Odeio casamentos. Odeio comunhões, puro simulacro de casamento. Não fazem simulacros de terremotos ou incêndios? A mensagem é bem clara: preparem-se, otários; debaixo daquele vestido branco vocês abrigam o futuro esconderijo de uma buceta domada e mansa. O dono dela talvez seja o anjinho que está do seu lado em posição de oração, todo limpinho, engomado e prestes a soltar um galo púbere e traidor. Vocês são só um projeto azarado, a maquete do seu destino filho da puta.
Mas eu tenho uma sapataria e, no fundo, esses esquemas me são úteis. O cenário das minhas hipócritas reflexões não era uma comunhão, mas um banquete de casamento, e eu pensava nisso vendo aquele imbecil babando na Laura, minha ex-mulher. Ali, numa mesa colada na minha, esfregando na minha cara aquele gostoso tirado das páginas de programa por hora. Minha prima Celia, a noiva, tinha arrumado as mesas pra me dar uma facada no saco, sabendo que só um terremoto de grau 10 poderia me livrar daquele pesadelo me deixando debaixo dos escombros. Não era paranoia - com certeza -, minha ex não tinha nada a ver com aquele casamento. Não tinha afeto nem parentesco entre elas, e a Celia tinha convidado ela só pra me foder.
Eu tentava prestar atenção na minha parceira de mesa, colocada ali pelo "alcoviteiras.com" de Somera, cidade onde rolava o feliz evento. Parecia uma boa moça, com toda a bondade que ainda nos resta aos trinta, mas nem o vinho nem o espumante pareciam capazes de soltar a rigidez de princesa dela.
- Vem comigo ao banheiro? - propus, sorrindo pra ela e sabendo que era o último lugar pra onde ela iria me acompanhar.
Ela me olhou apavorada. Não estava no cio nem parecia ter senso de humor. Fui me aliviar sem parar de sorrir, não queria deixar um gosto ruim na boca dela me vendo sumir pela porta e perder a chance de me sacudir. Será que ela tinha levado a sério? Será que espalhariam minha vil perversão por toda a região pela boca do "alcoviteiras.com"?
Ali já dava pra sentir o Excessos. A população masculina filtrava o álcool contra a louça dos mictórios, alinhada e com o pau pra fora; e Oscar vomitava entre a pia do lavabo e a solidez do primo Robert, que tava ali pra molhar a testa dele como se a água da torneira fosse água benta e pudesse curar a bebedeira inoportuna. Me tranquei pra ficar mais à vontade e, sentado, pesei se entrava na festa deles ou se vazava antes da música tocar e eu ter que arrastar a Sissi Imperatriz pra pista. Só me restavam três pontos na carteira e o prefeito já tinha combinado uma blitz com as forças antivício pra nos pegar no bafômetro seis curvas abaixo. Engoli uns dois omeprazóis enquanto esvaziava o tanque.
Voltei pro bebedouro quando, por sorte, minha parceira de banquete, Sissi Imperatriz, já tinha encontrado o Francisco José dela, que a rodopiava na pista de dança improvisada, não no ritmo de valsa, mas no ritmo do Bisbal. Nas minhas costas tava a mesa das crianças, pura trincheira onde os restos do bolo de guloseimas eram usados como projéteis. Sara, minha sobrinha, tentava controlar a situação; mas nem seus bons modos nem sua altura pareciam impor respeito. Eu achava vergonhoso a Celia ter sentado ela ali, ainda mais humilhante do que colocar minha ex ao lado da gostosa dela na minha frente. Me aproximei.
— Oi, Sara — falei enquanto minha bunda transbordava numa microcadeira que tava do lado dela.
— Oi, tio Dani — respondeu sorrindo e sem deixar que a metralha do bolo acertasse uma pirralha de três anos refugiada no colo dela.
— Quer ajuda?
— Você é do G.E.O.?
Rimos. Ela tava gostosa apertada naquele vestido tão sexy e calçada naqueles sapatos de salto de número impossível. De pé, mal chegava na minha altura; ela ajeitou o vestido puxando ele com as mãozinhas e deu a volta na mesa com seus passos curtos e cheios de charme até alcançar um pivete nojento de cinco anos que tava nocauteando outro de três. Mal dava conta dele. Forcejava e o tecido subia pelas coxas dela. mostrando a rendinha da calcinha dela. As pernas dela tremiam de esforço de um jeito muito excitante, pareciam trêmulas depois de uma maratona de orgasmos. Levantei e fui dar uma mão. Peguei o monstro "amorosamente" e falei com o mesmo carinho:
-Ô, arrombado, por causa de figuras como você o mundo vai mal. Aos cinco, já enfia a cara de outro menor e mais fraco no chão, e aos trinta vai terceirizar a empresa pra ter uma fábrica cheia de otários se matando por uma tigela de arroz com baratas. Por causa de gente como você me mandam sapato de papelão; fodem os de lá; e os daqui, também.
Ouvia aquelas palavras como se não saíssem da minha boca. Tava puto com a Celia, com a minha ex, com o gostoso, comigo mesmo, com o moleque e com a mãe que o pariu..., mas será que tinha enlouquecido? O menino fazia biquinho aterrorizado e gemia «mamãe!» como se a vida dependesse disso. Fez-se silêncio e só se ouvia a Carrá berrando: «explota explota m'expló, explota explota mi corazón». Soltei ele antes que o meu explodisse e antes que o pai dele chegasse pra quebrar minha cara, momento que ele aproveitou pra se mandar e encontrar o colo materno salvador. Sentei numa cadeira pensando que tinha passado dos limites, mas continuei nessa linha e, pra não mostrar brecha na autoridade, soltei:
- Acabou o recreio, todo mundo sentado!
Ficaram intimidados me olhando de lado enquanto brincavam pacificamente ou faziam foguetes e barcos com guardanapos de papel. Só minha sobrinha me olhava divertida. Eu era treze anos mais velho que ela e ainda lembro o que minha irmã disse quando a colocou nos meus braços pela primeira vez: «segura ela direito, Dani».
Como é que ia soltar! Os olhos dela me procuravam confiantes e eu apertava ela contra mim pra morder as bochechas de beijos. Ela me adorava, sempre me procurava. Fui o irmão mais velho que ela não teve. Vieram as comparações, as perguntas, os porquês; e, depois de uma dura travessia por um monte de hospitais, O diagnóstico. Depois, a crueldade que ela aguentava com firmeza. Seu atraso no crescimento físico a colocava no limite da normalidade, mas bastou para transformá-la em alvo da crueldade infantil. Ao sair da aula, ela se refugiava na sapataria que eu tinha na cidade na época e, nos fundos, chorava em silêncio para que os clientes não a ouvissem. Foi assim que me tornei cúmplice da sua dor, seu melhor e único amigo.
Quando eles iam embora, começava o jogo. Ela adorava sapatos de salto alto e eu sempre guardava alguns do menor número pra ela. O cheiro do couro a enlouquecia mais do que qualquer doce. Ela pegava os sapatos com as mãozinhas e um respeito que nunca vi em nenhum adulto, e calçava aqueles sapatos onde seus pés se perdiam entre tiras de couro e fivelas impossíveis. Ela girava, batendo os saltos com fantasia, como um pião doido na frente do espelho, e eu a abraçava sem tocar, como aqueles cercados de vime que protegem plantas delicadas, evitando que ela caísse. Esse jogo, que toda menina brinca, tinha pra ela a importância de um feitiço, iluminava seu rosto com a esperança de que o impossível se realizasse, e pra mim já bastava a felicidade que ela mostrava naqueles breves momentos, mesmo que meu coração se partisse em mil pedaços. Naquela hora, não desejava nada mais no mundo do que ter uma varinha mágica pra realizar o sonho dela, que também era o meu.
Mas a vida nos separou e eu não fiz nada pra evitar. Cumpri o serviço militar e conheci a Laura na capital durante uma das licenças. A gente casou quando fui dispensado e mudei o negócio pra lá. A Sara estava lá no dia do nosso casamento, mas mal consegui ver o sorriso triste da que foi minha boneca; o rosto dela sumia no meio da multidão, mas sempre reaparecia com aquela expressão cheia de rancor que eu queria esquecer a todo custo. Eu a evitei de forma miserável. Não queria que nada estragasse aquele momento.
Sabia pelos meus pais que Vivíamos na mesma cidade e ela tinha conseguido uma vaga de funcionária pública na prefeitura. Gozava — segundo eles — de uma autonomia que muitos dos primos dela de tamanho normal, agarrados ao bom viver que a tutela familiar proporciona, jamais alcançariam. Estive a ponto de soltar frases tipo: «você tá igual» ou «o tempo não passa pra você», mas consegui dizer algo mais oportuno:
— Você tá muito gostosa.
— E em você o terno caiu de fábula, e as entradas nem se fala... — disse enquanto estendia as mãozinhas e me ajustava o nó da gravata pra puxar em seguida e apertá-la.
— Isso é golpe baixo... — respondi e logo corrigi: — Desculpa..., não quis dizer isso.
— Kkkkkkkkkk..., não seja burro. Cê acha que vou me jogar LÁ EM-BAI-XO?
Rimos. Parecia toda uma mulher, e os peitos dela emoldurados por um decote provocante vibravam com as risadas e brilhavam cheios de gotinhas de suor. Ela vestia um vestido de linho cor de pistache com pespontos dourados e verdes que, junto com uma gargantilha larga de madrepérola combinando com a pulseira e os brincos, contrastava gostoso com o moreno da pele dela.
— Vai ficar o fim de semana? — perguntei sabendo que as relações com os pais dela não eram lá essas coisas.
— Vim com a tia Marga e o marido dela, e vou voltar com eles — respondeu com cara fechada e desviando o olhar.
Baixei a vista pra não deixar ela sem graça. Lá estavam os sapatos de salto dela, lindos, impecáveis, justos como nunca tinha visto nos fundos da loja e esperando a chance de brilhar. Sorri, e num impulso súbito peguei a mão dela e falei:
— Acho que chegou sua hora, Cinderela...
— Kkkkkkkkkk..., mas espera... as crianças...
— Cê sabe o que diz o ditado: «Quem fez o feio, que aguente o reboliço», já tá na hora dos pais dela assumirem a paternidade.
Levei ela pela mão até a pista. Fomos abrindo caminho entre casais de todas as idades; os mais velhos, soltos pelo álcool e aproveitando os últimos Jogos de quadril que a artrose permitia; as mais novas, cortadas ao sentir a proximidade de tanto dinossauro enfurecido. Estendi o braço sobre ela; e ela, por sua vez, ergueu o seu para alcançar minha mão. Traçamos um eixo invisível através do qual Sara começou a girar como fazia antigamente diante dos espelhos pareados dos fundos da loja, desdobrando sua imagem em uma infinidade de posturas mágicas. Flexionou uma perna e a velocidade aumentou, transformando-a em um redemoinho que foi se achatando até quase roçar o chão.
Levantei-a de novo e, aos poucos, ela diminuiu a rotação até finalmente parar, com as pupilas trêmulas buscando um ponto onde frear a inércia. Apertei o corpo dela contra o meu, e ela se deixou levar, ofegante, os peitos dela contra minha buceta e, enquanto ela recuperava a estabilidade e o fôlego, eu os perdia com aquele contato quente. Continuamos dançando, música após música, erguendo o corpo dela sobre minha cabeça ou deslizando-o entre minhas pernas. As pessoas se afastaram, formando uma roda.
Vi Celia nos olhando com desaprovação, como se nos recriminasse por roubar aquele momento mágico. A anã e o adúltero da família roubando a cena dos noivos naquele espetáculo circense onde não éramos só monstros de feira, mas tio e sobrinha dançando obscenamente. Aqueles dois personagens, que num casamento incomodam e ninguém sabe onde colocar, atraíam todos os olhares, que já não eram de pena ou deboche, mas daquela fascinação que o incompreensível provoca, porque ninguém parecia entender como podíamos nos mover com tanta cumplicidade. Ignoravam o que tínhamos forjado nos fundos da loja, dia após dia, e que todos aqueles passos de dança tinham sido aprendidos sem querer, sem mestres nem regras, só com o hábito e a intuição; e eu era o primeiro surpreso.
