Tudo começou na Copa 2/7

Acordei com os olhos mais cansados que o normal. Eram 7 da manhã e eu mal tinha dormido um par de horas. Deixei a Sofia na cama, já que ela estava de férias, e fui pro banheiro com a intenção de tomar um banho revigorante. Quando já estava pelado e com a água morna acariciando meu corpo, vieram na minha cabeça as imagens do Javi na água, ele esfregando na minha bunda, e as palavras dele no meu ouvido… que porra de buceta tava me dando?… se ele é um puto pirralho. Enquanto lembrava dos acontecimentos da noite anterior, meu próprio pau foi crescendo, então decidi me masturbar um pouco antes de terminar o banho, certo de que uma boa punheta ia afastar as besteiras que passavam pela minha cabeça naquela hora.

Já mais relaxado, depois da punheta e da barba feita, fui pro closet me arrumar pra um dia que eu não sabia bem onde ia terminar, porque minha mãe tinha me ligado antes do jogo mandando eu caprichar na roupa pra quinta-feira. Escolhi um terno italiano preto, uma camisa branca, sapatos pretos foscos e uma gravata preta lisa e fina. Assim nunca errava. Penteie o cabelo e fui no quarto dar um beijo na Sofia antes de sair, como sempre fazia. O que nem sempre rolava era essa sensação de culpa, como se eu tivesse traído ela por não ter conseguido segurar os instintos que me levaram a bater uma punheta daquelas em nome de um moleque… de um moleque!. Que porra de buceta tava me dando?.

Demorei um pouco menos que o normal pra chegar no prédio onde fica a sede da empresa, na bem madrilenha rua Velázquez, bem no bairro de Salamanca. Estacionei na minha vaga dentro do prédio e entrei no elevador olhando no espelho, ajeitando a gravata de novo. Não sabia se minha mãe já tinha chegado, porque ela costumava chegar lá pras 9 da manhã, e eram só 8:30. Saí do elevador e fui direto pro meu escritório, do lado do do meu avô, que já não vinha tão cedo. Como antes, mesmo morando no último andar do mesmo prédio. Estranhei que o Raúl, meu secretário, não estivesse na mesa dele, mas imaginei que fosse por causa do jogo da noite anterior... por que é que eu não tinha ficado mais um tempinho na cama?. Dos muitos funcionários que deviam estar nos escritórios naquela hora, só tinha quatro mulheres e um homem, e ainda estavam tomando um café na sala de lanche, então fui pra lá.

* Bom dia, seu Daniel. – disse a Manuela, cumprimentando.
* Oi, dona Manolita, tamo na sorte? – continuei com a nossa piada matinal de sempre.
* Uns mais que outros. – ela sorriu e piscou um olho. Mesmo tendo seus cinquenta e tantos, ela mantinha uma alegria natural que me contagiava por um bom pedaço da manhã.
* Cê tá falando por causa dos de ontem, né? Jogaram bem pra caralho, mas faltou uns golzinhos a mais pra deixar a gente mais tranquilo. – entrar numa conversa de futebol com o pessoal não ia me fazer mal, só pra espairecer um pouco antes de entrar na minha sala.
* Bom, agora a Holanda... – disse o Paul, o único homem que tava no lanche, e que desde que a Inglaterra dele foi eliminada da Copa, tava meio sem saco pra futebol.
* É, a gente vê no domingo. – encerrei o assunto – Cês sabem de alguém? Supostamente no verão começa às 8, e já são quase 8:35...
* Ah, por um dia que o pessoal não chega na hora, também não precisa ficar se estressando. – cortou a Teresa, a secretária do meu avô, que era quase tão velha quanto ele, e não se aposentava porque não queria, como ela mesma dizia.
* Tá, cê tem razão, não tem problema... contanto que minha mãe não chegue, que vocês já sabem como ela fica com atraso. – respondi, fazendo todo mundo olhar pro relógio pra ver que ainda não eram 9.
* Ah, Dani, depois sobe lá na casa dos seus avós, que sua avó me disse ontem que tinha que te dar uma coisa pra Sofia. – falou a Teresa quando eu já tava saindo do lanche. Ouvido, cozinha. Vou ver se faço alguma coisa antes da minha mãe chegar…

Verifiquei o e-mail e vi que tinha suspeitamente poucos compromissos na agenda daquela quinta-feira… mas teria que esperar o Raul chegar pra confirmar. Enquanto isso, peguei uns relatórios de situação e me sentei no sofá pra ler.

