Verão de 98, São Bernardo, balada, éramos muito novos e meus amigos falavam…: "Ari, aquela gostosa tá te olhando pra caralho".
A música tava altíssima, a noite explodia, tocava "Rodrigo" e ela me olhava.
Eu tinha tudo pra perder, tímido, pouca experiência em beijos, um cabelo estilo butthead, espinhas, uma camiseta super quadrada, calça turquesa e tênis "FILA" branco daqueles que hoje seu pai usa quando tem que fazer algum trampo de pedreiro ou quando tem que cortar a grama. Claro, esses tênis eram 2 ou 3 números maiores que o meu pé. Eu era muito magro (ainda sou), então ficava bem "pé de pato". Comprava tênis grandes porque queria conforto, e nunca percebi que ficava igual ao Bob Esponja.
Ela me olhava, eu olhava ela. Juro que via ela e sentia que não podia perder a chance. Eu sabia que aquela gostosa ia ser minha namorada no futuro. Muitas vezes aconteceu de eu estar em ônibus ou outros lugares e ver uma mina linda, e não ter coragem de chegar.
Mas com ela era diferente… Lucia… ela se chamava Lucia…
As amigas dela me olhavam e davam uma risada cúmplice. Na real, agora caiu a ficha, deviam estar rindo dos meus tênis grandes.
Bom, foda-se. Lucia era linda, e o mais impactante era a cara angelical dela…
Juntei muita coragem, apesar das risadas dos meus amigos.
.
-Oi
-Oi.
-Como você se chama?
-Lucia, você já escreveu isso antes no texto, pra que perguntar?
-Supostamente você não tinha lido meu texto até agora. Além disso, quando eu tô chegando em você, você não sabe que eu tenho uma conta no Poringa, e além disso, nessa fase, eu não conheço Poringa! Poringa vem no futuro!
-O que é Poringa?
.
Ok, ferrei. Não foi assim o papo. Voltando:
.
-Eemm, oi…
- Oi!
-Como você tá, como você se chama? (super tímido pra caralho)
-Lucia, e você?
-Eu, Ariel?
.
Lucia me olhava, e eu olhava ela…, naquele momento a gente congelou, ela esperava que eu falasse algo, mas não me vinha uma puta ideia, um Puta merda, uma frase de cantada.
De repente, quando eu ia falar com ela, começa a tocar “Estoy saliendo con un chaboooon” dos Sultanes. Essa música naquele ano era um puta hit, tinha acabado de lançar, e ela pulou de alegria, abraçou as amigas e todas dançaram juntas, tipo último dia de Bariloche onde todas ficam loucas.
Eu fiquei todo bobo, mas disfarcei e fui pulando como se nada tivesse acontecido pro lado onde meus amigos estavam, dançando que nem uns rúgbi loucos na música dos Sultanes.
Eu fingia que tava tudo bem, que tava de boa, até que no melhor da música, acontece algo que muita gente que passou o verão na praia já viveu.
Uma puta tempestade do caralho deixa toda a costa sem luz. A música para, a galera grita, as luzes de emergência acendem, e eu, feito um otário, sentindo que a luz já tinha apagado pra mim fazia tempo.
.
Inevitável o meu amigo “o pegador” chegar pra dar conselhos de pegação e cantada…
.
- O que foi, Ari?
- Nada, a gente trocou os nomes e eu fiquei sem palavras.
- Olha, comigo já rolou isso, mas depois, com muita prática, meio que “aprendi”.
- Ah, é?
- Sim, olha, quando você tem a gostosa na sua frente, não pode deixar espaço de silêncio, senão ela fica desconfortável, entediada, e vai embora. Você tem que divertir ela o tempo todo, chamar pra dançar…
- Mas eu não sei dançar (interrompo)
- Bom, então vai ter que jogar no amoroso, no romântico
- E o que eu falo?
- O que vier na hora, fala coisas bonitas, elas querem ouvir coisas bonitas e românticas.
- Posso perguntar se elas curtem Minimal Techno?
- Vai, idiota, fala coisas bonitas, tipo que os dentes dela são pérolas lindas, ou que o cabelo dela é macio como o sol ao amanhecer.
- Beleza, então.
.
A luz tava cortada, a Lucia continuava olhando e “cochichando” com as amigas.
Criei coragem, olhei pro “pegador” e ele fazia “olhinhos” tipo… “vai, titã, acaba com ela”.
