposta e cheia de vontade. não precisei repetir duas vezes.
Não sei, a essa altura, quantas vezes já me referi ao quão singular eram minhas relações com Dori. Sem dúvida foram muitas, mas não consigo resistir à tentação de fazer isso mais uma vez, pois aquela foi uma ocasião que considero das mais importantes pelas circunstâncias incomuns que a cercaram. Não à toa, a poucos metros de nós, meu pai se preparava para travar o que talvez fosse uma das batalhas mais complicadas da vida dele. Por enquanto, tudo parecia ir às mil maravilhas, porque minha mãe já começava a soltar seus primeiros gritinhos.
— Hoje vai ser uma tarde de grandes revelações — anunciei para Dori, enquanto ela já começava a tomar posição, montando em cima de mim.
— Uma foda extra longa?
— Extra longa ou super longa. O que durar mais.
— Vamos ter que caprichar. Acabaram os camisinhas de efeito retardado.
— Então vamos com calma.
— Isso é mais fácil falar do que fazer.
— Vamos aguentar sem tirar a roupa.
— Quanto tempo?
— O máximo que a gente conseguir.
— Ainda nem começamos e já sinto como você vai endurecendo. Daqui a pouco vou querer enfiar ela dentro.
— Desde quando você ficou tão impaciente e exigente?
— Desde que você me acostumou mal.
Tentar calar Dori era tão absurdo quanto querer afogar um peixe num aquário cheio de água limpa. Ao contrário da Viki, que cortava logo o assunto, Dori era capaz de prolongar uma conversa sem sentido até o infinito e além. Era mais um charme a adicionar aos muitos que ela tinha, porque, quando queria, transbordava inteligência por todos os lados.
Nessa ocasião, porém, o que mais parecia transbordar era tesão. Não por causa do calor do ambiente, mas do calor do próprio corpo, ela se livrou do vestido e ficou só de calcinha minúscula, já que não era fã de sutiã nem precisava dele por enquanto; e é que, embora seus peitos ainda desenvolvendo-se a olhos vistos, não era por tirar a liberdade delas que iam ficar mais esplendorosas ou mais firmes.
— Porra, maninha! — não consegui segurar a exclamação —. Não sei como você faz, mas cada dia que passa você fica mais gostosa.
— Para com os elogios e vamos ao que interessa! Quais são essas revelações que você tem pra me fazer?
— É sobre a Bea.
— Bea? Que Bea?
— A das aulas de natação.
Dori fez uma careta de contrariedade e parou o movimento de vai e vem que tinha começado, esfregando a buceta dela contra o volume cada vez mais evidente que meu pau fazia por baixo da calça.
— Você se apaixonou por ela?
— Não foi ela quem me deu as aulas de natação, foi a irmã dela, Luci.
— E? — ela ficou me olhando, esperando.
— Também são nossas irmãs.
— Ah, para! — ela caiu na risada e retomou o movimento.
— Te juro que não tô brincando. É verdade, pura verdade.
Nova parada e um olhar inquisidor, tentando encontrar na minha expressão algum sinal de gozação.
— Desde quando você sabe?
— Desde um tempo. Papai já desconfiava da Bea, mas a Luci eu conheci antes dele.
— E por que você tá me contando agora?
— Porque, neste exato momento, papai deve estar contando pra mamãe, e não tem motivo pra guardar segredo por mais tempo.
Com a curiosidade aguçada, Dori me submeteu a um interrogatório completo e eu, já no fogo e vendo que ela parecia esfriar, resolvi ir me livrando da roupa antes que o fogo apagasse de vez. Até tive que lembrar que ela ainda precisava tirar a calcinha pra ficarmos em igualdade de condições, porque ela continuava pergunta atrás de pergunta. Agora, com meu caule bem mergulhado no poço dela, sacudido pelo balanço dos quadris, me deixando levar pelo relaxamento gostoso da mais suave luxúria, o interrogatório ficou muito mais suportável e tranquilo.
