Seis e meia da tarde, última cadeira no canto mais escuro do boteco mais sórdido da cidade, uma cerveja na mesa e os erros cometidos se repetindo sem parar na minha cabeça.
- Nacho! Mais uma! - gritei sem tirar os olhos da foto que segurava na mão. Nela, uma mina loira, gostosa e alegre beijava a bochecha de um cara parecido comigo. Ele não tinha minha barba por fazer de uma semana, nem o cabelo oleoso e bagunçado como o meu, nem olheiras, nem aquela palidez doentia que veio de comer mal na última semana. Mas a maior diferença estava no sorriso. Ele sorria. Eu não sorria desde que aquela mesma mina loira, gostosa e alegre tinha me largado uma semana atrás, e eu tinha me transformado do jovem animado da foto na sombra triste que era naquele momento. Mais uma entrevista de emprego tinha terminado naquele dia com outro "A gente liga pra você" que nunca se cumpria, e eu continuava afundando cada vez mais.
A porta do bar se abriu. As últimas luzes alaranjadas da tarde entraram pela fresta, emoldurando uma silhueta enorme que me fez tremer.
- Isqueiros? Papel? - disse o recém-chegado, com um sotaque carregado.
- Porra... outro preto tentando vender essa merda de bugiganga. - Resmunguei baixinho enquanto o vendedor gigante se aproximava. No olhar dele dava pra ver um certo pedido de ajuda, uma desesperança surda e apagada de que alguém comprasse algo pra família dele poder comer naquela noite. Mas não era problema meu.
Pelo menos, até ele se virar pra mim e o jeito dele olhar mudar. Não tinha mais nenhum traço daquele patetismo que buscava inspirar pena.
- Você com certeza precisa de alguma coisa. - Disse ele, me encarando bem na cara. Devia passar fácil de um metro e noventa de altura, e o branco dos olhos dele contrastava demais com a escuridão do rosto.
- Não preciso de porra nenhuma. Some. - Falei, puto. Aquela mudança no olhar dele não ia me fazer mudar de ideia.
- Tem certeza? Acho que Que você está enganado, você precisa, pelo menos, de mais uma chance. — Sem se intimidar, o vendedor ambulante sentou na cadeira na minha frente e sorriu, mostrando uns dentes brancos demais. — O que você realmente quer? Eu posso vender pra você. — Foi aí que percebi que ele tinha parado de falar com sotaque, e me senti como se estivesse fazendo parte de um filme perfeitamente dublado em português. Como se aquela não fosse a voz dele.
— O que eu preciso não se vende.
— Tudo se vende. — Respondeu ele, mostrando de novo aquele sorriso de branco nuclear.
— Mas eu não posso comprar tudo. Não sou rico. — respondi.
— Quanto dinheiro você tem?
— Acho que isso não é da sua conta.
— Não… claro que não. Tava falando por causa do seguinte. Imagina que você tem cinquenta euros agora. E eu te vendo uma nota, completamente válida, de cem euros por só sessenta.
— Você seria um idiota.
— Sim, seria. Mas quanto tempo você levaria pra arrumar esses dez euros que faltam?
— Acho que muito pouco tempo.
— Exato. Por isso, vou te permitir uma coisa. Você não vai me pagar nada. Por enquanto. Mas hoje à noite você vai sair na rua e fazer o que der na telha. Tudo vai dar certo pra você, porque eu tô dizendo. Vou te dar o que você nunca teve, Nico. Sorte. A melhor sorte do mundo. Vou te dar de presente uma noite de sorte.
Em seguida, o negão enorme tirou um charuto do bolso, acendeu na boca e tragou. Deu uma baita tragada e soltou a fumaça sobre a mesa.
— Ei! Aqui não pode fumar! A lei nova! — gritou o Nacho, dono do lugar, pro gigante preto, mas ele virou pra ele e mostrou aquele mesmo sorriso que vinha me hipnotizando há tanto tempo e as duas mãos abertas. O charuto tinha sumido, evaporado como a fumaça que tinha soprado em cima de mim.
— Fabuloso. Agora some. — falei, já cansado da conversa fiada do misterioso africano.
— Experimenta. — disse ele, me jogando uma moeda, que peguei no ar. — O que — Você escolhe? — ele acrescentou, antes que eu pudesse ver direito.
— Cruz. — falei, e, antes de abrir a mão, passei a moeda pra outra, virando ela. — Pô.
Lá estava ela, o valor da moeda gravado no mapa da União Europeia me encarando na mão esquerda, deixando escondida a cara da moeda.
— Sorte. — falei, jogando o euro pro alto de novo. Peguei. — Cara.
O Homem Vitruviano daquele euro italiano parecia me cumprimentar de dentro da moeda. O negão sorriu mais e se escorou na cadeira. 2 de 2. Uma em cada quatro vezes tem que sair. Troquei a moeda do africano por uma das que eu mesmo tinha no bolso, dessa vez euros espanhóis que eu sabia que não eram viciados, e repeti o lance.
— Cara. — O Rei Dom Juan Carlos I parecia sorrir. — Cara. — O rei de novo. — Cruz. — 1 Euro. — Cara. — Rei. — Cruz. — 1 euro. — Cara. Cara. Cara. Cruz. Cara. Cruz. Cruz. Cara.
Lá pela vigésima terceira jogada, desisti, talvez fosse verdade e minha noite de sorte tivesse começado.
Me virei pro negão, mas ele já tinha ido embora silenciosamente, e eu saí do boteco procurando ele pra devolver a moeda que ele tinha me emprestado, mas ele tinha sumido. Que nem fumaça. Que nem o charuto.
Joguei a moeda de novo.
— Se sair cara, vou pra casa. Se sair cruz, vou pra farra.
Um minuto depois, eu tava entrando num táxi.
— Pra onde, artista?
— Pro cassino.
*****
Às nove da noite, o chefe de salão do Casino Cirsa Valência, com toda educação e depois de uma conversa onde eu só consegui argumentar que era minha noite de sorte, me deu uma última chance de sair do cassino naquela hora com todos os meus ganhos e com todos os meus membros intactos. Aceitei com um sorriso. Tinha começado a noite com 10 euros e ganhado mais de três mil.
Estranhei não ver um táxi na saída, então comecei a andar pro centro pra me dar um jantarão num restaurante bom. Cerca de uns cem metros, avistei uma mulher vindo na minha direção, com um vestido que se moldava perfeitamente às suas curvas gostosas. Loira, jovem, bonita, bem arrumada, maquiada e vestida, embora meio atrapalhada nos saltinhos. Sorri e fui falar com ela. Era minha noite de sorte.
- Oi, gostosa. Olha, eu tenho uma reserva no Restaurante Torrijos pra duas pessoas, mas meu amigo furou. Te convido pra jantar.
A mulher me olhou surpresa, como se eu fosse maluco. Mas será que não era? Nem sabia o nome dela e já tinha convidado. Ela balançou a cabeça e riu. Eu sorri. Sabia qual seria a resposta dela.
