Num sábado, alguns meses atrás. Tinha sido convidado para um aniversário que tive que ir "por obrigação", típico aniversário de casais em que quem não está nessa situação tem que responder perguntas tipo: "Pra quando? Já não tá na hora?" e um monte de frases assim.
Passada a hora do bolo de aniversário, me desculpo (isso é bom de ser biólogo-pesquisador, ninguém entende o que você faz nem que horários tem). Desço do apartamento e começo a acenar pra um táxi. Assim que entro, cumprimento cordialmente como sempre e reparo no motorista. Era um cara de não mais que 29 anos.
Geralmente gosto de taxistas que falam, gente que fala. Ouvir é um exercício lindo pra aprender mais do que com livro. Mas dessa vez não busquei conversa, só fiquei olhando pela janela. Quando ele me pergunta:
- Vai pra balada?
- Não, já vou dormir. Já tenho essa idade em que os da minha idade não têm balada e os que têm balada não têm minha idade.
(ri)
- Que foda isso! Comigo era assim desde que comecei a dirigir táxi, minha balada acabou porque faço turno da noite.
- Deve ser foda...
- Não, tem má fama mas de noite é quando a gente conhece as pessoas, as pessoas de verdade.
- Você acha?
- Não só acho, como também sustento. A gente de noite é real, e quando tá bêbada é pior... Tem que desconfiar de quem não bebe...
- Olha que legal isso que você diz, nunca tinha pensado...
- Pois é, é a real. Além do que pagam mais... isso é melhor.
- Tá ganhando bem?
- Não tanto quanto me Gostaria, mas não tá ruim não. Mas se conseguisse outro trampo, aí sim eu mudaria, queria passar mais tempo com minha mina e com meus velhos.
- Tem filhos?
- Não, por sorte não. Não conseguiria manter. Mas por enquanto o que ganho dá pra viver, e pra me dar uns mimos...
Tenho que reconhecer que ali apareceu a lembrança do "meu amigo psicólogo" e comecei a perguntar e ver onde ia parar uma conversa rápida com um completo desconhecido. De qualquer forma, minha cabeça estava cheia de preconceitos, então imaginei que os "mimos" fossem uma TV maior, roupa nova... sei lá.
- Que mimos você se dá?
- Gosto, quando posso, de ir pras serras, alugar uma cabaninha... Fazer churrasco, comer bem e não ter que me vestir pra trabalhar, posso passar horas catando gravetos, caminhando...
- Que loucura! Nunca teria imaginado...
- A cidade é uma fúria, ficar sozinho é bom.
- Não vai com sua namorada?
- Às vezes ela vai, mas às vezes faz-se de sonsa e me deixa sozinho porque a mina não tá muito a fim.
- Sozinho nas serras?
- Sozinho não, comigo.
Já estávamos chegando na casa onde eu estava hospedado, mas sentia que precisava continuar conversando. Fingi que mexia nos bolsillos e pelo retrovisor ele me viu, eu fingia estar preocupado.
- Aconteceu algo?
- Esqueci as chaves, peraí que eu ligo. (ele parou o carro na beirada e deixou o motor ligado)
...
- Não atendem?
- Não, não tá dando. Que merda!
- Não esquenta, continua tentando e se quiser a gente volta devagar.
Não pensei em mais nada, só que era uma oportunidade pra ele cobrar mais, e eu deixar ser cobrado pra conversar mais um pouco.
- Não tá dando...
- Você continua tentando, que a gente vai devagar. E se chegarmos e não atenderem, você toca a campainha.
- Bom, tá bom.
- Com o que essa corrida vai te custar, eu vou pro fim de semana no campo (e ele ri)
- É, verdade...
- Era brincadeira, não se preocupa. São coisas que acontecem, não é importante...
- Não tenho onde dormir... E não é importante?
- O importante é comer bem, conversar com amigos, tomar vinho, ser feliz.
- Sabe? você tem razão... Mas também tem que trabalhar, ganhar uma grana pra isso.
- Sim, mas não é o mais importante. Olha...
Ele desligou o taxímetro e me disse:
- Viu? vamos devagar e não esquenta com a grana.
- Não faça isso. Não precisa.
- Meu táxi, minhas regras. Assim sobra uns trocados e você vai pro campo também.
- Desliga o celular também?
- Não, desligo a internet que é diferente. E ligo se tiver muito entediado e quiser ver pornô.
Eu ri e aí comecei a prestar atenção.
- É, você curte, é legal mesmo.
- O mais gostoso é andar pelado tranquilo...
- lá ninguém fala nada, estando sozinho não tem que dar explicações, não tem complexos...
- Complexos?
- Aqui a gente tem que ter grana na carteira, carro novo, se vestir bem, plano de saúde (olha pelo espelho e confirma) E uma rola grande e que fique sempre dura...
