Conteúdo Explícito
Conheci a Maria no verão de 1991; eu estava dirigindo um curso de verão na faculdade e ela era uma das alunas recém-formadas que se matriculou em cima da hora, quase fora do prazo, o que me deu a oportunidade de saber os motivos que a traziam ao meu curso. Ela tinha vinte e um anos e eu acabava de fazer trinta e quatro; era uma garota alegre, espontânea, segura de si ou pelo menos parecia muito bem; linda, fresca, com uma elegância natural que a tornava ainda mais atraente pela falta de sofisticação e a total ausência de vontade de exibir uma figura perfeita. Alta, morena, de olhos profundos e escuros, magra sem perder as curvas, pernas longas, costas muito retas que, quando ela prendia o cabelo preto comprido num coque, lhe davam um ar de bailarina... essas coisas eu pensava enquanto ela desfiava na minha frente os motivos pelos quais não queria perder a oportunidade de fazer aquele curso, como se sua vida dependesse disso. Sua paixão bem modulada por uma maturidade rara em garotas da idade dela fez com que eu levasse a sério seus argumentos e, no fim, ligasse para a secretária do departamento para interceder por ela.
Nas semanas que se passaram daquele encontro até o início do curso, não me lembrei mais dela, mas assim que ela entrou na sala, naquela manhã de começo de curso, seus olhos negros de novo me causaram a mesma inquietação que eu tinha sentido dias antes, uma sensação vergonhosa que me fazia sentir pueril, como um adolescente no primeiro encontro, e que decidi neutralizar ridicularizando mentalmente, me esculhambando com um argumento imbatível: "na minha idade...".
Na minha idade, nos meus recém-completados trinta e quatro anos, ainda estava me adaptando a viver sozinho. Três anos de divórcio não tinham conseguido me aclimatar a ser um e não dois. Os dezenove dias e quinhentas noites de Sabina tinham se transformado em três anos de trânsito inacabado desde uma vida de casamento. estável e confortável para outro lugar que eu ainda não enxergava. Uma transição que tinha se encravado até virar uma normalidade crônica de uma situação temporária. Eu ainda estava com as malas pela metade, ou pela metade desfeitas; meu lugar não era meu lugar, mas sim uma etapa rumo a… onde?
Meu tempo diário se dividia entre a faculdade e a academia, onde passava duas horas toda tarde. Era uma espécie de desculpa para manter o tempo ocupado, um objetivo que me fizesse acreditar que eu tinha objetivos. Podia ter caído em drogas piores, jogo, bebida… então a academia me parecia um vício menor.
Nos fins de semana, eu fugia para a casa que meus pais compraram na Serra quando eu era moleque e que quase não era usada pela família. Minha ilusão era ficar com ela de vez, e por isso a falta de interesse dos meus irmãos pela casa me fazia ver um futuro em que ela seria minha e eu a adaptaria ao meu gosto.
O curso seguiu com a normalidade típica das convocações de verão, onde a pontualidade não costuma ser um bem valorizado e a moleza do verão se nota no ritmo das pessoas. Só a Maria aparecia todo dia quinze minutos antes da aula começar, e isso é um detalhe que, como professor, sempre valorizei. Me acostumei a bater um papo com ela nesse tempo de espera e assim fui conhecendo alguns dos gostos e hobbies dela, fui me familiarizando com os cacoetes e os gestos dela e, aos poucos, surgiu uma espécie de comunicação que, durante as aulas, me fazia às vezes me dirigir a ela como se não houvesse mais ninguém na sala.
Uma manhã, enquanto eu expunha o tema do dia, meus olhos se cruzaram com as pernas semiabertas da Maria que, sentada na primeira fila, não tinha se ligado que as carteiras não tinham frente e tinha relaxado a postura clássica de pernas-firmemente-juntas que as minas costumam adotar em casos assim. Desviei o olhar como se tivesse me queimado, mas na volta seguinte do meu lento passeio pela sala meus olhos, como se tivessem vida própria, se cravaram por um segundo eterno naquele pano branco curto que aparecia no fundo das coxas longas dela. Enquanto eu continuava falando, minha mente me crucificava num julgamento sumário onde as acusações contra mim eram irreversíveis. Mas meus olhos não obedeciam a razão nenhuma e, a cada volta, voltavam como um ímã e captavam qualquer mudança de posição que Maria, alheia ao meu tormento, fazia sem pudor nenhum. Minha mente lutava contra aquela falta de controle enquanto se dedicava a perceber volumes, tons de branco e vincos no tecido fino. Aquela sessão foi a mais desconexa e gaguejada que consigo lembrar em toda a minha carreira e, no fim da aula, agradeci a esse Deus em que não acredito por não deixar que Maria me descobrisse naquela atividade furtiva. Naquela tarde, não parei de pensar no que teria acontecido se alguém tivesse percebido a causa dos meus titubeios e hesitações.
Mas no dia seguinte, quando estava a caminho da faculdade, desejava que Maria voltasse com aquela minissaia de praia que ela tinha usado outras vezes antes de eu descobrir minha condição inédita de voyeur, e rezei para que ela se sentasse, como sempre, na primeira fila e não desse para ir mais pra trás. E quando me dava conta desses desejos, ficava puto comigo mesmo, mas não conseguia calar o desejo.
Durante aquela penúltima semana de aula, descobri clandestinamente as diferentes cores, texturas e transparências da roupa íntima de Maria. Durante aquela semana, perdi parte do ritmo do curso até aprender a não lutar contra essa parte de mim e direcionei essa energia pra duas coisas: não ser descoberto e sublimar minha excitação em paixão pelo tema do curso. O nível do curso voltou a subir, contagiou minha paixão pros meus alunos e as discussões ganharam qualidade. Também as conversas com Maria no início das aulas se transformaram num debate profundo; ali descobri a qualidade da profissional que ela seria em alguns anos, mas também começou a nascer algo mais. algo que já percebi inúmeras vezes e sempre soube lidar: admiração profissional da aluna pelo professor, mas dessa vez soube desde o primeiro momento que não era igual às outras.
E chegou a sexta-feira; Maria argumentava com convicção e bons dados quase no fim da aula, mas não parecia que o resto dos alunos estivesse na mesma vibe e logo vi os sinais de impaciência típicos de quem queria dar o fora e cair no fim de semana. Com sutileza pra não desmerecer os argumentos dela, encerrei a sessão e dispensei todo mundo até segunda. Enquanto eles saíam, eu recolhia minhas anotações e guardava na pasta quando ouvi Maria do meu lado atacando de novo, apaixonadamente, com seus argumentos. Me surpreendi dizendo "se quiser, a gente continua a discussão na frente de uma boa salada". Fui eu quem disse isso? Maria aceitou na hora e curtimos uma conversa incrível durante o almoço, onde falamos de tanta coisa que, quando já estavam nos expulsando do restaurante, nós dois sabíamos que ainda não tínhamos terminado. Seguimos nosso papo num terraço perto da faculdade até as oito da noite.
Na semana seguinte, a última do curso, nós dois provocávamos a desculpa no fim da aula pra ficar pra trás enquanto os outros iam embora, depois seguíamos pra algum restaurante perto ou pegávamos o ônibus até Moncloa e lá escolhíamos quase no aleatório um lugar pra almoçar enquanto trocávamos algo mais que ideias.