*****
Eram quinze pras dez quando Paula (ela se chamava Paula) e eu sentamos no restaurante mais caro da cidade. O maître, a princípio, disse que não podíamos jantar lá sem reserva, mas depois que insisti pra ele procurar algum cancelamento pra aquela noite, conseguimos a melhor mesa do restaurante.
- Pelo Adolfo Campos e sua acompanhante, que não puderam vir e nos proporcionaram esse jantar maravilhoso. - falei, levantando minha taça de vinho.
- Você tinha dito que tinha reserva. - respondeu Paula, com meio sorriso, repetindo meu gesto.
- Ah, sim... menti. - ri e brindei. Ela também riu.
Paula era professora de escola. Tinha acabado de voltar de um casamento e o plano dela praquela noite era se livrar dos sapatos e ler algum livro até dormir. Até me encontrar e se deixar levar pela curiosidade. "Que sorte você teve!", falei.
Beijei ela pela primeira vez antes do segundo prato. Na sobremesa, o pé dela já brincava com minha perna debaixo da toalha.
- Vou um instante no banheiro... - falei, baixinho. - Se quiser me seguir...
Feito dois fugitivos, fomos desviando dos olhares das pessoas até conseguirmos entrar no banheiro. Tava vazio, e Paula e eu entramos num dos cubículos. Lembro de ter Pensei, com ironia: "Olha, os ricos também cagam."
Paula desabotoou o jeans enquanto me beijava.
— Não costumo fazer isso... ainda mais no primeiro encontro — ronronou no meu ouvido antes de se ajoelhar. — Mas você deu sorte. Acabei de ver minha melhor amiga casar com um dos meus ex e tô afim de fazer uma loucura.
Sorri e deixei Paula agir sozinha. Ela baixou minha calça até os tornozelos, e a cueca foi junto. Minha pica, toda empinada, cumprimentou de perto a professora, que a prendeu nos lábios. Por mais nojento que pareça, naquele momento lembrei do preto acendendo o charuto no bar. Ainda não sabia quem ele era: um demônio querendo minha alma, um anjo querendo me mostrar o paraíso na Terra, ou algum deus africano esquecido, buscando fé enganando fracassados reincidentes como eu. Sinceramente, não fazia ideia. E deixou de importar no instante em que a língua de Paula percorreu o tronco da minha pica, dos testículos até o freio, fazendo sumir da minha cabeça qualquer pensamento que não fosse sobre aquela boquete fenomenal.
Os lábios de Paula se fecharam na minha pica. A língua dela lambeu minha glande, e ela deu uma sugada leve que me fez arrepiar enquanto começava a mover a cabeça pra frente e pra trás.
Apoiei as mãos no cabelo da professora enquanto ela continuava com o boquete. Não queria marcar o ritmo, preferia me entregar à habilidade dela. Tirei o pé direito do sapato e, enquanto ela continuava chupando minha pica com gula, apoiei o calcanhar na ponta do sapato e, com o dedão, procurei o tecido da calcinha por baixo do vestido.
O movimento era desajeitado. Não queria atrapalhar o vai e vem da cabeça de Paula e, no escuro, eu também não era nenhum malabarista com a falange do dedão. Mesmo assim, consegui acariciar de leve a buceta de Paula por cima da roupa. Pelo menos, até o trabalho da boca dela... começou a ser prazeroso demais pra eu me dedicar a qualquer outra coisa que não fosse aproveitar.
Os lábios dela prendiam meu pau e ela masturbava ele desde a ponta até a cabeça bater no céu da boca dela, onde mudava o sentido do boquete e voltava até tirar o pau inteiro da boca. Além disso, ela fazia um movimento hábil com a língua que coincidia com cada vez que meu pau entrava debaixo do céu da boca dela, deixando louco aquele ponto tão sensível do freio.
- Paula... se você continuar assim, vou gozar.
Paula tirou meu membro da boca de novo pra me dizer:
- E você acha que eu tô fazendo isso pra quê? - e, enquanto falava, não parava de me masturbar com a mão direita. - Quero que você goze na minha boca... que me encha de porra... que se derrame em mim...
Ela carregou a voz com tanto tesão que foi impossível me segurar quando ela me prendeu com os lábios de novo. Minhas mãos se agarraram com mais força na cabeça dela e eu comecei a meter com a bacia. Tentei não fazer penetrações muito longas, focando principalmente em deixar só a cabeça do pau entrar e sair da boca dela.
- Porra... porra... que delícia! - consegui falar entre um gemido e outro, bem antes de ficar todo tenso. Aquela espinha se cravou dentro de mim e me obrigou a expulsar ela. - Lá vai!
Paula segurou meu pau com a mão dela e tenho certeza que o polegar dela sentiu cada jato de porra que atravessou até sair direto no céu da boca da loira gostosa. Depois das últimas descargas, e quando consegui recuperar o fôlego e respirar de novo, vi Paula, ajoelhada no chão, me olhando nos olhos com um fio de porra escapando do sorriso dela.
*****
Entramos num táxi depois que eu paguei a conta pesada do restaurante. Mas, tendo ganhado mais de três mil no cassino, uma décima parte não era nada.
- Pra onde a gente vai? - perguntei pra Paula, mas alguma coisa na cara dela... intranquilizou. — Paula?
— Toma... — Ela escreveu numa folha de papel uma série de números. — Meu telefone. Me liga amanhã. Preciso pensar no que fiz. Não sei...
Peguei o papel sem esconder minha decepção. Mas, pensando bem, Paula já tinha cumprido bem seu papel naquela noite.
— Tá bom, mas deixa eu te acompanhar até em casa. Assim pago o táxi pra você. — Paula aceitou e deu o endereço dela pro taxista. Era uma mulher que eu gostaria de ter por perto no futuro e, acho que ela foi mais esperta que eu ao recusar me deixar subir. Agora era minha vez de jogar e mostrar até onde ia meu interesse se eu realmente queria transar com ela.
— Beleza, garoto. Te deixo aqui? — perguntou o taxista assim que Paula sumiu na porta do prédio.
— Não. Me leva pra uma área de balada. A mais perto. Tenho que aproveitar a noite.
*****
O táxi parou na frente de um pub animado e iluminado, pelo menos por fora. Quando li o letreiro de neon, não consegui segurar uma gargalhada.
— Muito obrigado, campeão. — Falei pro taxista, estendendo uma nota de cem euros. — Fica com o troco.
O taxista ficou mudo depois de pegar a nota e verificar se era verdadeira, enquanto eu saía do táxi com um sorriso e entrava, sem qualquer problema com os seguranças, no pub “La BuenaSuerte”.
Eram doze e meia da noite.
*****
Noelia tinha mil diferenças de Paula. Morena, olhos castanhos profundos quase pretos, dez anos mais nova que a professora e, como tantas adolescentes, faltavam muitas curvas e experiência pra parecer uma mulher feita. Mesmo assim, tinha algo na sua admiração insolente, na sua atitude provocante e infantil, na sua rebeldia imprudente que me enfeitiçou assim que entrei.
Venci as barreiras mentais que eu mesmo impunha pra chegar numa garota que ainda não devia ter feito 20 anos e puxei conversa rapidinho com ela, conseguindo nos afastar do grupinho de quatro amigas dela.
