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Compêndio IVoltei pra casa quando a Marisol tava se preparando pra se vestir. No começo, ela pensou que era um ladrão e não hesitou em me bater com um bastão de metal pra espantar os bandidos.
Fiquei com sentimentos misturados sobre a eficácia dela. Mas ela se desculpou e me perguntou o que eu tava fazendo tão cedo em casa. Ela esperava que eu voltasse só à tarde. Falei que não tinha levado um terno pro trabalho.
Ela perguntou como a Sonia tava. É estranho ter que contar pra ela como uma das suas amantes tá, mas pelo jeito que ela me olhava, tava meio preocupada com a mina. Resumi o que tinha rolado e, surpreendentemente, ela me ajudou a me vestir.
A Marisol é especial. Mesmo tendo todo o direito de me encher de porrada com o bastão e me deixar desacordado, ela tava super animada com o que a gente queria fazer com a Sonia e me entregou toda a confiança dela.
Só de pensar que um casal apaixonado, igual a gente, tava sofrendo por causa dos outros e que a gente ia ajudar, fazia o olhar dela brilhar de um jeito lindo.
Reconheço que ela é mais doida do que uma garota normal pode ser, mas eu sou mais ainda, porque no fundo amo ela do jeito que ela é.
Pegamos o busão juntos e ela me desejou a melhor das sortes, com um daqueles beijos sensacionais dela com gosto de limão.
Encontrei a Sonia, vestida pro escritório, mas tanto o olhar dela quanto o meu eram diferentes. A gente já não era mais os assistentes de sempre.
A gente tinha que fazer aquilo, pelo Mario, pela Isidora e, na real, por todo mundo. A Sonia me deu "carta branca", porque eu já tenho experiência em estabelecer esse "tipo de regras", mas ela se perguntava se a gente ia conseguir convencer todo mundo a seguir elas.
No entanto, ela tinha esquecido um elemento crucial nessa história toda, que era fundamental pros novos "Segundas casuais" rolarem, e sendo ela a abelha rainha do formigueiro, podia facilmente regular se a situação começasse a se corromper.
Mas ela se sentia intimidada pelo Nicolás, Alberto e Ignacio, ou seja, o advogado, o chefe de RH e o chefe de finanças. respectivamente. Já eu, sempre tratei eles do mesmo jeito que me trataram: como se fossem lixo.
É verdade, são uns caras com sobrenomes estrangeiros e "de berço", mas no fundo são um bando de ignorantes, filhos de papai, que não enxergam um palmo além do nariz. Têm seus diplomas universitários, mas não têm a mesma qualidade que o meu — e não tô me gabando, não —, mas se eu pedir pra eles resolverem uma integral simples, provavelmente vão me perguntar o que significa aquele "S" gigante na frente da expressão matemática. Desculpa aceitável, talvez, pra um advogado.
De qualquer forma, entrei no meu terminal e fiz uma convocação geral pras 9 da manhã, na sala de conferências, pra que pudessem tomar café, conversar e depois prestar atenção na gente, quando o trio de ignorantes chegasse.
Ninguém sabia quem tinha convocado, e a Sonia ficou meio nervosa, mas eu segurei a mão dela e disse que não precisava se preocupar, que tava tudo bem.
Nesse andar, tem umas 35 pessoas. Dessas 35, umas 20 são mulheres, e dessas 20 mulheres, todas as 20 têm uns encantos de dar água na boca.
São umas gostosas, com idades entre 18 e 38 anos (se a gente contar as 4 estagiárias de secretariado como pessoal fixo, a Isidora e as secretárias do Alberto e do Ignácio, que faziam o trabalho deles. O resto tem entre 24 e 30 anos) e, na real, não tem diferença pros caras. Nós, homens, somos mais novos, já que temos entre 24 e 33 anos (sou um dos mais velhos) e também não somos feios. Provavelmente, o menos atraente é o gordinho da finanças, mas ele não é feio, não — é um daqueles caras simpáticos e de sangue leve, que mesmo não conquistando as minas com o físico, sabe fazer elas rirem com os comentários e piadas de bom gosto.
As secretárias do Alberto e do Ignácio foram as primeiras a chegar na reunião e ficaram felizes em ver que a gente tinha organizado aquilo. Depois chegou o Mario e a namorada dele, a Isidora, e Ficou toda feliz quando nos viu e, para o desgosto da Sonia, a Elena sentou logo nas primeiras cadeiras, bem perto da gente.
A maioria já nos conhecia e já sacou por que a gente tinha chamado eles. Mas, quando a gente ia começar, chegou a escória…
“Que porra vocês estão fazendo aqui?” falou o pedante do Ignacio. “Silvia, você tem que redigir o relatório pra quarta-feira!”