Em janeiro, Maria se mudou pra minha casa e dois anos depois, vencidas as resistências da família pela nossa diferença de idade, nos casamos.
Nossa vida juntos foi fácil desde o começo, nenhum de nós teve que enfrentar grandes problemas de adaptação e em poucas semanas parecia que a gente já morava junto há uma vida inteira. Eu continuei na universidade e Maria encarou uns dois anos de mestrado e cursos de pós-graduação antes de começar a trabalhar numa clínica particular. Aquele período em que fui o sustento financeiro do casal foi encarado por nós dois como algo natural para a nossa consolidação profissional.
Sentimentalmente, estávamos tão felizes e apaixonados quanto no primeiro dia; eu me surpreendia com a espontaneidade da María, seu jeito quase ingênuo de sugerir gestos ou comportamentos altamente eróticos que em qualquer outra pessoa poderiam parecer obscenos. Ela curtia pequenos riscos e não se envergonhava fácil. Eu, por minha vez, encontrei nela meu alter ego, minha cúmplice em mil e uma fantasias que, uma vez expostas, ela aceitava com uma empolgação quase infantil. Ela começou a usar topless naquelas praias onde já estava virando moda, curtindo o tesão que aquilo causava na época.
Nos cinco anos seguintes, nos dedicamos a consolidar nossa posição profissional. Eu acabei largando a universidade, sufocado pela falta de iniciativas e apoio para pesquisa. A docência, minha outra paixão, começou a não ser motivo suficiente para continuar, então fui para a prática privada da minha profissão. Foram anos de estudo para a María e muito trabalho para mim, o que nos fez adiar por tempo indeterminado a decisão de ter filhos, algo que nenhum de nós dois nunca demonstrou uma vontade avassaladora. Foram anos difíceis, que não conseguiram apagar nossa paixão um pelo outro, nossa vontade de brincar, de nos amar e de nos sentir.
Nosso quinto aniversário de casamento estava se aproximando e, como todo ano, naquela noite nos demos um presente em um dos melhores restaurantes de Madri e depois fomos dançar. Essa era uma noite só nossa e, em todos esses anos, nunca quisemos companhia para essa comemoração.
Quando chegamos ao local, conseguimos uma mesa perto da pista de dança e na frente de um dos balcões. Felizmente, o nível de som do lugar era aceitável e pudemos alternar conversa com algumas danças. Estávamos papeando quando a insistência dos olhares para a minha mulher por parte Uns caras da galera no balcão me fez perceber que não era por acaso. Nunca me incomodou que olhem pra ela, tô acostumado com ela ser o centro das atenções onde quer que a gente entre, e não só não me irrita como me lisonjeia, mas dessa vez senti algo nesses olhares que não curti. Aproveitando a desculpa do atraso pra servir as bebidas que a gente pediu, fui até o balcão pra executar um ritual tão antigo quanto a vida: O macho dominante enfrentando os machos jovens que disputam a fêmea, tudo muito sofisticado e sublimado, mas no fim das contas, o olhar fixo nos olhos deles, os ombros abertos e o jeito decidido de andar na direção deles tinha aquele sentido, um sentido que se percebe não com a razão, mas com as partes mais primitivas do nosso cérebro.
Eles captaram a mensagem e se viraram pro balcão, dando as costas pra nossa mesa. Peguei as bebidas e enquanto esperava, virei pra olhar a Maria; ela tava linda naquele vestido vermelho justo no corpo esplêndido dela, que realçava a silhueta, com os ombros nus e amarrado no pescoço, deixando as costas todas de fora, o decote em V marcava perfeitamente o formato dos peitos dela. E aí descobri o motivo dos olhares insistentes dos três caras que estavam do meu lado no balcão: a Maria tava forçando a postura pra olhar pra esquerda, pra pista de dança, e sem querer, tinha as pernas abertas o suficiente pra deixar à mostra a renda branca da calcinha fio-dental levíssima dela, deixando entrever a escuridão dos pelos pubianos, aparados "à brasileira", e mostrando até a sugestão dos lábios dela, a saia curta tinha subido mais do que devia por ela estar sentada naquelas cadeiras tão baixas. Por uns segundos, fiquei vidrado naquela imagem, uma pose nada obscena, era evidente que a Maria não tinha intenção, e fiquei besta lembrando de outras cenas parecidas durante aquele curso de verão de 91. A diferença é que dessa vez eram outros que, disfarçadamente, se perdiam entre as coxas da minha mulher, mas a excitação que sentia ao ser espectador dessa cena era tão avassaladora quanto quando fui o voyeur clandestino da minha aluna.
Devia ter esquecido as bebidas e ido até a mesa para avisá-la, devia ter dado por conta dos olhares que tinham voltado para minha mulher, mas não fiz isso, em vez disso disfarcei, fingi que não via o que via e fiquei paralisado, fingindo olhar para a pista de dança quando na verdade estava olhando para a buceta da Maria, percebendo de novo sua forma, seu volume, a dobra vertical da calcinha grudando nos lábios dela… olhei até a saciedade a linha escura de pelos que se mostrava através do amplo recorte da renda e da leveza do tecido enquanto via de relance aqueles homens olhando a mesma coisa que eu e sentindo a mesma coisa que eu.
O garçom me fez reagir, peguei as bebidas e fui até ela sem tirar os olhos da buceta dela, percebendo perfeitamente que de perto o detalhe era ainda mais claro. Sentei de novo ao lado dela, a razão me pedia para dizer que mudasse de posição, mas algo me segurava, mais um segundo, eu dizia para mim mesmo, só mais um segundo, depois mais um antes de quebrar esse feitiço, mas sempre me calava e me dava mais tempo.
Conversávamos enquanto pelo canto do olho eu captava os olhares que se dirigiam a ela, "mais um pouco, só mais um pouco" repetia minha mente. Eu me dedicava a caçar os novos voyeurs que, ao passar perto, se perdiam dentro da saia curta da Maria. Ela, alheia à minha perversão, continuava conversando comigo num monólogo apenas salpicado por breves respostas minhas.
Consegui quebrar meu bloqueio quando tocou uma das nossas músicas favoritas, uma balada que trazia para nós dois lembranças lindas dos nossos primeiros anos juntos. Levantei e a tirei para dançar. Ao passar perto dos voyeurs do balcão, vi pelo canto do olho a expressão de desejo animal com que a olhavam. Eu já não Era uma ameaça, porque ou ela estava alheia aos olhares ou evitava o confronto, e isso dava asas a eles. Dançamos aquela música e emendamos com mais duas lentas. Maria tinha os braços enlaçados no meu pescoço enquanto minhas mãos a seguravam pelas costas. Comecei a espiar ao redor, tentando captar se havia mais olhares direcionados a ela. Sempre tinha, mas dessa vez eu não era o muro contra o qual eles se dissipavam; eu fingia não ver para que continuassem. Cada olhar que eu pegava me dava uma descarga de excitação que eu desconhecia. Não entendia o que estava acontecendo comigo, mas o fato é que me excitava ver outros homens olhando minha mulher com desejo. Era algo que tinha disparado antes, ao ver como olhavam para a buceta dela quase nua, e agora eu tentava sentir de novo na pista de dança. Mas não era igual.
