Odeio casamentos. Odeio comunhões, puro simulacro de casamento. Não fazem simulacros de terremotos ou incêndios? A mensagem é muito clara: preparem-se, imbecis; debaixo daquele vestido branco vocês abrigam o futuro abrigo de uma pica dócil e domada. Seu dono talvez seja o anjinho que está ao lado de vocês em posição orante, impecável, com gel no cabelo e prestes a soltar um galo púbere e traidor. Vocês são apenas um projeto infeliz, a maquete do seu destino de merda.
Mas eu administro uma sapataria e, no fundo, esses teatrinhos me convêm. O cenário das minhas reflexões hipócritas não era uma comunhão, mas um banquete de casamento, e era isso que eu pensava vendo aquele imbecil babando em cima da Laura, minha ex-mulher. Ali, numa mesa colada na minha, esfregando na minha cara aquele gostoso tirado das páginas de serviços sexuais por hora. Minha prima Celia, a noiva, tinha arrumado as mesas para me dar uma facada no saco, sabendo que só um terremoto de grau 10 poderia me libertar desse pesadelo me deixando debaixo dos escombros. Não era paranoia – com certeza –, minha ex não tinha nada a ver com aquele casamento. Não havia afeto nem consanguinidade entre elas, e a Celia tinha convidado ela só pra me foder.
Eu tentava prestar atenção na minha parceira de mesa, posta ali pelo "alcaguetas.com" de Somera, localidade onde se celebrava o feliz acontecimento. Parecia uma boa garota, com toda a bondade que ainda pode nos restar aos trinta, mas nem o vinho nem o espumante pareciam capazes de relaxar sua tensão de princesa.
– Vem comigo ao banheiro? – propus sorrindo pra ela e sabendo que aquele era o último lugar pra onde ela ia me acompanhar.
Ela me olhou apavorada. Não estava no cio e nem parecia ter senso de humor. Fui me despedir sem parar de sorrir, não queria deixar um gosto amargo na boca dela me vendo desaparecer pela porta, perdendo a oportunidade de me dar uma trepada. Será que ela tinha levado a sério? Iam espalhar minha vil perversão por toda a região pela boca do "alcaguetas.com"?
Ali já se notavam os excessos. A população masculina filtrava o álcool contra a louça dos mictórios, alinhados e pica pra fora; e Oscar vomitava entre a pia do lavatório e a solidez do primo Robert, que estava lá para molhar sua testa como se a água da torneira fosse água benta e pudesse curar a bebedeira inoportuna. Tranquei-me no box para ficar mais à vontade e, sentado, avaliei se entrava na festa deles ou vazava antes que a música começasse e eu tivesse que arrastar Sissi Imperatriz para a pista. Só tinha três pontos na carteira e o prefeito já tinha combinado alguma blitz com a polícia anti-vício para nos pegar com o bafômetro seis curvas abaixo. Engoli alguns omeprazóis enquanto esvaziava o tanque.
Voltei ao bebedouro quando, por sorte, minha parceira de banquete, Sissi Imperatriz, já tinha encontrado seu Francisco José, que a virava na pista de dança improvisada, não no ritmo de valsa, mas no ritmo de Bisbal. Atrás de mim estava a mesa das crianças, pura trincheira onde os restos do bolo de guloseimas eram usados como projéteis. Sara, minha sobrinha, tentava controlar a situação; mas nem seus bons modos nem sua estatura pareciam impor respeito. Achava vergonhoso que Celia a tivesse sentado ali, ainda mais degradante do que colocar minha ex ao lado de sua gostosa na minha frente. Aproximei-me.
— Oi, Sara — falei enquanto minhas nádegas transbordavam numa microcadeira ao lado dela.
— Oi, tio Dani — respondeu sorrindo, sem deixar que a metralha do bolo atingisse uma pirralha de três anos refugiada no seu colo.
— Precisa de ajuda?
— Você é do G.E.O.?
Rimos. Ela estava linda, apertada naquele vestido tão sexy e calçada naqueles sapatos de salto de número impossível. Em pé, mal chegava à minha altura; ajeitou o vestido puxando-o com suas mãozinhas e deu a volta na mesa com seus passinhos curtos e cheios de charme até alcançar um baita pentelho de cinco anos que nocauteara outro de três. Mal conseguia segurá-lo. Forcejava e o tecido subia por suas coxas. me mostrando a pontinha da calcinha. As pernas dela tremiam de esforço de um jeito muito excitante, pareciam trêmulas depois de uma maratona de orgasmos. Me levantei e fui dar uma mãozinha. Peguei o monstro "amorosamente" e disse com o mesmo carinho:
- Ei, babaca, por causa de personagens como você que o mundo vai mal. Aos cinco, você amassa outro menor e mais fraco contra o piso, e aos trinta vai deslocalizar a empresa pra ter uma fábrica cheia de otários se matando por um prato de arroz com baratas. Por causa de gente como você me mandam sapatos de papelão; vocês fodem com os de lá; e com os daqui, também.
Ouvi essas palavras como se não saíssem da minha boca. Estava puto com a Celia, com minha ex, com o gostosão, comigo mesmo, com o menino e com a mãe que o pariu..., mas eu tinha enlouquecido? O menino fazia beicinho aterrorizado e boquejava "mãe!" como se a vida dele dependesse disso. Fez-se silêncio e só se ouvia a Carrá vociferando: "explode explode me explode, explode explode meu coração". Soltei-o antes que o meu explodisse e antes que o pai dele se aproximasse pra quebrar minha cara, momento que ele aproveitou pra se esquivar e encontrar o colo acolhedor da mãe. Sentei numa cadeira pensando que tinha exagerado pra caralho, mas continuei nessa linha e, pra que não vissem rachaduras na autoridade, soltei:
- Acabou o recreio, todo mundo sentar!
Ficaram intimidados me olhando de esguelha enquanto brincavam pacificamente ou faziam foguetes e barcos com guardanapos de papel. Só minha sobrinha me olhava divertida. Eu era treze anos mais velho que ela e ainda lembro o que minha irmã disse quando a colocou pela primeira vez nos meus braços: "segura ela direitinho, Dani".
Como eu ia soltá-la! Seus olhos me procuravam confiantes e eu a apertava contra mim pra comer suas bochechas de beijos. Ela me adorava, sempre me procurava. Fui o irmão mais velho que ela não teve. Vieram as comparações, as perguntas, os porquês; e, depois de uma dura travessia por um monte de hospitais, o diagnóstico. Depois, a crueldade que ela aguentava com firmeza. O atraso no crescimento físico a colocava no limite da normalidade, mas foi o suficiente para torná-la alvo da crueldade infantil. Ao sair da aula, ela se refugiava na sapataria que eu tinha na cidade na época e, no fundo da loja, chorava em silêncio para que os clientes não a ouvissem. Foi assim que me tornei cúmplice da sua dor, seu melhor e único amigo.
Quando iam embora, começava a brincadeira. Ela adorava sapatos de salto alto e eu sempre separava alguns do tamanho mais pequeno. Ela ficava louca com o cheiro do couro, mais do que com qualquer doce. Ela os pegava com suas mãozinhas e um respeito que nunca vi em nenhum adulto, e calçava aqueles sapatos onde seus pés se perdiam entre tiras de couro e fivelas impossíveis. Dava voltas com saltinhos de fantasia como um pião enlouquecido na frente do espelho, e eu a abraçava sem tocá-la, como aquelas cercas de vime que protegem plantas delicadas, evitando uma queda certa. Essa brincadeira, que todas as meninas fazem, tinha para ela a importância de um feitiço, iluminava seu rosto com a esperança de que o impossível se realizasse, e para mim bastava a felicidade que ela mostrava naqueles breves momentos, mesmo que meu coração se partisse em mil pedaços. Naquela época, não desejava nada mais no mundo do que ter uma varinha mágica para realizar seu sonho, que também era o meu.
Mas a vida nos separou e eu não fiz nada para evitar. Cumpri o serviço militar e conheci Laura na capital durante uma das minhas licenças. Nos casamos quando me formei e mudei o negócio para lá. Sara estava lá no dia do nosso casamento, mas mal consegui ver o sorriso triste daquela que foi minha bonequinha, seu rosto desaparecia no meio da agitação, mas sempre reaparecia com aquela expressão carregada de reprovação da qual eu queria esquecer a todo custo. Eu a evitei miseravelmente. Não queria que nada estragasse aquele momento.
Sabia pelos meus pais que... morávamos na mesma cidade e ela tinha conseguido um cargo de funcionária na prefeitura. Gozava – segundo eles – de uma autonomia que muitos de seus primos de tamanho normal, apegados ao bom viver proporcionado pela tutela familiar, jamais alcançariam. Estive prestes a verbalizar frases como: “você está igual” ou “o tempo não passa para você”, mas consegui dizer algo mais oportuno:
— Você está muito gostosa.
— E em você o terno cai fabulosamente, e as entradas nem se fala… — disse enquanto estendia suas mãozinhas e centralizava o nó da gravata para, em seguida, puxá-lo e ajustá-la em mim.
— Isso é um golpe baixo… — respondi, para logo corrigir —: Desculpe… não quis dizer isso.
— Hahahahaha…, não seja burro. Acha que vou ficar PRA BAIIXO?
Nós rimos. Ela parecia uma mulher de verdade, e seus peitos emoldurados por um decote provocante vibravam com as risadas e brilhavam perolados de pequenas gotas de suor. Ela usava um vestido de linho cor pistache com pespontos dourados e verdes que, junto a uma gargantilha larga de madrepérola combinando com a pulseira e os brincos, contrastava agradavelmente com o moreno de sua pele.
— Vai ficar o fim de semana? — perguntei, sabendo que as relações com seus pais não eram das melhores.
— Vim com a tia Marga e o marido dela, e volto com eles — respondeu com expressão sombria e desviando o olhar.
Baixei os olhos para não constrangê-la. Ali estavam seus sapatos de salto, lindos, impecáveis, justos como nunca os tinha visto na retaguarda e esperando sua chance de brilhar. Sorri e, num impulso súbito, disse pegando sua mão:
— Acho que chegou sua hora, Cinderela…
— Hahahahaha…, mas espera… as crianças…
— Você sabe o que diz o provérbio: “Quem fez o baço, que o tenha no braço”, já é hora de seus pais assumirem a paternidade.
Levei-a pela mão até a pista. Abrimos caminho entre casais de todas as idades; os mais velhos, desinibidos pelo álcool e aproveitando os últimos jogos de quadril que a artrose permitisse; as mais jovens, recuando ao sentir a proximidade de tantos dinossauros enfurecidos. Estendi o braço sobre ela; e ela, por sua vez, levantou o seu para alcançar minha mão. Traçamos um eixo invisível através do qual Sara começou a girar como fizera outrora diante dos espelhos gêmeos do fundo da loja, desdobrando sua imagem em infinitas posturas mágicas. Ela flexionou uma perna e a velocidade aumentou, transformando-a num redemoinho que foi se achatando até quase roçar o chão.
Levantei-a novamente e, pouco a pouco, ela reduziu a rotação para finalmente parar, com as pupilas trêmulas buscando um ponto onde deter a inércia. Apertei seu corpo contra o meu, e ela se deixou levar, palpitante, seus seios contra minha pica e, enquanto recuperava a estabilidade e o fôlego, eu os perdia com seu contato quente. Seguimos dançando, música após música, erguendo seu corpo sobre minha cabeça ou deslizando-o entre minhas pernas. As pessoas se afastaram, formando uma roda.
Vi Celia nos olhando com desaprovação, como se nos censurasse por roubarmos aquele momento mágico. A anã e o adúltero da família roubando a cena dos noivos naquele espetáculo circense em que não éramos apenas aberrações de parque de diversões, mas tio e sobrinha dançando obscenamente. Esses dois personagens, que num casamento incomodam e ninguém sabe onde colocar, estavam atraindo todos os olhares, que já não eram de pena ou zombaria, mas daquela fascinação que o incompreensível exerce, porque ninguém parecia entender como podíamos nos mover com tal cumplicidade. Ignoravam o que havíamos forjado no fundo da loja, dia após dia, e que todos aqueles passos de dança haviam sido aprendidos sem querer, sem mestres nem regras, apenas com hábito e intuição; e eu era o primeiro surpreendido.
