"Sexting" Asi nos define Clarin

É a troca entre jovens de fotos e vídeos provocantes, até com nudez. Muitas dessas imagens circulam na internet. E podem ser usadas em sites pornô.Uma mina tira uma foto ou se grava numa pose sedutora, semi-nua ou pelada, e manda por mensagem multimídia pro celular de um cara. Ele repassa pros amigos, com ou sem a permissão dela, e eles espalham pelas redes sociais, sites ou chat. É assim que funciona o "sexting" (vem de sexo e texting, "mandar mensagem" em inglês). É a última moda entre os adolescentes e as novas tecnologias de comunicação que parece uma brincadeira, mas tem seus riscos, alertam os especialistas.

Segundo uma pesquisa da Associação Civil Chicos.net e duas organizações estrangeiras, nove em cada 10 adolescentes tem celular e o36% admitiu que manda fotos suas em poses provocantes.De acordo com a consultoria Ignis, dos quase 10 milhões de usuários argentinos de redes sociais e blogs, 50% são moleques de 12 a 18 anos.

No Missing Children, eles alertam que esses adolescentes podem ser fisgados depois por redes de tráfico de pessoas. E também que as fotos deles...apareçam em sites pornô.Os pais estão preocupados, nos ligam desesperados ou mandam e-mails. Eles não sabem onde as imagens dos filhos podem parar. Muitas meninas que postam suas fotos recebem propostas para serem modelos, mas às vezes encontram outra coisa", afirmou Lidia Grichener, presidente da entidade. E contou o caso de Josefina H., de 13 anos, que postou uma foto de lingerie no Fotolog e "John", de 26, comentou e passou o e-mail dele. Eles começaram a namorar pelo chat e, oito meses depois, ela desapareceu.

No Facebook, já existem 20 grupos que se opõem a essa moda e compartilham experiências. Da divisão de Crimes em Tecnologia e Análise Criminal da Polícia Federal, revelaram ao Clarín que já foram registrados 80 casos de denúncias sobre crimes cibernéticos neste ano, enquanto em todo 2008 foram 250.

O fenômeno do "sexting" surgiu nos Estados Unidos e aqui é tão novo que pode até ter "algumas brechas legais", explicou Leonardo González Frea, advogado especialista em tecnologias. Mas o "sextingpode ser considerado crime de pornografia infantilPorque a recente reforma do artigo 128 da Lei de Crimes Cibernéticos (26.388) do Código Penal pune com até seis anos de prisão quem publicar, divulgar ou distribuir uma imagem sobre atos sexuais ou mostrando os genitais de um menor de 18 anos. "Para os tribunais, esses casos serão um desafio porque poderão julgar aplicando essa lei. O que resultaria no julgamento de menores, mesmo que o ato ilícito de publicar ou divulgar uma imagem sua ou de um amigo com menos de 18 anos tenha começado só como uma brincadeira, uma travessura, ou simplesmente por desconhecimento", afirmou.

Além de serem vítimas de crimes, o psicólogo Sergio Balardini alertou que o 'sexting' pode trazer problemas emocionais nos jovens. "Eles não sentem o perigo das novas tecnologias porque nasceram com elas e se imitam através delas. Mas o que no começo é uma diversão, como o sexting, pode chegar à humilhação e ao arrependimento pela perda da intimidade, um sentimento que pode acompanhá-los por anos".

O especialista, no entanto, opinou que não se deve culpar a Internet: "Os adolescentes não percebem a diferença entre o que é público e o que é privado. Tudo o que fazem pela web ou pelo celular acham que não pertence às suas atividades reais".

Jorge Cella, gerente da Microsoft Argentina, concordou: "Mesmo que os garotos saibam muito sobre tecnologias, continuam sendo inocentes".

Ambos insistiram que, apesar de os pais ignorarem quais são e como funcionam as novas tecnologias, são eles que devem estabelecer uma conexão entre a educação para a vida real dos seus filhos e a educação para a vida digital.

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