Sem pensar, minhas mãos deslizaram lentamente dos quadris dela para a parte mais alta das coxas e depois voltaram para o começo da bunda. Maria afastou o rosto o suficiente para me encarar, e vi nela aquela expressão safada que conheço tão bem. Ela sorriu e sussurrou no meu ouvido: "Quer brincar, hein?" E, sem esperar resposta, se grudou em mim muito mais do que antes e começou a marcar levemente com a cintura o ritmo da balada de um jeito bem sensual. Enquanto girávamos na pista, meus olhos escrutinavam cada homem perto da gente e encontravam outros olhos fixos nas minhas mãos na bunda dela, nas pernas dela, nos movimentos felinos dela no limite da putaria. E minha excitação começou a crescer, e, como numa bebedeira, comecei a perder a noção dos limites. Subi minha mão esquerda até o ombro nu dela, fazendo círculos com os dedos na pele, enquanto minha mão direita deslizava ainda mais para baixo, cobrindo sem disfarçar a bunda dela. Maria ronronava no meu ouvido e continuava se movendo sensual, com elegância e classe, o que a tornava ainda mais gostosa. Minha mão esquerda percorreu o caminho até a... axila, com dois dedos acariciava sua pele sensível traçando círculos, arcos, laços desde seu ombro, pela axila até o começo do peito, voltando para suas costas nuas, marcando de novo com meus dedos o caminho que queria que os olhos dos homens que nos olhavam percorressem, ouvindo sua respiração alterada no meu ouvido e caçando os olhares de desejo de outros homens. "tamo dando um show, amor" – ela sussurrou no meu ouvido, e eu só respondi "sim"; senti o sorriso dela na minha bochecha quando o rosto dela se ergueu.
Olhei disfarçadamente pro balcão e confirmei o que já imaginava: nossos primeiros voyeurs estavam observando nossa dança, fazendo comentários entre eles que sem dúvida eram sobre minha mulher. Olhavam minha mão na bunda dela e desejavam ser eles os sortudos. Mas era eu quem acariciava aquele corpo e também era eu quem ficava excitado não tanto pelas carícias, mas por saber que outros homens a olhavam enquanto eu a tocava.
Voltamos pra mesa e de propósito procurei um caminho que nos fizesse passar bem perto dos homens que tinham se deliciado com a buceta dela quase à mostra, queria que a tivessem por perto, que quase sentissem o cheiro dela, que sentissem a presença sensual dela. E eu queria sentir a atração que a proximidade dela causava neles.
Sentamos e desejei que de novo a pouca altura das cadeiras a obrigasse a deixar as pernas semiabertas, então percebi horrorizado: eu queria que vissem ela pelada.
Chegávamos da dança excitados os dois e ela me beijou na boca, eu a envolvi com meu braço e a fiz reclinar na cadeira tentando forçar que as coxas dela não conseguissem ficar juntas, com o canto do olho vigiava as pernas dela e via como a saia justa mal cobria o terço superior das coxas lindas dela, beijei ela de novo e uma batida mais forte me acertou no peito quando vi as coxas dela relaxarem e uma brecha se abrir entre elas. Olhei pelo canto do olho pro balcão e lá estavam os três caçadores vidrados na minha mulher. Coloquei uma mão na coxa dela e acompanhei meu beijo com um carinho que tentou se enfiar entre elas antes que María reagisse e me dissesse "você é louco!".
Sim, eu estava louco, bêbado perdido num prazer desconhecido, sendo espectador do cerco que outros homens lançavam contra minha esposa.
Naquela madrugada, de volta pra casa, a gente transou com uma intensidade incomum e mesmo depois, quando María dormia ao meu lado, eu não conseguia pegar no sono, bombardeado pelas imagens do que aconteceu naquela noite.
Nos dias seguintes, passei por tantos estados de espírito tão conflitantes e opostos que me deixaram confuso: a vergonha, a raiva, o desejo, a sensatez e o compromisso de esquecer o que aconteceu se sucediam um ao outro, mas toda noite, ao deitar e vê-la nua ao meu lado, eu revia os olhos daqueles homens cravados na minha mulher e ficava excitado como nunca, tanto que María percebeu e mais de uma vez me perguntou, feliz, o que estava acontecendo comigo.
Comecei a imaginar situações em que éramos surpreendidos por outros homens e em que María aparecia nua ou transando comigo. E de novo me peguei batendo uma como um moleque.
Poucas semanas depois, fomos num sábado a um shopping escolher roupas de temporada. Eu estava experimentando uma calça quando surgiu na minha mente, como um clarão, uma ideia maluca. Quando chegou a vez da María escolher e experimentar roupas, fomos para um provador com várias saias e blusas. Esperei do lado de fora, inspecionando o formato da cortininha, como ela caía, o atrito com a barra, qualquer detalhe que me permitisse colocar meu plano em prática. Os provadores eram um quadradinho de quatro compartimentos no meio do andar, fechados por cortinas. Eu costumava ficar por perto pra ver as roupas que ela experimentava e pra trocar modelos ou tamanhos sem que ela precisasse sair do provador. Às vezes, eu só enfiava a cabeça pela cortina e dava minha opinião. Dessa vez, minha atitude tinha uma estratégia. preconcebida. Quando ela correu a cortina pra experimentar, calculei o tempo necessário pra tirar a roupa e abri a cortina de leve pra perguntar se já tava pronta, encontrei ela como esperava, só de lingerie, Maria não deu importância e sorriu ao ver que eu ficava olhando enquanto escolhia a blusa que ia vestir primeiro, com a cortina meio aberta. Deixei ela colocando a blusa, mas não arrumei a posição da cortina, que agora deixava uma fresta aberta pra curiosidade de quem passasse perto. Me sentia como se fosse um doente, sabia que minha conduta não era normal, mas aquela brecha aberta pros olhares dos outros era uma injeção poderosa de tesão nas minhas veias.
Maria me mostrou alguns modelos e toda vez que voltava a entrar fechava a cortina, e logo depois eu me aproximava pra falar algo e deixava a cortina aberta o suficiente pra dar pra ver ela, mas não tanto que a assustasse, mesmo assim algumas vezes ela mesma fechava.
No caminho pra casa, me sentia envergonhado e preocupado com minha atitude.
Mas naquela noite, enquanto a gente transava, eu imaginava que os homens do baile olhavam ela no provador seminua; e comi ela com fúria.
Nos nossos momentos de intimidade, a gente incluía jogos e fantasias como qualquer casal, eram temperos que ajudavam a aumentar o tesão; uma noite, sem ter pensado antes, adicionei aos nossos jogos aquilo que tanto me excitava e pedi que ela imaginasse que alguém nos olhava enquanto a gente transava. Maria sorriu e aceitou o jogo como o que era: um jogo; Nos dias seguintes, comecei a propor cenas que brotavam sem parar da minha cabeça e consegui que a excitação dela aumentasse tanto que em pouco tempo ela passou de uma ouvinte passiva a soltar as próprias fantasias na história a três que a gente imaginava muitas noites. Era tanta a excitação que a gente alcançava que mais de uma vez me preocupei com a possibilidade de depender dessas imagens pra alcançar o mesmo nível.
Uma noite, exaustos depois de uma transa intensa, soltei a pergunta que mudaria nossa vida.
— "Amor, qual é a fantasia mais forte que você já teve, aquela que nunca me contaria?"
Maria pareceu estranhar a pergunta e tentou fugir do assunto.