— Vamos embora — sussurrei depois de me envolver com o corpo dela, deslizá-lo pelas costas como um xale e fazê-lo aparecer na minha frente num loop que jamais imaginei ser capaz de fazer.
Sara jogou o cabelo para trás e me seguiu como se não se Esperava outra coisa dela. Os convidados abriram caminho e eu pude ver minha ex ao lado daquela gostosa, me encarando com a mesma expressão atônita. Sorri e mandei uma piscadela pra ela. Saímos correndo pra fora, exultantes, e sentamos num banco pra recuperar o fôlego. Já era noite fechada e tinha chuva de estrelas. Ela tirou uns lenços da bolsa, estendeu um pra mim e depois enxugou o suor com outro.
— Já não tô mais pra essas coisas — gemi rouco e ofegante enquanto me secava —, seu tio já não é o que era.
— Kkkkkkk... que nada... Você tá no auge, tio Dani... Olha — disse apontando pro céu.
— São lágrimas de São Lourenço; já sabe, tem que fazer um pedido. Fecha os olhos, Sara; pensa nele.
Sabia qual era o desejo dela. Estendi minha mão pra pegar a dela. Enrolei meus dedos nos dela, aqueles dedinhos que se entrelaçaram com os meus. Olhei pra ela. Continuava de olhos fechados. O transtorno tinha respeitado as proporções do corpo dela, a harmonia do rosto que ainda era delicado como o de uma menina. Ela era linda. Abriu os olhos e devolveu o olhar. Pensei em beijá-la, mas me segurei. Nossos beijos tinham sido amigáveis até então, qual seria o gosto agora? De nostalgia daquelas tardes na sapataria? De rancor por ter ignorado ela todo esse tempo? De reencontro? Mas no que eu tava pensando? Ela era minha sobrinha e nada mais que isso, carne da minha carne, sangue do meu sangue. Só tinha que repetir isso como um mantra salvador. Tentei por um tempo, mas a língua me traiu.
— Pode voltar comigo se quiser — falei com um nó na garganta e uma excitação surda se formando.
— Tá bom — respondeu depois de um breve silêncio em que vi cair duas estrelas e fiz dois pedidos —. Me espera aqui. Vou me despedir.
Voltou depois de um tempo e fomos embora. Durante o caminho, falamos das nossas vidas, especialmente do trabalho, um assunto neutro que nos permitiu não tocar nos nossos sentimentos mais íntimos. Ela tinha comprado uma casa geminada nos arredores e viajava muito. Parecia Levar uma vida profissional e social muito ativa comparada com a minha, por isso me surpreendeu que ela não dirigisse.
- Você nunca pensou em tirar a carteira? - perguntei.
- Até poderia, mas me dá um respeito. Teriam que adaptar o carro e não vejo necessidade por enquanto.
Reduzi a marcha, liguei a seta e parei numa curva.
- Você vai dirigir - falei.
- Hahahahahahaha..., você é louco?
- Sobe aqui - disse, convidando ela a sentar no meu colo.
- Quer que a gente se mate?
- Não tem desculpa que valha. Uma mulher independente como você, sem dirigir? Você precisa experimentar isso, ou vamos ficar aqui até o amanhecer - falei, num tom comicamente sério, cruzando os braços com uma careta fingida de desgosto.
- Hahahahahaha... bom, se você vai ficar assim... Você quem quis - respondeu, soltando o cinto e se deslocando para o meu banco. Apalpou minhas coxas para se posicionar e sentou entre minhas pernas.
- Tá vendo alguma coisa? - perguntei.
- O volante e as estrelas...
Levantei ela pela cintura e a sentei mais para cima.
- E agora?
- Melhor.
Demos a partida. Ela segurou o volante e eu controlava. No começo, estava dura de medo, depois se animou. Ria.
- Viu, você é uma guerreira. Sabia disso.
Ela pareceu dar um pulo ao sentir o calor da minha respiração. Senti o cheiro do corpo dela, aquela mistura de suor feminino e aroma de perfume. Cheirei o cabelo dela. O vestido dela subiu e eu senti a carne dela se esfregando na minha buceta. As pernas dela batiam animadas. Ela não parecia perceber o efeito que causava em mim, tão concentrada estava na simulação. Eu estava louco? Por que tinha levado ela a isso? Será que eu realmente queria...? Eu estava duro e ela tinha que sentir, porra.
- Me deixa alcançar o acelerador! - gritou, esticando as pernas o máximo que podia.
- Hahahahahaha..., você não alcança - respondi, brincalhão.
Mas ela não desistia, esfregando os pés nas pernas da calça para eu dar espaço. As nádegas dela se abriam sobre minha rola dura. Eu me sentia nojento, mas ela me excitava e me excitava me sentir assim. Íamos devagar e, de vez em quando, algum veículo dava sinal de luz pra gente ultrapassar. Ela reclamava feito uma motorista braba, queria dar o troco e eu tinha que segurar. O suor encharcava nossas partes íntimas, separadas só pela calcinha fina dela e o pano da minha calça. Pensei em parar e resolver com uma punheta rápida atrás de uns pinheiros, com a desculpa de mijar. Não aguentava mais e procurei um lugar pra estacionar.
— O que cê tá fazendo? — ela perguntou, parecendo frustrada.
— A aula acabou — respondi depois de parar bruscamente.
— Foi tão ruim assim?
— Não, amor. Bom demais — respondi quase gemendo.
E aí eu fiz, como se fosse inevitável, como se um roteiro mandasse. Joguei a cabeleira dela pro lado e me abaixei pra lamber a nuca..., a orelha... Fiquei um tempão assim, sentindo o cheiro da respiração dela, cada vez mais rápida. Ela parecia dura, mas eu sentia que por dentro ela derretia igual queijo, e fiz aquilo que queria desde o começo: deslizei pelas pernas dela, subindo pelas coxas, afastei a calcinha e acariciei a penugem macia da buceta dela. Ela se deixou levar. Passei um dedo na vulva e ela gemeu com um som gutural que fez o corpo todo tremer. Explorei a geografia dos lábios da buceta dela. Não tinha pressa. Ninguém esperava a gente. Deixei as pernas dela caírem moles sobre as minhas coxas. Abri as minhas e as dela, inevitavelmente, com meu movimento. Enfiei um dedo, devagar..., mmm... Tava molhadinha, pronta pra aceitar...
— Oh, Sara..., Sara..., Sara, pelo amor... O que eu tô fazendo?... Me manda parar, pelo amor...
— Mmmmm..., tio Dani...
Ali estava o botãozinho dela. Passei a ponta do dedo devagar. Ela gemia. Suspirava. Era uma mulher, mesmo parecendo uma menina. Me sentia triste, mas ao mesmo tempo excitado com a transformação do meu brinquedo amado. Não podia nem queria parar e me esfreguei nela sem parar de masturbá-la. Queria sentir a carne dela, medir a profundidade; enfiei o dedo mais fundo e a carne dela se apertou em volta, voraz, apertada. Mais pra dentro, mais mete-saca e então ela começou a soltar gemidos excitantes enquanto o pau e as bolas afundavam na dobra da bunda dela, encharcando a braguilha. Teria sido tão fácil..., mas eu sentia pânico..., tão pequena...
-Tiiiiito Dani ..., tiiiiito Dani ... - ela gemia, arrastando a palavra "tio" de um jeito sensual, como se ser tio fosse um valor a mais, um truque pra me excitar ainda mais.
Levantei ela, virei de costas e apoiei as costas dela no volante. A buzina soou estridente no meio da noite, como se o carro, mesmo sendo máquina, tivesse mais consciência dos meus atos do que eu e tentasse me parar. Mas o susto não foi suficiente. Procurei outra posição menos barulhenta, coloquei um travesseiro debaixo dela, dobrei os joelhos dela e deixei os pés descansarem nos meus ombros, ficando completamente aberta e oferecida na minha frente. Abaixei o vestido dela e desabotoei o sutiã pra os peitos dela saltarem. Minhas mãos agarraram eles com voracidade, beliscando, fazendo os mamilos ficarem duros e desafiadores. Levantei o vestido dela até deixar como uma faixa obscena enrolada na cintura. Puxei a calcinha dela pra baixo e tirei de vez. Levantei ela um pouco mais pra levar a boceta dela à minha boca e devorar. Lambi, chupei e fiz círculos na buceta excitada dela; e separei bem os lábios dela pra castigar as mucosas com mordidinhas suaves. E se eu fosse o primeiro a provar aquela carne? Esse pensamento me enlouquecia, saboreava os sucos dela me sentindo um iniciador perverso, arrastando ela pra algo que ainda me parecia sujo e degradante, mas que eu não conseguia controlar.
Sara gemia de prazer e, à luz da lua, pude ver os olhos dela pedindo mais com uma luxúria bem adulta e os dentes apertando pra aguentar um castigo tão delicioso. Continuei metendo sem piedade. Ela ronronou, se contorceu e senti o tremor dela antes do gozo. Ela gritou presa num espasmo que levantou ela inteira. Gozou convulsa, destilando, minha língua fornicando batendo forte nas mucosas dela. O corpinho dela, arqueado, se ergueu como se quisesse se separar, mas eu a Apertei ela contra mim, fazendo da buceta dela e da minha boca o centro de gravidade dos nossos corpos, deixando que ela apertasse as coxas na minha cabeça enquanto não parava de acariciar com as mãozinhas, bagunçando meu cabelo. Encheu minha boca de gozo enquanto eu continuava beliscando os bicos dos peitos dela e enfiava um dedo no cu dela, mais apertado que a buceta. Tão leve, tão pequena e, ao mesmo tempo, tão mulher. Perfeita.
Não precisei pedir. Acho que se ela não tivesse feito por conta própria, eu não teria coragem. Ela desceu do meu colo e foi até o assento dela. Depois de uns segundos, estendeu as mãozinhas para pegar o puxador do zíper e, mesmo com minha ereção dura atrapalhando, conseguiu descer até o fim. Saiu catapultada, ainda dentro da cueca branca; mas ela descobriu com as mãos, delicadamente. Depois puxou o pano até deixar esticado embaixo do saco, revelando as bolas. Ela tinha um jeito de agir que me excitava pra caralho, como quem prepara a mesa de um jantar se deliciando com o banquete que vem, sem pressa, sabendo que qualquer detalhe que passar pode estragar tudo.
Ela acariciou, primeiro com as costas da mão; depois, com a palma, pra cima e pra baixo, percorrendo o tronco venoso com os dedinhos quentes. Estendeu a outra mão e com ela pegou os líquidos que escorriam da ponta. As mãos pequenas dela faziam meu pau parecer obscenamente monstruoso. O toque naquela área tão sensível e gostosa fez ele endurecer ainda mais enquanto eu dizia:
— Assim... assim... Como você faz bem... minha boneca...
Ela espalhou os líquidos pelo tronco inteiro, esfregando de leve, aumentando o formigamento que percorria minhas bolas, onde o orgasmo que eu sentia que ia ser frenético já se preparava. Continuou assim por um bom tempo, com as duas mãos, me fazendo gozar com uma masturbação vigorosa e delicada ao mesmo tempo. Pegou minhas bolas, brincou com elas, puxou, apertou... apalpou as glândulas internas como se quisesse separá-las da pele, igual como faria com as sementes de uma fruta, e senti o calor das mãozinhas dela no núcleo daqueles ovos que ameaçavam explodir de tesão entre suas mãos de menina.
— Ooooooohhh... siiiiiim..., continua assim...
Com a boca, às vezes parecia que fazia vácuo neles para, em seguida, enchê-los de um calor ardente igual à magma de um vulcão inundando cavernas minerais para gestar sua erupção. Sem parar de se masturbar, ela aproximou a boca da glande e esticou a língua para percorrê-la em círculos, me fazendo tremer; depois, mordiscou. Repetiu o processo uma e outra vez, me levando ao limite até que apertou os lábios, sugando. Enfiou mais fundo enquanto eu acariciava a cabeça dela e a incentivava a ser mais safada, me regozijando na minha perversão, fantasiando sentir meu gozo enchendo a boca de menina dela que não parava de chupar e chupar aquele doce de carne. E aconteceu: com as mãozinhas espremendo vigorosamente meus ovos, masturbando meu tronco, a boquinha sugando minha glande, meu aparelho genital estimulado por completo pelas artes de menina puta dela, bombeou jatos de porra que ela se esforçou pra engolir, mas que transbordaram inevitavelmente.