Quando deu 10 horas, a porta do meu escritório se abriu de repente, e uns gritos familiares ecoaram, me pegando deitado no sofá.

* No meu escritório, agora! – e, do mesmo jeito que veio, foi embora.

Minha mãe nunca teve muito tato pra me acordar, e não parecia se importar em mudar isso. Levantei na hora, lavei o rosto no banheiro do meu escritório, e fui pro dela o mais rápido que pude.

* O que foi? – perguntei, intrigado com a brusquidão com que ela me acordou.
* Acontece que o Raul teve que ir pra cidade dos pais dele. A mãe dele tá muito doente e pode ser que não escape dessa.
* Porra, que merda… – me surpreendi com a minha própria resposta, já que minha mãe não tolerava palavrão nenhum.
* Falei pra ele não se preocupar, pra ficar o mais tranquilo possível, e que quando voltar das férias dele, ele se reapresenta.
* Mas isso é em setembro… e eu, o que faço? – falei antes do meu cérebro processar a idiotice que tinha acabado de soltar.
* Ué, o que você vai fazer? Se virar. – minha mãe sentenciou de forma cortante.

Raul pra mim era como um braço. Eu sou muito distraído, e não sou muito bom em manter uma ordem lógica no trabalho. Preciso que meu grilo falante vá me guiando de um lado pro outro. E sem ele, tava perdido, pelo menos nas próximas 8 semanas até ele voltar.

* Aliás, ontem a gente viu o jogo com o Bauti e a Liz, e ela me disse que o Miguel foi mandado embora da McKinf, por que você não me contou? – minha mãe me recriminou.
* Opa… me escapou.
* Por que você não chama ele pra te dar uma mão? mano… ele é muito mais organizado que você.
* Não acho que quero trabalhar no lugar do Raúl.
* Não tava falando isso. Tô dizendo pra trabalhar com você, não pra você. – minha mãe esclareceu, sabendo onde eu queria chegar.
* Então tô quase na mesma…
* Filho… olha… Miguel vem pra assessoria jurídica de apoio neste verão, tá? – essa era minha mãe, começando a dar ordens quando não conseguia que eu seguisse até onde ela queria.
* Tá. – não tive escolha a não ser aceitar, mesmo não achando uma boa ideia.
* E meu Javi vem te dar uma mão no mesmo horário que o irmão dele, entendeu? – tava claro que isso não era nada espontâneo, e que provavelmente ontem quando eles estiveram. Javi era o queridinho de todo o grupo de amigas, já que era o mais novo. Na real, eu, que era o segundo mais novo entre os filhos de todas as amigas, tinha quase 9 anos a mais que ele.
* Mãe, o Javi não pode trabalhar… – saiu de repente, sem pensar de novo. Não queria complicar mais as coisas.
* Por quê?
* Porque é menor de idade. – definitivamente não me sentiria confortável com o Javi o tempo todo do meu lado. Ele me perturbava desde ontem…
* Ele tem quase 16 e já decidimos. Meio-dia eles vêm.
* Fatos consumados…
* Sim. – minha mãe e eu tínhamos uma linguagem própria, e eu sabia que não adiantava tentar fazê-la mudar de ideia.
* Aliás… pra que você me fez vestir assim? – falei apontando pra minha roupa, já que no verão eu não costumava usar terno.
* Ah sim! Você vai almoçar com o Duque no Ritz, e tem que convencê-lo a deixar a gente completar a compra da DP. – ela disse como se fosse nada.
* Mãe… esse Duque que você chama, é o Secretário de Estado de Política Exterior de Portugal, e já nos mandou um ofício negando a permissão de compra.
* E daí? – ela me olhou com cara de chefa – você vai… e vai convencê-lo.

Chegou meio-dia, e com eles Miguel e Javi. O primeiro veio meio surpreso e sem graça. enquanto o segundo chegava com um sorriso largo. Minha mãe saiu pra recebê-los e acompanhou o Miguel até a nova mesa dele, no departamento jurídico. Depois de deixá-lo instalado, levou o Javi até a mesa do Raúl. Lá, ela mesma (algo que nunca tinha feito antes) explicou umas quatro coisas básicas do que ele tinha que fazer. Entre essas tarefas, ficar de olho nas minhas ligações, correspondência física e eletrônica, e controlar se ele cumpria a agenda que o RH ia montar pra mim, provisoriamente.