— "Não tem nada que você não possa saber, querido"
Mas nós dois sabíamos que não era verdade, nossa profissão nos fazia conscientes de que todo mundo tem um lugar secreto na mente, um ponto escondido de todos onde repousam ideias e pensamentos que às vezes nem a gente ousa aceitar. Não precisei argumentar, bastou meu olhar para Maria chegar à mesma conclusão, ela sorriu e, inconscientemente, desviou o olhar por um segundo. Estava nua ao meu lado, mas naquele momento se sentiu ainda mais nua, porque sabia bem que a comunicação não verbal era uma das minhas especialidades profissionais.
Me levantei da cama o suficiente para me apoiar num cotovelo e, com a outra mão, comecei a acariciar suavemente a barriga e o ventre dela.
"Você vai me dizer que não tem nenhuma fantasia perversa nessa cabecinha?" – insisti enquanto meus dedos já roçavam a linha fina de pelos pubianos.
Novo sorriso, dessa vez os olhos dela se viraram para mim carregados de erotismo e desejo, houve uma pausa que me pareceu eterna e ela respondeu.
"A mente é livre pra imaginar, amor, você sabe bem" – tentava escapar do meu cerco, mas eu não estava disposto a ceder terreno, meu dedo médio começou a desenhar o sulco dos lábios dela, sem apertar, só roçando, enquanto eu voltava ao ataque.
"E o que é que essa sua mente imagina quando você está na banheira, ou quando a gente transa, me diz" – meu dedo afundava sem esforço no canal molhado da buceta dela e, como um pincel, desenhava formas na barriga dela com a umidade que tinha colhido; Uma e outra vez voltava sem pressa, devagar, pra recolher a lubrificação dela e continuar pintando no ventre liso e firme. Maria fechava os olhos toda vez que meu dedo invadia a buceta dela. então eu percebi a luta interna que ela travava, ela mordeu o lábio inferior, me olhou e quase disse alguma coisa, mas parou e começou a recuar; ela tinha estado prestes a abrir seus desejos mais íntimos para mim e eu não ia deixar essa oportunidade passar. Meu dedo continuava cutucando lá dentro, cada vez mais fundo, percorrendo cada dobra, me aproximando do clitóris dela, explorando os lábios e a cavidade.
"Quero saber, love, quero que você se desnude ainda mais para mim" – eu notava como a respiração dela mudava de ritmo, sabia que não devia pressionar, que precisava dar o tempo dela, mas a excitação me dominava, não queria ceder terreno. Maria abriu os olhos de novo e me olhou em silêncio, muito profundamente, como se quisesse adivinhar o efeito que o segredo dela teria em mim; Sorri para ela e esperei. Ela hesitou e começou a falar, com pausas, com dúvidas, escolhendo cuidadosamente as palavras.
"Sabe? Às vezes, quando eu tô excitada, quero dizer quando a gente tá assim, como agora, eu penso... sei lá, é uma bobagem, né? Não vai acreditar... – Ela hesitava, quase se desculpando pelo que ainda não tinha dito, mas eu continuei acariciando levemente a buceta dela sem dizer uma palavra, olhando nos olhos dela. – "Bom, que uma vez me veio na cabeça como seria..." – ela baixou o olhar, parecia uma menina pega em flagrante, e isso a deixava ainda mais gostosa, quase vulnerável – "...como seria estar com vários caras, sabe, transar com vários ao mesmo tempo, não um por um, ao mesmo tempo" – essa última frase saiu de uma vez, de um jato, como se ela fosse incapaz de pronunciar se pensasse demais. Ela ficou em silêncio, com o olhar fixo na minha mão que a acariciava, e eu juro que vi um certo rubor nas bochechas dela.
Eu calei, mantive um silêncio calculado que queria aumentar a tensão do momento. Então eu disse – "E como você imagina isso?" – Maria não esperava por isso, ela achou que com a confissão dela tudo acabava, quando na verdade era só o começo pra mim.
Aos poucos, consegui que ela fosse relaxando, assim que as dúvidas que ela podia ter se dissiparam. Sobre minha reação, Maria foi assumindo o controle da fantasia que, segundo me contou, tinha elaborado ao longo dos últimos anos. O rosto dela, conforme avançava na história, ia tomando aquela expressão de erotismo profundo que me fascina nela, e a voz dela ficou mais grave.
Enquanto ela seguia com o relato, observei espantado como Maria se transformava, ia deixando de lado as expressões moderadas, tipo púbis, pênis, fazer amor, e começava progressivamente a falar de cock, buceta, peitos, foder, boquete… De repente, vi ela me olhando fixamente, sorrindo, e para minha surpresa, desviou o olhar divertida para baixo. Eu acompanhei os olhos dela e vi que minha ereção estava tão intensa que mal se separava da minha barriga. Ela continuou revelando seus desejos ocultos, se mostrou para mim como uma mulher surpreendente, inesperada. A fantasia dela se passava ora numa cabana na praia, ora num hotel barato; ela estava deitada numa cama e um homem entrava, a possuía, a fodía e, sem dar descanso, era substituído por outro, e outro, e mais outro. Em outras versões, ela estava no quarto de um casarão, cercada por homens que a despiam e começavam a acariciá-la e a tocá-la por todo lado, muitas mãos no corpo dela, muitas sensações que a impediam de se dedicar a alguém em particular. E então, enquanto um deles a fodía, outro introduzia o cock na boca dela enquanto ela masturbava outros dois, e os demais tocavam, beijavam, acariciavam… Noutra versão, ela era surpreendida na escuridão de uma praia e era estuprada por vários homens. Essa versão violenta, em que ela era até imobilizada e esbofeteada, me surpreendeu enormemente, porque nunca, nos nossos jogos, tinha havido qualquer insinuação que me fizesse entender que ela curtia sexo pesado.
A partir daquelas confidências, criou-se um clima de tesão e erotismo contínuo entre nós; o Messenger, que mantínhamos aberto nos nossos escritórios para nos comunicarmos com facilidade, foi o veículo para nossas conversas. calientes. A qualquer hora, quando menos esperava, aparecia no Messenger a luz piscando indicando mensagem nova; se eu tava ocupado com alguém, não respondia e ela entendia; se tava sozinho, largava qualquer coisa pra ler o que essa nova Maria me mandava, geralmente umas mensagens quentes que davam start num papo cada vez mais sem vergonha, cada vez mais pesado. Outras vezes era eu que, de repente, lembrava dela e mandava umas tipo "Como é que tão suas calcinhas de molhadas?"; Maria, se pudesse responder, entrava na provocação e começava um diálogo obsceno que deixava a gente todo excitado.
Muitas vezes naquela época eu calculava o risco que era manter sempre um tesão tão alto, tinha medo de que uma relação sem Messenger, sem fantasias, sem "terceiros virtuais" pudesse acabar não satisfazendo mais. Deixei essa ideia de lado, pensando que, como tudo, isso ia passar e seria só mais uma fase do nosso casamento. Subestimei o que, pela minha profissão, eu devia ter levado em conta e que se encaixava perfeitamente no nosso caso: o efeito da habituação à dose obriga o viciado a aumentar cada vez mais a quantidade de droga necessária pra sentir o mesmo efeito.
