Podría haber salido peor!

O jogo, como sempre, tinha regras definidas de antemão. O plano era descer até a rambla, caminhar em sentidos opostos e fazer uma típica paquera de rua como dois desconhecidos. Normalmente um de nós sai antes, dando tempo pro outro se vestir de um jeito que não saiba como o outro tá vestido.
Eu saí às 3 da tarde, coloquei uma calça de couro preta, camiseta preta também e uma jaqueta de couro, obviamente preta. Deixei o carro perto da Faculdade de Ciências Econômicas e desci andando até a rambla.
Não sabia por onde o Martín ia aparecer, a ideia era ele descer pelo lado do cemitério e vir caminhando na minha direção.
Fiz o trajeto até o lado do cemitério andando de boa. De vez em quando olhava pra todos os lados pra ver se o via. Ainda não tinha pensado como ia chegar nele. Das vezes que fizemos isso, quase sempre começava com algum olhar e alguma forma de puxar conversa. Quase sempre um de nós dois se fazia de difícil e dava uma enganada no outro, só pra deixar o jogo mais real.
Me veio a ideia de um falso sequestro, forçando ele a me acompanhar sob ameaças. Fui analisando os detalhes do plano tão concentrado que nem percebi que tinha passado umas quadras, então comecei a andar de novo no sentido contrário.
Olhei a hora, passava das 4 da tarde. Se o Martín tivesse passado, eu teria visto. Embora tivesse bastante gente, ele não passaria despercebido de jeito nenhum.
Quase 5 da tarde e nada do Martín. Comecei a me preocupar. O trajeto planejado não era grande pra gente não ter se visto. Decido ligar pra ele.
Eu = Oi, gato, cadê você?
Voz desconhecida = O senhor está falando com a delegacia de Polícia.
Eu = Ehhhhhhh? O que aconteceu? Cadê o Martín?
Voz desconhecida = O sr. Martín E. está detido nesta delegacia.
Eu = Como??? Me diz o endereço? Tô indo pra lá!
Voz desconhecida = O endereço é Michelini………
Eu = Pego os documentos e vou. Já vou.
Corro até o carro, vou pro apartamento, pego os documentos dos dois e saio voando pra delegacia. No carro, antes de ligar, ligo pra um cliente, um parceiro, pra pedir conselho e saber o que fazer.
Chego na delegacia e sou atendido por um policial.
— Olha, ele me diz, o sr. Martín E. foi detido na via pública e trazido pra cá pelo suposto crime de prostituição.
Eu = Queeeeeeeeeeeee? Eu respondo pelo sr. Martín, sou parceiro dele e de jeito nenhum ele exerce qualquer tipo de prostituição!!!
— Isso quem vai determinar é o promotor. Estamos prestes a encaminhar o caso.
Eu = Olha, oficial, tem um engano, a gente ia se encontrar hoje à tarde, só saímos pra caminhar, nada mais.
— Pelo jeito de se vestir do sr. Martín E., não é o que a senhora está dizendo.
Quase caí de bunda. Tinha esquecido da nossa brincadeira!!
Ligo pro meu cliente, explico a situação e ele me diz pra ficar tranquilo que em 5 minutos resolve tudo.
Sinceramente, não sabia o que fazer!! Consulado, Embaixada, tudo passou pela minha cabeça. Lá de dentro, o policial me chama de novo.
— Olha, a situação foi esclarecida, vamos liberar o sr. Martín E. porque o Comissário X nos disse que são amigos dele e que foi tudo um erro.
Ufffffffffff!
Lá de dentro, outro policial traz o Martín. A verdade é que quis morrer. Ele tava vestindo: um shortinho vermelho que só cobria metade da bunda, camiseta branca e por cima uma jaquetinha vermelha bem curtinha. Uma putinha!! Não é à toa que meteram ele no camburão!!
Enquanto voltávamos pra casa, xingava ele de tudo quanto é jeito. Como é que pode! Não estamos em Buenos Aires! Tive que ligar pra um cliente pra te soltarem! E mais mil xingamentos.
Já em casa, o Martín me contou que trataram ele bem, mas que ficou com medo da situação.
Cinco minutos depois, toca meu telefone. Chamada recebida do telefone do Martín!!!
— Eu = Alô
— Alô, olha, esqueceram esse celular aqui na delegacia. Como vi que a senhora foi quem ligou antes, queria avisar que o O aparelho tá aqui.
- Eu = Uiiii, muito obrigado, oficial!! Daqui a pouquinho passo pra buscar.
- Não se preocupe, em alguns minutos meu turno acaba, se quiser eu levo até você, me dá seu endereço, por favor.
- Eu = Não, por favor, não se incomode! Eu passo pra buscar.
- Não é incômodo, eu levo até você.
- Eu = Bom, agradeço, meu endereço é ………….., valeu!
- Daqui a alguns minutos tô aí.

Dez minutos depois, o policial aparece, agora vestido à paisana. Uns 24 ou 25 anos, moreno, pele clara, corpo bonito. Tava com uma calça bem justa e uma camisa azul que marcava um belo traseiro.

- Eu = Uiiii, muito obrigado, oficial, agradeço pelo incômodo.
- Não é nada, também queria me desculpar se fui meio grosso, peço que entenda que a situação era confusa.
- Eu = Tá de boa, não tem o que desculpar, você foi (já tava tratando por "você") muito profissional.
- Valeu! Brigado, Lucho, né?
- Eu = Sim, Lucho, Martín é meu parceiro, viemos pra Montevidéu faz pouco tempo.
- Ahhh, olha só, não conheço casais de caras. E às vezes é difícil sendo policial conhecer caras por aqui.
- Eu = Sim, imagino! (O policial tava dando em cima de mim? Kkkkkkkk)
- Bom, tenho que ir, quando vocês quiserem e se tiverem afim, uma noite dessas a gente podia sair pra tomar algo, digo, sem compromisso.
- Eu = Fechou! Seria legal, a gente não conhece quase ninguém aqui.
- Show! Um dia desses te ligo pra combinar algo (ele já tinha salvado meu telefone!!!!). Além disso, se vocês curtirem a ideia, posso vir com o uniforme e as algemas, digo, se vocês toparem a parada.
- Eu = (chocadíssimo!!!) Sim, claro, bom, a gente vê!

Assim termina (termina???) isso que poderia ter dado mais errado!

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8 comentários - Podría haber salido peor!

uff, me hiciste parar la pija!, morboso y caliente relato para los que nos calientan los uniformes. +10 genio!!

Ufff! Qué buena historia!!
Hay continuación?

Gracias por compartir 👍
Yo comenté y puntué tu post, la mejor manera de agradecer es retribuir en alguno de los míos.
TechVoy +1
Se vinieron a mvd al final? Que bueno! Igual acá es legal la prostitución, pero buen relato igual
Será legal, pero igual lo levantaron genio.
Gracias por pasar