Não porque eu a achasse feia. Também não porque fosse só mais uma repetindo uma velha tradição de família de homenagear uma ilustre antepassada. Eu odiava aquele nome porque não a representava em nada. Sombria e rebelde, melancólica e transgressora, Angelita merecia se chamar Lilith.
Na escola, muitos se divertiam tirando sarro do contraste entre a aparência dela e o nome, mas Angelita, um albatroz baudelairiano do novo milênio, passava indiferente com "Hurt" do Nine Inch Nails no talo nos ouvidos, sem nem dignificar com uma careta de desgosto.
Mas algo aconteceu dez dias atrás e Angelita mudou tanto que ninguém consegue reconhecê-la.
Como em tantos dias, suas botas pretas de bruxa a levaram silenciosas até o prédio da escola. O vento tinha se esmerado como nunca em bagunçar seu cabelo preto, e a franja teimava em esconder seus lindos olhos hiper delineados.
Com desânimo, abriu a porta da sala. Ignorou, como sempre, as reclamações pelo atraso, as risadinhas e os murmúrios por sua bagunça habitual – sua trilha sonora cotidiana – e se enfiou naquele último banco que, dia após dia, ela pichava com "No future".
No entanto, naquele dia, sentiu algo estranho: seu banco de sempre parecia iluminado por uma luz especial.
Olhou para todos os lados procurando a origem daquela luz e, ao não encontrar nada que justificasse, decidiu não se alarmar com tamanha esquisitice e dedicou toda a atenção a achar um espaço sem rabiscos onde pudesse gravar uma nova declaração de rebeldia.
Mais tarde, no recreio, foi ao banheiro. Insanamente linda, uma bulímica aspirante a top model vomitava o almoço; duas gordinhas premiadas com acne e miopia debatiam a complexa pós-modernidade; e a capitã do time de basquete arrumava as meias enquanto duas sapatonas, de olho nela, fumavam num canto.
Ao entrar, um brilho intenso cegou seus olhos, e ela ficou assim por um momento, confusa, ouvindo vozes, não vendo nada. Acostumadas ao comportamento bizarro dela, as outras minas não ligaram, mas Angelita cambaleou e caiu. desfalecida.
Na enfermaria, encheram ela de perguntas sobre que drogas tava usando, se tinha comido, se tinha histórico de diabetes, que drogas consumia, se era epilética, que drogas, que drogas, que drogas..." Angelita tinha tido um pico de pressão alta e os focos de luz intensos tinham sido o sinal", foi o que os enfermeiros acharam e mandaram ela pra casa com uma recomendação pro médico.
No caminho pra casa, a luz continuou acompanhando ela. Depois de fechar a porta de casa, ela parou um instante, com medo de entrar, porque sentiu que alguma coisa tava rolando. Chamou pelos pais, não estavam. Chamou pelo irmão mais velho, também não.
Quis se acalmar. Os enfermeiros tinham avisado a mãe dela, logo ela chegaria.
No quarto, ela foi devagar até o fetiche favorito dela, o computador. Ligou ele e então o quarto inteiro se iluminou com um brilho cegante. Antes que Angelita pudesse sequer pensar em gritar de susto, uma voz disse "Não teme".
Angelita sempre tinha rido dessa frase, dizia que falar "não teme" causava o efeito contrário. Mas a voz envolveu ela, abraçou forte a cintura dela e soprou um hálito morno no ouvido que a sedou na hora.
O que tava acontecendo? O que era aquele ser luminoso que ousava levantar a saia dela? Não conseguia perguntar nada, a boca dela recebia uma língua deliciosa que saboreava voraz a saliva fresca dela. Não conseguia se afastar, os cabelos pretos dela se enroscavam nos do ser luminoso numa troca erótica de texturas. Não conseguia ver, carícias suaves na nuca faziam ela fechar os olhos. Não conseguia resistir nem bater nele com os joelhos, uma presença onipotente pressionava com firmeza o pubis virgem dela.
