Leanlo, é interessante.SAL REFINADA
VENENO COTIDIANO
É preciso fazer um certo esforço pra entender por que algo tão saudável quanto o sal se transformou no nosso veneno de todo dia. Como sempre, não tem um motivo único, mas uma soma de fatores. Por isso, vale a pena analisar o assunto de vários ângulos: químico, físico, produtivo, cultural, etc. Mas vamos ver que tudo acaba convergindo pro bendito interesse econômico, que – ironicamente – mostra pouco interesse pela saúde. Será que, na economia dos negócios, uma pessoa saudável não é “rentável”?
Vamos analisar o problema do sal por dois aspectos complementares: o plano material e o plano energético. Podemos começar avisando que o centro da questão tá na refinação industrial. Analisada do ponto de vista químico, a diferença entre um sal marinho integral e o moderno sal de mesa que a gente usa no dia a dia é abismal. A simples evaporação da água do mar deixa como consequência um resíduo sólido, que a gente chama de sal. Esse resíduo é composto pelos 84 elementos estáveis da tabela periódica, aquela que a gente estudava no colégio. Claro que o cloro e o sódio são os principais elementos em quantidade, representando quase 90% da composição. Mas a importância qualitativa desses 10% restantes é realmente extraordinária.
Já que toda a vida do planeta surgiu do leito marinho, é óbvio que existe uma semelhança intrínseca e funcional com aquela “sopa mãe”. Todas as formas de vida (plantas, animais, humanos) carregam essa solução incorporada nos nossos fluidos internos (seiva, líquidos intracelulares, plasma sanguíneo). Nossos antepassados tinham consciência disso, graças à visão holística intuitiva deles; mas o nosso reducionismo moderno industrial tratou de jogar essa perspectiva no lixo. No caso do sal, começaram a pensar em termos de “sujeira”: tinha que lavar e purificar pra apresentar como um produto “limpo e higiênico". Esse conceito funcionou – e o mais triste é que ainda funciona em escala massiva – também com outros alimentos básicos e sujeitos a processamento industrial: farinha, arroz, açúcar, óleo, etc.
O PROBLEMA DO REFINO
Mas tem outras razões de "peso" pelas quais a indústria desenvolveu procedimentos complexos e caros de limpeza e purificação do sal. E é justamente porque foram descobrindo o grande valor industrial do componente básico do sal (o cloreto de sódio) no desenvolvimento de produtos de síntese química. Uma vez liberado das "impurezas" (e, portanto, do equilíbrio iônico que os outros 82 elementos lhe conferem), o cloreto de sódio é um reagente perfeito e barato. Por isso, aperfeiçoaram a técnica de refino e limpeza, pra conseguir a máxima pureza na produção de cloreto de sódio. Essa substância virou um elemento indispensável na indústria química, principalmente pra produção de plásticos, óleos minerais, desmoldantes, etc. A indústria alimentícia também meteu ele na sua bateria de aditivos conservantes, como inibidor de processos de decomposição: um exemplo é o iogurte, que contém cloreto de sódio, não como saborizante, mas como conservante.
A Dra. Sherry Rogers dá outra pista sobre o porquê do refino do sal, no livro dela "A cura está na cozinha": "O sal de cozinha comum que invadiu o mercado dos Estados Unidos nos últimos 50 anos parece ser um subproduto da fabricação de armas. As grandes companhias (como a Morton Thiokol, fabricante de combustíveis para foguetes) refinam sal pra extrair certos minerais que depois usam nas suas produções bélicas e espaciais. No processo de refino industrial, o sal de cozinha passa por temperaturas de 670ºC, o que altera definitivamente sua estrutura cristalina natural."
Por essas razões, o sal é refinado exaustiva e cuidadosamente no mundo moderno. Uma só A cifra nos permite entender melhor essa realidade: 93% do sal refinado no planeta é destinado a fins industriais não alimentícios, 4% é usado pela indústria alimentícia como conservante; apenas os míseros 3% restantes vão para o uso como sal de mesa. Traduzindo em termos mais simples, "de quebra" a mesa "pega" os "benefícios" da excelente "pureza" da refinação industrial e nossas donas de casa se "beneficiam" ao ter um produto "imaculado" que não empedra.
Também existe outra fonte importante de cloreto de sódio, que embora não venha da refinação, é consequência de um resíduo industrial e, portanto, carrega a nocividade da manipulação tecnológica, principalmente no nível energético. Estamos falando das fábricas de pasta de papel ou "papeleiras", tão na moda ultimamente por causa da questão ambiental. O cloreto de sódio é um dos resíduos que emergem do processo de produção da pasta celulósica, base da indústria papeleira. Como dizem os avisos dos filmes, "qualquer semelhança entre essa atividade e marcas de sal é mera coincidência".
Continuando com a refinação do sal, digamos que em 1971 o governo japonês decretou que todo o sal para consumo humano deveria ser produzido pelo duvidoso processo de troca iônica, que usa 3.000 volts e 120 amperes de eletricidade para extrair os íons de cloreto de sódio da água do mar. Um físico atômico, Katsuhiko Tani, contrário a essa decisão oficial, começou a fazer estudos sobre o assunto, criando a Associação de Pesquisa do Sal.
Em uma de suas primeiras experiências, Tani trabalhou com amêijoas vivas mergulhadas em diferentes concentrações de sal obtido naturalmente pela evaporação da água do mar. Depois, imitou essas concentrações com o sal para consumo humano e com o sal de potássio (cloreto de potássio), um substituto artificial para hipertensos. O resultado: as amêijoas mergulhadas nas soluções com sal natural Reagiram abrindo suas carapaças, enquanto aquelas mergulhadas nas soluções com sal obtido por troca iônica ou com sal de potássio permaneceram fechadas, reagindo como se estivessem num ambiente hostil.