Miguel e eu saímos pra fumar um cigarro na sacada do meu escritório, e concordamos que aquilo tinha sido um arranjo de verão entre as nossas mães. Fingi empolgação por tê-lo por perto todo dia e acompanhei ele de volta pro setor jurídico, deixando-o nas mãos da chefe do departamento pra ela ir instruindo ele. Miguel era um bom funcionário, pelo que me disseram algumas pessoas da empresa anterior dele, mas não controlava muito bem o tom com os outros funcionários, e em muitos casos podia ser irritante. Pra gente, os amigos, parecia que ele tinha sido mandado embora por uma briga com o chefe, mas ele nunca confirmou. Eu não sabia se queria que ele me visse como chefe, e por isso tinha medo de que esse trabalho pudesse afetar nossa amizade. Na real, quando soube que ele tinha sido demitido, pensei se devia ou não chamá-lo, mas depois de pensar bem, decidi que era melhor não, que trabalho não ia faltar pra ele depois do verão, e que era arriscado demais. Mas minha mãe fez os cálculos dela, e fez o que deu na telha.

Às 1h subi na casa dos meus avós pra pegar aquilo que a Teresa tinha me avisado. Acontece que minha avó ficava entediada na cidade no verão, e queria que alguém fosse com ela pra praia na segunda quinzena de julho. Ela pensou que a Sofia podia adiantar as férias e irem as duas juntas umas duas semanas antes pra praia na ilha. Pra garantir que o plano dela desse certo, tinha Escrevi uma carta pra Sofia dizendo que provavelmente seriam as últimas férias dela nas ilhas gregas, e que não tinha mais ninguém da família pra acompanhá-la.

— Mas vó, cê vai me deixar sozinho… — falei rindo — cê é uma enganadora.

— Ai, filho, se eu morrer antes de a gente comer as uvas, já viu. — ela dizia com aquela voz de quem quer conseguir o que quer.

— Mas…

— Nem mas nem nada, não vai dar pra ir em agosto na primeira quinzena com os pais dela pros Estados Unidos sem você, então que venha antes comigo pras ilhas e pronto. — essa era a minha avó. Mandava e desmandava, afinal era a mãe da minha mãe.

— Eu entrego a carta, mas quem decide é ela.

— A gente vai ver.

Quando desci de novo pro escritório, o Javi me interceptou na porta e falou que eu tinha que ir almoçar no Ritz com o Dom João Do Uqueira. Antes de me estender o paletó do terno, ele disse:

— Você me deve uma de ontem, só pra você saber.

— Tô atrasado… amanhã a gente se vê. — fingi que não ouvi o lembrete sobre o jogo de ontem.

— Beleza, a gente se vê, hehehe. Boa sorte com o Duqueira, sua mãe já me falou que ele é um osso duro de roer. — só me faltava essa, minha mãe contando todos os detalhes pro Javi.

Cheguei em casa lá pras 8 da noite, morto de cansaço por causa do cerco ao Duque, mas no fim deu certo, porque consegui a autorização verbal. A Sofia tava na piscina sozinha quando entreguei a carta da minha avó. Pra minha surpresa, ela só sorriu e me olhou como se pedisse permissão.

— Cê quer que eu vá? — ela perguntou com um sorriso provocado pela carta enganosa da minha avó.

— Faz o que achar melhor, mas na próxima quinzena vocês vão pros Estados Unidos.

— Mas se pra você tanto faz, olha o horário que você chega, e só tira férias na segunda de agosto… vou falar com sua avó. — disse pegando o celular.

Quando desligou, veio até mim e me deu um beijo na boca. Ela me disse que tinham decidido que minha avó, Sofia, e minha mãe iam passar a semana seguinte em Corfu, e os últimos dias do mês num cruzeiro que minha mãe tinha visto. Meu avô e meu pai iam pro cruzeiro também, então a Sofia ia ter que arrumar alguém pra acompanhar ela, já que eu tinha uma viagem marcada pro Brasil naqueles dias e não podia mudar. Ficamos um tempão pensando em quem podia ir com ela, e no fim ela decidiu que ia falar com a Paula, a melhor amiga dela, e mulher do Darío, que também não podia sair de férias.

Depois de mais duas ligações, percebi que ia ficar o mês inteiro de julho, a partir da segunda-feira depois da final da Copa, e metade de agosto, sozinho em Madri.

Comentem ou deem uns pontinhos pra eu postar a parte 3.

Se gostaram, recomenda pros amigos; se não gostaram, recomenda pro pior inimigo de vocês.

2 comentários - Tudo começou na Copa 2/7

esta muy buena la historia 😉 ya quiero terminar de leerla, deberias anexar fotos tuyas de miguel y javi 😉 eso lo haria más excitante de lo que ya es 😉 muy buena! sigue asi1:D