Manual de como ligar

Dou fé que não funciona, mas pra passar um tempo gostoso, serve:Considerações preliminaresO manual é pensado em formato de checkpoints: tem que passar por todos os pontos-chave, mas o jeito de chegar neles fica por sua conta.
O espírito do manual é mais de orientação. Não é recomendado seguir ao pé da letra, mas em casos de bebedeira extrema, a gente incentiva que seja seguido bem de perto. Tem uma máxima do Comitê que raramente falhou: "Não pensa, que tu fode tudo".
E mais importante: "Tem que entrar no Campo de batalha com um pouco de sangue no álcool. Quem não seguir essa regra pode ter a licença federativa de pesca sem vara suspensa temporariamente.Fase Prévia: Ativando o ScannerDepois da entrada triunfal pela porta da frente, por onde entramos e por onde VAMOS TENTAR sair, é preciso ligar na hora o escâner e o sonar (se a gente tiver um), porque isso vai marcar posições líquidas e pontuações brutas. Isso significa que da nota que o escâner der, tem que tirar 0,75 ponto (numa escala de 0 a 10) por cada copo tomado a partir do sexto, e mais meio ponto por cada hora que passar das 4 (é o chamado Algoritmo de Justerini & Brooks).

Exemplo: Uma mina, de cara, é um 6. São 5h15 e você já bebeu até a água do vaso (vamos chutar umas 10 doses). Aplicando o tal Algoritmo de Justerini & Brooks, fica: 6 - (4 * 0,75) - (1 * 0,5) = 2,5.

O resultado é a mina vista às 5 da tarde, com luz natural e sem maquiagem. Sei que é assustador, mas é assim. Mesmo assim, os coeficientes (0,75 / 0,5) podem ser ajustados individualmente dependendo de como você já viajou na maionese em saídas anteriores.Míssil 1: Ataque- Oi, desculpa, posso falar um minuto com você? - Sim, claro, por que não? - Não, nada, é que tá cheio de cara dando em cima e a última coisa que eu queria era incomodar. - Não, não, não incomoda...
Finalidade: Dar a impressão de que você é um cara decente e se mostrar como uma pessoa educada. Você não vai pegar ninguém: você se apaixonou.Míssil 2: Início da estratégia- Qual é o teu nome? - XXX, e o teu? (Dizer a verdade é opcional, embora seja recomendável) - Você vem muito aqui? - De vez em quando. - Que estranho. Não lembro de ter te visto, e se tivesse visto, eu me lembraria... - É...
Finalidade: Lançamento do primeiro tiro. Observe que ele é lançado para intimidar, não para acertar. Não façam cara de tarados.Míssil 3: Momento crítico!- Bom, e o que você tá fazendo por aqui?
- Ah, nada, dançando com...
Umas amigas -> OK
Uns amigos -> ALERTA VERMELHO
- E seu namorado, cadê?
- Você pergunta demais, né?
- É que sou muito curioso pra algumas coisas...

Finalidade: Além de artilheiros, somos espiões infiltrados nas fileiras inimigas. Das informações que conseguirmos depende o sucesso da nossa missão. Como efeito indireto, observa-se o lançamento de um segundo disco, também de caráter intimidador.Míssil 4: Momento de tensãoAqui tão considerando 4 opções, que no melhor dos casos nos dão uma taxa de sucesso de 49%. Tamo na primeira situação crítica da batalha. Dependendo do potencial inimigo, a gente recua ou ataca com mais fúria. Não vamos ter mais informação do que a que a gente conseguir pegar.

1) Meu namorado tá no balcão/banheiro/guarda-roupa/etc.
Procedimento: Então, fala pra ele que ele é muito sortudo.

2) Meu namorado não saiu. Ele tem provas e não sai.
Procedimento:
- Nossa, e ele te deixa sozinha por esses mundos de Deus? - Sim. Já sei me virar sozinha.
Nessa fase, entra num rifa-ráfia imprevisível de consequências imagináveis, que, por ser aleatório, fica fora da nossa análise.

3) Meu namorado não saiu. Prefere sair com os amigos a sair comigo.
Procedimento:
- Ele prefere sair com os amigos do que com você? Deve ser maluco... - Ah, você sabe como vocês homens são... - Nem todos. Eu, por exemplo, e não é pra me fazer de bonzinho, quando tô com alguém, ela é tudo pra mim. Olha: dou toda a liberdade do mundo e tal, mas pra mim ela é o mais importante...
Depois dessa sequência de mentiras ridículas e condenáveis, a gente se encontra num cenário perigoso. O sucesso ou fracasso da investida vai depender da habilidade do soldado. O comitê gostaria de ressaltar a vontade mal disfarçada da vítima de arrumar confusão, ou então que ela precisa de um psicólogo (e isso NÃO é nosso trabalho). Em situações assim, a profissionalidade e a experiência do soldado vão garantir a vitória. É um cenário onde um soldado de infantaria provavelmente vai morrer.