Os parágrafos anteriores têm a ver com uma realidade trágica que quase ninguém se importa: o cloreto de sódio, como composto quimicamente puro, não existe na natureza. Algo parecido acontece com a sacarose (açúcar branco). Biologicamente, o organismo não reconhece essas substâncias refinadas e de extrema pureza; mais que isso, as considera tóxicas por sua reatividade. Ironicamente, pela mesma razão que a indústria valoriza o cloreto de sódio (capacidade reativa), o organismo o rejeita.
Pra entender melhor essa "fobia" corporal aos compostos quimicamente puros, podemos usar dois exemplos toscos, mas ilustrativos: a cana-de-açúcar e a folha de coca. Estudos feitos na África do Sul com amostras de urina de dois mil trabalhadores de plantações de cana-de-açúcar não encontraram traços de glicose, mesmo eles mascando em média 2 kg de cana por dia, ou seja, ingerindo uns 350g de açúcar diariamente. A explicação é simples: enquanto a cana mascada é um alimento natural, completo e fácil de metabolizar, o açúcar refinado é um produto estranho e nocivo pro organismo. Outras pesquisas feitas na África e na Índia mostram que a diabetes é desconhecida em povos que não incluem carboidratos refinados na dieta.
Sobre a coca, é fácil observar nos povos andinos que o consumo diário da folha mascada (benéfica pro mal da altitude) não gera os efeitos devastadores do extrato refinado, conhecido como cocaína. Tamo sempre falando de produtos vegetais, mas no meio tá presente o processo de refino e purificação.
O PROBLEMA DA ADITIVAÇÃO
Voltando ao sal refinado de cozinha, não acaba tudo no "desmonte" dos seus outros 82 elementos constitutivos. Depois ele "sofre" a aditivação de Outros compostos refinados. O caso do iodo e do flúor, ambos minerais tóxicos e reativos nas formas antinaturais que são adicionadas industrialmente. Em quais argumentos se baseia esse procedimento, obrigatório por lei?: resolver problemas na tireoide (iodo) e proteger a saúde dental (flúor). Mas ninguém leva em conta que o corpo não consegue metabolizar a suplementação artificial de iodetos e fluoretos. Muitos cientistas estão alertando que esses compostos são os principais responsáveis pela formação de nitratos no estômago; e sabe-se que os nitratos são as substâncias cancerígenas mais agressivas, e responsáveis por tumores seletivos em muitos órgãos. Também são responsáveis por reações alérgicas e outros problemas de saúde. Estudos recentes mostram que a adição de iodetos ao sal de cozinha pode causar hipertireoidismo, tireoidite autoimune e diminuição da fertilidade. Já o flúor, mesmo em concentrações baixas, está relacionado a problemas neurológicos e endócrinos, afetando o sistema nervoso e causando déficit de atenção (DDA) em crianças e adultos.
A esse quadro trágico, soma-se a adição de outros conservantes, claro que todos legalmente autorizados e até mesmo sem obrigação de serem declarados nos rótulos. Além do iodeto de potássio, a indústria do sal adiciona dextrose, um tipo de açúcar que serve para evitar a oxidação do iodo (ou seja, o sal tem açúcar!!!). Depois, adicionam bicarbonato de sódio para que o sal não fique com um tom roxo após a adição do iodeto de potássio e da dextrose. Para evitar o empedramento, adicionam hidróxido de alumínio. É bem conhecida a relação alumínio-Alzheimer e o papel que esse metal leve desempenha nas disfunções neuronais, bloqueando os processos do pensamento. Como se já não bastasse o uso de utensílios de alumínio na cozinha, latas de alumínio para bebidas ou papel-alumínio para embalar alimentos!!!
Outros aditivos O que encontramos no sal de mesa são: carbonato de cálcio, que nada mais é do que osso animal moído, aluminossilicato de sódio, ferrocianeto de sódio, citrato verde de amônia férrica, prussiato amarelo de sódio e carbonato de magnésio.
O PROBLEMA DO SÓDIO
Através do sal refinado, entra diariamente no organismo uma grande quantidade de sódio, um mineral que, embora seja necessário para a química do corpo, hoje se tornou um problema por causa do consumo excessivo, principalmente em formas inorgânicas. O sódio ajuda a manter o equilíbrio ácido-base e o balanço hídrico e eletrolítico do organismo, sendo essencial para a transmissão correta dos impulsos nervosos e para a excitabilidade normal dos músculos. A forma ideal de consumi-lo é através de alimentos frescos, que o contêm de maneira biologicamente assimilável. Mas o enorme consumo de sódio (que representa 40% do sal comum) vem de produtos industrializados e está relacionado a deficiências do eletrólito sinérgico: o potássio. O desequilíbrio entre sódio e potássio se tornou uma das grandes causas dos problemas de saúde modernos.
Normalmente se pensa — e os especialistas sugerem isso — que evitar o sal resolve o problema do excesso de sódio. No entanto, o consumidor moderno está exposto à presença despercebida de várias formas de sódio, muitas vezes prejudiciais, em alimentos industrializados do dia a dia, e a maioria delas não vem indicada nos rótulos dos produtos que as contêm. Um exemplo é o pão comum, que costuma ter 1,3% de sal, ou seja, cerca de 500 mg de sódio a cada 100 g de um produto consumido em grandes quantidades. Se considerarmos que a OMS recomenda que adultos não ultrapassem 6 gramas de sal por dia (2,4 gramas de sódio), vemos que só 500 g diários de pão já são suficientes para passar desse valor.
