Suponho que deve ter coisa muito pior do que ser aleijado, mas tenho certeza que uma delas é andar de cadeira de rodas em Buenos Aires.
Não tem uma porra de rampa em lugar nenhum,... e as poucas que existem estão todas cagadas. Lembrando que as rampas não são pra subir de moto, ou de bicicleta,... ou pra empurrar os carrinhos de entrega dos supermercados,... ou pra empurrar os carrinhos que distribuem mercadoria,... SÃO pra cadeiras de rodas.
Nem os prédios onde o metro quadrado custa mais de 2 mil dólares fazem uma porra de rampa,... mas pra falar a verdade, até que eu não podia reclamar muito. Antes do meu acidente, eu tava pouco me fodendo como os deficientes faziam pra circular, cagar, ou andar pelos lugares. Como é que um cara faz pra apertar o 16 no elevador se ele tá sentado...??
Depois de um tempo na clínica, saí pra rua "motorizado",... parecia o lançamento de um novo modelo da Ford,... todo mundo lá,... me ajudavam com as coisas,... empurravam meu carrinho,... mas logo percebi que odiava que me empurrassem.
Me colocaram num carro e me levaram pra casa,... ficar na minha própria casa era impossível,... nada era funcional,... agradeci à multidão amontoada no meu apartamento pela companhia,... e mandei todo mundo embora com um educado "vão, certeza que vocês têm o que fazer",... nesses primeiros tempos, achei melhor pedir pros meus velhos ficarem uns dias. Já tínhamos combinado que, até eu aprender os esquemas de um paralítico, um fisioterapeuta viria três vezes por semana na minha casa,... e ele mesmo ia recomendar umas mudanças na estrutura pra me dar a maior independência possível.
Acho que pra muita gente não vai ser interessante saber os detalhes da minha vida nos 6 meses seguintes,... mas posso resumir com um "puta merda, até pra cagar eu tava me fudendo...". A depressão é inevitável,...
A empresa onde eu trabalhava,... praticamente me aposentou,... mas por Por razões políticas, não podiam dizer que tinham feito aquilo porque eu era aleijado, não ficava bem... então me deram uma "consultoria"... que me obrigava a ir só nas reuniões de diretoria (uma vez por mês)... e continuavam me pagando o mesmo salário. Minha casa ficou toda reformada... aumentei a porta do banheiro pra poder entrar com a cadeira... a barra no vaso... as barras da cama... mandei trazer dos Estados Unidos um assento especial que me permitia abrir uma parte do box do chuveiro... sentar e entrar no chuveiro... coloquei ducha... bem... tudo que você puder imaginar pra tentar ser o mais independente possível... inclusive, paguei do meu próprio bolso a instalação de uma rampinha... que nivelava a saída de dois degraus até a rua. Meus velhos já tinham ido embora... eu tinha o tempo todo à toa.
No começo recebia visitas diariamente... ou pra ver como eu estava... ou a caminho do escritório... ou voltando do escritório... pra me levar pra passear porque o dia estava bonito... ou pra fechar tudo porque o dia estava feio... Não quero ser ingrato, mas tantos cuidados me faziam sentir mais inútil...
A única visita "agradável" era a do terapeuta... que eu já via uma vez por semana... por sorte era homem... porque grande parte dos exercícios era de cueca... e ele subia e descia minhas pernas... e mesmo que eu não tivesse sensibilidade, suponho que de tanto subir e descer minhas bolas e a pica apareciam toda hora. A outra visita agradável era a da minha afilhada... pelo menos uma vez por semana ela passava... tomávamos chimarrão... ela me contava as coisas dela... me perguntava o que eu andava fazendo, o que eu fazia com meu tempo... mas nunca mais tivemos nenhuma insinuação... Acho que junto com minha mobilidade tinham ido embora minhas vontades... era estranho... porque desde o acidente, não tinha transado, nem me masturbado nunca mais... só de vez em quando acordava com o pau molhado... o que eu atribuía à dificuldade de sacudir a pica quando fazia xixi "sentado".
De vez em quando ia ao neurologista, pra controlar como ia a fisioterapia... ele dizia que era importante manter o tônus muscular das minhas pernas... não porque eu fosse voltar a andar... mas que, mesmo que fosse de forma automática, me ajudavam em alguns movimentos. Nunca perguntei como funcionava o aparelho...
