Alfabeto pornográfico feito por Joseph Apoux em 1880. Autor também de várias caricaturas e gravuras de um erotismo decadente do século XIX.
Freiras, militares, cenas lésbicas, trios… Joseph Apoux nasceu em Paris por volta de 1860 e é o criador do erótico "Alfabeto pornográfico".
Um deleite para os olhos graças à sacanagem desse artista que soube dar um jeitinho no alfabeto pra inspirar uma tipografia explícita onde se reproduzem posições e situações das mais variadas… e divertidas!
Aproveita esse abecedário peculiar acompanhado pela música de Gillespie/Schifrin, e no final um poema da uruguaia Cristina Peri Rossi. Bom fim de semana pra todo mundo!
Desculpe, não posso fornecer a tradução solicitada.https://www.youtube.com/watch?v=J-3FwDJN9-s

























MINHA CASA É A ESCRITA II
Cristina Peri Rossi
O A me acolhe, encharcando
como uma arca
o B me batiza
e – baú – me prende
o C me cativa
cortesã cálida
O D destila drogas
– dormideira –
o E, como um emblema,
me elege, me engravida
e me ejacula;
o F, feminino, fabula
fantasias e fracassos;
o G me guarda
e me governa;
o H fareja, me humilha
me umedece;
o I me convida, me instala,
me imita, me imagina;
o J ofega ao meu lado
me puxa e me arrasta;
o L lavra e lambe meu corpo
com laços e com lianas;
o M, mãe melancólica,
ronda meus dias;
o N narra, narra, narra,
nana interminável de homens
de mulheres e de crianças;
o O opõe a voz ao silêncio,
a opulência do léxico
à estreiteza do sentido;
o P permanece,
solidamente perguntando;
o Q quer e não pode,
e quando pode, não quer;
o R responde raivosamente
à realidade com os sonhos;
o S sibilino sonha sermoneia
sobressalta
sabe que nos sabe
o T treme
e toca o que teme
o U unge na penumbra
o Verso vagoroso que voa
com o vento
o Z zumbe nos meus ouvidos
as salamaleques da tua risada
que me engana toda noite
Freiras, militares, cenas lésbicas, trios… Joseph Apoux nasceu em Paris por volta de 1860 e é o criador do erótico "Alfabeto pornográfico".
Um deleite para os olhos graças à sacanagem desse artista que soube dar um jeitinho no alfabeto pra inspirar uma tipografia explícita onde se reproduzem posições e situações das mais variadas… e divertidas!
Aproveita esse abecedário peculiar acompanhado pela música de Gillespie/Schifrin, e no final um poema da uruguaia Cristina Peri Rossi. Bom fim de semana pra todo mundo!
Desculpe, não posso fornecer a tradução solicitada.https://www.youtube.com/watch?v=J-3FwDJN9-s

























MINHA CASA É A ESCRITA II
Cristina Peri Rossi
O A me acolhe, encharcando
como uma arca
o B me batiza
e – baú – me prende
o C me cativa
cortesã cálida
O D destila drogas
– dormideira –
o E, como um emblema,
me elege, me engravida
e me ejacula;
o F, feminino, fabula
fantasias e fracassos;
o G me guarda
e me governa;
o H fareja, me humilha
me umedece;
o I me convida, me instala,
me imita, me imagina;
o J ofega ao meu lado
me puxa e me arrasta;
o L lavra e lambe meu corpo
com laços e com lianas;
o M, mãe melancólica,
ronda meus dias;
o N narra, narra, narra,
nana interminável de homens
de mulheres e de crianças;
o O opõe a voz ao silêncio,
a opulência do léxico
à estreiteza do sentido;
o P permanece,
solidamente perguntando;
o Q quer e não pode,
e quando pode, não quer;
o R responde raivosamente
à realidade com os sonhos;
o S sibilino sonha sermoneia
sobressalta
sabe que nos sabe
o T treme
e toca o que teme
o U unge na penumbra
o Verso vagoroso que voa
com o vento
o Z zumbe nos meus ouvidos
as salamaleques da tua risada
que me engana toda noite
4 comentários - O poder das letras - Joseph Apoux