Não sei de onde tirei os culhões, mas fui lá. encarar.
.
- Oi, Lucia
- Oi, Ariel, o que foi?
.
Cuidado, que aqui vem um momento delicado.
.
- Queria te falar uma coisa..
- Fala, pode dizer
.
Aqui ela tava SUPER atenta ao que eu ia falar, a cara angelical dela tava me fazendo sentir uma pessoa amorosa e doce de verdade..
.
- Nunca vi uma mulher com tanta cara de anjo. Cara de boazinha, de santa.
.
Ela sorriu tímida, tinha gostado do que eu falei. Eu tava ansioso esperando a resposta dela, que veio rapidinho:
.
- Não se engana não!, sou bem puta. Muito mais do que você pode imaginar.
.
Aqui vem o momento onde você, que agora é um pau foda, se joga em cima dela, enfia ela na festa com seus amigos e fura o Jäger dela pra deixar ela prenha. Mas naquele momento, eu era a frase que menos esperava.
.
Olhei pro cara que tava com os olhos saindo da cara pra me indicar que eu tinha que beijar ela ali mesmo. Até vi um canino saindo da boca dele. Ela me olhava desesperada igual um mendigo olhando uma adega, e eu…… congelei de novo.
.
E o que cê quer?, sabe o que era naquele momento uma gatinha que você NÃO CONHECE e que tem uma cara de anjo de cair o cu da bunda te falar que é puta?. Imagina que eu vinha concentrado em ser o namorado perfeito e a gatinha me solta essa…
.
Claro, ela não aguentou duas vezes e falou… “Bom Ariel…, tenho que ir, foi um prazer te conhecer”.
.
Beijinho na bochecha e pronto.
.
Claro que “o cara” me xingou de cima a baixo e me contou tudo que ele teria feito.
.
Essa história serve de introdução pros fracassos que a gente, homem, tem em balada ou numa noite onde tenha: mulher gostosa, álcool, e a gente esteja de pau duro.
.
Etapa número 1 do fracasso noturno: O convite.
.
Primeiro, o homem começa a atirar por SMS pra toda a lista de contatos dele com mensagens desse tipo:
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“oi gostosa, o que a gente faz hoje?, tem uma festa DO CARALHO em Claypole, cê vem?, avisa suas amigas”
.
Depende da tesão do cara (e da o tanto que tem que ficar nessas festas), vai precisar de mais presença de staff feminino, então, adiciona “palavras-chave” na mensagem de texto tipo: “bebida de graça”, “carro”, “entrada de graça”, “jogadores de rugby”, “vai bombar pra caralho”.
Se o cara tá muito tarado, no fim ele manda uma mensagem assim: “Gostosa, beleza?! Hoje à noite BEBIDA DE GRÁTIS, passo aí te buscar de carro?, avisa tuas amigas que eu dou um jeito de entrar elas porque tenho “ENTRADA DE GRÁTIS”. Vem uns caras do rugby, venham que VAI BOMBAR PRA CARALHO”.
Claro, uma festa que é tão hypada desse jeito como INCRÍVEL, acaba sendo um fracasso, porque quem VAI espera encontrar uma Creamfields e se depara com 20 otários esperando uma gatinha cruzar a porta da balada pra atacar ela igual uma puta no Whiskas.
As gatinhas nem respondem. No máximo, quando você vê elas pessoalmente e fala “você não respondeu minha mensagem”! elas vão te dizer isso:
1. Pra qual número você mandou?, olha que eu troquei, hein!…. ah, sim, o número tá certo, que estranho não ter chegado!
2. Tava no metrô e não pega sinal.
3. Deixei no vibrador na bolsa, não ouvi!, e quando vi já era 2h da manhã e não quis te encher o saco.
4. Minha mãe não deixou eu sair porque não cortei a libustrina.
Então, o que você faz?, cancela a festa e vai dançar com seus amigos.
Etapa Nº 2: A entrada na balada.
Os caras são 8. Desesperados pra tirar fotos de bundas apertadas com seus novos celulares Motorola com flash.
Aqui se dividem em 2 tipos:
1. Os que vão os 8 de busão.
2. 4 de táxi e outros 4 de táxi.
Chegam na balada, perfumadinhos, bonitinhos, com seus penteados floggers que não saem do lugar, entram como se fossem os donos do lugar.
