No le temas al amor (3)

Tava me beijando com essa mina, que conheci fazia menos de uma semana.
Achei que ficar com ela era mais porque eu gostava dela
e, por que não dizer? Desde que a María morreu, virei um completo lixo com as mulheres, enchia a cabeça delas de conversa e… depois… terminávamos na cama, não me importava se elas queriam saber de mim ou não, assim como eu, era só sexo uma vez só.

A mesma coisa pensei com ela, embora claro – não posso negar – que a Melanie me chamava a atenção, o contexto dela, tanto por dentro quanto por fora, me parecia simplesmente atraente.

Era uma mina nova, tinha quase a minha idade ou a mesma, verdade que não lembro se ela tem 16 ou 17 anos, no total parece mais novinha que eu. Alguém indefeso que precisa de proteção e eu só pensando em meter ela na minha cama e tchau.

Mas vi ela com aquele cara, com o mesmo idiota da outra vez. Com aquele estúpido que se acha homem, Ja… mas mesmo assim senti um não sei o quê ao ver ela com ele. Quando as mãos dela abraçavam ele e as dele faziam o mesmo, percebi ali que não só gostava dela, mas que sem perceber estava sentindo coisas por essa mina.

Agora sentia os lábios dela sobre os meus
As mãos dela no meu rosto
Abri meus olhos e os dela estavam perfeitamente fechados

Como ia transar com ela?
Não
Já não queria mais isso. O que queria naquele momento era… era ficar com ela assim para sempre, sentir que o corpo todo dela estava cheio de amor, de um amor doce e sincero.

Levantei minha mão na altura do meu rosto e acariciei a dela, fui descendo até chegar no braço dela, queria não fazer nada, mas minhas malditas hormônios diziam outra coisa. Fui descendo devagar pelas costas dela, senti o corpo dela tremer com o contato das minhas carícias, minha outra mão coloquei em cima da coxa dela e comecei a tocar ela por aquele lado, ela suspirou igual a mim

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Tava na casa dela
Podem acreditar?
NA CASA DELA!!
E tava beijando ela, uma combinação sutil de sensações Elas nasceram naquele momento, as mãos dela começaram a percorrer minhas costas com uma lentidão que me matava, depois de um instante; a mão esquerda dela estava em cima da minha perna direita, a poucos centímetros da minha buceta.

Suspirei no mesmo segundo em que ela suspirou também, queria ir mais longe, mas de repente passou de delicada e suave a se apressar e me tocar rapidamente.

Olhei nos olhos dela e os dela estavam fechados, igual aos meus, mas ela começou a enfiar a língua em mim... ela era boa nisso – pra que negar? – ela beijava bem, mas por que passou de mulher a agir como homem? Do mesmo jeito apressado e ansioso

(não quero ofender ninguém, mas quase todo mundo quando fica com tesão acelera o passo e pra mim, naquela ocasião que seria minha primeira vez, não era o ideal)

Fiz ela parar e ela parou – bom, pelo menos não pegou a mesma atitude que o Santiago e não me tratou mal –

– me desculpa – sussurrou, tentando controlar a respiração normalmente – não sei por que fiz isso

Fiquei puta por saber que ela só queria aquilo, sexo

Por que todo mundo é tão obcecado com a porra do sexo?

Sim... bom, sei que sou virgem e que talvez nunca tive chance de sentir como é bom, mas não acho que seja mais importante que tudo.

– não se preocupa – levantei, arrumei minha blusa e subi meu jeans que estava um pouco pra baixo – já tenho que ir

Ela ficou calada

Eu esperava isso

Pelo pouco que conheço ela, sempre age assim. Fez o mesmo no dia em que nos conhecemos. Tchau, falei ao sair e saí de lá, tava com raiva e mais que isso; sentia tristeza.

Então não era tanta diferença entre ficar com uma mulher e ficar com um homem.

Porra!!!

Fodi tudo...

MERDA, MERDA, MERDA, MERDA

Por que agi assim?