O cloreto de sódio refinado é amplamente Usado pela indústria alimentícia, que além da propriedade de dar sabor, leva em conta o aspecto conservante do sal. Em muitos produtos, é usado em abundância para realçar qualidades gustativas, enquanto em outros cumpre uma função de preservação. Além disso, o sódio faz parte de uma porrada de aditivos alimentares legalmente autorizados: conservantes, estabilizantes, emulsificantes, espessantes, gelificantes, realçadores de sabor ou adoçantes. Vamos ver aqui a listinha de 44 aditivos à base de sódio, que às vezes aparecem nos rótulos só com a indicação numérica:
E-201 sorbato de sódio
E-211 benzoato de sódio
E-215 derivado sódico do 4-hidroxibenzeno
E-221 sulfito de sódio
E-222 bissulfito de sódio
E-223 metabissulfito de sódio
E-237 formiato de sódio
E-250 nitrito de sódio
E-251 nitrato de sódio
E-262(i) acetato de sódio
E-262(ii) diacetato de sódio
E-281 propionato de sódio
E-301 ascorbato de sódio
E-325 lactato de sódio
E-331a citrato monossódico
E-331b citrato dissódico
E-331c citrato trissódico
E-335a tartarato monossódico
E-335b tartarato dissódico
E-337 tartarato sódico-potássico
E-339a fosfato monossódico
E-339b fosfato dissódico
E-339c fosfato trissódico
E-350i malato de sódio
E-350ii malato ácido de sódio
E-401 alginato de sódio
E-450a(i) difosfato dissódico, trissódico
E-450b(i) trifosfato pentassódico
E-450c(i) polifosfatos de sódio
E-470 sais sódicas, potássicas e cálcicas
E-481 estearoil-2-lactil-lactato de sódio
E-500a carbonato de sódio
E-500b bicarbonato de sódio
E-500c sesquicarbonato de sódio
E-514 sulfato de sódio
E-524 hidróxido de sódio
E-535 ferrocianeto de sódio
E-541 fosfato ácido de sódio e alumínio
E-554 silicato de sódio e alumínio
E-576 gluconato de sódio
E-621 glutamato monossódico
E-627 guanilato de sódio
E-631 inosinato dissódico
E-635 5'-ribonucleotídeo sódico
Parágrafo à parte para o glutamato monossódico, considerado um aditivo perigoso. Seu uso na indústria alimentícia e na restauração remonta a Quase meio século de história como realçador de sabor. O E-621 (essa é a identificação nos rótulos) age como um neurotransmissor, envolvido na resposta sensorial característica do paladar, ao interferir na transmissão de sinais elétricos pelos neurônios. Normalmente é usado em comidas pré-cozidas, sopas, aperitivos, molhos, embutidos, cereais, carnes, misturas de temperos, conservas, alimentos processados, sopas de pacote, cubinhos de caldo, temperos prontos, etc.
Apesar de ser autorizado, vários estudos já questionaram seriamente a segurança do glutamato monossódico. Pesquisadores japoneses associam ele à perda de visão a longo prazo e até cegueira. Em diversos experimentos, mostraram que a injeção direta no olho, em concentrações de baixas a moderadas, causa danos nos nervos. Uma pesquisa clínica da Universidade Complutense de Madrid revelou que o consumo de glutamato monossódico aumenta consideravelmente o apetite, com o risco de obesidade. Se consumido em excesso e/ou desde a infância, pode alterar o funcionamento de uma área do cérebro que regula a fome, aumentando a vontade de comer em até 40%.
Resumindo, o glutamato monossódico pode causar: contrações musculares no rosto e no peito, palpitações, crises de asma e enxaquecas, infertilidade, obesidade e a famosa "síndrome do restaurante chinês" (rigidez muscular no pescoço e mandíbula, degeneração das células do cérebro, problemas gástricos, rigidez e/ou fraqueza nos braços e pernas, visão embaçada, tontura, dor de cabeça, aperto no peito, sensação de calor e formigamento, atordoamento e vermelhidão no rosto). Pode ser suficiente ingerir 3 gramas dessa substância para desencadear essa síndrome.
MALEFÍCIOS DO SAL REFINADO
Achamos melhor falar dos danos que o consumo de sal refinado causa, só depois de ter passado pela questão industrial. Isso ajuda a entender melhor os mecanismos defensivos que o organismo precisa desenvolver pra tentar neutralizar essa agressão diária. Como vimos, o problema tem duas faces principais e igualmente graves: a péssima qualidade (física, química e energética) e a alta quantidade que é ingerida.
O consumo principal de sal refinado vem dos alimentos industrializados, que, como vimos, usam ele pelos seus efeitos de sabor e conservante. Nesse aspecto, não dá pra pensar só em conservas ou produtos tipicamente salgados (azeitonas, presuntos, queijos, embutidos, frios, batatas fritas, caldos em cubo ou ejaculações, etc), mas também em alimentos aparentemente inofensivos (pães, ou o "saudável" iogurte diário que tem cloreto de sódio como conservante).
Além da destruição causada pelo refino, o principal problema do sal de mesa moderno pra saúde humana é justamente aquilo que o torna um ingrediente valioso na química industrial: sua reatividade. Diante da ameaça que esse composto reativo (cloreto de sódio) representa, o organismo é forçado a ativar vários mecanismos de defesa que, além de gerar um gasto enorme de energia e recursos, não são suficientes pra resolver totalmente a magnitude do problema.