Então sempre tem um que fala… “espera aí um segundo que eu sou AMIGO DE UM DOS SEGURANÇAS dessa balada e a gente entra na hora”. Que os OTÁRIOS façam a fila.
Os 7 amigos ficam esperando na porta, enquanto o Martin vai falar com o “segurança”, que teoricamente Diz que é amigo dele.
Um dos 7 amigos fala… “e aí, e se a gente for fazendo a Booty enquanto isso?”
- Não seja otário, vamos esperar o Martin, olha o tamanho da fila da Booty, dá a volta no quarteirão!
- É, você tem razão.
.
O Martin aparece na porta e os seguranças não deixam ele entrar.
Ele tava passando muito vergonha na frente dos amigos, mas ainda tava convencido de que o amigo dele, ex-promotor de festa do Pueblo Límite em Gesell, ia dar um jeito de ele entrar.
Tira o celular, desesperado, e começa a ligar pra ele. Mas ninguém sai. No fim, o Agustín, o que falou de fazer a Booty, tava certo. Tinha que fazer ela.
O Martin ficou de otário, e se tivessem feito a Booty, teriam entrado muito antes.
.
Etapa número 3: O bar
.
O Martin tenta chegar no bar, mas tá cheio de caras e minas morrendo de vontade de comprar um speed com vodka ou um Fernet.
Ele pede bem alto, pra ser atendido rápido e poder se soltar.
No bar, passam a faca nos preços e na QUALIDADE do Fernet, claro, a garrafa diz que é um FERNET BRANCA, mas no fim enfiam um FERNET EL ABUELO, ou um daqueles que nem ouso falar o nome pra não tomar processo (aquele que tem nome de cantor).
.
Etapa número 4: Não beba se não sabe beber
.
O Martin tá muito bêbado e já tá ficando bem chato. Começa a dar em cima de qualquer gatinha que aparece, sem se importar se ela tem namorado ou se a mina é feia, porque pra ele, “bêbado, vale tudo”.
.
Etapa número 5: A chegada
.
O Martin acha que é o dono da balada, o rei da noite, o Bambino Veira.
Cruza com gatinhas que querem se livrar dele, mas ele, no porre mental dele, acha que TODAS são histéricas.
Num momento, encontra uma gatinha “legal”, ou seja, uma mina que, pra não ser grossa, só vai na onda dele porque é gente boa.
.
- Oi, morena
- Oi!
- Sou o Martin, vamos tomar um negócio
- Eu me chamo Estefy. Cê tá muito bêbado, Martin! Não devia beber mais
- Me dá um beijoooooo
- Que isso?, não, dá, se toca As pilas, bora conversar!
- Soytmartinnn
Me dá um beijo
Tô muito chupado, que peitão gostoso
Gostosa, me dá um beijo, te amoooo
- Cai fora daqui, chato
.
Martin se vira e...
**Etapa nº 6: A culpa é da histérica.**
.
Ele se vira e grita: “slut”, ou pior… “gorda”.
.
Ele não consegue entender que as minas digam NÃO. Ele sempre vai achar que a culpa é da gatinha que é super histérica.
.
**Etapa nº 7: A culpa é da balada**
.
Bêbado, ele vai cruzar com os amigos e discutir que naquela balada “não se come bem” e que era pra ter ido na balada de Flores, que lá ele sempre comia.
.
**Etapa nº 8: O descontrole**
.
Martin não aguenta mais. Começa a vomitar no banheiro, o pessoal olha e se afasta porque já tá DANDO NOJO.
Martin já não liga pra mais nada, porque também não entende nada.
Começa a berrar, a cantar músicas de futebol ou de bairro enquanto a música toca, começa a abraçar as gatinhas até encontrar uma que tem um namorado muito ciumento.
.
**Etapa nº 9: A porrada**
.
O cara pede pra Martin parar, mas ninguém para Martin porque ele tomou aquele FERNET falsificado que deixou ele doidão. Além disso, ele é de Boedo, e ninguém se mete com o bairro, com a mãe ou com ele.
Martin começa a trocar socos e é expulso da balada. Claro que levou uma surra, mas ele sempre vai dizer que destruiu o cara.
.
**Etapa nº 10: A longa espera**
.
Martin fica com os amigos na porta da balada ameaçando os seguranças e xingando pra sair o “cagão” que bateu nele lá dentro.