Conheci a Maria no verão de 1991; eu estava dirigindo um curso de verão na faculdade e ela era uma das alunas recém-formadas que se matriculou em cima da hora, quase fora do prazo, o que me deu a oportunidade de saber os motivos que a traziam ao meu curso. Ela tinha vinte e um anos e eu acabava de fazer trinta e quatro; era uma garota alegre, espontânea, segura de si ou pelo menos parecia muito bem; linda, fresca, com uma elegância natural que a tornava ainda mais atraente pela falta de sofisticação e a total ausência de vontade de exibir uma figura perfeita. Alta, morena, de olhos profundos e escuros, magra sem perder as curvas, pernas longas, costas muito retas que, quando ela prendia o cabelo preto comprido num coque, lhe davam um ar de bailarina... essas coisas eu pensava enquanto ela desfiava na minha frente os motivos pelos quais não queria perder a oportunidade de fazer aquele curso, como se sua vida dependesse disso. Sua paixão bem modulada por uma maturidade rara em garotas da idade dela fez com que eu levasse a sério seus argumentos e, no fim, ligasse para a secretária do departamento para interceder por ela.
Nas semanas que se passaram daquele encontro até o início do curso, não me lembrei mais dela, mas assim que ela entrou na sala, naquela manhã de começo de curso, seus olhos negros de novo me causaram a mesma inquietação que eu tinha sentido dias antes, uma sensação vergonhosa que me fazia sentir pueril, como um adolescente no primeiro encontro, e que decidi neutralizar ridicularizando mentalmente, me esculhambando com um argumento imbatível: "na minha idade...".
Na minha idade, nos meus recém-completados trinta e quatro anos, ainda estava me adaptando a viver sozinho. Três anos de divórcio não tinham conseguido me aclimatar a ser um e não dois. Os dezenove dias e quinhentas noites de Sabina tinham se transformado em três anos de trânsito inacabado desde uma vida de casamento. estável e confortável para outro lugar que eu ainda não enxergava. Uma transição que tinha se encravado até virar uma normalidade crônica de uma situação temporária. Eu ainda estava com as malas pela metade, ou pela metade desfeitas; meu lugar não era meu lugar, mas sim uma etapa rumo a… onde?
Meu tempo diário se dividia entre a faculdade e a academia, onde passava duas horas toda tarde. Era uma espécie de desculpa para manter o tempo ocupado, um objetivo que me fizesse acreditar que eu tinha objetivos. Podia ter caído em drogas piores, jogo, bebida… então a academia me parecia um vício menor.
Nos fins de semana, eu fugia para a casa que meus pais compraram na Serra quando eu era moleque e que quase não era usada pela família. Minha ilusão era ficar com ela de vez, e por isso a falta de interesse dos meus irmãos pela casa me fazia ver um futuro em que ela seria minha e eu a adaptaria ao meu gosto.
O curso seguiu com a normalidade típica das convocações de verão, onde a pontualidade não costuma ser um bem valorizado e a moleza do verão se nota no ritmo das pessoas. Só a Maria aparecia todo dia quinze minutos antes da aula começar, e isso é um detalhe que, como professor, sempre valorizei. Me acostumei a bater um papo com ela nesse tempo de espera e assim fui conhecendo alguns dos gostos e hobbies dela, fui me familiarizando com os cacoetes e os gestos dela e, aos poucos, surgiu uma espécie de comunicação que, durante as aulas, me fazia às vezes me dirigir a ela como se não houvesse mais ninguém na sala.
Uma manhã, enquanto eu expunha o tema do dia, meus olhos se cruzaram com as pernas semiabertas da Maria que, sentada na primeira fila, não tinha se ligado que as carteiras não tinham frente e tinha relaxado a postura clássica de pernas-firmemente-juntas que as minas costumam adotar em casos assim. Desviei o olhar como se tivesse me queimado, mas na volta seguinte do meu lento passeio pela sala meus olhos, como se tivessem vida própria, se cravaram por um segundo eterno naquele pano branco curto que aparecia no fundo das coxas longas dela. Enquanto eu continuava falando, minha mente me crucificava num julgamento sumário onde as acusações contra mim eram irreversíveis. Mas meus olhos não obedeciam a razão nenhuma e, a cada volta, voltavam como um ímã e captavam qualquer mudança de posição que Maria, alheia ao meu tormento, fazia sem pudor nenhum. Minha mente lutava contra aquela falta de controle enquanto se dedicava a perceber volumes, tons de branco e vincos no tecido fino. Aquela sessão foi a mais desconexa e gaguejada que consigo lembrar em toda a minha carreira e, no fim da aula, agradeci a esse Deus em que não acredito por não deixar que Maria me descobrisse naquela atividade furtiva. Naquela tarde, não parei de pensar no que teria acontecido se alguém tivesse percebido a causa dos meus titubeios e hesitações.
Mas no dia seguinte, quando estava a caminho da faculdade, desejava que Maria voltasse com aquela minissaia de praia que ela tinha usado outras vezes antes de eu descobrir minha condição inédita de voyeur, e rezei para que ela se sentasse, como sempre, na primeira fila e não desse para ir mais pra trás. E quando me dava conta desses desejos, ficava puto comigo mesmo, mas não conseguia calar o desejo.
Durante aquela penúltima semana de aula, descobri clandestinamente as diferentes cores, texturas e transparências da roupa íntima de Maria. Durante aquela semana, perdi parte do ritmo do curso até aprender a não lutar contra essa parte de mim e direcionei essa energia pra duas coisas: não ser descoberto e sublimar minha excitação em paixão pelo tema do curso. O nível do curso voltou a subir, contagiou minha paixão pros meus alunos e as discussões ganharam qualidade. Também as conversas com Maria no início das aulas se transformaram num debate profundo; ali descobri a qualidade da profissional que ela seria em alguns anos, mas também começou a nascer algo mais. algo que já percebi inúmeras vezes e sempre soube lidar: admiração profissional da aluna pelo professor, mas dessa vez soube desde o primeiro momento que não era igual às outras.
E chegou a sexta-feira; Maria argumentava com convicção e bons dados quase no fim da aula, mas não parecia que o resto dos alunos estivesse na mesma vibe e logo vi os sinais de impaciência típicos de quem queria dar o fora e cair no fim de semana. Com sutileza pra não desmerecer os argumentos dela, encerrei a sessão e dispensei todo mundo até segunda. Enquanto eles saíam, eu recolhia minhas anotações e guardava na pasta quando ouvi Maria do meu lado atacando de novo, apaixonadamente, com seus argumentos. Me surpreendi dizendo "se quiser, a gente continua a discussão na frente de uma boa salada". Fui eu quem disse isso? Maria aceitou na hora e curtimos uma conversa incrível durante o almoço, onde falamos de tanta coisa que, quando já estavam nos expulsando do restaurante, nós dois sabíamos que ainda não tínhamos terminado. Seguimos nosso papo num terraço perto da faculdade até as oito da noite.
Na semana seguinte, a última do curso, nós dois provocávamos a desculpa no fim da aula pra ficar pra trás enquanto os outros iam embora, depois seguíamos pra algum restaurante perto ou pegávamos o ônibus até Moncloa e lá escolhíamos quase no aleatório um lugar pra almoçar enquanto trocávamos algo mais que ideias.
Em janeiro, Maria se mudou pra minha casa e dois anos depois, vencidas as resistências da família pela nossa diferença de idade, nos casamos.
