Acordei com os olhos mais cansados que o normal. Eram 7 da manhã e eu mal tinha dormido umas duas horas. Deixei a Sofia na cama, já que ela estava de férias, e fui pro banheiro com a intenção de tomar um banho revigorante. Quando já estava pelado e com a água morna acariciando meu corpo, vieram na minha cabeça as imagens do Javi na água, ele esfregando na minha bunda, e as palavras dele no meu ouvido… que porra de buceta tava me dando?… se ele é só um pirralho. Enquanto lembrava dos acontecimentos da noite anterior, minha própria pica foi crescendo, então decidi me tocar um pouco antes de terminar o banho, certo de que uma boa punheta ia afastar as besteiras que passavam pela minha cabeça naquele momento.
Já mais relaxado, depois da punheta e de me barbear, fui pro closet me preparar pra um dia que eu não sabia bem onde ia terminar, porque minha mãe tinha me ligado antes do jogo dizendo pra eu caprichar na roupa pra quinta-feira. Escolhi um terno italiano preto, uma camisa branca, sapatos pretos foscos e uma gravata preta lisa e estreita. Assim nunca errava. Me penteie e fui até o quarto dar um beijo na Sofia antes de sair, como sempre fazia. O que nem sempre acontecia era aquela sensação de culpa, como se eu tivesse traído ela por não ter conseguido reprimir os instintos que me levaram a bater uma punheta daquelas em nome de um moleque… de um moleque!. Que porra de buceta tava me dando?.
Demorei um pouco menos do que o normal pra chegar no prédio onde fica a sede da empresa, na bem madrilenha rua Velázquez, bem no bairro de Salamanca. Estacionei na minha vaga dentro do prédio e entrei no elevador olhando no espelho, ajeitando a gravata de novo. Não sabia se minha mãe já tinha chegado, porque ela costumava chegar umas 9 da manhã, e eram só 8:30. Saí do elevador e fui direto pro meu escritório, do lado do do meu avô, que já não vinha mais tão cedo. Como antes, apesar de morar no último andar do mesmo prédio. Estranhei que o Raúl, meu secretário, não estivesse na mesa dele, mas imaginei que fosse por causa do jogo da noite anterior... por que eu não tinha ficado mais um tempinho dormindo?. Dos muitos funcionários que deveriam estar nos escritórios naquela hora, só tinha quatro mulheres e um homem, e ainda estavam tomando um café na sala de lanche, então fui pra lá.
* Bom dia, seu Daniel. – disse a Manuela, como cumprimento.
* Oi, dona Manolita, estamos com sorte? – continuei com nossa brincadeirinha matinal.
* Uns mais que outros. – ela sorriu e piscou um olho. Mesmo tendo seus cinquenta e tantos, ainda mantinha uma alegria natural que me contagiava por um bom pedaço da manhã.
* Tá falando por causa dos de ontem, né? Jogaram bem, mas faltou uns golzinhos a mais pra deixar a gente mais tranquilo. – entrar numa conversa de futebol com o pessoal não me faria mal pra me distrair um pouco antes de entrar na minha sala.
* Bom, agora a Holanda... – disse o Paul, o único homem que estava no lanche, e que desde que a Inglaterra dele foi eliminada da Copa, mostrava um certo desinteresse por futebol.
* Isso, a gente vê no domingo. – encerrei o assunto – Sabem de alguém? Era pra começar às 8 no verão, e já são quase 8:35...
* Ah, por um dia que o pessoal não chega na hora, também não vai ficar se remoendo. – interferiu a Teresa, a secretária do meu avô, que era quase tão velha quanto ele, e não se aposentava porque não queria, como ela mesma dizia.
* Tá, você tem razão, não tem problema... desde que minha mãe não chegue, que vocês já sabem como ela fica com os atrasos. – respondi, fazendo todo mundo olhar pro relógio pra ver que ainda não eram 9.
* Ah, Dani, depois sobe na casa dos seus avós, que sua avó me disse ontem que tinha que te dar uma coisa pra Sofia. – falou a Teresa quando eu já tava saindo do lanche. Entendido, chef. Vou dar uma olhada pra ver se faço algo antes da minha mãe chegar…
Verifiquei o e-mail e vi que tinha suspeitamente poucos compromissos na agenda daquela quinta-feira… embora tivesse que esperar o Raul chegar pra confirmar. Enquanto isso, peguei uns relatórios de situação e me sentei no sofá pra ler.