“Quem vocês pensam que são pra invadir a sala de reunião? A gente tem uma reunião super importante pra discutir!” falou o Nicolás. “Elena, por favor, traz um café pra gente e manda toda essa gente embora daqui!”
“E ainda por cima sentam na minha cadeira!” reclamou o Alberto e reparou na gente. “O que vocês estão fazendo aqui? Deviam estar no banheiro! Hortênsia, falei com meu pai pra darem uma advertência em vocês, por causar bagunça!”
“Ei, ‘cachinhos de ouro’!” falei pro Alberto. “Não te ensinaram a respeitar as mulheres na sua casa?”
O pessoal caiu na risada, porque ele realmente tem cachinhos… e o Alberto é loiro, mas não deram muita risada porque ele é um dos filhos dos chefões.
“Como você ousa me insultar desse jeito? Hortênsia, esse cara me ferrou e não quero ver ele mais na minha sala!”
“Desculpa, campeão, mas me mandar embora já não depende mais nem do seu pai nem de você!” falei, cortando ele na hora. “Na verdade, a única pra quem eu devia satisfação é ela.” Falei, apontando pra Sonia, que tava envergonhada.
“Ora, ora!” falou o Nicolás, todo metido porque não tinha medo nem respeito nenhum. “Você diz isso porque ela é amiga do administrador regional? Tenho que te informar que sua ‘amiguinha’ já não pode mais te ajudar… porque o cavalheiro pediu transferência…” ele respondeu, batendo punho com os comparsas.
Suspirei. Como é possível que uns babacas desses fossem meus chefes antes?
“Você tem razão, Nicolás!” falei, pra irritar ele, já que o pedante obriga meio mundo a chamar ele de “Senhor” ou “Dom” e ele não curtiu minha atitude. “Mas o que você não sabe é que ela, a partir do mês que vem, vai ser a substituta do…” administrador regional…”
O resto murmurava surpreso…
“… e se você acha que eu tenho que aturar suas porcarias, porque sua “buceta” te mantém protegido neste escritório, está enganado, porque eu sou o supervisor de operação de extração no novo poço da Austrália.” Falei, com um sorrisão. “Então, já que você não é mais chefe do que eu, vou pedir que de agora em diante me chame de ‘Dom Marco’…”
Mário vibrou, porque aqueles três mereciam mesmo que alguém os colocasse no lugar.
“Mas… isso é impossível…” ele disse, enquanto os amigos dele já estavam visivelmente preocupados.
“Não acredite em mim!” falei. “Mais ainda: se essa reunião que convoquei for uma farsa completa, me demita e não vou reclamar… mas te aviso que a diretoria não vai gostar nada de você me mandar embora… e pode crer, seu ‘bucetão gostoso’ não vai te tirar dessa enrascada.”
Ele quis me responder, mas os amigos dele olharam nos meus olhos e sabiam que não era sábio se meter comigo.
“Bom!” falei, focando naqueles para quem a reunião era realmente destinada. “Acho que nem preciso me apresentar… porque pelo jeito que vocês estão vestidos hoje, imagino que muitos sabem quem eu sou…”
De fato, quase todas estavam de decote e saias curtinhas, e eles estavam impecavelmente arrumados. Eles riram e me receberam de bom grado.
“Convoquei vocês porque queremos discutir as novas políticas das ‘Segundas casuais’. Tanto eu quanto muitos de vocês temos aproveitado essas experiências, mas achamos necessário estabelecer algumas regras…”
“Por quê?” perguntou Nicolás, tentando me ferrar.
“Excelente pergunta!” respondi. “Muitos de vocês aqui presentes têm relacionamentos com parceiros, namorados e maridos, assim como os homens, com suas respectivas parceiras, namoradas e esposas. Sei que é uma experiência ‘gostosa’ aproveitar algo fora da rotina e do cotidiano, mas nem por isso é necessário arriscar sacrificar tudo isso.”
“É, você tem razão!” disse o gordinho de Finanças, sei bem que ele já é casado e muito feliz.
“Portanto, decidimos criar algumas leis que protejam as mulheres do nosso grupo…”
“Por que elas?” perguntou Nicolau, já que estava mexendo na área dele. “As leis são iguais pra todo mundo!”
“É verdade.” Respondi. “Mas considere que precisamos de uma moça grávida pra foder com a situação.”
Eles se entreolharam confusos, porque não tinham sido previdentes…
“Só uma delas, chegando com um teste de paternidade, pode fazer todo mundo ir pra rua, sem importar o sobrenome ou o cargo!” informei.
