O trio da amizade

Depois dos 30, acontece que a única coisa que eu quero é contar minhas aventuras sexuais. Talvez porque me deixa com tesão fazer isso… Talvez porque meu relacionamento amoroso com a Laura estava longe de ser sexualmente satisfatório. Não tô mais jogando o jogo de ser moralmente perfeita, nem de ser respeitosamente suave na cama, porque eu sei quais jogos me excitam… e, principalmente, sei com quem quero jogá-los.

A Laura era exatamente o oposto do que sou agora. Tão discreta na vida social quanto na cama; nunca falava demais em público, assim como era toda consideração no quarto. Claro, não me apaixonei por ela porque a língua dela percorria suavemente meu clitóris, muito menos porque (sempre) me perguntava se a posição do vibrador me incomodava. E, como são as coisas na vida, desabei quando – sem sentido aparente – ela me abandonou num piscar de olhos, no mesmo dia em que eu completava 25 anos.WhatsAppSó tava dizendo: NÃO CONSIGO SEGUIR NESSA RELAÇÃO.
Mesmo não parecendo uma boa ideia, me deixei recompor pela Lidia, nossa melhor amiga e ex da Laura. Teria sido mais ridículo não atender a ligação ou recusar os drinks. No fim das contas, era meu aniversário e eu sempre me divertia com ela…el trio de la amistadAs cervejas já tinham virado rum com Coca Booty quando a Lidia, mordendo de leve os lábios, confessou que tinha o presente perfeito pra uma ‘dama inocente’ como eu. Naquela hora, já sentia a tontura dos drinks e a leveza besta com que a gente julga – as já então – ideias de madrugada.
– Tem um clube… – ela falou baixinho, mexendo o copo com o canudinho.
– Tô toda ouvidos, Lidia – cortei.
– Shhh… É um clube exclusivo pra damas inocentes e delicadas que precisam de um corretivo por serem tão gostosas… – o olhar de lado dela confirmava o sentido que as palavras já tinham.lesbicas- Essa gostosa sou eu? – continuei brincando.
- O mais importante não é você, a questão é quem manda naquele clube, porque são as mesmas que vãodecorar tua pele– afirmou.
– Quem comanda o clube?
– O apelido dele é tão conhecido quanto estranhamente nomeado. E a confidencialidade das Irmãs Tesoura é, na verdade, a moeda de troca… para entrar num novo mundo de prazeres que, pelo visto, você ainda não explorou.
Bebi o copo de uma vez só e fiquei olhando fixo pra ela, esperando que me guiasse. Ela vestiu o casaco com calma e determinação, e disse que antes precisávamos fazer uma parada rápida na casa dela. E assim fizemos. Entramos na sala dela. Lá estava uma caixa preta…amigas- Vamos, não perde tempo. Tão nos esperando no clube. Veste isso, é teu presente de aniversário.
Vesti o couro preto e peguei o táxi que nos esperava na porta do prédio dele.
- O que vou encontrar, Lídia?
- Muito love, gata – ela sussurrou, me dando um sorriso perverso.
Desci do táxi enquanto Lídia recebia o troco. Era um pub normal. Fachada branca e porta preta de duas folhas metálicas. Nada de outro mundo.Entra.Livremente e por sua própria vontade, e deixa um pouco da felicidade que você carrega contigo…—disse ele, imitando a voz de um homem.
—Tia, não fica nessa de Drácula. Agora sim que tô ficando com medo… —falei, com um certo tremor no corpo.trios sexuaisSorriu e me empurrou levemente na direção do bar. De novo, nada surpreendente. O pessoal era o mesmo que eu já tinha encontrado em centenas de pubs. Na real, acho que já estive em lugares muito mais estranhos na minha vida…
—Tá, qual é a dessa história? É uma festa surpresa ou algo assim?
—Algo assim, gata.

