
Uma das fantasias mais comuns é imaginar que o próprio parceiro está transando com outra pessoa. Mais ainda, ter coragem de colocar isso em palavras durante o sexo é uma fonte certeira de muita excitação, desde que haja acordo entre as partes para se alimentar desses estímulos. No entanto, do dito ao feito há um longo caminho, e transformar o clássico duo amoroso em um trio, uma orgia ou uma troca igualitária com outros casais exige conversas prévias, compromisso mútuo e a certeza de que a opção de dividir a cama com outro, ou outros, pode ser uma forma ousada de enriquecer a relação ou evitar a infidelidade.
Antes do surgimento e da difusão dos movimentos *swingers*, decidir incluir outras pessoas na cama era uma alternativa que só alguns poucos transgressores ou caçadores de prazer ousavam experimentar. A regra de não se envolver emocionalmente era uma das obrigações a serem cumpridas para se aventurar no novo. Os movimentos *swingers* trouxeram luz, permissividade, um arcabouço ideológico (quebrar o estereótipo da fidelidade como norma, já que para o pensamento *swinger* ela favorece as condutas de engano) e, além disso, postulam a monogamia emocional ou amorosa, mas não a sexual. As regras do acordo de troca são: nenhum envolvimento afetivo com as pessoas convidadas a participar, uso obrigatório de camisinha e o "não é não" quando a pessoa ou o casal recusa a oferta.
Agora, podemos afirmar que a presença do próprio parceiro transando diante dos nossos olhos aumenta a excitação sexual? E o amor pelo outro?
A excitação se baseia no duplo papel de ser protagonista e espectador da cena sexual. O olhar do *voyeur* cumpre a função que antes tinha a fantasia. Também há aspectos mais profundos do ponto de vista subjetivo que se enraízam na própria construção do vínculo do casal: "porque te possuo, te compartilho".
As pessoas que concordam com esse tipo de Essas propostas têm uma boa capacidade de dissociar a imagem do outro, a quem se ama e com quem se compartilha o dia a dia, para focar a atenção (e o prazer) naquele aspecto do outro que o “recorta” quase exclusivamente como sujeito sexual. Incluir terceiros na cama, compartilhar ou aceitar ter “relacionamentos abertos” são formas diferentes de realizar desejos e fantasias. Em alguns casos, a ideia por trás é evitar a dor da traição que a infidelidade causa; em outros, é um “teste” ou “desafio” para provar o amor na relação; e em outros ainda, é por pura vontade ou tesão de experimentar práticas sexuais novas.
Os problemas surgem quando as regras pré-estabelecidas não são cumpridas e/ou quando há uma necessidade imperiosa de repetir os encontros, já que sem eles o prazer que a relação a dois poderia proporcionar não é suficiente. As pessoas ou casais que escolhem essas práticas precisam saber entrar e sair delas sem maiores repercussões além de obter um plus de prazer sexual. Isso não deve, de forma alguma, gerar culpas, autoacusações ou conflitos na relação; por isso, cada um precisa estar seguro das possíveis repercussões emocionais.
Alguns conselhos:
* Pensar bem nos prós e contras pessoais e da relação.
* Combinar esse tipo de prática com o parceiro ou parceira.
* Não criar um envolvimento emocional.
* Evitar situações de risco, como “cantadas” de rua ou transar com desconhecidos. Prefira clubes ou lugares de encontro onde as pessoas curtem compartilhar jogos sexuais.
* Exigir o uso de camisinha.
* Tentar que seja mais uma prática, e não a única forma de obter altos níveis de prazer sexual.
10 comentários - Ver a tu pareja con otro: ¿placer o perversión?