RETENÇÃO DE LÍQUIDOS
Um primeiro mecanismo de neutralização é a hidratação e se baseia no uso de água intracelular ou plasma. Esse elemento precioso — um recurso limitado no organismo e originalmente destinado a outros fins fisiológicos — é usado pra compensar ionicamente a reatividade das moléculas de cloreto de sódio. Cada grama de cloreto de sódio que precisa ser contrabalançado exige o consumo de 23 vezes seu peso em água intracelular. O produto resultante, mesmo tendo sido equilibrado eletricamente, ainda precisa ser eliminado como substância tóxica. Os rins conseguem excretar só uma parte: calcula-se uns 5 a 7 gramas por dia, contra um consumo médio de 12 a 20 gramas. Esse déficit diário entre o que entra por boca e o que pode sair pela via renal é um dos grandes problemas que nosso estilo de vida cria pro organismo. Pra tomar consciência da magnitude do problema, basta multiplicar esses valores pelos 30 dias de um mês ou os 365 dias do ano!!! Aqui também dá pra encontrar a verdadeira origem de outro problema moderno bem conhecido: a retenção de líquidos. Isso resulta em ganho de peso e mais exigência pros órgãos (coração, fígado, rins), que precisam trabalhar demais.
Outra consequência negativa desse mecanismo cotidiano de neutralização é a redução do volume de líquido intracelular. Diante do grande fluxo que exige a entrada massiva de moléculas reativas, o organismo é forçado a escolher entre atender as necessidades naturais de plasma pra renovação celular (os milhões de células que são fabricadas diariamente precisam desse fluido corporal como principal material de construção) e a exigência de neutralizar a reatividade perigosa, usando esse elemento vital. A consequência a médio prazo é a desidratação celular e corporal gradual, também conhecida como senilidade latente. Beber água não basta pra repor essa carência, porque a água intracelular não é só H2O, mas também os outros 82 elementos que formam o plasma marinho. Resumindo, de um lado o organismo tem um excesso danado de cloreto de sódio e, do outro, uma falta grave de sal completo e bem estruturado.
OBESIDADE E CELULITE
O cloreto de sódio que não consegue ser eliminado pela via renal, ao ficar no corpo, gera um segundo mecanismo de neutralização: a captura lipogênica. O organismo "pede" células de gordura pra "encapsular" o cloreto de sódio "vagabundo". Por esse meio, o corpo busca isolar material tóxico que não consegue evacuar na hora, na espera de um momento de pausa pra eliminar de vez do sistema. Esse momento seria, por exemplo, um jejum, que nem precisa dizer, nunca acontece na nossa ritmo de vida alucinante.
Como consequência desse segundo mecanismo de neutralização, o corpo vai formando um tecido esponjoso que se deposita na hipoderme, a camada mais profunda da pele. Esse edema acidulado gera duas consequências super conhecidas e temidas: sobrepeso e celulite. Pode-se afirmar que esse processo de neutralizar substâncias tóxicas (não só o cloreto de sódio) no tecido gorduroso é uma das causas profundas da obesidade, mesmo que seja difícil de aceitar por causa do nosso condicionamento cultural. Resumindo: quanto mais toxinas ficam no organismo por colapso dos emuntórios, maior o aumento de gordura corporal. Ou seja: a toxemia corporal gera obesidade.
CRISTALIZAÇÃO E ESCLEROSE
As moléculas de cloreto de sódio que não conseguem ser eliminadas pelos rins ou isoladas no tecido gorduroso forçam o desenvolvimento de um terceiro mecanismo de sobrevivência: a cristalização. E é isso mesmo, sobrevivência, porque o acúmulo de mais de 35g desses cristais pode ser letal pro corpo. O cloreto de sódio se junta com aminoácidos de origem animal (presentes em laticínios e carnes) e forma cristais de ácido úrico. Os cristais que não conseguem ser expelidos do organismo se depositam nos ossos e articulações, esperando uma chance futura de excreção (assim como acontece com o tecido gorduroso), causando dores osteoarticulares (artrite, gota, reumatismo) por causa das suas características pontiagudas. Outros cristais de ácido úrico se recombinam com mais cloreto de sódio e oxalatos de cálcio, formando areias e cálculos (bexiga, rim, vesícula). Outra variação dessa cristalização aparece nas paredes das veias e artérias, causando fragilidade capilar e esclerose. A cristalização é, originalmente, um mecanismo de proteção e emergência que o corpo desenvolve pra defender a qualidade do meio celular e o funcionamento correto das células. Mas a cronicidade da intoxicação acaba envenenando o sistema, já que o excesso de cristais não consegue ser eliminado do organismo e isso provoca doenças graves, também crônicas.
Outros prejuízos do consumo de sal refinado foram avaliados por diferentes pesquisadores: problemas emocionais, agitação, insônia, fadiga, úlceras, dependência viciante, hipertrofia das glândulas suprarrenais, queda de cabelo, prisão de ventre, câncer de estômago e osteoporose (o excesso de sal aumenta a excreção de cálcio pela urina, favorecendo a desmineralização dos ossos). O diagnóstico oriental oferece indicadores físicos para detectar a presença excessiva de sal no organismo: pele escura, rigidez muscular, mandíbulas travadas, dentes inferiores projetados para frente, manchas no branco do olho, urina forte e fezes escuras e ressecadas.
Extraído do livro “O Sal”Muito obrigado por ler. É muito interessante.