Pra ser sincero, me surpreendeu. Eu tinha uma rapidez mental que, em algumas ocasiões, quase me fez passar vergonha, mas consegui resolver com uma boa dose de malícia e, claro, um pouco de sorte. Provavelmente, a própria Noelia se sentia poderosa por ter conseguido que um cara de 28 anos tivesse coragem de dar em cima dela. Segundo ela me contou, estava cansada de moleques que só querem transar e, ainda por cima, transar mal, em qualquer lugar.
— Poxa... então você tá atrás do seu príncipe encantado... — falei, com um sorriso.
— Não, cara... nem fodendo. Tá cheia de sapo não significa que eu tô procurando um príncipe encantado. Quero experimentar todas as cores antes. O príncipe vermelho, o verde, o laranja...
Não consegui segurar uma gargalhada. Levantei meu copo de vodka vermelha e falei:
— Então, pelo príncipe vermelho. — Tomei um gole e fiz um sinal pra Noelia se aproximar. Ela chegou o rosto a poucos milímetros do meu, e eu não resisti e me joguei nos lábios dela, com os meus e minha língua ainda molhados da vodka doce.
A garota sabia beijar. Prendi meus lábios nos dela enquanto passava a mão na bunda dela, e ela se deixava acariciar. Quando nos separamos, o olhar dela tinha um brilho especial, e nossa respiração tinha acelerado visivelmente.
— Pelo visto, o príncipe vermelho sabe beijar. E tem um gosto muito bom.
— E isso que você ainda não conhece a melhor parte do príncipe vermelho... — falei, sorrindo.
Fomos até o balcão. Quando a garçonete se aproximou, coloquei cinco notas de cem euros no balcão e uma no decote da funcionária bem dotada e falei:
— Tudo que eu pedir, você me serve. E ela também. Acho que não vou ficar sem grana. Né? No momento em que me ver no balcão, me atende primeiro e depois o resto. Entendido? E mais uma coisa. Não me enfia garrafão vagabundo. Primeiras marcas. — A garçonete, depois de me olhar como se eu fosse maluco e conferir se as notas eram verdadeiras, concordou sem piscar.
Convidei umas duas rodadas pra todo o grupo da Noelia, que cada vez parecia me admirar mais. Quando ela me perguntou com o que eu trabalhava, desviei o assunto e convidei ela pra mais um drink.
- Vamos dançar um pouco, quero ver como você se mexe.
Fiquei paralisado por um segundo. Reconheço que sou o dançarino mais desengonçado que já vi. Só sei dançar bem um tipo de música e não parecia que naquele pub eles curtiam muito esse estilo. Mas era minha noite de sorte.
- De de de de-de-de de-de, de-de-de de-de, de-de-de! - A Samba da Bahia do Carlinhos Brown explodiu nas caixas de som, e naquele instante agradeci mentalmente à Marcela, uma ex-namorada minha, brasileira, que gastou tempo e energia me ensinando a mexer o corpo no ritmo do samba durante os escassos dois meses que durou nosso namoro.
- Nossa. Parece que querem que a gente se mexa de verdade... - riu Noelia.
Não vou dar muitos detalhes, só dizer que Noelia mexia a bunda dela, enfiada numa minissaia jeans, de um jeito excepcional, e eu me contentava em tentar acompanhar o ritmo.
- Você dança pra caralho. - ela sussurrou bem baixinho no meu ouvido, quando a música estava acabando.
- Você é que dança bem pra cacete. - respondi, colocando as duas mãos na bunda dela e apalpando descaradamente. Noelia soltou um suspiro e me levou até um canto do pub, onde uma coluna nos protegia do intenso fluxo de gente dentro do local.
Começamos a nos amassar como dois adolescentes. Ela era uma, e eu ao lado dela me sentia exatamente assim. Ela não ligou que minhas mãos mergulhassem uma e outra vez debaixo da saia dela até eu decorar a curva das nádegas dela, enquanto ela transformava minha boca e meu pescoço num campo de beijos libidinosos e lascivos. Lembrei da frase daquele negro misterioso: "Tudo vai dar certo pra você, porque eu estou dizendo.", e testei até onde ele tinha razão. Abandonei a bunda de Noelia e, sem parar de encurralar ela com meu corpo e o próprio canto que a coluna fazia, dirigi minha mão até a virilha dela.
- Mmmmmm - o gemido dela abafou nos meus lábios. Ela se afastou de mim e me olhou direto nos olhos enquanto segurava minha Cara, pra eu parar. Mas de repente, ela olhou em volta, me soltou e voltou a me beijar.
Comecei a esfregar a bucetinha dela por cima da calcinha enquanto ela ficava tensa e continuava me beijando.
- Tá gostando, hein? - falei, quando meus lábios escaparam dos dela e ela abafava os primeiros gemidos no meu pescoço.
- Para, pelo amor de Deus. Você é um filho da puta. Não faz isso comigo... - A voz dela não passava de um ronronar grave, mas os quadris começaram a se mexer, me mostrando o contrário do que ela dizia.
A calcinha dela ficava mais molhada enquanto minha mão direita continuava esfregando, até que eu enfiei a mão por dentro e pude ver que a boceta dela não estava úmida. Estava encharcada.
Os gemidos abafados da Noelia se sucediam, enfiei dois dedos dentro dela e ela mordeu meu pescoço de leve. A respiração dela virou um vai e vem sem parar de inspirações e expirações muito curtas, e as mãos dela me apertavam cada vez mais contra ela, como se quisesse se fundir em mim ou na parede, como se quisesse que eu a esmagasse com todo o meu corpo.
A perna direita dela se enroscou nas minhas e facilitou o trabalho da minha mão, que agora fazia os dois dedos entrarem e saírem sem problema enquanto eu continuava esfregando o clitóris dela com a palma.
- Porra... você é um cuzão. Se continuar assim, vai me fazer gozar... - ela dizia, entre ofegos. O corpo dela se contorcia como o de uma cobra, seguindo o movimento daqueles dedos que estavam dando tanto prazer, e os gemidinhos cada vez mais altos deixavam minha pele a ponto de ferver. Finalmente, ela não aguentou mais. Se agarrou em mim com toda a força, tapou a boca com meu pescoço e começou a tremer. Senti a bucetinha jovem dela se contrair nos meus dedos enquanto tentava abafar um grito de prazer que vinha lá do fundo e que acabou virando um "mmmmmmmmmpppf" longo e profundo, abafado pela base do meu pescoço.
A perna direita dela se contraiu ainda mais em mim e a esquerda fraquejou. o que me obrigou a segurar o peso dela com a mão esquerda enquanto durasse o clímax intenso que ela tinha atingido num local lotado, sem que muita gente percebesse.
- Você é... um... filho da puta... um filho da puta muito grande... - ela disse, já com os dois pés no chão, me olhando nos olhos antes de me dar um beijo cheio de carinho.
Pedi mais uma rodada para o grupo todo da Noelia, que tinha ganhado mais dois carinhas com quem duas delas estavam se agarrando, e sussurrei no ouvido dela:
- Vamos pra sua casa ou pra minha?
- Pra minha. Moro aqui do lado.