Quando deu 10 horas, a porta do meu escritório se abriu de repente, e uns gritos familiares ecoaram, me pegando deitado no sofá.
* No meu escritório, agora! – e, do mesmo jeito que veio, foi embora.
Minha mãe nunca teve muito tato pra me acordar, e não parecia se importar em mudar isso. Levantei na hora, lavei o rosto no banheiro do meu escritório e fui pro dela o mais rápido que pude.
* O que foi? – perguntei, intrigado com a brusquidão com que ela me acordou.
* Acontece que o Raul teve que ir pra cidade dos pais dele. A mãe dele tá muito doente e pode ser que não escape dessa.
* Porra, que merda… – me surpreendi com minha própria resposta, já que minha mãe não tolerava palavrão de jeito nenhum.
* Falei pra ele não se preocupar, pra ficarem o mais tranquilos possível, e que quando voltar das férias dele, ele se reapresenta.
* Mas isso é em setembro… e eu, o que faço? – falei antes que meu cérebro processasse a burrice que tinha acabado de soltar.
* Ué, o que você vai fazer? Se virar. – sentenciou minha mãe, de forma categórica.
Raul pra mim era como um braço. Eu sou muito distraído e não levo muito jeito pra manter uma ordem lógica no trabalho. Preciso que meu grilo falante vá me guiando de um lado pro outro. E sem ele, tava perdido, pelo menos nas próximas 8 semanas até ele voltar.
* Aliás, ontem vimos o jogo com o Bauti e a Liz, e ela me disse que o Miguel foi mandado embora da McKinf, por que você não me contou? – me recriminou minha mãe.
* Opa… me passou.
* Por que você não chama ele pra te dar uma força? mano... ele é muito mais organizado que você.
* Não acho que quero trabalhar na vaga do Raúl.
* Não tava te falando isso. Tô te falando pra trabalhar comigo, não pra mim. – minha mãe esclareceu, sabendo onde eu queria chegar.
* Então tô quase na mesma…
* Filho… olha… Miguel vem pra assessoria jurídica de apoio neste verão, tá? – essa era minha mãe, começando a dar ordens quando não conseguia que eu seguisse até onde ela queria.
* Tá. – não tive escolha a não ser aceitar, mesmo não achando uma boa ideia.
* E meu Javi vem te dar uma mão no mesmo horário que o irmão dele, entendeu? – claramente isso não foi nada espontâneo, e provavelmente ontem quando eles estiveram. Javi era o queridinho de todo o grupo de amigas, já que era o mais novo. Na real, eu, que era o segundo mais novo entre os filhos de todas as amigas, tinha quase 9 anos a mais que ele.
* Mãe, o Javi não pode trabalhar… – saiu de repente, sem pensar de novo. Não queria complicar mais as coisas.
* Por quê?
* Porque ele é menor de idade. – definitivamente não me sentiria confortável com o Javi do meu lado o tempo todo. Ele me perturbava desde ontem…
* Ele tem quase 16 e já decidimos. Meio-dia eles vêm.
* Facto consumado…
* Sim. – minha mãe e eu tínhamos uma linguagem própria, e eu sabia que não adiantava tentar fazê-la mudar de ideia.
* Aliás… pra que você me fez vestir assim? – falei apontando pra minha roupa, já que no verão eu não costumava usar terno.
* Ah, sim! Você vai almoçar com o Duque no Ritz, e tem que convencê-lo a deixar a gente completar a compra da DP. – ela disse como se fosse nada.
* Mãe… esse Duque que você chama, é o Secretário de Estado de Política Externa de Portugal, e já nos mandou um ofício negando a permissão de compra.
* E daí? – ela me olhou com cara de chefa – você vai… e vai convencê-lo.
Chegou meio-dia, e com eles Miguel e Javi. O primeiro veio meio surpreso e sem graça. enquanto o segundo vinha com um sorriso largo. Minha mãe saiu pra recebê-los e acompanhou o Miguel até a nova mesa dele, no departamento jurídico, e depois que o instalou, levou o Javi até a mesa do Raúl. Lá, ela mesma (algo que nunca tinha feito), explicou umas quatro coisas básicas do que ele tinha que fazer. Entre essas tarefas, ficar de olho nas minhas ligações, correspondência física e eletrônica, e controlar se ele cumpria a agenda que iam montar pra mim diretamente do RH, de forma provisória.