VENENO COTIDIANO
É preciso fazer um certo esforço pra entender por que algo tão saudável quanto o sal se transformou no nosso veneno de todo dia. Como sempre, não tem um motivo único, mas uma soma de fatores. Por isso, vale a pena analisar o assunto de vários ângulos: químico, físico, produtivo, cultural, etc. Mas vamos ver que tudo acaba convergindo pro bendito interesse econômico, que – ironicamente – mostra pouco interesse pela saúde. Será que, na economia dos negócios, uma pessoa saudável não é “rentável”?
Vamos analisar o problema do sal por dois aspectos complementares: o plano material e o plano energético. Podemos começar avisando que o centro da questão tá na refinação industrial. Analisada do ponto de vista químico, a diferença entre um sal marinho integral e o moderno sal de mesa que a gente usa no dia a dia é abismal. A simples evaporação da água do mar deixa como consequência um resíduo sólido, que a gente chama de sal. Esse resíduo é composto pelos 84 elementos estáveis da tabela periódica, aquela que a gente estudava no colégio. Claro que o cloro e o sódio são os principais elementos em quantidade, representando quase 90% da composição. Mas a importância qualitativa desses 10% restantes é realmente extraordinária.
Já que toda a vida do planeta surgiu do leito marinho, é óbvio que existe uma semelhança intrínseca e funcional com aquela “sopa mãe”. Todas as formas de vida (plantas, animais, humanos) carregam essa solução incorporada nos nossos fluidos internos (seiva, líquidos intracelulares, plasma sanguíneo). Nossos antepassados tinham consciência disso, graças à visão holística intuitiva deles; mas o nosso reducionismo moderno industrial tratou de jogar essa perspectiva no lixo. No caso do sal, começaram a pensar em termos de “sujeira”: tinha que lavar e purificar pra apresentar como um produto “limpo e higiênico". Esse conceito funcionou – e o mais triste é que ainda funciona em escala massiva – também com outros alimentos básicos e sujeitos a processamento industrial: farinha, arroz, açúcar, óleo, etc.
O PROBLEMA DO REFINO
Mas tem outras razões de "peso" pelas quais a indústria desenvolveu procedimentos complexos e caros de limpeza e purificação do sal. E é justamente porque foram descobrindo o grande valor industrial do componente básico do sal (o cloreto de sódio) no desenvolvimento de produtos de síntese química. Uma vez liberado das "impurezas" (e, portanto, do equilíbrio iônico que os outros 82 elementos lhe conferem), o cloreto de sódio é um reagente perfeito e barato. Por isso, aperfeiçoaram a técnica de refino e limpeza, pra conseguir a máxima pureza na produção de cloreto de sódio. Essa substância virou um elemento indispensável na indústria química, principalmente pra produção de plásticos, óleos minerais, desmoldantes, etc. A indústria alimentícia também meteu ele na sua bateria de aditivos conservantes, como inibidor de processos de decomposição: um exemplo é o iogurte, que contém cloreto de sódio, não como saborizante, mas como conservante.
A Dra. Sherry Rogers dá outra pista sobre o porquê do refino do sal, no livro dela "A cura está na cozinha": "O sal de cozinha comum que invadiu o mercado dos Estados Unidos nos últimos 50 anos parece ser um subproduto da fabricação de armas. As grandes companhias (como a Morton Thiokol, fabricante de combustíveis para foguetes) refinam sal pra extrair certos minerais que depois usam nas suas produções bélicas e espaciais. No processo de refino industrial, o sal de cozinha passa por temperaturas de 670ºC, o que altera definitivamente sua estrutura cristalina natural."
Por essas razões, o sal é refinado exaustiva e cuidadosamente no mundo moderno. Uma só A cifra nos permite entender melhor essa realidade: 93% do sal refinado no planeta é destinado a fins industriais não alimentícios, 4% é usado pela indústria alimentícia como conservante; apenas os míseros 3% restantes vão para o uso como sal de mesa. Traduzindo em termos mais simples, "de quebra" a mesa "pega" os "benefícios" da excelente "pureza" da refinação industrial e nossas donas de casa se "beneficiam" ao ter um produto "imaculado" que não empedra.
Também existe outra fonte importante de cloreto de sódio, que embora não venha da refinação, é consequência de um resíduo industrial e, portanto, carrega a nocividade da manipulação tecnológica, principalmente no nível energético. Estamos falando das fábricas de pasta de papel ou "papeleiras", tão na moda ultimamente por causa da questão ambiental. O cloreto de sódio é um dos resíduos que emergem do processo de produção da pasta celulósica, base da indústria papeleira. Como dizem os avisos dos filmes, "qualquer semelhança entre essa atividade e marcas de sal é mera coincidência".
Continuando com a refinação do sal, digamos que em 1971 o governo japonês decretou que todo o sal para consumo humano deveria ser produzido pelo duvidoso processo de troca iônica, que usa 3.000 volts e 120 amperes de eletricidade para extrair os íons de cloreto de sódio da água do mar. Um físico atômico, Katsuhiko Tani, contrário a essa decisão oficial, começou a fazer estudos sobre o assunto, criando a Associação de Pesquisa do Sal.
Em uma de suas primeiras experiências, Tani trabalhou com amêijoas vivas mergulhadas em diferentes concentrações de sal obtido naturalmente pela evaporação da água do mar. Depois, imitou essas concentrações com o sal para consumo humano e com o sal de potássio (cloreto de potássio), um substituto artificial para hipertensos. O resultado: as amêijoas mergulhadas nas soluções com sal natural Reagiram abrindo suas carapaças, enquanto aquelas mergulhadas nas soluções com sal obtido por troca iônica ou com sal de potássio permaneceram fechadas, reagindo como se estivessem num ambiente hostil.