Enquanto Noelia terminava a bebida, fui até o balcão e pedi umas moedas de euro pra garçonete, que me deu sem problema, e gastei todas, junto com algumas que já tinha no bolso, na máquina de camisinha do banheiro. Logo depois de deixar a Paula, lembrei que não tava com preservativo. Também peguei uma garrafa de vodka vermelha que escondi debaixo da jaqueta.
*****
Depois de uns golinhos de vodka na mesa da sala da casa da Noelia, decidimos ir pra cama.
Minha moreninha gostosa não aguentou esperar e foi tirando a roupa pelo corredor. A camiseta preta, de decote bem aberto, ficou na frente da porta do banheiro. A minissaia não chegou a entrar no quarto e parou a poucos centímetros da porta.
Eu tirei a camisa assim que entrei no quarto, mas quando fiz isso, percebi que Noelia tinha sumido. Fiquei assustado. Pensei que era cedo demais pra amanhecer, que a noite não podia ter acabado tão rápido. Pelo menos não a minha noite de Sorte. Mas aí vi ela aparecer pela porta do banheiro pequeno que ligava com o quarto dela, fazendo gestos pra eu seguir. Sorri e obedeci.
Nós dois, pelados, entramos no chuveiro que soltava água numa temperatura boa e nos envolvia nela. Os beijos da Noelia, que começaram na minha boca, foram descendo devagar e, depois de passando pelo meu pescoço, meus mamilos, minha barriga, e dali, seguindo a sombra escura dos meus pelos, chegaram até onde meu pau se erguia para o céu, implorando por algo que lhe desse abrigo. Mas Noelia, depois de depositar um beijo suave na ponta, decidiu ignorá-lo e se dedicar ao meu quadril, minhas coxas e de volta à minha barriga.
- Ah, qual é... - reclamei, e ela respondeu com um sorrisinho safado. Fechou a água do chuveiro e me envolveu com uma toalha grande, parando para me secar e dando atenção especial ao meu pau. - Você sabe o pouco que vou aguentar se continuar assim?
- Claro... - respondeu ela, e eu joguei a toalha no chão e empurrei a moreninha para trás.
Noelia se apoiou na pia e eu a forcei a subir a bunda empinada nela. Abri suas pernas e enfiei o pau de uma só vez. Seu grito de prazer ecoou no banheiro e ressoou algumas vezes repetido.
- Pelo amor de Deus... a... a camisinha. Coloca a camisinha antes de continuar. Porque se você enfiar mais uma dessas, vou deixar de me importar com a camisinha e qualquer coisa...
- Ah, é? - Enfiei mais duas metidas, sem piedade, iguais à primeira. Tirando e colocando o pau inteiro dentro dela, e Noelia gemeu de novo. De repente, parei, me abaixei para pegar a calça e tirei uma camisinha com toda a calma do mundo.
- Filho da puta... - respondeu ela, ao ver que eu demorava mais do que o necessário de propósito.
- Eu, por quê? - respondi, tomando meu tempo para rasgar o pacote e colocar o preservativo.
- Vem cá. - Noelia me puxou com as pernas e guiou meu pau para o buraquinho duplamente molhado dela. Afundei nela como um desesperado, fazendo as penetrações serem o mais profundas e potentes que eu conseguia, como se quisesse atravessá-la com meu pau. Ela, sem nenhuma vergonha, gritava e gemia cada vez que eu a penetrava por completo.
Comecei a ofegar pesadamente sem parar de meter, me ajudando com as mãos nos quadris dela, enquanto as dela se esforçavam pra evitar que o corpo dela batesse no espelho que tinha atrás. Não aguentei mais e gozei sem conseguir evitar. Ela, com a respiração acelerada, ainda me olhava nos olhos, com a boca aberta e ofegando igual a mim.
Tirei a camisinha e joguei no vaso. Um segundo depois, já tinha pegado a Noelia no colo e levado pra cama.
Chupei a buceta dela enquanto meu pau recuperava as forças. Ela gozou mais duas vezes antes de eu meter de novo e outras três enquanto eu tava penetrando ela. Noelia era uma das minas com a buceta mais sensível que já conheci.
Naquela noite, usei mais cinco camisinhas além da primeira. Noelia tinha acabado de me premiar com uma noite cheia de sexo em todas as posições imagináveis. Fiquei com vontade de experimentar o cu dela, mas quando falei, no final da noite, ela escreveu o telefone dela no meu braço e disse pra eu continuar tentando. Com um sorriso nos lábios, beijei ela e me despedi.
*****
Quando desci do táxi, eram quase seis da manhã. Aquela noite tinha parecido eterna demais pra ter começado quase doze horas antes. Mas o sol já começava a derramar seus primeiros raios preguiçosos por cima dos prédios da cidade. A noite acabava e eu, da janela, tentava achar a confirmação da minha atitude naquele último taxista da noite.
- Moço... Se te dessem a chance de, por uma noite, ser o cara com mais sorte do mundo... O que você faria?
- Eu? - Disse, com uma voz grave e rouca o taxista. - Eu teria comido todas as minas que pudesse. Sem esquecer de jogar na mega-sena! - Completou com uma risada sincera.
- É, verdade. Sabia que tinha esquecido alguma coisa. - Ri e paguei a corrida.
Como todos os taxistas naquela noite, também dei uma nota de cem euros pra ele.
- Mas isso? Não tem nada menor?
- Fica com o troco.
- Como?
- É... mas... toma. - Tirei o único euro que não tinha gastado em camisinhas, o euro italiano que aquele africano estranho tinha me dado.
— Merece algo mais que o resto. De qualquer forma, eu não vou mais precisar dele. Embora eu quisesse que essa noite nunca acabasse.
Joguei o euro pro taxista e me afastei da janela do motorista onde tinha me apoiado, no meio da estrada, mas era minha noite de sorte e nada de ruim ia me acontecer.
Pelo menos, era o que eu pensava.
*****
— O que aconteceu com ele, doutor?
— Um atropelamento. Parece que o primeiro raio de sol cegou um motorista por uns instantes e o senhor Durán estava no meio da pista.
— Às seis da manhã?
— Sim, é estranho.
— Mas por que me chamaram?
— Era o contato de emergência que ele tinha no celular. Você o conhece, né?
— Sim, sim, claro... é meu ex-namorado, terminamos há duas semanas.
— Bom, ele deve ter esquecido de trocar o contato. De qualquer forma, você pode avisar a família dele?
— Claro, claro... Escuta, doutor... Como ele está?
— Em coma.
— Mas... ele vai acordar?
— Olha, sinceramente, espero que sim. Ele está bem, não teve traumatismos graves, é cedo pra arriscar um diagnóstico do estado cerebral dele, mas é estranho... parece que a mente dele está revivendo a noite anterior, uma e outra vez.
— Então ele nunca vai acordar. — interrompeu aquele africano enorme, encostado no corredor perto da porta do quarto.
Com um sorriso, o gigante preto tirou um charuto e acendeu com calma.
— Ei! Aqui não pode fumar, isso é um hospital! Apaga esse charuto! — repreendeu o doutor.