— Vamos embora — sussurrei-lhe após envolvê-la com seu corpo, deslizá-lo pelas costas como um xale e fazê-lo reaparecer diante de mim num movimento contínuo que jamais imaginei ser capaz de fazer.
Sara jogou o cabelo para trás e me seguiu como se não se Não se podia esperar outra coisa dela. Os convidados abriram caminho e pude ver minha ex ao lado da sua gostosa, me olhando com a mesma expressão atônita. Sorri e mandei uma piscadela para ela. Saímos correndo para fora, exultantes, e nos sentamos num banco para recuperar o fôlego. A noite estava fechada e uma chuva de estrelas caía no céu. Ela tirou uns lenços da bolsa, estendeu um para mim e depois enxugou o suor com outro.
- Não tô mais pra essas coisas - gemei rouco e ofegante enquanto me secava -, seu tio já não é mais o que era.
- Kkkkkkk... qual é, nada disso... Você tá na flor da idade, tio Dani... Olha - disse ela apontando para o firmamento.
- São lágrimas de São Lourenço; você sabe, tem que fazer um pedido. Fecha os olhos, Sara; pensa no que você quer.
Eu sabia qual era o desejo dela. Estendi minha mão para alcançar a dela. Envolvi seus dedos, aqueles dedinhos que se fundiram com os meus. Olhei para ela. Ainda estava de olhos fechados. O tempo tinha respeitado as proporções do seu corpo, a harmonia do seu rosto que continuava delicado como o de uma menina. Ela era linda. Abriu os olhos e me encarou de volta. Pensei em beijá-la, mas me segurei. Nossos beijos tinham sido amigáveis até então, como seriam agora? Teriam gosto de saudade daquelas tardes na sapataria? De rancor por eu tê-la ignorado todo esse tempo? De reencontro? Mas no que eu estava pensando? Ela era minha sobrinha e nada mais que isso, carne da minha carne, sangue do meu sangue. Só precisava repetir isso pra mim como um mantra salvador. Tentei por um tempo, mas a língua me traiu.
- Pode voltar comigo se quiser - falei com um nó na garganta e uma excitação surda crescendo dentro de mim.
- Tá bom - respondeu depois de um breve silêncio, durante o qual vi duas estrelas caírem e fiz dois pedidos - Me espera aqui. Vou me despedir.
Ela voltou pouco depois e nós fomos. Durante o caminho, conversamos sobre nossas vidas, especialmente sobre trabalho, um tema neutro que nos permitiu não abordar nossos sentimentos mais íntimos. Ela tinha comprado uma casa geminada nos arredores e viajava com frequência. Parecia ter uma vida profissional e social muito mais ativa que a minha, por isso fiquei surpreso que ela não dirigisse.
- Nunca pensou em tirar a carteira? - perguntei.
- Poderia, mas tenho um certo receio. Teria que adaptar o vehículo e não vejo necessidade por enquanto.
Reduzi a velocidade, liguei a seta e parei numa curva.
- Você vai dirigir - disse.
- Hahahahahahaha..., você tá louco?
- Sobe aqui - falei, convidando-a para sentar no meu colo.
- Quer que a gente morra?
- Sem desculpas. Uma mulher independente como você, sem dirigir? Você tem que experimentar ou vamos ficar aqui até o amanhecer - disse comicamente sério, cruzando os braços com uma careta fingida de descontentamento.
- Hahahahaha... bom, se você vai ficar assim... Você quis - respondeu, soltando o cinto e se deslocando para o meu assento. Apalpou minhas coxas para se posicionar e sentou-se entre minhas pernas.
- Tá enxergando alguma coisa? - perguntei.
- O volante e as estrelas...
Levantei-a pela cintura e a sentei mais para cima.
- E agora?
- Melhor.
Arrancamos. Ela pegou o volante e eu o controlava. No começo ela estava travada de medo, depois se soltou. Ria.
- Viu, você é uma guerreira. Eu sabia.
Ela pareceu dar um salto ao notar o calor da minha respiração. Cheirei seu corpo, aquela mistura de suor feminino e perfume. Cheirei seu cabelo. Seu vestido subiu e senti sua carne esfregando contra meu pau. Suas pernas chutavam excitadas. Ela não parecia consciente do efeito que tinha em mim, tão concentrada estava na simulação. Eu estava louco? Por que a levei a isso? Eu realmente queria...? Eu estava duro e ela tinha que perceber, não tinha como.
- Me deixa alcançar o acelerador! - gritou, esticando as pernas o máximo que podia.
- Hahahahahaha..., você não alcança - respondi brincando.
Mas ela não desistia, esfregando os pés contra as pernas da calça para que eu desse espaço. Sua bunda se separava sobre meu pau ereto. Me sentia nojento, mas ela me excitava e me excitava me sentir assim. Íamos devagar e, de vez em quando, algum vehículo nos dava luzes para ultrapassar logo em seguida. Ela reclamava como uma motorista aguerrida, queria devolver as luzes e eu tinha que impedi-la. O suor encharcava nossas partes íntimas, separadas apenas pela calcinha dela e pelo tecido da minha calça. Pensei em descer e resolver com uma masturbação rápida atrás de uns pinheiros, com a desculpa de urinar. Já não aguentava mais e procurei um lugar para parar.
— O que você tá fazendo? — perguntou, aparentemente frustrada.
— Acabou a aula — respondi depois de parar bruscamente.
— Tô fazendo tão mal assim?
— Não, meu amor. Tão bem demais — respondi quase gemendo.
E então fiz, como algo inevitável, como se um roteiro já tivesse marcado. Afastei a longa melena dela para o lado e me abaixei para lamber sua nuca… sua orelha… Fiquei um tempo assim, aspirando o ar que ela exalava cada vez mais rápido. Ela parecia rígida, mas eu sentia que seu interior derretia como queijo, e fiz o que desejava desde o primeiro momento: percorri suas pernas subindo pelas coxas, afastei a calcinha e acariciei a macia penugem do seu púbis. Ela se deixou fazer. Rodei a vulva dela com um dedo e ela gemeu com um som gutural que a fez tremer inteira. Percorri a geografia dos lábios vaginais dela. Não tinha pressa. Ninguém nos esperava. Deixei as pernas dela caírem relaxadas sobre as minhas coxas. Abri as minhas e, inevitavelmente, as dela se abriram com meu gesto. Enfiei um dedo, suave… mmm… Ela estava molhada, disposta a aceitar…
— Ah, Sara… Sara… Sara, por favor… O que eu tô fazendo?… Me diz para parar, por favor…
— Mmmmm… Dani, meu querido…
Ali estava seu botãozinho. Acariciei suavemente com a ponta do dedo. Ela gemia. Suspirava. Era uma mulher, mesmo parecendo uma menina. Eu me sentia triste, mas ao mesmo tempo excitado com a transformação do meu amoroso brinquedo. Não podia nem queria parar, e me esfreguei contra ela sem parar de masturbá-la. Queria medir sua carne, calibrar sua profundidade; enfiei o dedo mais fundo e sua carne se apertou nele, voraz, apertada. Mais fundo, mais mete-saca e então ela começou a soltar gritos excitantes enquanto o pau e as bolas afundavam na dobra da sua bunda, encharcando a braguilha. Teria sido tão fácil..., mas eu estava apavorado..., tão pequena...
—Tiiiiito Dani..., tiiiito Dani... —ela gemeu, arrastrando sensualmente a palavra "tio" como se isso fosse um valor agregado, um recurso para me excitar ainda mais.
Levantei-a, virei-a e apoiei suas costas contra o volante. A buzina soou estridente no meio da noite, como se o veículo, mesmo sendo uma máquina, tivesse mais consciência das minhas ações do que eu e tentasse me deter. Mas o susto não foi suficiente. Busquei outra posição menos barulhenta e coloquei um travesseiro embaixo dela, dobrei seus joelhos e deixei seus pés descansarem sobre meus ombros, ficando completamente aberta e oferecida diante de mim. Baixei seu vestido e desabotoei o sutiã para que seus seios saíssem. Minhas mãos se prenderam a eles com voracidade, apertando-os, fazendo com que os mamilos ficassem eretos e desafiadores. Levantei seu vestido até deixá-lo em uma faixa obscena enrolada em sua cintura. Baixei sua calcinha e tirei-a definitivamente. Levantei-a um pouco mais para levar sua boceta à boca e devorá-la. Lambi, chupei e tracei círculos em sua fruta excitada; e separei bem seus lábios para castigar suas mucosas com mordidinhas suaves. E se eu fosse o primeiro a aproveitar aquela carne? Esse pensamento me inflamava, saboreava seus fluidos me sentindo um perverso iniciador, arrastando-a para algo que ainda me parecia sujo e degradante, mas que não conseguia controlar.
Sara gemia de prazer e, à luz da lua, pude ver seus olhos exigindo mais com uma luxúria muito adulta e seus dentes apertados para suportar um castigo tão delicioso. Continuei dando-lhe sem piedade. Ela ronronou, se contorceu e senti seu tremor prévio. Ela gritou, presa em um espasmo que a levantou por inteiro. Gozou convulsivamente, destilando, minha língua fornicando duro em suas mucosas. Seu pequeno corpo, arqueado, elevou-se como se quisesse se separar, mas eu a Apertei ela contra mim, fazendo da sua buceta e da minha boca o centro de gravidade dos nossos corpos, deixando que ela apertasse as coxas contra minha cabeça, que não parava de acariciar com suas mãozinhas, desarrumando meu cabelo. Ela inundou minha boca com seu mel enquanto eu continuava a apertar seus mamilos e enfiava um dedo no seu cu, mais apertado que a buceta. Tão leve, tão pequena e, ao mesmo tempo, tão mulher. Perfeita.
Não precisei pedir. Acho que se ela não tivesse tomado a iniciativa, eu não teria tido coragem. Ela desceu do meu colo e se moveu até o seu assento. Depois de alguns momentos, estendeu as mãozinhas para pegar o puxador do zíper e, mesmo que minha ereção imponente dificultasse a tarefa, conseguiu deslizá-lo até o fim. Ela saiu catapultada, ainda envolta na cueca branca; mas ela a descobriu com as mãos, delicadamente. Depois puxou o tecido até deixá-lo esticado sob o saco, expondo as bolas. Ela tinha um jeito de agir que me excitava demais, como quem prepara o serviço de uma mesa se deliciando com o banquete que o espera, sem pressa, sabendo que qualquer detalhe que passe despercebido pode afetar o resultado.
Ela a acariciou, primeiro com o dorso da mão; depois, com a palma, para cima e para baixo, percorrendo o tronco venoso com seus dedinhos quentes. Estendeu a outra mão e com ela recolheu os fluidos que escorriam pela ponta. Suas mãos pequenas superdimensionavam meu pau, que parecia obscenamente monstruoso. Seu toque naquela área tão sensível e prazerosa me fez tensioná-lo ainda mais enquanto eu dizia:
- Assim... assim... Que bem você faz... minha bonequinha...
Ela espalhou os fluidos pelo corpo do pau, esfregando-o, suavemente, inflamando o formigamento que percorria minhas bolas, onde se gestava o orgasmo frenético que eu pressentia. Ela continuou assim por um bom tempo, com as duas mãos, me fazendo gozar com uma masturbação vigorosa e delicada ao mesmo tempo. Pegou minhas bolas, brincou com elas, puxou, apertou... apalpou as glândulas internas como se quisesse separá-las da Pelei, como faria com as sementes de uma fruta, e senti o calor de suas mãozinhas no núcleo daqueles ovos que ameaçavam explodir de excitação entre suas mãos de menina.
- Ooooooohhh... issooo..., continua assim...
Com a boca, às vezes sentia como se estivesse fazendo vácuo para, em seguida, enchê-los de um calor ardente igual ao magma de um vulcão inundando cavernas minerais para gestar sua erupção. Sem parar de me masturbar, ela aproximou a boca da glande e pôs a língua para percorrê-la em círculos, me fazendo estremecer; depois a mordiscou. Repetiu o processo várias vezes, me levando ao limite, até que envolveu os lábios, sugando. Afundou-a mais para dentro enquanto eu acariciava sua cabeça e a incentivava a ser mais safada, regozijando-me na minha perversão, fantasiando em sentir meu sêmen enchendo sua boquinha de menina que não parava de chupar e chupar aquele doce de carne. E aconteceu: com suas mãozinhas apertando vigorosamente meus ovos, masturbando meu tronco, sua boquinha sugando minha glande, meu pau estimulado por completo pelas artes de menina putinha, jorrou jatos de porra que ela se empenhou em engolir, mas que transbordaram inevitavelmente.