Eu e o Miguel saímos pra fumar um cigarro na varanda do meu escritório, e concordamos que tinha sido um arranjo de verão entre as nossas mães. Fingi empolgação por ter ele por perto todo dia e acompanhei ele de volta pro setor jurídico, deixando ele nas mãos da chefe do departamento pra ir instruindo ele. O Miguel era um bom funcionário, pelo que algumas pessoas da empresa antiga dele tinham me dito, mas não controlava muito bem o tom com o resto dos funcionários, e em muitos casos podia ser irritante. Pra gente, os amigos, parecia que ele tinha sido mandado embora por uma briga com o chefe, mas ele nunca confirmou isso. Eu não sabia se queria que ele me visse como chefe, e por isso tinha medo que esse trabalho pudesse afetar nossa amizade. Na real, quando soube que ele tinha sido demitido, pensei se devia chamar ele ou não, mas depois de pensar bem, decidi que era melhor não, que trabalho não ia faltar pra ele depois do verão, e que era muito arriscado. Mas minha mãe fez os cálculos dela, e fez o que deu na telha.
Às 13h subi na casa dos meus avós pra pegar aquilo que a Teresa tinha me avisado. Acontece que minha avó ficava entediada na cidade no verão, e queria que alguém fosse com ela pra praia na segunda quinzena de julho, e tinha pensado que a Sofia podia adiantar as férias e ir com ela duas semanas antes pra praia na ilha. Pra garantir que o plano dela desse certo, tinha Escrevi uma carta pra Sofia dizendo que provavelmente seriam as últimas férias dela nas ilhas gregas, e que não tinha mais ninguém da família pra acompanhar ela.
— Mas vó, cê vai me deixar sozinho… — falei rindo — cê é uma sedutora.
— Ai, filho, se eu morrer antes de a gente comer as uvas, já vai ver. — ela falava com aquela voz de quem queria conseguir o que tava planejando.
— Mas…
— Nem mas nem nada, não vai dar pra ir em agosto na primeira quinzena com os pais dela pros Estados Unidos sem você, então que venha antes comigo pras ilhas e pronto. — essa era a minha avó. Mandava e desmandava, porque era a mãe da minha mãe.
— Eu entrego a carta, mas quem decide é ela.
— A gente vai ver.
Quando desci de novo pro escritório, o Javi me interceptou na porta e falou que eu tinha que ir almoçar no Ritz com o Dom João Do Uqueira. Antes de me estender o paletó do terno, ele disse:
— Você me deve uma de ontem, só pra você saber.
— Tô atrasado… amanhã a gente se vê. — fingi que não ouvi o lembrete sobre o jogo de ontem.
— Beleza, a gente se vê, hehehe. Boa sorte com o Duqueira, sua mãe já me disse que ele é um osso duro de roer. — só me faltava essa, minha mãe contando todos os detalhes pro Javi.
Cheguei em casa umas 8 da noite, morto de cansaço por causa do cerco que fiz pro Duque, mas no fim deu certo, porque consegui a autorização verbal. A Sofia tava na piscina sozinha quando entreguei a carta da minha avó. Pra minha surpresa, ela só sorriu e me olhou como se pedisse permissão.
— Cê quer que eu vá? — ela perguntou com um sorriso provocado pela carta enganosa da minha avó.
— Faz o que achar melhor, mas na outra quinzena vocês vão pros Estados Unidos.
— Mas se pra você tanto faz, olha o horário que você chega, e não tira férias até a segunda de agosto… vou falar com sua avó. — disse pegando o celular.
Quando desligou, veio até mim e me deu um beijo na boca. Ela me disse que tinham decidido ir minha avó, Sofia, e minha mãe passar a semana seguinte em Corfu, e os últimos dias do mês num cruzeiro que minha mãe tinha visto. Meu avô e meu pai iriam no cruzeiro também, então a Sofia teria que arrumar alguém pra acompanhar ela, já que eu tinha uma viagem marcada pro Brasil nesses dias e não podia mudar. Ficamos um tempão pensando em quem podia ir com ela, e no fim ela decidiu que ia falar com a Paula, a melhor amiga dela, e mulher do Darío, que também não podia sair de férias.