Num voo etéreo, a luz levou ela pra cama e abriu as coxas dela. Centenas de orgasmos punheteiros foram humilhados diante do prazer extremo do primeiro beijo no clitóris, um arco lombar preparou a entrada triunfal das endorfinas e Angelita completou pela primeira vez aquele vazio imaculado entre as pernas dela. pernas.
O ser só dizia frases bonitas, só acariciava mansamente os peitos, só beijava docemente os bicos dos peitos. Será que Angelita tinha imaginado algo assim? Jamais, twisted brain, freaky witch, só desenhava estupros cruéis de vampiros e demônios, nunca, nunca uma doçura infinita…
A batida rítmica, profunda do membro escorregadio não machucava, só abria caminho insistente num interior tasty de beleza negada. Angelita se entregou àquele gozo extremo e o ser a completou de luz.
Ao se afastar, Angelita procurou o rosto, precisava ver quem era o ser, saber por que, saber como…
O ser sorriu, “você vai saber no chat” ele disse
“Chat?” ela não entendia
“Eu te procurei” disse o Ser, te rastreei, te encontrei e aqui estou para te resgatar da sua escuridão. Sabe? Você é gostosa…
“Eu? Gostosa, eu?
Mas o Ser já tinha ido embora, em alguma das inúmeras visitas a páginas góticas Angelita tinha deixado rastros para que o ser luminoso a encontrasse e a salvasse da sua existência miserável.
Na quarta-feira, ela tingiu o cabelo de castanho. Tirou o esmalte preto das unhas e deu pra Bolena e Lucrecia, amigas góticas, todo o seu guarda-roupa dark.
Hoje apareceu no colégio vestida de cores e com um brilho nos olhos.
Quando perguntaram o que tinha acontecido, o que tinha mudado, ela disse simplesmente que tinha se cansado de ser dark, mas eu sei que Angelita mudou porque descobriu que para alguém neste universo ela é Gostosa.
Como no post anterior, só peço algum comentário positivo ou negativo.
Abraços
Na escola, muitos se divertiam tirando sarro do contraste entre a aparência dela e o nome, mas Angelita, um albatroz baudelairiano do novo milênio, passava indiferente com "Hurt" do Nine Inch Nails no talo nos ouvidos, sem nem dignificar com uma careta de desgosto.
Mas algo aconteceu dez dias atrás e Angelita mudou tanto que ninguém consegue reconhecê-la.
Como em tantos dias, suas botas pretas de bruxa a levaram silenciosas até o prédio da escola. O vento tinha se esmerado como nunca em bagunçar seu cabelo preto, e a franja teimava em esconder seus lindos olhos hiper delineados.
Com desânimo, abriu a porta da sala. Ignorou, como sempre, as reclamações pelo atraso, as risadinhas e os murmúrios por sua bagunça habitual – sua trilha sonora cotidiana – e se enfiou naquele último banco que, dia após dia, ela pichava com "No future".
No entanto, naquele dia, sentiu algo estranho: seu banco de sempre parecia iluminado por uma luz especial.
Olhou para todos os lados procurando a origem daquela luz e, ao não encontrar nada que justificasse, decidiu não se alarmar com tamanha esquisitice e dedicou toda a atenção a achar um espaço sem rabiscos onde pudesse gravar uma nova declaração de rebeldia.
Mais tarde, no recreio, foi ao banheiro. Insanamente linda, uma bulímica aspirante a top model vomitava o almoço; duas gordinhas premiadas com acne e miopia debatiam a complexa pós-modernidade; e a capitã do time de basquete arrumava as meias enquanto duas sapatonas, de olho nela, fumavam num canto.
Ao entrar, um brilho intenso cegou seus olhos, e ela ficou assim por um momento, confusa, ouvindo vozes, não vendo nada. Acostumadas ao comportamento bizarro dela, as outras minas não ligaram, mas Angelita cambaleou e caiu. desfalecida.