Os parágrafos anteriores têm a ver com uma realidade trágica que quase ninguém se importa: o cloreto de sódio, como composto quimicamente puro, não existe na natureza. Algo parecido acontece com a sacarose (açúcar branco). Biologicamente, o organismo não reconhece essas substâncias refinadas e de extrema pureza; mais que isso, as considera tóxicas por sua reatividade. Ironicamente, pela mesma razão que a indústria valoriza o cloreto de sódio (capacidade reativa), o organismo o rejeita.
Pra entender melhor essa "fobia" corporal aos compostos quimicamente puros, podemos usar dois exemplos toscos, mas ilustrativos: a cana-de-açúcar e a folha de coca. Estudos feitos na África do Sul com amostras de urina de dois mil trabalhadores de plantações de cana-de-açúcar não encontraram traços de glicose, mesmo eles mascando em média 2 kg de cana por dia, ou seja, ingerindo uns 350g de açúcar diariamente. A explicação é simples: enquanto a cana mascada é um alimento natural, completo e fácil de metabolizar, o açúcar refinado é um produto estranho e nocivo pro organismo. Outras pesquisas feitas na África e na Índia mostram que a diabetes é desconhecida em povos que não incluem carboidratos refinados na dieta.
Sobre a coca, é fácil observar nos povos andinos que o consumo diário da folha mascada (benéfica pro mal da altitude) não gera os efeitos devastadores do extrato refinado, conhecido como cocaína. Tamo sempre falando de produtos vegetais, mas no meio tá presente o processo de refino e purificação.
O PROBLEMA DA ADITIVAÇÃO
Voltando ao sal refinado de cozinha, não acaba tudo no "desmonte" dos seus outros 82 elementos constitutivos. Depois ele "sofre" a aditivação de Outros compostos refinados. O caso do iodo e do flúor, ambos minerais tóxicos e reativos nas formas antinaturais que são adicionadas industrialmente. Em quais argumentos se baseia esse procedimento, obrigatório por lei?: resolver problemas na tireoide (iodo) e proteger a saúde dental (flúor). Mas ninguém leva em conta que o corpo não consegue metabolizar a suplementação artificial de iodetos e fluoretos. Muitos cientistas estão alertando que esses compostos são os principais responsáveis pela formação de nitratos no estômago; e sabe-se que os nitratos são as substâncias cancerígenas mais agressivas, e responsáveis por tumores seletivos em muitos órgãos. Também são responsáveis por reações alérgicas e outros problemas de saúde. Estudos recentes mostram que a adição de iodetos ao sal de cozinha pode causar hipertireoidismo, tireoidite autoimune e diminuição da fertilidade. Já o flúor, mesmo em concentrações baixas, está relacionado a problemas neurológicos e endócrinos, afetando o sistema nervoso e causando déficit de atenção (DDA) em crianças e adultos.
A esse quadro trágico, soma-se a adição de outros conservantes, claro que todos legalmente autorizados e até mesmo sem obrigação de serem declarados nos rótulos. Além do iodeto de potássio, a indústria do sal adiciona dextrose, um tipo de açúcar que serve para evitar a oxidação do iodo (ou seja, o sal tem açúcar!!!). Depois, adicionam bicarbonato de sódio para que o sal não fique com um tom roxo após a adição do iodeto de potássio e da dextrose. Para evitar o empedramento, adicionam hidróxido de alumínio. É bem conhecida a relação alumínio-Alzheimer e o papel que esse metal leve desempenha nas disfunções neuronais, bloqueando os processos do pensamento. Como se já não bastasse o uso de utensílios de alumínio na cozinha, latas de alumínio para bebidas ou papel-alumínio para embalar alimentos!!!
Outros aditivos O que encontramos no sal de mesa são: carbonato de cálcio, que nada mais é do que osso animal moído, aluminossilicato de sódio, ferrocianeto de sódio, citrato verde de amônia férrica, prussiato amarelo de sódio e carbonato de magnésio.
O PROBLEMA DO SÓDIO
Através do sal refinado, entra diariamente no organismo uma grande quantidade de sódio, um mineral que, embora seja necessário para a química do corpo, hoje se tornou um problema por causa do consumo excessivo, principalmente em formas inorgânicas. O sódio ajuda a manter o equilíbrio ácido-base e o balanço hídrico e eletrolítico do organismo, sendo essencial para a transmissão correta dos impulsos nervosos e para a excitabilidade normal dos músculos. A forma ideal de consumi-lo é através de alimentos frescos, que o contêm de maneira biologicamente assimilável. Mas o enorme consumo de sódio (que representa 40% do sal comum) vem de produtos industrializados e está relacionado a deficiências do eletrólito sinérgico: o potássio. O desequilíbrio entre sódio e potássio se tornou uma das grandes causas dos problemas de saúde modernos.
Normalmente se pensa — e os especialistas sugerem isso — que evitar o sal resolve o problema do excesso de sódio. No entanto, o consumidor moderno está exposto à presença despercebida de várias formas de sódio, muitas vezes prejudiciais, em alimentos industrializados do dia a dia, e a maioria delas não vem indicada nos rótulos dos produtos que as contêm. Um exemplo é o pão comum, que costuma ter 1,3% de sal, ou seja, cerca de 500 mg de sódio a cada 100 g de um produto consumido em grandes quantidades. Se considerarmos que a OMS recomenda que adultos não ultrapassem 6 gramas de sal por dia (2,4 gramas de sódio), vemos que só 500 g diários de pão já são suficientes para passar desse valor.