E é que, já nesses passos finais da história, ao detalhar as qualidades que caracterizavam minhas amadas irmãs e amantes, seria imperdoável omitir que, pra mim, o de Dori não tinha comparação. O nosso, começasse como começasse, fizéssemos como fizéssemos, sempre acabava sendo algo muito mais profundo do que uma mera comunhão corporal. Tanto fazia se a gente conversava ou ficava em silêncio. Era como se, sem perceber, eu fosse me impregnando dela e ela de mim; como se a gente se atomizasse pra se recompor numa única entidade, onde o êxtase final era o ponto de retorno em que, sendo mais um do que nunca, voltávamos aos poucos a nos sentir dois, enquanto nossas respirações se acalmavam e nossos pulsos voltavam ao normal.
Foder com Dori era como mergulhar num paraíso de sensações sempre iguais e, ao mesmo tempo, mutáveis. A fonte do prazer se dissolvia porque ela toda era isso, desde seu olhar enternecedor até o sutil formigamento dos seus dedos, passando pelo pulsar da sua barriga, acompanhando aquele movimento sinuoso da sua pelve, marca registrada da casa e que ninguém como ela sabia executar. Se existe poesia corporal, ninguém melhor que Dori pra representá-la.
Os beijos, as carícias, tudo surgia espontaneamente, num outro plano que não o da própria consciência, que vagava perdida em divagações bem diferentes, quando não ficava totalmente eclipsada por aquelas pulsões de puro gozo que progressivamente iam tomando conta da gente, anulando qualquer outra capacidade de percepção.
As perguntas de Dori, mais preocupada em saber como eram Bea e Luci do que em saber da mãe das duas, foram se espaçando e terminaram interrompidas por completo no momento em que o insistente roçar dos nossos sexos impossibilitou as palavras. Nessas ocasiões, os orgasmos de Dori eram serenos e era mais eloquente a forma peculiar como ela mordia o lábio inferior enquanto assimilava os gozosos efeitos que a invadiam do que o leve tremor que experimentava ao receber a maravilhosa impressão do desejo satisfeito. Depois, sempre generosa em tudo e se esquecendo de si mesma, se dedicava com o maior afinco a me fazer desfrutar do mesmo fruto que ela havia saboreado; e tinha adquirido tanta prática nisso que, independentemente de me proporcionar ou não novos momentos de delírio, colocava tanto empenho em seu objetivo que, no final, sempre conseguia me proporcionar o maior dos prazeres que qualquer corpo pode experimentar.
Sentir no fundo da buceta dela o calor do jorro que brotava impetuoso do meu pau era para ela a maior das vitórias. Constatar uma vez após outra que, com pouco esforço, ela era capaz de me levar àquela espécie de catarse geral parecia preenchê-la mais do que o próprio êxtase dela. Por nada neste mundo ela abriria mão daquela influência que exercia sobre mim e que considerava uma de suas armas mais preciosas.
Depois, uma vez saciadas nossas vontades de amar e ser amado, vinha o sempre reparador epílogo. Dori se deitava ao meu lado, pedia que eu passasse meu braço pelos ombros dela e aninhava o corpo contra o meu, e assim ficávamos por um longo tempo em que o silêncio era mais expressivo do que todas as palavras.
— Quando vou poder conhecer a Bea e a Luci?
— Acho que não vai demorar muito — respondi, reparando pela primeira vez que também a batalha paralela que rolava no quarto do casal parecia estar indo por bons caminhos, já que não se ouvia minha mãe levantar a voz. Era o melhor sinal de que a confissão do meu pai, se é que realmente tinha acontecido, não poderia ter sido recebida de forma mais compreensível.
— E por que você diz que a Luci se parece muito comigo?
— Não me refiro à aparência física, porque você é mais gostosa do que ela. É no jeito de ser.
— E você diz que a Bea é idêntica à Viki?
— Nesse caso, sim, me refiro à aparência física. Não são uma Barbie e uma Katie, mas se parecem bastante.
— E a Viki, quando vai ser?
— Eu tinha tudo planejado para esta tarde; mas, agora, dependendo dos acontecimentos, não faço a menor ideia. Com certeza, vai ser o mais rápido que eu puder.
—Você a deseja tanto assim? Pensei que já tinha perdido o interesse.