Bom... com outra mulher seria normal, mas com ela não... ela é especial e agora estraguei o pouco que tinha conseguido ao lado dela, vi ela sair da minha casa com a cara no chão, e com aquele mesmo olhar triste, saber que fui eu que causei tudo Isso foi... ahn, não sei...

Sou uma idiota.

Aquela noite foi um desastre total. Queria ir na casa dela e pedir desculpas, dizer que não queria ter feito aquilo, mas que meu maldito orgulho preferia que eu agisse assim a me apaixonar de novo e sofrer outra vez — e com ela, mais cedo ou mais tarde, ia acontecer — claro, antes de eu ter feito aquilo.

Os dias passaram, as horas... os minutos. Que falta essa mulher me fazia!!! Continuei indo no parque com a intenção principal de vê-la, mas o que eu tô falando? Óbvio que ela não ia querer saber mais de mim.

Sentei no banco, no meu banco, e me preparei pra ouvir música. "Penso em Ti" do Tremolo foi a música que mais me fez lembrar dela. Fui na casa dela várias vezes, mas não tive coragem de bater na porta. E, infelizmente, a mãe dela nessas ocasiões não apareceu como da primeira vez. Os lábios dela, o olhar, o corpo tão frágil, a voz... Na real, ela era uma menina linda, era maravilhosa, e a ternura dela me deixava fraco com meu coração duro.

— Manu, o que cê tá fazendo?

— Hmm... nada de mais. E você, como tá?

— Bem, mas você não parece a mesma. Ainda tá pensando nela?

— Sim, não paro de pensar ultimamente — suspirei sem jeito.

— Olha, já faz quase 2 anos. Já tá na hora de você esquecer a Maria, não acha?

— Maria? — perguntei. Eu não tava falando dela. E foi aí que percebi que, desde que a Melanie apareceu, ela conseguiu me fazer esquecer uma lembrança minha.

— Sim — confirmou João Paulo —, a Maria.

— Tá, vem cá e me conta como foi o show que vocês fizeram. O que o produtor disse?

Ele não conseguiu esconder a felicidade no rosto — Semana que vem a gente grava nosso primeiro demo.

— Ohh... — sorri e abracei ele — Desejo tudo de bom pra vocês.

— Valeu. Ei, como é o nome daquela menina que tava contigo aqui uns dias atrás? Sua amiga.

— Ahh... Melanie.

— Ok.

— Por que tá perguntando?

— Só queria saber, não lembrava do nome dela.

— Tá bom.

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Já se passaram o quê? Umas 2 semanas quase, e não sei nada da Manuela. Me Sinto muito porque talvez não tenha sido culpa dela... acho que a Jimena tem razão, e se ela já teve relações, é óbvio que quando estiver nessa situação vai querer continuar. Eu me apressei demais...

Me surpreendeu a ligação de um dos amigos dela agora há pouco, quase nada atrás. Hoje eles estavam fazendo uma festa em homenagem ao grande lançamento do demo dela, que é na outra semana – pelo que ela me contou – mas como eles estão sempre ensaiando, resolveram fazer hoje. Ela me convidou e, sinceramente, não sei... é... vou ver ela agora?

Bom, bom... se eu for, é por ela.

- Em que você está pensando, linda?
- Em nada, mãe. Talvez em sair um pouco hoje à noite.
- Uhh – ela brincou na hora – você está pegando alguém, né? Se você soubesse que é com uma mulher, mãe...

Fiquei calada, senti meu coração apertar. Ela sempre foi mais que minha mãe, minha amiga, e agora eu não conseguia contar o que sentia, por mais que quisesse.

- O que foi, Melanie? – Ela sentou do meu lado e colocou o braço em volta do meu pescoço – Me diz por que você tem estado assim esses últimos dias, hein?
- Mãe, eu... eu...
- Você o quê?
- Vamos mudar de assunto. Olha, quero te perguntar uma coisa.
- Fala.
- O professor de filosofia hoje falou sobre homossexualidade, as consequências... os problemas, tudo. E segundo ele, é um assunto bem problemático.
- É verdade.
- O que você acha?