— Que charuto? — respondeu o negro, com um sorriso, branco como cal, e mostrando as mãos vazias.
Donnor OuT...
- Nacho! Mais uma! - gritei sem tirar os olhos da foto que segurava na mão. Nela, uma mina loira, gostosa e alegre beijava a bochecha de um cara parecido comigo. Ele não tinha minha barba por fazer de uma semana, nem o cabelo oleoso e bagunçado como o meu, nem olheiras, nem aquela palidez doentia que veio de comer mal na última semana. Mas a maior diferença estava no sorriso. Ele sorria. Eu não sorria desde que aquela mesma mina loira, gostosa e alegre tinha me largado uma semana atrás, e eu tinha me transformado do jovem animado da foto na sombra triste que era naquele momento. Mais uma entrevista de emprego tinha terminado naquele dia com outro "A gente liga pra você" que nunca se cumpria, e eu continuava afundando cada vez mais.
A porta do bar se abriu. As últimas luzes alaranjadas da tarde entraram pela fresta, emoldurando uma silhueta enorme que me fez tremer.
- Isqueiros? Papel? - disse o recém-chegado, com um sotaque carregado.
- Porra... outro preto tentando vender essa merda de bugiganga. - Resmunguei baixinho enquanto o vendedor gigante se aproximava. No olhar dele dava pra ver um certo pedido de ajuda, uma desesperança surda e apagada de que alguém comprasse algo pra família dele poder comer naquela noite. Mas não era problema meu.
Pelo menos, até ele se virar pra mim e o jeito dele olhar mudar. Não tinha mais nenhum traço daquele patetismo que buscava inspirar pena.
- Você com certeza precisa de alguma coisa. - Disse ele, me encarando bem na cara. Devia passar fácil de um metro e noventa de altura, e o branco dos olhos dele contrastava demais com a escuridão do rosto.
- Não preciso de porra nenhuma. Some. - Falei, puto. Aquela mudança no olhar dele não ia me fazer mudar de ideia.
- Tem certeza? Acho que Que você está enganado, você precisa, pelo menos, de mais uma chance. — Sem se intimidar, o vendedor ambulante sentou na cadeira na minha frente e sorriu, mostrando uns dentes brancos demais. — O que você realmente quer? Eu posso vender pra você. — Foi aí que percebi que ele tinha parado de falar com sotaque, e me senti como se estivesse fazendo parte de um filme perfeitamente dublado em português. Como se aquela não fosse a voz dele.
— O que eu preciso não se vende.
— Tudo se vende. — Respondeu ele, mostrando de novo aquele sorriso de branco nuclear.
— Mas eu não posso comprar tudo. Não sou rico. — respondi.
— Quanto dinheiro você tem?
— Acho que isso não é da sua conta.
— Não… claro que não. Tava falando por causa do seguinte. Imagina que você tem cinquenta euros agora. E eu te vendo uma nota, completamente válida, de cem euros por só sessenta.
— Você seria um idiota.
— Sim, seria. Mas quanto tempo você levaria pra arrumar esses dez euros que faltam?
— Acho que muito pouco tempo.
— Exato. Por isso, vou te permitir uma coisa. Você não vai me pagar nada. Por enquanto. Mas hoje à noite você vai sair na rua e fazer o que der na telha. Tudo vai dar certo pra você, porque eu tô dizendo. Vou te dar o que você nunca teve, Nico. Sorte. A melhor sorte do mundo. Vou te dar de presente uma noite de sorte.
Em seguida, o negão enorme tirou um charuto do bolso, acendeu na boca e tragou. Deu uma baita tragada e soltou a fumaça sobre a mesa.
— Ei! Aqui não pode fumar! A lei nova! — gritou o Nacho, dono do lugar, pro gigante preto, mas ele virou pra ele e mostrou aquele mesmo sorriso que vinha me hipnotizando há tanto tempo e as duas mãos abertas. O charuto tinha sumido, evaporado como a fumaça que tinha soprado em cima de mim.
— Fabuloso. Agora some. — falei, já cansado da conversa fiada do misterioso africano.
— Experimenta. — disse ele, me jogando uma moeda, que peguei no ar. — O que — Você escolhe? — ele acrescentou, antes que eu pudesse ver direito.
— Cruz. — falei, e, antes de abrir a mão, passei a moeda pra outra, virando ela. — Pô.
Lá estava ela, o valor da moeda gravado no mapa da União Europeia me encarando na mão esquerda, deixando escondida a cara da moeda.
— Sorte. — falei, jogando o euro pro alto de novo. Peguei. — Cara.
O Homem Vitruviano daquele euro italiano parecia me cumprimentar de dentro da moeda. O negão sorriu mais e se escorou na cadeira. 2 de 2. Uma em cada quatro vezes tem que sair. Troquei a moeda do africano por uma das que eu mesmo tinha no bolso, dessa vez euros espanhóis que eu sabia que não eram viciados, e repeti o lance.
— Cara. — O Rei Dom Juan Carlos I parecia sorrir. — Cara. — O rei de novo. — Cruz. — 1 Euro. — Cara. — Rei. — Cruz. — 1 euro. — Cara. Cara. Cara. Cruz. Cara. Cruz. Cruz. Cara.
Lá pela vigésima terceira jogada, desisti, talvez fosse verdade e minha noite de sorte tivesse começado.
Me virei pro negão, mas ele já tinha ido embora silenciosamente, e eu saí do boteco procurando ele pra devolver a moeda que ele tinha me emprestado, mas ele tinha sumido. Que nem fumaça. Que nem o charuto.
Joguei a moeda de novo.
— Se sair cara, vou pra casa. Se sair cruz, vou pra farra.
Um minuto depois, eu tava entrando num táxi.
— Pra onde, artista?
— Pro cassino.
*****
Às nove da noite, o chefe de salão do Casino Cirsa Valência, com toda educação e depois de uma conversa onde eu só consegui argumentar que era minha noite de sorte, me deu uma última chance de sair do cassino naquela hora com todos os meus ganhos e com todos os meus membros intactos. Aceitei com um sorriso. Tinha começado a noite com 10 euros e ganhado mais de três mil.
Estranhei não ver um táxi na saída, então comecei a andar pro centro pra me dar um jantarão num restaurante bom. Cerca de uns cem metros, avistei uma mulher vindo na minha direção, com um vestido que se moldava perfeitamente às suas curvas gostosas. Loira, jovem, bonita, bem arrumada, maquiada e vestida, embora meio atrapalhada nos saltinhos. Sorri e fui falar com ela. Era minha noite de sorte.
- Oi, gostosa. Olha, eu tenho uma reserva no Restaurante Torrijos pra duas pessoas, mas meu amigo furou. Te convido pra jantar.
A mulher me olhou surpresa, como se eu fosse maluco. Mas será que não era? Nem sabia o nome dela e já tinha convidado. Ela balançou a cabeça e riu. Eu sorri. Sabia qual seria a resposta dela.
*****
Eram quinze pras dez quando Paula (ela se chamava Paula) e eu sentamos no restaurante mais caro da cidade. O maître, a princípio, disse que não podíamos jantar lá sem reserva, mas depois que insisti pra ele procurar algum cancelamento pra aquela noite, conseguimos a melhor mesa do restaurante.