4) Não, não tenho namorado.
Procedimento:
Manter a calma. Não deixa o pau ficar duro. Não se empolga: o inimigo não ter artilharia pesada não significa que a batalha tá ganha. Concentração total SEMPRE. Não convida ela pra um drink. Além do prejuízo no bolso (que já seria motivo pra descartar de cara), dá a impressão de que isso é um bar americano e, portanto, ELA É A PUTA. Se for essa a resposta, o comitê recomenda proceder da seguinte forma:Míssil 5: O estilista fino (Fase crucial)— Como assim, você não tem namorado? Não me engana, mulher, que eu não sou cego... — Tô falando sério.
O manual do comitê fala de 3 estratégias puras, e uma infinidade de estratégias mistas. Vamos focar nas primeiras (da menos pra mais agressiva):

**Estratégia 1: "O Voo da Galinha"**
É o seguinte: ir enrolando a conversa com mais ou menos estilo até ela cair.
Nota do Comitê: Na real, ninguém sabe os detalhes dessa tática porque nunca foi usada.

**Estratégia 2: "O Império Contra-Ataca"**
— E me diz: como é que uma mina tão gostosa e simpática não tem namorado? — É que...
Nesse momento, ela vai despejar algum dramalhão chato e cansativo que a gente não vai ouvir (provavelmente detonando os caras: são uns egoístas, me machucaram muito, não confio mais em ninguém, etc., etc., etc.). Mesmo assim, finjamos que estamos prestando atenção, incline a cabeça de vez em quando, vá balançando a cabeça concordando quando ela se indignar, franza a testa quando ela fizer frases longas, e pegue suavemente no braço dela, fingindo que tá difícil ouvir de longe o que ela diz, que parece muito interessante.

A conversa vai seguir por caminhos que a gente nem sabe (não esquece que a gente tá bem bebado) até que, num instante de silêncio (descontando a música eletrônica que tá acabando com a gente), a gente finge que vai falar algo, mas cala a boca. É um gesto bem técnico e precisa de muita prática.

— O que você ia dizer? (pergunta a inocente e potencial vítima). — Não, nada... me veio uma coisa na cabeça... — O que era? — Ia te falar uma coisa, mas deixa pra lá...

**ATENÇÃO!** Nesse momento, qualquer mina, a menos que seja burra pra caralho, já sacou qual é a situação.
Se ela não perguntar de novo: é suar mais um pouco.
Se ela perguntar de novo: "Fala, me conta" — a coitada diz.
— É que eu sou muito tímido... juro, não tem importância, XXX (referindo-se ao nome da vítima em questão).