Nossa vida juntos foi fácil desde o começo, nenhum de nós teve que enfrentar grandes problemas de adaptação e em poucas semanas parecia que a gente já morava junto há uma vida inteira. Eu continuei na universidade e Maria encarou uns dois anos de mestrado e cursos de pós-graduação antes de começar a trabalhar numa clínica particular. Aquele período em que fui o sustento financeiro do casal foi encarado por nós dois como algo natural para a nossa consolidação profissional.
Sentimentalmente, estávamos tão felizes e apaixonados quanto no primeiro dia; eu me surpreendia com a espontaneidade da María, seu jeito quase ingênuo de sugerir gestos ou comportamentos altamente eróticos que em qualquer outra pessoa poderiam parecer obscenos. Ela curtia pequenos riscos e não se envergonhava fácil. Eu, por minha vez, encontrei nela meu alter ego, minha cúmplice em mil e uma fantasias que, uma vez expostas, ela aceitava com uma empolgação quase infantil. Ela começou a usar topless naquelas praias onde já estava virando moda, curtindo o tesão que aquilo causava na época.
Nos cinco anos seguintes, nos dedicamos a consolidar nossa posição profissional. Eu acabei largando a universidade, sufocado pela falta de iniciativas e apoio para pesquisa. A docência, minha outra paixão, começou a não ser motivo suficiente para continuar, então fui para a prática privada da minha profissão. Foram anos de estudo para a María e muito trabalho para mim, o que nos fez adiar por tempo indeterminado a decisão de ter filhos, algo que nenhum de nós dois nunca demonstrou uma vontade avassaladora. Foram anos difíceis, que não conseguiram apagar nossa paixão um pelo outro, nossa vontade de brincar, de nos amar e de nos sentir.
Nosso quinto aniversário de casamento estava se aproximando e, como todo ano, naquela noite nos demos um presente em um dos melhores restaurantes de Madri e depois fomos dançar. Essa era uma noite só nossa e, em todos esses anos, nunca quisemos companhia para essa comemoração.
Quando chegamos ao local, conseguimos uma mesa perto da pista de dança e na frente de um dos balcões. Felizmente, o nível de som do lugar era aceitável e pudemos alternar conversa com algumas danças. Estávamos papeando quando a insistência dos olhares para a minha mulher por parte Uns caras da galera no balcão me fez perceber que não era por acaso. Nunca me incomodou que olhem pra ela, tô acostumado com ela ser o centro das atenções onde quer que a gente entre, e não só não me irrita como me lisonjeia, mas dessa vez senti algo nesses olhares que não curti. Aproveitando a desculpa do atraso pra servir as bebidas que a gente pediu, fui até o balcão pra executar um ritual tão antigo quanto a vida: O macho dominante enfrentando os machos jovens que disputam a fêmea, tudo muito sofisticado e sublimado, mas no fim das contas, o olhar fixo nos olhos deles, os ombros abertos e o jeito decidido de andar na direção deles tinha aquele sentido, um sentido que se percebe não com a razão, mas com as partes mais primitivas do nosso cérebro.
Eles captaram a mensagem e se viraram pro balcão, dando as costas pra nossa mesa. Peguei as bebidas e enquanto esperava, virei pra olhar a Maria; ela tava linda naquele vestido vermelho justo no corpo esplêndido dela, que realçava a silhueta, com os ombros nus e amarrado no pescoço, deixando as costas todas de fora, o decote em V marcava perfeitamente o formato dos peitos dela. E aí descobri o motivo dos olhares insistentes dos três caras que estavam do meu lado no balcão: a Maria tava forçando a postura pra olhar pra esquerda, pra pista de dança, e sem querer, tinha as pernas abertas o suficiente pra deixar à mostra a renda branca da calcinha fio-dental levíssima dela, deixando entrever a escuridão dos pelos pubianos, aparados "à brasileira", e mostrando até a sugestão dos lábios dela, a saia curta tinha subido mais do que devia por ela estar sentada naquelas cadeiras tão baixas. Por uns segundos, fiquei vidrado naquela imagem, uma pose nada obscena, era evidente que a Maria não tinha intenção, e fiquei besta lembrando de outras cenas parecidas durante aquele curso de verão de 91. A diferença é que dessa vez eram outros que, disfarçadamente, se perdiam entre as coxas da minha mulher, mas a excitação que sentia ao ser espectador dessa cena era tão avassaladora quanto quando fui o voyeur clandestino da minha aluna.
Devia ter esquecido as bebidas e ido até a mesa para avisá-la, devia ter dado por conta dos olhares que tinham voltado para minha mulher, mas não fiz isso, em vez disso disfarcei, fingi que não via o que via e fiquei paralisado, fingindo olhar para a pista de dança quando na verdade estava olhando para a buceta da Maria, percebendo de novo sua forma, seu volume, a dobra vertical da calcinha grudando nos lábios dela… olhei até a saciedade a linha escura de pelos que se mostrava através do amplo recorte da renda e da leveza do tecido enquanto via de relance aqueles homens olhando a mesma coisa que eu e sentindo a mesma coisa que eu.
O garçom me fez reagir, peguei as bebidas e fui até ela sem tirar os olhos da buceta dela, percebendo perfeitamente que de perto o detalhe era ainda mais claro. Sentei de novo ao lado dela, a razão me pedia para dizer que mudasse de posição, mas algo me segurava, mais um segundo, eu dizia para mim mesmo, só mais um segundo, depois mais um antes de quebrar esse feitiço, mas sempre me calava e me dava mais tempo.
Conversávamos enquanto pelo canto do olho eu captava os olhares que se dirigiam a ela, "mais um pouco, só mais um pouco" repetia minha mente. Eu me dedicava a caçar os novos voyeurs que, ao passar perto, se perdiam dentro da saia curta da Maria. Ela, alheia à minha perversão, continuava conversando comigo num monólogo apenas salpicado por breves respostas minhas.
Consegui quebrar meu bloqueio quando tocou uma das nossas músicas favoritas, uma balada que trazia para nós dois lembranças lindas dos nossos primeiros anos juntos. Levantei e a tirei para dançar. Ao passar perto dos voyeurs do balcão, vi pelo canto do olho a expressão de desejo animal com que a olhavam. Eu já não Era uma ameaça, porque ou ela estava alheia aos olhares ou evitava o confronto, e isso dava asas a eles. Dançamos aquela música e emendamos com mais duas lentas. Maria tinha os braços enlaçados no meu pescoço enquanto minhas mãos a seguravam pelas costas. Comecei a espiar ao redor, tentando captar se havia mais olhares direcionados a ela. Sempre tinha, mas dessa vez eu não era o muro contra o qual eles se dissipavam; eu fingia não ver para que continuassem. Cada olhar que eu pegava me dava uma descarga de excitação que eu desconhecia. Não entendia o que estava acontecendo comigo, mas o fato é que me excitava ver outros homens olhando minha mulher com desejo. Era algo que tinha disparado antes, ao ver como olhavam para a buceta dela quase nua, e agora eu tentava sentir de novo na pista de dança. Mas não era igual.