Frases como: “sai se tem culhão, cagão”, ou “Viados, vão ver se aguentam um mano a mano aqui na rua” são ouvidas.
.
**Etapa nº 11: Silêncio absoluto**
.
Os amigos querem comer ele cru, porque estavam se divertindo pra caralho mas Martin estragou tudo.
.
**Etapa nº 12: O táxi**
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Nenhum táxi para pra ele, ele tá muito bêbado embora… Sempre tem um taxista de alma caridosa que decide pegar ele.
Claro, tem 98% de chance de Martin vomitar no estofado ou que fume no carro tendo 30 placas falando proibido fumar.
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Etapa nº 13: Home Sweet Home.
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Martin chega em casa acompanhado pelos amigos. Deitam ele e falam pra mãe que "não rolou nada, ele comeu um cachorro-quente antes de entrar na balada e caiu mal".
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Etapa nº 14: Mãe não é otária.
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Mãe sabe que você encheu a cara e quebrou, e que um cachorro-quente pode cair mal, mas não te deixa desacordado. Então aguenta a que vem no dia seguinte!
Palavras-chave da mãe quando você acordar:
"Vagabundo" – "Arruma teu quarto" – "Inútil" – "Teu pai tem razão".
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Etapa nº 15: A descarga
.
Martin acorda no outro dia, entra no MSN e 2 amigas falam: "como assim você foi dançar? mano, tinha me avisado, eu não tinha com quem sair! se tivesse falado, eu ia com você!".
Martin xinga o ar, grita e quando ninguém vê, chora.
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Etapa nº 16: Autocontrole
.
Martin vai pro banheiro, se concentra, coloca o rolo de papel higiênico na pica e começa a meter nele, fingindo que é uma das minas que ele pegou na noite anterior.
Goza e se sente realizado.
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Etapa nº 17: Justificativa 2.0
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No MSN, ele fala com os amigos e pede pra eles contarem o que aconteceu porque ele "não lembra de nada".
Isso, claro, é uma mentira desgraçada pra se livrar de todas as mancadas que fez.
.
Claro, caros leitores, gente como Martin todo mundo já foi em algum momento, e infelizmente, não sei se por causa da sociedade, educação ou sei lá o quê, cada dia tem mais em todo lugar. TOOODOS OS FINS DE SEMANA.
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Espero que tenham curtido essa breve resenha de fracassos de balada. Um abraço enorme.
A música tava altíssima, a noite explodia, tocava "Rodrigo" e ela me olhava.
Eu tinha tudo pra perder, tímido, pouca experiência em beijos, um cabelo estilo butthead, espinhas, uma camiseta super quadrada, calça turquesa e tênis "FILA" branco daqueles que hoje seu pai usa quando tem que fazer algum trampo de pedreiro ou quando tem que cortar a grama. Claro, esses tênis eram 2 ou 3 números maiores que o meu pé. Eu era muito magro (ainda sou), então ficava bem "pé de pato". Comprava tênis grandes porque queria conforto, e nunca percebi que ficava igual ao Bob Esponja.
Ela me olhava, eu olhava ela. Juro que via ela e sentia que não podia perder a chance. Eu sabia que aquela gostosa ia ser minha namorada no futuro. Muitas vezes aconteceu de eu estar em ônibus ou outros lugares e ver uma mina linda, e não ter coragem de chegar.
Mas com ela era diferente… Lucia… ela se chamava Lucia…
As amigas dela me olhavam e davam uma risada cúmplice. Na real, agora caiu a ficha, deviam estar rindo dos meus tênis grandes.
Bom, foda-se. Lucia era linda, e o mais impactante era a cara angelical dela…
Juntei muita coragem, apesar das risadas dos meus amigos.
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-Oi
-Oi.
-Como você se chama?
-Lucia, você já escreveu isso antes no texto, pra que perguntar?
-Supostamente você não tinha lido meu texto até agora. Além disso, quando eu tô chegando em você, você não sabe que eu tenho uma conta no Poringa, e além disso, nessa fase, eu não conheço Poringa! Poringa vem no futuro!
-O que é Poringa?
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Ok, ferrei. Não foi assim o papo. Voltando:
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-Eemm, oi…
- Oi!
-Como você tá, como você se chama? (super tímido pra caralho)
-Lucia, e você?
-Eu, Ariel?
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Lucia me olhava, e eu olhava ela…, naquele momento a gente congelou, ela esperava que eu falasse algo, mas não me vinha uma puta ideia, um Puta merda, uma frase de cantada.