Nota do Comitê: é muito importante terminar as frases falando o nome dela. cada vez mais, uma de cada 2 ou 3. Envolve um tratamento mais personalizado, que no fim das contas é o que a gente busca... Se a coisa evoluir, podemos chamar de céu, amor, etc... e esquecer de vez o nome dela
Nota do Comitê 2: nessa fase tão tensa, é muito importante NÃO levantar o olhar pela balada, já que se estabelecer contato visual com um amigo, invariavelmente vamos morrer de rir, o que vai atrasar, ou até abortar, a missão que nos foi confiada.
- Fala, vai, não seja tímido... porra... odeio essas situações...
Opções
...se eu puder te beijar.
...me apaixonei por você. Juro...
...você é a mulher mais gostosa, blá, blá, blá....(a critério do árbitro)
A resposta que vamos receber, invariavelmente, será a seguinte:
- COMOOOOOOOOOOO??????? - Pois é. Você queria que eu falasse e já falei. Se quiser rir de mim, ri. Eu tinha que te dizer....
Nota do Comitê: Nesse momento, recomenda-se, para aliviar a tensão reinante, a aplicação do Algoritmo de Mc Gregor-Henseilweiss:
- Sinceramente, desde que te vi, você me cativou. Queria te falar algo, mas não tinha coragem. Tive que ir ao bar e tomar três gin-tônicas pra juntar coragem e vir te falar. Se não tivesse feito isso, não ia me perdoar. Curto e eficaz.
Nota do Comitê: Convém memorizar essa frase de cor, pois nossa capacidade de análise e raciocínio é igual à do bicho-da-seda.
A partir daqui, distinguem-se três possíveis reações, perfeitamente identificadas:
1) Não. Não tô atrás de rolo de uma noite
Temos duas opções:
Pede o telefone dela e tchau.
Ideal se a gente estiver bêbado pra caralho e nossos amigos também não tiverem pegado ninguém.
Continuar insistindo que nem um campeão:
- Você tá enganada sobre mim. Eu não sou assim. Tô sendo sincero com você. Só queria te beijar, e como quero ser sincero, falei. Além disso, você mesma pediu pra eu dizer o que pensava...
Nota do Comitê: fase escabrosa, com um final difícil de prever. De novo o jogo tá nas mãos do atirador. Fator contra: o cansaço junto com a bebedeira é uma bomba-relógio.
2) Você não acha que tá indo muito rápido?
Procedimento: Sinônimo de que quer confusão.
Com paciência e técnica, dá pra afirmar que a puta já era nossa. Recomendamos:
- Talvez eu esteja indo rápido, mas é que meu coração também tá acelerado. Foi amor à primeira vista e... (Nesse momento o escriba começou a vomitar que nem um bebê. É compreensível.)
3) Beleza, então
A lógica venceu: era uma vagabunda nível 15 e lá estamos. Mais um zero à esquerda. Nesse ponto, temos três estratégias a seguir ("de cara limpa"):
1. Posso ser seu namorado?/Quer casar comigo?
É o já mítico método Clinton-Gaskinnen. Saída bem safada. Ela vai rir e baixar o olhar. Isso é bom pros nossos interesses sujos.
2. Cê tá afim de mim? (Atirando com bala)
Ela não vai se pronunciar, mas já é nossa. O erro dela foi descuidar os flancos.
3. Eu te desejo como nunca desejei ninguém antes. (Heavy metal no talo)
Se colar, a gente economiza uma boa meia hora. IMPLICA O RISCO DE UMA GARGALHADA DO CALIBRE 22. Vamos manter a seriedade: não olhem NEM DE LEVE pros amigos.
Nota do Comitê: te aconselhamos nesse ponto a não seguir o manual à risca e dar uma margem pra sua inteligência depauperada. É arriscado mas também é bonito ganhar por mérito próprio...Míssil 6: Atirar pra matarJá enfiamos nossa língua suja na boca dela (soa pesado, mas é isso). Temos uma vantagem: nosso objetivo é claro — FODER ELA — e uma desvantagem: a falta de colaboração dela (a princípio). Chegou a hora de o Comitê de Negociação (formado por nós e nossas bolas) aliviar as tensões em busca de uma saída negociada pro conflito, sem derramamento de sangue.

Estamos na terceira fase crucial. As seguintes contingências foram definidas:

Nossa bebedeira: fator hostil, tanto pra nossa capacidade de análise quanto pros nossos objetivos porcos na cama. O comitê aconselha não beber mais a partir desse ponto. Sabemos da repulsa que esse parecer causa, mas a missão vem primeiro.

A bebedeira dela (dela mesmo): fator favorável. Na real, já que a gente não se acha e é incapaz de convencer um babuíno a não fumar, é nossa maior carta, pra não dizer a única. Se percebermos que ela articula 2 ou mais frases coerentes, temos que enfiar nela com a maior urgência outra dose (recomendamos via oral).

Falando da negociação em si, interessa se mostrar muito foda no quesito amoroso, mas sem ser phantom. De qualquer forma, temos uns 85% de chance de não acertar nada, e nesse caso vamos ter que recorrer ao Algoritmo de Cervantes, que é basicamente fingir que somos manetas. Como se faz? Enfiando a mão em cada buraco ou potencial buraco da roupa dela. Se ela pegar na nossa mão, faz com a outra, e vai nessa de vai e vem. Temos 2 finais possíveis:

Ela dá um tapa que deixa a gente calmo.
Risadas e tal, e nesse caso a gente vai deixando rolar.

O fator morcego ou Bat-factor: detectado pelo comitê numa viagem arriscada à Amazônia, é quando a mina que você tá pegando vem com uma amiga de um metro e vinte, baixinha, gorda, depressiva e filha da puta. Assim que esse troço achar que você tá passando dos limites com a amiga dela ou perceber que vocês tão planejando vazar, ela agarra a amiga e, em 5 minutos, Meio minuto e a sua vai chegar e falar que tem que ir embora na hora, te deixando com cara de otário. Nem preciso dizer que o mesmo rola num 2 contra 3.
É óbvio: ninguém quer comer a morcega-batata, e ela se consola fudendo os planos da gostosa. Fica esperto com isso!Míssil 7: A tomada de BerlimA glória tá chegando.
As tropas aliadas tão entrando pelos Alpes, balançando as bandeiras de Jack Daniel's. Nesse momento, a gente é só fantoche de uma mulher perversa. Nada do que a gente falar ou fizer vai adiantar. Ela vai fazer o que quiser, e se você transar, vai ser porque ela te comeu. Não esquece: sua missão era trazer as bolas até aqui, então, aconteça o que acontecer, o comitê tá orgulhoso de você.