Na enfermaria, encheram ela de perguntas sobre que drogas tava usando, se tinha comido, se tinha histórico de diabetes, que drogas consumia, se era epilética, que drogas, que drogas, que drogas..." Angelita tinha tido um pico de pressão alta e os focos de luz intensos tinham sido o sinal", foi o que os enfermeiros acharam e mandaram ela pra casa com uma recomendação pro médico.
No caminho pra casa, a luz continuou acompanhando ela. Depois de fechar a porta de casa, ela parou um instante, com medo de entrar, porque sentiu que alguma coisa tava rolando. Chamou pelos pais, não estavam. Chamou pelo irmão mais velho, também não.
Quis se acalmar. Os enfermeiros tinham avisado a mãe dela, logo ela chegaria.
No quarto, ela foi devagar até o fetiche favorito dela, o computador. Ligou ele e então o quarto inteiro se iluminou com um brilho cegante. Antes que Angelita pudesse sequer pensar em gritar de susto, uma voz disse "Não teme".
Angelita sempre tinha rido dessa frase, dizia que falar "não teme" causava o efeito contrário. Mas a voz envolveu ela, abraçou forte a cintura dela e soprou um hálito morno no ouvido que a sedou na hora.
O que tava acontecendo? O que era aquele ser luminoso que ousava levantar a saia dela? Não conseguia perguntar nada, a boca dela recebia uma língua deliciosa que saboreava voraz a saliva fresca dela. Não conseguia se afastar, os cabelos pretos dela se enroscavam nos do ser luminoso numa troca erótica de texturas. Não conseguia ver, carícias suaves na nuca faziam ela fechar os olhos. Não conseguia resistir nem bater nele com os joelhos, uma presença onipotente pressionava com firmeza o pubis virgem dela.
Num voo etéreo, a luz levou ela pra cama e abriu as coxas dela. Centenas de orgasmos punheteiros foram humilhados diante do prazer extremo do primeiro beijo no clitóris, um arco lombar preparou a entrada triunfal das endorfinas e Angelita completou pela primeira vez aquele vazio imaculado entre as pernas dela. pernas.
O ser só dizia frases bonitas, só acariciava mansamente os peitos, só beijava docemente os bicos dos peitos. Será que Angelita tinha imaginado algo assim? Jamais, twisted brain, freaky witch, só desenhava estupros cruéis de vampiros e demônios, nunca, nunca uma doçura infinita…
A batida rítmica, profunda do membro escorregadio não machucava, só abria caminho insistente num interior tasty de beleza negada. Angelita se entregou àquele gozo extremo e o ser a completou de luz.
Ao se afastar, Angelita procurou o rosto, precisava ver quem era o ser, saber por que, saber como…
O ser sorriu, “você vai saber no chat” ele disse
“Chat?” ela não entendia
“Eu te procurei” disse o Ser, te rastreei, te encontrei e aqui estou para te resgatar da sua escuridão. Sabe? Você é gostosa…
“Eu? Gostosa, eu?
Mas o Ser já tinha ido embora, em alguma das inúmeras visitas a páginas góticas Angelita tinha deixado rastros para que o ser luminoso a encontrasse e a salvasse da sua existência miserável.
Na quarta-feira, ela tingiu o cabelo de castanho. Tirou o esmalte preto das unhas e deu pra Bolena e Lucrecia, amigas góticas, todo o seu guarda-roupa dark.
Hoje apareceu no colégio vestida de cores e com um brilho nos olhos.
Quando perguntaram o que tinha acontecido, o que tinha mudado, ela disse simplesmente que tinha se cansado de ser dark, mas eu sei que Angelita mudou porque descobriu que para alguém neste universo ela é Gostosa.
Como no post anterior, só peço algum comentário positivo ou negativo.
Abraços
4 comentários - Angelita odiava o próprio nome.
Quizas la proxima sea mas de mi agrado, un abrazo y siga asi, no me des bola! 🆒
+5
Salu2.
y justi98 gracias por los puntos 😉