— Oooooooohhhh... siiiiiiiiiim... siiiiiiiim... siiiiiiiiiiiim... — gemi apertando a cabeça dela contra meu pau pra sentir ela apertando até eu me esvaziar por completo. Aguentou meus impulsos sem tossir nem engasgar, como uma menina boazinha tomando o xarope receitado. Deslizei minha mão até as nádegas nuas dela, que tinham ficado empinadas pela posição, e acariciei a dobrinha dela, manobra que ela aceitou gostosa, ou assim mostrou com um novo orgasmo que a fez gemer e tremer.
Nos separamos, ela voltou pro assento e nos limpamos com lenços. O resto do trajeto passou em silêncio. Já não éramos os mesmos, a percepção mútua tinha mudado e pra isso precisávamos de uma nova linguagem, uma linguagem que nenhum de nós dois queria ou conseguia formular.
Ela me indicou onde morava e eu a acompanhei. até um bairro periférico, construído inteirinho durante o boom imobiliário recente. Fileiras intermináveis de casas de estilo nórdico que passariam o resto da vida funcional debaixo de um céu mediterrâneo e ameno. Parei onde ela mandou e desci pra abrir a porta pra ela enquanto ela pegava a bolsa e a jaqueta. Um beijo na bochecha e um "até logo" que soou como um "adeus" selou a despedida. Esperei ela sumir atrás da porta e fui pra casa.
Tava me sentindo estranho, com aquela culpa que não tinha parado de me apertar desde que planejei aquele ato que na época me parecia infame. Senti a náusea subir da boca do estômago, minha consciência se revirava contra os fatos e tive que parar de repente. Vomitei no meio-fio. O poste projetava minha silhueta na calçada como uma sombra chinesa monstruosa se mexendo no ritmo das ânsias. O fel se misturou com o resíduo dos fluidos dela com um gosto amargo de remédio. Eu esperava que aquele gosto marcasse a lembrança dela e me ajudasse a esquecê-la pra sempre. Felizmente e muito provavelmente, a gente se veria de novo em alguma cerimônia de família quando nossos corpos fossem um bagaço que inibisse qualquer tentação carnal.
Não ia ser tão fácil assim. Voltei pra rotina diária, mas não encontrei nela a paz que tava acostumado. A sapataria me lembrava a Sara o tempo todo e, de noite, eu virava na cama preso numa insônia onde a imagem dela era a protagonista. Me abraçava no travesseiro onde parecia encontrar o contorno do corpinho dela e acariciava uns peitos imaginários, mas tão reais na minha mente, que pareciam queimar debaixo das pontas dos meus dedos. A mão virava a bocuda suculenta dela e com ela eu me masturbava pensando que aquela boca se transformava numa buceta que eu entupia com jorros de porra. Entregue ao meu prazer solitário, eu esperava que assim matasse a lembrança daquela noite, mas a única coisa que conseguia era que o desassossego fosse aumentando, punheta atrás de punheta.
Uma manhã, fuçando no carro, encontrei a calcinha dela debaixo do meu banco. Não consegui me segurar e levei ao nariz. Me arrepiei. Quase chorei. Fiquei um tempão parado, amassando aquela renda, aspirando o cheiro dela... Tinha que parar com esse pesadelo. Apagar qualquer vestígio físico que restasse dela. Saí do carro e joguei no lixo. Mas não bastava. Precisava apagar ela da minha mente e só conhecia um jeito.
Decidi que ia recorrer a uma profissional, recurso que usava direto desde que a Laura me largou. Não tinha sido o remédio perfeito, mas aliviava um pouco. Me dava preguiça ficar perdendo horas em balada quando com uma ligação e uma transação eu resolvia o "problema". Ia procurar uma assim que fechasse a loja e assim conseguia tirar a Sara da cabeça. Só precisava de uma mulher normal com tudo que a palavra "normal" significava pra mim naquela época.
Mas tinha que esperar a noite e não conseguia me concentrar no trabalho. Uma ereção incômoda de sátiro ameaçava ferrar umas vendas que por enquanto não apareciam. No banheiro apertado, me masturbei querendo ficar exausto e esperando a manhã esquentar pra me manter distraído. Mas tava fraca e meu pau teimava em ficar duro, quando apareceram uns 37. Não eram nem uns mocassins masculinos do 44 que acalmam, nem um 39 envolvendo uns pés artríticos junto com a ponta de uma bengala, combinação perfeita pra inibir meus desejos. Sempre olho primeiro pros pés do que pro rosto, deformação profissional. Eram uma imitação meia-boca de uns Manolo Blahnik, coroados por umas pernas de arrasar que perdoavam qualquer incursão no mercado de imitações chinesas. Disfarcei como pude e me entreguei à dona delas, rodeando os pés dela com todas as variações possíveis de um mesmo modelo. Clientes do mesmo perfil tinham sido a causa das brigas entre eu e a Laura. Minha ex era uma ciumenta. pathological, and I couldn't imagine myself crouching less than half a meter from a potentially fuckable pussy without doing anything.
I could control myself, and in fact I did; if it hadn't been that way, the business would have gone down the drain. But there I was, crouched down and wondering if it made sense to hold back when my efforts hadn't saved my marriage and those sensual legs were opening to pleasure and demanding more than the touch of tanned skin and furtive caresses on the ankles. I probed the forbidden zone to see what was just a game and what was genuine lust, and the woman clearly showed what she wanted when I slid my hands between her thighs and reached her intimate parts with my fingers.
I stood up again and hung the "out of order" sign on the door. I took the woman by the arm and led her to the back room; one of her shoes got lost along the way, making her stumble in an almost grotesque way. I was rude—I know—but something made me laugh, and she shuddered. I looked at her, and a moment of panic crossed her face. There was something in my laugh that she didn't like, or maybe she realized her game had gone too far. She seemed to regret it and struggled, but my hand opened between her legs, sinking into her pussy imperatively, a juicy pussy that didn't seem playful but desperately needy. I lifted her by her center of gravity, holding her up, penetrated by my fingers as I played my bluff:
"Easy, slut; I know you're a real pervert... Do you get turned on when you feel like prey? Does only panic lube you up? Bet it does... Let me do it, and you'll see..."
She moaned with eyes wide open in terror but consenting at the same time, as if she wanted her worst fantasies to come true and I was the future executor of them all...
I hadn't been wrong; that's what she was looking for. Maybe kinky stuff her husband couldn't do to her. I laid her face up on a table and made my way between her legs. I raped A boca dela com minha língua, e os olhos dela, roçando nos meus, se soltaram e perderam aquela expressão de perigo pra dar lugar à cara de presa alcançada e rendida ao fim. Rasguei a calcinha dela, liberei a pica e enfiei com uma porrada brusca que deixou meu corpo tenso e na ponta dos pés, aproveitando o fundo dela de mulher completa. Fiquei assim um tempão, saboreando o sexo pleno, aquele que não deixa pensar, pura penetração, metendo nas mucosas dela, sentindo que tava me redimindo de qualquer traço de perversão. Era isso que eu queria, só isso: me sentir macho ativo diante de uma mulher funcional, nada mais; aquelas estocadas selvagens pareciam bastar pros meus planos, sentir o corpo dela se contorcendo, saciado daquele gosto raivoso que a mucosa dá quando esfregada por paus vigorosos, aceitando ser presa e agradecendo minha falta de consideração, sentimento que ela provavelmente já tava cheia. Ela gritou e implorou pra eu bater nela, mas só consegui abafar os gritos tapando a boca dela com as mãos enquanto falava:
— Ei, putinha, não grita senão a vizinhança chama a polícia. Não imaginava que você fosse tão louca, acho que te foder foi uma péssima ideia. Mas se você se comportar bem, a gente brinca de ginecologista e paciente. Vou enfiar uns calçadores na sua buceta e abrir ela até caber meu pé com sapato incluso.
O efeito foi na hora. Ela gozou com minha pica alcançando o útero dela e a promessa de arranjos tão deliciosos. O orgasmo dela puxou o meu.
— Aaaaaiiiii... aaaaaiiiii..., Sara, Sara..., que delícia... Quero..., sim..., quero... — gemi.
Nem naquele momento eu tinha conseguido esquecer ela. A imagem do rosto dela era o cenário do meu clímax. Senti raiva e apressei minha ereção com umas estocadas que pouco tinham de sensuais, mas que pra ela souberam a glória e sob as quais ela se contorceu de luxúria. Não tava fodendo ela, tava fodendo a Sara. A cliente ou não percebia ou não ligava como eu a chamava. Provavelmente se sentia sendo fodida por um bruto imaginário do qual eu era só o canal. aprendiz. É assim que o sexo é, pura masturbação mesmo quando não parece. Sara me confirmou isso mais tarde, mas já chegamos lá.
Nos separamos com a pressa dos animais e, como eles, em silêncio. Ela levou meu esperma, mas não a lembrança de Sara. Foi uma foda paga em especiarias, o começo do declínio para qualquer negócio respeitável. Achei que aquilo bastaria, mas nem sempre um prego tira outro e, depois de mais uma noite de sonhos lascivos, decidi. Não tinha o telefone dela e só havia dois jeitos de contatar Sara: me fazer de encontrado no trabalho dela ou ir direto na casa dela. Escolhi a segunda opção porque já era grandinho pra joguinhos e me pareceu a mais honesta. Se esperasse até sexta, provavelmente ela já teria algum plano que não poderia mudar.
Fechei a loja antes do horário e fui pra casa. Tomei banho, arrumei o cabelo e escolhi um terno parecido com o que usei no dia do casamento da Celia. Queria que ela revivesse aquelas cenas, mostrando que o que tinha rolado no caminho de volta não tinha sido um erro, mesmo que fosse... que... bom, enfim...; fiz promessas de uma hipocrisia sem limites pra me convencer das minhas boas intenções enquanto engraxava os sapatos, mas a verdade é que só queria estar entre as pernas dela com uma determinação que nem nos meus tempos de juventude eu conhecia; e pensando que, se aquilo fosse mais um erro monumental, não me importava de repeti-lo quantas vezes fosse preciso.
Me certifiquei antes de bater na porta dela. Passei na frente da casa e vi luz nas janelas. Comprei flores numa floricultura perto, um buquê denso de rosas vermelho-veludo pra esconder minhas intenções perversas e assim me apresentei na porta dela, espiando por trás delas, esperando ver o corpinho dela aparecer igual um predador espreitando atrás de uns arbustos na savana. Sara abriu e eu vi um lampejo rápido nos olhos dela, uma alegria que ela disfarçou habilmente como se de repente minha visita fosse um incômodo. Como se o beijo amigável de despedida de Aquela noite teria selado para sempre qualquer chance de reencontro.
—Pô, tio Dani, se perdeu?
De repente me senti ridículo, patético, e a mesma impressão pareceu refletir no olhar dela. Estava diante da minha sobrinha, vestindo uma camiseta que servia de vestido e calçando um tênis infantil; e a verdade é que ela mostrava uma indiferença total pelo buquê.
—Desculpa, Sara. Acho que tô fazendo uma besteira. Melhor...
—Entra —ela disse, assumindo o controle da situação.
—Não vou atrapalhar? Deixei me levar pelo impulso e pensei que...
—Não atrapalha nada. Só tô meio surpresa, entende, não esperava ninguém... (e muito menos você) —ela falou, me dando passagem e continuando—: Já jantou? Tava esquentando uma pizza enquanto preparava a salada... Sabe como é, onde come um, comem dois...
—Não se preocupa, Sara. Bom, na verdade, adoraria...
—Podemos comer as flores de sobremesa... —ela brincou, pegando o buquê nos braços enquanto eu a seguia.
—Hahahaha... você é doida, Sara.