- Oooooooohhhh... issooooo... issooooo... issooooooooo... - gemeu, apertando sua cabeça contra meu sexo para senti-la envolvendo até me esvaziar completamente. Ela resistiu aos meus impulsos sem tossir ou sentir náuseas, como uma boa menina tomando o xarope prescrito. Desloquei minha mão até suas nádegas nuas que haviam ficado empinadas forçadas pela postura e ali acariciei sua fenda, manobra que ela aceitou alegre, ou pelo menos mostrou com um novo orgasmo que a fez gemer e estremecer.
Nos separamos, ela voltou ao seu assento e nos limpamos com lenços. O resto da viagem transcorreu em silêncio. Já não éramos os mesmos, a percepção mútua havia mudado e para isso precisávamos de uma nova linguagem, uma linguagem que nenhum dos dois queria ou conseguia formular.
Ela me indicou onde morava e a acompanhei. até mesmo um bairro periférico, construído por completo durante o recente boom imobiliário. Fileiras intermináveis de casas com aspecto nórdico que passariam o resto de suas vidas funcionais sob um céu mediterrâneo e clemente. Parei onde ela indicou e desci para abrir a porta enquanto ela pegava a bolsa e a jaqueta. Um beijo na bochecha e um "até logo" formulado como um "adeus" selou a despedida. Esperei até que ela desaparecesse atrás da porta e fui para casa.
Me sentia estranho, com aquela sensação de culpa que não parava de me atormentar desde que arquitetei aquele ato que na época me pareceu infame. Senti nascer a náusea na boca do estômago, minha consciência se revoltava contra os fatos e tive que parar de repente. Vomitei na calçada. O poste de luz imprimia minha silhueta na calçada como uma sombra chinesa monstruosa se movendo no ritmo das ânsias. A bile se misturou com o resíduo dos seus fluidos com o gosto amargo de um remédio. Tinha a esperança de que aquele gosto marcasse a lembrança dela e me ajudasse a esquecê-la para sempre. Felizmente e com toda a probabilidade, nos veríamos de novo em outra cerimônia familiar quando nossos corpos fossem restos inibidores de qualquer tentação carnal.
Não ia ser tão fácil. Voltei à rotina diária, mas não encontrei nela a paz à qual estava acostumado. A sapataria me lembrava constantemente da Sara e, à noite, dava voltas na cama preso a uma insônia em que a imagem dela era a protagonista. Me abraçava ao travesseiro onde parecia encontrar o contorno do seu corpinho minúsculo e acariciava uns peitos imaginários, mas tão reais na minha mente, que pareciam arder sob as pontas dos meus dedos. A mão se transformava na sua boca suculenta e com ela eu me masturbava pensando que aquela boca se transformava numa buceta que eu entupia com jatos de sêmen abundante. Abandonado ao meu prazer solitário, tinha a esperança de que assim mataria a lembrança daquela noite, mas a única coisa que conseguia era que o a inquietação só aumentava, masturbação atrás de masturbação.
Uma manhã, fuçando no carro, encontrei a calcinha dela debaixo do meu banco. Não consegui me conter e levei até o nariz. Estremeci. Quase chorei. Fiquei um tempo sem me mexer, apertando aquela renda, aspirando o cheiro dela... Precisava parar com esse pesadelo. Apagar qualquer resto físico que tivesse sobrado dela. Saí do veículo e joguei no lixo. Mas não bastava só isso. Precisava apagá-la da minha mente e só conhecia uma maneira.
Decidi que recorreria a uma profissional, recurso que usava com frequência desde que Laura me abandonou. Não tinha sido o remédio perfeito, mas aliviava um pouco. Dava preguiça ficar matando horas em bares quando, com uma ligação e uma transação, podia resolver o "problema". Ia procurar uma depois de fechar a loja e assim conseguiria tirar a Sara da cabeça. Só precisava de uma mulher normal, com tudo o que a palavra "normal" significava naquela época para mim.
Mas tinha que esperar até a noite e não conseguia me concentrar no trabalho. Uma ereção incômoda de sátiro ameaçava atrapalhar umas vendas que, por enquanto, nem apareciam. No banheiro minúsculo, me masturbei desejando ficar exausto e esperando que a manhã animasse para me distrair. Mas o movimento estava fraco e meu pau teimava em ficar duro, quando apareceram uns 37. Não eram nem os mocassins masculinos tranquilizadores do 44, nem um 39 envolvendo pés artrósicos junto à ponta de uma bengala – combinação perfeita para inibir meus desejos. Sempre olho primeiro os pés que o rosto, deformação profissional. Eram uma imitação ruim de uns Manolo Blahnik, terminados em pernas de escândalo que perdoavam qualquer incursão no mercado das imitações chinesas. Disfarcei como pude e me entreguei à portadora, rodeando seus pés com todas as variações possíveis de um mesmo modelo. Clientes com o mesmo perfil tinham sido a causa das desavenças entre Laura e eu. Minha ex era ciumenta Patológica e eu não conseguia me imaginar agachado a menos de meio metro de uma buceta potencialmente comível sem fazer nada.
Eu conseguia me controlar e de fato me controlava; se não fosse assim, o negócio teria ido por água abaixo. Mas ali estava eu, agachado e pensando se fazia sentido me conter quando meus esforços não tinham servido para salvar meu casamento e aquelas pernas sensuais se abriam para o prazer e reclamavam algo mais do que o toque da pele curtida e as carícias furtivas nos tornozelos. Toquei a zona proibida para ver o que era brincadeira e o que era luxúria genuína, e a mulher deixou bem claro o que queria quando deslizei minhas mãos entre suas coxas e com meus dedos alcancei suas partes íntimas.
Me levantei novamente e pendurei a placa de "fechado" na porta. Peguei a mulher pelo braço e a levei até o fundo da loja, um de seus sapatos se perdeu no caminho e a fez cambalear de um jeito quase grotesco. Fui grosseiro -eu sei-, mas algo me fez rir e ela estremeceu. Olhei para ela e um instante de pânico cruzou seu rosto. Havia algo na minha risada que não tinha agradado ou talvez ela estivesse consciente de que seu jogo tinha ido longe demais. Ela pareceu se arrepender e se debateu, mas minha mão se abriu entre suas pernas afundando em sua buceta de forma imperativa, uma buceta molhada que não parecia brincalhona mas desesperadamente necessitada. Levantei-a pelo seu centro de gravidade, sustentando-a, penetrada pelos meus dedos enquanto blefava:
- Calma, putinha; sei que você é uma tarada de cuidado... Você fica excitada quando se sente presa?, só o pânico te lubrifica? Aposto que sim... Deixa acontecer e você vai ver...
Ela gemeu com os olhos bem abertos de terror mas consentindo ao mesmo tempo, como se desejasse que suas fantasias mais terríveis acontecessem e eu fosse o futuro executor de todas elas...
Eu não tinha me enganado, ela procurava por isso. Talvez safadezas que o marido não era capaz de fazer. Deitei-a de costas sobre uma mesa e abri caminho entre suas pernas. Violei sua boca com minha língua, e seus olhos, quase tocando os meus, se relaxaram e perderam a expressão de perigo para dar lugar àquela que mostra a presa alcançada e rendida ao seu fim. Arrebentei sua calcinha, liberei o pau e enfiei com uma golpe brusco que deixou meu corpo tenso na ponta dos pés, gozando do fundo completo de mulher. Fiquei assim um tempo, saboreando o sexo pleno, aquele que não deixa pensar, pura penetração, investindo contra suas mucosas, sentindo-me redimido de qualquer indício de perversão. Era só isso que queria, apenas isso: me sentir macho ativo diante de uma mulher funcional, nada mais; essas investidas selvagens pareciam bastar aos meus propósitos, sentir seu corpo se contorcendo saciado daquele tesão raivoso que a mucosa friccionada por pirocas vigorosas proporciona, aceitando ser presa e agradecendo minha falta de consideração, sentimento do qual ela provavelmente já estava saturada. Ela gritou e suplicou que eu a batesse, mas só consegui abafar seus gritos cobrindo sua boca com as mãos enquanto dizia:
- Ouviu, putinha, não grita senão o vizinho chama a polícia. Não imaginava que você fosse tão louca, acho que te comer foi uma péssima ideia. Mas se se comportar direitinho, a gente brinca de ginecologista e paciente. Vou enfiar um par de afastadores na sua buceta e abrir até caber meu pé com sapato e tudo.
O efeito foi imediato. Ela gozou com meu pau alcançando seu útero e a promessa de arranjos tão deliciosos. Seu orgasmo arrastou o meu.
- Ooooohhhhhh... oooooohhhhh..., Sara, Sara..., que gostoso... Eu quero..., sim..., eu quero... - gemei.
Nem naquele momento eu havia conseguido esquecê-la. A imagem de seu rosto era o cenário do meu clímax. Senti raiva e acelerei minha ereção com investidas que pouco tinham de sensuais, mas que para ela souberam a glória e sob as quais ela se contorceu com luxúria. Não estava comendo ela, estava comendo a Sara. A cliente ou não percebia ou não ligava para como eu a chamava. Provavelmente se sentia comida por um bruto imaginário do qual eu era apenas Aprendiz. É assim o sexo, pura masturbação mesmo sem parecer. Sara me confirmou isso depois, mas já chegaremos lá.
Nos separamos com a urgência dos animais e, como eles, em silêncio. Ela levou meu sêmen, mas não a lembrança de Sara. Foi uma foda paga em espécie, o início da decadência para qualquer negócio respeitável. Achei que aquilo bastaria, mas nem sempre um prego tira outro prego e, depois de outra noite de sonhos lascivos, decidi. Não tinha o telefone dela e havia apenas duas maneiras de entrar em contato com Sara: dando um jeito de encontrá-la no trabalho ou indo diretamente à casa dela. Escolhi a segunda opção porque já era grandinho para joguinhos e me pareceu a mais honesta. Se esperasse até sexta, ela provavelmente já teria algum plano marcado que não poderia mudar.
Fechei a loja mais cedo e fui para casa. Tomei banho, arrumei o cabelo e escolhi um terno parecido com o que usei no dia do casamento da Celia. Queria que ela revivesse aquelas cenas, mostrando que o que aconteceu no caminho de volta não tinha sido um erro, mesmo que fosse... que... bom, enfim...; formulei propósitos de uma hipocrisia sem limites para me convencer das minhas boas intenções enquanto engraxava os sapatos, mas a verdade é que só desejava estar entre as pernas dela com uma determinação que nem nos primórdios da minha juventude eu tinha conhecido; e pensando que se aquilo fosse ser outro erro monumental, não me importava repeti-lo quantas vezes fossem necessárias.
Certifiquei-me antes de bater na porta dela. Passei em frente à casa e vi luz nas janelas. Comprei flores numa floricultura próxima, um buquê denso de rosas vermelho-veludo para esconder minhas intenções perversas, e assim me apresentei à sua porta, espiando por trás delas, esperando ver seu corpinho aparecer igual a um predador à espreita atrás de arbustos na savana. Sara abriu e pude ver um brilho fugaz em seus olhos, uma alegria que ela habilmente disfarçou como se de repente minha visita representasse um incômodo. Como se o amigável beijo de despedida de aquela noite teria selado para sempre qualquer possibilidade de reencontro.
- Nossa, tio Dani, você se perdeu?
De repente me senti ridículo, patético, e a mesma impressão parecia estar em seu olhar. Estava diante da minha sobrinha vestindo uma camiseta que fazia as vezes de vestido e calçando um par de chinelos infantis; e a verdade é que ela mostrava uma indiferença absoluta diante do buquê.
- Desculpe, Sara. Acho que estou fazendo uma besteira. Melhor...
- Entra - disse ela, assumindo o controle da situação.
- Não estou atrapalhando? Me deixei levar pelo impulso e pensei que...
- Não atrapalha nada. Só estou um pouco surpresa, entende, não esperava ninguém... (e muito menos você) - disse franqueando a entrada e continuando -: Jantou? Estava esquentando uma pizza enquanto preparava a salada... Você sabe, onde come um, comem dois...