Seguimos até o fundo do balcão. O último garçom parecia conhecê-la. Ele se virou, sorriu e fez um sinal pra gente esperar do lado de uma porta, que podia ser o acesso ao próprio balcão, ou talvez à cozinha do bar.UfffffMas depois de alguns minutos, o barman apareceu pelas nossas costas, se enfiando entre a gente pra abrir aquela entrada enigmática. Sem dúvida era isso: uma luz vermelha acompanhava a descida por umas escadas estreitas, com paredes de tijolo à vista. Nossos saltos marcavam o ritmo de uma descida que já começava a ecoar conversas e copos. Pois é, outro pub nos esperava naquele porão. Lá, a clientela vestia couro preto, correntes,piercings, bonés e, diferente dos 'normais', não nos olhavam nem cochichavam quando passávamos. Estavam na deles…
— Valeu, Lídia, agora sim você me surpreendeu — falei em sinal de agradecimento.
— Ainda não viu nada, garota.
Meus olhos percorriam aquele 'bar clandestino', enquanto ela pedia nossas bebidas. Um balcão de madeira se estendia em forma de L, na frente de três arcos cegos de meia-volta, que guardavam bebidas e imagens de submissão em preto e branco. As paredes revestidas de madeira seguravam candeeiros que deixavam à vista os banquetas e mesas altas, numa espécie de corredor antes de um pórtico, cujo friso dizia:Jovenzinhas uffff- É ela? – ouvi o barman perguntar. - Sim,Careca.– O quarto já está pronto?
– Claro. Parabéns! – exclamou com um sorriso abertamente sincero.
Indo na frente, abriu caminho para outras escadas que ficavam bem ao lado do Calabouço. Como se estivesse preparado, uma música começou a tocar.Quero saberde Artic Monkeys.el trio de la amistadTava subindo pra outro quarto! Agora eu sentia algo bem parecido com medo, mas muito mais intenso. Num cantinho escondido da minha mente, eu guardava a esperança – ao mesmo tempo, indesejada – de ouvir a porra da música de ‘parabéns pra você’ ao passar pela porta que – naquele instante – se abria.Carequinha…-Que você tenha uma noite de aniversário feliz – ele me desejou.
-Obrigada, vou tentar – respondi, enquanto voltava pelas escadas com a mesma alegre discrição.

-Vamos, para com os elogios e entra – ordenou uma Lidia impaciente pra ver minha cara de surpresa.lesbicasSurpresa? Choque! Surpresas se fazem com balões coloridos e confete… Isso aqui eram duas dominatrix usando pinças com borboletas penduradas nos bicos dos peitos e um chicote na mão, que elas balançavam de vez em quando contra seus catsuits de látex.

- Sabe o que é uma cruz de Santo André? – me perguntou a primeira Irmã Tesoura.
- Não…
- Não, ama! – gritou a segunda Irmã.
- Não, ama – respondi, tremendo.

Coreograficamente, elas se afastaram, me deixando ver uma cruz em forma de X com correntes e outras amarras.

- Não faz essa cara – disse uma Irmã, com compaixão. Não vamos te prender com correntes…

Cada uma me pegou por um braço para me levar à minha penitência. Eu não conseguia ver os cantos do quarto, estavam escuros demais. Tive uma paranoia fugaz de que alguém estava nos observando, mas essa ilusão se dissipou quando as Irmãs começaram a me despir e mostraram um pequeno chicote de camurça, com o qual – garantiram – iam me açoitar.

Me amarraram na cruz, me masturbaram, beliscaram meus bicos dos peitos e me sacudiram a bunda com os chicotes. Depois, fizeram o mesmo com o – anunciado – látego. Enquanto uma irmã flagelava minhas nádegas, a outra acariciava meu clitóris. As mudanças de temperatura no corpo me mergulhavam num prazer absolutamente submisso quando, de repente, ouvi uma voz familiar vindo de um daqueles cantos escuros…

- Chega, ela é minha!
- Laura?
- O que você pensou? Achou que eu ia deixar uma gostosa como você? – ela disse, com os lábios colados no meu ouvido. Mas, não dava mais pra te ver sofrendo em silêncio na nossa relação sexual de merda…amigas


Ouvi as Irmãs se afastando com os passos agudos dos saltos agulha que as erguiam, enquanto Laura e Lídia me desatavam da cruz. Estavam elegantemente vestidas com cintas-liga e botas pretas, deixando à mostra suas bucetas depiladas e lindas. A porta se fechou e nós três liberamos nossos desejos mais primitivos, ao longo de uma noite cheia de orgasmos, gemidos… e muitos gritos e palmadas.
Nunca mais fizemos isso com Lídia, embora eu admita que muitas vezes penso em repetir.
Há 5 anos estou com outra pessoa: ela é a Laura. Uma Laura que já não pergunta se o vibrador me incomoda, mas sim me ordena como me posicionar na cama… Agora, minha delícia segue o ritmo da disciplina do chicote. E é que o amor não precisa ser suave para ser respeitoso.
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