Origens da Festa P!
BigotoLargohá 13 anos
Para muitos povos antigos, o ano começava no solstício de inverno (21 de dezembro, mais ou menos, no hemisfério norte). Na verdade, o primeiro de janeiro é só alguns dias depois. Muitos desses povos viam o tempo como um círculo que volta e não como uma linha que só avança. Assim, o início do ano é também um início do tempo, num sentido mítico. Boa parte dessa forma de pensar se conserva, talvez não na teoria, mas na prática: a gente comemora aniversário, virada de ano, aniversários disso e daquilo. Essas práticas pressupõem que tem algo que "se repete". Embora a gente saiba que o dia do nascimento e o dia do aniversário não são os mesmos, também sabemos que em certo sentido são, por isso a comemoração, e por isso eu disse que tem algo que se repete.
Os romanos primitivos também pensavam assim, e embora no período clássico (séculos I a.C.-I d.C.) essa teoria estivesse em decadência, as práticas se mantinham, e ainda se mantêm. (Nos primeiros séculos da cidade, o ano começava no primeiro de março, mas o primeiro de janeiro já era considerado o início muito antes do período clássico.) No mês de dezembro, entre os dias 17 e 23, os romanos celebravam as "saturnais", festa em homenagem a Saturno, em que os escravos tinham tempo livre e ração extra, rolavam banquetes públicos, troca de presentes... Enfim, tudo muito decente e civilizado.
Nas origens, essa festa era diferente. Nela se reuniam dois acontecimentos importantes para a comunidade: o fim do plantio de inverno (Saturno é um deus agrícola), e o início do ano solar (a partir do solstício de inverno, o tempo de sol fica um pouquinho mais longo a cada dia, por isso essa data é vista como o nascimento do sol, ou do ano, ou do tempo). Como festa agrícola, e para que a colheita fosse farta, os camponeses faziam uma grande orgia, às vezes até em cima da terra recém-plantada. Estabeleciam assim um paralelo entre a união sexual de homens e mulheres e a união sexual da semente com a terra. Como festa de fim de ano, a orgia é uma "encenação do caos" (da confusão, da indiscriminação, da igualação) que existia antes do início do tempo. Quando começa o ano, ou seja, o tempo, o confuso se ordena, o indiscriminado se separa, o igual se diferencia, o caos se transforma em cosmos.
Insisto no convite para uma festa P!
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