- Não se preocupe, Sara. Bom, a verdade é que eu adoraria...
- Podemos comer as flores de sobremesa... - brincou enquanto as pegava nos braços e eu a seguia.
- Hahahaha... você é doida, Sara.
- Doida? Nem pense. Vivemos em florestas sombrias, comemos cogumelos venenosos, flores, unhas de burro e armamos armadilhas para humanos para devorá-los depois de uma orgia coletiva.
- Não me parece um final tão ruim. Mas melhor não me dizer de que é a pizza, cheira bem e com isso já basta.
Chegamos à cozinha onde ela colocou as rosas na água. Enquanto fazia isso me perguntou:
- Te surpreende?
- Um pouco.
- Bom. Pra mim é mais confortável.
E continuou mexendo naquele cubículo feito em escala reduzida, onde a bancada me chegava na metade da coxa. Me senti estranhamente grande e poderoso, um sentimento infantil mas excitante, vendo-a se mover habilmente naquelas dimensões de conto de fadas. A tensão inicial parecia ter diminuído e eu ofereci minha ajuda. Conversávamos lado a lado, passando os utensílios um para o outro. Se estivesse de frente para ela talvez não tivesse perguntado, mas tudo parecia ter uma fluidez cúmplice, como de amigos...
- Você sai com alguém?
- Se você quer saber se eu saio com alguém da comunidade, não. Eu gosto de caras grandes e parece que eles gostam de mim. Nada sério por enquanto - respondeu sem rodeios.
Uma pontada no coração. "Putos pervertidos", pensei, como se eu não estivesse na mesma situação, sem perceber que aquela pontada era ciúme. A ideia de que alguém tivesse manchado meu brinquedo me incomodava demais.
Ela me passou os pratos, indicando onde ficava a sala de jantar, adaptada igual à cozinha, mas de forma menos rígida. Acrescentou queijos e frios ao menu original, e a mesa ganhou a aparência de um buffet livre. Me ofereceu uma garrafa de vinho tinto para que eu a abrisse, o que fiz para servir em seguida.
A refeição transcorreu sem sobressaltos, com Sara conduzindo a conversa. Afinal, ela estava em seu território. Comia de forma sensual, seus lábios brilhavam com a gordura do frio e, quando os limpava com o guardanapo, deixava marcas de batom nele. Não lembrava que ela estivesse usando batom quando chegou e me perguntei em que momento ela o tinha passado. Era uma mistura de delicadeza e safadeza que me encantava. Eu assentia e tentava prestar atenção no que ela dizia, mas não parava de pensar no que ela faria com todos aqueles homens com quem dizia entrar em contato. A imaginei oferecida em alguma página obscura da internet ou transando com um "gigante" em algum vídeo aberrante. Me excitava, mas também me angustiava, embora não o suficiente para que meu coração parasse de bombear sangue para meu pau grosso, latejante, desejoso de seus buracos e que eu discretamente direcionava para uma de minhas pernas.
- Você nunca parou pra pensar no que passa pela cabeça deles quando você está com eles? - disse finalmente, sem conseguir me conter, aproveitando uma pausa oportuna.
Fez-se um silêncio estranho, como se a pergunta fosse óbvia demais para ser respondida. Ela continuou cortando a pizza sem me olhar, concentrada no vai e vem da faca como se fosse a coisa mais... decisivo que havia feito em sua vida. -Você acha que a mente daquelas putas que você alivia a vontade está lá quando você as come? - respondeu com voz embargada, sem me olhar - Com quem você está quando goza dentro delas...? Em quem você pensava quando cumpria metodicamente, dia sim dia não, com sua mulher? Isso é um jogo, Dani, e eu não me engano como vocês, os "normais", que acham que são amados e desejados pelo que valem. Eu sou a fantasia deles. Eu sei. Sei que quando estão comigo, as mãos deles não apalpam meu corpo, mas nádegas delicadas como a pele dos anjos, e suas bocas mordem mamilos que mal despontam em seus seios... - Sara - respondi, como se ouvisse minha voz ao longe -... me desculpe. Eu não devia ter perguntado isso. - Tem certeza de que você não é como eles? Que não buscava a mesma coisa que eles, um substituto daqueles corpos proibidos, indefesos e incapazes de responder ao assédio de um adulto? Eu não fiz você se sentir grande, transbordante, sua masculinidade amplificada pelo meu corpo minúsculo? Ela tremia, e sua faca estava descarrilhada entre um camarão e um pedaço de queijo frio. Seus olhos estavam embaçados, e então a vi tão sozinha quanto eu, nem mais nem menos que eu, nem mais nem menos que Celia, que Laura ou sua sexy, ou aquela cliente interesseira que eu tinha comido. Sozinha e chorosa como nos velhos tempos, no fundo da loja. Sozinha naquela casa que, para ela, era duplamente grande, como um imenso castelo... - Provavelmente você tem todas as respostas, Sara, e a razão é sua quando diz que o sexo é uma estranha mistura de realidade e fantasia. Quando te vi no casamento da Celia, senti que você ainda era minha bonequinha, e desde então você se tornou uma obsessão, uma imagem onipresente que preside qualquer um dos meus atos. Não sei se isso combina com o buquê de flores que trouxe, e talvez o papel de galã seja grande demais para mim; talvez eu seja apenas um assediador enlouquecido. Mas, já que você foi tão clara comigo, achei que devia ser sincero. - Pois bem, eu não sou mais aquela gostosa, tio Dani. Eu cresci, mesmo que não pareça.
- Nem me fale. Descobri no casamento.
Ficamos um tempo calados, imóveis, sabendo que o jantar tinha acabado mesmo que nossos pratos dissessem o contrário, e que o que fizéssemos a seguir seria definitivo para o resto de nossas vidas. Eu tinha que fazer, era para isso que tinha vindo. Meu coração batia forte quando me levantei e me aproximei dela. Acariciei seu cabelo negro e ela levantou sua mãozinha para encontrar a minha, como quando dançávamos. Me abaixei, a levantei e carreguei seu peso de lado, como se estivesse carregando uma menina no colo. Ela encostou a cabeça no meu ombro, encharcando o tecido da camisa com suas lágrimas. A faca escorregou no chão com um estalo metálico que nos fez estremecer. Senti suas mãozinhas no meu pescoço e as longas madeixas de cabelo caindo em cascata entre meu torso e seu corpo. Ela ainda era minha boneca, querendo ou não, uma boneca linda e sensual.
Nos sentamos no sofá. Era verão, mas imaginei a lareira acesa e que o calor vinha daquela chama que só ardia na minha mente. Deixei que aquele calor se expandisse, nos fundindo em um só corpo. A acariciei, beijei, transei seu cabelo em cachos impossíveis que meus dedos desfaziam de novo. Sincronizamos nossa respiração, cada vez mais rápida, presa ao ardor que o contato mútuo dos corpos gerava. Ela abriu minha camisa e deslizou sua mãozinha pelo meu torso, arrepiando os pelos, me provocando com um calafrio de prazer. Alcançou um mamilo e brincou com ele, distraidamente, traçando formas como fazemos quando falamos ao telefone e rabiscamos desenhos absurdos em um bloco de notas. Levantei a camiseta dela e acariciei os dela, túrgidos, eretos, e os levei à boca. Chupei e mordi alternadamente, sem deixar que minhas mãos parassem de apertá-los.
Ela estava deitada no meu colo, deixando minhas mãos a explorarem. Tirei a camiseta e a calcinha dela, e um calafrio percorreu seu corpo enquanto ela gemeu:
- Siiim... tio Dani..., continua..., não tenha medo...
Eu teria adorado demorar, ser mais carinhoso, mas o desejo de gozar dentro dela me dominava. Acariciei sua vulva encharcada e deslizei um dedo em seu interior. Acrescentei outro e comecei a masturbá-la com movimentos circulares que buscavam dilatá-la ao máximo. Ao mesmo tempo, roçavam seu clitóris, desencadeando tremores frenéticos. Levantei-a pela cintura e deixei suas pernas se apoiarem ao lado da minha pelve. Toquei-a com roçadas que arrancavam gemidos de excitação, até que abri caminho nela; minha glande escondendo pela metade sua vermelhidão suculenta entre os lábios apertados de sua bucetinha. Ela movia os quadris enquanto eu afundava lentamente dentro dela, e parávamos quando minha geografia cruel e transbordante encontrava a dela, acolhedora mas estreita. Curtas investidas impacientes e imperiosas de ambas as partes conseguiram abrigar boa parte do meu pau... Nos olhávamos raivosos, desafiadores, nos provocando até que Sara me disse:
—Faz, tio Dani, faz. Me solta, por favor. Quero que seja assim, eu desejo —ela quase gemeu.
E eu fiz. Com a ajuda de seu olhar cúmplice. Soltei-a. Sua carne tensionada ao máximo anelou a turgescência do meu pau, deslizando nela, asfixiando sua rede de artérias que responderam com um bombeamento mais eficaz, estimuladas por aquela suculenta e quente tensão. Meus testículos inchados receberam sua delicada vulva para eletrizá-la com meus pelos enquanto ela gritava naquela agonia de dor-prazer:
—Oooooooohhhhh..., assimmmmmm..., tio Dani..., como dói mas que gostoso...
Levantei-a e novamente deixei seu corpo cair como se estivesse me masturbando com ele e continuei com aquele movimento quase ginástico. Com seu cabelo caindo para um lado, um fio de baba no canto da boca; e eu enlouquecido, incapaz de pensar em qualquer coisa além do meu prazer. Seus peitos balançando obscenamente diante de mim com o poder hipnótico de um pêndulo não ajudavam a parar aquela foda brutal que eu já não conseguia controlar. O prazer que sua carne me dava era tão intenso que qualquer um dos seus gestos e gemidos só me estimulavam mais, a cabeça dela caía para trás, o corpo afundado num desmaio que atribuí ao prazer que sentia. Então, ela pareceu recuperar os sentidos e ergueu as pernas com as mãos, oferecendo-se por completo e deixando à vista seus lábios úmidos penetrados pela minha pica, me encarando com o mesmo olhar obsceno e imperioso do começo. Dessa vez ela nem precisou pedir.
Levantei-a e minha pica saiu de sua boceta banhada de fluidos. Enfiei de novo. Dessa vez ela não gemeu nem suplicou. Só me olhou com os esgazeados enquanto suas pupilas desapareciam sob as pálpebras no mesmo ritmo que minha pica afundava no seu cu, agora sem pausas ou descansos; seu corpo submetido à flexão dos meus braços que o elevavam ao céu do prazer e o afundavam no inferno do rasgo. Nada até então me havia apertado tão forte, nada me havia bombado com tanta precisão, nada tinha sido capaz de me dar tanto prazer e ao mesmo tempo contê-lo, me deixando à beira do orgasmo por tanto tempo sem gozar. Mas tudo tem um limite e minhas bolas explodiram de prazer enchendo seu reto com jatos contínuos e gostosos. Ela sincronizou seu orgasmo com o meu, gozando em sacudidas que só a pregaram mais na minha pica, levando-a ao paroxismo com gritos enlouquecidos.
Depois, ficou inerte nos meus braços e eu a levantei para subir ao quarto. Deitei-a na cama deixando as pernas penduradas na beirada. Contemplei-a dócil e vencida como uma menina cansada prestes a adormecer. Observei esses orifícios que havia ultrajado, aproximei minha boca de sua boceta e a lambi com gosto até que novos espasmos a percorreram e seu cu liquefez a porra que havia abrigado, marcado pelas contrações. Deitei ao lado dela e quando acordei ela já não estava. Ouvi-a no banheiro e aproveitei então para fuçar no seu toucador. Encontrei um anel de bijuteria num pequeno porta-joias e o guardei no bolso como um ladrão furtivo. * * * * Percebi que a vida sem ela tinha sido um estranho parêntese. Escolhi uma peça sem exageros, Sara era austera no vestir. Ao joalheiro mostrei o anel que havia subtraído; como amostra, era perfeito para que ajustasse a nova peça na medida dela. Perguntou se eu queria alguma inscrição, e eu mostrei a ele escrita num papel. "Linda mensagem", disse depois de ler. Provavelmente essas eram sempre as palavras dele, um código cúmplice para esconder a obscenidade de alguns pedidos, um comentário neutro que validava qualquer sugestão do cliente, por mais excêntrica que fosse. Ele era um profissional e não mostrou surpresa ao ler a dedicatória escrita no papel, que dizia: "NUNCA CRESÇAS".