- Pelo Adolfo Campos e sua acompanhante, que não puderam vir e nos proporcionaram esse jantar maravilhoso. - falei, levantando minha taça de vinho.
- Você tinha dito que tinha reserva. - respondeu Paula, com meio sorriso, repetindo meu gesto.
- Ah, sim... menti. - ri e brindei. Ela também riu.
Paula era professora de escola. Tinha acabado de voltar de um casamento e o plano dela praquela noite era se livrar dos sapatos e ler algum livro até dormir. Até me encontrar e se deixar levar pela curiosidade. "Que sorte você teve!", falei.
Beijei ela pela primeira vez antes do segundo prato. Na sobremesa, o pé dela já brincava com minha perna debaixo da toalha.
- Vou um instante no banheiro... - falei, baixinho. - Se quiser me seguir...
Feito dois fugitivos, fomos desviando dos olhares das pessoas até conseguirmos entrar no banheiro. Tava vazio, e Paula e eu entramos num dos cubículos. Lembro de ter Pensei, com ironia: "Olha, os ricos também cagam."
Paula desabotoou o jeans enquanto me beijava.
— Não costumo fazer isso... ainda mais no primeiro encontro — ronronou no meu ouvido antes de se ajoelhar. — Mas você deu sorte. Acabei de ver minha melhor amiga casar com um dos meus ex e tô afim de fazer uma loucura.
Sorri e deixei Paula agir sozinha. Ela baixou minha calça até os tornozelos, e a cueca foi junto. Minha pica, toda empinada, cumprimentou de perto a professora, que a prendeu nos lábios. Por mais nojento que pareça, naquele momento lembrei do preto acendendo o charuto no bar. Ainda não sabia quem ele era: um demônio querendo minha alma, um anjo querendo me mostrar o paraíso na Terra, ou algum deus africano esquecido, buscando fé enganando fracassados reincidentes como eu. Sinceramente, não fazia ideia. E deixou de importar no instante em que a língua de Paula percorreu o tronco da minha pica, dos testículos até o freio, fazendo sumir da minha cabeça qualquer pensamento que não fosse sobre aquela boquete fenomenal.
Os lábios de Paula se fecharam na minha pica. A língua dela lambeu minha glande, e ela deu uma sugada leve que me fez arrepiar enquanto começava a mover a cabeça pra frente e pra trás.
Apoiei as mãos no cabelo da professora enquanto ela continuava com o boquete. Não queria marcar o ritmo, preferia me entregar à habilidade dela. Tirei o pé direito do sapato e, enquanto ela continuava chupando minha pica com gula, apoiei o calcanhar na ponta do sapato e, com o dedão, procurei o tecido da calcinha por baixo do vestido.
O movimento era desajeitado. Não queria atrapalhar o vai e vem da cabeça de Paula e, no escuro, eu também não era nenhum malabarista com a falange do dedão. Mesmo assim, consegui acariciar de leve a buceta de Paula por cima da roupa. Pelo menos, até o trabalho da boca dela... começou a ser prazeroso demais pra eu me dedicar a qualquer outra coisa que não fosse aproveitar.
Os lábios dela prendiam meu pau e ela masturbava ele desde a ponta até a cabeça bater no céu da boca dela, onde mudava o sentido do boquete e voltava até tirar o pau inteiro da boca. Além disso, ela fazia um movimento hábil com a língua que coincidia com cada vez que meu pau entrava debaixo do céu da boca dela, deixando louco aquele ponto tão sensível do freio.
- Paula... se você continuar assim, vou gozar.
Paula tirou meu membro da boca de novo pra me dizer:
- E você acha que eu tô fazendo isso pra quê? - e, enquanto falava, não parava de me masturbar com a mão direita. - Quero que você goze na minha boca... que me encha de porra... que se derrame em mim...
Ela carregou a voz com tanto tesão que foi impossível me segurar quando ela me prendeu com os lábios de novo. Minhas mãos se agarraram com mais força na cabeça dela e eu comecei a meter com a bacia. Tentei não fazer penetrações muito longas, focando principalmente em deixar só a cabeça do pau entrar e sair da boca dela.
- Porra... porra... que delícia! - consegui falar entre um gemido e outro, bem antes de ficar todo tenso. Aquela espinha se cravou dentro de mim e me obrigou a expulsar ela. - Lá vai!
Paula segurou meu pau com a mão dela e tenho certeza que o polegar dela sentiu cada jato de porra que atravessou até sair direto no céu da boca da loira gostosa. Depois das últimas descargas, e quando consegui recuperar o fôlego e respirar de novo, vi Paula, ajoelhada no chão, me olhando nos olhos com um fio de porra escapando do sorriso dela.
*****
Entramos num táxi depois que eu paguei a conta pesada do restaurante. Mas, tendo ganhado mais de três mil no cassino, uma décima parte não era nada.
- Pra onde a gente vai? - perguntei pra Paula, mas alguma coisa na cara dela... intranquilizou. — Paula?
— Toma... — Ela escreveu numa folha de papel uma série de números. — Meu telefone. Me liga amanhã. Preciso pensar no que fiz. Não sei...
Peguei o papel sem esconder minha decepção. Mas, pensando bem, Paula já tinha cumprido bem seu papel naquela noite.
— Tá bom, mas deixa eu te acompanhar até em casa. Assim pago o táxi pra você. — Paula aceitou e deu o endereço dela pro taxista. Era uma mulher que eu gostaria de ter por perto no futuro e, acho que ela foi mais esperta que eu ao recusar me deixar subir. Agora era minha vez de jogar e mostrar até onde ia meu interesse se eu realmente queria transar com ela.
— Beleza, garoto. Te deixo aqui? — perguntou o taxista assim que Paula sumiu na porta do prédio.
— Não. Me leva pra uma área de balada. A mais perto. Tenho que aproveitar a noite.
*****
O táxi parou na frente de um pub animado e iluminado, pelo menos por fora. Quando li o letreiro de neon, não consegui segurar uma gargalhada.
— Muito obrigado, campeão. — Falei pro taxista, estendendo uma nota de cem euros. — Fica com o troco.
O taxista ficou mudo depois de pegar a nota e verificar se era verdadeira, enquanto eu saía do táxi com um sorriso e entrava, sem qualquer problema com os seguranças, no pub “La BuenaSuerte”.
Eram doze e meia da noite.
*****
Noelia tinha mil diferenças de Paula. Morena, olhos castanhos profundos quase pretos, dez anos mais nova que a professora e, como tantas adolescentes, faltavam muitas curvas e experiência pra parecer uma mulher feita. Mesmo assim, tinha algo na sua admiração insolente, na sua atitude provocante e infantil, na sua rebeldia imprudente que me enfeitiçou assim que entrei.
Venci as barreiras mentais que eu mesmo impunha pra chegar numa garota que ainda não devia ter feito 20 anos e puxei conversa rapidinho com ela, conseguindo nos afastar do grupinho de quatro amigas dela.
Pra ser sincero, me surpreendeu. Eu tinha uma rapidez mental que, em algumas ocasiões, quase me fez passar vergonha, mas consegui resolver com uma boa dose de malícia e, claro, um pouco de sorte. Provavelmente, a própria Noelia se sentia poderosa por ter conseguido que um cara de 28 anos tivesse coragem de dar em cima dela. Segundo ela me contou, estava cansada de moleques que só querem transar e, ainda por cima, transar mal, em qualquer lugar.
— Poxa... então você tá atrás do seu príncipe encantado... — falei, com um sorriso.
— Não, cara... nem fodendo. Tá cheia de sapo não significa que eu tô procurando um príncipe encantado. Quero experimentar todas as cores antes. O príncipe vermelho, o verde, o laranja...
Não consegui segurar uma gargalhada. Levantei meu copo de vodka vermelha e falei:
— Então, pelo príncipe vermelho. — Tomei um gole e fiz um sinal pra Noelia se aproximar. Ela chegou o rosto a poucos milímetros do meu, e eu não resisti e me joguei nos lábios dela, com os meus e minha língua ainda molhados da vodka doce.
A garota sabia beijar. Prendi meus lábios nos dela enquanto passava a mão na bunda dela, e ela se deixava acariciar. Quando nos separamos, o olhar dela tinha um brilho especial, e nossa respiração tinha acelerado visivelmente.
— Pelo visto, o príncipe vermelho sabe beijar. E tem um gosto muito bom.
— E isso que você ainda não conhece a melhor parte do príncipe vermelho... — falei, sorrindo.
Fomos até o balcão. Quando a garçonete se aproximou, coloquei cinco notas de cem euros no balcão e uma no decote da funcionária bem dotada e falei:
— Tudo que eu pedir, você me serve. E ela também. Acho que não vou ficar sem grana. Né? No momento em que me ver no balcão, me atende primeiro e depois o resto. Entendido? E mais uma coisa. Não me enfia garrafão vagabundo. Primeiras marcas. — A garçonete, depois de me olhar como se eu fosse maluco e conferir se as notas eram verdadeiras, concordou sem piscar.
Convidei umas duas rodadas pra todo o grupo da Noelia, que cada vez parecia me admirar mais. Quando ela me perguntou com o que eu trabalhava, desviei o assunto e convidei ela pra mais um drink.
- Vamos dançar um pouco, quero ver como você se mexe.
Fiquei paralisado por um segundo. Reconheço que sou o dançarino mais desengonçado que já vi. Só sei dançar bem um tipo de música e não parecia que naquele pub eles curtiam muito esse estilo. Mas era minha noite de sorte.
- De de de de-de-de de-de, de-de-de de-de, de-de-de! - A Samba da Bahia do Carlinhos Brown explodiu nas caixas de som, e naquele instante agradeci mentalmente à Marcela, uma ex-namorada minha, brasileira, que gastou tempo e energia me ensinando a mexer o corpo no ritmo do samba durante os escassos dois meses que durou nosso namoro.
- Nossa. Parece que querem que a gente se mexa de verdade... - riu Noelia.
Não vou dar muitos detalhes, só dizer que Noelia mexia a bunda dela, enfiada numa minissaia jeans, de um jeito excepcional, e eu me contentava em tentar acompanhar o ritmo.
- Você dança pra caralho. - ela sussurrou bem baixinho no meu ouvido, quando a música estava acabando.
- Você é que dança bem pra cacete. - respondi, colocando as duas mãos na bunda dela e apalpando descaradamente. Noelia soltou um suspiro e me levou até um canto do pub, onde uma coluna nos protegia do intenso fluxo de gente dentro do local.
Começamos a nos amassar como dois adolescentes. Ela era uma, e eu ao lado dela me sentia exatamente assim. Ela não ligou que minhas mãos mergulhassem uma e outra vez debaixo da saia dela até eu decorar a curva das nádegas dela, enquanto ela transformava minha boca e meu pescoço num campo de beijos libidinosos e lascivos. Lembrei da frase daquele negro misterioso: "Tudo vai dar certo pra você, porque eu estou dizendo.", e testei até onde ele tinha razão. Abandonei a bunda de Noelia e, sem parar de encurralar ela com meu corpo e o próprio canto que a coluna fazia, dirigi minha mão até a virilha dela.
- Mmmmmm - o gemido dela abafou nos meus lábios. Ela se afastou de mim e me olhou direto nos olhos enquanto segurava minha Cara, pra eu parar. Mas de repente, ela olhou em volta, me soltou e voltou a me beijar.
Comecei a esfregar a bucetinha dela por cima da calcinha enquanto ela ficava tensa e continuava me beijando.
- Tá gostando, hein? - falei, quando meus lábios escaparam dos dela e ela abafava os primeiros gemidos no meu pescoço.
- Para, pelo amor de Deus. Você é um filho da puta. Não faz isso comigo... - A voz dela não passava de um ronronar grave, mas os quadris começaram a se mexer, me mostrando o contrário do que ela dizia.
A calcinha dela ficava mais molhada enquanto minha mão direita continuava esfregando, até que eu enfiei a mão por dentro e pude ver que a boceta dela não estava úmida. Estava encharcada.
Os gemidos abafados da Noelia se sucediam, enfiei dois dedos dentro dela e ela mordeu meu pescoço de leve. A respiração dela virou um vai e vem sem parar de inspirações e expirações muito curtas, e as mãos dela me apertavam cada vez mais contra ela, como se quisesse se fundir em mim ou na parede, como se quisesse que eu a esmagasse com todo o meu corpo.
A perna direita dela se enroscou nas minhas e facilitou o trabalho da minha mão, que agora fazia os dois dedos entrarem e saírem sem problema enquanto eu continuava esfregando o clitóris dela com a palma.
- Porra... você é um cuzão. Se continuar assim, vai me fazer gozar... - ela dizia, entre ofegos. O corpo dela se contorcia como o de uma cobra, seguindo o movimento daqueles dedos que estavam dando tanto prazer, e os gemidinhos cada vez mais altos deixavam minha pele a ponto de ferver. Finalmente, ela não aguentou mais. Se agarrou em mim com toda a força, tapou a boca com meu pescoço e começou a tremer. Senti a bucetinha jovem dela se contrair nos meus dedos enquanto tentava abafar um grito de prazer que vinha lá do fundo e que acabou virando um "mmmmmmmmmpppf" longo e profundo, abafado pela base do meu pescoço.
A perna direita dela se contraiu ainda mais em mim e a esquerda fraquejou. o que me obrigou a segurar o peso dela com a mão esquerda enquanto durasse o clímax intenso que ela tinha atingido num local lotado, sem que muita gente percebesse.
- Você é... um... filho da puta... um filho da puta muito grande... - ela disse, já com os dois pés no chão, me olhando nos olhos antes de me dar um beijo cheio de carinho.
Pedi mais uma rodada para o grupo todo da Noelia, que tinha ganhado mais dois carinhas com quem duas delas estavam se agarrando, e sussurrei no ouvido dela:
- Vamos pra sua casa ou pra minha?
- Pra minha. Moro aqui do lado.
Enquanto Noelia terminava a bebida, fui até o balcão e pedi umas moedas de euro pra garçonete, que me deu sem problema, e gastei todas, junto com algumas que já tinha no bolso, na máquina de camisinha do banheiro. Logo depois de deixar a Paula, lembrei que não tava com preservativo. Também peguei uma garrafa de vodka vermelha que escondi debaixo da jaqueta.
*****
Depois de uns golinhos de vodka na mesa da sala da casa da Noelia, decidimos ir pra cama.
Minha moreninha gostosa não aguentou esperar e foi tirando a roupa pelo corredor. A camiseta preta, de decote bem aberto, ficou na frente da porta do banheiro. A minissaia não chegou a entrar no quarto e parou a poucos centímetros da porta.
Eu tirei a camisa assim que entrei no quarto, mas quando fiz isso, percebi que Noelia tinha sumido. Fiquei assustado. Pensei que era cedo demais pra amanhecer, que a noite não podia ter acabado tão rápido. Pelo menos não a minha noite de Sorte. Mas aí vi ela aparecer pela porta do banheiro pequeno que ligava com o quarto dela, fazendo gestos pra eu seguir. Sorri e obedeci.
Nós dois, pelados, entramos no chuveiro que soltava água numa temperatura boa e nos envolvia nela. Os beijos da Noelia, que começaram na minha boca, foram descendo devagar e, depois de passando pelo meu pescoço, meus mamilos, minha barriga, e dali, seguindo a sombra escura dos meus pelos, chegaram até onde meu pau se erguia para o céu, implorando por algo que lhe desse abrigo. Mas Noelia, depois de depositar um beijo suave na ponta, decidiu ignorá-lo e se dedicar ao meu quadril, minhas coxas e de volta à minha barriga.
- Ah, qual é... - reclamei, e ela respondeu com um sorrisinho safado. Fechou a água do chuveiro e me envolveu com uma toalha grande, parando para me secar e dando atenção especial ao meu pau. - Você sabe o pouco que vou aguentar se continuar assim?
- Claro... - respondeu ela, e eu joguei a toalha no chão e empurrei a moreninha para trás.
Noelia se apoiou na pia e eu a forcei a subir a bunda empinada nela. Abri suas pernas e enfiei o pau de uma só vez. Seu grito de prazer ecoou no banheiro e ressoou algumas vezes repetido.
- Pelo amor de Deus... a... a camisinha. Coloca a camisinha antes de continuar. Porque se você enfiar mais uma dessas, vou deixar de me importar com a camisinha e qualquer coisa...
- Ah, é? - Enfiei mais duas metidas, sem piedade, iguais à primeira. Tirando e colocando o pau inteiro dentro dela, e Noelia gemeu de novo. De repente, parei, me abaixei para pegar a calça e tirei uma camisinha com toda a calma do mundo.
- Filho da puta... - respondeu ela, ao ver que eu demorava mais do que o necessário de propósito.
- Eu, por quê? - respondi, tomando meu tempo para rasgar o pacote e colocar o preservativo.
- Vem cá. - Noelia me puxou com as pernas e guiou meu pau para o buraquinho duplamente molhado dela. Afundei nela como um desesperado, fazendo as penetrações serem o mais profundas e potentes que eu conseguia, como se quisesse atravessá-la com meu pau. Ela, sem nenhuma vergonha, gritava e gemia cada vez que eu a penetrava por completo.
Comecei a ofegar pesadamente sem parar de meter, me ajudando com as mãos nos quadris dela, enquanto as dela se esforçavam pra evitar que o corpo dela batesse no espelho que tinha atrás. Não aguentei mais e gozei sem conseguir evitar. Ela, com a respiração acelerada, ainda me olhava nos olhos, com a boca aberta e ofegando igual a mim.
Tirei a camisinha e joguei no vaso. Um segundo depois, já tinha pegado a Noelia no colo e levado pra cama.
Chupei a buceta dela enquanto meu pau recuperava as forças. Ela gozou mais duas vezes antes de eu meter de novo e outras três enquanto eu tava penetrando ela. Noelia era uma das minas com a buceta mais sensível que já conheci.
Naquela noite, usei mais cinco camisinhas além da primeira. Noelia tinha acabado de me premiar com uma noite cheia de sexo em todas as posições imagináveis. Fiquei com vontade de experimentar o cu dela, mas quando falei, no final da noite, ela escreveu o telefone dela no meu braço e disse pra eu continuar tentando. Com um sorriso nos lábios, beijei ela e me despedi.
*****
Quando desci do táxi, eram quase seis da manhã. Aquela noite tinha parecido eterna demais pra ter começado quase doze horas antes. Mas o sol já começava a derramar seus primeiros raios preguiçosos por cima dos prédios da cidade. A noite acabava e eu, da janela, tentava achar a confirmação da minha atitude naquele último taxista da noite.
- Moço... Se te dessem a chance de, por uma noite, ser o cara com mais sorte do mundo... O que você faria?
- Eu? - Disse, com uma voz grave e rouca o taxista. - Eu teria comido todas as minas que pudesse. Sem esquecer de jogar na mega-sena! - Completou com uma risada sincera.
- É, verdade. Sabia que tinha esquecido alguma coisa. - Ri e paguei a corrida.
Como todos os taxistas naquela noite, também dei uma nota de cem euros pra ele.
- Mas isso? Não tem nada menor?
- Fica com o troco.
- Como?
- É... mas... toma. - Tirei o único euro que não tinha gastado em camisinhas, o euro italiano que aquele africano estranho tinha me dado.
— Merece algo mais que o resto. De qualquer forma, eu não vou mais precisar dele. Embora eu quisesse que essa noite nunca acabasse.
Joguei o euro pro taxista e me afastei da janela do motorista onde tinha me apoiado, no meio da estrada, mas era minha noite de sorte e nada de ruim ia me acontecer.
Pelo menos, era o que eu pensava.
*****
— O que aconteceu com ele, doutor?
— Um atropelamento. Parece que o primeiro raio de sol cegou um motorista por uns instantes e o senhor Durán estava no meio da pista.
— Às seis da manhã?
— Sim, é estranho.
— Mas por que me chamaram?
— Era o contato de emergência que ele tinha no celular. Você o conhece, né?
— Sim, sim, claro... é meu ex-namorado, terminamos há duas semanas.
— Bom, ele deve ter esquecido de trocar o contato. De qualquer forma, você pode avisar a família dele?
— Claro, claro... Escuta, doutor... Como ele está?
— Em coma.
— Mas... ele vai acordar?
— Olha, sinceramente, espero que sim. Ele está bem, não teve traumatismos graves, é cedo pra arriscar um diagnóstico do estado cerebral dele, mas é estranho... parece que a mente dele está revivendo a noite anterior, uma e outra vez.
— Então ele nunca vai acordar. — interrompeu aquele africano enorme, encostado no corredor perto da porta do quarto.
Com um sorriso, o gigante preto tirou um charuto e acendeu com calma.
— Ei! Aqui não pode fumar, isso é um hospital! Apaga esse charuto! — repreendeu o doutor.
— Que charuto? — respondeu o negro, com um sorriso, branco como cal, e mostrando as mãos vazias.
Donnor OuT...
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