De repente, quando eu ia falar com ela, começa a tocar “Estoy saliendo con un chaboooon” dos Sultanes. Essa música naquele ano era um puta hit, tinha acabado de lançar, e ela pulou de alegria, abraçou as amigas e todas dançaram juntas, tipo último dia de Bariloche onde todas ficam loucas.
Eu fiquei todo bobo, mas disfarcei e fui pulando como se nada tivesse acontecido pro lado onde meus amigos estavam, dançando que nem uns rúgbi loucos na música dos Sultanes.
Eu fingia que tava tudo bem, que tava de boa, até que no melhor da música, acontece algo que muita gente que passou o verão na praia já viveu.
Uma puta tempestade do caralho deixa toda a costa sem luz. A música para, a galera grita, as luzes de emergência acendem, e eu, feito um otário, sentindo que a luz já tinha apagado pra mim fazia tempo.
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Inevitável o meu amigo “o pegador” chegar pra dar conselhos de pegação e cantada…
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- O que foi, Ari?
- Nada, a gente trocou os nomes e eu fiquei sem palavras.
- Olha, comigo já rolou isso, mas depois, com muita prática, meio que “aprendi”.
- Ah, é?
- Sim, olha, quando você tem a gostosa na sua frente, não pode deixar espaço de silêncio, senão ela fica desconfortável, entediada, e vai embora. Você tem que divertir ela o tempo todo, chamar pra dançar…
- Mas eu não sei dançar (interrompo)
- Bom, então vai ter que jogar no amoroso, no romântico
- E o que eu falo?
- O que vier na hora, fala coisas bonitas, elas querem ouvir coisas bonitas e românticas.
- Posso perguntar se elas curtem Minimal Techno?
- Vai, idiota, fala coisas bonitas, tipo que os dentes dela são pérolas lindas, ou que o cabelo dela é macio como o sol ao amanhecer.
- Beleza, então.
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A luz tava cortada, a Lucia continuava olhando e “cochichando” com as amigas.
Criei coragem, olhei pro “pegador” e ele fazia “olhinhos” tipo… “vai, titã, acaba com ela”.
Não sei de onde tirei os culhões, mas fui lá. encarar.
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- Oi, Lucia
- Oi, Ariel, o que foi?
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Cuidado, que aqui vem um momento delicado.
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- Queria te falar uma coisa..
- Fala, pode dizer
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Aqui ela tava SUPER atenta ao que eu ia falar, a cara angelical dela tava me fazendo sentir uma pessoa amorosa e doce de verdade..
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- Nunca vi uma mulher com tanta cara de anjo. Cara de boazinha, de santa.
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Ela sorriu tímida, tinha gostado do que eu falei. Eu tava ansioso esperando a resposta dela, que veio rapidinho:
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- Não se engana não!, sou bem puta. Muito mais do que você pode imaginar.
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Aqui vem o momento onde você, que agora é um pau foda, se joga em cima dela, enfia ela na festa com seus amigos e fura o Jäger dela pra deixar ela prenha. Mas naquele momento, eu era a frase que menos esperava.
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Olhei pro cara que tava com os olhos saindo da cara pra me indicar que eu tinha que beijar ela ali mesmo. Até vi um canino saindo da boca dele. Ela me olhava desesperada igual um mendigo olhando uma adega, e eu…… congelei de novo.
.
E o que cê quer?, sabe o que era naquele momento uma gatinha que você NÃO CONHECE e que tem uma cara de anjo de cair o cu da bunda te falar que é puta?. Imagina que eu vinha concentrado em ser o namorado perfeito e a gatinha me solta essa…
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Claro, ela não aguentou duas vezes e falou… “Bom Ariel…, tenho que ir, foi um prazer te conhecer”.
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Beijinho na bochecha e pronto.
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Claro que “o cara” me xingou de cima a baixo e me contou tudo que ele teria feito.
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Essa história serve de introdução pros fracassos que a gente, homem, tem em balada ou numa noite onde tenha: mulher gostosa, álcool, e a gente esteja de pau duro.
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Etapa número 1 do fracasso noturno: O convite.