Sem pensar, minhas mãos deslizaram lentamente dos quadris dela para a parte mais alta das coxas e depois voltaram para o começo da bunda. Maria afastou o rosto o suficiente para me encarar, e vi nela aquela expressão safada que conheço tão bem. Ela sorriu e sussurrou no meu ouvido: "Quer brincar, hein?" E, sem esperar resposta, se grudou em mim muito mais do que antes e começou a marcar levemente com a cintura o ritmo da balada de um jeito bem sensual. Enquanto girávamos na pista, meus olhos escrutinavam cada homem perto da gente e encontravam outros olhos fixos nas minhas mãos na bunda dela, nas pernas dela, nos movimentos felinos dela no limite da putaria. E minha excitação começou a crescer, e, como numa bebedeira, comecei a perder a noção dos limites. Subi minha mão esquerda até o ombro nu dela, fazendo círculos com os dedos na pele, enquanto minha mão direita deslizava ainda mais para baixo, cobrindo sem disfarçar a bunda dela. Maria ronronava no meu ouvido e continuava se movendo sensual, com elegância e classe, o que a tornava ainda mais gostosa. Minha mão esquerda percorreu o caminho até a... axila, com dois dedos acariciava sua pele sensível traçando círculos, arcos, laços desde seu ombro, pela axila até o começo do peito, voltando para suas costas nuas, marcando de novo com meus dedos o caminho que queria que os olhos dos homens que nos olhavam percorressem, ouvindo sua respiração alterada no meu ouvido e caçando os olhares de desejo de outros homens. "tamo dando um show, amor" – ela sussurrou no meu ouvido, e eu só respondi "sim"; senti o sorriso dela na minha bochecha quando o rosto dela se ergueu.
Olhei disfarçadamente pro balcão e confirmei o que já imaginava: nossos primeiros voyeurs estavam observando nossa dança, fazendo comentários entre eles que sem dúvida eram sobre minha mulher. Olhavam minha mão na bunda dela e desejavam ser eles os sortudos. Mas era eu quem acariciava aquele corpo e também era eu quem ficava excitado não tanto pelas carícias, mas por saber que outros homens a olhavam enquanto eu a tocava.
Voltamos pra mesa e de propósito procurei um caminho que nos fizesse passar bem perto dos homens que tinham se deliciado com a buceta dela quase à mostra, queria que a tivessem por perto, que quase sentissem o cheiro dela, que sentissem a presença sensual dela. E eu queria sentir a atração que a proximidade dela causava neles.
Sentamos e desejei que de novo a pouca altura das cadeiras a obrigasse a deixar as pernas semiabertas, então percebi horrorizado: eu queria que vissem ela pelada.
Chegávamos da dança excitados os dois e ela me beijou na boca, eu a envolvi com meu braço e a fiz reclinar na cadeira tentando forçar que as coxas dela não conseguissem ficar juntas, com o canto do olho vigiava as pernas dela e via como a saia justa mal cobria o terço superior das coxas lindas dela, beijei ela de novo e uma batida mais forte me acertou no peito quando vi as coxas dela relaxarem e uma brecha se abrir entre elas. Olhei pelo canto do olho pro balcão e lá estavam os três caçadores vidrados na minha mulher. Coloquei uma mão na coxa dela e acompanhei meu beijo com um carinho que tentou se enfiar entre elas antes que María reagisse e me dissesse "você é louco!".
Sim, eu estava louco, bêbado perdido num prazer desconhecido, sendo espectador do cerco que outros homens lançavam contra minha esposa.
Naquela madrugada, de volta pra casa, a gente transou com uma intensidade incomum e mesmo depois, quando María dormia ao meu lado, eu não conseguia pegar no sono, bombardeado pelas imagens do que aconteceu naquela noite.
Nos dias seguintes, passei por tantos estados de espírito tão conflitantes e opostos que me deixaram confuso: a vergonha, a raiva, o desejo, a sensatez e o compromisso de esquecer o que aconteceu se sucediam um ao outro, mas toda noite, ao deitar e vê-la nua ao meu lado, eu revia os olhos daqueles homens cravados na minha mulher e ficava excitado como nunca, tanto que María percebeu e mais de uma vez me perguntou, feliz, o que estava acontecendo comigo.
Comecei a imaginar situações em que éramos surpreendidos por outros homens e em que María aparecia nua ou transando comigo. E de novo me peguei batendo uma como um moleque.
Poucas semanas depois, fomos num sábado a um shopping escolher roupas de temporada. Eu estava experimentando uma calça quando surgiu na minha mente, como um clarão, uma ideia maluca. Quando chegou a vez da María escolher e experimentar roupas, fomos para um provador com várias saias e blusas. Esperei do lado de fora, inspecionando o formato da cortininha, como ela caía, o atrito com a barra, qualquer detalhe que me permitisse colocar meu plano em prática. Os provadores eram um quadradinho de quatro compartimentos no meio do andar, fechados por cortinas. Eu costumava ficar por perto pra ver as roupas que ela experimentava e pra trocar modelos ou tamanhos sem que ela precisasse sair do provador. Às vezes, eu só enfiava a cabeça pela cortina e dava minha opinião. Dessa vez, minha atitude tinha uma estratégia. preconcebida. Quando ela correu a cortina pra experimentar, calculei o tempo necessário pra tirar a roupa e abri a cortina de leve pra perguntar se já tava pronta, encontrei ela como esperava, só de lingerie, Maria não deu importância e sorriu ao ver que eu ficava olhando enquanto escolhia a blusa que ia vestir primeiro, com a cortina meio aberta. Deixei ela colocando a blusa, mas não arrumei a posição da cortina, que agora deixava uma fresta aberta pra curiosidade de quem passasse perto. Me sentia como se fosse um doente, sabia que minha conduta não era normal, mas aquela brecha aberta pros olhares dos outros era uma injeção poderosa de tesão nas minhas veias.
Maria me mostrou alguns modelos e toda vez que voltava a entrar fechava a cortina, e logo depois eu me aproximava pra falar algo e deixava a cortina aberta o suficiente pra dar pra ver ela, mas não tanto que a assustasse, mesmo assim algumas vezes ela mesma fechava.
No caminho pra casa, me sentia envergonhado e preocupado com minha atitude.
Mas naquela noite, enquanto a gente transava, eu imaginava que os homens do baile olhavam ela no provador seminua; e comi ela com fúria.
Nos nossos momentos de intimidade, a gente incluía jogos e fantasias como qualquer casal, eram temperos que ajudavam a aumentar o tesão; uma noite, sem ter pensado antes, adicionei aos nossos jogos aquilo que tanto me excitava e pedi que ela imaginasse que alguém nos olhava enquanto a gente transava. Maria sorriu e aceitou o jogo como o que era: um jogo; Nos dias seguintes, comecei a propor cenas que brotavam sem parar da minha cabeça e consegui que a excitação dela aumentasse tanto que em pouco tempo ela passou de uma ouvinte passiva a soltar as próprias fantasias na história a três que a gente imaginava muitas noites. Era tanta a excitação que a gente alcançava que mais de uma vez me preocupei com a possibilidade de depender dessas imagens pra alcançar o mesmo nível.
Uma noite, exaustos depois de uma transa intensa, soltei a pergunta que mudaria nossa vida.
— "Amor, qual é a fantasia mais forte que você já teve, aquela que nunca me contaria?"
Maria pareceu estranhar a pergunta e tentou fugir do assunto.