—Doida? Nem pense. Vivemos em bosques sombrios, comemos cogumelos tóxicos, flores, unhas-de-burro e armamos armadilhas pra humanos pra devorar eles depois de uma orgia coletiva.
—Não me parece um final tão ruim assim. Mas melhor não me contar do que é a pizza, o cheiro é bom e já me basta.
Chegamos na cozinha, onde ela colocou as rosas na água. Enquanto fazia isso, me perguntou:
—Te surpreende?
—Um pouco.
—Bom. Pra mim é mais confortável.
E continuou mexendo naquele cômodo em miniatura, onde a bancada chegava na metade da minha coxa. Me senti estranhamente grande e poderoso, um sentimento infantil mas excitante, vendo ela se mover habilmente naquelas dimensões de conto de fadas. A tensão inicial parecia ter diminuído e eu me ofereci pra ajudar. Conversávamos lado a lado, passando os utensílios um pro outro. Se estivesse de frente pra ela, talvez não tivesse perguntado, mas tudo parecia ter uma fluidez cúmplice, como de... amigos...
- Você tá saindo com alguém?
- Se você tá perguntando se eu tô saindo com alguém da comunidade, não. Eu gosto de caras grandes e parece que eles gostam de mim. Nada sério por enquanto - respondeu sem rodeios.
Uma pontada no coração. "Malditos pervertidos", pensei como se eu não estivesse na mesma posição, e sem perceber que aquela fisgada era de ciúmes. A ideia de que alguém tivesse maculado meu brinquedo me irritava pra caralho.
Ela me passou os pratos, indicando onde ficava a sala de jantar, adaptada igual à cozinha, mas de forma menos rigorosa. Acrescentou queijos e frios ao menu original, e a mesa ficou com cara de buffet livre. Me ofereceu uma garrafa de vinho tinto pra eu abrir, o que fiz pra servir em seguida.
A comida rolou sem sustos, com a Sara comandando a conversa. Afinal, ela tava no seu território. Comia de um jeito sensual, os lábios brilhando com a gordura do frio e, quando limpava com o guardanapo, deixava marcas de batom nele. Não lembrava dela usando batom quando chegou, e me perguntei quando ela tinha passado. Era uma mistura de delicadeza provocante e grosseria que me encantava. Eu concordava e tentava prestar atenção no que ela dizia, mas não parava de pensar no que ela fazia com todos aqueles caras que dizia contatar. Imaginei ela se oferecendo em algum site obscuro ou trepando com um "gigante" em algum vídeo bizarro. Me excitava, mas também me angustiava, embora não o suficiente pra impedir meu coração de bombear sangue pro meu pau grosso, tenso, louco pra entrar nos buracos dela, e que eu disfarçadamente virava pra uma das pernas da calça.
- Você nunca pensou no que passa pela cabeça deles quando você tá com eles? - falei finalmente, sem me segurar, aproveitando uma pausa oportuna.
Um silêncio estranho se instalou, como se a pergunta fosse óbvia demais pra ser respondida. Ela continuou cortando a pizza sem me olhar, concentrada no vai e vem da faca como se fosse a coisa mais importante. decisivo que ela teria feito na vida.
- Você acha que as mentes daquelas putas com quem você se alivia estão lá quando você as fode? - respondeu com voz velada e sem me olhar - Com quem você está quando goza dentro delas...? Em quem você pensava quando cumpria metodicamente em dias alternados com sua mulher? Isso é um jogo, cara Dani, e eu não me engano como vocês "normais" que acham que são amados e desejados pelo que valem. Eu sou a fantasia deles. Eu sei. Sei que quando estão comigo, suas mãos não apalpam meu corpo, mas sim bundas delicadas como a pele dos anjos, e suas bocas mordem mamilos que mal despontam nos seios delas...
- Sara - respondi como se ouvisse minha voz ao longe -... desculpa. Não devia ter te perguntado isso..
- Tem certeza de que não é igual a eles? Que não buscava a mesma coisa que eles, um substituto daqueles corpos proibidos, indefesos e incapazes de reagir ao assédio de um adulto? Não te fiz sentir grande, transbordante, sua masculinidade magnificada pelo meu corpo minúsculo?
Ele tremia, e a faca estava largada entre um camarão e um pedaço de queijo frio. Os olhos dele tinham se embaçado, e então eu a vi tão sozinha quanto eu, nem mais nem menos que eu, nem mais nem menos que Celia, que a Laura ou a sua sexy, ou aquela cliente caliente que eu tinha fodido. Sozinha e chorosa como nos velhos tempos no fundo da loja. Sozinha naquela casa que pra ela era duplamente grande, como um castelo imenso...
- Provavelmente você tem todas as respostas, Sara, e a razão é sua quando diz que o sexo é uma mistura estranha de realidade e fantasia. Quando te vi no casamento da Celia, senti que você ainda era minha boneca, e desde então você virou uma obsessão, uma imagem onipresente que preside qualquer um dos meus atos. Não sei se isso combina com o buquê de flores que trouxe, e pode ser que o papel de galã me fique grande, talvez eu seja só um assediador enlouquecido; mas já que você foi tão clara comigo, me senti no dever de ser sincero.
- Pois já não sou mais essa boneca, tio Dani. Eu cresci, mesmo que não pareça.
- Nem me diga. Descobri no casamento.
Ficamos um tempo em silêncio, imóveis, sabendo que o jantar tinha acabado mesmo que nossos pratos negassem e que o que fizéssemos em seguida seria definitivo para o resto de nossas vidas. Eu tinha que fazer, era pra isso que tinha vindo. Meu coração batia forte quando me levantei e me aproximei dela. Acariciei seu cabelo preto e ela ergueu sua mãozinha para encontrar a minha, como quando dançávamos. Me abaixei, a levantei e carreguei seu peso de lado, como se estivesse segurando uma menina nos braços. Ela apoiou a cabeça no meu ombro, molhando o tecido da camisa com suas lágrimas. A faca escorregou no chão com um estalo metálico que nos fez estremecer. Senti suas mãozinhas no meu pescoço e as longas mechas de cabelo caindo em cascata entre meu torso e seu corpo. Ela continuava sendo minha boneca, quisesse ou não, uma boneca linda e sensual.
Nos sentamos no sofá. Era verão, mas imaginei a lareira acesa e que o calor vinha daquele fogo que só ardia na minha mente. Deixei aquele calor se espalhar, nos fundindo num só corpo. Acariciei, beijei, enrolei seu cabelo em cachos impossíveis que meus dedos desfaziam de novo. Sincronizamos nossa respiração, cada vez mais rápida, presa ao ardor que o contato mútuo dos corpos gerava. Ela abriu minha camisa e deslizou sua mãozinha pelo meu torso, arrepiando os pelos, me provocando um calafrio de prazer. Alcançou um mamilo e brincou com ele, distraidamente, traçando formas como fazemos quando falamos ao telefone e desenhamos rabiscos num bloco de notas. Levantei sua camiseta e acariciei os dela, túrgidos, eretos, e os levei à boca. Chupei e mordi alternadamente, sem deixar que minhas mãos parassem de apertá-los.
Ela estava recostada no meu colo, deixando que minhas mãos a explorassem. Tirei sua camiseta e a calcinha, e um calafrio percorreu seu corpo enquanto ela gemia:
- Siiiiim... tio Dani... continua... não tenha medo...
Eu teria gostado de Demorar, ser mais carinhoso, mas a vontade de gozar dentro dela me consumia. Acariciei a buceta dela que escorria e deslizei um dedo lá dentro. Coloquei mais um e comecei a masturbá-la com movimentos circulares pra alargar ela ao máximo. Ao mesmo tempo, roçava o clitóris dela, fazendo ela tremer de tesão. Levantei ela pela cintura e deixei as pernas dela se apoiarem dos lados da minha pélvis. Fui provocando com roçadas que arrancavam gemidos de excitação, até que entrei nela; minha cabeça escondendo metade da vermelhidão suculenta entre os lábios apertados da bucetinha dela. Ela mexia a cintura enquanto eu enfiava devagar lá dentro, e a gente parava quando minha geografia cruel e transbordante esbarrava na dela, acolhedora mas apertada. Umas enfiadas curtas, impacientes e urgentes dos dois lados já tinham conseguido abrigar boa parte da minha pica... A gente se olhava com raiva, desafiando, se provocando até que Sara falou:
— Faz, tio Dani, faz. Me solta, por favor. Quero que seja assim, tô doida — ela quase gemeu.
E eu fiz. Com a ajuda do olhar cúmplice dela. Soltei ela. A carne dela, tensa ao máximo, apertou a dureza da minha pica, deslizando nela, sufocando a rede de artérias que respondiam com uma bombeada mais forte, estimuladas por aquela apertada quente e molhada. Meus colhões inchados receberam a buceta delicada dela pra eletrizar com meus pelos enquanto ela gritava naquela agonia de dor e prazer:
— Aaaaaaaiiiii..., assimmmmmmm..., tio Dani..., como dói mas como é gostoso...
Levantei ela e deixei o corpo dela cair de novo como se eu tivesse me masturbando com ele e continuei naquele movimento quase de ginástica. Com o cabelo dela caindo de um lado, com um fio de baba no canto da boca; e eu louco, sem conseguir pensar em outra coisa que não fosse meu prazer. Os peitos dela balançando obscenamente na minha frente com o poder hipnótico de um pêndulo não ajudavam a parar aquela fodida bruta que eu já não conseguia controlar. O gosto que a carne dela me dava era tão intenso que qualquer um Seus gestos e gemidos só faziam me excitar mais, a cabeça dela caía para trás, o corpo entregue num desmaio que atribuí ao prazer que sentia. Então, ela pareceu recobrar os sentidos e ergueu as pernas com a ajuda das mãos, se oferecendo por completo e deixando à mostra seus lábios molhados enfiados no meu pau, me olhando com aquele mesmo olhar obsceno e imperioso do começo. Dessa vez, ela não precisou pedir.
Levantei ela e meu pau saiu da buceta dela banhada em fluidos. Enfiei de novo. Dessa vez, ela não gemeu nem implorou. Só me olhou com os olhos arregalados enquanto as pupilas sumiam sob as pálpebras no mesmo ritmo que meu pau afundava no cu dela, dessa vez sem pausas nem descansos; o corpo dela submetido à força dos meus braços que a erguiam ao céu do prazer e a jogavam no inferno do rasgo. Nada até então tinha me apertado tão justo, nada tinha me bombeado com tanta precisão, nada tinha sido capaz de me dar tanto tesão e ao mesmo tempo me segurar à beira do orgasmo por tanto tempo sem gozar. Mas tudo tem um limite e minhas bolas estouraram de prazer enchendo o cu dela com porradas gostosas e contínuas. Ela sincronizou o orgasmo dela com o meu, gozando em espasmos que só conseguiram cravar ela mais no meu pau, levando ela ao paroxismo com gritos enlouquecidos.
Depois, ela ficou inerte nos meus braços e eu a levantei pra subir com ela pro quarto. Deitei ela na cama, deixando as pernas penduradas na borda. Contemplei ela mansa e vencida, como uma menina cansada prestes a dormir. Observei aqueles buracos que tinha violado, aproximei minha boca da buceta dela e lambi com gosto até que novos espasmos percorressem o corpo dela e o cu dela liquefez o sêmen que tinha abrigado, marcado pelas contrações. Deitei ao lado dela e quando acordei, ela já não estava. Ouvi ela no banheiro e aproveitei pra bisbilhotar a penteadeira dela. Encontrei um anel de bijuteria num pequeno porta-joias e guardei no bolso como um ladrão sorrateiro. * * * *
Percebi que a vida sem ela tinha sido um estranho parêntese. Escolhi uma peça sem exageros, a Sara era discreta no vestir. Mostrei o anel roubado ao joalheiro; como amostra, era perfeito para ele ajustar a nova peça no tamanho dela. Ele perguntou se eu queria alguma inscrição, e mostrei a ele escrita num papel. «Pedido lindo», disse depois de ler. Provavelmente eram sempre essas as palavras dele, um código cúmplice pra esconder a sacanagem de algumas propostas, um comentário neutro que validava qualquer sugestão do cliente, por mais doida que fosse. Era um profissional e não mostrou surpresa quando leu a dedicatória escrita no papel, que dizia: «NUNCA CRESÇA».