Senti ela cruzar as pernas e se perder no olhar, tentando encontrar palavras para me responder.

- Acho que não é algo do qual uma pessoa possa se orgulhar.
- Por quê?
- Porque não. Olha, Melanie... Deus não criou Adão e Eva para que Karla e Lúcia ficassem juntas, ou Sara e Sandra, ou, por exemplo, você e sua amiga, como é o nome dela?
- Quem, a Manuela?
- Isso – ela concordou – não... isso não é bom. São duas mulheres... do mesmo sexo – ela enfatizou essa última parte.

Era o que eu esperava: que ela não concordasse.
- Tá bom, mãe.
- E você, o que acha?
- Eu? – Respirei assustada – Eu... não sei... não posso julgar essas pessoas. Acho que se é isso que elas sentem, já basta. - hahaha, mas cê imagina no sexo?

Olhei pra ela surpresa, mas com um certo tom sério – como assim?

-sempre me perguntei sobre isso, como é que os gays e as lésbicas fazem pra transar? Bom, bom... os homens é mais lógico saber por onde eles metem, né?

Não respondi, não conhecia aquela senhora sentada do meu lado, que era minha mãe, por que ela tinha que zoar e julgar os outros, sendo que no fundo era comigo que ela tava fazendo isso.

-digo, e as mulheres? Têm que comprar um vibrador, um consolo ou como quiserem chamar... – ela negou – pra essa graça, ficam com um homem e pronto, não acha?

Ela tinha um certo ponto, até agora eu não sabia como era fazer amor com uma mulher – se você tá dizendo, é porque é assim. E assim a conversa acabou.

O resto da tarde fiquei pensando se ia ou não, e percebi que fazia vários dias que não via ela, pelo menos pra trocar uma ideia rápida, ou só olhar pra ela e saber se tava bem.

Me arrumei rápido e liguei de volta pro Juan Pablo pra dizer que ia, ele me passou o endereço e às 9 da noite saí de casa.

Em uns 20 minutos cheguei na casa da Estefânia (ia ser lá a festa), pra quê negar? Todo mundo era bem legal, me senti à vontade, comecei com uma cerveja e tava conversando com eles, procurei a Manuela com o olhar mas não vi, suspirei resignada, ela já não vinha, olhei no relógio 11:30.

-tá acontecendo algo?

-não

-tá se divertindo?

-claro que sim

-e cê topa dançar comigo essa música?

Olhei pro Carlos, o vocalista da banda... sorri pra ele, porque vi medo no olhar dele de que eu recusasse – claro que sim – estendi a mão e me levantei pra dançar com ele.

**

Cheguei um pouco atrasada, mas quase não me decidi a ir... não tava a fim de sair, a Paola veio na minha casa de tarde e acabou de ferrar meu dia, que mulher chata pra caralho!!!

Cumprimentei a galera, pedi uma cerveja, passei pela piscina e Por acaso, vi a pista de dança
Lá estava ela
Com o Carlos
O que ele fazia aqui?
Meu Deus… ela tava linda, tava precisando observar ela, analisar, saber como ela agia… ela ainda não sabia que eu tava ali, tava mergulhada nos pensamentos dela, abraçada no Carlos…

Cheguei no meio da música e toquei ela por trás – oi – sussurrei, ela se virou e o sorriso dela me deu as boas-vindas naquela noite

-oiiii, como cê tá?
-bem e você?
-bem – ela parou de dançar e se desculpou com o Carlos

-podemos conversar? – perguntei meio insegura com a resposta que ela podia dar
-claro que sim

Apontei pra gente ir pra sacada da casa, dava pra ver a cidade toda iluminada, aquela parte da casa tava vazia… era só nós duas ocupando aquele espaço.