- Isso é verdade. Antes de uma lista de coisas pra fazer, você tem uma lista de coisas pra ter. (lanço minha primeira linha, como pescador profissional pescando com mosca) Entre elas, uma rola dura sempre!
- E grande!
- (eu rio)
- Sabe? um dia vou criar um grupo no facebook de paus comuns, se a gente se juntasse dominava o mundo.
- Perdão, mas te perturba tanto assim?
- Sofri por ter pau pequeno, larguei o futebol por isso, nunca consegui me trocar na frente dos outros por vergonha.
- Tanto assim?
- Te mostro se não rir.
Aí olhei pra ele pelo espelho surpreso, não esperava por essa.
- Não se assusta! É um modo de dizer...
- (não ia me acovardar...) Não me assusto, não precisa me mostrar.
Coloco as mãos no banco, me inclino pra frente e olho o volume dele.
- (ele ri) Eu que me assustei agora.
- Não parece tão pequena, duas coisas: ou você é puro ovo ou não é tão preocupante.
- Você é viado?
- Não, velho, mas a gente tá falando do seu pau.
- Você é um cara legal, queria uma gostosa como você, eu casava.
- O problema não é você ser homem, o problema é você querer casar (faço uma piada pra descomprimir e o retruque)
- O problema é que ele fica duro.
- O problema é que ele ficar duro.
- (ri muito nervoso) Acho que um dia vou experimentar.
- O quê?
- Ver se ele fica duro, cara.
- Olha só, você me disse que vários bêbados sobem. Faz de bobo e vê qual é a deles.
- NÃO! Os caras que sobem querem foder, eu só quero ver se ele fica duro.
- Já tá criando obstáculos, e quando isso acontece é porque você sabe o que rola.
- Não! Eu sou bem machão.
- Mas se tocarem nele, ele fica duro.
Chegamos na casa dos meus amigos, desci, toquei a campainha e me abriram. Pedi pra ele esperar e fui "buscar a chave". Subi e disse que tinha esquecido as chaves, enfiei a mão no bolso, me abaixei rápido (com a chave na mão) e falei: "Tá aqui!" Me despedi e fui embora.
Quando desci ele tava lá, com uma mão no volante, baixou o vidro do passageiro e perguntou:
- Achou?
- Sim, tão aqui (mostro as chaves)
Me dirijo pra porta de trás, volto pra porta da frente. E ele diz:
- Quer sentar na frente?
- Não, voltei pra olhar seu volume com luz.
Ele ri sem graça. Quando subo, ele fala:
- Chega, você me faz pensar.
- Põe o relógio!
- Não, qual é.
- Meu táxi, minhas regras.
- Ainda bem que a regla é não me cobrar, já vi que ia pedir pra eu tocar seu pau.
Faz um silêncio quase imperceptível e eu retruco.
- Ou ia me pedir pra tocar o seu?
- (Ri) Não, nunca pediria essas coisas. Tipo, não pediria.
- Mas?
- Isso não se pede, cara.
- Tem razão.
Ficamos em silêncio e eu observando, nossos olhares se cruzaram quatro vezes no espelho.
Coloquei as mãos no banco (Ele não disse nada) Me sentei mais pra frente, já sem as costas no encosto (Ele não disse nada) E estiquei a mão bem devagar, ele baixava o olhar e olhava pra mão. Peguei o volume dele e apertei. A pica tava dura, muito dura, e eu sabia que falar naquela hora ia complicar as coisas. Me sentei mais pro meio, abaixei o zíper dele e fiquei tocando bem devagar a pica, ela pulsava e ele começou a se mexer devagar, cada vez que apertava, empurrava. Eu fui recuando igual de devagar.
- É, você ficou de pau duro. E não acho que seja tão pequeno assim.
Ele encostou o carro na calçada, desabotoou a calça, tirou o pau pra fora e me disse:
- Vem pra frente.
- Eu desci, mudei de assento.
Segurando o pau duro, ele me disse:
- Chupa ele!
Comecei a chupar e ele foi ficando cada vez mais tenso. Peguei as bolas dele, puxei pra baixo e engoli o pau todo. Ele empurrou minha cabeça, apoiou o pau na minha bochecha e segurou firme.
- Para, que eu vou gozar.
Beijei a ponta, me levantei, peguei uma caneta que tinha no porta-luvas e um papel, enquanto (de olhos fechados, ele se recostou segurando o pau) anotei meu telefone e disse:
- Da próxima vez, no campo.
- Não, para, me faz gozar.
- Seu táxi, minhas regras.
Deixei 150$, meu telefone e caminhei cinco quadras até em casa tentando esconder minha ereção. Ele nunca me ligou.
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