Mas eu tenho uma sapataria e, no fundo, esses esquemas me são úteis. O cenário das minhas hipócritas reflexões não era uma comunhão, mas um banquete de casamento, e eu pensava nisso vendo aquele imbecil babando na Laura, minha ex-mulher. Ali, numa mesa colada na minha, esfregando na minha cara aquele gostoso tirado das páginas de programa por hora. Minha prima Celia, a noiva, tinha arrumado as mesas pra me dar uma facada no saco, sabendo que só um terremoto de grau 10 poderia me livrar daquele pesadelo me deixando debaixo dos escombros. Não era paranoia - com certeza -, minha ex não tinha nada a ver com aquele casamento. Não tinha afeto nem parentesco entre elas, e a Celia tinha convidado ela só pra me foder.
Eu tentava prestar atenção na minha parceira de mesa, colocada ali pelo "alcoviteiras.com" de Somera, cidade onde rolava o feliz evento. Parecia uma boa moça, com toda a bondade que ainda nos resta aos trinta, mas nem o vinho nem o espumante pareciam capazes de soltar a rigidez de princesa dela.
- Vem comigo ao banheiro? - propus, sorrindo pra ela e sabendo que era o último lugar pra onde ela iria me acompanhar.
Ela me olhou apavorada. Não estava no cio nem parecia ter senso de humor. Fui me aliviar sem parar de sorrir, não queria deixar um gosto ruim na boca dela me vendo sumir pela porta e perder a chance de me sacudir. Será que ela tinha levado a sério? Será que espalhariam minha vil perversão por toda a região pela boca do "alcoviteiras.com"?
Ali já dava pra sentir o Excessos. A população masculina filtrava o álcool contra a louça dos mictórios, alinhada e com o pau pra fora; e Oscar vomitava entre a pia do lavabo e a solidez do primo Robert, que tava ali pra molhar a testa dele como se a água da torneira fosse água benta e pudesse curar a bebedeira inoportuna. Me tranquei pra ficar mais à vontade e, sentado, pesei se entrava na festa deles ou se vazava antes da música tocar e eu ter que arrastar a Sissi Imperatriz pra pista. Só me restavam três pontos na carteira e o prefeito já tinha combinado uma blitz com as forças antivício pra nos pegar no bafômetro seis curvas abaixo. Engoli uns dois omeprazóis enquanto esvaziava o tanque.
Voltei pro bebedouro quando, por sorte, minha parceira de banquete, Sissi Imperatriz, já tinha encontrado o Francisco José dela, que a rodopiava na pista de dança improvisada, não no ritmo de valsa, mas no ritmo do Bisbal. Nas minhas costas tava a mesa das crianças, pura trincheira onde os restos do bolo de guloseimas eram usados como projéteis. Sara, minha sobrinha, tentava controlar a situação; mas nem seus bons modos nem sua altura pareciam impor respeito. Eu achava vergonhoso a Celia ter sentado ela ali, ainda mais humilhante do que colocar minha ex ao lado da gostosa dela na minha frente. Me aproximei.
— Oi, Sara — falei enquanto minha bunda transbordava numa microcadeira que tava do lado dela.
— Oi, tio Dani — respondeu sorrindo e sem deixar que a metralha do bolo acertasse uma pirralha de três anos refugiada no colo dela.
— Quer ajuda?
— Você é do G.E.O.?
Rimos. Ela tava gostosa apertada naquele vestido tão sexy e calçada naqueles sapatos de salto de número impossível. De pé, mal chegava na minha altura; ela ajeitou o vestido puxando ele com as mãozinhas e deu a volta na mesa com seus passos curtos e cheios de charme até alcançar um pivete nojento de cinco anos que tava nocauteando outro de três. Mal dava conta dele. Forcejava e o tecido subia pelas coxas dela. mostrando a rendinha da calcinha dela. As pernas dela tremiam de esforço de um jeito muito excitante, pareciam trêmulas depois de uma maratona de orgasmos. Levantei e fui dar uma mão. Peguei o monstro "amorosamente" e falei com o mesmo carinho:
-Ô, arrombado, por causa de figuras como você o mundo vai mal. Aos cinco, já enfia a cara de outro menor e mais fraco no chão, e aos trinta vai terceirizar a empresa pra ter uma fábrica cheia de otários se matando por uma tigela de arroz com baratas. Por causa de gente como você me mandam sapato de papelão; fodem os de lá; e os daqui, também.
Ouvia aquelas palavras como se não saíssem da minha boca. Tava puto com a Celia, com a minha ex, com o gostoso, comigo mesmo, com o moleque e com a mãe que o pariu..., mas será que tinha enlouquecido? O menino fazia biquinho aterrorizado e gemia «mamãe!» como se a vida dependesse disso. Fez-se silêncio e só se ouvia a Carrá berrando: «explota explota m'expló, explota explota mi corazón». Soltei ele antes que o meu explodisse e antes que o pai dele chegasse pra quebrar minha cara, momento que ele aproveitou pra se mandar e encontrar o colo materno salvador. Sentei numa cadeira pensando que tinha passado dos limites, mas continuei nessa linha e, pra não mostrar brecha na autoridade, soltei:
- Acabou o recreio, todo mundo sentado!
Ficaram intimidados me olhando de lado enquanto brincavam pacificamente ou faziam foguetes e barcos com guardanapos de papel. Só minha sobrinha me olhava divertida. Eu era treze anos mais velho que ela e ainda lembro o que minha irmã disse quando a colocou nos meus braços pela primeira vez: «segura ela direito, Dani».
Como é que ia soltar! Os olhos dela me procuravam confiantes e eu apertava ela contra mim pra morder as bochechas de beijos. Ela me adorava, sempre me procurava. Fui o irmão mais velho que ela não teve. Vieram as comparações, as perguntas, os porquês; e, depois de uma dura travessia por um monte de hospitais, O diagnóstico. Depois, a crueldade que ela aguentava com firmeza. Seu atraso no crescimento físico a colocava no limite da normalidade, mas bastou para transformá-la em alvo da crueldade infantil. Ao sair da aula, ela se refugiava na sapataria que eu tinha na cidade na época e, nos fundos, chorava em silêncio para que os clientes não a ouvissem. Foi assim que me tornei cúmplice da sua dor, seu melhor e único amigo.
Quando eles iam embora, começava o jogo. Ela adorava sapatos de salto alto e eu sempre guardava alguns do menor número pra ela. O cheiro do couro a enlouquecia mais do que qualquer doce. Ela pegava os sapatos com as mãozinhas e um respeito que nunca vi em nenhum adulto, e calçava aqueles sapatos onde seus pés se perdiam entre tiras de couro e fivelas impossíveis. Ela girava, batendo os saltos com fantasia, como um pião doido na frente do espelho, e eu a abraçava sem tocar, como aqueles cercados de vime que protegem plantas delicadas, evitando que ela caísse. Esse jogo, que toda menina brinca, tinha pra ela a importância de um feitiço, iluminava seu rosto com a esperança de que o impossível se realizasse, e pra mim já bastava a felicidade que ela mostrava naqueles breves momentos, mesmo que meu coração se partisse em mil pedaços. Naquela hora, não desejava nada mais no mundo do que ter uma varinha mágica pra realizar o sonho dela, que também era o meu.
Mas a vida nos separou e eu não fiz nada pra evitar. Cumpri o serviço militar e conheci a Laura na capital durante uma das licenças. A gente casou quando fui dispensado e mudei o negócio pra lá. A Sara estava lá no dia do nosso casamento, mas mal consegui ver o sorriso triste da que foi minha boneca; o rosto dela sumia no meio da multidão, mas sempre reaparecia com aquela expressão cheia de rancor que eu queria esquecer a todo custo. Eu a evitei de forma miserável. Não queria que nada estragasse aquele momento.
Sabia pelos meus pais que Vivíamos na mesma cidade e ela tinha conseguido uma vaga de funcionária pública na prefeitura. Gozava — segundo eles — de uma autonomia que muitos dos primos dela de tamanho normal, agarrados ao bom viver que a tutela familiar proporciona, jamais alcançariam. Estive a ponto de soltar frases tipo: «você tá igual» ou «o tempo não passa pra você», mas consegui dizer algo mais oportuno:
— Você tá muito gostosa.
— E em você o terno caiu de fábula, e as entradas nem se fala... — disse enquanto estendia as mãozinhas e me ajustava o nó da gravata pra puxar em seguida e apertá-la.
— Isso é golpe baixo... — respondi e logo corrigi: — Desculpa..., não quis dizer isso.
— Kkkkkkkkkk..., não seja burro. Cê acha que vou me jogar LÁ EM-BAI-XO?
Rimos. Parecia toda uma mulher, e os peitos dela emoldurados por um decote provocante vibravam com as risadas e brilhavam cheios de gotinhas de suor. Ela vestia um vestido de linho cor de pistache com pespontos dourados e verdes que, junto com uma gargantilha larga de madrepérola combinando com a pulseira e os brincos, contrastava gostoso com o moreno da pele dela.
— Vai ficar o fim de semana? — perguntei sabendo que as relações com os pais dela não eram lá essas coisas.
— Vim com a tia Marga e o marido dela, e vou voltar com eles — respondeu com cara fechada e desviando o olhar.
Baixei a vista pra não deixar ela sem graça. Lá estavam os sapatos de salto dela, lindos, impecáveis, justos como nunca tinha visto nos fundos da loja e esperando a chance de brilhar. Sorri, e num impulso súbito peguei a mão dela e falei:
— Acho que chegou sua hora, Cinderela...
— Kkkkkkkkkk..., mas espera... as crianças...
— Cê sabe o que diz o ditado: «Quem fez o feio, que aguente o reboliço», já tá na hora dos pais dela assumirem a paternidade.
Levei ela pela mão até a pista. Fomos abrindo caminho entre casais de todas as idades; os mais velhos, soltos pelo álcool e aproveitando os últimos Jogos de quadril que a artrose permitia; as mais novas, cortadas ao sentir a proximidade de tanto dinossauro enfurecido. Estendi o braço sobre ela; e ela, por sua vez, ergueu o seu para alcançar minha mão. Traçamos um eixo invisível através do qual Sara começou a girar como fazia antigamente diante dos espelhos pareados dos fundos da loja, desdobrando sua imagem em uma infinidade de posturas mágicas. Flexionou uma perna e a velocidade aumentou, transformando-a em um redemoinho que foi se achatando até quase roçar o chão.
Levantei-a de novo e, aos poucos, ela diminuiu a rotação até finalmente parar, com as pupilas trêmulas buscando um ponto onde frear a inércia. Apertei o corpo dela contra o meu, e ela se deixou levar, ofegante, os peitos dela contra minha buceta e, enquanto ela recuperava a estabilidade e o fôlego, eu os perdia com aquele contato quente. Continuamos dançando, música após música, erguendo o corpo dela sobre minha cabeça ou deslizando-o entre minhas pernas. As pessoas se afastaram, formando uma roda.
Vi Celia nos olhando com desaprovação, como se nos recriminasse por roubar aquele momento mágico. A anã e o adúltero da família roubando a cena dos noivos naquele espetáculo circense onde não éramos só monstros de feira, mas tio e sobrinha dançando obscenamente. Aqueles dois personagens, que num casamento incomodam e ninguém sabe onde colocar, atraíam todos os olhares, que já não eram de pena ou deboche, mas daquela fascinação que o incompreensível provoca, porque ninguém parecia entender como podíamos nos mover com tanta cumplicidade. Ignoravam o que tínhamos forjado nos fundos da loja, dia após dia, e que todos aqueles passos de dança tinham sido aprendidos sem querer, sem mestres nem regras, só com o hábito e a intuição; e eu era o primeiro surpreso.
— Vamos embora — sussurrei depois de me envolver com o corpo dela, deslizá-lo pelas costas como um xale e fazê-lo aparecer na minha frente num loop que jamais imaginei ser capaz de fazer.