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Primeiro, o homem começa a atirar por SMS pra toda a lista de contatos dele com mensagens desse tipo:
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“oi gostosa, o que a gente faz hoje?, tem uma festa DO CARALHO em Claypole, cê vem?, avisa suas amigas”
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Depende da tesão do cara (e da o tanto que tem que ficar nessas festas), vai precisar de mais presença de staff feminino, então, adiciona “palavras-chave” na mensagem de texto tipo: “bebida de graça”, “carro”, “entrada de graça”, “jogadores de rugby”, “vai bombar pra caralho”.
Se o cara tá muito tarado, no fim ele manda uma mensagem assim: “Gostosa, beleza?! Hoje à noite BEBIDA DE GRÁTIS, passo aí te buscar de carro?, avisa tuas amigas que eu dou um jeito de entrar elas porque tenho “ENTRADA DE GRÁTIS”. Vem uns caras do rugby, venham que VAI BOMBAR PRA CARALHO”.
Claro, uma festa que é tão hypada desse jeito como INCRÍVEL, acaba sendo um fracasso, porque quem VAI espera encontrar uma Creamfields e se depara com 20 otários esperando uma gatinha cruzar a porta da balada pra atacar ela igual uma puta no Whiskas.
As gatinhas nem respondem. No máximo, quando você vê elas pessoalmente e fala “você não respondeu minha mensagem”! elas vão te dizer isso:
1. Pra qual número você mandou?, olha que eu troquei, hein!…. ah, sim, o número tá certo, que estranho não ter chegado!
2. Tava no metrô e não pega sinal.
3. Deixei no vibrador na bolsa, não ouvi!, e quando vi já era 2h da manhã e não quis te encher o saco.
4. Minha mãe não deixou eu sair porque não cortei a libustrina.
Então, o que você faz?, cancela a festa e vai dançar com seus amigos.
Etapa Nº 2: A entrada na balada.
Os caras são 8. Desesperados pra tirar fotos de bundas apertadas com seus novos celulares Motorola com flash.
Aqui se dividem em 2 tipos:
1. Os que vão os 8 de busão.
2. 4 de táxi e outros 4 de táxi.
Chegam na balada, perfumadinhos, bonitinhos, com seus penteados floggers que não saem do lugar, entram como se fossem os donos do lugar.
Então sempre tem um que fala… “espera aí um segundo que eu sou AMIGO DE UM DOS SEGURANÇAS dessa balada e a gente entra na hora”. Que os OTÁRIOS façam a fila.
Os 7 amigos ficam esperando na porta, enquanto o Martin vai falar com o “segurança”, que teoricamente Diz que é amigo dele.
Um dos 7 amigos fala… “e aí, e se a gente for fazendo a Booty enquanto isso?”
- Não seja otário, vamos esperar o Martin, olha o tamanho da fila da Booty, dá a volta no quarteirão!
- É, você tem razão.
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O Martin aparece na porta e os seguranças não deixam ele entrar.
Ele tava passando muito vergonha na frente dos amigos, mas ainda tava convencido de que o amigo dele, ex-promotor de festa do Pueblo Límite em Gesell, ia dar um jeito de ele entrar.
Tira o celular, desesperado, e começa a ligar pra ele. Mas ninguém sai. No fim, o Agustín, o que falou de fazer a Booty, tava certo. Tinha que fazer ela.
O Martin ficou de otário, e se tivessem feito a Booty, teriam entrado muito antes.
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Etapa número 3: O bar
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O Martin tenta chegar no bar, mas tá cheio de caras e minas morrendo de vontade de comprar um speed com vodka ou um Fernet.
Ele pede bem alto, pra ser atendido rápido e poder se soltar.
No bar, passam a faca nos preços e na QUALIDADE do Fernet, claro, a garrafa diz que é um FERNET BRANCA, mas no fim enfiam um FERNET EL ABUELO, ou um daqueles que nem ouso falar o nome pra não tomar processo (aquele que tem nome de cantor).
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Etapa número 4: Não beba se não sabe beber
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O Martin tá muito bêbado e já tá ficando bem chato. Começa a dar em cima de qualquer gatinha que aparece, sem se importar se ela tem namorado ou se a mina é feia, porque pra ele, “bêbado, vale tudo”.
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Etapa número 5: A chegada
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O Martin acha que é o dono da balada, o rei da noite, o Bambino Veira.
Cruza com gatinhas que querem se livrar dele, mas ele, no porre mental dele, acha que TODAS são histéricas.
Num momento, encontra uma gatinha “legal”, ou seja, uma mina que, pra não ser grossa, só vai na onda dele porque é gente boa.