O cloreto de sódio refinado é amplamente Usado pela indústria alimentícia, que além da propriedade de dar sabor, leva em conta o aspecto conservante do sal. Em muitos produtos, é usado em abundância para realçar qualidades gustativas, enquanto em outros cumpre uma função de preservação. Além disso, o sódio faz parte de uma porrada de aditivos alimentares legalmente autorizados: conservantes, estabilizantes, emulsificantes, espessantes, gelificantes, realçadores de sabor ou adoçantes. Vamos ver aqui a listinha de 44 aditivos à base de sódio, que às vezes aparecem nos rótulos só com a indicação numérica:
E-201 sorbato de sódio
E-211 benzoato de sódio
E-215 derivado sódico do 4-hidroxibenzeno
E-221 sulfito de sódio
E-222 bissulfito de sódio
E-223 metabissulfito de sódio
E-237 formiato de sódio
E-250 nitrito de sódio
E-251 nitrato de sódio
E-262(i) acetato de sódio
E-262(ii) diacetato de sódio
E-281 propionato de sódio
E-301 ascorbato de sódio
E-325 lactato de sódio
E-331a citrato monossódico
E-331b citrato dissódico
E-331c citrato trissódico
E-335a tartarato monossódico
E-335b tartarato dissódico
E-337 tartarato sódico-potássico
E-339a fosfato monossódico
E-339b fosfato dissódico
E-339c fosfato trissódico
E-350i malato de sódio
E-350ii malato ácido de sódio
E-401 alginato de sódio
E-450a(i) difosfato dissódico, trissódico
E-450b(i) trifosfato pentassódico
E-450c(i) polifosfatos de sódio
E-470 sais sódicas, potássicas e cálcicas
E-481 estearoil-2-lactil-lactato de sódio
E-500a carbonato de sódio
E-500b bicarbonato de sódio
E-500c sesquicarbonato de sódio
E-514 sulfato de sódio
E-524 hidróxido de sódio
E-535 ferrocianeto de sódio
E-541 fosfato ácido de sódio e alumínio
E-554 silicato de sódio e alumínio
E-576 gluconato de sódio
E-621 glutamato monossódico
E-627 guanilato de sódio
E-631 inosinato dissódico
E-635 5'-ribonucleotídeo sódico
Parágrafo à parte para o glutamato monossódico, considerado um aditivo perigoso. Seu uso na indústria alimentícia e na restauração remonta a Quase meio século de história como realçador de sabor. O E-621 (essa é a identificação nos rótulos) age como um neurotransmissor, envolvido na resposta sensorial característica do paladar, ao interferir na transmissão de sinais elétricos pelos neurônios. Normalmente é usado em comidas pré-cozidas, sopas, aperitivos, molhos, embutidos, cereais, carnes, misturas de temperos, conservas, alimentos processados, sopas de pacote, cubinhos de caldo, temperos prontos, etc.
Apesar de ser autorizado, vários estudos já questionaram seriamente a segurança do glutamato monossódico. Pesquisadores japoneses associam ele à perda de visão a longo prazo e até cegueira. Em diversos experimentos, mostraram que a injeção direta no olho, em concentrações de baixas a moderadas, causa danos nos nervos. Uma pesquisa clínica da Universidade Complutense de Madrid revelou que o consumo de glutamato monossódico aumenta consideravelmente o apetite, com o risco de obesidade. Se consumido em excesso e/ou desde a infância, pode alterar o funcionamento de uma área do cérebro que regula a fome, aumentando a vontade de comer em até 40%.
Resumindo, o glutamato monossódico pode causar: contrações musculares no rosto e no peito, palpitações, crises de asma e enxaquecas, infertilidade, obesidade e a famosa "síndrome do restaurante chinês" (rigidez muscular no pescoço e mandíbula, degeneração das células do cérebro, problemas gástricos, rigidez e/ou fraqueza nos braços e pernas, visão embaçada, tontura, dor de cabeça, aperto no peito, sensação de calor e formigamento, atordoamento e vermelhidão no rosto). Pode ser suficiente ingerir 3 gramas dessa substância para desencadear essa síndrome.
MALEFÍCIOS DO SAL REFINADO
Achamos melhor falar dos danos que o consumo de sal refinado causa, só depois de ter passado pela questão industrial. Isso ajuda a entender melhor os mecanismos defensivos que o organismo precisa desenvolver pra tentar neutralizar essa agressão diária. Como vimos, o problema tem duas faces principais e igualmente graves: a péssima qualidade (física, química e energética) e a alta quantidade que é ingerida.
O consumo principal de sal refinado vem dos alimentos industrializados, que, como vimos, usam ele pelos seus efeitos de sabor e conservante. Nesse aspecto, não dá pra pensar só em conservas ou produtos tipicamente salgados (azeitonas, presuntos, queijos, embutidos, frios, batatas fritas, caldos em cubo ou ejaculações, etc), mas também em alimentos aparentemente inofensivos (pães, ou o "saudável" iogurte diário que tem cloreto de sódio como conservante).
Além da destruição causada pelo refino, o principal problema do sal de mesa moderno pra saúde humana é justamente aquilo que o torna um ingrediente valioso na química industrial: sua reatividade. Diante da ameaça que esse composto reativo (cloreto de sódio) representa, o organismo é forçado a ativar vários mecanismos de defesa que, além de gerar um gasto enorme de energia e recursos, não são suficientes pra resolver totalmente a magnitude do problema.