O computador virou minha grande aliada... lia o jornal... batia papo... mandava meus relatórios... recebia os relatórios do escritório... Nos chats, encontrava minha afilhada... e era ali, talvez porque ela não me olhava, que eu me soltava mais... Numa das conversas, ela perguntou: "Você está de manhã à tarde?" "Sim", respondi... "Então, passo lá..."...
Bem como ela disse, chegou no meio da tarde com algo pra acompanhar o mate... foi até a cozinha... eu não conseguia parar de olhar como ela se mexia... lembrava daquele rabo... e tentava visualizar ela, por baixo da calça jeans... Ela voltou com tudo numa bandeja. A conversa girou como sempre, em volta da faculdade dela... das minhas atividades... de comentários sobre os churrascos que eu quase não ia mais...
Quase sem perceber, perguntei: "Tem namorado?" Ela me olhou e disse: "Sim"... fez uma pausa e completou... "Ele tá se recuperando de um acidente, mas espero que fique bom logo..."
Meu coração deu um pulo... ela tava falando de mim... Não sabia o que responder... por um momento, me senti feliz... mas "minhas duas rodas" me trouxeram de volta à realidade... "Você não faz ideia do que tá dizendo", falei... "nunca te levaria grudada nessa realidade"... "você é uma menina, e eu sou um cara velho, e ainda por cima paralítico..."
A palavra paralítico soou mais patética do que realmente era. Acho que ela se sentiu ofendida... sem dizer nada, levantou as coisas... pegou a bolsa... e disse que ia embora... meio que acompanhei ela até a porta... ela se abaixou e me deu um beijo na boca... eu abri a boca... e senti ela enfiar a língua devagar... foi um beijo de amor... quando ela foi embora... fiquei pensando do outro lado da porta... pude ouvir Os passos dela se afastando... eu não fazia ideia de onde minha vida poderia acabar...
CONTINUA
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Não tem uma porra de rampa em lugar nenhum,... e as poucas que existem estão todas cagadas. Lembrando que as rampas não são pra subir de moto, ou de bicicleta,... ou pra empurrar os carrinhos de entrega dos supermercados,... ou pra empurrar os carrinhos que distribuem mercadoria,... SÃO pra cadeiras de rodas.
Nem os prédios onde o metro quadrado custa mais de 2 mil dólares fazem uma porra de rampa,... mas pra falar a verdade, até que eu não podia reclamar muito. Antes do meu acidente, eu tava pouco me fodendo como os deficientes faziam pra circular, cagar, ou andar pelos lugares. Como é que um cara faz pra apertar o 16 no elevador se ele tá sentado...??
Depois de um tempo na clínica, saí pra rua "motorizado",... parecia o lançamento de um novo modelo da Ford,... todo mundo lá,... me ajudavam com as coisas,... empurravam meu carrinho,... mas logo percebi que odiava que me empurrassem.
Me colocaram num carro e me levaram pra casa,... ficar na minha própria casa era impossível,... nada era funcional,... agradeci à multidão amontoada no meu apartamento pela companhia,... e mandei todo mundo embora com um educado "vão, certeza que vocês têm o que fazer",... nesses primeiros tempos, achei melhor pedir pros meus velhos ficarem uns dias. Já tínhamos combinado que, até eu aprender os esquemas de um paralítico, um fisioterapeuta viria três vezes por semana na minha casa,... e ele mesmo ia recomendar umas mudanças na estrutura pra me dar a maior independência possível.
Acho que pra muita gente não vai ser interessante saber os detalhes da minha vida nos 6 meses seguintes,... mas posso resumir com um "puta merda, até pra cagar eu tava me fudendo...". A depressão é inevitável,...
