E tu me dizes que estás tão feita
a este desabitado ócio de minha carne
que apenas sim tua sombra se delata,
que apenas sim és certa
nessa escuridão que a distância põe
entre o teu corpo e o meu











































Fui só como um túnel. De mim fugiam os pássaros e em mim a noite entrava sua invasão poderosa. Para sobreviver-me te forjei como uma arma, como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha honda













































Aquele olho que está feito junto de Fuenterrabía, digam-me, senhora minha: como é largo sendo estreito? E por que, mirando para o teto, é sua fruta mais saborosa?O que é coisa e coisa?





Primeira Cerimônia
Primaveroço eis,
delicioso e ternurista,
e ninguém é como tu, cervatillo matutino,
silvestre e leve.
aparece dormir
e uma sonrisa brilha em seus olhos;
fico sem mim.
Tú veranideces
quando minhas mãos desdobram sua pobreza
e tocam seus cabelos dóceis, como a água
e me inclino ao seu lado.
Desnudo te descubres; desnudo estou aqui;
suspensivo, tremulo,
desamparado como a noite do miserável;
fome e mórbido:
o que posso fazer, cego e mudo,
atado de estupor,
maravilhado?
mantenhes tua mirada fresca e feroz,
sedienta de antemão;
resplandecendo na devoradora escuridão: teu sexo,
umido, caloramente elétrico, madero vitorioso,
com o recuerdo ferido ainda
da primeira masturbação e do orgasmo receloso, e seus lábios suntuosos
tremulando um hálito que já não precisa
do menino que eras,
e teu pescoço mira que pula as cordas
do coração, não sei se o teu, o meu,
e nenhuma palavra pronunciamos,
não há graça para mim.
Deixa que diga não teu peito núbil,
lugar duro da saúde,
marejada que ninguém deterá,
retém seu amor, seu ódio;
teu modo de ser tu quase me lambe,
calor de cão, olhos de ganso, irmão de cavalos;
me vem encima tua estação,
a rotação noviça do teu umbigo,
teu almíbar de estar feito
veloz, imóvel, lento, prensil, inapresável;
tendo uma mão: existes;
teus coxos, golpe a golpe, separam-se,
se encontram, se encaixam, se unificam,
faz uma brecha ardente na revolta da sábana;
não há piedade para mim.
Teus dentes caem, degolam,
rindo o sentido.
Toma-me,
deshonra-te, somete-me, contriste-te, obedece-me,
enlouquece, avergüënza-te, desúnete, arrodíllate,
violame, volta outra vez, aparta-te, regressa,
miserável, amor meu, lagarto, imbecil, maravilha,
precipita-se, aulla.
De repente, tu, o relâmpago,
aberto, florecido, restallante,
acima, abaixo, encima, onde?
fendas a escuridão,
e dentro:
chove





a este desabitado ócio de minha carne
que apenas sim tua sombra se delata,
que apenas sim és certa
nessa escuridão que a distância põe
entre o teu corpo e o meu












































Fui só como um túnel. De mim fugiam os pássaros e em mim a noite entrava sua invasão poderosa. Para sobreviver-me te forjei como uma arma, como uma flecha em meu arco, como uma pedra em minha honda













































Aquele olho que está feito junto de Fuenterrabía, digam-me, senhora minha: como é largo sendo estreito? E por que, mirando para o teto, é sua fruta mais saborosa?O que é coisa e coisa?




Primeira Cerimônia
Primaveroço eis,
delicioso e ternurista,
e ninguém é como tu, cervatillo matutino,
silvestre e leve.
aparece dormir
e uma sonrisa brilha em seus olhos;
fico sem mim.
Tú veranideces
quando minhas mãos desdobram sua pobreza
e tocam seus cabelos dóceis, como a água
e me inclino ao seu lado.
Desnudo te descubres; desnudo estou aqui;
suspensivo, tremulo,
desamparado como a noite do miserável;
fome e mórbido:
o que posso fazer, cego e mudo,
atado de estupor,
maravilhado?
mantenhes tua mirada fresca e feroz,
sedienta de antemão;
resplandecendo na devoradora escuridão: teu sexo,
umido, caloramente elétrico, madero vitorioso,
com o recuerdo ferido ainda
da primeira masturbação e do orgasmo receloso, e seus lábios suntuosos
tremulando um hálito que já não precisa
do menino que eras,
e teu pescoço mira que pula as cordas
do coração, não sei se o teu, o meu,
e nenhuma palavra pronunciamos,
não há graça para mim.
Deixa que diga não teu peito núbil,
lugar duro da saúde,
marejada que ninguém deterá,
retém seu amor, seu ódio;
teu modo de ser tu quase me lambe,
calor de cão, olhos de ganso, irmão de cavalos;
me vem encima tua estação,
a rotação noviça do teu umbigo,
teu almíbar de estar feito
veloz, imóvel, lento, prensil, inapresável;
tendo uma mão: existes;
teus coxos, golpe a golpe, separam-se,
se encontram, se encaixam, se unificam,
faz uma brecha ardente na revolta da sábana;
não há piedade para mim.
Teus dentes caem, degolam,
rindo o sentido.
Toma-me,
deshonra-te, somete-me, contriste-te, obedece-me,
enlouquece, avergüënza-te, desúnete, arrodíllate,
violame, volta outra vez, aparta-te, regressa,
miserável, amor meu, lagarto, imbecil, maravilha,
precipita-se, aulla.
De repente, tu, o relâmpago,
aberto, florecido, restallante,
acima, abaixo, encima, onde?
fendas a escuridão,
e dentro:
chove





3 comentários - Gurigay