RETENÇÃO DE LÍQUIDOS
Um primeiro mecanismo de neutralização é a hidratação e se baseia no uso de água intracelular ou plasma. Esse elemento precioso — um recurso limitado no organismo e originalmente destinado a outros fins fisiológicos — é usado pra compensar ionicamente a reatividade das moléculas de cloreto de sódio. Cada grama de cloreto de sódio que precisa ser contrabalançado exige o consumo de 23 vezes seu peso em água intracelular. O produto resultante, mesmo tendo sido equilibrado eletricamente, ainda precisa ser eliminado como substância tóxica. Os rins conseguem excretar só uma parte: calcula-se uns 5 a 7 gramas por dia, contra um consumo médio de 12 a 20 gramas. Esse déficit diário entre o que entra por boca e o que pode sair pela via renal é um dos grandes problemas que nosso estilo de vida cria pro organismo. Pra tomar consciência da magnitude do problema, basta multiplicar esses valores pelos 30 dias de um mês ou os 365 dias do ano!!! Aqui também dá pra encontrar a verdadeira origem de outro problema moderno bem conhecido: a retenção de líquidos. Isso resulta em ganho de peso e mais exigência pros órgãos (coração, fígado, rins), que precisam trabalhar demais.
Outra consequência negativa desse mecanismo cotidiano de neutralização é a redução do volume de líquido intracelular. Diante do grande fluxo que exige a entrada massiva de moléculas reativas, o organismo é forçado a escolher entre atender as necessidades naturais de plasma pra renovação celular (os milhões de células que são fabricadas diariamente precisam desse fluido corporal como principal material de construção) e a exigência de neutralizar a reatividade perigosa, usando esse elemento vital. A consequência a médio prazo é a desidratação celular e corporal gradual, também conhecida como senilidade latente. Beber água não basta pra repor essa carência, porque a água intracelular não é só H2O, mas também os outros 82 elementos que formam o plasma marinho. Resumindo, de um lado o organismo tem um excesso danado de cloreto de sódio e, do outro, uma falta grave de sal completo e bem estruturado.
OBESIDADE E CELULITE
O cloreto de sódio que não consegue ser eliminado pela via renal, ao ficar no corpo, gera um segundo mecanismo de neutralização: a captura lipogênica. O organismo "pede" células de gordura pra "encapsular" o cloreto de sódio "vagabundo". Por esse meio, o corpo busca isolar material tóxico que não consegue evacuar na hora, na espera de um momento de pausa pra eliminar de vez do sistema. Esse momento seria, por exemplo, um jejum, que nem precisa dizer, nunca acontece na nossa ritmo de vida alucinante.
Como consequência desse segundo mecanismo de neutralização, o corpo vai formando um tecido esponjoso que se deposita na hipoderme, a camada mais profunda da pele. Esse edema acidulado gera duas consequências super conhecidas e temidas: sobrepeso e celulite. Pode-se afirmar que esse processo de neutralizar substâncias tóxicas (não só o cloreto de sódio) no tecido gorduroso é uma das causas profundas da obesidade, mesmo que seja difícil de aceitar por causa do nosso condicionamento cultural. Resumindo: quanto mais toxinas ficam no organismo por colapso dos emuntórios, maior o aumento de gordura corporal. Ou seja: a toxemia corporal gera obesidade.
CRISTALIZAÇÃO E ESCLEROSE
As moléculas de cloreto de sódio que não conseguem ser eliminadas pelos rins ou isoladas no tecido gorduroso forçam o desenvolvimento de um terceiro mecanismo de sobrevivência: a cristalização. E é isso mesmo, sobrevivência, porque o acúmulo de mais de 35g desses cristais pode ser letal pro corpo. O cloreto de sódio se junta com aminoácidos de origem animal (presentes em laticínios e carnes) e forma cristais de ácido úrico. Os cristais que não conseguem ser expelidos do organismo se depositam nos ossos e articulações, esperando uma chance futura de excreção (assim como acontece com o tecido gorduroso), causando dores osteoarticulares (artrite, gota, reumatismo) por causa das suas características pontiagudas. Outros cristais de ácido úrico se recombinam com mais cloreto de sódio e oxalatos de cálcio, formando areias e cálculos (bexiga, rim, vesícula). Outra variação dessa cristalização aparece nas paredes das veias e artérias, causando fragilidade capilar e esclerose. A cristalização é, originalmente, um mecanismo de proteção e emergência que o corpo desenvolve pra defender a qualidade do meio celular e o funcionamento correto das células. Mas a cronicidade da intoxicação acaba envenenando o sistema, já que o excesso de cristais não consegue ser eliminado do organismo e isso provoca doenças graves, também crônicas.
Outros prejuízos do consumo de sal refinado foram avaliados por diferentes pesquisadores: problemas emocionais, agitação, insônia, fadiga, úlceras, dependência viciante, hipertrofia das glândulas suprarrenais, queda de cabelo, prisão de ventre, câncer de estômago e osteoporose (o excesso de sal aumenta a excreção de cálcio pela urina, favorecendo a desmineralização dos ossos). O diagnóstico oriental oferece indicadores físicos para detectar a presença excessiva de sal no organismo: pele escura, rigidez muscular, mandíbulas travadas, dentes inferiores projetados para frente, manchas no branco do olho, urina forte e fezes escuras e ressecadas.
Extraído do livro “O Sal”Muito obrigado por ler. É muito interessante.
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