-faz dias que a gente não se falava – murmurou, esfregando os braços pra se aquecer
-é…
-quero me desculpar com você
-por quê?
-me comportei que nem uma criança da outra vez na sua…
-escuta – cortei ela – quem tem que pedir desculpas sou eu, me comportei que nem uma idiota… não devia ter feito tudo aquilo e ainda… me apressei demais

Ela ficou quieta, baixou o rosto e eu acompanhei, me sentindo mal – me desculpa, juro que não vou fazer de novo

**

Ela falou que não ia fazer de novo e meu coração apertou de novo… como assim não ia fazer de novo se eu amei o jeito que ela me beijou?? Não… ahhh, agora o que eu faço, fazer o quê… vou ter que aceitar isso então.

A noite passou normal, do jeito que eu esperava, divertida… longa… a Manuela de vez em quando me olhava de longe porque tava com o melhor amigo dela enquanto eu passei com os caras da banda.

O olhar dela tava triste, dava pra ver que ela tava realmente envergonhada. O único problema que vi foi que o Carlos tomou uns drinks a mais e já tava em cima de mim, tentou me roubar um beijo e todo mundo segurou ele, vi a Manuela de longe… como ela tava de olho no que ele fazia comigo. Cinco minutos depois ela chegou perto

-oi, eu de novo
-oi – sorri — O Carlos tá te enchendo o saco?
— Não, ele tá meio bêbado, mas eu dou conta.
— Até que horas sua mãe deixou você ficar?
— Até as 2 — falei, olhando pro relógio quando já eram 3:30 — PORRA! Perdi a hora.

Ela… inocente, caiu na risada, acho que minha cara naquele momento devia estar bem cômica.
— Quer que eu te leve?
— E você?
— Minha prima me emprestou o carro dela, eu já tô indo pra casa também.
— Se você fizer esse favor, vou te agradecer pra caralho.
— Ok — ela concordou na hora — dá tchau pra geral que eu te espero no carro.

Na mesma hora me despedi de todo mundo, falei que já tinha que ir e — em seguida — me mandei.

Tinha carro pra caralho estacionado, não sabia qual era o dela, até que vi uma caminhonete passando na minha frente e ela dirigindo…
— Ei — falei de fora — cê fica gostosa dirigindo.
— Acha?
— Uhum.
— Kkkk, sobe, linda — ela abriu a porta do carona e eu sentei do lado dela. A viagem foi silenciosa, ela colocou uma balada… Era… não lembro… Ah, sim, "Heaven" do Bryan Adams. Ela me olhou e sorriu meio tímida, eu fiquei encostada no vidro da janela esperando ela me levar.

— Chegamos — ela avisou quando eu abri os olhos e vi minha casa na minha frente.
— Ahh, sim — tirei o cinto de segurança — valeu.

Ela concordou com a cabeça.

Eu ia descer, mesmo não querendo… mesmo agora me arrependendo de ter ido naquela festa por causa dela e não ter aproveitado, mesmo gritando por dentro que no caminho eu devia ter dito o que sentia e fiquei calada, abri a porta.

— Melanie.

Me virei com o coração batendo forte.
— Fala?
— Cê já quer descer?
— Não — respondi sem olhar nos olhos dela.
— Por quê?
— Porque quero falar com você.
— Eu também.

O silêncio venceu a batalha de novo por uns minutos.

— Cê tá linda hoje — ela disse, se deitando no banco do motorista.
— Sério?
— Sim.
— Manu… eu queria te dizer que se eu fui embora daquele jeito, foi…
— Por ser rápida, sem vergonha, atrevida, eu sei… eu sei que me comportei assim.
— Nãoo.
— Então? — Gostei do seu beijo, só que quando você começou a me tocar tão rápido, senti a mesma coisa que com meu ex.

— Foi ruim com ele?

— Ele quase tentou me estuprar.

Ela baixou o rosto de novo — sou uma idiota.

— Não se trata assim — estendi a mão e toquei o rosto dela.

— Você me perdoa?

— Com uma condição.

Ela sorriu — a que for.

— Que você me beije de novo com a mesma ternura da primeira vez.