A empresa onde eu trabalhava,... praticamente me aposentou,... mas por Por razões políticas, não podiam dizer que tinham feito aquilo porque eu era aleijado, não ficava bem... então me deram uma "consultoria"... que me obrigava a ir só nas reuniões de diretoria (uma vez por mês)... e continuavam me pagando o mesmo salário. Minha casa ficou toda reformada... aumentei a porta do banheiro pra poder entrar com a cadeira... a barra no vaso... as barras da cama... mandei trazer dos Estados Unidos um assento especial que me permitia abrir uma parte do box do chuveiro... sentar e entrar no chuveiro... coloquei ducha... bem... tudo que você puder imaginar pra tentar ser o mais independente possível... inclusive, paguei do meu próprio bolso a instalação de uma rampinha... que nivelava a saída de dois degraus até a rua. Meus velhos já tinham ido embora... eu tinha o tempo todo à toa.
No começo recebia visitas diariamente... ou pra ver como eu estava... ou a caminho do escritório... ou voltando do escritório... pra me levar pra passear porque o dia estava bonito... ou pra fechar tudo porque o dia estava feio... Não quero ser ingrato, mas tantos cuidados me faziam sentir mais inútil...
A única visita "agradável" era a do terapeuta... que eu já via uma vez por semana... por sorte era homem... porque grande parte dos exercícios era de cueca... e ele subia e descia minhas pernas... e mesmo que eu não tivesse sensibilidade, suponho que de tanto subir e descer minhas bolas e a pica apareciam toda hora. A outra visita agradável era a da minha afilhada... pelo menos uma vez por semana ela passava... tomávamos chimarrão... ela me contava as coisas dela... me perguntava o que eu andava fazendo, o que eu fazia com meu tempo... mas nunca mais tivemos nenhuma insinuação... Acho que junto com minha mobilidade tinham ido embora minhas vontades... era estranho... porque desde o acidente, não tinha transado, nem me masturbado nunca mais... só de vez em quando acordava com o pau molhado... o que eu atribuía à dificuldade de sacudir a pica quando fazia xixi "sentado".
De vez em quando ia ao neurologista, pra controlar como ia a fisioterapia... ele dizia que era importante manter o tônus muscular das minhas pernas... não porque eu fosse voltar a andar... mas que, mesmo que fosse de forma automática, me ajudavam em alguns movimentos. Nunca perguntei como funcionava o aparelho...
O computador virou minha grande aliada... lia o jornal... batia papo... mandava meus relatórios... recebia os relatórios do escritório... Nos chats, encontrava minha afilhada... e era ali, talvez porque ela não me olhava, que eu me soltava mais... Numa das conversas, ela perguntou: "Você está de manhã à tarde?" "Sim", respondi... "Então, passo lá..."...
Bem como ela disse, chegou no meio da tarde com algo pra acompanhar o mate... foi até a cozinha... eu não conseguia parar de olhar como ela se mexia... lembrava daquele rabo... e tentava visualizar ela, por baixo da calça jeans... Ela voltou com tudo numa bandeja. A conversa girou como sempre, em volta da faculdade dela... das minhas atividades... de comentários sobre os churrascos que eu quase não ia mais...
Quase sem perceber, perguntei: "Tem namorado?" Ela me olhou e disse: "Sim"... fez uma pausa e completou... "Ele tá se recuperando de um acidente, mas espero que fique bom logo..."
Meu coração deu um pulo... ela tava falando de mim... Não sabia o que responder... por um momento, me senti feliz... mas "minhas duas rodas" me trouxeram de volta à realidade... "Você não faz ideia do que tá dizendo", falei... "nunca te levaria grudada nessa realidade"... "você é uma menina, e eu sou um cara velho, e ainda por cima paralítico..."
A palavra paralítico soou mais patética do que realmente era. Acho que ela se sentiu ofendida... sem dizer nada, levantou as coisas... pegou a bolsa... e disse que ia embora... meio que acompanhei ela até a porta... ela se abaixou e me deu um beijo na boca... eu abri a boca... e senti ela enfiar a língua devagar... foi um beijo de amor... quando ela foi embora... fiquei pensando do outro lado da porta... pude ouvir Os passos dela se afastando... eu não fazia ideia de onde minha vida poderia acabar...
CONTINUA
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2 comentários - Tudo sobre rodas - 1ª parte
no sabes como me enoje con vos cuando lei la tercera parte de los chicos crecen y el accidente maldito como toda mujer necesito final feliz...jolo porfavor me debes un final feliz...tengo miedo de ir a la segunda parte y ver que se pone todo mal...si es asi preparate a recibir un mp violento van+5 puntos
me debes un final feliz