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- Oi, morena
- Oi!
- Sou o Martin, vamos tomar um negócio
- Eu me chamo Estefy. Cê tá muito bêbado, Martin! Não devia beber mais
- Me dá um beijoooooo
- Que isso?, não, dá, se toca As pilas, bora conversar!
- Soytmartinnn
Me dá um beijo
Tô muito chupado, que peitão gostoso
Gostosa, me dá um beijo, te amoooo
- Cai fora daqui, chato
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Martin se vira e...
**Etapa nº 6: A culpa é da histérica.**
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Ele se vira e grita: “slut”, ou pior… “gorda”.
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Ele não consegue entender que as minas digam NÃO. Ele sempre vai achar que a culpa é da gatinha que é super histérica.
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**Etapa nº 7: A culpa é da balada**
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Bêbado, ele vai cruzar com os amigos e discutir que naquela balada “não se come bem” e que era pra ter ido na balada de Flores, que lá ele sempre comia.
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**Etapa nº 8: O descontrole**
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Martin não aguenta mais. Começa a vomitar no banheiro, o pessoal olha e se afasta porque já tá DANDO NOJO.
Martin já não liga pra mais nada, porque também não entende nada.
Começa a berrar, a cantar músicas de futebol ou de bairro enquanto a música toca, começa a abraçar as gatinhas até encontrar uma que tem um namorado muito ciumento.
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**Etapa nº 9: A porrada**
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O cara pede pra Martin parar, mas ninguém para Martin porque ele tomou aquele FERNET falsificado que deixou ele doidão. Além disso, ele é de Boedo, e ninguém se mete com o bairro, com a mãe ou com ele.
Martin começa a trocar socos e é expulso da balada. Claro que levou uma surra, mas ele sempre vai dizer que destruiu o cara.
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**Etapa nº 10: A longa espera**
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Martin fica com os amigos na porta da balada ameaçando os seguranças e xingando pra sair o “cagão” que bateu nele lá dentro.
Frases como: “sai se tem culhão, cagão”, ou “Viados, vão ver se aguentam um mano a mano aqui na rua” são ouvidas.
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**Etapa nº 11: Silêncio absoluto**
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Os amigos querem comer ele cru, porque estavam se divertindo pra caralho mas Martin estragou tudo.
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**Etapa nº 12: O táxi**
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Nenhum táxi para pra ele, ele tá muito bêbado embora… Sempre tem um taxista de alma caridosa que decide pegar ele.
Claro, tem 98% de chance de Martin vomitar no estofado ou que fume no carro tendo 30 placas falando proibido fumar.
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Etapa nº 13: Home Sweet Home.
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Martin chega em casa acompanhado pelos amigos. Deitam ele e falam pra mãe que "não rolou nada, ele comeu um cachorro-quente antes de entrar na balada e caiu mal".
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Etapa nº 14: Mãe não é otária.
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Mãe sabe que você encheu a cara e quebrou, e que um cachorro-quente pode cair mal, mas não te deixa desacordado. Então aguenta a que vem no dia seguinte!
Palavras-chave da mãe quando você acordar:
"Vagabundo" – "Arruma teu quarto" – "Inútil" – "Teu pai tem razão".
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Etapa nº 15: A descarga
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Martin acorda no outro dia, entra no MSN e 2 amigas falam: "como assim você foi dançar? mano, tinha me avisado, eu não tinha com quem sair! se tivesse falado, eu ia com você!".
Martin xinga o ar, grita e quando ninguém vê, chora.
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Etapa nº 16: Autocontrole
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Martin vai pro banheiro, se concentra, coloca o rolo de papel higiênico na pica e começa a meter nele, fingindo que é uma das minas que ele pegou na noite anterior.
Goza e se sente realizado.
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Etapa nº 17: Justificativa 2.0
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No MSN, ele fala com os amigos e pede pra eles contarem o que aconteceu porque ele "não lembra de nada".
Isso, claro, é uma mentira desgraçada pra se livrar de todas as mancadas que fez.
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Claro, caros leitores, gente como Martin todo mundo já foi em algum momento, e infelizmente, não sei se por causa da sociedade, educação ou sei lá o quê, cada dia tem mais em todo lugar. TOOODOS OS FINS DE SEMANA.
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Espero que tenham curtido essa breve resenha de fracassos de balada. Um abraço enorme.
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