Fiquei surpreso ao ouvir isso, olhei nos olhos dela… naqueles olhos com que eu tinha sonhado tantos dias. Reclinado no banco do motorista, toquei o rosto dela, e ela fechou os olhos, se deixando levar pelo meu carinho.

Me aproximei um pouco, o suficiente para sentir o cheiro dela, para sentir o calor que a proximidade do corpo dela me transmitia… um pouco… só mais um pouco e fechei meus olhos, igual a ela.

Consegui sentir uma das melhores sensações que uma pessoa pode sentir ao beijar outra. Meu coração voltava a ficar tranquilo, era com ela que ele se sentia bem. Eu estava me apaixonando, pra que negar mais? Pra que fugir dos meus próprios sentimentos? Pra que tanta merda? Puf… que se dane, eu queria ela.

Toquei os lábios dela… respirei devagar pra sentir mais fundo… tinham gosto doce… eram macios… frágeis… como ela. A puxei mais pra perto de mim e continuei acariciando o rosto dela, não queria que aquele momento acabasse nunca, mas sentimos a luz do quarto da mãe dela acender e automaticamente paramos. Ela se afastou, com medo de que a mãe tivesse nos visto, mas não foi o caso.

Com a mão, ela fez um sinal pra mãe de que ia entrar, me olhou e sorriu, assim como eu — obrigada — sussurrou.

— Foi um prazer te trazer, linda.

— Não é por isso que estou agradecendo.

— Ah.

— É pelo beijo.

Fiquei em silêncio, mas não parei de olhar pra ela. Ela desceu do carro e, quando eu ia dar partida, me disse:

— Você tem um número que eu possa te ligar?

Peguei uma agenda do carro e uma caneta e anotei meu número. Entreguei pra ela e me despedi.

Aquela noite foi…

Como dizer…

Perfeita. **************************************
- Ei, ei, e você vai pra onde assim, mocinha, hein?
- Mãe!! – Gritei assustada – o que você tá fazendo acordada a essa hora?
- Tô te perguntando a mesma coisa, são 10 da manhã de um sábado, isso é acordar cedo
- Humm sim, é que vou sair com uns amigos pra um parque de diversões
- Ahh
- Deixa?
- Vai – me abraçou – se comporta
**
- Manuela, posso falar com você um minuto?

Me virei e vi a Paola uffff…Meu Deus…essa mulher tava UMA GOSTOSA! Ela tava com um short jeans violeta que deixava à mostra as pernas torneadas dela, uma blusa branca com um decote bem chamativo que – particularmente – marcava toda a cintura, uns saltos que faziam ela parecer mais alta do que era e o cabelo dela cuidadosamente escovado.

- Oi – falei surpresa – me fala do que você quer falar
- Manu – Carlos nos interrompeu – enquanto vocês conversam, a gente vai buscar a Estafa e a Melanie, ok?
- Ahh, então passam aqui pra me pegar?
- Claro, a gente não demora
- Ok

Vi o carro se afastar ao mesmo tempo que vi a Paola com o olhar diferente dela

- Aconteceu alguma coisa?
- Sim, Manu…eu…quero ficar com você, me dá uma chance e deixa eu te mostrar tudo o que você importa na minha vida.

Baixei o rosto rindo – hehehehe você não tem jeito, hein?
- Por favor…
- Não
- Por quê?
- Tem outra pessoa
- É aquela menina por quem você me deixou falando sozinha da outra vez no parque
- Essa mesma
- Manuela, pelo amor de Deus – ela se levantou e começou a andar em círculos enquanto falava – vai me dizer que prefere essa menininha a mim?
- Sim
- Me diz o que ela tá te fazendo tão bem que você prefere ela
- Ela não tá me fazendo nada, Paola
- Então?
- Eu não tenho que te dar explicações
- Pois vai dar sim
- Não
- Sim

Ela se aproximou de mim, me levantou e me segurou pelo braço com força

- E você acha que com esse seu comportamento vai conseguir que eu me interesse por você? – falei com tom sarcástico – vamos, responde, é isso que você acha?