Depois de mais duas ligações, percebi que ia ficar o mês inteiro de julho, a partir da segunda-feira depois da final da Copa, e metade de agosto, sozinho em Madri.
Comentem ou me dêem uns pontinhos pra postar a parte 3.
Se gostaram, recomendem pros amigos; se não gostaram, recomendem pro pior inimigo de vocês.
Já mais relaxado, depois da punheta e de me barbear, fui pro closet me preparar pra um dia que eu não sabia bem onde ia terminar, porque minha mãe tinha me ligado antes do jogo dizendo pra eu caprichar na roupa pra quinta-feira. Escolhi um terno italiano preto, uma camisa branca, sapatos pretos foscos e uma gravata preta lisa e estreita. Assim nunca errava. Me penteie e fui até o quarto dar um beijo na Sofia antes de sair, como sempre fazia. O que nem sempre acontecia era aquela sensação de culpa, como se eu tivesse traído ela por não ter conseguido reprimir os instintos que me levaram a bater uma punheta daquelas em nome de um moleque… de um moleque!. Que porra de buceta tava me dando?.
Demorei um pouco menos do que o normal pra chegar no prédio onde fica a sede da empresa, na bem madrilenha rua Velázquez, bem no bairro de Salamanca. Estacionei na minha vaga dentro do prédio e entrei no elevador olhando no espelho, ajeitando a gravata de novo. Não sabia se minha mãe já tinha chegado, porque ela costumava chegar umas 9 da manhã, e eram só 8:30. Saí do elevador e fui direto pro meu escritório, do lado do do meu avô, que já não vinha mais tão cedo. Como antes, apesar de morar no último andar do mesmo prédio. Estranhei que o Raúl, meu secretário, não estivesse na mesa dele, mas imaginei que fosse por causa do jogo da noite anterior... por que eu não tinha ficado mais um tempinho dormindo?. Dos muitos funcionários que deveriam estar nos escritórios naquela hora, só tinha quatro mulheres e um homem, e ainda estavam tomando um café na sala de lanche, então fui pra lá.
* Bom dia, seu Daniel. – disse a Manuela, como cumprimento.
* Oi, dona Manolita, estamos com sorte? – continuei com nossa brincadeirinha matinal.
* Uns mais que outros. – ela sorriu e piscou um olho. Mesmo tendo seus cinquenta e tantos, ainda mantinha uma alegria natural que me contagiava por um bom pedaço da manhã.
* Tá falando por causa dos de ontem, né? Jogaram bem, mas faltou uns golzinhos a mais pra deixar a gente mais tranquilo. – entrar numa conversa de futebol com o pessoal não me faria mal pra me distrair um pouco antes de entrar na minha sala.
* Bom, agora a Holanda... – disse o Paul, o único homem que estava no lanche, e que desde que a Inglaterra dele foi eliminada da Copa, mostrava um certo desinteresse por futebol.
* Isso, a gente vê no domingo. – encerrei o assunto – Sabem de alguém? Era pra começar às 8 no verão, e já são quase 8:35...
* Ah, por um dia que o pessoal não chega na hora, também não vai ficar se remoendo. – interferiu a Teresa, a secretária do meu avô, que era quase tão velha quanto ele, e não se aposentava porque não queria, como ela mesma dizia.
* Tá, você tem razão, não tem problema... desde que minha mãe não chegue, que vocês já sabem como ela fica com os atrasos. – respondi, fazendo todo mundo olhar pro relógio pra ver que ainda não eram 9.
* Ah, Dani, depois sobe na casa dos seus avós, que sua avó me disse ontem que tinha que te dar uma coisa pra Sofia. – falou a Teresa quando eu já tava saindo do lanche. Entendido, chef. Vou dar uma olhada pra ver se faço algo antes da minha mãe chegar…
Verifiquei o e-mail e vi que tinha suspeitamente poucos compromissos na agenda daquela quinta-feira… embora tivesse que esperar o Raul chegar pra confirmar. Enquanto isso, peguei uns relatórios de situação e me sentei no sofá pra ler.
Quando deu 10 horas, a porta do meu escritório se abriu de repente, e uns gritos familiares ecoaram, me pegando deitado no sofá.
* No meu escritório, agora! – e, do mesmo jeito que veio, foi embora.