“Então, que elas se cuidem!...” gritou Inácio, que tinha ficado calado o tempo todo.
“Isso!” apoiou Alberto, mas o resto do pessoal achava lógica no que eu dizia.
“Beleza!” falei. “Se você quer arriscar seu trampo, dependendo da responsabilidade dos outros, problema seu… mas acredite, você vai dar moral pra todo mundo te mandar embora, porque diferente de você, eles precisam dessa renda e, como todo mundo tem que concordar, não vão sacrificar o bem maior por um cara irresponsável.”
Eu me sentia muito bem, já que estavam mais que putos comigo e não podiam me encostar.
“Marco… então… o que você tá sugerindo?” perguntou Mário.
“Que bom que você lembrou!” respondi, todo feliz. “Aqui, podem fazer o que quiserem com outra pessoa, desde que os dois estejam de acordo. No entanto…” falei, olhando pro meu amigo “se por algum motivo vocês tiverem uma ‘afinidade especial’ por outra pessoa e ela corresponder aos seus sentimentos, o resto tem que ficar de fora e dar espaço pra essa relação.”
Mário e Isidora ficaram vermelhos. O e-mail que meu amigo tinha me mandado era exatamente sobre isso: eles já eram namorados oficialmente, mas o metido do Nicolau tinha sacado a relação e tava tentando conquistar ela com dinheiro e recursos.
O trio me olhava com fogo nos olhos. o olhar, mas eu sorria com sarcasmo pra elas.
“Se vão transar, tanto as moças têm que se responsabilizar pelas pílulas, assim como os rapazes têm que se responsabilizar pelas camisinhas.” falei pra elas.
Todo mundo aplaudiu, menos o lixo, claro…
“Muito bem! Esclarecido isso, temos que atacar o segundo ponto: aqui todo mundo depende de todo mundo. Ninguém pode ser demitido, nem podem ser contratados.”
“E a gente?” perguntou uma das secretárias estagiárias.
“Por enquanto, vocês estão contratadas extraoficialmente!” respondi pra elas.
Elas pularam de alegria, porque era o que queriam. Mas o Alberto, sendo chefe de RH, se opôs.
“Eu não tenho ‘por que’ contratar elas!” ele falou, me encarando desafiador.
“Beleza!” respondi. “Ninguém tem ‘por que’ transar com você!”
O pessoal riu e a cara do ‘cachinhos’ era muito engraçada.
“Mas isso significa que o trabalho em grupo tem que continuar.” completei. “Lembrem-se, aqui se vem pra trabalhar e ganhar o pão, e se existem compromissos, eles têm que ser cumpridos.”
“E a gente?” perguntou a dona Hortênsia, olhando direto pro Alberto, que começava a suar frio, assim como o Inácio com a dona Sílvia.
“Depende de vocês!” falei pra elas, sem nem disfarçar o sorriso. “Como eu disse, aqui o círculo se fecha pela maioria, e se quiserem sacrificar o Alberto e o Inácio, é problema de vocês!”
A cara da dona Sílvia era uma delícia… o relatório que o Inácio tinha pedido pra ela era muito longo e chato.
Mas tinha uma terceira vítima silenciosa desse trio…
“Marco… e eu?” perguntou a Elena, com um pouco de tristeza. “Sei que muitas de vocês me odeiam… porque no fundo sou uma puta… mas, sério, não queria ir embora… não sei fazer mais nada… e o Nicolás me contratou só por eu ter uma cara bonita e um corpo gostoso…”
A Sônia se levantou, porque ela também era uma das que odiavam ela. Mas eu sou um pouco mais precavido e de Pronto, já tinha pensado nela.
“Na verdade, Elena, foi ótimo você ter perguntado!” respondi, segurando suavemente o queixo dela e fazendo com que me olhasse. “Tem uma coisa que eu queria te pedir, e em troca de fazer isso, acho que a gente poderia te proteger…”
“Marco!” disse Sônia, muito nervosa. Ela achava que eu ia me deixar levar pelos meus impulsos e pedir algo para mim.
“Me pede o que você quiser!” disse Elena. Acho que até ela pensou que eu fosse pedir algum tipo de favor sexual.
“A gente precisa que você cuide do pessoal da limpeza!” falei.