Mas eu administro uma sapataria e, no fundo, esses teatrinhos me convêm. O cenário das minhas reflexões hipócritas não era uma comunhão, mas um banquete de casamento, e era isso que eu pensava vendo aquele imbecil babando em cima da Laura, minha ex-mulher. Ali, numa mesa colada na minha, esfregando na minha cara aquele gostoso tirado das páginas de serviços sexuais por hora. Minha prima Celia, a noiva, tinha arrumado as mesas para me dar uma facada no saco, sabendo que só um terremoto de grau 10 poderia me libertar desse pesadelo me deixando debaixo dos escombros. Não era paranoia – com certeza –, minha ex não tinha nada a ver com aquele casamento. Não havia afeto nem consanguinidade entre elas, e a Celia tinha convidado ela só pra me foder.
Eu tentava prestar atenção na minha parceira de mesa, posta ali pelo "alcaguetas.com" de Somera, localidade onde se celebrava o feliz acontecimento. Parecia uma boa garota, com toda a bondade que ainda pode nos restar aos trinta, mas nem o vinho nem o espumante pareciam capazes de relaxar sua tensão de princesa.
– Vem comigo ao banheiro? – propus sorrindo pra ela e sabendo que aquele era o último lugar pra onde ela ia me acompanhar.
Ela me olhou apavorada. Não estava no cio e nem parecia ter senso de humor. Fui me despedir sem parar de sorrir, não queria deixar um gosto amargo na boca dela me vendo desaparecer pela porta, perdendo a oportunidade de me dar uma trepada. Será que ela tinha levado a sério? Iam espalhar minha vil perversão por toda a região pela boca do "alcaguetas.com"?
Ali já se notavam os excessos. A população masculina filtrava o álcool contra a louça dos mictórios, alinhados e pica pra fora; e Oscar vomitava entre a pia do lavatório e a solidez do primo Robert, que estava lá para molhar sua testa como se a água da torneira fosse água benta e pudesse curar a bebedeira inoportuna. Tranquei-me no box para ficar mais à vontade e, sentado, avaliei se entrava na festa deles ou vazava antes que a música começasse e eu tivesse que arrastar Sissi Imperatriz para a pista. Só tinha três pontos na carteira e o prefeito já tinha combinado alguma blitz com a polícia anti-vício para nos pegar com o bafômetro seis curvas abaixo. Engoli alguns omeprazóis enquanto esvaziava o tanque.
Voltei ao bebedouro quando, por sorte, minha parceira de banquete, Sissi Imperatriz, já tinha encontrado seu Francisco José, que a virava na pista de dança improvisada, não no ritmo de valsa, mas no ritmo de Bisbal. Atrás de mim estava a mesa das crianças, pura trincheira onde os restos do bolo de guloseimas eram usados como projéteis. Sara, minha sobrinha, tentava controlar a situação; mas nem seus bons modos nem sua estatura pareciam impor respeito. Achava vergonhoso que Celia a tivesse sentado ali, ainda mais degradante do que colocar minha ex ao lado de sua gostosa na minha frente. Aproximei-me.
— Oi, Sara — falei enquanto minhas nádegas transbordavam numa microcadeira ao lado dela.
— Oi, tio Dani — respondeu sorrindo, sem deixar que a metralha do bolo atingisse uma pirralha de três anos refugiada no seu colo.
— Precisa de ajuda?
— Você é do G.E.O.?
Rimos. Ela estava linda, apertada naquele vestido tão sexy e calçada naqueles sapatos de salto de número impossível. Em pé, mal chegava à minha altura; ajeitou o vestido puxando-o com suas mãozinhas e deu a volta na mesa com seus passinhos curtos e cheios de charme até alcançar um baita pentelho de cinco anos que nocauteara outro de três. Mal conseguia segurá-lo. Forcejava e o tecido subia por suas coxas. me mostrando a pontinha da calcinha. As pernas dela tremiam de esforço de um jeito muito excitante, pareciam trêmulas depois de uma maratona de orgasmos. Me levantei e fui dar uma mãozinha. Peguei o monstro "amorosamente" e disse com o mesmo carinho:
- Ei, babaca, por causa de personagens como você que o mundo vai mal. Aos cinco, você amassa outro menor e mais fraco contra o piso, e aos trinta vai deslocalizar a empresa pra ter uma fábrica cheia de otários se matando por um prato de arroz com baratas. Por causa de gente como você me mandam sapatos de papelão; vocês fodem com os de lá; e com os daqui, também.
Ouvi essas palavras como se não saíssem da minha boca. Estava puto com a Celia, com minha ex, com o gostosão, comigo mesmo, com o menino e com a mãe que o pariu..., mas eu tinha enlouquecido? O menino fazia beicinho aterrorizado e boquejava "mãe!" como se a vida dele dependesse disso. Fez-se silêncio e só se ouvia a Carrá vociferando: "explode explode me explode, explode explode meu coração". Soltei-o antes que o meu explodisse e antes que o pai dele se aproximasse pra quebrar minha cara, momento que ele aproveitou pra se esquivar e encontrar o colo acolhedor da mãe. Sentei numa cadeira pensando que tinha exagerado pra caralho, mas continuei nessa linha e, pra que não vissem rachaduras na autoridade, soltei:
- Acabou o recreio, todo mundo sentar!
Ficaram intimidados me olhando de esguelha enquanto brincavam pacificamente ou faziam foguetes e barcos com guardanapos de papel. Só minha sobrinha me olhava divertida. Eu era treze anos mais velho que ela e ainda lembro o que minha irmã disse quando a colocou pela primeira vez nos meus braços: "segura ela direitinho, Dani".
Como eu ia soltá-la! Seus olhos me procuravam confiantes e eu a apertava contra mim pra comer suas bochechas de beijos. Ela me adorava, sempre me procurava. Fui o irmão mais velho que ela não teve. Vieram as comparações, as perguntas, os porquês; e, depois de uma dura travessia por um monte de hospitais, o diagnóstico. Depois, a crueldade que ela aguentava com firmeza. O atraso no crescimento físico a colocava no limite da normalidade, mas foi o suficiente para torná-la alvo da crueldade infantil. Ao sair da aula, ela se refugiava na sapataria que eu tinha na cidade na época e, no fundo da loja, chorava em silêncio para que os clientes não a ouvissem. Foi assim que me tornei cúmplice da sua dor, seu melhor e único amigo.
Quando iam embora, começava a brincadeira. Ela adorava sapatos de salto alto e eu sempre separava alguns do tamanho mais pequeno. Ela ficava louca com o cheiro do couro, mais do que com qualquer doce. Ela os pegava com suas mãozinhas e um respeito que nunca vi em nenhum adulto, e calçava aqueles sapatos onde seus pés se perdiam entre tiras de couro e fivelas impossíveis. Dava voltas com saltinhos de fantasia como um pião enlouquecido na frente do espelho, e eu a abraçava sem tocá-la, como aquelas cercas de vime que protegem plantas delicadas, evitando uma queda certa. Essa brincadeira, que todas as meninas fazem, tinha para ela a importância de um feitiço, iluminava seu rosto com a esperança de que o impossível se realizasse, e para mim bastava a felicidade que ela mostrava naqueles breves momentos, mesmo que meu coração se partisse em mil pedaços. Naquela época, não desejava nada mais no mundo do que ter uma varinha mágica para realizar seu sonho, que também era o meu.
Mas a vida nos separou e eu não fiz nada para evitar. Cumpri o serviço militar e conheci Laura na capital durante uma das minhas licenças. Nos casamos quando me formei e mudei o negócio para lá. Sara estava lá no dia do nosso casamento, mas mal consegui ver o sorriso triste daquela que foi minha bonequinha, seu rosto desaparecia no meio da agitação, mas sempre reaparecia com aquela expressão carregada de reprovação da qual eu queria esquecer a todo custo. Eu a evitei miseravelmente. Não queria que nada estragasse aquele momento.
Sabia pelos meus pais que... morávamos na mesma cidade e ela tinha conseguido um cargo de funcionária na prefeitura. Gozava – segundo eles – de uma autonomia que muitos de seus primos de tamanho normal, apegados ao bom viver proporcionado pela tutela familiar, jamais alcançariam. Estive prestes a verbalizar frases como: “você está igual” ou “o tempo não passa para você”, mas consegui dizer algo mais oportuno:
— Você está muito gostosa.
— E em você o terno cai fabulosamente, e as entradas nem se fala… — disse enquanto estendia suas mãozinhas e centralizava o nó da gravata para, em seguida, puxá-lo e ajustá-la em mim.
— Isso é um golpe baixo… — respondi, para logo corrigir —: Desculpe… não quis dizer isso.
— Hahahahaha…, não seja burro. Acha que vou ficar PRA BAIIXO?
Nós rimos. Ela parecia uma mulher de verdade, e seus peitos emoldurados por um decote provocante vibravam com as risadas e brilhavam perolados de pequenas gotas de suor. Ela usava um vestido de linho cor pistache com pespontos dourados e verdes que, junto a uma gargantilha larga de madrepérola combinando com a pulseira e os brincos, contrastava agradavelmente com o moreno de sua pele.
— Vai ficar o fim de semana? — perguntei, sabendo que as relações com seus pais não eram das melhores.
— Vim com a tia Marga e o marido dela, e volto com eles — respondeu com expressão sombria e desviando o olhar.
Baixei os olhos para não constrangê-la. Ali estavam seus sapatos de salto, lindos, impecáveis, justos como nunca os tinha visto na retaguarda e esperando sua chance de brilhar. Sorri e, num impulso súbito, disse pegando sua mão:
— Acho que chegou sua hora, Cinderela…
— Hahahahaha…, mas espera… as crianças…
— Você sabe o que diz o provérbio: “Quem fez o baço, que o tenha no braço”, já é hora de seus pais assumirem a paternidade.
Levei-a pela mão até a pista. Abrimos caminho entre casais de todas as idades; os mais velhos, desinibidos pelo álcool e aproveitando os últimos jogos de quadril que a artrose permitisse; as mais jovens, recuando ao sentir a proximidade de tantos dinossauros enfurecidos. Estendi o braço sobre ela; e ela, por sua vez, levantou o seu para alcançar minha mão. Traçamos um eixo invisível através do qual Sara começou a girar como fizera outrora diante dos espelhos gêmeos do fundo da loja, desdobrando sua imagem em infinitas posturas mágicas. Ela flexionou uma perna e a velocidade aumentou, transformando-a num redemoinho que foi se achatando até quase roçar o chão.
Levantei-a novamente e, pouco a pouco, ela reduziu a rotação para finalmente parar, com as pupilas trêmulas buscando um ponto onde deter a inércia. Apertei seu corpo contra o meu, e ela se deixou levar, palpitante, seus seios contra minha pica e, enquanto recuperava a estabilidade e o fôlego, eu os perdia com seu contato quente. Seguimos dançando, música após música, erguendo seu corpo sobre minha cabeça ou deslizando-o entre minhas pernas. As pessoas se afastaram, formando uma roda.
Vi Celia nos olhando com desaprovação, como se nos censurasse por roubarmos aquele momento mágico. A anã e o adúltero da família roubando a cena dos noivos naquele espetáculo circense em que não éramos apenas aberrações de parque de diversões, mas tio e sobrinha dançando obscenamente. Esses dois personagens, que num casamento incomodam e ninguém sabe onde colocar, estavam atraindo todos os olhares, que já não eram de pena ou zombaria, mas daquela fascinação que o incompreensível exerce, porque ninguém parecia entender como podíamos nos mover com tal cumplicidade. Ignoravam o que havíamos forjado no fundo da loja, dia após dia, e que todos aqueles passos de dança haviam sido aprendidos sem querer, sem mestres nem regras, apenas com hábito e intuição; e eu era o primeiro surpreendido.
— Vamos embora — sussurrei-lhe após envolvê-la com seu corpo, deslizá-lo pelas costas como um xale e fazê-lo reaparecer diante de mim num movimento contínuo que jamais imaginei ser capaz de fazer.