Minha mãe nunca teve muito tato pra me acordar, e não parecia se importar em mudar isso. Levantei na hora, lavei o rosto no banheiro do meu escritório e fui pro dela o mais rápido que pude.
* O que foi? – perguntei, intrigado com a brusquidão com que ela me acordou.
* Acontece que o Raul teve que ir pra cidade dos pais dele. A mãe dele tá muito doente e pode ser que não escape dessa.
* Porra, que merda… – me surpreendi com minha própria resposta, já que minha mãe não tolerava palavrão de jeito nenhum.
* Falei pra ele não se preocupar, pra ficarem o mais tranquilos possível, e que quando voltar das férias dele, ele se reapresenta.
* Mas isso é em setembro… e eu, o que faço? – falei antes que meu cérebro processasse a burrice que tinha acabado de soltar.
* Ué, o que você vai fazer? Se virar. – sentenciou minha mãe, de forma categórica.
Raul pra mim era como um braço. Eu sou muito distraído e não levo muito jeito pra manter uma ordem lógica no trabalho. Preciso que meu grilo falante vá me guiando de um lado pro outro. E sem ele, tava perdido, pelo menos nas próximas 8 semanas até ele voltar.
* Aliás, ontem vimos o jogo com o Bauti e a Liz, e ela me disse que o Miguel foi mandado embora da McKinf, por que você não me contou? – me recriminou minha mãe.
* Opa… me passou.
* Por que você não chama ele pra te dar uma força? mano... ele é muito mais organizado que você.
* Não acho que quero trabalhar na vaga do Raúl.
* Não tava te falando isso. Tô te falando pra trabalhar comigo, não pra mim. – minha mãe esclareceu, sabendo onde eu queria chegar.
* Então tô quase na mesma…
* Filho… olha… Miguel vem pra assessoria jurídica de apoio neste verão, tá? – essa era minha mãe, começando a dar ordens quando não conseguia que eu seguisse até onde ela queria.
* Tá. – não tive escolha a não ser aceitar, mesmo não achando uma boa ideia.
* E meu Javi vem te dar uma mão no mesmo horário que o irmão dele, entendeu? – claramente isso não foi nada espontâneo, e provavelmente ontem quando eles estiveram. Javi era o queridinho de todo o grupo de amigas, já que era o mais novo. Na real, eu, que era o segundo mais novo entre os filhos de todas as amigas, tinha quase 9 anos a mais que ele.
* Mãe, o Javi não pode trabalhar… – saiu de repente, sem pensar de novo. Não queria complicar mais as coisas.
* Por quê?
* Porque ele é menor de idade. – definitivamente não me sentiria confortável com o Javi do meu lado o tempo todo. Ele me perturbava desde ontem…
* Ele tem quase 16 e já decidimos. Meio-dia eles vêm.
* Facto consumado…
* Sim. – minha mãe e eu tínhamos uma linguagem própria, e eu sabia que não adiantava tentar fazê-la mudar de ideia.
* Aliás… pra que você me fez vestir assim? – falei apontando pra minha roupa, já que no verão eu não costumava usar terno.
* Ah, sim! Você vai almoçar com o Duque no Ritz, e tem que convencê-lo a deixar a gente completar a compra da DP. – ela disse como se fosse nada.
* Mãe… esse Duque que você chama, é o Secretário de Estado de Política Externa de Portugal, e já nos mandou um ofício negando a permissão de compra.
* E daí? – ela me olhou com cara de chefa – você vai… e vai convencê-lo.
Chegou meio-dia, e com eles Miguel e Javi. O primeiro veio meio surpreso e sem graça. enquanto o segundo vinha com um sorriso largo. Minha mãe saiu pra recebê-los e acompanhou o Miguel até a nova mesa dele, no departamento jurídico, e depois que o instalou, levou o Javi até a mesa do Raúl. Lá, ela mesma (algo que nunca tinha feito), explicou umas quatro coisas básicas do que ele tinha que fazer. Entre essas tarefas, ficar de olho nas minhas ligações, correspondência física e eletrônica, e controlar se ele cumpria a agenda que iam montar pra mim diretamente do RH, de forma provisória.