Ela me olhou Nos olhos, o olhar dela tinha raiva... ódio... mas não disse nada...

Percebi que já tinham passado uns 30 minutos porque vi o carro do Carlos se aproximando da gente.

Eles desceram do carro, uns pegaram os instrumentos e os outros combinavam quem ia no carro e quem ia de táxi.

— Ei, me dá atenção — gritou a Paola com força.

— Você tá sendo grosseira comigo.

— Não tô nem aí.

— Ok, já vou... tchau.

Ela me segurou de novo, se aproximando mais de mim.

Naquele momento, vi a Melanie com a Estefanía comentando o que tava rolando entre eu e a Paola.

— Me mostra quem é.

— Não.

— Me mostra, Manuela.

— Não.

Ela se dignou a levantar a mão pra mim, quando o Nicolás segurou ela por trás e afastou ela de mim.

— Deixa ela, Nicolás — falei, me aproximando dela — Quer me bater?

Ela ficou em silêncio, se tocando.

— Me perdoa, não sei o que deu em mim.

— Você tem problemas, Paola.

— Mas qual é a porra do seu problema de não me mostrar a mulher por quem você tá me rejeitando, hein? — gritou, chamando a atenção de todos os meus amigos, da Melanie e de gente que tava perto da gente.

— Vaza — falei com raiva — E na sua vida, se você gritar comigo de novo, hein... e tentar me bater, tá claro?

Ela me olhou e começou a procurar entre todo mundo ali a Melanie, não ia achar porque não lembrava como ela era.

Olhou pra Alejandra, pra Sara, pra Lucia, pra Estefanía, pra Melanie.

— Qual dessas cinco é?

Olhei pra ela, divertida, igual todo mundo — Você não vê o ridículo que tá fazendo?

— ME FALA QUAL É A VAGABUNDA?!

Olhei pra Melanie, que tava me olhando. Sorri baixinho pra ela, enquanto ela desviava o olhar pra ver o show da Paola.

— Tá bom, tá bom, não me fala — ela apontou o dedo pra mim — Mas te juro, Manuela Álzate, que antes de qualquer uma dessas ficar com você, eu vou estar primeiro.

Não consegui segurar o riso e caí na gargalhada. Ela saiu andando rápido da gente, e todo mundo ficou lá, se divertindo com o que tinha rolado.

— Epa... mas você tá bem servida. Obcecada, hein Manu?
- Pois é, essa véia é doida.
- Não, mas espera aí – o Juan Pablo chegou perto de mim – já que você não tá com ninguém agora, por que não dá uma força pra ele... porque puta que pariu, a desgraçada é uma gostosa, né?
- Nem pense nisso, Manuela – a Estefa cortou – não acredito que você ia se rebaixar tanto, ou vai?
- Hahaha, claro que não...

A Melanie tava falando no telefone com alguém que eu tava morrendo de curiosidade pra saber quem era. Não podia ser a mãe dela, porque já tava falando há vários minutos.

Não quis chegar perto dela...
Ela também não chegou perto de mim.

E assim fomos pro parque de diversões.

Ela foi no carro com o Carlos, que nem disfarçava a vontade que tava comendo ela, e eu fui de táxi com o resto.

A gente conversou sobre tudo. Eles tavam com medo porque iam tocar hoje, seria a primeira vez que iam se apresentar pra tanta gente, e eu... só pensava nela. Não entendo por que ela não quis nem me olhar depois que a Paola foi embora.

Fiquei surpreso quando os caras vieram me buscar e a Manuela não tava junto. Subi no carro e fomos pegar a Estefânia...
Demoramos uns 20 minutos.

- Hahaha, essa doida não quer largar ele, olha só – disse o Carlos, apontando pra mesma mulher que eu tinha visto no parque dias atrás com a Manuela. Me surpreendi porque dessa vez elas não tavam conversando normalmente, ela tava segurando o braço dele, e a Manuela tentava se afastar enquanto ela se aproximava.