Sara jogou o cabelo para trás e me seguiu como se não se Esperava outra coisa dela. Os convidados abriram caminho e eu pude ver minha ex ao lado daquela gostosa, me encarando com a mesma expressão atônita. Sorri e mandei uma piscadela pra ela. Saímos correndo pra fora, exultantes, e sentamos num banco pra recuperar o fôlego. Já era noite fechada e tinha chuva de estrelas. Ela tirou uns lenços da bolsa, estendeu um pra mim e depois enxugou o suor com outro.
— Já não tô mais pra essas coisas — gemi rouco e ofegante enquanto me secava —, seu tio já não é o que era.
— Kkkkkkk... que nada... Você tá no auge, tio Dani... Olha — disse apontando pro céu.
— São lágrimas de São Lourenço; já sabe, tem que fazer um pedido. Fecha os olhos, Sara; pensa nele.
Sabia qual era o desejo dela. Estendi minha mão pra pegar a dela. Enrolei meus dedos nos dela, aqueles dedinhos que se entrelaçaram com os meus. Olhei pra ela. Continuava de olhos fechados. O transtorno tinha respeitado as proporções do corpo dela, a harmonia do rosto que ainda era delicado como o de uma menina. Ela era linda. Abriu os olhos e devolveu o olhar. Pensei em beijá-la, mas me segurei. Nossos beijos tinham sido amigáveis até então, qual seria o gosto agora? De nostalgia daquelas tardes na sapataria? De rancor por ter ignorado ela todo esse tempo? De reencontro? Mas no que eu tava pensando? Ela era minha sobrinha e nada mais que isso, carne da minha carne, sangue do meu sangue. Só tinha que repetir isso como um mantra salvador. Tentei por um tempo, mas a língua me traiu.
— Pode voltar comigo se quiser — falei com um nó na garganta e uma excitação surda se formando.
— Tá bom — respondeu depois de um breve silêncio em que vi cair duas estrelas e fiz dois pedidos —. Me espera aqui. Vou me despedir.
Voltou depois de um tempo e fomos embora. Durante o caminho, falamos das nossas vidas, especialmente do trabalho, um assunto neutro que nos permitiu não tocar nos nossos sentimentos mais íntimos. Ela tinha comprado uma casa geminada nos arredores e viajava muito. Parecia Levar uma vida profissional e social muito ativa comparada com a minha, por isso me surpreendeu que ela não dirigisse.
- Você nunca pensou em tirar a carteira? - perguntei.
- Até poderia, mas me dá um respeito. Teriam que adaptar o carro e não vejo necessidade por enquanto.
Reduzi a marcha, liguei a seta e parei numa curva.
- Você vai dirigir - falei.
- Hahahahahahaha..., você é louco?
- Sobe aqui - disse, convidando ela a sentar no meu colo.
- Quer que a gente se mate?
- Não tem desculpa que valha. Uma mulher independente como você, sem dirigir? Você precisa experimentar isso, ou vamos ficar aqui até o amanhecer - falei, num tom comicamente sério, cruzando os braços com uma careta fingida de desgosto.
- Hahahahahaha... bom, se você vai ficar assim... Você quem quis - respondeu, soltando o cinto e se deslocando para o meu banco. Apalpou minhas coxas para se posicionar e sentou entre minhas pernas.
- Tá vendo alguma coisa? - perguntei.
- O volante e as estrelas...
Levantei ela pela cintura e a sentei mais para cima.
- E agora?
- Melhor.
Demos a partida. Ela segurou o volante e eu controlava. No começo, estava dura de medo, depois se animou. Ria.
- Viu, você é uma guerreira. Sabia disso.
Ela pareceu dar um pulo ao sentir o calor da minha respiração. Senti o cheiro do corpo dela, aquela mistura de suor feminino e aroma de perfume. Cheirei o cabelo dela. O vestido dela subiu e eu senti a carne dela se esfregando na minha buceta. As pernas dela batiam animadas. Ela não parecia perceber o efeito que causava em mim, tão concentrada estava na simulação. Eu estava louco? Por que tinha levado ela a isso? Será que eu realmente queria...? Eu estava duro e ela tinha que sentir, porra.
- Me deixa alcançar o acelerador! - gritou, esticando as pernas o máximo que podia.
- Hahahahahaha..., você não alcança - respondi, brincalhão.
Mas ela não desistia, esfregando os pés nas pernas da calça para eu dar espaço. As nádegas dela se abriam sobre minha rola dura. Eu me sentia nojento, mas ela me excitava e me excitava me sentir assim. Íamos devagar e, de vez em quando, algum veículo dava sinal de luz pra gente ultrapassar. Ela reclamava feito uma motorista braba, queria dar o troco e eu tinha que segurar. O suor encharcava nossas partes íntimas, separadas só pela calcinha fina dela e o pano da minha calça. Pensei em parar e resolver com uma punheta rápida atrás de uns pinheiros, com a desculpa de mijar. Não aguentava mais e procurei um lugar pra estacionar.
— O que cê tá fazendo? — ela perguntou, parecendo frustrada.
— A aula acabou — respondi depois de parar bruscamente.
— Foi tão ruim assim?
— Não, amor. Bom demais — respondi quase gemendo.
E aí eu fiz, como se fosse inevitável, como se um roteiro mandasse. Joguei a cabeleira dela pro lado e me abaixei pra lamber a nuca..., a orelha... Fiquei um tempão assim, sentindo o cheiro da respiração dela, cada vez mais rápida. Ela parecia dura, mas eu sentia que por dentro ela derretia igual queijo, e fiz aquilo que queria desde o começo: deslizei pelas pernas dela, subindo pelas coxas, afastei a calcinha e acariciei a penugem macia da buceta dela. Ela se deixou levar. Passei um dedo na vulva e ela gemeu com um som gutural que fez o corpo todo tremer. Explorei a geografia dos lábios da buceta dela. Não tinha pressa. Ninguém esperava a gente. Deixei as pernas dela caírem moles sobre as minhas coxas. Abri as minhas e as dela, inevitavelmente, com meu movimento. Enfiei um dedo, devagar..., mmm... Tava molhadinha, pronta pra aceitar...
— Oh, Sara..., Sara..., Sara, pelo amor... O que eu tô fazendo?... Me manda parar, pelo amor...
— Mmmmm..., tio Dani...
Ali estava o botãozinho dela. Passei a ponta do dedo devagar. Ela gemia. Suspirava. Era uma mulher, mesmo parecendo uma menina. Me sentia triste, mas ao mesmo tempo excitado com a transformação do meu brinquedo amado. Não podia nem queria parar e me esfreguei nela sem parar de masturbá-la. Queria sentir a carne dela, medir a profundidade; enfiei o dedo mais fundo e a carne dela se apertou em volta, voraz, apertada. Mais pra dentro, mais mete-saca e então ela começou a soltar gemidos excitantes enquanto o pau e as bolas afundavam na dobra da bunda dela, encharcando a braguilha. Teria sido tão fácil..., mas eu sentia pânico..., tão pequena...
-Tiiiiito Dani ..., tiiiiito Dani ... - ela gemia, arrastando a palavra "tio" de um jeito sensual, como se ser tio fosse um valor a mais, um truque pra me excitar ainda mais.
Levantei ela, virei de costas e apoiei as costas dela no volante. A buzina soou estridente no meio da noite, como se o carro, mesmo sendo máquina, tivesse mais consciência dos meus atos do que eu e tentasse me parar. Mas o susto não foi suficiente. Procurei outra posição menos barulhenta, coloquei um travesseiro debaixo dela, dobrei os joelhos dela e deixei os pés descansarem nos meus ombros, ficando completamente aberta e oferecida na minha frente. Abaixei o vestido dela e desabotoei o sutiã pra os peitos dela saltarem. Minhas mãos agarraram eles com voracidade, beliscando, fazendo os mamilos ficarem duros e desafiadores. Levantei o vestido dela até deixar como uma faixa obscena enrolada na cintura. Puxei a calcinha dela pra baixo e tirei de vez. Levantei ela um pouco mais pra levar a boceta dela à minha boca e devorar. Lambi, chupei e fiz círculos na buceta excitada dela; e separei bem os lábios dela pra castigar as mucosas com mordidinhas suaves. E se eu fosse o primeiro a provar aquela carne? Esse pensamento me enlouquecia, saboreava os sucos dela me sentindo um iniciador perverso, arrastando ela pra algo que ainda me parecia sujo e degradante, mas que eu não conseguia controlar.
Sara gemia de prazer e, à luz da lua, pude ver os olhos dela pedindo mais com uma luxúria bem adulta e os dentes apertando pra aguentar um castigo tão delicioso. Continuei metendo sem piedade. Ela ronronou, se contorceu e senti o tremor dela antes do gozo. Ela gritou presa num espasmo que levantou ela inteira. Gozou convulsa, destilando, minha língua fornicando batendo forte nas mucosas dela. O corpinho dela, arqueado, se ergueu como se quisesse se separar, mas eu a Apertei ela contra mim, fazendo da buceta dela e da minha boca o centro de gravidade dos nossos corpos, deixando que ela apertasse as coxas na minha cabeça enquanto não parava de acariciar com as mãozinhas, bagunçando meu cabelo. Encheu minha boca de gozo enquanto eu continuava beliscando os bicos dos peitos dela e enfiava um dedo no cu dela, mais apertado que a buceta. Tão leve, tão pequena e, ao mesmo tempo, tão mulher. Perfeita.
Não precisei pedir. Acho que se ela não tivesse feito por conta própria, eu não teria coragem. Ela desceu do meu colo e foi até o assento dela. Depois de uns segundos, estendeu as mãozinhas para pegar o puxador do zíper e, mesmo com minha ereção dura atrapalhando, conseguiu descer até o fim. Saiu catapultada, ainda dentro da cueca branca; mas ela descobriu com as mãos, delicadamente. Depois puxou o pano até deixar esticado embaixo do saco, revelando as bolas. Ela tinha um jeito de agir que me excitava pra caralho, como quem prepara a mesa de um jantar se deliciando com o banquete que vem, sem pressa, sabendo que qualquer detalhe que passar pode estragar tudo.
Ela acariciou, primeiro com as costas da mão; depois, com a palma, pra cima e pra baixo, percorrendo o tronco venoso com os dedinhos quentes. Estendeu a outra mão e com ela pegou os líquidos que escorriam da ponta. As mãos pequenas dela faziam meu pau parecer obscenamente monstruoso. O toque naquela área tão sensível e gostosa fez ele endurecer ainda mais enquanto eu dizia:
— Assim... assim... Como você faz bem... minha boneca...
Ela espalhou os líquidos pelo tronco inteiro, esfregando de leve, aumentando o formigamento que percorria minhas bolas, onde o orgasmo que eu sentia que ia ser frenético já se preparava. Continuou assim por um bom tempo, com as duas mãos, me fazendo gozar com uma masturbação vigorosa e delicada ao mesmo tempo. Pegou minhas bolas, brincou com elas, puxou, apertou... apalpou as glândulas internas como se quisesse separá-las da pele, igual como faria com as sementes de uma fruta, e senti o calor das mãozinhas dela no núcleo daqueles ovos que ameaçavam explodir de tesão entre suas mãos de menina.
— Ooooooohhh... siiiiiim..., continua assim...
Com a boca, às vezes parecia que fazia vácuo neles para, em seguida, enchê-los de um calor ardente igual à magma de um vulcão inundando cavernas minerais para gestar sua erupção. Sem parar de se masturbar, ela aproximou a boca da glande e esticou a língua para percorrê-la em círculos, me fazendo tremer; depois, mordiscou. Repetiu o processo uma e outra vez, me levando ao limite até que apertou os lábios, sugando. Enfiou mais fundo enquanto eu acariciava a cabeça dela e a incentivava a ser mais safada, me regozijando na minha perversão, fantasiando sentir meu gozo enchendo a boca de menina dela que não parava de chupar e chupar aquele doce de carne. E aconteceu: com as mãozinhas espremendo vigorosamente meus ovos, masturbando meu tronco, a boquinha sugando minha glande, meu aparelho genital estimulado por completo pelas artes de menina puta dela, bombeou jatos de porra que ela se esforçou pra engolir, mas que transbordaram inevitavelmente.