Sara jogou o cabelo para trás e me seguiu como se não se Não se podia esperar outra coisa dela. Os convidados abriram caminho e pude ver minha ex ao lado da sua gostosa, me olhando com a mesma expressão atônita. Sorri e mandei uma piscadela para ela. Saímos correndo para fora, exultantes, e nos sentamos num banco para recuperar o fôlego. A noite estava fechada e uma chuva de estrelas caía no céu. Ela tirou uns lenços da bolsa, estendeu um para mim e depois enxugou o suor com outro.
- Não tô mais pra essas coisas - gemei rouco e ofegante enquanto me secava -, seu tio já não é mais o que era.
- Kkkkkkk... qual é, nada disso... Você tá na flor da idade, tio Dani... Olha - disse ela apontando para o firmamento.
- São lágrimas de São Lourenço; você sabe, tem que fazer um pedido. Fecha os olhos, Sara; pensa no que você quer.
Eu sabia qual era o desejo dela. Estendi minha mão para alcançar a dela. Envolvi seus dedos, aqueles dedinhos que se fundiram com os meus. Olhei para ela. Ainda estava de olhos fechados. O tempo tinha respeitado as proporções do seu corpo, a harmonia do seu rosto que continuava delicado como o de uma menina. Ela era linda. Abriu os olhos e me encarou de volta. Pensei em beijá-la, mas me segurei. Nossos beijos tinham sido amigáveis até então, como seriam agora? Teriam gosto de saudade daquelas tardes na sapataria? De rancor por eu tê-la ignorado todo esse tempo? De reencontro? Mas no que eu estava pensando? Ela era minha sobrinha e nada mais que isso, carne da minha carne, sangue do meu sangue. Só precisava repetir isso pra mim como um mantra salvador. Tentei por um tempo, mas a língua me traiu.
- Pode voltar comigo se quiser - falei com um nó na garganta e uma excitação surda crescendo dentro de mim.
- Tá bom - respondeu depois de um breve silêncio, durante o qual vi duas estrelas caírem e fiz dois pedidos - Me espera aqui. Vou me despedir.
Ela voltou pouco depois e nós fomos. Durante o caminho, conversamos sobre nossas vidas, especialmente sobre trabalho, um tema neutro que nos permitiu não abordar nossos sentimentos mais íntimos. Ela tinha comprado uma casa geminada nos arredores e viajava com frequência. Parecia ter uma vida profissional e social muito mais ativa que a minha, por isso fiquei surpreso que ela não dirigisse.
- Nunca pensou em tirar a carteira? - perguntei.
- Poderia, mas tenho um certo receio. Teria que adaptar o vehículo e não vejo necessidade por enquanto.
Reduzi a velocidade, liguei a seta e parei numa curva.
- Você vai dirigir - disse.
- Hahahahahahaha..., você tá louco?
- Sobe aqui - falei, convidando-a para sentar no meu colo.
- Quer que a gente morra?
- Sem desculpas. Uma mulher independente como você, sem dirigir? Você tem que experimentar ou vamos ficar aqui até o amanhecer - disse comicamente sério, cruzando os braços com uma careta fingida de descontentamento.
- Hahahahaha... bom, se você vai ficar assim... Você quis - respondeu, soltando o cinto e se deslocando para o meu assento. Apalpou minhas coxas para se posicionar e sentou-se entre minhas pernas.
- Tá enxergando alguma coisa? - perguntei.
- O volante e as estrelas...
Levantei-a pela cintura e a sentei mais para cima.
- E agora?
- Melhor.
Arrancamos. Ela pegou o volante e eu o controlava. No começo ela estava travada de medo, depois se soltou. Ria.
- Viu, você é uma guerreira. Eu sabia.
Ela pareceu dar um salto ao notar o calor da minha respiração. Cheirei seu corpo, aquela mistura de suor feminino e perfume. Cheirei seu cabelo. Seu vestido subiu e senti sua carne esfregando contra meu pau. Suas pernas chutavam excitadas. Ela não parecia consciente do efeito que tinha em mim, tão concentrada estava na simulação. Eu estava louco? Por que a levei a isso? Eu realmente queria...? Eu estava duro e ela tinha que perceber, não tinha como.
- Me deixa alcançar o acelerador! - gritou, esticando as pernas o máximo que podia.
- Hahahahahaha..., você não alcança - respondi brincando.
Mas ela não desistia, esfregando os pés contra as pernas da calça para que eu desse espaço. Sua bunda se separava sobre meu pau ereto. Me sentia nojento, mas ela me excitava e me excitava me sentir assim. Íamos devagar e, de vez em quando, algum vehículo nos dava luzes para ultrapassar logo em seguida. Ela reclamava como uma motorista aguerrida, queria devolver as luzes e eu tinha que impedi-la. O suor encharcava nossas partes íntimas, separadas apenas pela calcinha dela e pelo tecido da minha calça. Pensei em descer e resolver com uma masturbação rápida atrás de uns pinheiros, com a desculpa de urinar. Já não aguentava mais e procurei um lugar para parar.
— O que você tá fazendo? — perguntou, aparentemente frustrada.
— Acabou a aula — respondi depois de parar bruscamente.
— Tô fazendo tão mal assim?
— Não, meu amor. Tão bem demais — respondi quase gemendo.
E então fiz, como algo inevitável, como se um roteiro já tivesse marcado. Afastei a longa melena dela para o lado e me abaixei para lamber sua nuca… sua orelha… Fiquei um tempo assim, aspirando o ar que ela exalava cada vez mais rápido. Ela parecia rígida, mas eu sentia que seu interior derretia como queijo, e fiz o que desejava desde o primeiro momento: percorri suas pernas subindo pelas coxas, afastei a calcinha e acariciei a macia penugem do seu púbis. Ela se deixou fazer. Rodei a vulva dela com um dedo e ela gemeu com um som gutural que a fez tremer inteira. Percorri a geografia dos lábios vaginais dela. Não tinha pressa. Ninguém nos esperava. Deixei as pernas dela caírem relaxadas sobre as minhas coxas. Abri as minhas e, inevitavelmente, as dela se abriram com meu gesto. Enfiei um dedo, suave… mmm… Ela estava molhada, disposta a aceitar…
— Ah, Sara… Sara… Sara, por favor… O que eu tô fazendo?… Me diz para parar, por favor…
— Mmmmm… Dani, meu querido…
Ali estava seu botãozinho. Acariciei suavemente com a ponta do dedo. Ela gemia. Suspirava. Era uma mulher, mesmo parecendo uma menina. Eu me sentia triste, mas ao mesmo tempo excitado com a transformação do meu amoroso brinquedo. Não podia nem queria parar, e me esfreguei contra ela sem parar de masturbá-la. Queria medir sua carne, calibrar sua profundidade; enfiei o dedo mais fundo e sua carne se apertou nele, voraz, apertada. Mais fundo, mais mete-saca e então ela começou a soltar gritos excitantes enquanto o pau e as bolas afundavam na dobra da sua bunda, encharcando a braguilha. Teria sido tão fácil..., mas eu estava apavorado..., tão pequena...
—Tiiiiito Dani..., tiiiito Dani... —ela gemeu, arrastrando sensualmente a palavra "tio" como se isso fosse um valor agregado, um recurso para me excitar ainda mais.
Levantei-a, virei-a e apoiei suas costas contra o volante. A buzina soou estridente no meio da noite, como se o veículo, mesmo sendo uma máquina, tivesse mais consciência das minhas ações do que eu e tentasse me deter. Mas o susto não foi suficiente. Busquei outra posição menos barulhenta e coloquei um travesseiro embaixo dela, dobrei seus joelhos e deixei seus pés descansarem sobre meus ombros, ficando completamente aberta e oferecida diante de mim. Baixei seu vestido e desabotoei o sutiã para que seus seios saíssem. Minhas mãos se prenderam a eles com voracidade, apertando-os, fazendo com que os mamilos ficassem eretos e desafiadores. Levantei seu vestido até deixá-lo em uma faixa obscena enrolada em sua cintura. Baixei sua calcinha e tirei-a definitivamente. Levantei-a um pouco mais para levar sua boceta à boca e devorá-la. Lambi, chupei e tracei círculos em sua fruta excitada; e separei bem seus lábios para castigar suas mucosas com mordidinhas suaves. E se eu fosse o primeiro a aproveitar aquela carne? Esse pensamento me inflamava, saboreava seus fluidos me sentindo um perverso iniciador, arrastando-a para algo que ainda me parecia sujo e degradante, mas que não conseguia controlar.
Sara gemia de prazer e, à luz da lua, pude ver seus olhos exigindo mais com uma luxúria muito adulta e seus dentes apertados para suportar um castigo tão delicioso. Continuei dando-lhe sem piedade. Ela ronronou, se contorceu e senti seu tremor prévio. Ela gritou, presa em um espasmo que a levantou por inteiro. Gozou convulsivamente, destilando, minha língua fornicando duro em suas mucosas. Seu pequeno corpo, arqueado, elevou-se como se quisesse se separar, mas eu a Apertei ela contra mim, fazendo da sua buceta e da minha boca o centro de gravidade dos nossos corpos, deixando que ela apertasse as coxas contra minha cabeça, que não parava de acariciar com suas mãozinhas, desarrumando meu cabelo. Ela inundou minha boca com seu mel enquanto eu continuava a apertar seus mamilos e enfiava um dedo no seu cu, mais apertado que a buceta. Tão leve, tão pequena e, ao mesmo tempo, tão mulher. Perfeita.
Não precisei pedir. Acho que se ela não tivesse tomado a iniciativa, eu não teria tido coragem. Ela desceu do meu colo e se moveu até o seu assento. Depois de alguns momentos, estendeu as mãozinhas para pegar o puxador do zíper e, mesmo que minha ereção imponente dificultasse a tarefa, conseguiu deslizá-lo até o fim. Ela saiu catapultada, ainda envolta na cueca branca; mas ela a descobriu com as mãos, delicadamente. Depois puxou o tecido até deixá-lo esticado sob o saco, expondo as bolas. Ela tinha um jeito de agir que me excitava demais, como quem prepara o serviço de uma mesa se deliciando com o banquete que o espera, sem pressa, sabendo que qualquer detalhe que passe despercebido pode afetar o resultado.
Ela a acariciou, primeiro com o dorso da mão; depois, com a palma, para cima e para baixo, percorrendo o tronco venoso com seus dedinhos quentes. Estendeu a outra mão e com ela recolheu os fluidos que escorriam pela ponta. Suas mãos pequenas superdimensionavam meu pau, que parecia obscenamente monstruoso. Seu toque naquela área tão sensível e prazerosa me fez tensioná-lo ainda mais enquanto eu dizia:
- Assim... assim... Que bem você faz... minha bonequinha...
Ela espalhou os fluidos pelo corpo do pau, esfregando-o, suavemente, inflamando o formigamento que percorria minhas bolas, onde se gestava o orgasmo frenético que eu pressentia. Ela continuou assim por um bom tempo, com as duas mãos, me fazendo gozar com uma masturbação vigorosa e delicada ao mesmo tempo. Pegou minhas bolas, brincou com elas, puxou, apertou... apalpou as glândulas internas como se quisesse separá-las da Pelei, como faria com as sementes de uma fruta, e senti o calor de suas mãozinhas no núcleo daqueles ovos que ameaçavam explodir de excitação entre suas mãos de menina.
- Ooooooohhh... issooo..., continua assim...
Com a boca, às vezes sentia como se estivesse fazendo vácuo para, em seguida, enchê-los de um calor ardente igual ao magma de um vulcão inundando cavernas minerais para gestar sua erupção. Sem parar de me masturbar, ela aproximou a boca da glande e pôs a língua para percorrê-la em círculos, me fazendo estremecer; depois a mordiscou. Repetiu o processo várias vezes, me levando ao limite, até que envolveu os lábios, sugando. Afundou-a mais para dentro enquanto eu acariciava sua cabeça e a incentivava a ser mais safada, regozijando-me na minha perversão, fantasiando em sentir meu sêmen enchendo sua boquinha de menina que não parava de chupar e chupar aquele doce de carne. E aconteceu: com suas mãozinhas apertando vigorosamente meus ovos, masturbando meu tronco, sua boquinha sugando minha glande, meu pau estimulado por completo pelas artes de menina putinha, jorrou jatos de porra que ela se empenhou em engolir, mas que transbordaram inevitavelmente.
- Oooooooohhhh... issooooo... issooooo... issooooooooo... - gemeu, apertando sua cabeça contra meu sexo para senti-la envolvendo até me esvaziar completamente. Ela resistiu aos meus impulsos sem tossir ou sentir náuseas, como uma boa menina tomando o xarope prescrito. Desloquei minha mão até suas nádegas nuas que haviam ficado empinadas forçadas pela postura e ali acariciei sua fenda, manobra que ela aceitou alegre, ou pelo menos mostrou com um novo orgasmo que a fez gemer e estremecer.
Nos separamos, ela voltou ao seu assento e nos limpamos com lenços. O resto da viagem transcorreu em silêncio. Já não éramos os mesmos, a percepção mútua havia mudado e para isso precisávamos de uma nova linguagem, uma linguagem que nenhum dos dois queria ou conseguia formular.
Ela me indicou onde morava e a acompanhei. até mesmo um bairro periférico, construído por completo durante o recente boom imobiliário. Fileiras intermináveis de casas com aspecto nórdico que passariam o resto de suas vidas funcionais sob um céu mediterrâneo e clemente. Parei onde ela indicou e desci para abrir a porta enquanto ela pegava a bolsa e a jaqueta. Um beijo na bochecha e um "até logo" formulado como um "adeus" selou a despedida. Esperei até que ela desaparecesse atrás da porta e fui para casa.
Me sentia estranho, com aquela sensação de culpa que não parava de me atormentar desde que arquitetei aquele ato que na época me pareceu infame. Senti nascer a náusea na boca do estômago, minha consciência se revoltava contra os fatos e tive que parar de repente. Vomitei na calçada. O poste de luz imprimia minha silhueta na calçada como uma sombra chinesa monstruosa se movendo no ritmo das ânsias. A bile se misturou com o resíduo dos seus fluidos com o gosto amargo de um remédio. Tinha a esperança de que aquele gosto marcasse a lembrança dela e me ajudasse a esquecê-la para sempre. Felizmente e com toda a probabilidade, nos veríamos de novo em outra cerimônia familiar quando nossos corpos fossem restos inibidores de qualquer tentação carnal.
Não ia ser tão fácil. Voltei à rotina diária, mas não encontrei nela a paz à qual estava acostumado. A sapataria me lembrava constantemente da Sara e, à noite, dava voltas na cama preso a uma insônia em que a imagem dela era a protagonista. Me abraçava ao travesseiro onde parecia encontrar o contorno do seu corpinho minúsculo e acariciava uns peitos imaginários, mas tão reais na minha mente, que pareciam arder sob as pontas dos meus dedos. A mão se transformava na sua boca suculenta e com ela eu me masturbava pensando que aquela boca se transformava numa buceta que eu entupia com jatos de sêmen abundante. Abandonado ao meu prazer solitário, tinha a esperança de que assim mataria a lembrança daquela noite, mas a única coisa que conseguia era que o a inquietação só aumentava, masturbação atrás de masturbação.
Uma manhã, fuçando no carro, encontrei a calcinha dela debaixo do meu banco. Não consegui me conter e levei até o nariz. Estremeci. Quase chorei. Fiquei um tempo sem me mexer, apertando aquela renda, aspirando o cheiro dela... Precisava parar com esse pesadelo. Apagar qualquer resto físico que tivesse sobrado dela. Saí do veículo e joguei no lixo. Mas não bastava só isso. Precisava apagá-la da minha mente e só conhecia uma maneira.
Decidi que recorreria a uma profissional, recurso que usava com frequência desde que Laura me abandonou. Não tinha sido o remédio perfeito, mas aliviava um pouco. Dava preguiça ficar matando horas em bares quando, com uma ligação e uma transação, podia resolver o "problema". Ia procurar uma depois de fechar a loja e assim conseguiria tirar a Sara da cabeça. Só precisava de uma mulher normal, com tudo o que a palavra "normal" significava naquela época para mim.
Mas tinha que esperar até a noite e não conseguia me concentrar no trabalho. Uma ereção incômoda de sátiro ameaçava atrapalhar umas vendas que, por enquanto, nem apareciam. No banheiro minúsculo, me masturbei desejando ficar exausto e esperando que a manhã animasse para me distrair. Mas o movimento estava fraco e meu pau teimava em ficar duro, quando apareceram uns 37. Não eram nem os mocassins masculinos tranquilizadores do 44, nem um 39 envolvendo pés artrósicos junto à ponta de uma bengala – combinação perfeita para inibir meus desejos. Sempre olho primeiro os pés que o rosto, deformação profissional. Eram uma imitação ruim de uns Manolo Blahnik, terminados em pernas de escândalo que perdoavam qualquer incursão no mercado das imitações chinesas. Disfarcei como pude e me entreguei à portadora, rodeando seus pés com todas as variações possíveis de um mesmo modelo. Clientes com o mesmo perfil tinham sido a causa das desavenças entre Laura e eu. Minha ex era ciumenta Patológica e eu não conseguia me imaginar agachado a menos de meio metro de uma buceta potencialmente comível sem fazer nada.
Eu conseguia me controlar e de fato me controlava; se não fosse assim, o negócio teria ido por água abaixo. Mas ali estava eu, agachado e pensando se fazia sentido me conter quando meus esforços não tinham servido para salvar meu casamento e aquelas pernas sensuais se abriam para o prazer e reclamavam algo mais do que o toque da pele curtida e as carícias furtivas nos tornozelos. Toquei a zona proibida para ver o que era brincadeira e o que era luxúria genuína, e a mulher deixou bem claro o que queria quando deslizei minhas mãos entre suas coxas e com meus dedos alcancei suas partes íntimas.
Me levantei novamente e pendurei a placa de "fechado" na porta. Peguei a mulher pelo braço e a levei até o fundo da loja, um de seus sapatos se perdeu no caminho e a fez cambalear de um jeito quase grotesco. Fui grosseiro -eu sei-, mas algo me fez rir e ela estremeceu. Olhei para ela e um instante de pânico cruzou seu rosto. Havia algo na minha risada que não tinha agradado ou talvez ela estivesse consciente de que seu jogo tinha ido longe demais. Ela pareceu se arrepender e se debateu, mas minha mão se abriu entre suas pernas afundando em sua buceta de forma imperativa, uma buceta molhada que não parecia brincalhona mas desesperadamente necessitada. Levantei-a pelo seu centro de gravidade, sustentando-a, penetrada pelos meus dedos enquanto blefava:
- Calma, putinha; sei que você é uma tarada de cuidado... Você fica excitada quando se sente presa?, só o pânico te lubrifica? Aposto que sim... Deixa acontecer e você vai ver...
Ela gemeu com os olhos bem abertos de terror mas consentindo ao mesmo tempo, como se desejasse que suas fantasias mais terríveis acontecessem e eu fosse o futuro executor de todas elas...
Eu não tinha me enganado, ela procurava por isso. Talvez safadezas que o marido não era capaz de fazer. Deitei-a de costas sobre uma mesa e abri caminho entre suas pernas. Violei sua boca com minha língua, e seus olhos, quase tocando os meus, se relaxaram e perderam a expressão de perigo para dar lugar àquela que mostra a presa alcançada e rendida ao seu fim. Arrebentei sua calcinha, liberei o pau e enfiei com uma golpe brusco que deixou meu corpo tenso na ponta dos pés, gozando do fundo completo de mulher. Fiquei assim um tempo, saboreando o sexo pleno, aquele que não deixa pensar, pura penetração, investindo contra suas mucosas, sentindo-me redimido de qualquer indício de perversão. Era só isso que queria, apenas isso: me sentir macho ativo diante de uma mulher funcional, nada mais; essas investidas selvagens pareciam bastar aos meus propósitos, sentir seu corpo se contorcendo saciado daquele tesão raivoso que a mucosa friccionada por pirocas vigorosas proporciona, aceitando ser presa e agradecendo minha falta de consideração, sentimento do qual ela provavelmente já estava saturada. Ela gritou e suplicou que eu a batesse, mas só consegui abafar seus gritos cobrindo sua boca com as mãos enquanto dizia:
- Ouviu, putinha, não grita senão o vizinho chama a polícia. Não imaginava que você fosse tão louca, acho que te comer foi uma péssima ideia. Mas se se comportar direitinho, a gente brinca de ginecologista e paciente. Vou enfiar um par de afastadores na sua buceta e abrir até caber meu pé com sapato e tudo.
O efeito foi imediato. Ela gozou com meu pau alcançando seu útero e a promessa de arranjos tão deliciosos. Seu orgasmo arrastou o meu.
- Ooooohhhhhh... oooooohhhhh..., Sara, Sara..., que gostoso... Eu quero..., sim..., eu quero... - gemei.
Nem naquele momento eu havia conseguido esquecê-la. A imagem de seu rosto era o cenário do meu clímax. Senti raiva e acelerei minha ereção com investidas que pouco tinham de sensuais, mas que para ela souberam a glória e sob as quais ela se contorceu com luxúria. Não estava comendo ela, estava comendo a Sara. A cliente ou não percebia ou não ligava para como eu a chamava. Provavelmente se sentia comida por um bruto imaginário do qual eu era apenas Aprendiz. É assim o sexo, pura masturbação mesmo sem parecer. Sara me confirmou isso depois, mas já chegaremos lá.
Nos separamos com a urgência dos animais e, como eles, em silêncio. Ela levou meu sêmen, mas não a lembrança de Sara. Foi uma foda paga em espécie, o início da decadência para qualquer negócio respeitável. Achei que aquilo bastaria, mas nem sempre um prego tira outro prego e, depois de outra noite de sonhos lascivos, decidi. Não tinha o telefone dela e havia apenas duas maneiras de entrar em contato com Sara: dando um jeito de encontrá-la no trabalho ou indo diretamente à casa dela. Escolhi a segunda opção porque já era grandinho para joguinhos e me pareceu a mais honesta. Se esperasse até sexta, ela provavelmente já teria algum plano marcado que não poderia mudar.
Fechei a loja mais cedo e fui para casa. Tomei banho, arrumei o cabelo e escolhi um terno parecido com o que usei no dia do casamento da Celia. Queria que ela revivesse aquelas cenas, mostrando que o que aconteceu no caminho de volta não tinha sido um erro, mesmo que fosse... que... bom, enfim...; formulei propósitos de uma hipocrisia sem limites para me convencer das minhas boas intenções enquanto engraxava os sapatos, mas a verdade é que só desejava estar entre as pernas dela com uma determinação que nem nos primórdios da minha juventude eu tinha conhecido; e pensando que se aquilo fosse ser outro erro monumental, não me importava repeti-lo quantas vezes fossem necessárias.
Certifiquei-me antes de bater na porta dela. Passei em frente à casa e vi luz nas janelas. Comprei flores numa floricultura próxima, um buquê denso de rosas vermelho-veludo para esconder minhas intenções perversas, e assim me apresentei à sua porta, espiando por trás delas, esperando ver seu corpinho aparecer igual a um predador à espreita atrás de arbustos na savana. Sara abriu e pude ver um brilho fugaz em seus olhos, uma alegria que ela habilmente disfarçou como se de repente minha visita representasse um incômodo. Como se o amigável beijo de despedida de aquela noite teria selado para sempre qualquer possibilidade de reencontro.
- Nossa, tio Dani, você se perdeu?
De repente me senti ridículo, patético, e a mesma impressão parecia estar em seu olhar. Estava diante da minha sobrinha vestindo uma camiseta que fazia as vezes de vestido e calçando um par de chinelos infantis; e a verdade é que ela mostrava uma indiferença absoluta diante do buquê.
- Desculpe, Sara. Acho que estou fazendo uma besteira. Melhor...
- Entra - disse ela, assumindo o controle da situação.
- Não estou atrapalhando? Me deixei levar pelo impulso e pensei que...
- Não atrapalha nada. Só estou um pouco surpresa, entende, não esperava ninguém... (e muito menos você) - disse franqueando a entrada e continuando -: Jantou? Estava esquentando uma pizza enquanto preparava a salada... Você sabe, onde come um, comem dois...
- Não se preocupe, Sara. Bom, a verdade é que eu adoraria...
- Podemos comer as flores de sobremesa... - brincou enquanto as pegava nos braços e eu a seguia.
- Hahahaha... você é doida, Sara.
- Doida? Nem pense. Vivemos em florestas sombrias, comemos cogumelos venenosos, flores, unhas de burro e armamos armadilhas para humanos para devorá-los depois de uma orgia coletiva.
- Não me parece um final tão ruim. Mas melhor não me dizer de que é a pizza, cheira bem e com isso já basta.
Chegamos à cozinha onde ela colocou as rosas na água. Enquanto fazia isso me perguntou:
- Te surpreende?
- Um pouco.
- Bom. Pra mim é mais confortável.
E continuou mexendo naquele cubículo feito em escala reduzida, onde a bancada me chegava na metade da coxa. Me senti estranhamente grande e poderoso, um sentimento infantil mas excitante, vendo-a se mover habilmente naquelas dimensões de conto de fadas. A tensão inicial parecia ter diminuído e eu ofereci minha ajuda. Conversávamos lado a lado, passando os utensílios um para o outro. Se estivesse de frente para ela talvez não tivesse perguntado, mas tudo parecia ter uma fluidez cúmplice, como de amigos...
- Você sai com alguém?
- Se você quer saber se eu saio com alguém da comunidade, não. Eu gosto de caras grandes e parece que eles gostam de mim. Nada sério por enquanto - respondeu sem rodeios.
Uma pontada no coração. "Putos pervertidos", pensei, como se eu não estivesse na mesma situação, sem perceber que aquela pontada era ciúme. A ideia de que alguém tivesse manchado meu brinquedo me incomodava demais.
Ela me passou os pratos, indicando onde ficava a sala de jantar, adaptada igual à cozinha, mas de forma menos rígida. Acrescentou queijos e frios ao menu original, e a mesa ganhou a aparência de um buffet livre. Me ofereceu uma garrafa de vinho tinto para que eu a abrisse, o que fiz para servir em seguida.
A refeição transcorreu sem sobressaltos, com Sara conduzindo a conversa. Afinal, ela estava em seu território. Comia de forma sensual, seus lábios brilhavam com a gordura do frio e, quando os limpava com o guardanapo, deixava marcas de batom nele. Não lembrava que ela estivesse usando batom quando chegou e me perguntei em que momento ela o tinha passado. Era uma mistura de delicadeza e safadeza que me encantava. Eu assentia e tentava prestar atenção no que ela dizia, mas não parava de pensar no que ela faria com todos aqueles homens com quem dizia entrar em contato. A imaginei oferecida em alguma página obscura da internet ou transando com um "gigante" em algum vídeo aberrante. Me excitava, mas também me angustiava, embora não o suficiente para que meu coração parasse de bombear sangue para meu pau grosso, latejante, desejoso de seus buracos e que eu discretamente direcionava para uma de minhas pernas.
- Você nunca parou pra pensar no que passa pela cabeça deles quando você está com eles? - disse finalmente, sem conseguir me conter, aproveitando uma pausa oportuna.
Fez-se um silêncio estranho, como se a pergunta fosse óbvia demais para ser respondida. Ela continuou cortando a pizza sem me olhar, concentrada no vai e vem da faca como se fosse a coisa mais... decisivo que havia feito em sua vida. -Você acha que a mente daquelas putas que você alivia a vontade está lá quando você as come? - respondeu com voz embargada, sem me olhar - Com quem você está quando goza dentro delas...? Em quem você pensava quando cumpria metodicamente, dia sim dia não, com sua mulher? Isso é um jogo, Dani, e eu não me engano como vocês, os "normais", que acham que são amados e desejados pelo que valem. Eu sou a fantasia deles. Eu sei. Sei que quando estão comigo, as mãos deles não apalpam meu corpo, mas nádegas delicadas como a pele dos anjos, e suas bocas mordem mamilos que mal despontam em seus seios... - Sara - respondi, como se ouvisse minha voz ao longe -... me desculpe. Eu não devia ter perguntado isso. - Tem certeza de que você não é como eles? Que não buscava a mesma coisa que eles, um substituto daqueles corpos proibidos, indefesos e incapazes de responder ao assédio de um adulto? Eu não fiz você se sentir grande, transbordante, sua masculinidade amplificada pelo meu corpo minúsculo? Ela tremia, e sua faca estava descarrilhada entre um camarão e um pedaço de queijo frio. Seus olhos estavam embaçados, e então a vi tão sozinha quanto eu, nem mais nem menos que eu, nem mais nem menos que Celia, que Laura ou sua sexy, ou aquela cliente interesseira que eu tinha comido. Sozinha e chorosa como nos velhos tempos, no fundo da loja. Sozinha naquela casa que, para ela, era duplamente grande, como um imenso castelo... - Provavelmente você tem todas as respostas, Sara, e a razão é sua quando diz que o sexo é uma estranha mistura de realidade e fantasia. Quando te vi no casamento da Celia, senti que você ainda era minha bonequinha, e desde então você se tornou uma obsessão, uma imagem onipresente que preside qualquer um dos meus atos. Não sei se isso combina com o buquê de flores que trouxe, e talvez o papel de galã seja grande demais para mim; talvez eu seja apenas um assediador enlouquecido. Mas, já que você foi tão clara comigo, achei que devia ser sincero. - Pois bem, eu não sou mais aquela gostosa, tio Dani. Eu cresci, mesmo que não pareça.
- Nem me fale. Descobri no casamento.
Ficamos um tempo calados, imóveis, sabendo que o jantar tinha acabado mesmo que nossos pratos dissessem o contrário, e que o que fizéssemos a seguir seria definitivo para o resto de nossas vidas. Eu tinha que fazer, era para isso que tinha vindo. Meu coração batia forte quando me levantei e me aproximei dela. Acariciei seu cabelo negro e ela levantou sua mãozinha para encontrar a minha, como quando dançávamos. Me abaixei, a levantei e carreguei seu peso de lado, como se estivesse carregando uma menina no colo. Ela encostou a cabeça no meu ombro, encharcando o tecido da camisa com suas lágrimas. A faca escorregou no chão com um estalo metálico que nos fez estremecer. Senti suas mãozinhas no meu pescoço e as longas madeixas de cabelo caindo em cascata entre meu torso e seu corpo. Ela ainda era minha boneca, querendo ou não, uma boneca linda e sensual.
Nos sentamos no sofá. Era verão, mas imaginei a lareira acesa e que o calor vinha daquela chama que só ardia na minha mente. Deixei que aquele calor se expandisse, nos fundindo em um só corpo. A acariciei, beijei, transei seu cabelo em cachos impossíveis que meus dedos desfaziam de novo. Sincronizamos nossa respiração, cada vez mais rápida, presa ao ardor que o contato mútuo dos corpos gerava. Ela abriu minha camisa e deslizou sua mãozinha pelo meu torso, arrepiando os pelos, me provocando com um calafrio de prazer. Alcançou um mamilo e brincou com ele, distraidamente, traçando formas como fazemos quando falamos ao telefone e rabiscamos desenhos absurdos em um bloco de notas. Levantei a camiseta dela e acariciei os dela, túrgidos, eretos, e os levei à boca. Chupei e mordi alternadamente, sem deixar que minhas mãos parassem de apertá-los.
Ela estava deitada no meu colo, deixando minhas mãos a explorarem. Tirei a camiseta e a calcinha dela, e um calafrio percorreu seu corpo enquanto ela gemeu:
- Siiim... tio Dani..., continua..., não tenha medo...
Eu teria adorado demorar, ser mais carinhoso, mas o desejo de gozar dentro dela me dominava. Acariciei sua vulva encharcada e deslizei um dedo em seu interior. Acrescentei outro e comecei a masturbá-la com movimentos circulares que buscavam dilatá-la ao máximo. Ao mesmo tempo, roçavam seu clitóris, desencadeando tremores frenéticos. Levantei-a pela cintura e deixei suas pernas se apoiarem ao lado da minha pelve. Toquei-a com roçadas que arrancavam gemidos de excitação, até que abri caminho nela; minha glande escondendo pela metade sua vermelhidão suculenta entre os lábios apertados de sua bucetinha. Ela movia os quadris enquanto eu afundava lentamente dentro dela, e parávamos quando minha geografia cruel e transbordante encontrava a dela, acolhedora mas estreita. Curtas investidas impacientes e imperiosas de ambas as partes conseguiram abrigar boa parte do meu pau... Nos olhávamos raivosos, desafiadores, nos provocando até que Sara me disse:
—Faz, tio Dani, faz. Me solta, por favor. Quero que seja assim, eu desejo —ela quase gemeu.
E eu fiz. Com a ajuda de seu olhar cúmplice. Soltei-a. Sua carne tensionada ao máximo anelou a turgescência do meu pau, deslizando nela, asfixiando sua rede de artérias que responderam com um bombeamento mais eficaz, estimuladas por aquela suculenta e quente tensão. Meus testículos inchados receberam sua delicada vulva para eletrizá-la com meus pelos enquanto ela gritava naquela agonia de dor-prazer:
—Oooooooohhhhh..., assimmmmmm..., tio Dani..., como dói mas que gostoso...
Levantei-a e novamente deixei seu corpo cair como se estivesse me masturbando com ele e continuei com aquele movimento quase ginástico. Com seu cabelo caindo para um lado, um fio de baba no canto da boca; e eu enlouquecido, incapaz de pensar em qualquer coisa além do meu prazer. Seus peitos balançando obscenamente diante de mim com o poder hipnótico de um pêndulo não ajudavam a parar aquela foda brutal que eu já não conseguia controlar. O prazer que sua carne me dava era tão intenso que qualquer um dos seus gestos e gemidos só me estimulavam mais, a cabeça dela caía para trás, o corpo afundado num desmaio que atribuí ao prazer que sentia. Então, ela pareceu recuperar os sentidos e ergueu as pernas com as mãos, oferecendo-se por completo e deixando à vista seus lábios úmidos penetrados pela minha pica, me encarando com o mesmo olhar obsceno e imperioso do começo. Dessa vez ela nem precisou pedir.
Levantei-a e minha pica saiu de sua boceta banhada de fluidos. Enfiei de novo. Dessa vez ela não gemeu nem suplicou. Só me olhou com os esgazeados enquanto suas pupilas desapareciam sob as pálpebras no mesmo ritmo que minha pica afundava no seu cu, agora sem pausas ou descansos; seu corpo submetido à flexão dos meus braços que o elevavam ao céu do prazer e o afundavam no inferno do rasgo. Nada até então me havia apertado tão forte, nada me havia bombado com tanta precisão, nada tinha sido capaz de me dar tanto prazer e ao mesmo tempo contê-lo, me deixando à beira do orgasmo por tanto tempo sem gozar. Mas tudo tem um limite e minhas bolas explodiram de prazer enchendo seu reto com jatos contínuos e gostosos. Ela sincronizou seu orgasmo com o meu, gozando em sacudidas que só a pregaram mais na minha pica, levando-a ao paroxismo com gritos enlouquecidos.
Depois, ficou inerte nos meus braços e eu a levantei para subir ao quarto. Deitei-a na cama deixando as pernas penduradas na beirada. Contemplei-a dócil e vencida como uma menina cansada prestes a adormecer. Observei esses orifícios que havia ultrajado, aproximei minha boca de sua boceta e a lambi com gosto até que novos espasmos a percorreram e seu cu liquefez a porra que havia abrigado, marcado pelas contrações. Deitei ao lado dela e quando acordei ela já não estava. Ouvi-a no banheiro e aproveitei então para fuçar no seu toucador. Encontrei um anel de bijuteria num pequeno porta-joias e o guardei no bolso como um ladrão furtivo. * * * * Percebi que a vida sem ela tinha sido um estranho parêntese. Escolhi uma peça sem exageros, Sara era austera no vestir. Ao joalheiro mostrei o anel que havia subtraído; como amostra, era perfeito para que ajustasse a nova peça na medida dela. Perguntou se eu queria alguma inscrição, e eu mostrei a ele escrita num papel. "Linda mensagem", disse depois de ler. Provavelmente essas eram sempre as palavras dele, um código cúmplice para esconder a obscenidade de alguns pedidos, um comentário neutro que validava qualquer sugestão do cliente, por mais excêntrica que fosse. Ele era um profissional e não mostrou surpresa ao ler a dedicatória escrita no papel, que dizia: "NUNCA CRESÇAS".
10 comentários - nunca crezcas
gracias por pasar
gracias por pasar amigo
DA gusto leer algo tan bueno en Poringa!
:buenpost: