Embora o estado do meu tio fosse estável, o último boletim médico não tinha sido muito animador. Por trás de alguns termos técnicos, dava pra entender que algumas áreas vitais ainda estavam comprometidas, então ele precisava de uma nova cirurgia, e, embora a equipe que o atendia tentasse minimizar a gravidade, dava pra perceber que não estavam muito otimistas quanto ao resultado dessa nova intervenção. Mesmo tendo ficado o tempo todo ao lado do leito agonizante do meu tio, acompanhando minha tia, que supostamente era a mais abalada com aquela situação, não aguentei a notícia. De repente, me senti sufocada por tudo, as paredes da clínica me apertavam, se eu não saísse dali, ia acabar tendo uma crise de nervos. Pedi desculpas pra minha tia e saí correndo, sem olhar pra trás. Na rua, aspirei uma baita golfada de ar fresco, precisava renovar meus pulmões. Comecei a andar sem rumo e entrei num bar. Pedi um café, preto, sem açúcar. Sentei numa mesa perto da janela e esperei o garçom trazer meu pedido. Tinha pouca gente no lugar, mas alguém chamou minha atenção na hora. Não sei por quê, mas me pareceu familiar, será que eu conhecia ele de algum outro lugar? Ficava pensando de onde podia ser, quando ele percebeu que eu tava olhando, então me encarou e me cumprimentou com um aceno de cabeça. Eu sorri. Ele tava bebendo álcool, eram onze da manhã, mas o horário não parecia impedir que ele começasse cedo a intoxicar o fígado. Ele pegou o copo e veio até minha mesa.
— Posso sentar? — perguntou.
Antes que eu pudesse responder, o garçom disse pra ele não me incomodar, falou de um jeito grosso, então imaginei que fosse alguém que já tinha história no lugar, e que por algum motivo tavam falando aquilo, mas não gostei do jeito que ele falou, então resolvi ignorar o aviso.
— Não, tudo bem, pode sentar — concordei.
Precisava me distrair. O garçom e o cara atrás do balcão ficaram me olhando surpresos, sem conseguir Acreditar que eu teria aceitado a intromissão daquele sujeito. Eu olhava pra ele e ainda não me dava conta do que era que me parecia tão familiar.
— A gente se conhece? — ele me perguntou, intrigado, talvez também pela forma como eu o olhava e pela facilidade com que tinha aceitado a companhia dele.
— Acho que não — respondi, pegando a xícara que o garçom me trazia.
— Então? — indagou, sem saber como continuar a conversa.
Deixei fácil pra ele.
— A gente pode se conhecer agora — falei, dando um gole no meu café.
— Parece bom, me chamo Roberto — ele se apresentou, estendendo a mão.
— Mariela — me apresentei, apertando a mão dele.
Por um momento, nossos olhares ficaram presos um no outro, até que não deu pra evitar rir. Era um cara de uns 45 anos, mais ou menos, cabelo grisalho, rugas no rosto que mostravam experiências profundas. Não dava pra dizer que era feio, mas tinha nele uma certa atitude que denunciava que não era de ter sorte com as mulheres, por isso ele ainda se surpreendia que eu tivesse aceitado a companhia dele de boa e, mais ainda, que não fugisse da conversa. Eu tentava lembrar de onde o conhecia, mas não conseguia.
— E me diz, Roberto, você é casado? — perguntei então, como pra ajudar ele a puxar um assunto.
— Não, sou o que se chama de solteiro convicto — respondeu.
Jeito bonito de dizer que as mulheres não dão bola pra ele, pensei.
— E você? — ele me perguntou também.
— Casada e muito feliz — falei, mostrando minha aliança de casamento brilhando.
— Eh… — ele ficou surpreso, sem saber o que dizer.
— Não se preocupa, ser casada não significa que não possa conhecer amigos novos, sou esposa, não escrava — falei.
— Olha só, parece que você é bem resolvida — ele disse, pedindo ao garçom mais uma dose do que estava bebendo.
— Muito resolvida — garanti — Antes de tudo, sou mulher.
— E uma mulher muito gostosa — afirmou.
Eu sorri. Continuamos conversando por um bom tempo, ele me contou parte da vida dele, como uma vez tinha juntado os panos com uma mulher, mas que amava deixou ele pelo melhor amigo, e mesmo já tendo passado alguns anos, ele ainda não conseguia esquecer ela. Que se ela voltasse e pedisse perdão, ele perdoaria. Senti pena daquele homem, senti pena do coração ferido dele, e é por isso mesmo que acho que o amor é uma verdadeira sacanagem. Enquanto ele continuava listando suas desilusões amorosas, que não eram poucas, olhei a hora no meu relógio de pulso, como se estivesse ficando tarde para alguma coisa.
— Desculpa, acho que devo estar te entediando — disse ele, já pronto para cair fora.
— Não, de jeito nenhum, só estava me perguntando quando você ia me convidar pra tomar alguma coisa na sua casa — falei, olhando bem nos olhos dele, decidida a fazer aquele homem desiludido feliz, pelo menos por um dia.
Ele me olhou nos olhos, sério, com a testa franzida, como se perguntando se eu não estava brincando.
— Imagino que você deve vir todo dia nesse lugar, tomar sua bebida, sempre sozinho, aguentando os olhares do garçom e do cara do balcão. Imagina o que eles iam dizer se a gente saísse daqui de braço dado? — falei, plantando na cabeça dele a imagem de algo que, segundo ele, sempre acontecia com os outros.
— Iam morrer — ele falou, com os olhos brilhando.
— Então… você paga meu café? — perguntei.
Ele chamou o garçom.
— Por favor, a conta, o da moça também — disse.
— Senhora — corrigi.
— Ah, sim, desculpa, o da senhora.
Pagou o que a gente consumiu, levantamos, eu me agarrei no braço dele e, rindo, saímos do bar, deixando o garçom e o cara do balcão de boca aberta.
— Eles devem estar morrendo — ele garantiu, já lá fora, com aquela voz carregada de cachaça e vivência.
— Mereciam, não gostei do jeito que aquele cara falou com você — falei.
— É, eles dizem que eu espanto as clientes — ele tentou se justificar.
— Eu não me espantei — fiz questão de notar.
— Ainda não, mas me diz, é verdade isso de ir tomar alguma coisa ou foi só pra eu pagar o café? — ele quis saber.
— Com isso não se brinca — garanti.
— Te falo porque moro aqui na esquina, ainda dá tempo de você Me assustar — ele me avisou com um traço de tristeza no olhar, como se esperasse que eu fosse mais uma filha da puta igual àquela mulher que o abandonou.
Eu olhava pra ele e ainda não conseguia entender por que ele me parecia tão familiar.
Pra convencê-lo de que eu tava falando sério, não me veio outra ideia senão beijá-lo, encharcando meus lábios e o paladar com o gosto forte do álcool que eu tinha acabado de tomar. A gente se olhou de novo daquele jeito intenso e sugestivo, tinha algo nos olhos dele que me acalmava, porque, mesmo sendo um completo estranho, eu sentia como se o conhecesse a vida inteira. A gente se deu as mãos e foi pra casa dele.
— A última vez que trouxe uma gostosa pra casa, acho que foi quando o Alfonsín ganhou as eleições — ele riu.
Ele abriu a porta da frente, uma de metal com a tinta descascada, e a gente entrou num corredor comprido e estreito, com as paredes caindo aos pedaços. O silêncio do lugar era quase de túmulo, não se ouvia nada, só o trânsito da rua. Juntos, a gente foi até a última porta à esquerda, era ali que ele morava. Entramos e ele acendeu a luz. Se o lado de fora era lúgubre e sombrio, o de dentro era ainda pior. O refúgio evidente de um homem acabado, de alguém decepcionado com a vida. Quase não tinha cor naquele ambiente, tudo era cinza e murcho, como se fosse um lugar de passagem e não um lar.
Deixei a bolsa em cima de uma das duas únicas cadeiras que tinha e me aproximei dele de um jeito sugestivo, me mexendo com gestos de gata. Abracei ele e beijei de novo, dessa vez muito mais ávida e gostosa, me apertando contra o corpo dele, sentindo contra minha barriga o pulsar furioso daquilo que, segundo ele mesmo, não era de usar muito. Peguei por cima da calça e apertei de leve, ele tremeu ao sentir a firmeza dos meus dedos.
Roberto me olhava fascinado, como quem olha pra algo que ainda não consegue acreditar que tá acontecendo. Mas tava acontecendo, e ele ia sentir quando eu me joguei no chão e, de cócoras, puxei o zíper da calça dele pra pelando um pedaço notável de pau que não parecia acusar falta de ação alguma, pelo contrário, se erguia imponente e majestoso, com a cabeça inchada de um jeito que dava uma tonalidade arroxeada, quase violácea. Segurei ele com uma mão e comecei a bater uma, sentindo o endurecimento prodigioso. Além de duro, queimava, já soltando um líquido persistente pelo furinho da ponta. Sem parar de punhetar, meti na boca e chupei com toda a vontade, freneticamente, enfiando e tirando uma e outra vez da boca, chupando, beijando, lambendo e até mordendo cada centímetro daquela porra de baluarte viril.
Pra ser um solitário, aquele homem tinha um pau que mais de uma já queria enterrado entre as pernas. Me excitava ver a cara de prazer dele, os suspiros que soltava e as exclamações, gostava de perceber que pela primeira vez em muito tempo sentia que podia ser atraente pra uma mulher, e não só isso, mas também satisfazer ela. Se era capaz de me saciar, dava conta de qualquer uma.
Já sem roupa, fiz ele se deitar de costas na cama e me joguei por cima, na altura das pernas dele, e assim, de quatro, com as tetas balançando e a raba bem levantada, pra ele se extasiar com todos os meus atributos voluptuosos, comecei a lamber. Comecei pelas bolas, até de baixo delas, subindo devagar, pra saborear tudo no caminho, sentindo elas quentes, em plena ebulição, me excitava ainda mais ao sentir o que tava se formando ali. Os suspiros exaltados que o Roberto soltava me incitavam também, subi então pelo tronco, nervudo e em chamas, poderosamente rígido, com uma coroa de carne que atraía toda a minha atenção irresistível. Tava todo melado por aquele fluido inesgotável que saía do furinho da ponta, então na minha subida até o topo ia saboreando a essência quente dele. Me impregnava os lábios e a língua com aquele suquinho que brotava tão fluido, sem parar, subindo e até dando voltas ao redor, beijando de um lado e do outro, sentindo como ele se estremecia, como se sacudia sob o influxo dos meus lábios, como pulsava, como reagia ao tratamento oral barulhento que eu estava oferecendo. Enquanto minha boca toda se mantinha deliciosamente ocupada, minhas mãos também não ficavam paradas, com uma eu segurava ele pelas bolas, e a outra estava bem enfiada entre minhas pernas, esfregando meu clitóris, Roberto estava no Paraíso, suas expressões eram as de um homem plenamente feliz, ele devia sentir que alguém lá em cima finalmente tinha se lembrado dele.
Quando cheguei na ponta, com a boca e o queixo todo molhado com os fluidos pré-seminais dele, engoli ele por completo, devorei ele, enfiei quase até a metade, sentindo minha garganta se encher com esse canhão, ao sentir que eu tava comendo a pica dele, Roberto soltou uma exclamação de alegria, e me olhou com os olhos arregalados.
- Mmmmmmm… mmmmmmm… mmmmmmmm…! - comecei a chupar ele, suculenta e fluidamente, fazendo muito barulho, até aquele barulhinho de tampinha que é tão excitante.
Ficava em êxtase com o sabor dele, com a textura, com o calor, com… tudo, enfiava e tirava da boca, chupando e rechupando, enchendo o céu da boca de carne, sentindo aquele pedaço enorme entalar na minha garganta. Adoro sentir ele ali, pulsando, batendo como se tivesse vida própria, engrossando entre minhas amígdalas, me dando aquela sensação de calor que é tão gratificante.
Tenho a buceta fumegando, precisa se acalmar, se saciar com essa mangueira de carne que já estava totalmente disposta a me satisfazer. Levantei, coloquei a camisinha de ocasião, montei em cima dele, posicionando minhas pernas de cada lado do corpo dele, e enfiando ele no lugar exato, fui descendo aos poucos, devagar, aproveitando a enfiada, saboreando com minha boceta gulosa cada pedaço. Quando comecei a me mexer, pra cima e pra baixo. Lá embaixo, os olhos do Roberto se cravaram nos meus peitos que faziam o mesmo movimento, descrevendo por si só uma apoteótica dança infernal. Em pleno transe amoroso, fechei os olhos e, mordendo o lábio inferior, montei nele com toda a minha ânsia, aproveitando cada enfiada, deslizando com a pussy por todo o comprimento e largura daquele supremo baluarte viril. Ainda não me dava conta do que era tão familiar naquele homem, mas me sentia tão bem, tão regozijada que não conseguia parar, subia e descia, com mais ímpeto a cada vez, balançando as boobs diante dos seus olhos vorazes. Seus gestos, suas expressões, tudo fazia parte do mesmo conjunto que me excitava sem controle algum. Fiquei um bom tempo montando nele, aproveitando essa delícia incitante de se sentir tão bem comida, como eu me sentia naquele momento. Depois de uma boa e relaxante montada, deitei de lado e, ficando de quatro, esperei por mais. Imediatamente ele se levantou, se colocou atrás de mim e, apontando com sobrada experiência, meteu de uma só enfiada.
— Ahhhhhhhhhhhhh…! — berrei ao sentir ela dentro, em toda sua generosa extensão.
Ele me agarrou então pela cintura e começou a bombar com tudo, me fazendo soltar faíscas a cada pancada, investia com tudo, metendo até o fundo, lacerando minha carne íntima com a própria carne dele, tão maciça e contundente, prodígio de dureza e vigor, exuberância viciante da natureza.
— Mais… mais… me dá mais…! — pedia com a voz rouca de tanto tesão — Mais… me dá tudo… tudo…! — exigia, me jogando sobre o corpo e levantando ainda mais a Booty pra ele montar nas minhas ancas e me partir ao meio.
Assim ele fez, montou e investiu com suprema eficácia, fazendo minhas nádegas vibrarem a cada enfiada. Eu gritava, ofegava e até chorava, mas precisava me sentir assim, precisava sentir que ele enchia minha pussy, me urgia sentir completamente empalada, precisava sentir que me queriam. Depois de um tempo, ele tira Ela se jogou de lado, exausta, o rosto vermelho pelo esforço que tinha acabado de fazer. Eu me deitei de costas e abri as pernas.
— Vem — falei pra ele.
Precisava dele, sentia falta da companhia dele. Ele veio até mim e se jogou por cima, enfiando com relativa facilidade, porque eu tava tão molhada que qualquer coisa que enfiassem deslizava sem problema até os confins mais profundos da minha buceta. Quando tava tudo dentro, enrolei as pernas em volta do corpo dele, abracei ele, beijei por um tempão enquanto sentia ele se mexer, e… comecei a chorar. Mesmo chorando e babando sem controle, ele continuava me beijando, tentando me consolar.
— O que que cê tem, gatinha, por que tá chorando… será que é porque…? — ele perguntou, tentando tirar de dentro, achando talvez que eu chorava por me sentir culpada ou arrependida de estar ali.
— Não… não… não tira, por favor — falei, abraçando ele com toda força, com braços e pernas, segurando ele dentro de mim — Não é isso, é… uma coisa que tá rolando comigo — completei e não falei mais nada, me movendo agora com ele, contínua e gostosamente, me deixando levar por um orgasmo destruidor que me jogou por um bom tempo num torpor absoluto e sem igual, como se eu tivesse de novo no ventre da minha mãe, mergulhada na placenta, me sentindo tão quente e confortável. Não queria que aquele momento acabasse, queria me sentir assim pra sempre, mas aos poucos meu corpo foi voltando ao normal e quando abri os olhos, vi ele… meu tio.
— Que foda! — ele exclamou com um sorriso largo que era pura satisfação.
Sorri pra ele, abracei e beijei apaixonadamente, mas não… não era meu tio, era o Roberto, o solitário de sempre que me pegou no bar. Aí percebi porque ele me era tão familiar e porque eu me sentia tão bem com ele. Era igual ao meu tio, beijei ele ainda mais intensamente então, me dissolvendo com ele numa delícia absoluta, eterna.
Nenhum dos dois tinha pressa de voltar pra esse mundo canibal que nos esperava lá fora, então ficamos mais um tempinho. Naquele santuário íntimo que a gente montou só pra nós dois. E a gente fez de novo, ainda mais intenso, e dessa vez eu entreguei a rabeta, pedi pra ele meter e ele meteu com gosto, me dando um orgasmo anal completamente sem igual. Infelizmente, depois disso chegava o fim daquele encontro, a gente tomou banho, se vestiu e saiu junto da casa dele, agora mais viva e alegre do que antes. De braço dado, fomos pro bar onde a gente tinha se encontrado, porque o Roberto queria esfregar na cara do garçom e do cara atrás do balcão o triunfo absoluto dele naquele dia. A gente parou na porta, e antes de se despedir, a gente se beijou, e cada um seguiu seu caminho.
— Tchau, princesa — ele disse de longe, com um tom de galã romântico.
Eu sorri.
— Tchau, meu Rei — sussurrei, mas com o movimento dos meus lábios ele entendeu perfeitamente.
Eu era grata àquele homem por me dar tanto conforto numa situação tão difícil, mesmo sem saber o que estava rolando comigo, ele soube me acolher e me guiar pra um refúgio quentinho e aconchegante, de onde eu só saí quando me senti pronta pra encarar meus próprios demônios.
Quando voltei pra clínica, minha tia ainda estava lá. Usei de desculpa que tinha ido em casa tomar um banho, pra justificar que voltei com o cabelo ainda molhado.
Minha tia parecia desolada.
— Tão levando seu tio — ela disse.
E de fato, cheguei bem na hora de ver eles levando ele de maca pro centro cirúrgico pra fazer aquela operação que os médicos não davam muita esperança. De novo, comecei a chorar, mas dessa vez não tinha ninguém pra me consolar do jeito certo...
— Posso sentar? — perguntou.
Antes que eu pudesse responder, o garçom disse pra ele não me incomodar, falou de um jeito grosso, então imaginei que fosse alguém que já tinha história no lugar, e que por algum motivo tavam falando aquilo, mas não gostei do jeito que ele falou, então resolvi ignorar o aviso.
— Não, tudo bem, pode sentar — concordei.
Precisava me distrair. O garçom e o cara atrás do balcão ficaram me olhando surpresos, sem conseguir Acreditar que eu teria aceitado a intromissão daquele sujeito. Eu olhava pra ele e ainda não me dava conta do que era que me parecia tão familiar.
— A gente se conhece? — ele me perguntou, intrigado, talvez também pela forma como eu o olhava e pela facilidade com que tinha aceitado a companhia dele.
— Acho que não — respondi, pegando a xícara que o garçom me trazia.
— Então? — indagou, sem saber como continuar a conversa.
Deixei fácil pra ele.
— A gente pode se conhecer agora — falei, dando um gole no meu café.
— Parece bom, me chamo Roberto — ele se apresentou, estendendo a mão.
— Mariela — me apresentei, apertando a mão dele.
Por um momento, nossos olhares ficaram presos um no outro, até que não deu pra evitar rir. Era um cara de uns 45 anos, mais ou menos, cabelo grisalho, rugas no rosto que mostravam experiências profundas. Não dava pra dizer que era feio, mas tinha nele uma certa atitude que denunciava que não era de ter sorte com as mulheres, por isso ele ainda se surpreendia que eu tivesse aceitado a companhia dele de boa e, mais ainda, que não fugisse da conversa. Eu tentava lembrar de onde o conhecia, mas não conseguia.
— E me diz, Roberto, você é casado? — perguntei então, como pra ajudar ele a puxar um assunto.
— Não, sou o que se chama de solteiro convicto — respondeu.
Jeito bonito de dizer que as mulheres não dão bola pra ele, pensei.
— E você? — ele me perguntou também.
— Casada e muito feliz — falei, mostrando minha aliança de casamento brilhando.
— Eh… — ele ficou surpreso, sem saber o que dizer.
— Não se preocupa, ser casada não significa que não possa conhecer amigos novos, sou esposa, não escrava — falei.
— Olha só, parece que você é bem resolvida — ele disse, pedindo ao garçom mais uma dose do que estava bebendo.
— Muito resolvida — garanti — Antes de tudo, sou mulher.
— E uma mulher muito gostosa — afirmou.
Eu sorri. Continuamos conversando por um bom tempo, ele me contou parte da vida dele, como uma vez tinha juntado os panos com uma mulher, mas que amava deixou ele pelo melhor amigo, e mesmo já tendo passado alguns anos, ele ainda não conseguia esquecer ela. Que se ela voltasse e pedisse perdão, ele perdoaria. Senti pena daquele homem, senti pena do coração ferido dele, e é por isso mesmo que acho que o amor é uma verdadeira sacanagem. Enquanto ele continuava listando suas desilusões amorosas, que não eram poucas, olhei a hora no meu relógio de pulso, como se estivesse ficando tarde para alguma coisa.
— Desculpa, acho que devo estar te entediando — disse ele, já pronto para cair fora.
— Não, de jeito nenhum, só estava me perguntando quando você ia me convidar pra tomar alguma coisa na sua casa — falei, olhando bem nos olhos dele, decidida a fazer aquele homem desiludido feliz, pelo menos por um dia.
Ele me olhou nos olhos, sério, com a testa franzida, como se perguntando se eu não estava brincando.
— Imagino que você deve vir todo dia nesse lugar, tomar sua bebida, sempre sozinho, aguentando os olhares do garçom e do cara do balcão. Imagina o que eles iam dizer se a gente saísse daqui de braço dado? — falei, plantando na cabeça dele a imagem de algo que, segundo ele, sempre acontecia com os outros.
— Iam morrer — ele falou, com os olhos brilhando.
— Então… você paga meu café? — perguntei.
Ele chamou o garçom.
— Por favor, a conta, o da moça também — disse.
— Senhora — corrigi.
— Ah, sim, desculpa, o da senhora.
Pagou o que a gente consumiu, levantamos, eu me agarrei no braço dele e, rindo, saímos do bar, deixando o garçom e o cara do balcão de boca aberta.
— Eles devem estar morrendo — ele garantiu, já lá fora, com aquela voz carregada de cachaça e vivência.
— Mereciam, não gostei do jeito que aquele cara falou com você — falei.
— É, eles dizem que eu espanto as clientes — ele tentou se justificar.
— Eu não me espantei — fiz questão de notar.
— Ainda não, mas me diz, é verdade isso de ir tomar alguma coisa ou foi só pra eu pagar o café? — ele quis saber.
— Com isso não se brinca — garanti.
— Te falo porque moro aqui na esquina, ainda dá tempo de você Me assustar — ele me avisou com um traço de tristeza no olhar, como se esperasse que eu fosse mais uma filha da puta igual àquela mulher que o abandonou.
Eu olhava pra ele e ainda não conseguia entender por que ele me parecia tão familiar.
Pra convencê-lo de que eu tava falando sério, não me veio outra ideia senão beijá-lo, encharcando meus lábios e o paladar com o gosto forte do álcool que eu tinha acabado de tomar. A gente se olhou de novo daquele jeito intenso e sugestivo, tinha algo nos olhos dele que me acalmava, porque, mesmo sendo um completo estranho, eu sentia como se o conhecesse a vida inteira. A gente se deu as mãos e foi pra casa dele.
— A última vez que trouxe uma gostosa pra casa, acho que foi quando o Alfonsín ganhou as eleições — ele riu.
Ele abriu a porta da frente, uma de metal com a tinta descascada, e a gente entrou num corredor comprido e estreito, com as paredes caindo aos pedaços. O silêncio do lugar era quase de túmulo, não se ouvia nada, só o trânsito da rua. Juntos, a gente foi até a última porta à esquerda, era ali que ele morava. Entramos e ele acendeu a luz. Se o lado de fora era lúgubre e sombrio, o de dentro era ainda pior. O refúgio evidente de um homem acabado, de alguém decepcionado com a vida. Quase não tinha cor naquele ambiente, tudo era cinza e murcho, como se fosse um lugar de passagem e não um lar.
Deixei a bolsa em cima de uma das duas únicas cadeiras que tinha e me aproximei dele de um jeito sugestivo, me mexendo com gestos de gata. Abracei ele e beijei de novo, dessa vez muito mais ávida e gostosa, me apertando contra o corpo dele, sentindo contra minha barriga o pulsar furioso daquilo que, segundo ele mesmo, não era de usar muito. Peguei por cima da calça e apertei de leve, ele tremeu ao sentir a firmeza dos meus dedos.
Roberto me olhava fascinado, como quem olha pra algo que ainda não consegue acreditar que tá acontecendo. Mas tava acontecendo, e ele ia sentir quando eu me joguei no chão e, de cócoras, puxei o zíper da calça dele pra pelando um pedaço notável de pau que não parecia acusar falta de ação alguma, pelo contrário, se erguia imponente e majestoso, com a cabeça inchada de um jeito que dava uma tonalidade arroxeada, quase violácea. Segurei ele com uma mão e comecei a bater uma, sentindo o endurecimento prodigioso. Além de duro, queimava, já soltando um líquido persistente pelo furinho da ponta. Sem parar de punhetar, meti na boca e chupei com toda a vontade, freneticamente, enfiando e tirando uma e outra vez da boca, chupando, beijando, lambendo e até mordendo cada centímetro daquela porra de baluarte viril.
Pra ser um solitário, aquele homem tinha um pau que mais de uma já queria enterrado entre as pernas. Me excitava ver a cara de prazer dele, os suspiros que soltava e as exclamações, gostava de perceber que pela primeira vez em muito tempo sentia que podia ser atraente pra uma mulher, e não só isso, mas também satisfazer ela. Se era capaz de me saciar, dava conta de qualquer uma.
Já sem roupa, fiz ele se deitar de costas na cama e me joguei por cima, na altura das pernas dele, e assim, de quatro, com as tetas balançando e a raba bem levantada, pra ele se extasiar com todos os meus atributos voluptuosos, comecei a lamber. Comecei pelas bolas, até de baixo delas, subindo devagar, pra saborear tudo no caminho, sentindo elas quentes, em plena ebulição, me excitava ainda mais ao sentir o que tava se formando ali. Os suspiros exaltados que o Roberto soltava me incitavam também, subi então pelo tronco, nervudo e em chamas, poderosamente rígido, com uma coroa de carne que atraía toda a minha atenção irresistível. Tava todo melado por aquele fluido inesgotável que saía do furinho da ponta, então na minha subida até o topo ia saboreando a essência quente dele. Me impregnava os lábios e a língua com aquele suquinho que brotava tão fluido, sem parar, subindo e até dando voltas ao redor, beijando de um lado e do outro, sentindo como ele se estremecia, como se sacudia sob o influxo dos meus lábios, como pulsava, como reagia ao tratamento oral barulhento que eu estava oferecendo. Enquanto minha boca toda se mantinha deliciosamente ocupada, minhas mãos também não ficavam paradas, com uma eu segurava ele pelas bolas, e a outra estava bem enfiada entre minhas pernas, esfregando meu clitóris, Roberto estava no Paraíso, suas expressões eram as de um homem plenamente feliz, ele devia sentir que alguém lá em cima finalmente tinha se lembrado dele.
Quando cheguei na ponta, com a boca e o queixo todo molhado com os fluidos pré-seminais dele, engoli ele por completo, devorei ele, enfiei quase até a metade, sentindo minha garganta se encher com esse canhão, ao sentir que eu tava comendo a pica dele, Roberto soltou uma exclamação de alegria, e me olhou com os olhos arregalados.
- Mmmmmmm… mmmmmmm… mmmmmmmm…! - comecei a chupar ele, suculenta e fluidamente, fazendo muito barulho, até aquele barulhinho de tampinha que é tão excitante.
Ficava em êxtase com o sabor dele, com a textura, com o calor, com… tudo, enfiava e tirava da boca, chupando e rechupando, enchendo o céu da boca de carne, sentindo aquele pedaço enorme entalar na minha garganta. Adoro sentir ele ali, pulsando, batendo como se tivesse vida própria, engrossando entre minhas amígdalas, me dando aquela sensação de calor que é tão gratificante.
Tenho a buceta fumegando, precisa se acalmar, se saciar com essa mangueira de carne que já estava totalmente disposta a me satisfazer. Levantei, coloquei a camisinha de ocasião, montei em cima dele, posicionando minhas pernas de cada lado do corpo dele, e enfiando ele no lugar exato, fui descendo aos poucos, devagar, aproveitando a enfiada, saboreando com minha boceta gulosa cada pedaço. Quando comecei a me mexer, pra cima e pra baixo. Lá embaixo, os olhos do Roberto se cravaram nos meus peitos que faziam o mesmo movimento, descrevendo por si só uma apoteótica dança infernal. Em pleno transe amoroso, fechei os olhos e, mordendo o lábio inferior, montei nele com toda a minha ânsia, aproveitando cada enfiada, deslizando com a pussy por todo o comprimento e largura daquele supremo baluarte viril. Ainda não me dava conta do que era tão familiar naquele homem, mas me sentia tão bem, tão regozijada que não conseguia parar, subia e descia, com mais ímpeto a cada vez, balançando as boobs diante dos seus olhos vorazes. Seus gestos, suas expressões, tudo fazia parte do mesmo conjunto que me excitava sem controle algum. Fiquei um bom tempo montando nele, aproveitando essa delícia incitante de se sentir tão bem comida, como eu me sentia naquele momento. Depois de uma boa e relaxante montada, deitei de lado e, ficando de quatro, esperei por mais. Imediatamente ele se levantou, se colocou atrás de mim e, apontando com sobrada experiência, meteu de uma só enfiada.
— Ahhhhhhhhhhhhh…! — berrei ao sentir ela dentro, em toda sua generosa extensão.
Ele me agarrou então pela cintura e começou a bombar com tudo, me fazendo soltar faíscas a cada pancada, investia com tudo, metendo até o fundo, lacerando minha carne íntima com a própria carne dele, tão maciça e contundente, prodígio de dureza e vigor, exuberância viciante da natureza.
— Mais… mais… me dá mais…! — pedia com a voz rouca de tanto tesão — Mais… me dá tudo… tudo…! — exigia, me jogando sobre o corpo e levantando ainda mais a Booty pra ele montar nas minhas ancas e me partir ao meio.
Assim ele fez, montou e investiu com suprema eficácia, fazendo minhas nádegas vibrarem a cada enfiada. Eu gritava, ofegava e até chorava, mas precisava me sentir assim, precisava sentir que ele enchia minha pussy, me urgia sentir completamente empalada, precisava sentir que me queriam. Depois de um tempo, ele tira Ela se jogou de lado, exausta, o rosto vermelho pelo esforço que tinha acabado de fazer. Eu me deitei de costas e abri as pernas.
— Vem — falei pra ele.
Precisava dele, sentia falta da companhia dele. Ele veio até mim e se jogou por cima, enfiando com relativa facilidade, porque eu tava tão molhada que qualquer coisa que enfiassem deslizava sem problema até os confins mais profundos da minha buceta. Quando tava tudo dentro, enrolei as pernas em volta do corpo dele, abracei ele, beijei por um tempão enquanto sentia ele se mexer, e… comecei a chorar. Mesmo chorando e babando sem controle, ele continuava me beijando, tentando me consolar.
— O que que cê tem, gatinha, por que tá chorando… será que é porque…? — ele perguntou, tentando tirar de dentro, achando talvez que eu chorava por me sentir culpada ou arrependida de estar ali.
— Não… não… não tira, por favor — falei, abraçando ele com toda força, com braços e pernas, segurando ele dentro de mim — Não é isso, é… uma coisa que tá rolando comigo — completei e não falei mais nada, me movendo agora com ele, contínua e gostosamente, me deixando levar por um orgasmo destruidor que me jogou por um bom tempo num torpor absoluto e sem igual, como se eu tivesse de novo no ventre da minha mãe, mergulhada na placenta, me sentindo tão quente e confortável. Não queria que aquele momento acabasse, queria me sentir assim pra sempre, mas aos poucos meu corpo foi voltando ao normal e quando abri os olhos, vi ele… meu tio.
— Que foda! — ele exclamou com um sorriso largo que era pura satisfação.
Sorri pra ele, abracei e beijei apaixonadamente, mas não… não era meu tio, era o Roberto, o solitário de sempre que me pegou no bar. Aí percebi porque ele me era tão familiar e porque eu me sentia tão bem com ele. Era igual ao meu tio, beijei ele ainda mais intensamente então, me dissolvendo com ele numa delícia absoluta, eterna.
Nenhum dos dois tinha pressa de voltar pra esse mundo canibal que nos esperava lá fora, então ficamos mais um tempinho. Naquele santuário íntimo que a gente montou só pra nós dois. E a gente fez de novo, ainda mais intenso, e dessa vez eu entreguei a rabeta, pedi pra ele meter e ele meteu com gosto, me dando um orgasmo anal completamente sem igual. Infelizmente, depois disso chegava o fim daquele encontro, a gente tomou banho, se vestiu e saiu junto da casa dele, agora mais viva e alegre do que antes. De braço dado, fomos pro bar onde a gente tinha se encontrado, porque o Roberto queria esfregar na cara do garçom e do cara atrás do balcão o triunfo absoluto dele naquele dia. A gente parou na porta, e antes de se despedir, a gente se beijou, e cada um seguiu seu caminho.
— Tchau, princesa — ele disse de longe, com um tom de galã romântico.
Eu sorri.
— Tchau, meu Rei — sussurrei, mas com o movimento dos meus lábios ele entendeu perfeitamente.
Eu era grata àquele homem por me dar tanto conforto numa situação tão difícil, mesmo sem saber o que estava rolando comigo, ele soube me acolher e me guiar pra um refúgio quentinho e aconchegante, de onde eu só saí quando me senti pronta pra encarar meus próprios demônios.
Quando voltei pra clínica, minha tia ainda estava lá. Usei de desculpa que tinha ido em casa tomar um banho, pra justificar que voltei com o cabelo ainda molhado.
Minha tia parecia desolada.
— Tão levando seu tio — ela disse.
E de fato, cheguei bem na hora de ver eles levando ele de maca pro centro cirúrgico pra fazer aquela operação que os médicos não davam muita esperança. De novo, comecei a chorar, mas dessa vez não tinha ninguém pra me consolar do jeito certo...
8 comentários - El eterno solitario
¡Impresionante Marita! Nunca pensé que me calentaría tanto con un relato, es perfecto, sublime 🙌
Además me mataste cuando lloraste, no hay nada que me enternezca más que una mina que llora cuando estamos cogiendo.
Ufff. No sé qué decirte. Me dejaste asi 😳
Besotes
gracias por este aporte estupendo
😉 😉 😉 😉 😉 😉 😉 😉 😉
este relato los merece
😉 😉 😉 😉 😉