— Oooooooohhhh... siiiiiiiiiim... siiiiiiiim... siiiiiiiiiiiim... — gemi apertando a cabeça dela contra meu pau pra sentir ela apertando até eu me esvaziar por completo. Aguentou meus impulsos sem tossir nem engasgar, como uma menina boazinha tomando o xarope receitado. Deslizei minha mão até as nádegas nuas dela, que tinham ficado empinadas pela posição, e acariciei a dobrinha dela, manobra que ela aceitou gostosa, ou assim mostrou com um novo orgasmo que a fez gemer e tremer.
Nos separamos, ela voltou pro assento e nos limpamos com lenços. O resto do trajeto passou em silêncio. Já não éramos os mesmos, a percepção mútua tinha mudado e pra isso precisávamos de uma nova linguagem, uma linguagem que nenhum de nós dois queria ou conseguia formular.
Ela me indicou onde morava e eu a acompanhei. até um bairro periférico, construído inteirinho durante o boom imobiliário recente. Fileiras intermináveis de casas de estilo nórdico que passariam o resto da vida funcional debaixo de um céu mediterrâneo e ameno. Parei onde ela mandou e desci pra abrir a porta pra ela enquanto ela pegava a bolsa e a jaqueta. Um beijo na bochecha e um "até logo" que soou como um "adeus" selou a despedida. Esperei ela sumir atrás da porta e fui pra casa.
Tava me sentindo estranho, com aquela culpa que não tinha parado de me apertar desde que planejei aquele ato que na época me parecia infame. Senti a náusea subir da boca do estômago, minha consciência se revirava contra os fatos e tive que parar de repente. Vomitei no meio-fio. O poste projetava minha silhueta na calçada como uma sombra chinesa monstruosa se mexendo no ritmo das ânsias. O fel se misturou com o resíduo dos fluidos dela com um gosto amargo de remédio. Eu esperava que aquele gosto marcasse a lembrança dela e me ajudasse a esquecê-la pra sempre. Felizmente e muito provavelmente, a gente se veria de novo em alguma cerimônia de família quando nossos corpos fossem um bagaço que inibisse qualquer tentação carnal.
Não ia ser tão fácil assim. Voltei pra rotina diária, mas não encontrei nela a paz que tava acostumado. A sapataria me lembrava a Sara o tempo todo e, de noite, eu virava na cama preso numa insônia onde a imagem dela era a protagonista. Me abraçava no travesseiro onde parecia encontrar o contorno do corpinho dela e acariciava uns peitos imaginários, mas tão reais na minha mente, que pareciam queimar debaixo das pontas dos meus dedos. A mão virava a bocuda suculenta dela e com ela eu me masturbava pensando que aquela boca se transformava numa buceta que eu entupia com jorros de porra. Entregue ao meu prazer solitário, eu esperava que assim matasse a lembrança daquela noite, mas a única coisa que conseguia era que o desassossego fosse aumentando, punheta atrás de punheta.
Uma manhã, fuçando no carro, encontrei a calcinha dela debaixo do meu banco. Não consegui me segurar e levei ao nariz. Me arrepiei. Quase chorei. Fiquei um tempão parado, amassando aquela renda, aspirando o cheiro dela... Tinha que parar com esse pesadelo. Apagar qualquer vestígio físico que restasse dela. Saí do carro e joguei no lixo. Mas não bastava. Precisava apagar ela da minha mente e só conhecia um jeito.
Decidi que ia recorrer a uma profissional, recurso que usava direto desde que a Laura me largou. Não tinha sido o remédio perfeito, mas aliviava um pouco. Me dava preguiça ficar perdendo horas em balada quando com uma ligação e uma transação eu resolvia o "problema". Ia procurar uma assim que fechasse a loja e assim conseguia tirar a Sara da cabeça. Só precisava de uma mulher normal com tudo que a palavra "normal" significava pra mim naquela época.
Mas tinha que esperar a noite e não conseguia me concentrar no trabalho. Uma ereção incômoda de sátiro ameaçava ferrar umas vendas que por enquanto não apareciam. No banheiro apertado, me masturbei querendo ficar exausto e esperando a manhã esquentar pra me manter distraído. Mas tava fraca e meu pau teimava em ficar duro, quando apareceram uns 37. Não eram nem uns mocassins masculinos do 44 que acalmam, nem um 39 envolvendo uns pés artríticos junto com a ponta de uma bengala, combinação perfeita pra inibir meus desejos. Sempre olho primeiro pros pés do que pro rosto, deformação profissional. Eram uma imitação meia-boca de uns Manolo Blahnik, coroados por umas pernas de arrasar que perdoavam qualquer incursão no mercado de imitações chinesas. Disfarcei como pude e me entreguei à dona delas, rodeando os pés dela com todas as variações possíveis de um mesmo modelo. Clientes do mesmo perfil tinham sido a causa das brigas entre eu e a Laura. Minha ex era uma ciumenta. pathological, and I couldn't imagine myself crouching less than half a meter from a potentially fuckable pussy without doing anything.
I could control myself, and in fact I did; if it hadn't been that way, the business would have gone down the drain. But there I was, crouched down and wondering if it made sense to hold back when my efforts hadn't saved my marriage and those sensual legs were opening to pleasure and demanding more than the touch of tanned skin and furtive caresses on the ankles. I probed the forbidden zone to see what was just a game and what was genuine lust, and the woman clearly showed what she wanted when I slid my hands between her thighs and reached her intimate parts with my fingers.
I stood up again and hung the "out of order" sign on the door. I took the woman by the arm and led her to the back room; one of her shoes got lost along the way, making her stumble in an almost grotesque way. I was rude—I know—but something made me laugh, and she shuddered. I looked at her, and a moment of panic crossed her face. There was something in my laugh that she didn't like, or maybe she realized her game had gone too far. She seemed to regret it and struggled, but my hand opened between her legs, sinking into her pussy imperatively, a juicy pussy that didn't seem playful but desperately needy. I lifted her by her center of gravity, holding her up, penetrated by my fingers as I played my bluff:
"Easy, slut; I know you're a real pervert... Do you get turned on when you feel like prey? Does only panic lube you up? Bet it does... Let me do it, and you'll see..."
She moaned with eyes wide open in terror but consenting at the same time, as if she wanted her worst fantasies to come true and I was the future executor of them all...
I hadn't been wrong; that's what she was looking for. Maybe kinky stuff her husband couldn't do to her. I laid her face up on a table and made my way between her legs. I raped A boca dela com minha língua, e os olhos dela, roçando nos meus, se soltaram e perderam aquela expressão de perigo pra dar lugar à cara de presa alcançada e rendida ao fim. Rasguei a calcinha dela, liberei a pica e enfiei com uma porrada brusca que deixou meu corpo tenso e na ponta dos pés, aproveitando o fundo dela de mulher completa. Fiquei assim um tempão, saboreando o sexo pleno, aquele que não deixa pensar, pura penetração, metendo nas mucosas dela, sentindo que tava me redimindo de qualquer traço de perversão. Era isso que eu queria, só isso: me sentir macho ativo diante de uma mulher funcional, nada mais; aquelas estocadas selvagens pareciam bastar pros meus planos, sentir o corpo dela se contorcendo, saciado daquele gosto raivoso que a mucosa dá quando esfregada por paus vigorosos, aceitando ser presa e agradecendo minha falta de consideração, sentimento que ela provavelmente já tava cheia. Ela gritou e implorou pra eu bater nela, mas só consegui abafar os gritos tapando a boca dela com as mãos enquanto falava:
— Ei, putinha, não grita senão a vizinhança chama a polícia. Não imaginava que você fosse tão louca, acho que te foder foi uma péssima ideia. Mas se você se comportar bem, a gente brinca de ginecologista e paciente. Vou enfiar uns calçadores na sua buceta e abrir ela até caber meu pé com sapato incluso.
O efeito foi na hora. Ela gozou com minha pica alcançando o útero dela e a promessa de arranjos tão deliciosos. O orgasmo dela puxou o meu.
— Aaaaaiiiii... aaaaaiiiii..., Sara, Sara..., que delícia... Quero..., sim..., quero... — gemi.
Nem naquele momento eu tinha conseguido esquecer ela. A imagem do rosto dela era o cenário do meu clímax. Senti raiva e apressei minha ereção com umas estocadas que pouco tinham de sensuais, mas que pra ela souberam a glória e sob as quais ela se contorceu de luxúria. Não tava fodendo ela, tava fodendo a Sara. A cliente ou não percebia ou não ligava como eu a chamava. Provavelmente se sentia sendo fodida por um bruto imaginário do qual eu era só o canal. aprendiz. É assim que o sexo é, pura masturbação mesmo quando não parece. Sara me confirmou isso mais tarde, mas já chegamos lá.
Nos separamos com a pressa dos animais e, como eles, em silêncio. Ela levou meu esperma, mas não a lembrança de Sara. Foi uma foda paga em especiarias, o começo do declínio para qualquer negócio respeitável. Achei que aquilo bastaria, mas nem sempre um prego tira outro e, depois de mais uma noite de sonhos lascivos, decidi. Não tinha o telefone dela e só havia dois jeitos de contatar Sara: me fazer de encontrado no trabalho dela ou ir direto na casa dela. Escolhi a segunda opção porque já era grandinho pra joguinhos e me pareceu a mais honesta. Se esperasse até sexta, provavelmente ela já teria algum plano que não poderia mudar.
Fechei a loja antes do horário e fui pra casa. Tomei banho, arrumei o cabelo e escolhi um terno parecido com o que usei no dia do casamento da Celia. Queria que ela revivesse aquelas cenas, mostrando que o que tinha rolado no caminho de volta não tinha sido um erro, mesmo que fosse... que... bom, enfim...; fiz promessas de uma hipocrisia sem limites pra me convencer das minhas boas intenções enquanto engraxava os sapatos, mas a verdade é que só queria estar entre as pernas dela com uma determinação que nem nos meus tempos de juventude eu conhecia; e pensando que, se aquilo fosse mais um erro monumental, não me importava de repeti-lo quantas vezes fosse preciso.
Me certifiquei antes de bater na porta dela. Passei na frente da casa e vi luz nas janelas. Comprei flores numa floricultura perto, um buquê denso de rosas vermelho-veludo pra esconder minhas intenções perversas e assim me apresentei na porta dela, espiando por trás delas, esperando ver o corpinho dela aparecer igual um predador espreitando atrás de uns arbustos na savana. Sara abriu e eu vi um lampejo rápido nos olhos dela, uma alegria que ela disfarçou habilmente como se de repente minha visita fosse um incômodo. Como se o beijo amigável de despedida de Aquela noite teria selado para sempre qualquer chance de reencontro.
—Pô, tio Dani, se perdeu?
De repente me senti ridículo, patético, e a mesma impressão pareceu refletir no olhar dela. Estava diante da minha sobrinha, vestindo uma camiseta que servia de vestido e calçando um tênis infantil; e a verdade é que ela mostrava uma indiferença total pelo buquê.
—Desculpa, Sara. Acho que tô fazendo uma besteira. Melhor...
—Entra —ela disse, assumindo o controle da situação.
—Não vou atrapalhar? Deixei me levar pelo impulso e pensei que...
—Não atrapalha nada. Só tô meio surpresa, entende, não esperava ninguém... (e muito menos você) —ela falou, me dando passagem e continuando—: Já jantou? Tava esquentando uma pizza enquanto preparava a salada... Sabe como é, onde come um, comem dois...
—Não se preocupa, Sara. Bom, na verdade, adoraria...
—Podemos comer as flores de sobremesa... —ela brincou, pegando o buquê nos braços enquanto eu a seguia.
—Hahahaha... você é doida, Sara.
—Doida? Nem pense. Vivemos em bosques sombrios, comemos cogumelos tóxicos, flores, unhas-de-burro e armamos armadilhas pra humanos pra devorar eles depois de uma orgia coletiva.
—Não me parece um final tão ruim assim. Mas melhor não me contar do que é a pizza, o cheiro é bom e já me basta.