Eu e o Miguel saímos pra fumar um cigarro na varanda do meu escritório, e concordamos que tinha sido um arranjo de verão entre as nossas mães. Fingi empolgação por ter ele por perto todo dia e acompanhei ele de volta pro setor jurídico, deixando ele nas mãos da chefe do departamento pra ir instruindo ele. O Miguel era um bom funcionário, pelo que algumas pessoas da empresa antiga dele tinham me dito, mas não controlava muito bem o tom com o resto dos funcionários, e em muitos casos podia ser irritante. Pra gente, os amigos, parecia que ele tinha sido mandado embora por uma briga com o chefe, mas ele nunca confirmou isso. Eu não sabia se queria que ele me visse como chefe, e por isso tinha medo que esse trabalho pudesse afetar nossa amizade. Na real, quando soube que ele tinha sido demitido, pensei se devia chamar ele ou não, mas depois de pensar bem, decidi que era melhor não, que trabalho não ia faltar pra ele depois do verão, e que era muito arriscado. Mas minha mãe fez os cálculos dela, e fez o que deu na telha.
Às 13h subi na casa dos meus avós pra pegar aquilo que a Teresa tinha me avisado. Acontece que minha avó ficava entediada na cidade no verão, e queria que alguém fosse com ela pra praia na segunda quinzena de julho, e tinha pensado que a Sofia podia adiantar as férias e ir com ela duas semanas antes pra praia na ilha. Pra garantir que o plano dela desse certo, tinha Escrevi uma carta pra Sofia dizendo que provavelmente seriam as últimas férias dela nas ilhas gregas, e que não tinha mais ninguém da família pra acompanhar ela.
— Mas vó, cê vai me deixar sozinho… — falei rindo — cê é uma sedutora.
— Ai, filho, se eu morrer antes de a gente comer as uvas, já vai ver. — ela falava com aquela voz de quem queria conseguir o que tava planejando.
— Mas…
— Nem mas nem nada, não vai dar pra ir em agosto na primeira quinzena com os pais dela pros Estados Unidos sem você, então que venha antes comigo pras ilhas e pronto. — essa era a minha avó. Mandava e desmandava, porque era a mãe da minha mãe.
— Eu entrego a carta, mas quem decide é ela.
— A gente vai ver.
Quando desci de novo pro escritório, o Javi me interceptou na porta e falou que eu tinha que ir almoçar no Ritz com o Dom João Do Uqueira. Antes de me estender o paletó do terno, ele disse:
— Você me deve uma de ontem, só pra você saber.
— Tô atrasado… amanhã a gente se vê. — fingi que não ouvi o lembrete sobre o jogo de ontem.
— Beleza, a gente se vê, hehehe. Boa sorte com o Duqueira, sua mãe já me disse que ele é um osso duro de roer. — só me faltava essa, minha mãe contando todos os detalhes pro Javi.
Cheguei em casa umas 8 da noite, morto de cansaço por causa do cerco que fiz pro Duque, mas no fim deu certo, porque consegui a autorização verbal. A Sofia tava na piscina sozinha quando entreguei a carta da minha avó. Pra minha surpresa, ela só sorriu e me olhou como se pedisse permissão.
— Cê quer que eu vá? — ela perguntou com um sorriso provocado pela carta enganosa da minha avó.
— Faz o que achar melhor, mas na outra quinzena vocês vão pros Estados Unidos.
— Mas se pra você tanto faz, olha o horário que você chega, e não tira férias até a segunda de agosto… vou falar com sua avó. — disse pegando o celular.
Quando desligou, veio até mim e me deu um beijo na boca. Ela me disse que tinham decidido ir minha avó, Sofia, e minha mãe passar a semana seguinte em Corfu, e os últimos dias do mês num cruzeiro que minha mãe tinha visto. Meu avô e meu pai iriam no cruzeiro também, então a Sofia teria que arrumar alguém pra acompanhar ela, já que eu tinha uma viagem marcada pro Brasil nesses dias e não podia mudar. Ficamos um tempão pensando em quem podia ir com ela, e no fim ela decidiu que ia falar com a Paula, a melhor amiga dela, e mulher do Darío, que também não podia sair de férias.
Depois de mais duas ligações, percebi que ia ficar o mês inteiro de julho, a partir da segunda-feira depois da final da Copa, e metade de agosto, sozinho em Madri.
Comentem ou me dêem uns pontinhos pra postar a parte 3.
Se gostaram, recomendem pros amigos; se não gostaram, recomendem pro pior inimigo de vocês.
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