Tem vários tipos de mina que a gente analisa agora:

Gibraltar: é uma pão-dura, e você devia ter sacado antes. Ela é tão filha da puta que consegue se despedir com dois beijos. Se arrepende do (pouco) que fez dentro da balada.

Gibraltar bêbada: imprevisível. Os casos que a gente estudou deram uma variância no termo de perturbação que é de cair o cu da bunda. Resultados não dá pra extrapolar. Treme, soldado.

Mina normal (entre aspas): difícil de definir. Nessa situação, o fator morcego é muito mais importante.

Van Basten: depois de uns primeiros momentos bem promissores, parece murchar sem motivo claro. Vai acabar indo pra casa (mas ainda te dá uns carinhos discretos). Não é totalmente ruim.

Indurain: depois de um começo nem tão promissor, explode do nada e te arrebenta num hotel. Raríssima.

Tyson: começa forte e termina forte. Provavelmente foi ela que chegou em você e continua te apertando. É o que na terminologia técnica se chama de Putão de Festa.

Calientapollas: é tão bizarra que nem vamos falar dela.

Considerações adicionais

Contador de beijos: Artigo 3, parágrafo 5º, seção terceira: "Será considerado beijo toda atividade de acordo com o regulamento (que seja inter-vivos, sem vínculos familiares e de caráter hétero) na qual tenha havido contato expresso entre as duas (ou mais) línguas."

Também é importante levar em conta o seguinte:

1. Se os amigos pegam geral, a gente tem que pegar também. Se precisar baixar o nível, ou até jogar no chão, joga e pronto.
2. São umas putas. a menos que se prove o contrário. Se for comprovada a inocência dela, aconselhamos deixar a pobre vítima em paz. 3. Tem que ter senso com as bebidas: nunca diga a última, no máximo a penúltima. 4. Se a mina é gostosa, é porque você estava bêbado e não sabia onde estava indo. Já que Deus te deu esse presente, não desperdice. 5. Não leve uma guria pra cama se você está tão bebado que sabe que não vai dar conta. Saia como um campeão ("não quero me precipitar com você") e deixe ela na mira pra uma ocasião melhor.
Não convém ligar depois. O número que ela te deu pode ser queimado (Método Victorievich) ou guardado como troféu de guerra (Método Gaskinnen).
Se você ligar – você gosta muito – vai se apaixonar – SE FODEU. Você não vai ser o primeiro a abandonar os Corpos de elite, mas tomara que seja o último vendido, calcinha, virador de casaco.

Curiosidade científica a considerar

A passagem do tempo e das bebidas causa uma gama de efeitos surpreendentes nas minas, dos quais vamos destacar os principais:
- As feições monstruosas delas se transformam em traços suaves e estilizados. - Perdem cerca de 5 quilos por copo a partir do oitavo copo. - Quanto mais bêbado você está, mais libidinosamente elas parecem te olhar. - A partir do décimo copo você dança muito bem, e elas reparam em você. - Quando você vai ao balcão, elas te olham com admiração: "como esse cara bebe e aguenta bem. É um macho de verdade".

Técnicas Adicionais

Deu bons resultados trocar fogo ou tabaco por beijos (Método Clinton).
Olhar fixamente pra ela. Daí ela pergunta: "Você está me ouvindo?". Você responde: "Na verdade, não. Eu estava olhando seus olhos e fiquei bobão... são lindos. Desculpa, o que você estava dizendo?"
Pergunte a ela: "Você gosta de caras bonitos, altos, fortes, inteligentes, sensíveis e fiéis?" "Claro que sim", ela vai responder. Você solta: "Você também gosta de mim. Quando vamos casar?"
Método Stanislavski-Strasberg: Conforme a conversa avança, vá Segurando ela de leve pelo braço ou pela cintura. Chega perto dela quando ela falar com você. Quando você falar com ela, aproxima do ouvido dela e roça de leve a bochecha na dela ao se aproximar e ao se afastar. Beija ela na bochecha de surpresa a qualquer momento. Ela vai te perguntar por que você fez isso. Você já trouxe ela pro seu território: agora atira à queima-roupa.
Quando vocês já tiverem intimidade, pega na mão dela, acaricia o cabelo, FAZ ALGUMA COISA, piranha, que a gente não tem a noite toda...

2 comentários - Manual de como ligar

muy bueno 👍
tratare de seguir este manual