Chegamos na cozinha, onde ela colocou as rosas na água. Enquanto fazia isso, me perguntou:
—Te surpreende?
—Um pouco.
—Bom. Pra mim é mais confortável.
E continuou mexendo naquele cômodo em miniatura, onde a bancada chegava na metade da minha coxa. Me senti estranhamente grande e poderoso, um sentimento infantil mas excitante, vendo ela se mover habilmente naquelas dimensões de conto de fadas. A tensão inicial parecia ter diminuído e eu me ofereci pra ajudar. Conversávamos lado a lado, passando os utensílios um pro outro. Se estivesse de frente pra ela, talvez não tivesse perguntado, mas tudo parecia ter uma fluidez cúmplice, como de... amigos...
- Você tá saindo com alguém?
- Se você tá perguntando se eu tô saindo com alguém da comunidade, não. Eu gosto de caras grandes e parece que eles gostam de mim. Nada sério por enquanto - respondeu sem rodeios.
Uma pontada no coração. "Malditos pervertidos", pensei como se eu não estivesse na mesma posição, e sem perceber que aquela fisgada era de ciúmes. A ideia de que alguém tivesse maculado meu brinquedo me irritava pra caralho.
Ela me passou os pratos, indicando onde ficava a sala de jantar, adaptada igual à cozinha, mas de forma menos rigorosa. Acrescentou queijos e frios ao menu original, e a mesa ficou com cara de buffet livre. Me ofereceu uma garrafa de vinho tinto pra eu abrir, o que fiz pra servir em seguida.
A comida rolou sem sustos, com a Sara comandando a conversa. Afinal, ela tava no seu território. Comia de um jeito sensual, os lábios brilhando com a gordura do frio e, quando limpava com o guardanapo, deixava marcas de batom nele. Não lembrava dela usando batom quando chegou, e me perguntei quando ela tinha passado. Era uma mistura de delicadeza provocante e grosseria que me encantava. Eu concordava e tentava prestar atenção no que ela dizia, mas não parava de pensar no que ela fazia com todos aqueles caras que dizia contatar. Imaginei ela se oferecendo em algum site obscuro ou trepando com um "gigante" em algum vídeo bizarro. Me excitava, mas também me angustiava, embora não o suficiente pra impedir meu coração de bombear sangue pro meu pau grosso, tenso, louco pra entrar nos buracos dela, e que eu disfarçadamente virava pra uma das pernas da calça.
- Você nunca pensou no que passa pela cabeça deles quando você tá com eles? - falei finalmente, sem me segurar, aproveitando uma pausa oportuna.
Um silêncio estranho se instalou, como se a pergunta fosse óbvia demais pra ser respondida. Ela continuou cortando a pizza sem me olhar, concentrada no vai e vem da faca como se fosse a coisa mais importante. decisivo que ela teria feito na vida.
- Você acha que as mentes daquelas putas com quem você se alivia estão lá quando você as fode? - respondeu com voz velada e sem me olhar - Com quem você está quando goza dentro delas...? Em quem você pensava quando cumpria metodicamente em dias alternados com sua mulher? Isso é um jogo, cara Dani, e eu não me engano como vocês "normais" que acham que são amados e desejados pelo que valem. Eu sou a fantasia deles. Eu sei. Sei que quando estão comigo, suas mãos não apalpam meu corpo, mas sim bundas delicadas como a pele dos anjos, e suas bocas mordem mamilos que mal despontam nos seios delas...
- Sara - respondi como se ouvisse minha voz ao longe -... desculpa. Não devia ter te perguntado isso..
- Tem certeza de que não é igual a eles? Que não buscava a mesma coisa que eles, um substituto daqueles corpos proibidos, indefesos e incapazes de reagir ao assédio de um adulto? Não te fiz sentir grande, transbordante, sua masculinidade magnificada pelo meu corpo minúsculo?
Ele tremia, e a faca estava largada entre um camarão e um pedaço de queijo frio. Os olhos dele tinham se embaçado, e então eu a vi tão sozinha quanto eu, nem mais nem menos que eu, nem mais nem menos que Celia, que a Laura ou a sua sexy, ou aquela cliente caliente que eu tinha fodido. Sozinha e chorosa como nos velhos tempos no fundo da loja. Sozinha naquela casa que pra ela era duplamente grande, como um castelo imenso...
- Provavelmente você tem todas as respostas, Sara, e a razão é sua quando diz que o sexo é uma mistura estranha de realidade e fantasia. Quando te vi no casamento da Celia, senti que você ainda era minha boneca, e desde então você virou uma obsessão, uma imagem onipresente que preside qualquer um dos meus atos. Não sei se isso combina com o buquê de flores que trouxe, e pode ser que o papel de galã me fique grande, talvez eu seja só um assediador enlouquecido; mas já que você foi tão clara comigo, me senti no dever de ser sincero.
- Pois já não sou mais essa boneca, tio Dani. Eu cresci, mesmo que não pareça.
- Nem me diga. Descobri no casamento.
Ficamos um tempo em silêncio, imóveis, sabendo que o jantar tinha acabado mesmo que nossos pratos negassem e que o que fizéssemos em seguida seria definitivo para o resto de nossas vidas. Eu tinha que fazer, era pra isso que tinha vindo. Meu coração batia forte quando me levantei e me aproximei dela. Acariciei seu cabelo preto e ela ergueu sua mãozinha para encontrar a minha, como quando dançávamos. Me abaixei, a levantei e carreguei seu peso de lado, como se estivesse segurando uma menina nos braços. Ela apoiou a cabeça no meu ombro, molhando o tecido da camisa com suas lágrimas. A faca escorregou no chão com um estalo metálico que nos fez estremecer. Senti suas mãozinhas no meu pescoço e as longas mechas de cabelo caindo em cascata entre meu torso e seu corpo. Ela continuava sendo minha boneca, quisesse ou não, uma boneca linda e sensual.
Nos sentamos no sofá. Era verão, mas imaginei a lareira acesa e que o calor vinha daquele fogo que só ardia na minha mente. Deixei aquele calor se espalhar, nos fundindo num só corpo. Acariciei, beijei, enrolei seu cabelo em cachos impossíveis que meus dedos desfaziam de novo. Sincronizamos nossa respiração, cada vez mais rápida, presa ao ardor que o contato mútuo dos corpos gerava. Ela abriu minha camisa e deslizou sua mãozinha pelo meu torso, arrepiando os pelos, me provocando um calafrio de prazer. Alcançou um mamilo e brincou com ele, distraidamente, traçando formas como fazemos quando falamos ao telefone e desenhamos rabiscos num bloco de notas. Levantei sua camiseta e acariciei os dela, túrgidos, eretos, e os levei à boca. Chupei e mordi alternadamente, sem deixar que minhas mãos parassem de apertá-los.
Ela estava recostada no meu colo, deixando que minhas mãos a explorassem. Tirei sua camiseta e a calcinha, e um calafrio percorreu seu corpo enquanto ela gemia:
- Siiiiim... tio Dani... continua... não tenha medo...
Eu teria gostado de Demorar, ser mais carinhoso, mas a vontade de gozar dentro dela me consumia. Acariciei a buceta dela que escorria e deslizei um dedo lá dentro. Coloquei mais um e comecei a masturbá-la com movimentos circulares pra alargar ela ao máximo. Ao mesmo tempo, roçava o clitóris dela, fazendo ela tremer de tesão. Levantei ela pela cintura e deixei as pernas dela se apoiarem dos lados da minha pélvis. Fui provocando com roçadas que arrancavam gemidos de excitação, até que entrei nela; minha cabeça escondendo metade da vermelhidão suculenta entre os lábios apertados da bucetinha dela. Ela mexia a cintura enquanto eu enfiava devagar lá dentro, e a gente parava quando minha geografia cruel e transbordante esbarrava na dela, acolhedora mas apertada. Umas enfiadas curtas, impacientes e urgentes dos dois lados já tinham conseguido abrigar boa parte da minha pica... A gente se olhava com raiva, desafiando, se provocando até que Sara falou:
— Faz, tio Dani, faz. Me solta, por favor. Quero que seja assim, tô doida — ela quase gemeu.
E eu fiz. Com a ajuda do olhar cúmplice dela. Soltei ela. A carne dela, tensa ao máximo, apertou a dureza da minha pica, deslizando nela, sufocando a rede de artérias que respondiam com uma bombeada mais forte, estimuladas por aquela apertada quente e molhada. Meus colhões inchados receberam a buceta delicada dela pra eletrizar com meus pelos enquanto ela gritava naquela agonia de dor e prazer:
— Aaaaaaaiiiii..., assimmmmmmm..., tio Dani..., como dói mas como é gostoso...
Levantei ela e deixei o corpo dela cair de novo como se eu tivesse me masturbando com ele e continuei naquele movimento quase de ginástica. Com o cabelo dela caindo de um lado, com um fio de baba no canto da boca; e eu louco, sem conseguir pensar em outra coisa que não fosse meu prazer. Os peitos dela balançando obscenamente na minha frente com o poder hipnótico de um pêndulo não ajudavam a parar aquela fodida bruta que eu já não conseguia controlar. O gosto que a carne dela me dava era tão intenso que qualquer um Seus gestos e gemidos só faziam me excitar mais, a cabeça dela caía para trás, o corpo entregue num desmaio que atribuí ao prazer que sentia. Então, ela pareceu recobrar os sentidos e ergueu as pernas com a ajuda das mãos, se oferecendo por completo e deixando à mostra seus lábios molhados enfiados no meu pau, me olhando com aquele mesmo olhar obsceno e imperioso do começo. Dessa vez, ela não precisou pedir.
Levantei ela e meu pau saiu da buceta dela banhada em fluidos. Enfiei de novo. Dessa vez, ela não gemeu nem implorou. Só me olhou com os olhos arregalados enquanto as pupilas sumiam sob as pálpebras no mesmo ritmo que meu pau afundava no cu dela, dessa vez sem pausas nem descansos; o corpo dela submetido à força dos meus braços que a erguiam ao céu do prazer e a jogavam no inferno do rasgo. Nada até então tinha me apertado tão justo, nada tinha me bombeado com tanta precisão, nada tinha sido capaz de me dar tanto tesão e ao mesmo tempo me segurar à beira do orgasmo por tanto tempo sem gozar. Mas tudo tem um limite e minhas bolas estouraram de prazer enchendo o cu dela com porradas gostosas e contínuas. Ela sincronizou o orgasmo dela com o meu, gozando em espasmos que só conseguiram cravar ela mais no meu pau, levando ela ao paroxismo com gritos enlouquecidos.
Depois, ela ficou inerte nos meus braços e eu a levantei pra subir com ela pro quarto. Deitei ela na cama, deixando as pernas penduradas na borda. Contemplei ela mansa e vencida, como uma menina cansada prestes a dormir. Observei aqueles buracos que tinha violado, aproximei minha boca da buceta dela e lambi com gosto até que novos espasmos percorressem o corpo dela e o cu dela liquefez o sêmen que tinha abrigado, marcado pelas contrações. Deitei ao lado dela e quando acordei, ela já não estava. Ouvi ela no banheiro e aproveitei pra bisbilhotar a penteadeira dela. Encontrei um anel de bijuteria num pequeno porta-joias e guardei no bolso como um ladrão sorrateiro. * * * *
Percebi que a vida sem ela tinha sido um estranho parêntese. Escolhi uma peça sem exageros, a Sara era discreta no vestir. Mostrei o anel roubado ao joalheiro; como amostra, era perfeito para ele ajustar a nova peça no tamanho dela. Ele perguntou se eu queria alguma inscrição, e mostrei a ele escrita num papel. «Pedido lindo», disse depois de ler. Provavelmente eram sempre essas as palavras dele, um código cúmplice pra esconder a sacanagem de algumas propostas, um comentário neutro que validava qualquer sugestão do cliente, por mais doida que fosse. Era um profissional e não mostrou surpresa quando leu a dedicatória escrita no papel, que dizia: «NUNCA CRESÇA».
10 comentários - Nunca cresça
gracias por pasar
gracias por pasar amigo
DA gusto leer algo tan bueno en Poringa!
:buenpost: