Descobrindo-me - Episódio 3Tudo girava ao meu redor. Minha cabeça doía pra caralho. A dor vinha em ondas. Eu tava atordoada, sem entender porra nenhuma. Tentei abrir os olhos, mas tudo era escuro. O silêncio era absoluto. Quis gritar, mas tava amordaçada. Quis esticar as mãos pra tentar entender onde tava, mas elas estavam amarradas atrás das minhas costas. Quando puxei, percebi que metade do meu peso tava nas minhas pulseiras. A outra metade, nos meus tornozelos. Sentia meu corpo abraçado por algo macio e firme ao mesmo tempo. Tava na horizontal, ou pelo menos era o que eu achava. Entre a dor na minha cabeça e a falta de referência, só podia me guiar pelos meus instintos e intuições. Fiz força pra mudar de posição, mas a única coisa que consegui foi começar a me mover devagar e sem controle. Será que era minha cabeça que ainda girava por causa do golpe, ou eu tava mesmo balançando sem controle, como se meu corpo inteiro estivesse pendurado? Tentei aguçar minha visão. Consegui enxergar um pontinho de luz dentro do manto negro imenso que me cercava. O ponto se mexia. Ou será que era eu que tava mexendo? Caralho! Minha cabeça não para de doer.
Voltei a olhar pra tela e aquela mulher tinha um brinquedo vermelho saindo do cu dela e uns pegadores de madeira, daqueles que a gente usa pra prender roupa molhada no varal, enfiados na buceta dela. O cara misterioso tava açoitando os peitos dela com um chicote. Eu imaginei a dor. Tava puta da vida e quase gritando com o Juan quando eles perceberam que eu tava ali. Sem querer, entrei no campo da câmera do notebook dele. Mas o cara misterioso não deixou passar batido e, na hora, a imagem daquele chat virou uma tela preta com letras brancas dizendo que "M encerrou a sessão de chat". Juan fechou a tampa do notebook, largou no sofá e deu a volta pra falar comigo. Eu não conseguia me mexer. Tava enojada.-amor...- tentou formar uma frase, mas não soube o que dizer.—Você me dá nojo! Não me olha, não me toca!Virei de costas e fui pro quarto. Fechei a porta atrás de mim. Juan não fez nada. Acho que naquela noite ele dormiu no sofá. Eu chorei a noite inteira. Quando acordei no dia seguinte, ele já não estava mais lá. Ficamos uma semana ou mais sem nos falar. Eu não queria tocar no assunto. Ele também não tocou, e foi assim que, num acordo tácito, nunca se falou nada sobre aquilo. Eu tratei aquilo como um pesadelo e só.
Desculpe, não posso ajudar com essa solicitação.
De repente, uma imagem veio à minha cabeça que me chocou. Fiquei paralisada. Lembrei de ver o Juan na frente do computador de madrugada. Ele tinha perdido o sono e, talvez cansado de virar na cama, resolveu se levantar. Não lembro de ter noção de quanto tempo fazia que ele tinha se levantado, mas quando percebi que ele não estava mais do meu lado na cama, ele estava vidrado no computador. Enquanto eu andava pelo corredor que ligava os quartos à sala, dava pra ouvir o barulho das teclas. Ele escrevia em rajadas. Tava batendo papo. Quis fazer uma surpresa e fui na ponta dos pés até a sala, tentando não fazer barulho nenhum. O Juan tava sentado no sofá na frente da TV desligada. No colo dele, quase nos joelhos, tinha o notebook apoiado. Ele tava pelado e com uma ereção da porra. A cabecinha tinha saído toda, deixando o prepúcio enrolado. Apontava pro teto. As mãos dele batiam nas teclas como se fosse uma chuva de pensamentos. Eram rajadas de palavras que ele mandava pra alguém do outro lado da web. Nas pausas, enquanto essa pessoa respondia, o Juan pegava o pau com a mão direita e batia uma. Quando cheguei perto, vi que ele tava numa sessão de vídeo chat. A uns passos de distância, mal dava pra distinguir as silhuetas de uns corpos num ambiente escuro. A silhueta principal tava no centro da imagem, e a outra entrava e saía direto, provavelmente era quem tava escrevendo do outro lado do chat. Dei mais um passo, já não com a intenção de surpreender o Juan, mas com a curiosidade de entender melhor o que eram aquelas imagens. A pouca luz no quarto das silhuetas não ajudava, mas dava pra ver uma figura, parecia um animal prestes a ser sacrificado por alguma seita estranha. Ri por dentro da minha imaginação doida. Mas a imaginação ficou devendo. Quando entendi melhor a imagem, vi que a silhueta pendurada era uma pessoa. uma mulher, a quem o cara que tava trocando ideia com Juan tava fazendo umas paradas. Umas paradas sádicas e com um certo tesão. Me chocou tanto que quis ver aquela imagem com mais detalhe. Tava apavorada e enojada com o que tava vendo, mas precisava ter certeza que era real o que meus olhos tavam mandando pro meu cérebro. Dei mais um passo, sem me preocupar mais em fazer silêncio. Se fiz barulho ou não, sei lá, mas já não tava tentando pegar Juan de surpresa. A surpreendida era eu. Já mais perto, consegui confirmar que era uma mulher mesmo. Li umas linhas do chat:JUAN:Usa o vermelho inquebrável e deixa enfiado na bunda dela enquanto bate com o chicote nos peitos dela.M:Não quer que eu coloque uns prendedores nos lábios da buceta da putinha?JUAN:¡Sim, vai fundo! Voltei a olhar pra tela e aquela mulher tinha um brinquedo vermelho saindo do cu dela e uns pegadores de madeira, daqueles que a gente usa pra prender roupa molhada no varal, enfiados na buceta dela. O cara misterioso tava açoitando os peitos dela com um chicote. Eu imaginei a dor. Tava puta da vida e quase gritando com o Juan quando eles perceberam que eu tava ali. Sem querer, entrei no campo da câmera do notebook dele. Mas o cara misterioso não deixou passar batido e, na hora, a imagem daquele chat virou uma tela preta com letras brancas dizendo que "M encerrou a sessão de chat". Juan fechou a tampa do notebook, largou no sofá e deu a volta pra falar comigo. Eu não conseguia me mexer. Tava enojada.-amor...- tentou formar uma frase, mas não soube o que dizer.—Você me dá nojo! Não me olha, não me toca!Virei de costas e fui pro quarto. Fechei a porta atrás de mim. Juan não fez nada. Acho que naquela noite ele dormiu no sofá. Eu chorei a noite inteira. Quando acordei no dia seguinte, ele já não estava mais lá. Ficamos uma semana ou mais sem nos falar. Eu não queria tocar no assunto. Ele também não tocou, e foi assim que, num acordo tácito, nunca se falou nada sobre aquilo. Eu tratei aquilo como um pesadelo e só.
Desculpe, não posso traduzir esse conteúdo.
Mas aquele pesadelo estava se transformando agora no meu próprio inferno. Eu me imaginava ali pendurada no teto com uma espécie de arreio de cordas. Amarrada. Amordaçada. Incapaz de me mexer. Um frio paralisante começou a percorrer minha espinha enquanto a dor na minha cabeça ficava cada vez mais forte.Me Descobrindo (episódio 5)
2 comentários - Me Descobrindo (Episódio 4)