Saímos do carro e fomos até elas. De repente, aquela mulher pirou e começou a fazer um show bem patético.

A Manuela não parava de me olhar com vergonha. Eu sorri pra ela... mas depois fui ficando com uma certa raiva. Elas deviam ter alguma coisa pra aquela véia fazer aquele escândalo todo.

Ela foi embora e na mesma hora o Gustavo me ligou. Sei que ele é homofóbico, mas tirando isso, era uma boa pessoa.

Ficamos vários minutos conversando. Percebi que a Manuela não tirava os olhos de mim. Eu tentava ignorar ela, não queria fazer aquilo, mas a raiva que eu sentia naquele momento me vencia.

Fui no carro do Carlos, e me sentia mal… queria falar com ela, desde que aconteceu aquela festa, desde que a gente se beijou, só conversamos uma vez, que foi ontem… liguei pra ela e ela me chamou pra ir hoje pra onde a gente tava indo, mas não tínhamos falado nada.

Chegamos!!!

Agradeci a Deus porque não aguentava mais os comentários do Carlos sobre mim.

Dois minutos depois, vi a Manuela descendo do táxi com os outros. Ela me olhou… eu olhei pra ela, mas nenhuma das duas fez mais nada.

Entramos.

Compramos as pulseiras pra poder entrar em todos os brinquedos, mas primeiro procuramos um lugar pra sentar.

— Melanie, você vem comigo ao banheiro? — a Lúcia me perguntou.

— Claro, vamos.

Vi a Melanie ir com a Lúcia pro banheiro. "Começamos bem", pensei.

No táxi, conversei com ela, é minha amiga, e contei o que tava rolando com a Melanie. Combinamos que, pra ninguém começar a fofocar, ela levaria a Melanie ao banheiro, eu iria atrás delas, e assim a gente poderia conversar sem que nenhum dos caras ficasse de olho.

Entrei e, por sorte, só estavam as duas lá.

— Oi — sussurrei, meio sem graça.

Só a Lúcia me respondeu. A Melanie só me olhou.

— Podemos conversar?

Ela ficou calada de novo.

— Melanie?

— Tá falando comigo? — ela se virou e me encarou de novo.

— Sim.

Então ela olhou pra Lúcia e depois pra mim.

— Fica tranquila que eu sei de tudo — disse a Lúcia. — Conversem que eu vou ficar lá fora. Se precisarem de algo, é só chamar, ok?

— Valeu.

A porta fechou e ficamos só eu e ela.

— Como você tá?

— Bem… — respondeu seca — e você?

— Meio confusa.

— Hum, por quê?

— Por sua causa — falei, olhando fixo pra ela. — Você não quer falar comigo?

— Por que você diz isso?

— Por que você responde com outra pergunta?

— Por que você não responde primeiro?

— MELANIE!!!

— MANUELA!!!

— Ei, por que você tá assim comigo?

— Assim como?

— Assim tão séria, o que que tem?

O que eu ia dizer naquele momento? Que tava com ciúmes de ver ela com aquela mina? Me dá uma raiva danada ver como ele se insinuava pra ela e ela só ria à toa…

- nada

- tem certeza?

- aham

- me diz uma coisa

- o quê

- você se arrepende do que rolou no carro?

Olhei pra ela. Como é que ela podia pensar isso, se foi a coisa mais linda que aconteceu naquela noite e, talvez, na minha vida inteira?

- por que você tá falando isso?

- agh – ela se virou e foi em direção à saída do banheiro, me pegando de surpresa – tá bom, não me conta não. Só queria resolver as coisas, mesmo sem saber por que elas estão assim, mas pelo visto você não quer. Então não tenho mais nada a fazer aqui.

Vi ela sair de lá, me deixando sem palavras.

2 comentários - No le temas al amor (3)

mmm jajaa problemas clasicos temor a ser rechasado como si eso fuera el fin del mundo dale tio ve con todo que son mas las ligadas que los roches Paso por ACA 🙎‍♂️
No le temas al amor (3)