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noivas amadorasOuvir ela falar faz esquecer que ela tem só 25 anos. Ela se mostra madura, convincente e segura de si. María Riot é argentina, mas suas fugas constantes e experiências em outros países a tornam de todos esses lugares onde ela coleciona vivências. "Sou trabalhadora sexual, já gravei muitas cenas em diferentes partes do mundo, com produtoras muito prestigiadas. Há quatro anos exerço trabalho sexual em webcams, prostituição e pornografia", afirmou.

Dirigir seus próprios filmes na Argentina é seu objetivo a curto prazo. "É necessário produzir pornô no nosso país", explicou a mulher que escreve diariamente seus pensamentos sobre sexualidade, feminismo e direitos dos animais em suas redes sociais, tornando-se uma ativista constante ao lado de muitas pessoas que exigem e buscam os mesmos direitos que ela.

– Quando você filma uma cena, curte o sexo tanto quanto se fizesse com seu parceiro ou na sua intimidade?

Curtir o sexo trabalhando com pornô depende do contexto, da química que rola com quem você está atuando, de como você se sente, das coisas que precisa fazer ou onde, e se você se sente confortável no lugar onde está gravando, por exemplo. No pornô, já fiz vídeos em que me diverti pra caralho e outros em que tudo foi mais automático ou teve momentos de cansaço por causa de uma pose desconfortável, ou tive que gravar com alguém com quem, apesar de me dar bem, não sentia atração.

– Que cuidados e conhecimentos uma mulher precisa ter para ser atriz pornô?

Para trabalhar na indústria pornô, você precisa fazer exames de doenças sexualmente transmissíveis e apresentá-los antes de gravar cada cena. Nos Estados Unidos, o sistema é muito mais avançado, já que a indústria de lá é a maior e mais massiva do mundo, e os exames que você precisa apresentar devem ser dos últimos 15 dias antes de filmar, e existe um sistema onde os atores e atrizes são cadastrados, e cada empresa pode ver o status de cada um. Quanto às suas análises.
– É importante saber inglês ou saber usar bem as redes sociais?
Para trabalhar com algumas produtoras ou diretores, é bom saber inglês, já que é um dos idiomas principais usados no meio. Ter uma noção de marketing ajuda a criar sua própria marca pessoal e se destacar entre tanta gente que trabalha na indústria.

– Quanta pressão estética existe na pornografia?
Existem certos padrões que se repetem na maioria das produções, mas muito menos do que na indústria da moda, por exemplo. Muita gente já disse que eu não me encaixo no que eles entendem como uma atriz pornô, e já recebi até insultos de homens depois de lerem alguma entrevista minha sobre pornografia. Pra essas pessoas, como eu não me encaixo nos parâmetros de gosto ou preferência sexual deles, parece que não posso decidir trabalhar com minha sexualidade e erotismo.

– Como é a dinâmica da filmagem? Vocês costumam começar fora das câmeras ou tudo que rola na câmera é espontâneo?
Cada filmagem é diferente, dependendo da produtora, do diretor ou do que está sendo gravado. Muda muito conforme o tipo de pornografia, as práticas, onde está sendo feito, quem atua, quantas pessoas estão no set, se precisa trocar de roupa, se come antes ou depois, se tem que esperar a luz ir embora ou arrumar algo no cenário, se tem roteiro e vão filmar várias cenas ou só uma. Às vezes, antes de começar a gravação, dá pra ter um contato mais íntimo com seu parceiro de cena pra estar mais preparado quando o vídeo começar, mas isso depende de com quem você está trabalhando.

– É difícil para o parceiro de uma atriz pornô ou trabalhadora sexual aceitar o trabalho dela?
Claramente depende da pessoa com quem você se relaciona, mas no geral, pode ser complicado por causa dos mandos sociais que destinam as mulheres que fazem trabalho sexual ou ficam com mais de um Uma pessoa como uma mulher de má reputação. No entanto, tem gente que não vê problema nisso ou consegue lidar de boa, entendendo que pornô ou prostituição são só um trabalho.

– Você pensa em ser mãe ou já abriu mão dessa ideia?

Não, não tenho interesse em ter filhos. Ser mulher não significa que eu tenha que querer ser mãe, e isso é algo que também precisa mudar: não temos obrigação de seguir a tradição da família ou ter filhos se não quisermos. De qualquer forma, ser mãe ou pai e trabalhar com sexo é totalmente compatível, e tenho muitos colegas que são pais e mães, cujos filhos sabem do trabalho deles e até apoiam o ativismo pela conquista de direitos e pra acabar com o estigma dessas profissões.

– Você assiste suas cenas ou as de outras atrizes pra se corrigir ou mudar algumas coisas?

Assisto os vídeos onde atuo principalmente porque quero ver como ficaram depois da pós-produção e porque sempre trabalhei com empresas ou diretoras cujos filmes curto, independente de eu atuar ou não. Mas sim, também costumo me observar e perceber se tem algo que não gosto pra tentar mudar na próxima gravação, como fazem muitos atores que trabalham fora do pornô.

– O que você acha do pornô como ferramenta de educação sexual?

Se a maioria das pessoas vê o pornô como a ferramenta que ensina a transar, é porque a educação sexual que temos tanto na escola quanto em casa é deficiente ou muitas vezes inexistente. A gente devia saber que os filmes são filmes, como os de ação ou fantasia, e que tem atuação, com coisas exageradas pra ficar melhor na câmera, que se não usam camisinha é porque os atores fizeram exames antes, que tudo é combinado previamente, que as fantasias são fantasias e que precisamos contextualizar o que estamos vendo. Costumam culpar o pornô por coisas que, na real, são culpa da sociedade em geral.

– Que críticas você faria à pornografia?

A principal crítica que faço é a mesma que poderia fazer a outras indústrias: mais inclusão e diversidade de outros corpos, mais mulheres atrás das câmeras, que a sexualidade pare de girar em torno do prazer do homem e que os vídeos parem de terminar quando o homem goza, como se aquele fosse o fim do ato sexual, ignorando completamente o prazer ou orgasmo da mulher.

– O que é mais difícil e o que você mais gosta de ser atriz pornô?

O mais difícil de ser atriz pornô é o estigma que existe em relação ao trabalho sexual e ao fato de alguém decidir usar seu erotismo e sexualidade para trabalhar. Todo mundo transa e vê pornô, mas se alguém diz que trabalha com isso, é algo que precisa ser apontado com o dedo e criticado sob uma visão moral. O que mais gosto é que, para mim, não é só um trabalho, mas também a expressão mais forte que encontrei de fazer com meu corpo o que eu quero. Consegui me desprender do olhar moral dos outros, que quer controlar os corpos alheios e pretende decidir que tipo de sexualidade é a correta, e isso, sem o trabalho sexual, com certeza teria me custado muito mais.

Fonte: Infobae

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