Todo mundo soltou um enorme “Quê?” quando eu disse isso. Até o lixo…
“Preciso ser sincero com você!” falei, olhando direto nos olhos dela. “Você é a mais gostosa deste andar e todo mundo sabe que você é uma puta, como você mesma diz. Mas pensa bem: toda segunda-feira, no final do dia, o pessoal da limpeza vem arrumar nossos postos de trabalho, e a gente não quer que eles contem para os outros departamentos que tem algo estranho rolando. Então, queria te perguntar se você seria capaz de convencê-los a guardar segredo.”
Todo mundo comentava sobre minha solução original, já que ninguém tinha pensado que aquele detalhe simples podia foder tudo o que estava acontecendo.
“E é só isso que eu tenho que fazer?” ela me perguntou, como se achasse que eu queria enganá-la.
“Na real, você é livre pra fazer o que quiser na segunda. Você vai ter que trabalhar durante a semana… alguém vai ter que te ensinar alguma coisa, mas a gente precisa que alguém cuide dos caras da limpeza, e acho que eles vão ficar mais do que satisfeitos com uma mulher tão gostosa como você. São uns 4 ou 5, mas já te vi trabalhando… e acho que você não vai ter muitos problemas.”
“Claro que não!” ela disse, rindo, me olhando toda feliz por eu considerar a qualidade de puta dela como algo útil.
Todo mundo estava começando a se levantar, já que parecia que a reunião tinha acabado, mas ainda faltava o ponto importante que a Sônia tinha esquecido.
“Antes de vocês irem, tem um ponto pendente: a gente precisa decidir qual casal vai ficar no banheiro.” falei. Olharam confusos…
“Por quê?” perguntou o gordinho da finanças, todo perdido, abraçado pelas duas amantes.
Tive que explicar o que tinha descoberto na semana anterior. Acontece que o banheiro tem uma conexão com o sistema de ar condicionado do andar. A entrada principal fica no escritório novo da Sonia, mas no banheiro, o fluxo se distribui pelo andar.
Quando alguém transa ou faz amor no banheiro daquele andar, como o som tende a subir, ele bate no compartimento do ar condicionado, fazendo tipo uma caixa de ressonância, e a própria corrente de ar espalha esse som por todas as saídas de ar condicionado, saindo pela fresta do teto da sala de conferências. Por isso os gemidos foram ouvidos praticamente em todas as terminações, menos no escritório do chefe.
A Sonia não gostou muito que eu fizesse essa explicação, já que tinha usado meus “olhos de engenheiro”, e como consequência, todas elas ficaram me olhando com olhos brilhando, claro, exceto o Mario e a Isidora.
Sugeri que eles nos substituíssem, a Sonia e eu, já que só me restava mais um dia de trabalho no escritório.
“Então o Mario vai substituir o Marco!” disse a Elena, percebendo que meu substituto trocava o nome por uma letra, o que foi bem engraçado pro grupo.
Mas a Isidora ainda tinha dúvidas.
“Mas… por que eu?” ela perguntou.
Dei a mesma explicação que a Sonia tinha me dado da última vez.
“Porque de todas as garotas que têm nesse andar, a única mulher com quem o Mario quer estar naquele banheiro é você.” falei, olhando pra Sonia que sorria.
“Sério?” ela perguntou pro Mario.
“Sim!” respondeu meu amigo. “Você não sabe o quanto eu te amo!”
Eles se beijaram e começaram a sair. Muitos me parabenizaram e disseram que iam seguir meus pedidos. Mas tinha sobrado uma delícia pra trás…
“Então… de verdade… não preciso fazer mais nada?” a Elena me perguntou, brincando com O dedo indicador dele no meu peito. "Porque... pelo que dava pra ouvir... não acho que você seja igual ao Nicolás ou os outros... e eu tava me perguntando... se talvez..."
"Marco!" disse a Sônia, como se estivesse me chamando a atenção.
Eu ri. Era a história da minha vida...
"Desculpa!" falei, segurando as mãos da Elena. "Também sou prisioneiro das regras!"
A Elena riu.
"Talvez... em outra vida..." ela disse, sorrindo bem safada.
"Me fala, Sônia!" perguntei.
"Meu escritório agora!" ela ordenou, como se fosse minha chefe.
"Mas se eu só tava conversando!" falei, enquanto tirava a gravata e desabotoava a camisa.
"Se a Pamela soubesse que você tava falando com uma puta!" ela dizia, desabotoando a própria camisa. "Quem dirá a coitada da Marisol!"
"Mas Sônia... não fica brava!" falei, fechando a porta, enquanto os gemidos da Isidora ecoavam no ar-condicionado.
"E ainda por cima, falando com seus 'Olhos de engenheiro'!" ela dizia, soltando a saia e apoiando a bunda na escrivaninha nova.
É, tenho uma chefa exigente mesmo!...Próximo post
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