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– Quando você grava uma cena, você curte o sexo igual como se fizesse com seu parceiro ou na sua intimidade?
Curtir o sexo trabalhando no pornô depende do contexto, da química que tenha com quem você está atuando, como você se sente, as coisas que tem que fazer ou onde, ou se você se sente confortável no lugar onde está sendo gravado, por exemplo. No pornô, fiz vídeos em que me diverti muito e outros em que tudo foi um pouco mais automático ou que houve momentos de cansaço por uma pose desconfortável ou tive que gravar com alguém com quem, apesar de me dar bem, não sentia atração.
– Que cuidados e conhecimentos uma mulher deve ter para ser atriz pornô?
Para poder trabalhar na indústria do pornô, você tem que fazer exames de doenças sexualmente transmissíveis e apresentá-los antes de gravar cada cena. Nos Estados Unidos, o sistema é muito mais avançado, já que sua indústria é a maior e mais massiva do mundo, e os exames que você tem que apresentar devem ser dos últimos 15 dias antes de filmar, e há um sistema no qual constam os atores e atrizes e cada companhia pode ver o status de cada um. quanto às suas análises.
– É importante saber inglês ou saber usar as redes sociais corretamente?
Para trabalhar com algumas produtoras ou diretores, é bom saber inglês, já que é um dos principais idiomas que eles usam. Ter alguma noção de marketing para criar sua própria marca pessoal e se destacar entre tantas pessoas que trabalham na indústria também ajuda.
– Quanta pressão estética existe na pornografia?
Existem certos padrões que se repetem na maioria das produções, mas muito menos do que na indústria da moda, por exemplo. Muitas pessoas já disseram que eu não me encaixo no que elas entendem como uma atriz pornô, e inclusive já recebi insultos de homens depois de ler alguma entrevista em que falo sobre pornografia. Para essas pessoas, como não me encaixo nos parâmetros dos gostos ou preferências sexuais delas, parece que eu não posso decidir trabalhar com minha sexualidade e erotismo.
– Como é a dinâmica das filmagens? Costumam começar fora das câmeras ou tudo o que acontece na câmera é espontâneo?
Cada filmagem é diferente, dependendo da produtora, do diretor ou do que está sendo gravado. Muda muito de acordo com o tipo de pornografia, as práticas, onde está sendo feito, quem atua, quantas pessoas estão no set, se é preciso trocar de figurino, se come antes ou depois, se é preciso esperar a luz melhorar ou ajustar algo no cenário, se há um roteiro e se vão filmar várias cenas ou apenas uma. Às vezes, antes de começar a gravação, pode haver um contato mais íntimo com seu parceiro de cena para que, quando o vídeo começar, estejam mais preparados, mas isso depende de com quem você está trabalhando.
– É difícil para o parceiro de uma atriz pornô ou trabalhadora sexual aceitar seu trabalho?
Claramente depende da pessoa com quem você se relaciona, mas, em geral, pode ser complicado devido aos mandatos sociais que destinam as mulheres que exercem o trabalho sexual ou estão com mais de uma pessoa como uma mulher má. No entanto, há pessoas que não têm problema com isso ou podem viver isso de maneira normal e entender que a pornografia ou a prostituição são simplesmente um trabalho.
– Você pensa em ser mãe ou desiste dessa ideia?
Não, não tenho interesse em ter filhos. Ser mulher não significa que eu tenha interesse em ser mãe, e isso é algo que também acredito que precisa mudar: não temos a obrigação de seguir a tradicionalidade da família ou de ter filhos se não desejamos. De qualquer forma, ser mãe ou pai e exercer o trabalho sexual é completamente compatível, e tenho muitos colegas que são pais e mães, e seus filhos sabem do seu trabalho e até apoiam seu ativismo pela conquista de direitos e para que deixem de ser trabalhos estigmatizados.
– Você assiste às suas cenas ou às de outras atrizes para se corrigir ou mudar alguns aspectos?
Assisto aos vídeos em que atuo principalmente porque me interessa ver como ficaram depois da pós-produção e porque sempre trabalhei com empresas ou diretoras de quem gosto dos filmes, independentemente de eu atuar ou não. Mas sim, também costumo me observar e perceber se há algo que não gosto para tentar mudar na próxima gravação, como muitos atores que trabalham fora da pornografia fazem.
– O que você pensa da pornografia como ferramenta de educação sexual?
Se a maioria das pessoas vê a pornografia como a ferramenta que ensina a fazer sexo, é porque a educação sexual que temos tanto na escola quanto em casa é deficiente ou muitas vezes inexistente. Deveríamos saber que os filmes são filmes, como os de ação ou fantasia, e que se está atuando, exagerando algumas coisas para ficar melhor na câmera, que se não se usa preservativo é porque os atores fizeram exames antes, que tudo é combinado previamente, que as fantasias são fantasias e que devemos contextualizar o que estamos vendo. Costuma-se culpar a pornografia por coisas que na realidade... não é culpa da sociedade em geral.
– Que críticas você faria à pornografia?
A principal crítica que faço é a mesma que poderia fazer a outras indústrias: mais inclusão e diversidade de outros tipos de corpos, mais mulheres atrás das câmeras, que a sexualidade deixe de girar em torno do prazer do homem e que os vídeos parem de terminar quando o homem chega ao orgasmo, como se esse fosse o final do ato sexual, ignorando completamente o prazer ou orgasmo da mulher.
– O que é mais difícil e o que você mais gosta em ser atriz pornô?
O mais difícil de ser atriz pornô é o estigma em relação ao trabalho sexual e ao fato de uma pessoa decidir usar seu erotismo e sexualidade para trabalhar. Todo mundo transa e assiste pornô, mas se alguém diz que trabalha com isso, é algo que apontam com o dedo e criticam de uma visão moral. O que mais gosto é que, para mim, não é apenas um trabalho, mas também a expressão mais forte que encontrei de fazer com meu corpo o que eu quero. Pude me libertar do olhar moral dos outros, que quer controlar os corpos alheios e pretende decidir que tipo de sexualidade é a correta, e isso, sem o trabalho sexual, certamente teria sido muito mais difícil para mim.
Fonte: Infobae
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