— "Não tem nada que você não possa saber, querido"
Mas nós dois sabíamos que não era verdade, nossa profissão nos fazia conscientes de que todo mundo tem um lugar secreto na mente, um ponto escondido de todos onde repousam ideias e pensamentos que às vezes nem a gente ousa aceitar. Não precisei argumentar, bastou meu olhar para Maria chegar à mesma conclusão, ela sorriu e, inconscientemente, desviou o olhar por um segundo. Estava nua ao meu lado, mas naquele momento se sentiu ainda mais nua, porque sabia bem que a comunicação não verbal era uma das minhas especialidades profissionais.
Me levantei da cama o suficiente para me apoiar num cotovelo e, com a outra mão, comecei a acariciar suavemente a barriga e o ventre dela.
"Você vai me dizer que não tem nenhuma fantasia perversa nessa cabecinha?" – insisti enquanto meus dedos já roçavam a linha fina de pelos pubianos.
Novo sorriso, dessa vez os olhos dela se viraram para mim carregados de erotismo e desejo, houve uma pausa que me pareceu eterna e ela respondeu.
"A mente é livre pra imaginar, amor, você sabe bem" – tentava escapar do meu cerco, mas eu não estava disposto a ceder terreno, meu dedo médio começou a desenhar o sulco dos lábios dela, sem apertar, só roçando, enquanto eu voltava ao ataque.
"E o que é que essa sua mente imagina quando você está na banheira, ou quando a gente transa, me diz" – meu dedo afundava sem esforço no canal molhado da buceta dela e, como um pincel, desenhava formas na barriga dela com a umidade que tinha colhido; Uma e outra vez voltava sem pressa, devagar, pra recolher a lubrificação dela e continuar pintando no ventre liso e firme. Maria fechava os olhos toda vez que meu dedo invadia a buceta dela. então eu percebi a luta interna que ela travava, ela mordeu o lábio inferior, me olhou e quase disse alguma coisa, mas parou e começou a recuar; ela tinha estado prestes a abrir seus desejos mais íntimos para mim e eu não ia deixar essa oportunidade passar. Meu dedo continuava cutucando lá dentro, cada vez mais fundo, percorrendo cada dobra, me aproximando do clitóris dela, explorando os lábios e a cavidade.
"Quero saber, love, quero que você se desnude ainda mais para mim" – eu notava como a respiração dela mudava de ritmo, sabia que não devia pressionar, que precisava dar o tempo dela, mas a excitação me dominava, não queria ceder terreno. Maria abriu os olhos de novo e me olhou em silêncio, muito profundamente, como se quisesse adivinhar o efeito que o segredo dela teria em mim; Sorri para ela e esperei. Ela hesitou e começou a falar, com pausas, com dúvidas, escolhendo cuidadosamente as palavras.
"Sabe? Às vezes, quando eu tô excitada, quero dizer quando a gente tá assim, como agora, eu penso... sei lá, é uma bobagem, né? Não vai acreditar... – Ela hesitava, quase se desculpando pelo que ainda não tinha dito, mas eu continuei acariciando levemente a buceta dela sem dizer uma palavra, olhando nos olhos dela. – "Bom, que uma vez me veio na cabeça como seria..." – ela baixou o olhar, parecia uma menina pega em flagrante, e isso a deixava ainda mais gostosa, quase vulnerável – "...como seria estar com vários caras, sabe, transar com vários ao mesmo tempo, não um por um, ao mesmo tempo" – essa última frase saiu de uma vez, de um jato, como se ela fosse incapaz de pronunciar se pensasse demais. Ela ficou em silêncio, com o olhar fixo na minha mão que a acariciava, e eu juro que vi um certo rubor nas bochechas dela.
Eu calei, mantive um silêncio calculado que queria aumentar a tensão do momento. Então eu disse – "E como você imagina isso?" – Maria não esperava por isso, ela achou que com a confissão dela tudo acabava, quando na verdade era só o começo pra mim.
Aos poucos, consegui que ela fosse relaxando, assim que as dúvidas que ela podia ter se dissiparam. Sobre minha reação, Maria foi assumindo o controle da fantasia que, segundo me contou, tinha elaborado ao longo dos últimos anos. O rosto dela, conforme avançava na história, ia tomando aquela expressão de erotismo profundo que me fascina nela, e a voz dela ficou mais grave.
Enquanto ela seguia com o relato, observei espantado como Maria se transformava, ia deixando de lado as expressões moderadas, tipo púbis, pênis, fazer amor, e começava progressivamente a falar de cock, buceta, peitos, foder, boquete… De repente, vi ela me olhando fixamente, sorrindo, e para minha surpresa, desviou o olhar divertida para baixo. Eu acompanhei os olhos dela e vi que minha ereção estava tão intensa que mal se separava da minha barriga. Ela continuou revelando seus desejos ocultos, se mostrou para mim como uma mulher surpreendente, inesperada. A fantasia dela se passava ora numa cabana na praia, ora num hotel barato; ela estava deitada numa cama e um homem entrava, a possuía, a fodía e, sem dar descanso, era substituído por outro, e outro, e mais outro. Em outras versões, ela estava no quarto de um casarão, cercada por homens que a despiam e começavam a acariciá-la e a tocá-la por todo lado, muitas mãos no corpo dela, muitas sensações que a impediam de se dedicar a alguém em particular. E então, enquanto um deles a fodía, outro introduzia o cock na boca dela enquanto ela masturbava outros dois, e os demais tocavam, beijavam, acariciavam… Noutra versão, ela era surpreendida na escuridão de uma praia e era estuprada por vários homens. Essa versão violenta, em que ela era até imobilizada e esbofeteada, me surpreendeu enormemente, porque nunca, nos nossos jogos, tinha havido qualquer insinuação que me fizesse entender que ela curtia sexo pesado.
A partir daquelas confidências, criou-se um clima de tesão e erotismo contínuo entre nós; o Messenger, que mantínhamos aberto nos nossos escritórios para nos comunicarmos com facilidade, foi o veículo para nossas conversas. calientes. A qualquer hora, quando menos esperava, aparecia no Messenger a luz piscando indicando mensagem nova; se eu tava ocupado com alguém, não respondia e ela entendia; se tava sozinho, largava qualquer coisa pra ler o que essa nova Maria me mandava, geralmente umas mensagens quentes que davam start num papo cada vez mais sem vergonha, cada vez mais pesado. Outras vezes era eu que, de repente, lembrava dela e mandava umas tipo "Como é que tão suas calcinhas de molhadas?"; Maria, se pudesse responder, entrava na provocação e começava um diálogo obsceno que deixava a gente todo excitado.
Muitas vezes naquela época eu calculava o risco que era manter sempre um tesão tão alto, tinha medo de que uma relação sem Messenger, sem fantasias, sem "terceiros virtuais" pudesse acabar não satisfazendo mais. Deixei essa ideia de lado, pensando que, como tudo, isso ia passar e seria só mais uma fase do nosso casamento. Subestimei o que, pela minha profissão, eu devia ter levado em conta e que se encaixava perfeitamente no nosso caso: o efeito da habituação à dose obriga o viciado a aumentar cada vez mais a quantidade de droga necessária pra sentir o mesmo efeito.
1 comentários - Crônica de um Consentimento Parte 1
Esta a otro nivel pero está ubicado en la realidad y como puede ser super ardiente también nos puede quemar
Muy bien Post gracias por compartir