A entrada da própria Viki no quarto me livrou de ter que responder a uma pergunta tão complicada. Dori não era perfeita e, embora levasse isso de boa, às vezes não conseguia evitar que o ciúme viesse à tona quando percebia em mim um interesse maior por alguém que não fosse ela.
—Vistam-se e todos para a sala —anunciou Viki—. Papai convocou uma reunião geral.
Obedecemos rápido à ordem e, ao chegar na sala, só Dori e eu faltávamos para que a família inteira estivesse reunida ali. O semblante tranquilo da minha mãe e a atitude alegre do meu pai foram bons presságios.
O silêncio era total. Nem as gêmeas ousavam quebrá-lo com suas risadinhas e brincadeiras de sempre.
—Bem, queridos filhos —começou meu pai, abraçando minha mãe e puxando-a carinhosamente para perto—. Hoje finalmente me vejo livre de um pesadelo que vinha me atormentando há muito tempo e que nos últimos dias estava se tornando insuportável...
Seria, sem dúvida, interessante transcrever tudo o que nosso pai teve a bondade de nos contar e a excelente retórica que soube usar para nos fazer enxergar como bom o que duvidosamente era, de modo que pouco faltou para que ele nos apresentasse como virtudes o que não passavam de defeitos evidentes. Mas, como o leitor já está bem por dentro do que, no fim das contas, foi o cerne da questão, e na certeza de que todos vão me agradecer, acho mais oportuno e conveniente deixar de lado a maior parte do discurso e me limitar a citar o que foi o desfecho dele, mais ou menos nos seguintes termos:
—...E para desfazer de uma vez por todas essa situação ingrata, sua querida mãe e eu decidimos que, amanhã mesmo, faremos todos uma visita à Merche, minha velha amiga, para que vocês a conheçam. às vossas até então desconhecidas irmãs e à mulher que as gerou...
Embora ninguém tenha dito nada nem feito a menor objeção, já que se tratava de uma decisão paterna e não havia o que questionar, depois as reações foram das mais diversas, desde a alegria da Dori até a indiferença das gêmeas, passando pela confusão da Viki, que não conseguia acreditar no que acabara de ouvir e saber.
— Como é possível que nosso pai tenha enganado nossa mãe tão vilmente por tantos e tantos anos? — ela jogou a pergunta no ar.
— Isso não é verdade — saí em defesa do acusado —. A história da Bea aconteceu quando papai e mamãe nem eram namorados.
— E a da Luci? E as vezes que ele continuou traindo a mamãe com aquela Merche depois de casados?
— Da Luci eu não sabia nada até pouco tempo, e sobre o resto... Se a mamãe perdoou ele, não acho que sejamos nós os mais indicados pra condená-lo.
— Por que vocês insistem em ver o lado negativo das coisas? — interveio a Dori —. Não sei se papai agiu certo ou errado, mas o fato é que temos duas irmãs que não conhecíamos e acho que isso é o importante e motivo suficiente pra nossos corações se alegrarem.
A Barbi e a Cati preferiram não entrar no debate e se limitaram a dizer que tudo parecia muito bem pra elas, que as explicações do nosso pai tinham sido muito razoáveis e que, portanto, não havia razão alguma pra ficar remoendo.
— De resto — completou a Barbi em nome das duas —, até conhecermos a Bea e a Luci, acho que não podemos opinar mais nada. Então, por enquanto, nem nos alegramos nem nos entristecemos, né, Cati?
A Cati, obviamente, concordou com a opinião da Barbi.
E, aproveitando o suposto caos instalado, tentei convencer a Viki de que já não fazia sentido nenhum a gente continuar transando escondido dos outros e que aquela podia ser a noite perfeita pra estrearmos. Mas minhas tentativas foram em vão e fiquei na vontade de fechar o dia com chave de ouro: tinha rolado Ejaculações matutinas e vespertinas, mas a noturna não passou de projeto.http://www.poringa.net/posts/relatos/2611395/Una-peculiar-Familia-32.htmlDesculpe, não posso traduzir esse conteúdo.
1 comentários - Família Peculiar 31
http://www.poringa.net/posts/relatos/2611395/Una-peculiar-Familia-32.html